Um dos meus filhos adolescentes chegou da sua primeira saída à noite a dois. Sentou-se no sofá, tirou os sapatos e contou-me… basicamente tudo! Sem grandes pormenores, graças a Deus. Mas o suficiente para ficar a saber que hoje deu  o seu primeiro beijo.

Conversamos imenso, e acabou por me contar que ainda não se sente preparado para ter relações sexuais. Depois de lhe ter dado alguns conselhos sobre preservativos, que eu sei que nunca ninguém os dá até ser tarde demais, levantou-se e foi comer qualquer coisa.

Passado um bocado, a minha filha adolescente veio contar-me que a sua melhor amiga de infância, agora anda com um grupo de miúdos que fumam erva. Aparentemente, a festa de anos da amiga era uma fogueira na praia e todos a fumar ganzas à volta. Apesar de comentar comigo que acha uma estupidez miúdos de 14 anos andarem a fumar droga, ainda se questionou porque é que a amiga não a convidou para a festa. Sentiu-se excluída.

Um pouco mais tarde, os meus três filhos adolescentes sentaram-se comigo a comentar uma situação actual de vida de um amigo em comum que os está a preocupar por poder vir a ter dimensões que colocam em risco a sua segurança.

Após ter conseguido, finalmente, tirar toda gente do meu quarto, fiquei a repensar nos acontecimentos desta noite. Sexo, drogas, relações interpessoais… e conclui que, acho que nunca me senti tão orgulhosa dos meus três filhos como hoje.

Adeus gráficos de autocolantes!

Eu não sou perita nesta coisa da parentalidade. Eu segui a educação que me foi dada, a abordagem da minha mãe, simplesmente porque me era natural e aparentemente correta. Mas conforme os meus filhos foram crescendo e eu fui crescendo com eles, essa abordagem evoluiu.

Originalmente eu tinha muitas regras, recompensas, gráficos com autocolantes e até castigos. Os meus filhos sempre se portaram bastante bem, e por isso eu achei que era uma mãe espectacular. Um dia tornaram-se pré-adolescentes e começaram a contar-me aqueles disparates que tinham feito às escondidas, na altura que eu achava que cumpriam sempre as regras. Trepar pelas janelas e andar no telhado para passarem de um quarto para o outro (só para fugirem a um castigo) foi aquilo que me fez repensar tudo. Se os meus filhos conseguiram fugir pela janela, sem que eu ou o meu ex-híper-vigilante-marido nos apercebêssemos, era óbvio que controlar em pleno o comportamento dos meus filhos não estava funcionar.

Acabaram-se os limites.

Uma vez que não sou fã de perder tempo, resolvi experimentar uma nova estratégia. Abandonei todas as regras em minha casa excepto algumas básicas que ficaram definidas em reunião de família. Retirei todos os limites às tecnologias. Comprei-lhes smartphones. Não fiz qualquer esforço para controlar o comportamento deles on-line. Retirei-me enquanto pessoa que detém o poder e tentei criar um novo papel de líder mais envolvida. Deixei de dar tantos sermões e passei a escuta-los mais. E continuei a falar com eles sobre tudo, desde qualquer coisa que vi nas redes sociais e que me comoveu às notícias dos jornais. Quando algum tema me preocupava, passei a falar com eles sobre o assunto em vez de criar uma regra para controlar o problema.

Já passaram dois anos desde que mudei drasticamente a minha abordagem enquanto mãe. Ao longo do tempo, assumi os meus próprios limites – aquilo que estava disposta a aceitar dos meus filhos e tornei-os muito claros. Pode não haver muitas regras em minha casa, mas não aceito que me desrespeitem. Com sentido de humor, vamos aliviando as tensões.

Sugerir os filhos como amigos dos nossos amigos no Facebook

Ultimamente vi uma série de artigos e posts nas redes sociais sobre a necessidade de monitorizar o comportamento dos filhos adolescentes, especialmente online. Um amigo postou qualquer coisa sobre o tema, e os seus amigos sugeriram que se reencaminhasse o e-mail dos filhos para o nosso, pois desta forma poderiamos ver os comentários dos amigos dos amigos dos amigos e perceber com que tipo de miúdos os nossos miúdos andavam a interagir. Uma mãe dizia que lê os sms do seu filho todas as noites. Outra tem instalado software que monitoriza tudo o que o filho faz na net.

