Quando falamos de desenvolvimento infantil, já deu por si a pensar no desenvolvimento dos seus filhos? Será que o meu filho já devia…? Será que ele está atrasado? Será que está tudo bem?

Pois é, é frequente o surgimento de dúvidas acerca do desenvolvimento infantil… A questão que se coloca é então: consultar ou esperar? Consultar para apaziguar as incertezas ou fundamentar a espera no ritmo incerto do desenvolvimento infantil?

De facto, o desenvolvimento infantil é pautado de alguma variabilidade tendo em conta características ambientais, genéticas e até da própria criança. Mesmo dois irmãos expostos aos mesmos estímulos podem ter ritmos desenvolvimentais diferentes. Mas, até que ponto uma alteração pode ser considerada normal ou anormal? Quando é que as famílias devem procurar ajuda junto dos especialistas ou esperar mais um pouco para ver se as crianças evoluem sozinhas? É a estas perguntas que vamos tentar dar resposta.

O desenvolvimento harmonioso e sem perturbações é um dos grandes objetivos de uma família assim que uma criança nasce. Mesmo durante a gravidez, os seus pais já se questionam se o seu filho será saudável ou não e se terá acesso a todas as oportunidades na sua vida que lhe permitam crescer e tornar-se num adulto de sucesso. Após o nascimento e, não havendo à partida alterações genéticas, neurológicas e/ou motoras que acionem desde logo encaminhamentos para as várias áreas especializadas, a criança irá desenvolver-se fora do radar dos especialistas e conta apenas com o conhecimento da sua família e outras pessoas que interajam com esta no seu dia-a-dia (ex.: amigos dos pais, funcionários da creche/escola, etc). Nesta situação e, caso surja algum sinal de alerta, é frequente ouvir várias versões sobre a necessidade ou não de se procurar ajuda. Em última instância cabe à família filtrar essas opiniões e, junto com as suas próprias dúvidas/certezas, decidir se pede ou não ajuda.

Vários estudos científicos atestam a importância de intervir precocemente, isto é, promover e potenciar o desenvolvimento psicomotor das crianças que já possuam algum tipo de perturbação e/ou que se encontrem em situações de risco, de forma a evitar o estabelecimento de uma perturbação ou impedir que a mesma ganhe contornos mais graves. Sabe-se que o desenvolvimento das crianças pode ser modificado por influências ambientais, quer sejam positivas quer sejam negativas e que estas influências podem potenciá-lo ou dificulta-lo. Assim, quando surgem dúvidas no seio das famílias acerca de algum aspeto dos desenvolvimento do seu filho, quanto mais cedo se modificar o ambiente para um estímulo mais positivo melhores resultados se conseguirão obter. Aliado a esta questão surge a chamada “plasticidade do sistema nervoso” que nos diz que o cérebro é mais “maleável” e suscetível à aprendizagem quando a criança é mais nova. Esta plasticidade diminuí com o crescimento da criança, por isso, quanto mais cedo se atuar numa dificuldade, maior é a probabilidade de uma criança corresponder positivamente a essa estimulação. Além disso, diversas alterações no desenvolvimento que não são intervencionadas a tempo poderão, mais tarde, agravar ou potenciar o aparecimento de perturbações secundárias. Uma surdez não corrigida, por exemplo, pode dar origem a um atraso na fala e na linguagem que se pode tornar irreversível mesmo que a surdez seja corrigida mais tarde.

O desenvolvimento infantil é um tema que a maioria das famílias não dominam e é neste aspeto que se pretende dar apoio de forma a ajudá-las na sua decisão, dando a conhecer alguns sinais de alerta que facilmente podem analisar nos seus filhos.

Muitos destes aspetos surgem, por vezes, por comparação com crianças da mesma idade e é este um dos aspetos principais que os pais devem levar em conta quando analisam os seus filhos. “O meu filho não é capaz de fazer algo, e os seus pares já conseguem?”.

Terapia da fala

terapia da fala

Um dos grandes marcos do desenvolvimento é sem dúvida o aparecimento da linguagem e da fala que surge entre o primeiro e o segundo ano de vida e geralmente aos dois anos, uma criança deverá tentar juntar duas palavras numa frase, mesmo que as palavras ainda não sejam ditas corretamente. Depois começam-se a observar bastantes omissões ou substituições de fonemas na fala. Estas alterações são normais e fazem parte do desenvolvimento das crianças mas devem ir desaparecendo com o crescimento. Com a complexificação da linguagem e do raciocínio às vezes as crianças tendem a apresentar sintomas típicos de uma gaguez. Se, por exemplo, após os quatro anos a criança ainda apresentar várias alterações quer na percetibilidade da fala quer na fluência da mesma, estas devem de ser um dos grandes alertas para os pais procurarem ajuda.

Terapia Ocupacional

Terapia Ocupacional

Durante as aprendizagens pré-escolares as crianças são expostas a inúmeros estímulos. É aqui que quer os pais quer os educadores conseguem detetar algumas dificuldades que podem ser sugestivas da presença de uma alteração/perturbação. Aspetos como a dificuldade em correr, saltar, ou desempenhar alguns jogos típicos, a dificuldade em usar alguns dos utensílios na sala de aula (ex.: tesoura, lápis, puzzles, brinquedos) ou até dificuldades na concentração, realização dos trabalhos mais estruturados e memorização do conhecimento que lhe é transmitido. Situações como a dificuldade em realizar tarefas do dia-a-dia como o vestir/despir ou o apertar os botões do casaco e atar os atacadores devem ser tidos em conta e alertar os pais. Com a exposição à escola ou outros ambientes diferentes do contexto familiar as crianças podem demonstrar alguma dificuldade em cumprir ou a desafiar constantemente o adulto fazendo birras excessivas. Aqui os pais devem ponderar se estas são ou não fundamentadas e se as conseguem controlar, caso contrário será benéfico que consultem um especialista no sentido de aprofundar as razões da mesma e dar estratégias aos pais para ultrapassarem estas questões.

