Foi amor à primeira vista. Se for rigorosa apaixonei-me por ti quando ainda tinhas apenas alguns milímetros mas já a força de mudar tudo à tua volta. Não me fiz de difícil, deixei-me arrebatar a cada mudança – e ainda o faço hoje, sou fácil e sei-o.

Não temos, ainda, o que se costuma chamar de um namoro longo.

Começou há treze meses (mais as trinta e nove semanas em que te carreguei dentro de mim) e, tal como nos namoros onde há amor, a cada dia que passa apaixono-me mais um bocadinho. Vamo-nos conhecendo cada vez melhor e temos sido exímias em comunicar sem palavras. Estas começam agora a chegar aos poucos e vejo-te ganhar asas para começares a voar.

Há alguns dias ficaste em casa por causa da febre desses quatro dentes que escolheram nascer todos ao mesmo tempo para te provocar. Houve rabugice, sono, brincadeira e muito mimo. Quando adormeceste na sesta fiquei a olhar-te na penumbra e deitei-me ao teu lado no sofá. Vi com o deleite que só uma mãe sente o teu peito subir e descer compassadamente, inspirei o cheirinho do teu cabelo encaracolado que me faz cócegas no nariz. Acho que nunca tinha visto algo tão bonito, tão pacífico, tão repleto de ternura. Fiquei assim, a ver-te, a sentir-te perto, a fazer-te festinhas, como quando eras recém-nascida e as horas eram todas nossas.

Estás a crescer e queres mimo, mas também queres outras coisas. Desafias, aprendes, erras, cais, levantas-te, acompanhas a música com a tua cabeça, experimentas brinquedos e brincadeiras novas. Eu entendo essa curiosidade, essa vontade de sugar o mundo e tento que esta fase de encantamento contigo não atrapalhe a tua crescente independência.

O nosso namoro sabe-me bem. Há alturas em que puxo por ti, outras em que és tu que o fazes por mim. Desejo que possas olhar para trás e lembrar a tua infância como a soma de momentos mágicos, repletos de afectos. És mimada, não com o mimo que deixa “danos” mas com o mimo que devia ser obrigatório todas as crianças receberem.

Vamos ultrapassando obstáculos um abraço de cada vez, até que os abraços não sejam suficientes e tenhamos de encontrar novas soluções.

Vou estar aqui para descobrir tudo isso contigo. Afinal é um namoro, não é? Com os seus altos e baixos, as surpresas, o tirar o fôlego, a saudade e a partilha.

Ainda vais ver tanto mundo, amar de tantas maneiras, sentir coisas fantásticas. Subir às árvores, fazer perguntas difíceis, correr de braços abertos, fazer “bombas” na piscina. Dançar com os teus amigos, ouvir uma música que te lembra algo bom.

Tudo começou quando tinhas apenas alguns milímetros e ainda tens tanto para crescer. Vai ser bom. Vai ser tão bom!

Promessa de mãe.

 

Por Marta Coelho, para Up To Kids®
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Penso muitas vezes, na bênção que é ser mãe.

Posso ter cometido alguns erros, mas se o meu maior ‘erro’ foi engravidar então sou a mulher mais abençoada que existe. Algumas pessoas podem pensar que engravidar quando se está a dar passos numa carreira que parece promissora, ou principalmente quando ainda não se é independente financeiramente seja uma loucura. Eu digo, esta é a minha história e estava escrito que a minha alma inquieta fosse encontrar a alma ponderada da minha filha, sensível e de uma empatia incrível. Costumo dizer-lhe enquanto conto a nossa história, que esta mesma história  já vem de outra dimensão, de outro tempo sei lá.

O meu amor pela minha filha é tanto que às vezes parece rebentar-me do peito. Não há nada nela que não me maravilhe. O seu olhar e introspecção, o seu amor pelo outro e como olha nos olhos um sem-abrigo enquanto lhe dá um sorriso e uma pequena esmola, O seu sentido de humor. O amor pelos animais, e como sofre quando o 10º peixe  dourado morre, dizendo ‘nunca mais vai haver um peixinho como este’. A importância de todos os momentos na vida, a família. Eu digo-lhe que ela é como o Olaf do Frozen, pois vê tudo pelo lado positivo principalmente nas pessoas. Não, não é perfeita. Mas é minha.

Esta semana uma amiga relembrou-me o caso de um pai que não esquece um filho, que é impedido de ver pela mãe. O Miguel e o Santiago. Quantos mais serão? Penso muitas vezes no que dirão essas mães e pais aos seus filhos enquanto lhe olham nos olhos para justificar essas ausências forçadas. Que não são amados? Que os pais/mães não têm tempo para eles? Para esquecer? São capazes esses pais de viver com o sofrimento dos filhos, por não serem eles mesmo felizes? Partindo do principio que estes pais não são autênticos monstros, daqueles que inundam o lado negro das noticias e que dizemos ‘isso não é um pai/mãe!’. Não, não são. Partindo do principio que a luta, é dos pais, e só dos pais, tal como a sua mesquinhez…que dizem estes pais?