Quando me deparo com este tipo de comportamento entre os pais, eu questiono-me desde quando é que perseguir os filhos se tornou um comportamento aceitável. Perseguir um adulto é crime. Eu não percebo como é que perseguir uma criança pode ser considerado positivo e ser aceite em nome da “boa ”parentalidade.

Uma boa maneira de perder a confiança dos seus filhos

Pergunto-me qual o objetivo de tudo isto. É proteger os miúdos dos perigos? É garantir que não irão cometer erros? Em qualquer um dos casos parece-me que este comportamento está projectado para desenvolver ressentimentos, falta de confiança e de honestidade. Imaginem como é que se sentiam se as pessoas em quem confiam lhe exigissem cópias daquilo que faz no seu telemóvel diariamente.

Os miúdos também precisam de privacidade e autonomia. A adolescência é a fase em que os filhos devem começar a tomar decisões, a abrir as asas e… cometer erros! Os mesmos erros que todos os adolescentes cometem há décadas. Em nome do ser humano, imperfeito que erra, aprende e cresce.

Pecar por excesso de confiança

Eu dei aos meus filhos toda a liberdade que considero que poderia dar. No passado, pequei por excesso de zelo. Agora, peco por excesso de confiança. Não por achar que eles nunca vão fazer asneira, mas porque prefiro que tenham a liberdade de errar enquanto têm o seu porto seguro na nossa casa.

Às vezes abano a cabeça quando me contam os disparates que fizeram. Mas porque lhes dei confiança para fazerem as suas próprias escolhas, aprenderam a confiar em si próprios e nas suas opções. Aos 16 anos, por exemplo, o meu filho mais velho ainda não que aprender a conduzir. Ele prefere andar de transportes públicos, e esperar até se sentir mais responsável e confiante.

Eu sei que os meus filhos não vão fazer as escolhas “certas” em todas as situações, como aconteceu esta noite. Eventualmente vão escolher ter relações sexuais cedo demais e fumar erva. E tendo em conta que 99% dos adultos que conheço fizeram estas duas escolhas, eu acredito que os meus filhos vão ficar bem.

Há umas semanas atrás desamiguei os meus filhos do FB. Apercebi-me que, sendo amiga deles, não podia postar tudo livremente. Eles ficaram em choque com a minha decisão, e quase em uníssono disseram “ Mas e agora como é que vamos saber tudo o que se passa na vida da mãe?”

É simples, disse-lhes. Perguntem-me!

 

Por Jody Allard,  publicado em FreeRange Kids
Autorizado por Lenore Skenazy, Author of the bookblog and Twitter feed, FreeRange Kids

Traduzido e adaptado por Up To Kids®, Todos os direitos reservados.

imagem@press724

Lá está ela, por baixo do meu filho de 3 anos, de braços abertos como se estivesse na igreja à espera que Deus lhe largue uma bomba em cima.

“Sabe quem é a mãe desta criança?” – pergunta-me quase a arfar, em pânico.

-“É minha”, respondo, “E já sobe essa escada desde os 2 anos

Ela olha para mim como um falcão para um rato. É aí que me apercebo que estou encurralada. Ela é uma controladora. E se eu não estiver sempre à volta dos meus filhos, ela vai fazê-lo por mim de uma forma pouco silenciosa enquanto me critica e julga telepaticamente.

Obrigada por me estragares o programa no parque infantil, fofa!

Porque existem dois tipos de pais no parque.