Psicologia: Sinais de alerta

Psicologia sinais de alerta

Mais tarde surge outro grande marco do desenvolvimento com a entrada para o primeiro ciclo e com a aprendizagem da leitura e da escrita. Aqui, as crianças experienciam métodos de ensino diferentes do que estavam habituados e o ambiente mais formal pode ser um obstáculo à sua aprendizagem. Crianças que não se conseguem concentrar, que apresentem dificuldades na leitura e na escrita quer sejam observadas através de erros constantes ou na caligrafia quer através de sentimentos negativos perante estas atividades devem de ser observadas por um especialista para detetar possíveis alterações atempadamente e impedir que as mesmas se instalem e sejam irreversíveis. Uma vez que nesta fase é suposto que as crianças já tenham um nível avançado de consciência das suas dificuldades/capacidades, alterações a este nível poderão afetar a criança no domínio emocional, levando por vezes a um isolamento, sentimentos de tristeza, frustração e/ou agressividade graves que podem pôr em risco todas as suas aprendizagens escolares e a relação que a criança tem com a escola e seus professores.

Em suma, é normal que as famílias tenham dúvidas acerca do desenvolvimento das crianças e que estas sigam ritmos diferentes. É preciso saber ponderar quais as implicações que as dificuldades podem trazer para o desenvolvimento e procurar a ajuda dos especialistas quando surgem incertezas pois só assim poderemos promover um desenvolvimento harmonioso das nossas crianças e saber como estimular da melhor forma em cada momento.

 

SIM-SIM, Inês. Desenvolvimento da Linguagem. Lisboa: Universidade Aberta, 1998
PENÂ-CASANOVA, J. Manual de Fonoaudiologia – 2ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997
VITTO, Márcia M. P., FÉRES, Maria C. L. C. Oral communication disturbances in children. Ribeirão Preto: Medicina, 2005; 38 (3/4): 229-234
Pimentel, Júlia V. Z. S., Intervenção Focada na Família: desejo ou realidade. Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência, 2005

LER TAMBÉM…

As crianças e os comportamentos menos positivos: tudo se resolve no psicólogo, ou então não

Do Normal ao Patológico: como olhar para o comportamento do seu filho

Não há crianças difíceis. O difícil é ser criança num mundo de pessoas cansadas.

 

 

Quantos homens são precisos…

O trabalho deitou-me para aqui. Jogou-me com força para longe, para um quarto estranho…Não é bem força a palavra certa…

E agora, na distância, sinto falta.

Falta do desconforto do pequeno almoço cheio de leites derramados. Dos verdadeiros, não dos metafóricos.

Sinto falta do “Óh pai, mas posso fazer uma pergunta ? Posso? Posso?“.

Sinto falta dos “Pára de chatear a tua irmã! Podes parar? Podes? Podes?“.

Somos mesmo parecidos.

Até sinto falta do “Amor, meias debaixo do sofá?“.

Nesta conforto dos canais por cabo, sinto falta do desconforto.

Óh pai, muda! Muda…muda!

Amor, chama o Carlos para mudar as lâmpadas, porque se eu tiver à tua espera...”

Até tenho tempo para ler. E o que descobri? Que ninguém sabe quantos homens são precisos para mudar o papel higiénico, porque esse feito nunca aconteceu. A sério. Está num livro. Por acaso a carapuça até me serve…

Neste quarto de hotel, o silêncio está a fazer-me mal.

Lembro-me de ter saído de manhã, ter visto as roupas desarrumadas e ter dito “Continua assim, continua. Não mudes não…não mudes não…

Estas frases/ameaça não fazem sentido neste quarto de hotel.  De repente, a cama começou a ficar muito dura, quase pedra, e sinto que vou numa carroça… Tinha adormecido e era um sonho.

Acordo, levanto-me, ando por aqui por este espaço sem piada e sinto falta.

Falta de dar mais valor aos “desconfortos” da vida familiar. Talvez a nossa missão, talvez o significado, esteja neste gerir de emoções. Entre o perder a paciência e o observar o crescimento das crianças, as suas lutas, os seus pedidos, os seus porquês incessantes.  Entre o ameaçar e o elogiar, dando força. Entre o criticar o companheiro ou companheira e o compreender.

Até já sinto falta do “Óh pai, ainda falta muito?!“.

Do “Amor, podes ir ao lixo?”. Do “Amor, o carro está a fazer tum,tum,tum, não está?”.

Quando voltar, organizo uma viagem de carro com todos.

Já sei qual a palavra certa. O trabalho jogou-me para aqui de forma inevitável! Era inevitável. Isto é inevitável.  É trabalho.

Mas não é inevitável perder a paciência, fugir dos pequenos atritos familiares, não querer melhorar e não é inevitável ceder à natureza. Não é inevitável fugirmos do humanismo num mundo cínico.

Começarei, este fim de semana, por estar atento ao papel higiénico.

E telefono ao Carlos por causa das lâmpadas.

PS: Não é que não saiba mudar as lâmpadas, mas ele é um grande amigo e todos os pretextos para estarmos juntos, serão poucos.

imagem@depositphotos

LER TAMBÉM…

Parem de pedir à mãe tudo e mais alguma coisa. Peçam ao pai!

Carta ao meu amigo que vai ser pai.

Quando for grande quero ser como o meu pai

As birras fazem parte do crescimento, hão-de existir  sempre.

Não havendo uma fórmula para as evitar na totalidade, há formas de lidar com as crianças. Ensinando-as a gerir melhor as emoções conseguem  acalmar as suas próprias ansiedades.

