Sou mãe e encarregada de educação de um menino que é um aluno de ensino especial por força de um diagnóstico de perturbações no espectro do autismo e, evidentemente, aos meus olhos é, e será sempre, um rapaz maravilhoso e surpreendente. (…)

Ler também Vestir a camisola do autismo

Não há verdadeiramente uma escola inclusiva para todos em que todos os alunos aprendem juntos, independentemente das dificuldades e das diferenças que apresentam.

Na prática existem dois pesos e duas medidas numa educação a preto e branco onde o branco é o ensino regular (um branco sujo pelas suas próprias carências) e o preto o ensino especial (educação especial) que se encontra fechado sobre si mesmo e prende as crianças que revelam necessidades educativas especiais a um regime quase único de Currículo Especifico Individual (CEI) que os exclui e discrimina dentro do sistema de ensino e lhes retira as oportunidades não só de adquirir os conhecimentos e capacidades que façam deles os cidadãos futuros que possam pretender ser, e que a nossa sociedade precisa, como lhes concede apenas um mero certificado de frequência escolar impeditivo de obterem as habilitações necessárias para escolher livremente a profissão ou o género de trabalho.

Estamos a perder a oportunidade de educar e formar cidadãos autónomos e capazes de contribuir para a sociedade e estamos a criar as condições para termos no futuro milhares de cidadãos dependentes da solidariedade familiar e social.

O que está a acontecer é uma verdadeira catástrofe social que ninguém quer ver nem ouvir e por isso se mantém oculta na sombra da ignorância. Como se as décadas de desenvolvimento do ensino especial em Portugal ainda não tivessem já revelado o que é preciso fazer.

Em todo o percurso escolar do meu filho sempre me foi sugerido, e até posso dizer que fui pressionada, a aplicar-lhe a medida de CEI mas sempre me recusei fazê-lo, precisamente porque nunca quis que ele ficasse apenas com um certificado de frequência que não lhe permitisse poder escolher o seu próprio caminho.

Talvez tivesse sido mais fácil para ele aplicar-lhe o CEI, mas não me arrependo. Pode ser mais difícil sem o CEI mas está numa sala de ensino regular a conviver com os seus pares, nas matérias em que está matriculado, e está a aprender e a evoluir nas suas capacidades e conhecimentos, ao seu ritmo e com os recursos que lhe são proporcionados. As dificuldades surgem precisamente na evolução das suas capacidades, (as dificuldades naturais por força do seu diagnóstico e as dificuldades provocadas pelo sistema de ensino) já que é obrigado a adquirir todas as competências do currículo comum do ensino regular beneficiando apenas das medidas educativas contempladas no programa educativo individual (PEI), o qual não é respeitado integralmente quanto ao apoio pedagógico personalizado, adequações curriculares individuais, adequações no processo de avaliação e tecnologias de apoio.

Muitos pais não encontram outra alternativa senão autorizar a aplicação da medida do CEI, pelos seus motivos próprios que compreendo, seja por cederem à pressão do sistema educativo, por não acreditarem que os seus filhos consigam evoluir ou por lhes ser evidente que não têm outra possibilidade. Um decisão que acredito que seja muito difícil de tomar e com certeza merecedora de muita ponderação. Grave é que, em muitos casos, essa decisão seja adoptada logo nos primeiros anos de ensino sem que os pais estejam devidamente informados e conscientes das consequências futuras e da dificuldade de reversibilidade da situação. Há muitos casos em que se arrependem mais tarde e depois é muito difícil voltar atrás, senão impossível, trazendo consequências desastrosas para o desenvolvimento dos seus filhos.

Existe outro caminho. Um caminho que permita aos alunos que careçam de ensino especial evoluir nas suas capacidades e conhecimentos, fazer as suas próprias escolhas, sem impor um rótulo único, e lhes permita ter um verdadeiro certificado de habilitações.

Para isso é preciso criar uma medida educativa adicional que permita a adaptação do currículo às necessidades educativas dos/as alunos/as, mais flexível do que a medida «adequações curriculares individuais» mas menos restritiva do que o estabelecimento de um currículo específico individual.

A educação especial não tem de ter apenas uma cor, uma medida… um rótulo. A educação especial deve ser diversificada e adaptada às necessidades de cada criança. (…)

Por isso, termino pedindo que abracem esta causa, que acredito ser digna da maior e melhor atenção, para o bem de todas as crianças que necessitam do apoio do ensino especial, que se encontram excluídos e discriminados no sistema de ensino, e que, por serem mais desfavorecidos, não têm voz para se fazer ouvir, e em ultima análise para o bem de todos.