Posso falar um pouco sobre isso. Quando engravidei, não foi planeado. Mas eu queria ser mãe. O pai foi convidado a participar, mas na sua cobardia e incertezas e dilemas de um ‘miúdo’ de 28 anos que só queria surf e uma guitarra, não foi capaz. Assustado, pediu-me em casamento, um pedido tão oco como a sua vontade de na altura assumir qualquer responsabilidade. Regressou ao seu país pouco depois.

Eu, não estava triste ou infeliz talvez ajudasse o facto de não o amar. Pensava que não era uma drama, e assumi tudo como se de uma produção independente se tratasse, com muito amor. Como se eu fosse de facto Islandesa, e não Portuguesa. Tive e tenho a sorte de ter tido uns pais que sempre me apoiaram, não só emocionalmente mas também financeiramente (mais do que queira admitir) e umas irmãs que têm sido mais que tias, umas mães para Ela. Mas Ela tinha e tem um pai.

Aos 3 anos, falei-lhe do pai pela primeira vez, Mostrei-lhe fotos nossas, e não fez muitas perguntas nem antes nem depois desta conversa. Dormiu com as fotos e mostrou-as a toda a gente. Era, tal como agora uma criança equilibrada e resolvida. Livre de qualquer drama sempre encarou a sua história como mais uma história e um tipo de família. Na escola haviam outros pais e mães, uns avós e outros tios. Há muitos tipos de família, a nossa, é só mais uma. O dia do pai não era especial, nem pela negativa, nem pela positiva. Era o dia em que trazia qualquer coisa da escola para o avô ou para a mãe. Simples.

Com o pai, eu ia tentando fazer a ponte, nunca fechei a porta (embora às vezes dissesse a mim mesma que não iria tentar mais). Mas não era a minha história, é a d’Ela. Nunca lhe disse que o pai não a amava, que não queria saber d’Ela, nem podia porque eu sabia que apesar de tudo essa não era a verdade. Embora aos olhos dos outros, essa fosse talvez fosse a verdade.

Quando eu falava com o pai, este dizia que a amava, mas não fazia nada para o demonstrar. A vida continuava feliz. Numa boa fase apresentei-a ao pai pelo Skype. Falaram tímidos, sorriram e riram. Mas não foi consistente. Apesar de tudo, as duas íamos falando, queria que me dissesse o que sentia e falavamos abertamente q.b. sobre o pai e eu dizia-lhe ‘sabes que ele ama-te mas é muito maluco’ e riamos de seguida quando eu imitava o seu suposto sotaque Brasileiro. Queria que soubesse, que poderia dizer-me tudo. Queria saber se sofria. Não sofria, porque eu assegurei-me de que não se tratava de um drama sem deixar de estar atenta às suas necessidades.

Nunca lhe falei mal do pai, como podia eu?  Nem eu, nem a minha familia. Ele, deu-me a maior prenda que alguém me poderia ter dado, a seguir ao meus pais terem me dado as minhas irmãs (com 11 anos de atraso diga-se!). A minha filha. Não há nada que ultrapasse isso, nada. Existe benção maior?

Em Abril do ano passado, uma nova tentativa (como podia deixar de continuar a tentar? fechar a porta? não me cabia a mim tal decisão). O pai que entretanto passara por uma experiência de vida e morte, começou a mudar. Sem interferir na nossa dinâmica, começou a falar semanalmente com Ela. Ela reagiu normalmente. Tudo isto é a sua realidade,  a sua normalidade. Embora para os outros possa parecer estranho. Não importa, cada um a sua história.

Falavam por skype, whatsapp e riam, trocavam fotos e piadas. Ás vezes não lhe apetece falar, não por o rejeitar, simplesmente porque está a dar a Violetta e nesse momento, essa é a prioridade. Entretanto, noto  que o pai quer fazer parte da sua vida embora vivam em continentes diferentes. Não faz mal, a mãe já viaja muito e isto também é normal. é como se o pai fosse emigrante. Como tantos outros.

Mas a verdade é que no Natal passado o nosso milagre aconteceu: O pai dela comprou-nos viagens.
Queria ver a filha ao vivo e a cores. No dia 1 de Janeiro o nosso milagre de Natal aconteceu. Pai e filha abracaram-se pela primeira vez.
Não importou se foi  com 9 anos de atraso, o que importa é o agora.
O que importa, é o amor.

Enquanto fazíamos as malas, nos dias que antecederam à viagem,a excitação era enorme e a alegria estava espelhada na sua carinha, afinal íamos fugir do frio a caminho do sol no Brasil onde vive o seu pai. Que criança não ficaria assim com esta possibilidade? Parece uma futilidade dizer isto assim, quando se está a falar da viagem mais importante até à data na vida de uma criança de nove anos. Sim é verdade, mas também é verdade que estamos a falar de uma criança super equilibrada, bem resolvida e de bem com a vida.