Ficam três dicas simples que o vão ajudar:

  1. Antecipar

Antecipar alguns momentos do dia-a-dia é fundamental para que tudo aconteça duma forma mais tranquila. Se vai a casa dos avós e tem de sair mais cedo explique-lhe o que vai acontecer de preferência antes de sair de casa. Planeie o dia para que o seu filho não seja apanhado de surpresa. Quanto mais as crianças tiverem o seu dia planeado, também elas gerem melhor o que sentem. Caso contrário, vai estar a brincar com os primos e, de repente, os pais dizem: “vamos embora”. Para a criança é um atentado à diversão e gera-se um problema. No entanto, se já estiver preparada irá lidar melhor com o que sente e mesmo que faça uma birra, não sente que foi uma traição dos pais.

  1. Olhos nos olhos

Quanto tempo consegue falar com o seu filho a olha-lo nos olhos? Sem as distrações do telemóvel, da televisão, da máquina da roupa ou o jantar para fazer? Criar o hábito de ter um espaço de conversa com o seu filho vai dar-vos uma oportunidade de se conhecerem melhor, de partilharem o que pensam e sentem e, acima de tudo, vai passar a mensagem ao seu filho de que se preocupa com ele. Quanto mais cedo na relação houver este espaço mais fácil será a comunicação entre os dois. Se a criança for muito pequena, esta conversa pode ser uma brincadeira com um simples brinquedo, de forma a que a atenção não seja exclusiva para o brinquedo mas sim para a relação entre os dois.

  1. Atenção

Se o seu filho está a fazer uma birra porque quer um brinquedo, uma ida ao parque ou a casa dos avós, está a exigir atenção. A melhor forma de o fazer entender que não é possível satisfazer o seu desejo nessa altura é baixar-se, colocar-se ao nível dele, olhá-lo nos olhos e falar com um tom de voz calmo.

Lembre-se que se responde com frustração ou impaciência vai gerar ainda mais frustração. O que o seu filho lhe está a dizer é “nunca olhas para mim, nunca queres saber de mim, só fazes o que tu queres”. Mantenha-se calmo e devolva-lhe aquilo que ele sente. “Eu sei que estás chateado comigo porque queres ir ao parque, mas neste momento não vai ser mesmo possível porque tens de ir tomar banho e jantar”.

Não prometa ir no dia seguinte porque os imprevistos acontecem e as crianças não se esquecem do que lhes foi prometido.

Este tema surge muitas vezes nas sessões de psicologia com os pais. As birras são uma situação recorrente nas famílias e de difíceis contornos quando já está instalada. Isto provoca um desgaste emocional muito grande para todos. As birras são naturais, a não ser que se tornem muito repetitivas e persistentes. Nesse caso poderão ser um sintoma de que algo está a correr menos bem.

O mais importante é apostar na relação de confiança e partilha. Garantir que os pais são o adulto na relação (muitos pais acabam por ceder às birras cabendo no fim o poder de decisão à criança), ter calma suficiente para lidar com os imprevistos, e incluir o seu filho nos planos preparando-o para a dinâmica dos vossos dias.

 

 

LER TAMBÉM…

Como lido com as birras?

O segredo das birras

Birras com Gritos Muito Intensos

 

Uma criança difícil é, geralmente, uma criança insegura que procura reconhecimento constante.

Por trás de cada criança difícil esconde-se um caos emocional revestido de raiva e até de desobediência, que nunca é fácil de abordar por parte dos pais ou professores.

Recorrer ao castigo ou às palavras num tom mais elevado e agressivo, apenas conseguirá intensificar ainda mais as emoções negativas, a sua frustração e até a sua baixa autoestima.

Nunca saberemos o porquê de algumas crianças nascerem com uma personalidade mais complexa do que outras.

No entanto, em vez de perdermos tempo a perceber a razão para a personalidade difícil das nossas crianças, devemos entender, simplesmente, que há pessoas que têm mais necessidades, que precisam de mais atenção.

Façamos uma reflexão sobre isto.

Crianças difíceis são crianças exigentes

Uma criança difícil não ouve, não obedece e costuma reagir de forma desmedida a certas situações. Isto faz com que mergulhemos num círculo de sofrimento onde o vínculo com esta criança vai sendo carregado de tensões, ansiedade e muitas lágrimas.

Muitos pais e mães acabam por se questionar. “Serei um mau pai/mãe?” “Estarei a fazer algo errado?”

Estas questões são perfeitamente normais, mas irão apenas alimentar ainda mais a frustração. Antes de cairmos nest espiral, esperimentemos algumas estratégias.

Assumir que temos um filho mais exigente

Há crianças que crescem sozinhas, que sem sabermos como nem porquê são mais maduras, receptivas, obedientes e autónomas. No entanto, é perfeitamente normal que algum dos irmãos desta mesma criança demonstre, desde os primeiros meses de vida, mais necessidades e requeira mais atenção dos pais. São bebés que choram mais do que o normal, que dormem pouco e que vão do riso ao choro em poucos segundos.

  • Temos de assumir que há crianças “super-exigentes”. Precisam de mais reforços, mais apoio, palavras e segurança.
  • Longe de nos culparmos por termos “feito algo errado”, devemos entender queo estilo de criação nem sempre é o responsável por moldar uma criança difícil.

No entanto, é da nossa responsabilidade saber (pelo menos tentar) dar uma resposta a esta criança exigente e isso requer paciência, esforços e muito carinho.

Saber lidar com uma criança difícil

Se para os adultos já é difícil poder compreender e controlar as nossas emoções, para uma criança exigente isso será ainda mais complicado. Por isso, analisemos quais necessidades imediatas de uma criança difícil.

  • Uma criança difícil procura sentir-se reconhecida em tudo o que faz. São crianças inseguras que precisam de reforços com muita frequência. Quando não os encontram ou não os recebem, sentem-se frustradas e incompreendidas.
  • A autoestima baixa faz com que sintam ciúmes(até dos irmãos), com que procurem atenção para se sentirem bem, com que sintam tudo de forma mais intensa, nomeadamente emoções como o medo e a solidão.
  • Conforme vão crescendo, a sensação de insegurança pessoal e de falta de reconhecimento traduz-se em raiva e em reações desproporcionais quando, no fundo, o que existe é apenas medo, tristeza e angústia.
  • É necessário canalizar estas emoções e oferecer estratégias para que a criança deixe de precisar de tantos reforços externos para se sentir bem. Esta criança deve ser capaz de controlar o seu próprio mundo emocional com a nossa ajuda.