Sofia Paço, criadora da petição “Pedido de alteração do regime jurídico da educação especial”

Apoie esta causa assinando a petição. Saiba mais e assine aqui.

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“João, como autista que é não entende as coisas da mesma maneira que as outras crianças e por isso apenas precisa que as coisas lhe sejam explicadas de forma diferente para entender.
Mas para que esta luta tenha um final feliz é preciso vestir a camisola. Vestir a camisola do Autismo.
Não tenho vergonha e acima de tudo acredito nele e nas suas capacidades. Acredito que é capaz de tudo o que quer. E acima de tudo tenho muito orgulho de todas as suas pequenas e grandes conquistas.
Por isso luto, luto pelos seus direitos. Pode demorar um ano, dois anos, três anos, mas não desisto e não baixo os braços. Por muito cansativo e extenuante que seja, é preciso respeitar os seus direitos, mas acima de tudo respeitá-lo como ser.
Nem sempre é fácil, se é uma luta extenuante para mudar as mentalidades e trabalhar o preconceito e ainda lidar com uma criança autista diariamente.

Mas a verdade é que o que ele tem não é assim tão grave!

Ele apenas tem uma forma diferente de ver e entender as coisas. Apesar de todas estas dificuldades, a verdade, e já disse em post anteriores, é que uma criança autista permite-nos descobrir emoções que, muitas vezes, não sabíamos possíveis de sentir.

Chorei de felicidade na primeira vez que deu um chuto na bola, chorei de felicidade cada vez que acrescentava uma palavra nova ao seu vocabulário num contexto correto, sem ser ecolalia… Emociono-me em cada pequena conquista, em cada beijo, em cada abraço.

Ser mãe de um autista, no meu caso, como mãe do João, é viver intensamente quando me pede para dançar com ele, quando me chama a atenção para não gritar, quando cuida do seu mano assumindo um papel de irmão mais velho.
É verdade que ser mãe de um autista é estar sempre a lutar.
Lutar para que percebam o que é o autismo, lutar para que tenham capacidade de respeitar a sua própria forma de estar, viver, entender e aprender. É viver indignada com as faltas de apoio, com a falta de legislação adequada, de conseguir conciliar trabalho profissional com todas as consultas de acompanhamento necessárias, todas as reuniões de escola que são necessárias para exigir o respeito pelos seus direitos, para que não seja só mais um número. É trabalhar muito, é lutar muito, é chorar muito, mas também rir muito. É tudo vivido com muita intensidade. Mas sou muito feliz e muito, muito orgulhosa por toda a sua força e tudo aquilo que apenas ele me consegue fazer sentir.

Não acredito na teoria de que ter um filho autista é um presente, que só é “dado” a mães consideradas especiais.
Enquanto todas as mães falam da felicidade de ver os seus filhos a darem os primeiros passos, as primeiras palavras, de aprender a comer sozinho… Tudo isto até aos 2/3 anos, a mãe de um autista vê as suas conquistas dia a dia, ao longo de toda a sua vida, para o resto da vida. Mas também vejo o meu filho a fazer e conquistar coisas que todos dizem ser impossíveis. É um orgulho gigante e muito verdadeiro.

Na verdade, ser mãe de um autista é também passar a ver o mundo de uma forma diferente, aprender a ter mais paciência, a ser mais mãe a toda a hora. Permitiu-me também aprender a lidar com meus outros filhos, falo com eles sempre a olhar nos seus olhos, a dar mais atenção aos pormenores, e consigo ver e identificar a felicidade nos olhos de cada um. Aprendi a olhar com os olhos do coração. Tanto para os meus filhos, como para todas as outras crianças, pois todas as crianças são mágicas e as crianças “diferentes” também têm a sua magia. São doces e encantadores.

Não é preciso ter pena, apenas apoio e compreensão. Existe uma infinita felicidade em cada gesto, em cada palavra, em cada olhar do coração. Que todos consigam sentir, viver e ver uma criança autista, como eu consigo ver o meu João por dentro e sentir o seu coração… E acima de tudo que consigam ver o futuro maravilhoso que vejo para o meu menino João autista. Porque esse futuro maravilhoso é possível. Depende de mim, depende de nós, depende de todos!

E hoje choro estupidamente de felicidade, quase histérica por mais esta conquista.”