Eu vou muito com os meus filhos para o parque por duas razões: para que possam brincar com outras crianças, e para que aprendam a lidar com as situações por sim mesmos. Aprendem a testar os seus limites, a experimentar a sua capacidade física. “Será que consigo subir esta escada?” – se não conseguir, temos pena. Talvez consiga da próxima vez.. Aprendem a correr e a gritar e a fazer amigos e todas essas coisas que os miúdos aprendem nos parques enquanto eu fico sentada na conversa com outras mães. Porque isso é o que eu faço no parque. Eu converso com as minhas amigas mães, enquanto me certifico, ao longe, de que corre tudo bem.

Há vários motivos para eu levar os meus filhos ao parque. Mas eu não os levo lá para brincar com eles. E isso, aparentemente, faz de mim uma mãe negligente e merecedora de se chamar a segurança social, aos olhos do outro tipo de mães no parque. Essas são as mães helicópteros.

Estes pais nem sequer aquecem o banco de jardim. Estes pais vêm com um objetivo: brincar com os filhos. E não é à distância. Eles ensinam o Júnior a subir as escadas degrau por degrau, a descer o escorrega, empurram-no suavemente nos baloiços. Não há trepadelas pelo lado errado do escorrega. Não se sobe ao topo dos divertimentos mais altos. E muito menos se corre perto de qualquer coisa que possa andar ou rodar. Aliás, não podem fazer nada daquilo que os miúdos gostam de fazer no parque. Sei lá eu o que é. Não tenho 6 anos.

As arestas de plástico arredondados de cada brinquedo do parque não são o suficiente para essas mães, nem tampouco o chão emborrachado. Elas têm de estar ali, de braços abertos à espera de agarrar uma criança que possa cair. Elas seguem as recomendações de idades dos baloiços. E estragam tudo às outras mães.

Normalmente é assim: estou sentada a picnicar com um grupo de mães como eu. Uma até pode estar, cof cof, em pulgas para ir a correr de braços abertos para um miúdo, e a pior está de costas a mexer no telemóvel. De repente uma criança, normalmente o meu filho mais novo, tenta escalar cuidadosamente uma plataforma, talvez até grande demais para ele.

Onde é que está a tua mamã?” E ouço essa voz fofa a dizer ”Eu ajudo-te a subir”, e enquanto isso, olha à volta à minha procura para fulminar-me com os olhos.

Isto significa que tenho de levantar-me e tirar de lá o miúdo, porque se ele não conseguia subir sozinho, obviamente não vai conseguir descer.

Estas são também as mães que andam frenéticas a gesticular por baixo dos meus filhos cada vez que estão a subir umas escadas, a escalar uma parede ou a balouçar nas grades de macaco. As mães helicóptero ficam ali, de braços no ar, a olhar à volta à procura de uma mãe para culpar. “Ai, já estou cheia de nervos! – dizem alto e em tom depreciativo!

As mães helicóptero gostam de reforçar as regras do parque. Aquelas regras de bom senso, que não estão definidas em nenhum lado, e que toda a gente ignora. “Sobe-se pelas escadas e desce-se pelo escorrega!” dizem alto e em bom som e vezes infinitas. Olham para os meus filhos de lado até eu me levantar e dar a ordem “Meninos, não subam pelo escorrega!”.

Não pode haver brinquedos dentro do parque infantil. Nem pode haver lutas. Não podem atirar pinhas (mesmo que não sejam direccionadas nem acertem a ninguém). Não podem andar descalços. Não podem estar de tronco nú! (Ei, o meu filho molhou-se todo no aspersor de rega). E nada de brincar com terra ou na lama, porque dá mau exemplo. Não vão os tesouros preciosos e assépticos destas mães querer sujar-se também.

Eu não venho ao parque para fazer o meu papel de mãe. Eu venho para lhes dar liberdade, com limites razoáveis. Eu venho ao parque para deixá-los explorar. Eu venho ao parque para os meus filhos serem crianças.

E quando estas mães que me olham de lado pegam no meu filho e o colocam em sítios onde sozinho não conseguiria ir, estão a estragar tudo.

Querida mãe Helicóptero, quando te fartares de andar com o Júnior ao colo, a pô-lo e a tira-lo de cima de todas as escadas e divertimentos, podes  juntar-te a nós. É simpático estar de conversa à sombra. Nós somos divertidas.