Chaves para ajudar uma criança difícil

  1. O poder do reforço positivo
    O reforço positivo não consiste em dar um abraço quando uma criança faz algo que não deve. É mais que isso: trata-se de não fazer uso do castigo ou do grito porque isso despoletará uma reação ainda mais negativa na criança.
    Devemos aproximar-nos da criança e perguntar-lhe porque teve determinada atitude, ou porque reagiu de determinada forma. Com calma, iremos explicar que o ato cometido não é correto, e iremos explicar também o porquê. A seguir, iremos indicar como devemos agir nesta situação.
    Por último, iremos fazer uso do reforço positivo:“eu confio em ti”, “eu sei que tu podes fazer melhor do que isso”, “eu apoio-te, amo-te e fico triste por te ver a ter essas reacções. Tu és muito melhor que isso, confia em ti”.
  2. Oferecer confiança, dar responsabilidades e estabelecer limites
    A criança deve entender desde muito cedo que todos temos limites, e que para ter direitos é preciso cumprir com algumas obrigações.
    É necessário que a criança se habitue a alguma rotina e que saiba o que pode esperar de cada momento.
    Uma  criança exigente precisa de segurança e se a educarmos em ambientes muito estruturados onde o reforço positivo esteja presente, iremos ajudá-la a sentir-se mais tranquila.
    Dê-lhe confiança, convença-a de que é capaz de fazer muitas coisas, incentive-a assumir responsabilidades com as quais poderá aumentar a sua autoestima.

A importância da Inteligência Emocional

Inteligência Emocional deve estar presente na criação de todas as crianças. É necessário ajudá-la a identificar as suas emoções e traduzir em palavras o que sente.

Desde muito pequenos iremos habituá-los a esta comunicação emocional falando sobre “o que se sente”. Os miúdos precisam de saber expressar a tristeza, a raiva e o medo.

Deste modo poderão desabafar emocional quando sentirem necessidade mas, para isso, devemos criar uma relação de confiança e proximidade ente pais/filho. Nunca julgue os seus filhos pelos que dizem nem se ria, em tom de gozo, deles. É necessário ser receptivo e propiciar sempre um diálogo fluido, ameno e cúmplice.

Texto original em Melhor Saúde, adaptado por Up To Kids®

imagem@INNs HOLZ

 

As Crianças inteligentes também sobem às árvores e saltam nas poças. São crianças e gostam de brincar.

Numa época em que as crianças nascem rodeadas de gadgets, cada vez mais nos esquecemos da importância de brincar ao livre e estar em contacto com a natureza.

Hoje em dia, derivado da concorrência extrema ao mercado de trabalho os pais, preocupados com o futuro, tendem a sobrecarregar os filhos com actividades académicas. Pressupõe-se que se desenvolverem mais competências do foro intelectual serão, um dia, mais competentes, melhores profissionais e conseguirão estar um passo à frente dos demais nesta corrida desenfreada ao sucesso.

Melhores avaliações escolares não é preditor de adultos bem sucedidos.

As competências profissionais, como todos sabemos, ganham-se essencialmente com a experiência, e não na faculdade. Um profissional competente compreende todo um conjunto de qualidades que vão muito além do que vem nos livros.

Por outro lado os pais vivem sobrecarregados de trabalho sobrando muito pouco tempo livre para proporcionar aos filhos actividades de lazer e brincadeiras ao ar livre. Obviamente, que neste contexto, as actividades extra-curriculares, os ATLs, os centros de explicação, em conjunto com os tablets, smartphones e programas de TV são a salvação de muitas famílias.

Pensar fora da caixa

Parece-me que com o pretexto de estarmos a preparar as crianças para o futuro (e o cansaço acumulado), estamo-nos a esquecer do elemento mais importante para o desenvolvimento de uma criança durante a primeira infância: brincar.

Brincar é a ferramenta mais importante no desenvolvimento de uma criança. Uma criança inteligente tem necessidade de brincar, de estar ao ar livre, de conhecer e de experimentar. Uma criança inteligente é curiosa por natureza e a brincar explora o seu potencial máximo livremente.

Brincar livremente (à antiga)

Subir às árvores, saltar nas poças, jogar às escondidas ou procurar insectos debaixo das rochas. Isto é fundamental no desenvolvimento dos nossos filhos. Ao ar livre vão aprender a explorar e experimentar o espaço, a respeitar os outros, a partilhar, a sociabilizar.

Vão aprender a cair e a levantar-se, algo que lhes será muito útil ao longo da vida.

O contacto com a natureza vai ensinar-lhes a  respeitar o meio ambiente e as outras espécies. Vão tornar-se mais destemidos e desenvolvidos a nível motor, e vão desenvolver competências que são impossíveis de adquirir fechados entre quatro paredes. Competências que só se aprendem com a experiência.

As crianças precisam de viver aventuras, brincar ao faz de conta, ganhar asas e soltar a imaginação. Se é tão importantes as pessoas saberem pensar fora da caixa, porque emparedar a criatividade dos nossos filhos? Deixemo-los sonhar, e larguemos os estereótipos. Não estamos a criar robots, mas sim crianças. E o nosso objetivo enquanto pais é que os nossos filhos sejam crianças felizes, que cresçam e se tornem adultos bem resolvidos, capazes e felizes. Fácil. O que não é tão fácil nem óbvio, é o caminho a percorrer.

Tratar cada criança com um individuo único

Cada criança é uma criança diferente, com ritmos diferentes e que precisa de estímulos diferentes. É urgente que aprendamos a entender os nossos filhos para lhes respondermos com soluções de acordo com as suas necessidades.