 

Por Sofia Paço, criadora da petição “Pedido de alteração do regime jurídico da educação especial”

Apoie esta causa assinando a petição. Saiba mais e assine aqui.

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O que os meus filhos irão esquecer

O Tempo é um animal estranho. Assemelha-se a um gato, agindo como lhe apetece. Manhoso e indiferente, corre quando imploras que pare, e permanece imóvel quando rezas que ande depressa. Às vezes morde enquanto ronrona, ou lambe-te com uma língua áspera. Coça-se enquanto o beijas.

O tempo, irá libertar-me lentamente da extenuante fadiga de ter filhos pequenos, das noites sem dormir e dos dias sem descanso. Das mãos papudas que não param de me agarrar, que me trepam pelas costas, que me procuram sem restrições nem hesitações. Do peso que me enche os braços e me curva as costas. Das vezes que me chamam e não permitem atrasos nem esperas. Vou voltar ao ócio vazio de domingo e as chamadas telefónicas sem interrupções, o privilégio e o medo da solidão.

O tempo, certamente e inexoravelmente irá arrefecer outra vez a minha cama, agora quente dos corpos pequenos e respirações rápidas. O tempo vai atenuar os olhos de meus filhos, que agora transbordam de um amor poderoso e incontrolável. Vai apagar a palavra mãe dos seus lábios, gritada e cantada, chorada e pronunciada cem mil vezes ao dia.

Vai apagar, pouco a pouco ou de repente, a familiaridade da sua pele com a minha, a confiança absoluta, o mesmo cheiro, usado para misturar o nosso humor, o espaço e o ar que respiramos. Assumir, em parte e para sempre, o pudor, o julgamento, a vergonha. A consciência adulta das nossas diferenças.

Como um rio que escava seu leito, o tempo minará a confiança que têm em mim, a forma como os seus olhos me vêem, capaz de parar o vento e acalmar o mar, consertar o irreparável, curar o incurável e ressuscitar da morte!

Com o tempo vão deixar de me pedir ajuda, porque deixarão de acreditar que eu possa salvá-los. Vão parar de me imitar, porque vão querer não ser parecidos comigo. Deixarão de preferir minha companhia, optando pela dos amigos, e Deus queira que não esteja enganada!

Paixões se dissiparão, as birras e os ciúmes, o amor e o medo. Vão-se apagar os ecos das gargalhadas e das canções, as sestas e os “era uma vez”… Com o passar do tempo, os meus filhos vão descobrir que eu tenho muitos defeitos, e se eu tiver sorte, também vou perdoar alguém.

Sábio e cínico, o tempo vai trazer o esquecimento. E os meus filhos vão esquecer-se mesmo daquilo que eu nunca esquecerei. As cocegas e as corridas, os beijinhos nas pálpebras e as lágrimas silenciadas com um abraço. As viagens e os jogos, os passeios e as febres altas. As danças palermas, os bolos de aniversário e os mimos durante o sono.

Os meus filhos vão esquecer-se que os amamentei, que os embalei durante horas, que os carreguei nos braços e das vezes que andamos de mãos dadas. Que lhes dei de comer e os consolei, que os amparei depois de cem quedas. Vão esquecer-se que dormiram no meu peito dia e de noite, e que houve uma altura que precisavam tanto de mim como o ar que respiram.

Os meus filhos vão esquecer-se de tudo isto, porque assim é a vida, e estas são a exigências do tempo.

E eu, eu terei que aprender a recordar-lhes tudo, com ternura e sem arrependimentos. Livre. E que o tempo, manhoso e indiferente, seja gentil com esta mãe que não se quer esquecer.

Por Silvana Santo – Una Mamma Green,
traduzido por Up To Kids®

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Nos dias que correm parece-me correcto dizer que a culpa é o nome do meio da maior parte dos pais.

Sentem culpa porque trabalham demais, porque estão cansados demais, porque perdem a paciências vezes a mais do que gostariam, porque sentem que não estão tão presentes quanto deveriam.

Este facto faz com que tantas, mas tantas coisas que acontecem sejam atribuídas exactamente à falta de tempo, ou paciência, ou por aí fora.