Passo a explicar o que não é nem soberba minha, nossa, nem leviandade pelos seus sentimentos. Muitas vezes ao longo destes nove anos, fui questionada inúmeras vezes, se ela não sentiria falta do pai, se perguntaria muitas vezes por ele. As pessoas que me questionaram isto apesar de bem formadas e bem intencionadas, estavam confusas e talvez perplexas pela forma como estava a criar a minha filha e como, apesar de muitas vezes ter dado jeito ter alguém extra para ajudar, éramos e somos felizes. Como é que alguém que é solteira e é mãe, pode ser assim tão segura? Ou criar uma menina, segura, equilibrada e feliz? Como é que eu não me estava a escavacar, apesar das dificuldades e golpes irreversíveis na minha carreira, por uma pensão qualquer? Como? Como é que eu tinha e tenho, o desplante de sorrir enquanto digo sou mãe solteira, sem pudor ou orgulho ferido? Como é que não ando curvada, e como me atrevo a ser tão independente de um homem qualquer? Do seu pai, ou de um outro qualquer que entretanto pudesse ter aparecido para eu em agarrar como se não houvesse amanhã? Porque, eu enquanto mulher sozinha tão desesperadamente precisaria com certeza. Com certeza, porque sozinha é difícil e a criança é coitada, Como? Como?

Eu respondo, como é que alguém sente falta de uma realidade que não é a sua? De algo que não conhece?

Quem é que sente falta de algo que nunca lhe tenha sido apontado como uma lacuna? Se sempre fomos ambas, o suficiente e mais além? O suficiente, repito. Acrescento, lamento mas estou a criar uma futura mulher segura de si, que se ama, que é mais que o suficiente, independente mas amada e com o coração no lugar certo.

Antes de partirmos disse-lhe várias vezes ‘Kika, já viste, vais conhecer o teu pai! Ao vivo!’ depois perguntava-lhe ‘O que achas de isto tudo? Pensas muito nisso?’, ela sorria-me enquanto respondia ‘não muito, mas acho que vai ser giro! Mas vou ter um bocadinho de vergonha.’. Uns dias antes, ouvira-a comentar com as amigas ‘vou até ao Brasil conhecer o meu pai’, fiquei surpreendida confesso com as reacções das amiguinhas ‘que giro!’ ou ‘que sorte!’ ou ‘ a sério?! Aproveita!’. Tão natural, como a nossa sede, mesmo. Afinal, somos nós os adultos que lhes vamos incutindo preconceitos, ou não.

No avião, estava eléctrica brincava com o Play-Doh depois com os livros, depois via os inúmeros filmes a escolher para ver durante o voo. Eu observava-a, tentava entrar na sua pele, imaginar o que sentia. De vez em quando apanhava-me a observa-la, sorria-me de volta e fazia-me uma festinha nas mãos, talvez pressentisse o meu coração de mãe que agora que se aproximava a hora H, estava mais apertado. Mas ela, ela estava tranquila e feliz. Como sempre. Tenho dúvidas, muitas vezes. Questiono-me, a toda a hora.

Mas depois ela surpreende-me com o seu carácter e força e um amor infinito pelo outro.

Quando aterramos no Rio, ambas estávamos vestidas de inverno quando nos vimos rodeadas de gente feliz e bronzeada que tinha há apenas umas horas recebido o ano novo na cidade maravilhosa. A esperança encheu-nos o coração, ano novo! Suadas fomos trocar de roupa, e agora que estava a chegar o momento, o seu semblante mudara ligeiramente. Sorria, mas estava a ficar ansiosa. Não sei o que estava a pensar, a sentir. Posso imaginar. Reverti para o humor, como sempre nas horas mais difíceis, entre piadas que íamos fazendo e rindo. O ambiente ficou mais calmo, mas o seu riso tornou-se mais nervoso, mais tímido. Quando chegamos ao destino, ao destino, depois de recolhermos as bagagens disse ‘Mãe! É agora.’ eu respondi ‘sim filha, coragem, eu estou aqui.’e ela disse-me ‘Sim, Como sempre.’. Saímos ao encontro do momento mais importante da sua vida.

Não houve lágrimas, houve risos nervosos e um abraço apertado e longo. Ambos estavam nervosos, boca seca, estavam curiosos e observavam-se. Agora pai e filha ganharam cheiro, cor e a vida não vai voltar a ser a mesma. Nada é perfeito, mas a vida é boa. A minha filha lembra-me muitas vezes disto mesmo, quando caio na realidade de adulta por vezes descrente (Graças a Deus, poucas! eheh) que há sempre o lado positivo em tudo. Esta pequena pessoa que saiu de dentro de mim, este pequeno maravilhoso milagre, esta-me sempre a surpreender, sempre a ensinar. E eu sempre a aprender.

Por Sónia Pereira de Figueiredo, originalmente escrito para o Blog Amniotico
sugerido para  Up To Kids®

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Eles vão crescer e dispensarão nosso colo.
Vai chegar a fase em que os amigos serão mais importantes que os pais.
Que nossas demonstrações de afeto em público serão consideradas um grande ‘mico’.
Que em vez de torcermos para que eles durmam, torceremos para que cheguem logo em casa.
Que não se interessarão mais pelos velhos brinquedos.
Que o alvoroço na hora do almoço vai dar lugar a calmaria.
Que os programas em família serão menos atrativos que os churrascos com a turma.
Que dirão coisas tão maduras que nosso coração irá se apertar.
Que começaremos a rezar com muito mais frequência.
Que morreremos de saudade dos nossos bebés crescidos…

Por isso…
Viva o agora. Releve as birras. Conte até 10.
Faça cosquinhas, conte histórias, dê abraço de urso.
Deite ao lado deles na cama.
Abrace-os quando tiverem medos.
Beije o machucado (sim, beijo de mãe cura de verdade).
Solte pipas, brinque de boneca. Faça gols, comemore.
Divirta-se, acorde cedo nos domingos para aproveitar mais o dia.
Rezem juntos.
Estimule-os a cultivar amizades.
Faça bolos. Carregue-os no colo.
Faça com que saibam o quanto são amados.
Passe o máximo do tempo possível juntos.
Assim, quando eles partirem para seus próprios voos,
Você ainda terá tudo isso guardado no coração.