Há dias dizia-me uma amiga que o filho era muito trapalhão a nível motor e que não se entendia com os baloiços do parque. Também não gostava de jogar à bola, nem de brincar no exterior. E eu perguntei-lhe: ”Já foste brincar com ele para a rua?”
– Ele não quer…”, respondeu-me.

Pois, porque ele não sabe brincar sozinho, num espaço onde não tem brinquedos (aparentes porque depois do hábito criado fazem de pedras brinquedos), onde não se sente seguro e confortável.

Cabe aos pais proporcionarem a experiência do parque infantil ou do parque natural. Quer seja a mãe sentada no banco, a que empurra o baloiço ou a histérica anda a correr atrás das crianças (das dela e das dos outros) e ainda enxota os pombos com pontapés no ar e gritos, estes hábitos devem ser criados desde bebés. Porque são hábitos positivos e necessários para a evolução mental, física e comportamental dos nossos miúdos, os adultos do amanhã.

Lembre-se do quanto fomos felizes a brincar na rua. Apesar dos perigos e do frio, com supervisão, vestuário adequado, podemos e devemos deixar que os nossos filhos se atirem de corpo e alma para as poças de chuva.

 

Por Up To Kids®

 

LER TAMBÉM…

Brincar com os quatro elementos

Brincar ao Faz de Conta

A casa da árvore foi substituída pela TV

Uma criança que mente precisa de ser educada, e não receber menos carinho

Talvez levando em consideração uma fantástica frase do Dr. Seuss que diz que “os adultos são simplesmente crianças obsoletas” seja mais fácil entender porque mente uma criança. A empatia com os mais novos é uma arma poderosa, porque também nós, adultos, mentimos de vez em quando.

Todos os pais gostam de saber porque razão os seus filhos mentem. Às vezes poderia ser tão simples como tentar pensar como eles. Será que nossos filhos são conscientes da gravidade da mentira? Sabem diferenciar o tipo de mentira que contam? Vamos tentar responder a estas perguntas.

O estudo sobre as mentiras das crianças

Não, uma criança que mente não é menos afável. De facto, segundo a psicóloga Victoria Talwar da Universidade McGill, no Canadá, nem sequer consideram a mentira como algo objetivo: dizer uma verdade ou uma mentira depende apenas das consequências da mensagem, ou seja, do dano que estas causarão.

Segundo o estudo de Talwar, a criança optará por mentir ou não, consoante o castigo ou a consequência a que será sujeita. As crianças não mentem de propósito, simplesmente tentam evitar uma situação negativa.

No entanto, quando a mentira é por parte do progenitor para a criança, o dano é muito maior. Nesse sentido, os nossos filhos consideram que estão a ser traídos.

O estudo realizado com 100 crianças de 6 a 12 anos e os respetivos pais, resume que os progenitores costumam ensinar aos filhos que não se deve/pode mentir. No entanto, os pais como educadores também mentem, mesmo que seja para tornar a vida mais fácil aos filhos, ou poupar-lhes alguma tristeza. Esta é uma atitude que confunde os filhos, especialmente quando se trata de crianças de tenra idade, que estão em fase de aquisição de exemplos comportamentais.

As crianças têm em mente a motivação da mentira na hora de julgá-la?

No estudo realizado por Talwar, foram exibidos diversos vídeos às crianças com situações nas quais alguém era castigado. Numas situações uma pessoa mentia e um inocente era castigado; noutras, ao dizer a verdade o culpado que recebia o castigo.

Depois de terem visto o vídeo, as crianças respondiam a questões sobre os diferentes personagens. A intenção da investigadora era conhecer o julgamento moral que as crianças retinham das situações apresentadas e analisar os estágios de desenvolvimento de cada criança a este respeito.

As respostas foram muito variadas e levaram a diferentes interpretações. Embora não haja nenhuma idade específica para distinguir entre a verdade e a mentira, foram observadas nuances em termos desta variável:

  • As crianças menores que participaram da experiência em geral avaliaram a mentira como negativa. No entanto, também foram mais condescendentes quando a mentira evitava ou reduzia um dano ou castigo.
  • Para as crianças de idades compreendidas entre 10 e 12 anos, a diferença entre verdade e mentira era mais difusa. Eram conscientes das consequências tanto de dizer uma verdade como de não dizê-la, e agiam segundo seus interesses com total consciência.

Uma criança que mente tem os seus motivos?

Quando uma criança mente, sobretudo segundo sua idade, não devemos ver isso como uma traição ou um ato digno de indignação. Segundo Alicia Banderas, autora do livro “Pequenos Tiranos”, as crianças mentem para evitar para evitar castigos. Outros motivos poderiam ser: a vergonha de ter agido mal ou para aproveitar alguma atividade que elas adoram mas que sabem que está proibida ou restringida nesse momento.

Por outro lado, as pesquisas revelam que  crianças com um desenvolvimento cognitivo mais avançado já começam a mentir aos dois anos. O normal é começar a fazê-lo a partir dos 3 ou 4 anos e fazem-no da mesma maneira que mergulham no resto dos terrenos desconhecidos. Isto não é mais do que a experiência por tentativa e erro, dizer uma mentira e comprovar até onde chega o drama das suas consequências.

Além disso, em determinadas situações e já com certa idade, a mentira pode ser provocada por querer chamar a atenção. Ou até mesmo por pura proteção da intimidade da criança ou até por puro desejo.

Assim, enquanto pais, devemos estar conscientes do que fazemos sempre que mentimos aos nossos filhos. Se descobrirem a mentira, provavelmente vão se sentir traídos. Além disso, se usarmos a mentira para manipular as crianças com promessas que depois não cumpriremos, um dia a nossa palavra não terá qualquer valor.

Por isso ficamos com a conclusão do estudo de Talwar.

Os pais e educadores têm que comunicar mais com os filhos e explicar as diferenças entre a mentira e a verdade. Como na maioria das situações, o diálogo é a melhor solução.

imagem@depositphotos

Por Pedro Liberdade em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

 

LER TAMBÉM…

As crianças e a mentira

20 mentiras (inhas) que as mães dizem aos filhos

Porque mente uma criança?