No outro dia, no jardim com a minha filha, cruzei-me com uma mãe que tinha uma menina mais velha que a minha. A menina, de cerca de dois anos e meio ou três, quando via a minha filha a querer subir para o escorrega ou para o baloiço dizia “é meu!”. A mãe chamou-a várias vezes à atenção, com cuidado e sensibilidade e conversou um pouco comigo. Explicava-me que aquilo se devia ao facto de ela e o pai da menina se terem separado recentemente, de esta estar uma semana com cada um e de estar a receber mimo extra. Pedia desculpas, estava a tentar encontrar a melhor maneira de gerir tudo aquilo porque, dizia, “são muitas emoções, muitas mudanças, mas quem errou fomos nós, não ela. E somos nós que temos de fazer com que ela cresça bem. Mas não podemos deixá-la ficar perdida entre uma casa e outra, a achar que pode tudo só porque agora é uma espécie de vítima desta situação”. Ainda que nada tivesse a ver com o assunto, achei que devia dizer alguma coisa. Achei que aquela mãe precisava de conversar, mas acima de tudo de ouvir que estava no caminho certo. E foi o que lhe disse, que me parecia que estava a fazer as coisas equilibradamente, mas… E aqui ela olhou-me com algum receio. Senti que devia dizer-lhe que todas as crianças passam pela fase do “é meu”. Que é natural, que têm de passar por ela para perceberem que o mundo se espraia para além do seu umbigo e que apesar de serem muitas vezes o centro do mundo de alguém, este mundo maior que está à sua volta não ser curva perante eles. E esse “é meu” passará a ser um “também é meu, é nosso”. Com calma, com tempo, com acompanhamento.

No fundo, aquela mãe estava a culpar-se por algo que não era, em absoluto, culpa sua. Baralhava uma fase do desenvolvimento da filha com uma consequência de uma mudança na sua vida. E fazemos muitas vezes isso. Demasiadas vezes. E é por isto que acho que é importante conversar. Partilhar experiências, vivências, sem as impor. Passar informação. Opiniões. Sem julgar. Ajudar, deixar ajudar. Ouvir.

Porque muitas das vezes o problema não somos nós, são mesmo os outros. E esses “outros” podem ser muitas coisas.

Estamos a fazer o melhor que sabemos e podemos.

Ler também Amor de Mãe

E tal como não devemos sacudir a culpa para as outras pessoas também não devemos apropriar-nos dela por termos algo menos bem resolvido.

É essencial procurar uma vida de meios termos, de equilíbrios.

Para nosso bem, para bem dos nossos filhos. Eles serão pais no futuro. Que possam dizer que são uma versão nossa melhorada.

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Sou só eu que tenho manhãs caóticas?

Sou só eu?
Sou só eu a pessoa menos eficaz de manhã?
Sou só eu que por muito que deixe a roupa e as mochilas preparadas no dia anterior, demoro quase 2 horas a sair de casa?
Sou só eu que deixo para trás um tornado, num cenário de guerra?
Sou só eu que tenho uns filhos que fazem birra à vez?
Sou só eu que tropeço em tudo sem saber porquê?
Sou só eu que não consigo acabar de lavar os dentes a um sem sair a correr atrás do outro, e que depois me esqueço do que estava a fazer?
Sou só eu que só me lembro que o telemóvel ficou em casa quando já fiz das tripas coração para prender os dois às cadeirinhas do carro?
Sou só eu que saio de casa com o cabelo molhado, desgrenhado e despenteado?
Sou só eu que me maquilho quando estou com o carro no trânsito parado?
Sou só eu que pareço uma abominável mulher das neves quando, ao carregar em mim mil e um casacos, deixo cair um gorro e, ao pensar se hei de mesmo voltar, resolvo ceder e depois ainda deixo cair no meio do chão as luvas, os cachecóis e ainda um iogurte esquecido que estava na carteira?

Nas duas últimas semanas, vi-me envolvida em duas situações diferentes, e em que não tinha bem a certeza de como deveria agir em cada caso.

Primeiro um amigo do meu filho acertou-lhe com uma pedra na cabeça, e feriu-o.

Será que eu deveria ter dito alguma coisa à mãe? Eu sei que foi um acidente, e que o miúdo se sentiu mal por isso.

Pensei em dizer alguma coisa, mas acabei por não fazê-lo.

Numa outra situação, e esta não envolve os meus filhos, eu vim a saber que o filho adolescente de uma conhecida minha com quem me dou bastante bem e costumamos encontrar-nos de vez em quando, andava envolvido com coisas pouco saudáveis. E ilegais.

O que devo fazer? Devo dizer alguma coisa, ou não me meter?

Eu sei que se fossem os meus filhos, em qualquer uma das situações eu queria saber.
Acredito que muitas de nós, mães, já passamos por situações destas. Sem saber se devemos falar ou não.