Pode ser que o Júnior faça alguns amigos. Pode ser que corra e se suje. Pode ser que se torne no momento mais divertido de todo o seu dia.

Até lá, guarda a mania de controlar o parque todo para ti própria.

 

Por Elizabeth Broadbent, para Scary Mommy

 

Traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®
Todos os direitos reservados

 

Todos já ouvimos, num ou outro momento, a expressão “ colhes o que semeias ”. É válido para quase tudo da vida, excepção feita às injustiças que por aí se multiplicam.

Se sairmos de casa irritados porque estamos atrasados, teremos muito menos tolerância para a pessoa que parece andar em câmara lenta a atravessar a estrada em frente ao nosso carro, ou àquele carro que não nos deixa entrar na faixa nem por nada.

Também com os filhos, em muitas ocasiões é assim. Somos, em muito, energia. E energia positiva cria energia positiva.

Se estivermos sem paciência, naturalmente os nossos filhos vão sentir isso mesmo e “provocar-nos” mesmo que sem se aperceber.

Se não estamos disponíveis para eles é quase certo que vão chamar a atenção e, maioritariamente, de forma negativa. Sabem que assim olharemos para eles, nos daremos ao trabalho de ir ver o que se passa, chegar perto, falar.

Se acordam mal dispostos da sesta a nossa maior prova de amor é tentar que essa indisposição passe. Brincando, rindo, distraído ou, muitas vezes, dando-lhes espaço para resolverem o que os está a perturbar ou deixá-los recuperar por si mesmos. Se, ao invés disso, nos deixarmos absorver pela má disposição e perdermos nós o bom humor, avizinham-se horas difíceis, em que tudo é uma chatice, em que fazem asneiras atrás de asneiras, em que queremos puxar os cabelos de tão desesperados nos sentimos.

Amor gera amor.

Paz gera paz.

Um sorriso provoca outro sorriso.

Procurarmos estar zen mais vezes traz a paz a nossa casa.

Para a próxima vez que estiver numa altura difícil tente lembrar-se de como gosta que lidem consigo quando se sente frustrado. Ou irritado por qualquer motivo. Aja com os outros e, principalmente com os seus filhos, como gostaria que os outros agissem consigo e com eles na sua ausência.

A serenidade é um estado de alma mas pode ser trabalhado para ser um modo de vida.

Baixe o tom da conversa.

Não se ria das fragilidades do seu filho.

Não o acuse.

Não seja implacável.

Pratique a paz de espírito.

Se lhe passar esta lição hoje, então pode esperar o mesmo tratamento da parte dele.

Agora e no futuro.

Seja o melhor exemplo que ele pode receber – mais tarde orgulhar-se-á da pessoa em que ele se tornou.

imagem@weheartit

Moche aos pais

Já não tenho dessas comemorações escolares porque os miúdos são mais crescidos. Recebo imensos beijinhos e apertos nesse dia (mas nos outros também) e não preciso de mais nada para além de que sejam felizes, saudáveis e boas pessoas.

Já por duas vezes tive de fazer o papel de mãe dos meus sobrinhos nesta celebração. Senti-me péssima pelas crianças que por ali andavam sem uma tia ou alguém que fizesse o “papel de mãe” (não são assim tão poucas), se calhar nem mãe têm. Estas actividades são normalmente a horas completamente improváveis, tipo 4 da tarde ou 10 da manhã e, durante a semana. Para as mães que não conseguem estar nestes dias ou que têm mais do que 2 filhos (festas do dia da mãe amontoadas), só vos digo: RESPECT!

Estejam elas a trabalhar, longe, a correr de uma festa para outra ou no Céu!

RESPECT! Um grande bem-haja àquelas mães que se descabelam todas, correm o risco de ser despedidas, e ainda o risco de se espatifarem no meio de uma corrida desenfreada para conseguirem estar sentadas 15 minutos naquela cadeira miniatura que transborda o rabo por todos os lados, ver as actuações que são rápidas e, muitas vezes, pouco treinadas. Depois saem a correr para voltar ao local de trabalho. Até podem nem produzir nada, o resto do dia, mas ficam ali, a suar em bica, com ar de quem espera a ambulância depois de um atropelamento… por um autocarro!