As mães boazinhas ao criar filhos relaxados tornam-se incubadoras de adultos desleixados. 

O que é mais importante para uma mãe: manter a casa em ordem ou deixar os filhos à vontade, sem disciplina, e sem ordem? A resposta adequada seria: manter a casa em ordem e esperar que os filhos fiquem à vontade mantendo a disciplina e a ordem. Basta que sejam educados para isso.

O que é mais importante para uma mulher: um marido satisfeito, feliz e relaxado, à custa de cuecas atiradas para o chão e toalhas molhadas em cima da cama, ou um parceiro ordeiro e colaborativo? A resposta adequada  seria: um marido feliz, satisfeito, ordeiro e colaborativo que ajude a manter a casa longe do caos.

A verdade é que há situações que não se excluem, aliás, complementam-se.

Os filhos e os maridos  devem colaborar com a mínima ordem sob pena de se tornarem abusivos fora do convívio familiar. Não há felicidade na desordem. Não pode haver tolerância com a desordem organizada sistematicamente como se a desordem fosse a ordem.

Uma criança que cresce sem envolvimento com a ordem vai aprender a envolver-se com a desordem. Um adulto que em criança não se habituou a arrumar os brinquedos que usou, terá grandes possibilidades de vir a ser  pouco colaborativo, do género de se levantar da mesa sem ajudar a levantar os pratos e nem pensar em fazer a sua cama.

Não é de nenhum tratado filosófico que retirei essas conclusões; é da vida, da experiência, da análise prática.

Todas as crianças que são deixadas sem a disciplina da ordem criam uma desordem amplificada depois de adultos. As casas que habitam são uma confusão. As tarefas que deviam ser resolvidas diariamente passam a ser desempenhadas em prazos dilatados por semanas, meses, e anos. A louça é lavada quando não há lugar na bancada. As roupas vão para a máquina, quando o último par de cuecas vai para o corpo. Tudo é abusivamente acumulado.

Não há regras que possam valer para quem foi criado sem regras.

Há nos desordeiros domésticos uma forte tendência para se tornarem acumuladores, ou seja, guardarem todo tipo de lixo dentro e fora de casa. Começam por não catalogar objetos que, sem lugar definido, se misturam nas mais diversas categorias. Livros no chão fazem companhia a chinelos perdidos, documentos espalhados, almofadas abandonadas pelo caminho. As mais variadas coisas e “coisinhas” cujo destino é incerto, juntam-se às coisas maiores que se acumulam no chão, nas mesas, nas camas.

A Teoria do Caos prevê a grosso modo que, se uma casa for deixada limpa, arejada, arrumada, com todos os objetos nos seus devidos lugares, ao fim de um tempo relativamente curto o abandono se encarrega-se de instalar o caos.

Ou seja, todas as forças do Universo trabalham a favor do caos.

Não é preciso que façamos alguma coisa para que o caos se instale. Basta que não fazermos nada.

O pó rapidamente se depoisita sobre as superfícies em camadas sedimentadas (eu sei que vocês sabem disto), as aranhas fazem teias, o mofo expande-se nas áreas que guardam algum vestígio de humidade e tudo, absolutamente tudo, entrará em processo de desintegração e morte.

A vida pede a nossa colaboração para que o universo se mantenha em cadência de ritmo, harmonia, e perfeita intencionalidade da ordem.

Há mães que parecem ignorar esta necessidade e não inserem os filhos na cadeia da ordem. Deixam que se juntem à cadeia da desordem.

É a pior coisa que uma mãe pode fazer.

As mães boazinhas ao criar filhos relaxados tornam-se incubadoras de adultos desleixados. As mães muito boazinhas, inconscientemente, esperam que os seus filhos as amem mais, por isso e, no devido tempo, cobrarão que esse “amor” lhes seja devolvido.

Mães muito boazinhas são um problema existencial  quando os filhos crescem. Queixam-se constantemente e alegam quão boas foram para os seus filhos, e exatamente por terem criado filhos irresponsáveis, desleixados e relaxados,  não receberão de volta nem o amor nem a ordem minimamente necessária, que a última etapa de vida pede, para que se morra em paz.

Há dias  fui testemunha de um facto bastante humano e convincente: Quando se deparou com um quarto de pantanas,  a mãe o mandou o filho tomar banho e enquanto ele tomava o banho, confiscou-lhe o Ipad.

Ao sair, o filho perguntou:
– A mãe mexeu no meu Ipad?
– Sim. O Ipad só volta  quando o teu quarto estiver tão organizado como estava de manhã.”

Assim aconteceu por dois dias. Não foi preciso mais do que dois dias para que o hábito se instalasse.

Havia três hipóteses: arrumar o quarto enquanto o filho tomava banho; pedir-lhe que o arrumasse e andar todos os dias em cima dele elevando a voz cada vez mais;  exercer autoridade acompanhada da remoção de um privilégio que o filho dava valor: o Ipad.

Penso que esta mãe fez uma ótima escolha.

Então, é isto: mães eduquem os vossos filhos para a manutenção da ordem. É um benefício que irá fazer grande diferença (gigante) na vida adulta e que  é tão importante que até o ar, o céu, o sol, o mar, as árvores, as plantas, os rios, os peixes, os animais, os homens de boa vontade, a Terra, e o Universo agradecem.

Por Ana Maria Ribas Bernardelli para Contioutra, adaptado por Up To Kids®

LER TAMBÉM…

Como manter a casa arrumada sem desesperar!

Envolva as crianças na organização

15 Dicas fundamentais de organização da casa

imagem@pixbay

Estudo garante que focarmo-nos apenas na inteligência pode deixar as crianças desmotivadas, e ao valorizar a persistência estamos a criar empreendedores.

Existe uma tendência a associarmos, inconscientemente,o sucesso profissional e académico à inteligência de cada individuo.