Por isso eu vou deixar bem claro: se o meu filho atirar uma pedra à cabeça do teu, eu quero que me contes. Acidente ou não, eu quero saber!

Se o meu filho te faltar ao respeito, quero que me contes.

Se o meu filho consumir drogas, eu quero que me contes.

Se vires os meus filhos num sítio que não seja suposto estarem, eu quero que me contes.

Se te contarem que o meu filho consome drogas, mesmo que não tenhas a certeza se é verdade ou não, eu quero que me contes.

Se souberes que os meus filhos me andam a mentir, eu quero que me contes.

Se o meu filho faz bullying , quero que me contes.

Se o meu filho não faz bullying, mas é o parvalhão da escola, eu quero que me contes.

Se o meu filho usar uma linguagem totalmente inapropriada eu quero que me contes.

Se o meu marido me andar a enganar (não anda, nunca andou, mas hipoteticamente), por favor conta-me.

Se eu tiver um macaco do nariz a passear do lado de fora, e visível para toda a gente, diz-me!

Se toda a gente souber que estou com a “história” menos eu, por favor avisa-me!

Se descobrires que uma das minhas filhas está grávida, eu quero que me contes.

Se vires um pêlo preto e grande a sair do meu queixo, pescoço ou qualquer parte do corpo acima da cintura (ou já agora abaixo também), quero que me digas!

Se algum dos meus filhos andar sempre com miúdos com problemas de droga, ou com o traficante mesmo, com prostitutas, ou com alguém mais velho, quero que me contes.

Se o meu filho está a fazer ou a ver asneiradas no computador que não deixarias os teus filhos verem, eu quero que me contes.

Se eu tiver a braguilha aberta, quero que me digas.

Se o meu lápis dos olhos está tão borrado, ao ponto de parecer que estive no ringue com o Mike Tyson, quero que me contes.

Se a minha saia estiver entalada nas cuecas, quero que me contes!

Se acontecer qualquer coisa que não está nesta lista, e ficares na dúvida se deves ou não contar-me, eu quero que me contes.

E se me quiseres contar alguma coisa desta lista e não souberes como, basta dizeres: “lembras-te daquela vez que o teu filho estava a ser um idiota, e querias que eu te contasse? Bom…”

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Publicado em Scary Mommy, traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®
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Acredito que cada mãe é a melhor mãe do mundo ou, dito de outra fora, cada mãe é a melhor mãe que consegue ser. Não é perfeita, nem tem de ser.

Na procura incansável de ser uma “boa mãe”, você lê todos os artigos sobre o tema, sabe na teoria o que deve ou não fazer mas, na hora H, acaba por “perder as estribeiras” e….

Depois vem a culpa, aquele “bichinho” de tamanho varável, que “vive dentro de nós”, que nos “aponta o dedo” e diz: és mesmo estúpida, não vales nada, o teu comportamento foi vergonhoso. No fundo, isso resulta do saber, da consciência que podia ter agido de outra forma, mais positiva e mais saudável. Mas como, como fazer?

Ler também Não és má mãe!

A resposta é simples: procure sentir-se feliz!
Não há boas mães, há mães felizes!

Pessoas que se sentem bem com elas próprias, sentem-se melhor com os outros, são mais compreensivas, tolerantes e assertivas. Tem dúvidas? Faça este simples exercício:

Respire fundo duas ou três vezes, feche os olhos e pense num dia muito feliz com os seus filhos…

Ler também: Continuas aí: és mais que uma mãe

O que estava a fazer? Recorde, calmamente, cada momento bom… como se sentia?

Mas, afinal o que foi diferente de tantos outros momentos que parecem “um pesadelo”? Provavelmente o seu estado de espírito. Claro que as crianças “esticam”, vão testando os limites, fazem birras. Mas não é sempre assim? Afinal, faz parte do processo de aprenderem a crescer emocionalmente.

Bom, agora vem a pergunta difícil – como ser mais feliz?

Não há uma receita única, cabe a cada pessoa perceber o que valoriza, o que tem mais significado para si e o que a faz sentir bem. Mas há condicionantes que são comuns e frequentes para a maior parte das pessoas. Se estiver atenta, vai percebe os sinais que o seu corpo vai dando e o tipo de pensamentos que vão alimentando as suas emoções. Ficam algumas sugestões que ajudam a conhecer o que sente e o que estará associado a esse sentir:

– registe diariamente os acontecimentos positivos e menos positivos. Nesse registo será útil incluir: quando foi (manhã, tarde, hora jantar, etc.), o que aconteceu, como se estava a sentir, que impacto teve;

– em que dias há episódios mais críticos ou de maior bem-estar;

– para cada sentimento ou estado emocional, procure descrever o que estava a pensar, o que andou a “fervilhar” na sua mente o dia inteiro ou nos dias anteriores;

– como estava o seu corpo : calmo, relaxado, tenso, como se tivesse corrido uma maratona?