 

Por Cinthia Moralles, texto sugerido por leitora Kaila Leite

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Ter uma filha muda-nos de diversas maneiras, mas nunca teremos uma vida aborrecida ou rotineira. Um dia acordam com 2 anos e só querem comer na taça cor-de-rosa, vestidas de cor-de-rosa e se a papa ou o leite fossem cor-de-rosa ou roxo (também aceitável) seria perfeito. Desde esta idade começam a perceber que nem tudo é cor-de-rosa e as birras muitas vezes rebentam porque a mãe também não esta vestida de cor-de-rosa, nem de espírito porque já não vê o mundo através de lentes rosa ou roxas! Mas a mãe compreende, porque já esteve nessa posição e a coisa é chata.

No dia seguinte acordam com 6 anos, e arrependem-se de ter cortado o cabelo as Barbies numa das birras dos dois anos em que as Barbies não estavam vestidas de rosa! Agora quase carecas, as Barbies, as Monster High, as Violettas ou as Elsas têm que ser trocadas o quanto antes porque as amigas gozam, e nesta idade tudo é passível de ser trocado até a mãe, caso não ceda.

No outro dia, acordam com dez anos e tudo o que é rosa, roxo ou que roce estas cores é super foleiro e nem acreditam que a mãe tenha cedido a tal piroseira e portanto a culpa é toda nossa!
Mea culpa, claro  que têm razão: estas mães de hoje gostam tanto de rosa e roxo. Adoram!…

Talvez porque, quando as mães de hoje, eram pequenas meninas nos anos 80, 70, 60, havia o rosa, mas também havia tantas outras cores e brinquedos que os pais ofereciam às filhas aos quais, nós filhas gratas e amigas, agradecíamos  com sorriso meio rosa/amarelo
“-obrigada adorei! Mesmo! Era mesmo isto!”,  quando na verdade queríamos dizer:
“-Este careca? só havia mesmo um careca de quase dois quilos, com roupa castanha? Não havia nada mais levezinho ou mais colorido como a primavera?! Não sabem que com 7 anos, carregar um careca com peso real vai-me dar cabo das costas?”.

OK a ultima parte não dizíamos nem pensávamos, porque não havia o que Google.

Não dizíamos nem pensávamos porque era o que havia e nos aceitávamos. Sabíamos que em África os meninos e meninas não comiam e que ter brinquedos era um luxo. Se não acreditássemos, bastava assistirmos as noticias ao jantar com a família enquanto comíamos abundantemente, e engoliamos em seco as imagens de fome em África que nos invadiam a sala de jantar. Mudar de canal para o único outro canal, a RTP 2, era chato porque ai tínhamos que engolir cultura à hora de jantar e para isso ninguém, nos anos 80, tinha estômago. Mas o resto é tudo verídico.

A vida era monocromática, com alguns laivos de cor aqui e acolá, mas era simples muito mais simples para os pais que quando acrescentavam filhos ou sobrinhos à família era bem mais fácil de passar adiante o que já não servia. Mas agora o que fazemos com tanto rosa, tanto roxo?
Agora que aos dez anos quase no final da infância e inicio da pré-adolescência com tanta informação e tanta escolha, quando deixa o rosa de ser uma possibilidade (ou obrigação)?

Filha, já não gostas de rosa? Mesmo, mesmo? Tens a certeza, olha aqui super giro e fashiontrendy, super top e tal?
OK, não é necessário esse olhar de desdém que me faz sentir mais velha além dos meros 38 anos fantásticos super fixes e jovens, ok? Humpf! (Longo, longo suspiro). Algumas mães vão para os sites de venda online tentar livrar-se de móveis rosas, cortinas rosas, algumas até adaptadores de sanita rosa tentam. Vale tudo, mas quando nem por 1 euro a coisa vai, tentam as amigas, essas com também filhas da mesma idade, com o mesmo problema, e para evitar conflitos todas partilham o mesmo numero de telefone, o de uma associação qualquer que ou faca reciclagem ou então distribua o rosa para uma menina algures em Portugal que tenha acordado com 2 anos e esteja a fazer birra porque a vida não lhe corre bem, nem cor de rosa. Então assim o ciclo da a volta completa e recomeça.

Para as mães que sobreviveram ao rosa, começa outra fase a de todas as outras cores. Agora a coisa piora porque com tanta cor, com tanta pré-adolescência e adolescência, com mudanças de estado de espírito, corações partidos, amizades começadas, outras interrompidas, modas quem vêm e outras que vão sem que nos nos apercebamos, a coisa vai mudando, diariamente. As vezes é só mensal, outras trimestral e se coisa correr bem, semestral. Porque hoje, eles podem tudo e nós, capitulamos, mesmo protestando entre dentes.