Pessoas que possuem algum dom ou talento especial irão destacar-se tanto na vida académica como na profissional. Certo? Errado! A psicóloga e investigadora da Universidade de Stanford, Carol Dweck, que estuda motivação e perseverança desde os anos 60, garante que focarmo-nos apenas na inteligência e no talento pode deixar as crianças desmotivadas e com medo de aprender, enquanto que valorizar o progresso e a persistência irá produzir grandes lutadores e empreendedores.

ESTUDO:
Durante dois anos, os investigadores visitaram cinquenta e três famílias para registrar suas rotinas. As crianças tinham 2 a 3 anos de idade no início do estudo. Os investigadores, então, observaram e registaram como os diferentes pais elogiavam as suas crianças: uns enalteciam o esforço, outros os traços de caráter e outros elogiavam de forma neutra com palavras como “Que bom!”, “Uau!”, “Muito bem”.

Depois de cinco anos estas mesmas crianças foram entrevistadas, agora com 7-8 anos de idade.

CONCLUSÃO:
As crianças que tinham ouvido mais elogios pela sua persistência eram as mais interessadas em desafios. Para os perseverantes o foco do trabalho é encontrar os erros cometidos ao longo do processo e tentar corrigi-los para avançar.

Como podemos ajudar nossos filhos a desenvolver a capacidade e a vontade de se esforçarem?

  • Fique atento ao tipo de elogios que faz aos seus filhos. Em vez de enaltecer apenas os resultados, elogie o processo para chegar ao resultado. “Que bom teres tentado diferentes estratégias para conseguir resolver isso”, ” Eu vi que não desististe mesmo sendo uma tarefa tão difícil .” “Parabéns pela nota do teste, compensou o esforço!”
  • Estimule os seus filhos para a curiosidade e para o gosto em aprender – o termo em inglês usado por Dweck é “growth mindset”. Se as crianças acreditarem que o sucesso é resultado direto do quanto são (ou não) inteligentes, a motivação diminui: já que o sucesso está “predestinado” para que tentar?
  • Errar é humano e faz parte da aprendizagem. Não deixe que os seus filhos acreditem que falhar é algo horrível. Pelo contrário, mostre-lhes que o erro é apenas um desafio a ser superado. Não há razão para ter vergonha de errar ou falhar, se o erro nos fará progredir. Além disso, todos falhamos, temos dúvidas ou nos sentimos fragilizados em determinados momentos da vida – temos que ensinar os nossos filhos a ficarem tranquilos quando esses sentimentos aparecerem, para não se tornarem crianças muito vulneráveis e frágeis.
  • Conte histórias de sucesso que enfatizem trabalho duro e o desejo de aprender. Ensine-lhe que o cérebro é uma “máquina de aprendizagem” e que quanto mais a usarmos, mais forte ele fica.

Ensine aos seus filhos que eles podem ser tão inteligentes quanto queiram.

 

Por Tudo sobre a minha mãe, adaptado por Up To Kids®

 

LER TAMBÉM:::

A Influência dos Elogios no Desempenho das Crianças

Filhos perfeitos, crianças tristes: a pressão da exigência

Auto-Estima: o caminho para a felicidade!

imagem@plus.google

“O meu filho ainda não fala – ou fala mal -, porque é muito preguiçoso” ou “basta dar-lhe tempo e ele vai começar a falar sem ajuda” são dois mitos muito comuns e que, com certeza, já disse ou ouviu alguém dizer.

Hoje em dia, ainda há uma grande tendência para desvalorizar as questões da Comunicação, Linguagem e Fala, colocando-as num patamar inferior ao do desenvolvimento motor e à saúde em geral. No entanto, estas três áreas são da maior importância já que, quando existem dificuldades, podem prejudicar o bem-estar da criança e da família, as relações com os pares e com os adultos, a autoestima e mesmo as aprendizagens escolares (ainda que, à data das dificuldades, a criança ainda não frequente a escola).

É também comum a ideia, disseminada por alguns profissionais de Saúde, de que “fazer Terapia da Fala antes dos 3 anos – por vezes, quando a criança ainda praticamente não fala, não dá resultado”. No entanto, devemos pensar exatamente o oposto – é importante que a intervenção seja precoce, de forma a não agravar, ou mesmo criar novos problemas.

Existem sinais de alerta que podem ser observados a partir do nascimento mas, para efeitos de Terapia da Fala, os pais deverão estar progressivamente mais atentos à Comunicação e à Linguagem do seu filho a partir dos 12 meses. Nessa altura, o bebé já deverá brincar (de forma adequada à sua idade) e reagir quando brincam com ele – sorrindo ou imitando – e produzir alguns monossílabos. A partir dos 18 meses, é esperado que já compreenda instruções simples, que diga palavras simples e que faça alguns pedidos, ainda que de forma rudimentar.

A partir dos 2 anos surge a maioria das capacidades linguísticas logo, nesta idade, os pais deverão procurar um Terapeuta da Fala quando a criança:

  1. tiver um vocabulário muito inferior a 50-200 palavras
  2. usar apenas vogais ou uma sílaba para dizer quase todas as palavras
  3. disser uma palavra uma vez e raramente a repetir
  4. não apontar para partes do corpo
  5. não fazer nem responder a perguntas sim/não
  6. não juntar duas palavras para formar uma pequena frase
  7. tiver dificuldade em imitar gestos simples ou mesmo comunicar maioritariamente por gestos.

É exatamente nesta faixa etária, dos 2 aos 3 anos que, atualmente, surgem mais crianças para intervenção. Por atribuirmos um grande valor à prevenção e à Intervenção Precoce, cada vez mais surgem famílias preocupadas em resolver todas estas questões para que não haja repercussões mais tarde.

Nesta fase, o trabalho é maioritariamente aquilo a que chamamos “de chão”. Utilizando brinquedos adequados à idade, ou mesmo os brinquedos da criança, são feitas pequenas “brincadeiras”, sempre divertidas e muito dinâmicas, com a finalidade de atingir os objetivos que pré-estabelecemos. Para uma maior continuidade do trabalho, e porque este tem de ser feito em equipa, são sempre dadas estratégias aos pais para irem pondo em prática em casa. A família é sempre membro integrante da equipa!