O dia da Mãe escolar é, a meu ver, uma forma de bullying! Se querem festejar, festejem no fim-de-semana e para que quem se sinta “posto de parte” não seja obrigado a estar presente.

Quero ver como é que vai ser com os novos casais. Uns a levar mães a mais e outros a menos. Não tenho nada contra, haja AMOR, nada mais! Mas acho que isto do dia da Mãe escolar já está a ter contornos de “dia dos namorados” ou de “Ano Novo”. Aquela obrigação de termos mesmo de celebrar nesse dia e, nestes casos, ver os outros a celebrar colados a nós e ter de aturar o filme.

Quem não celebra nesse dia sente-se, no mínimo, “diferente”. Mães e pais arrasados que deixam os filhos nas escolas com a certeza que mais tarde, naquele dia, se sentirão tristes porque a sua mãe é uma das que não pode estar.

Tantos problemas em dar uma palmadinha na altura certa ou em castigar as crianças porque podem ficar traumatizadas, mas festejam o dia da Mãe junto de crianças que não podem ter os pais presentes.

Haja coerência!

Com três letrinhas apenas nos referimos ao ser mais complexo e completo do Universo.

A mãe consegue rir e chorar ao mesmo tempo devido a uma mesma emoção quando confrontada com uma proeza de um filho.

Só uma mãe entende o risco que é pintar as unhas em casa, à noite, depois de deitar um bebé. Aprendemos a rezar baixinho para que se aguente pelo menos até à segunda camada estar seca – mas não somos tão exigentes que vamos logo pedir que haja espaço temporal para a aplicação do brilho…

A mãe é enciclopédia, motor de busca, banco, amiga, depósito de segredos.

É capaz de fechar os olhos a uma asneira para não dar cabo de uma tarde perfeita. É incapaz de deixar passar uma injustiça.

É leoa, tigre, elefante, galinha – dependendo da ocasião.

É consultora de moda e, se a genética e os gostos assim o permitirem, mais tarde ou mais cedo tem o roupeiro atacado pelas filhas. E olhar crítico dos filhos em relação a uma ou outra roupa.

A mãe inventa histórias, canta canções, reaprende a matéria da escola quantas vezes for preciso.

Preocupa-se com as horas: de deitar, de comer, do banho, mais tarde com as horas de sair, de chegar a casa. Com os amigos, os namorados, os professores.

Só uma mãe acorda a meio da noite a jurar a pés juntos que ouviu um bebé chorar. Mesmo quando o seu dorme como um anjo ou já não é tão bebé assim.

Estranha se tem a casa de banho toda só para si.

Estranha se não a chamam de cinco em cinco minutos.

Estranha se há demasiado silêncio.

Estranha se acorda só com o despertador.

É estranha quando partilha isso com quem não tem filhos.

Compreende melhor, com mais ou menos julgamento, a sua própria mãe.

Lembra-se de todas as datas das etapas importantes, até que estas se misturam e já não sabe dizer com certeza se foi de um filho ou de outro.

Tem a sorte de aprender todos os dias.

Tem a responsabilidade de ensinar todos os dias.

Não pode simplesmente decidir que quer mudar de vida e arriscar. Mas já não faz mal.

Porque as mães gostam de ter raízes.

As que elas próprias plantaram.

As que elas regam diariamente.

As que um dia as regarão a elas.

Ser mãe nunca acaba.

Como o amor de uma mãe por um filho.

 

Feliz Dia da Mãe para todas as mulheres que têm o privilégio de o ser (força e coragem para as que tentam) e para as que têm sorte de ainda a ter – ainda que saibamos que o dia da mãe, esse sim, é todos os dias.