Por isso, querida, já não gostas de rosa? Tens a certeza?

Escrita com ironia, mas baseada em factos verídicos.

Por Sónia Pereira de Figueiredo, para Up To Kids®
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Mães há muitas, mais que muitas aliás! E porque todas são fantásticas e merecem ser celebradas, aqui estão as descrições de 10 tipos de mães que andam por aí!
  1. Mãeravilhosa
    Sempre impecável, cabelo no sítio, unhas arranjadas,  assim como os filhos que estão sempre limpinhos e penteadinhos. Comem em mesas impecavelmente postas com talheres de prata e baixela de porcelana. Os filhos não usam babete porque nunca se sujam. Este tipo de mãe encontra-se apenas em fotos (ou acompanhada de muita ajuda, nomeadamente maquilhador, cabeleireiro  e babysitter permanente)!
  2. Mãe-natureza
    Teve parto normal, sem epidural e em casa numa banheira ao ar livre, melhor, num lago natural. Amamenta até os filhos irem para a faculdade e só comem produtos que não estão embalados. Não usam roupa tingida porque os corantes fazem mal. Encontra-se em lojas de produtos biológicos.
  3. Mãedricas
    Têm sempre medo de estar a fazer tudo mal. Confirmam 10 vezes a temperatura da água do banho com 5 termómetros diferentes e no fim chamam o pai para ter a certeza que está boa. Encontra-se sempre na net para tirar dúvidas sobre tudo o que acontece.
  4. Mãeteiga
    Derrete-se com tudo o que acontece com os seus filhos ou os filhos dos outros. “Oooh que lindo cocó”. Acha tudo lindo e maravilhoso. Encontra-se sentada no sofá a chorar com o anúncio das fraldas.
  5. Dramãe
    Tudo o que acontece a esta mãe ou aos seus filhos é um drama, que conta detalhadamente a todos que encontra até ao mais ínfimo pormenor. Nunca tentem contar nada que vos tenha acontecido a esta mãe, porque ela tem sempre uma história muito pior. Encontra-se em qualquer sitio onde haja quem oiça as suas histórias.
  6. Mãelhor que tu
    O filho começou a andar com 3 meses, já fala e aliás, já recita os lusíadas de trás para a frente. Tudo o que tu achas que era novidade esta mãe já faz há séculos, e tudo o que tu compraste ultimo modelo esta mãe tem 10x melhor. Encontra-se a treinar o filho para o triatlo, só não vai ganhar a medalha porque não existe a categoria para 18 meses.
  7. Mãeciclopedia
    Sabe tudo sobre os filhos. Sabe que dormiram 4h23 minutos e depois fizeram um coco de volume moderado e voltaram a dormir mais 94 minutos, que comeram 232 ml de sopa e 33 ml de agua e bolçaram 12 ml. Sabe em que dia disseram mamã, papá e nau catrineta. Encontra-se a registar tudo numa aplicação especial para o efeito.
  8. Mãeventureira
    Faz tudo parecer fácil. Sai com os filhos e só com uma fralda no bolso. Faz tudo o que fazia antes de ter filhos. Viaja com 5 filhos e 1 mala de cabine. Também conhecida por mãeguyver. Encontra-se no topo do machu pichu.
  9. Mãe-Sport Billy
    Tem tudo o que é preciso na sua mala mágica : duas mudas de roupa, comida, fraldas, brinquedos, bolas, smartphone, carrinho bengala, casaco para ela e para o marido e uma sanita portátil. Encontra-se na lista telefónica de todas as mães de quem vai em socorro quando se esqueceram das toalhitas.
  10. Super-mãe
    Trabalha todo o dia, leva os filhos à escola, ao ballet e ao teatro, faz o jantar digno da capa da teleculinária e uma sobremesa à masterchef e ainda faz o almoço para os filhos levarem para a escola no dia seguinte. Faz as roupas para os filhos levarem para o Carnaval, halloween e todas as festas da escola, e os cupcakes para as festas dos amigos. Borda o nome dos filhos no interior das roupas e corta todas as etiquetas. Tem a roupa arrumada por cores e tamanhos. Tem a comida etiquetada (e o marido também!). Encontra-se dez km à tua frente.
Eu tenho um bocadinho de todas, e vocês? E mais tipos de mãe?
AMR, do Blog Mães que muitas
S
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Das coisas que não se perguntam

Vivemos numa sociedade regulada por um estereótipo de vida. As pessoas que nos rodeiam empurram-nos para aquilo que socialmente consideram “o caminho a percorrer”.
Nascemos e crescemos habituados a que nos perguntem o que queremos ser quando formos grandes. Na adolescência perguntam-nos se já temos namorado. Quando acabamos o curso, querem saber – Então? quando é que te casas?
Casamos. No dia da cerimónia: Queres ter filhos? O bebé é para quando?
Nascido o primeiro filho, ainda na maternidade, avançam: Para quando um irmão?