Semanalmente, ou com a frequência que se justificar, reveja os seus registos. Verá que encontra padrões de comportamento vs situações.

O passo seguinte é encontrar estratégias internas para mudar, para quebrar esses padrões. Não há mães ideais, há mães que se sentem bem com elas próprias, que conhecem as suas limitações, que se aceitam e que, acima de tudo, se sentem felizes.

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Síndrome de Pais Acabados (SPA): Um estado em que um dos pais está de tal forma perturbado pelos  filhos ao ponto de só querer gritar, fugir, falar noutras línguas, enviar a criança infratora para Abu Dabi, ou começar a beber . Esta condição generalizada de descrença é muitas vezes caracterizado por sangue a ferver, veias a pulsar na testa, aparecimento de cabelos brancos, perda completa de palavras ou ações, exaustão, e uma crise existencial aguda e abrangente.

As causas podem incluir, mas não estão limitados apenas às seguintes experiências parentais:

1) Crianças que perguntam: “porquê?” Continuamente por mais de 30 minutos.

2) Crianças que alegam ter garras depois de verem um filme com o  Wolverine e fazem 173 tentativas de usá-las nas pessoas, nos móveis, no carro, na comida, na mesa, nas pilhas de roupa, na mãe e no rabo do pai cada vez que passam por eles.

3) Crianças que exigem comer alguma coisa, porque estão cheias de fome, mesmo que se tenham recusado a tomar o pequeno almoço, almoço, ou jantar porque estavam “cheias” há menos de 10 minutos atrás.

4) Disputas entre Irmãos.

5) Ciúmes de irmãos.

6) A rivalidade entre irmãos.

7) Irmãos. Ponto Final. (Bolas!)

8) Crianças que fazem intencionalmente sons estranhos ou nojentos com a boca e que incluem lamber, cacarejar, bater, chupar, ou um repetitivo “pop”.

9) Crianças a correr – geralmente completamente nuas enquanto simulam sons de sirenes descontroladas e não param, mesmo após o já conhecido aviso do “Vou contar até 3

10) Crianças com respostas insolentes

11) Atitudes insolentes perante o castigo

12) Crianças que fogem do castigo

13) Dizer à mãe ou ao pai que o castigo é estúpido.

14) A súbita incapacidade de seguir as instruções durante a hora de ir dormir.

15) Crianças que usam o batom da mãe no livro novo que acabou finalmente de chegar do Amazon há duas horas atrás

16) Usar lápis de cera para desenhar riscas de tigre na cara, exactamente no momento que iam sair, e já atrasados, para uma consulta.

17) Entornar “acidentalmente” metade do leite com chocolate no sofá porque o cão gosta mesmo daquele miminho.

18) Crianças que, de repente, começam a espernear, implorar, gritar, berrar, chorar, lutar, lamentar-se, falar alto, porque perceberam que está um iphone em cima da mesa  e querem muito pegar-lhe.

19) Crianças que se recusam a entrar e a sentar-se no carro

20) Crianças que se recusam a tomar banho.

21) Crianças que se recusam a comer.

22) Crianças que se recusam a fazer qualquer coisa que a mãe ou o pai lhes tenha pedido, exigido, ou irracionalmente implorado.

É recomendado o tratamento imediato através de uma abordagem holística parental tradicional.
As Terapias mais eficazes incluem:

  1. Saída à noite!
  2. Comer grandes quantidades de gelado, pipocas, batatas fritas, ou chocolates, no silêncio da noite.
  3. Beber vinho na banheira depois das crianças terem ido para a cama. Inclui: o uso de espuma, revistas, Candy Crush, e de preferência à luz de velas para efeito mais completo.
  4. Desabafo numa rede social.
  5. Largar uns palavrões longe dos ouvidos dos miúdos
  6. Culpar o cônjuge, a sociedade, ou os avós para a criação de tais monstros.
  7. Repetir várias vezes o mantra: “Isto é só uma fase”

Enquanto o fenómeno da Síndrome de Pais Acabados (SPA) é amplamente divulgado, os casos apresentam variações muito disparas, com base na experiência individual. O investigador recomenda a criação de laços afectivos fortes, encarar os sintomas com humor dando sempre o benefício da dúvida à criança e o estabelecimento de uma relação saudável para o total açambarcamento livre de culpa de todo o chocolate escondido na lavandaria.