Quando as crianças já são mais velhas, os pais deverão estar sobretudo atentos a dificuldades de Articulação, Linguagem ou Leitura e Escrita. Quando existem queixas na escola relativamente a alguma destas áreas, a forma mais simples de saber se existe algum problema que deva ser trabalhado é através da realização de um rastreio.

A Ipsis Verbis oferece rastreios gratuitos ao domicílio e em escolas, no distrito de Lisboa onde, de forma imediata, diz aos pais se existe necessidade de uma avaliação e posterior intervenção. Todas as sessões são completamente personalizadas, baseadas no gosto da criança e, sempre que possível, realizadas com base na “brincadeira”.

Por Inês Peres Silva Terapeuta da Fala Ipsis Verbis®

Imagem@depositphotos

Com que idade deve a criança aprender a ler?

A propósito de um artigo partilhado recentemente sobre a alfabetização precoce e a pressão que os pais, educadores e muitas escolas exercem sobre as crianças, partilhamos este artigo publicado no DN on-line, em dez. 2015, que reforça a necessidade de respeitar o ritmo de cada uma, adequando o ensino das competências de acordo com a idade e maturidade de cada criança.

«Pediatras defendem que não se deve forçar o desenvolvimento das crianças. Educadores dizem que seguem o ritmo de cada um. Sair do pré-escolar a ler não é uma meta, asseguram, mas estudo americano indica o contrário

Tal como brincar, pintar ou cantar, a leitura tem um papel cada vez mais importante no pré-escolar. De acordo com um estudo feito pela Universidade de Virgínia, nos EUA, que comparou as mudanças entre 1998 e 2010, a percentagem de educadores que esperam que os alunos que vão para o primeiro ciclo saibam ler subiu de 30% para 80%. A mesma pesquisa diz que gastam cada vez mais tempo com fichas de exercícios e cada vez menos com música e arte. Por cá, os três pediatras ouvidos pelo DN dizem que também há uma tendência para a sobrecarga das crianças no pré-escolar, quer por pressão da escola quer dos pais, o que não tem qualquer benefício para os mais novos.

crianca-escrever

De acordo com o estudo “O jardim-de-infância é o novo primeiro ano?“, citado pela revista The Atlantic, aquilo que se esperava das crianças de 6 anos é hoje pedido às mais jovens. Tal como nos EUA, em Portugal o pré-escolar também mudou, tornando-se mais exigente. Para tal, explica o pediatra Mário Cordeiro, contribuiu “a ciência pediátrica, educativa e psicológica, e também a neurofisiologia”, mas também existem razões “menos boas” para a mudança. Segundo o pediatra, “é querer fazer das crianças “cavalos de corrida” a partir de idades muito precoces, “querendo forçar conceitos abstratos e simbólicos cedo de mais e a aquisição de competências que não são adequadas à maioria dessa idade“. Com base nisso está “a pressão dos pais e um certo show off das escolas (que prometem aulas de inglês aos 2 anos ou mandarim aos 3, por exemplo), impedindo muitas crianças de… serem crianças“.

Essa é também a opinião da pediatra Júlia Guimarães. “Isto também acontece em Portugal, sobretudo no ensino particular. E é uma tendência perfeitamente errada.” Antes do ingresso no 1º. ciclo, “não se deve academizar”. Os educadores “devem estimular as crianças, através da arte, da música, das brincadeiras e atividades orientadas“, mas o início da leitura e da escrita “deve ficar para o 1º ano“. Na opinião do pediatra Hugo Rodrigues, “é notório que, cada vez mais, o pré-escolar tenta investir na escolarização das crianças, o que é um disparate“. Se o 1º ciclo tem início aos 6 anos, “é porque é nessa idade que é suposto começaram a aprender a ler“. Mas, além da pressão da sociedade, “há demasiada competitividade entre os pais e as próprias escolas“. Claro que, ressalva, “se a criança tem vontade de ir mais além, deve corresponder-se, mas sem impor“.

pre-escolar

Embora as crianças possam corresponder do ponto de vista cognitivo, Hugo Rodrigues lembra que “não têm maturidade para lidar com as diferenças relativamente aos outros meninos, nem com as diferenças nos métodos de ensino“. Mário Cordeiro explica que “quando as exigências são disparatadas ou desfasadas relativamente ao que é capaz de dar, ou quando é intensivo e faz gastar tempo que poderia estar a ser usado noutras coisas, a criança vive ainda mais em stress, é menos feliz, sente-se pressionada e, mesmo que aprenda muitas coisas, terá mais hipóteses de se desinteressar“.

Antes de receber o telefonema do DN, Mariana Miranda, educadora de infância há 34 anos, tinha estado a falar com a mãe de uma criança de 5 anos que já lê algumas palavras. Não é um caso único. “Quando chegam já trazem imensos saberes. Nós fazemos diagnóstico e conduzimos, introduzindo coisas novas”, explica a coordenadora do pré-escolar do Agrupamento de Escolas Dr. Costa Matos, em Gaia. No entanto, “não existe pressão para que adquiram essas competências“. Trabalham, sim, “para que desenvolvam o gosto pela leitura e pela escrita“. Cristina Madureira, do jardim-de-infância do Centro Escolar de Cinfães, reforça que “não se espera que as crianças saiam do pré-escolar a ler ou a escrever“. Cada uma tem o seu ritmo “e é com base nele que se trabalha“. No 1º. ciclo “chegam facilmente à leitura e à escrita“.» – DN, dez ’15

LER TAMBÉM…

Alfabetização precoce é perda de tempo

O que deve saber uma criança de 4 anos?

A importância da leitura de Histórias no pré-escolar

imagemCapa@Kalendar2017.ru
imagens@revistacrescer