A maternidade tem sido para mim um constante ensinamento não só enquanto mãe, mas enquanto mulher e enquanto pessoa. Aprendi que há coisas que não se perguntam. Não se pergunta a uma mulher (casada ou solteira) se quer ter filhos. Por trás desta pergunta pode haver uma resposta difícil e dolorosa.

Um dia também eu estive grávida. Não uma, mas duas vezes antes da minha primeira filha. Foram gravidezes sem sucesso que me foram difíceis de superar. Difícil de superar por quem tanto anseia a maternidade. E sim, faziam-me às vezes as perguntas que considero proibidas. Por vezes respondia o politicamente correcto – sim, um dia! Outras vezes, respondia de forma a terminar logo a conversa – quando a natureza o permitir! Outras vezes, fingia que não ouvia, mas a realidade é que, foram tantas as vezes que me apeteceu responder de forma rude e mal educada – não tens nada a ver com isso!

Parece que o sentir na pele não me foi o suficiente.

Quando estava grávida do segundo filho encontrei uma amiga na última consulta antes do parto. Tinha sido minha colega de faculdade, daquelas que tive mesmo pena de não conseguir manter por perto. Sempre gostei muito dela. Divertida, bem-disposta e de sorriso na cara. Perguntei-lhe se estava grávida já que ali estava, e arrependi-me de imediato, mas respondeu-me que sim. Suspirei de alivio e perguntei-lhe se era a 1ª vez, pois tinha a sensação de que ainda não tinha filhos, raios partam o Facebook… Respondeu-me que não, que já tinha tido uma gravidez anterior e perdera o bebé.

Não foi por mal, queria de alguma forma transmitir-lhe confiança e esperança e começo a dizer-lhe que não fique triste. Que não conseguir levar uma gravidez a bom porto é mais comum do que se pensa e que eu própria já tinha perdido uma vez com 9 semanas outra vez com 10 semanas, e que o stress a que estamos sujeitos blá blá blá quando sou interrompida: –Eu estava de 35 semanas!

Fiquei literalmente sem chão. Gelei, engoli em seco… afinal eu estava quase a fazer 35 semanas, senti-me a pessoa mais estúpida ao cimo da terra, na minha cabeça imaginava-me a esbofetear-me a mim própria. Desfiz-me em desculpas e disse-lhe que me sentia ridícula.

Este episódio tem quase 3 meses e todos os dias me assalta o pensamento, não consigo esquecê-lo por nada.

Aprendi de uma vez por todas: há coisas que não se perguntam.

 

“Mesmo com poucas semanas de gravidez perder um bebe é devastador.”

imagem capa@santagenoveva.net
  • que fosse adorar o cheiro a cocó do bebé. – Sim, do bebé. Importante dizer de quem, para não haver mal entendidos. Não ficamos loucas por cocó no geral. Não começa a ser um fetiche e começamos a querer chafurdar-nos nuas na areia dos gatos. Gostamos quando eles fazem cocó (já sei que nem todas) e, principalmente quando não comem peixe e ainda estão a leitinho, o cheiro é bom. Cheira a iogurte.
  • que me passasse o mau feitio de ser acordada tão cedo. – Ser acordada às 5h da manhã e não ser mais ordinária ainda que o Fernando Rocha? Ou ter uma cara de tão mau feitio quanto o Miguel Sousa Tavares quando lhe falta o tabaco? Só mesmo com uma criança e minha. Se fosse a criança do vizinho, talvez me tentasse espetar contra os botões do fogão.
  • que fosse passar a adorar andar. – Eu? Andar? Ui. Até no trabalho designávamos uma pessoa para ir buscar o almoço de todos ou, então, eu nem ia almoçar só para não ter que andar uns metros. Agora é maravilhoso. Calma, não “maravilhoso” como aquela primeira sensação de que emagrecemos quando experimentamos umas calças de ganga e nos ficam mais largas, mas aquele “maravilhoso” de… “olha… não morri!”.
  • que fosse passar a ter tanta fruta e vegetais em casa. – As minhas refeições resumiam-se a cereais (porquê “cereais” e não assumir logo Chocapic?) ou a Bolas de Neve ou a um bife de frango/perú (nunca os consegui distinguir até estarem descongelados) com imensa massa. De repente, tenho pêssego, manga, courgete, abóbora, gengibre em casa. O meu frigorífico está em choque.  Não tanto quanto todas as esteticistas nacionais com o bigodinho da Mariana Mortágua (e não é que também se nota no cartaz? É um statement? Percebo pouco de política…).
  • que achasse graça ter alguém a chamar o meu nome 43 vezes num minuto. – Ui! Se fosse um colega de trabalho a fazer-me isso, era espetar logo com metade de um bloco a3 de papel cavalinho pelo esfíncter anal (ou outro qualquer à escolha) acima ou abaixo, depende se estiver a fazer o pino ou não.
  • que fosse por as minhas mamas de fora na rua. – Nunca tinha feito topless, muito à conta de ter umas mamas assim para o feiosas. Digamos que não me punham num calendário do barbeiro sem ser vestida com um kispo da Duffy. Agora, não quero saber. Mesmo quando a Irene não está em casa, faço questão de andar com as mamas de fora, fico mais fresca. A verdade é que, amamentando, não sinto que esteja a despir-me, sinto que estou a alimentar a minha cria. Nem me lembro que são as minhas mamas. Até porque já não o são. Digamos que são… as suas vizinhas de baixo. Muito de baixo.
  • que fosse ter sempre uma pessoa a todas as horas na minha cabeça.  – E que essa pessoa não fosse a filha da “dona” da Zara que deve ter um armário do caraças. Passa a ser uma constante no nosso cérebro. Somos nós mais um bocadinho, não parece ainda ser separado de nós. É incrível. É como se fosse um furúnculo, mas mais amoroso e sem nada a ver.
  • que voltasse a querer estar grávida um dia. – Mesmo depois das últimas semanas tãaaao chatas do final da gravidez, mesmo depois de estar prestes a rebentar, das dores, dos xixis, das contracções, do parto, das noites mal dormidas, das preocupações, do cabelo a cair, dos pontos no pipi, do baby blues, das crises de choro, das crises de cansaço… querer repetir tudo e acreditar ser capaz de ser ainda mais feliz.