Estágios avançados de SPA são muitas vezes expressos como os primeiros sintomas da Síndrome do Ninho Vazio.
É também usual os últimos estágios de SPA apanharem os primeiros de uma Crise de Maia idade, e muitas vezes desenvolver-se um diagnóstico tardio ou errado. Para obter mais informações, consulte o Anexo A, que descreve as várias maneiras em que os pais expressam sua raiva por falta de higiene e de vestuário adequado.

Por Sarah Cottrell, para Scary Mommy,
traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®,

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Nós, mulheres, somos fantásticas! Somos seres incríveis e imbatíveis, numa constante luta pela felicidade! Somos capazes de tudo! Somos tudo o que precisamos ser, somos a excelência do ser humano… Somos Fantásticas!
Esta bajulação gratuita do ser magnifico que é a mulher tem uma razão…
Desde pequenas que nos “atiram” bebés para as mãos… e nós gostamos! Está na nossa natureza, a maternidade!
Quando casamos ou nos juntamos começa a pressão. “Para quando um bebé?“. O que muita gente não sabe ou não pensa, é qual o preço de ter um filho.
Há muitas mulheres cujo sonho de ser mãe lhes corre nas veias! Mas a vida tem esta forma cruel de nos pôr constantemente à prova e, muitas vezes, quanto mais se anseia ser mãe, mais dificuldades se tem em engravidar ou levar uma gravidez até ao fim. Há mulheres que fazem tudo para realizarem o sonho de ser mãe!
Os tratamentos de fertilidade não são de todo fáceis… São fisicamente agressivos e psicologicamente violentos. São medicações com efeitos adversos horríveis e para muitas insuportáveis… São exames e análises constantes, são injeções, são testes negativos atrás de testes negativos! As semanas transformam-se em meses, e os meses em anos, e os anos em frustração e depressões!
Quando estes tratamentos (pelos quais ninguém deveria ter que passar) acabam, a luta continua! Perdas gestacionais, o pânico que algo corra mal, gravidezes instáveis…
Há gravidezes muito diferentes daquela que tive! Há gravidezes dolorosas e até assustadoras. Há problemas de peso, descolamentos de placentas, perdas de sangue, ritmos cardíacos instáveis do bebé, há infeções, diabetes, dores ciáticas, dores lombares, dores de cabeça insuportáveis, há perda de liquido amniótico, roturas de bolsas… um sem fim de coisas que correm mal e contra as quais nós mulheres lutamos com unhas e dentes.

Um dia, muitas vezes antes do que era suposto, o bebé nasce!

Contrações insuportáveis, dores de parto, epidurais pelas costas adentro, fazer força que nunca sonhámos ter, pontos e mais pontos, sete camadas de pele cozidas, e horas depois do bebé nascer, a mãe levanta-se e vai dar de mamar! Mamilos feridos, caroços no peito, febre, mastites… Vamos para casa. Toda uma casa para limpar e arrumar, receber visitas, o bebé a chorar, acordar milhões de vezes à noite mesmo só para ver se ele está a respirar. Olhar no espelho e não reconhecer aquela mulher…

Um turbilhão de hormonas descontroladas em nós, o corpo que nunca mais será o mesmo, sentirmo-nos tristes, felizes, deprimidas, alegres, sozinhas e completas tudo isto ao mesmo tempo.
Ser mãe é nunca mais sermos a primeira em nada!

Quando temos um bebé, podemos entrar numa sala cheia de gente e a maior parte nem repara que ali estamos, é dar o ultimo pedaço de chocolate, é dar a refeição aos filhos e só depois pensamos em nós… É prescindir para sempre de pequenos prazeres da vida como um banho demorado, ou um copo de vinho no silêncio de Blues à noite! É trocar o saxofone pelas musicas do panda, é ir comprar roupa e voltar cheia de sacos mas sem nada para nós, e com tudo para eles…

Ser mãe, é vê-los crescer, e um dia a voar para as suas vidas sem olhar para trás e ficarmos de colos vazios!
O preço de ter um filho é caro! Muito caro! É mudarmos tudo aquilo que somos… Ter um filho é para muitos um processo longo, demorado e doloroso…

E o mais incrível em nós mulheres…. É que, depois de sermos mães, passaríamos por tudo novamente.
Sem pensar duas vezes… está no nosso ser… a maternidade, o altruísmo!
Ter um filho tem um preço caro, mas que é impagável! É o nosso esforço derradeiro, para termos o melhor que a vida tem para nos dar!

Para todas as mulheres que têm/tiveram dificuldades em engravidar e/ou gravidezes e partos complicados só vos posso dizer uma coisa:
VOCÊS SÃO GRANDES!
Do tamanho do mundo!

imagem@Donagiraffa

LER TAMBÉM…

Não senti.

A maternidade é a recruta das mulheres

As mães também têm medo

Calma, não me entendam mal. Gosto de vocês, gosto de nós. Somos umas leoas, queremos o melhor para os nossos filhos, adoramos este mundo e queremos partilhá-lo com todos, mas convenhamos: somos muito chatinhas. E mázinhas. Temos poucos filtros, como se nos pudéssemos escudar no nosso papel e na nossa experiência para dizer o que os outros devem fazer, sem pensar nas consequências.
Faço parte de alguns grupos de Mães no Facebook. Adoro, super úteis, com pessoas impecáveis, gente que se dá ao trabalho de responder a dezenas de publicações só para ajudar outras mães. É ali que se vê o espírito de entreajuda que nos une. As Mães têm um coração grande.
Mas é ali que se vê também muito cinismo. Muitos comentários desajustados, a armar ao pingarelho. Há temas que, regra geral, dão cocó: amamentação/leite adaptado, o sono do bebé e o “deixar chorar”, o cosleeping, ir ou não para a praia com bebés… Numa publicação em que a mãe pede conselhos para alhos (alho x ou alho y?), respondem “mas olha que bugalhos é muito melhor”. Se fazem uma pergunta sobre leites de fórmula para o bebé, surgem sempre comentários que visam a opção da mãe em não amamentar, pouco inteligentes na forma de abordagem e muitas vezes despropositados. Partimos do princípio que a pessoa não está informada, podendo estar a mexer na ferida de uma opção difícil, mas a dela. Depois, já vi pessoas a pedir ajuda para as assaduras dos bebés e é o “Ai jesus, um rabo, não há noção nenhuma, publica-se tudo.” Ou “não devia ter deixado chegar a esse estado.” Julgamos demasiado. Às vezes queremos ajudar, com a nossa experiência, mas não temos tacto. Calçamos muito pouco os sapatos dos outros. 
Às vezes receio que o façamos por aqui, no nosso cantinho. A casa é nossa, verdade, só cá vem quem quiser entrar, as portas estão escancaradas, não temos tabus, somos genuínas, temos opiniões, mas corremos o risco de magoar alguém com elas. Têm o direito a chatearem-se, claro. A dizer que não concordam. Temos muitas coisas em comum, mas temos sensibilidades diferentes, gostos diferentes, vidas e experiências diferentes. Acho que é com essa pluralidade que saímos todas a ganhar. Mas… é sempre um risco. Não se deixem magoar: são só palavras. Faço esse exercício, quando nos dizem coisas feias, aqui no blogue. São só palavras. E às vezes não lemos o que lá está, lemos o que a nossa lente quer ler ou consegue alcançar. Às vezes também levamos tudo demasiado a sério e perdemos o sentido de humor. Arrrr… hormonas.

Mães, mães: esses seres fantásticos e tão “especiais“, em todos os sentidos!E não, não estou fartinha de Mães. Só dos filtros que vamos perdendo e que, às vezes, nos ajudam a conviver com sanidade. Sejam bem-vindas, mães que dormem com os filhos até aos 30 anos, mães que põem os filhos nos quartos ao terceiro dia, mães que amamentam, mães que não o fazem, mães que não gostam, mães que gostariam, mas não conseguiram, mães que amamentam em público, mães que não o fazem, mães que beijam os filhos nos lábios, mães que vão de férias sem os filhos, mães que levam os filhos para todo o lado, mães que tomam banho com os filhos, mães que nem pensar!, mães que lhes dão comida aos 4 meses, mães que esperam pelos 6, mães que trabalham fora de casa, mães que se dedicam a 100% aos filhos, mães que são todas fit, mães que pesam mais 20 kgs do que gostariam, mães que põem os filhos na creche, mães que os deixam com as avós ou com amas… E por aí fora. São as opções de cada uma. Somos todas Mães. Exercício: tentar compreender mais. Julgar menos.

Publicado originalmente em A mãe é que sabe.
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