Ler também Se, antes de ter filhos, eu soubesse

Por Joana Gama, no Blog A mãe é que sabe,
autorizado para Up to Kids®

 

São na generalidade jovens, com idade entre os 30 e 40 anos e mães que viram na maternidade uma oportunidade de desenvolver o seu gosto por moda e acessórios. Raros são os casos de mulheres que escolheram desde o primeiro momento fazer desta a sua profissão, ter uma marca de roupa ou acessórios de moda, e assim promover a cultura do handmade tão presente na história do nosso país.

Uma mudança de estilo de vida que se prende também com a possibilidade de ter horários mais flexíveis e acompanhar de perto o crescimento das crianças. São as novas empresárias do momento, que conciliam o seu pequeno negócio com a maternidade na perfeição.

A Ana, a Sofia e a Teresa são exemplos disso, as suas histórias de vida são estas:

A Ana estudou Ciências da Comunicação e dedicou 12 anos à sua carreira enquanto brand manager de grandes marcas de telecomunicações. Quando nasceu a sua primeira filha, Constança, foi entre as primeiras fraldas e mamadas que decidiu criar a Ma Petite Princesse, agora Grace Baby and Child. Uma marca encantadora de roupa de bebé e criança, dos 0 aos 6 anos que faz a delícia das new mums Portuguesas e não só.

Grace-Baby-&-Child

A Sofia é uma psicóloga que depois de mais de 6 anos a trabalhar na sua área decidiu que estava na altura de mudar. Mãe de duas raparigas, foi perante a dificuldade em conciliar a vida de mãe com a sua profissão que decidiu arriscar e mudar. Apaixonada por moda infantil, decidiu criar aquela que é hoje uma das marcas de referência no que diz respeito a roupa para crianças, a Tu Chique.

tuchique

A história de Teresa é um pouco diferente, formou-se em Conservação e Restauro de Pintura em Itália, onde viveu quatro anos. Quando regressou a Portugal exerceu essa atividade ainda durante uns anos, até que os projetos foram diminuindo e decidiu começar o projeto da Wonder.it, conciliando ambas as áreas enquanto foi possível. Há cerca de umano e meio arriscou apostar tudo na marca que hoje em dia é referência para muitas mulheres e está muito satisfeita com essa mudança.

Wonder.it

 

Poderá visitar estas, e outras, marcas no Little Style

Por Filipa Cortez Faria, do  Blog My Happy Kids,
para Up To Kids®

Todos os direitos reservados

Ouvi este ditado da boca da minha mãe mais vezes dos que as que consigo enumerar.

Depois de ter tido a minha filha passei a compreendê-lo na perfeição. Como podemos não gostar de quem gosta dos nossos? Como podemos não ficar de coração cheio quando os tratam (quase J) tão bem quanto nós?

A creche da minha filha é a sua segunda casa. Foi escolhida com mil cuidados, com todo o coração, ainda não sabíamos o sexo do bebé que eu esperava.

Foi lá que a deixei com quatro meses e meio, nesse dia em que cheguei a casa e encontrei o meu bebé a dormir, cansado do dia agitado que tinha tido, e chorei. Foi a única vez que o fiz. De todas as vezes que a fui buscar à creche o meu coração encheu-se de ternura.

Na creche da minha filha todos se conhecem. De conhecer a sério, de saber os hábitos, os gostos, as manhas, as brincadeiras preferidas.

Na creche da minha filha todos se conhecem pelo nome. Mesmo os meninos mais crescidos sabem como se chamam os bebés.

Na creche da minha filha há uma horta, um jardim com árvores para trepar, relva e flores que ela adora cheirar.

Há educadoras com um colo enorme, auxiliares que dão a mão a todos, mesmo quando todos são muitos e todos querem ir de mãos dadas.

Há sempre música no ar, seja vinda da aparelhagem, seja das vozes de quem toma conta dos meninos.

Há choro, mas muitas mais gargalhadas.

Há, todos os dias, a conquista de algo (os primeiros passos, segurar os talheres e comer sozinho, pedir para ir ao bacio, lembrar-se de limpar a boca depois de comer).

Há o respeito pelo ritmo de todos.

Há paciência e amor para as pequenas falhas, entusiasmo e incentivo para que a palavra “desistir” não reine.

Há meninas que apanham flores e nos entregam, sem perceber como esse gesto é bonito.

Há rapazes que correm, tropeçam e disputam brinquedos mas ajudam os amigos a levantar-se quando estes caem.

Há sempre alguém ao pé destes meninos e meninas a ajudá-los a serem melhores.

Alguém que lhes conta uma história nova todos os dias.

Que brinca com eles sem olhar para o relógio ou revirar os olhos.

Que canta sem enfado.

Alguém que, mesmo que esteja a ter um mau dia, nunca o deixa transparecer.

Alguém que tem, mais do que um trabalho, uma vocação – e esta é uma das vocações mais importantes no mundo, porque só se é criança uma vez.

Estarei a descrever todas as creches do mundo? Se sim seria uma sorte. Porque considero uma sorte a minha filha estar numa creche que é uma casa, com uma “família” que cuida dela, que se preocupa, que se interessa.

As crianças são transparentes. Quando não gostam encontram maneira de o deixar bem claro. E quando gostam é impossível segurá-las. E é de coração cheio que vejo a minha filha a pedir colo às educadoras que passam pela sala para a espreitar, às auxiliares que tomaram conta dela quando ainda não tinha um único dente. É e está feliz.

Hoje entendo-te perfeitamente, mãe.

Quem a minha filha beija (todos os dias), a minha boca adoça (tranquilizando o meu coração).

 

Por Marta Coelho, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados.

 

Imagem@weheartit

Há dias tive uma experiência no parque infantil, que me ensinou uma importante lição de maternidade.
Fez-me pensar sobre a forma como eu reajo, respondo e trato outras mães e os respetivos filhos.

Eu estava nos baloiços a empurrar o meu filho de 1 ano, ao lado de outra mãe que empurrava a sua filha. Estávamos na conversa, quando uma menina que estava em cima de um brinquedo do parque começou a chorar, com medo, porque achava que não conseguia descer. Apesar dos seus gritos, aparentemente ninguém vinha socorre-la.

Olhe para aquilo…” – Comentou a outra mãe. “Como é que alguém deixa uma criança desta idade sozinha no parque? E se a miúda cai?”

Eu olhei para esta mãe, e para a criança. Depois olhei em volta para perceber quem era a mãe da menina. Percebi que estava do outro lado do parque com outros dois filhos mais novos.

Neste momento, das duas uma: ou juntava-me a esta mãe a criticar a situação, ou fazia qualquer coisa para ajudar.

Acha que vá lá ajuda-la?”, perguntei. Mas de repente a resposta pareceu-me obvia. “Eu vou lá ajuda-la!”, disse.

Deixei o meu filho no baloiço, afastei-me 15 metros, ajudei a miúda a descer e voltei. Depois, apareceu a mãe da menina com os outros filhos, e estavam a leste do que se passou.

Eu estou a partilhar isto agora, mas não para me valorizar. Aliás o que eu fiz nem sequer foi grande coisa. E gosto de pensar que se eu não tivesse ido lá, qualquer outra mãe teria ido, ou a mãe da criança teria aparecido antes que acontecesse alguma coisa má.

Eu estou a partilhar esta história porque eu apercebi-me de uma coisa: nós, enquanto mães, muitas vezes julgamos os comportamentos de outras mães de tal forma que perdemos a noção de senso comum. Uma criança precisava de ajuda, a mãe não estava suficientemente perto, e em vez de ajudarmos de imediato, ficávamos ali a dizer mal da mãe que deixou a criança sozinha no parque.

A mãe da criança, estava obviamente sem mãos a medir, sozinha com três filhos. Conhece-os bem e sabe que a sua filha é perfeitamente capaz de brincar por sua conta no parque. E apesar da miúda não conseguir descer do brinquedo, na verdade não estava a correr nenhum perigo. Mesmo que tivesse caído, não estava assim tão alto. E havia outras mães à sua volta que a poderiam ajudar caso fosse preciso.

A mãe que estava ao meu lado e que fez juízo de valores, é uma mãe de primeira viagem com uma filha. Com base na conversa que tivemos, e na forma como agiu no parque, é uma mãe bastante protectora. Para ela é difícil de perceber como é que alguém pode deixar uma filha a brincar livremente no parque, nem que seja por um minuto apenas. O juízo de valores que fez foi baseado no conhecimento e na relação que tem com a sua própria filha.

Provavelmente nenhumas das mães que estavam lá nesse dia se lembram desse episódio, mas é algo que me tem vindo frequentemente à memória. Foi algo que me definiu enquanto mãe.

Junto-me à outra mãe e critico, ou ajudo a criança? Aqui trata-se de fazer parte do problema ou da solução. Neste caso optei por ajudar. O meu plano é continuar a fazê-lo, até porque também eu por vezes preciso de uma mão extra.

Nós jogamos todas na mesma equipa. O que nós queremos é a felicidade e o bem-estar dos miúdos que nos rodeiam (e de todos os outros).

Vamos dar o beneficio da dúvida umas às outras, e sempre que uma criança estiver em apuros, tentemos ajudar em vez de criticar.

 

Por Mindy Raye Friedman para familyshare.com
Traduzido e adaptado por Up To Kids®

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