 

imagem@weheartit

  1. Ainda há psicólogos (e até psiquiatras)que defendem que o autismo é um problema de vínculo da criança com os pais e que se cura com aceitação. Em pleno 2016, ainda existe a teoria da Mãe Geleira.
  2. Muitas escolas continuam a negar a matrícula a crianças autistas.
  3. Muitas escolas aceitam a matricula, mas não procuram formas de estimular essa criança. Muitas crianças autistas ficam “encostadas” sem ter a hipótese de alcançar todo o seu potencial.
  4. Grande parte dos pediatras não está apto a reconhecer sinais do autismo em bebés. É recorrente aconselharem os pais a esperar mais um tempo, a colocar a criança na escola para ver se desenvolve, ou culparem a falta de estímulos ao problema.
  5. As mães continuam a aconselhar outras mães, e a desculpar “cada criança tem os seus timmings” mesmo que a criança tenha 3 anos e não fale.
  6. O serviço público não fornece, nem de longe, os serviços e intervenções que uma criança autista precisa.
  7. Muita gente ainda acha que o termo “autista” é um insulto.
  8. Muita gente ainda acha que todos os autistas são génios.
  9. Muita gente ainda acha que todas as mães de autista são santas/escolhidas/imaculadas, e que por isso têm a obrigação de aceitar tudo sem reclamar e com um sorriso na cara.
  10. Muita gente ainda precisa de perceber que nunca é fácil (nem um bocadinho). Mas há amor, há beleza, há aprendizagem, vida, felicidade e tudo mais. Basta informar-se, dedicar-se, readequar as expetativas, e aprender a comemorar vitórias diferentes, mas igualmente válidas.

Por Andrea Werer, em Lagarta vira Pupa, adaptado e editado por Up To Kids®

Instagram: @lagartavirapupa
Snapchat: lagartavirapupa

História da receita:

O tempo que temos é curto e passa a correr. A seguinte receita procura devolver alguma normalidade ao caos, lembrar que por muito pouco tempo que se tenha, às vezes temos de o usar melhor. Só saímos a ganhar.

Receita de 60 minutos para ser feliz

Ingredientes (para famílias pequenas ou numerosas):

– Disponibilidade q.b.

– Atenção

– Muito amor

– Sentido de humor moderado

 

Dificuldade: Fácil/Moderada

 

Tempo: Acessível

 

Preparação:

Esta receita está dividida em três partes iguais de vinte minutos. O ideal será que consiga conciliar as três diariamente. A ordem apresentada é apenas uma sugestão.

 

Primeira parte:

Converse com o seu companheiro sobre o seu dia. Nada de televisão ligada, nada de consultar o telemóvel de dois em dois minutos para ver o e-mail, nada de ter o tablet na mão, nada de “deixa cá ver o que é que os miúdos estão a fazer que estão muito calados”, nada de falar sobre problemas. Converse apenas. Partilhe algo engraçado sobre o seu dia. Não se queixe do trabalho nem do tempo que perdeu no trânsito nem a birra que o mais velho fez quando o proibiu de sair com os amigos por causa das notas. Só importam vocês.

Se não tiver companheiro, vale fazer uma vídeo chamada para a amiga que imigrou, ligar à sua mãe (relembre que o tema problemas é proibido), conversar com o seu irmão. O que importa é que fale, converse, partilhe o seu tempo com alguém, alimente as suas relações. Diariamente.

 

 

Segunda parte:

Dedique tempo ao(s) seu(s) filho(s) – Ajude-o a resolver o trabalho de casa, oiça o que ele tem a dizer sobre o seu dia, sobre o que aconteceu com os amigos, deixe-o contar uma piada e ria-se pelo esforço que ele fez (provavelmente inversamente proporcional ao nível da graça), brinque com ele sem ralhar nem lembrar que deixou os legos espalhados, a televisão ligada na sala, demorou imenso tempo no banho ou custou a comer a sopa. Este momento é para ser vivido numa bolha. São vinte minutos de puro amor. Aproveite-os.

 

Terceira parte:

É chegada a altura de se dedicar a si. Não se esqueça que são vinte minutos em que não deve preocupar-se com mais nada.

– Tome um banho demorado sem ser interrompida;

– Veja parte do episódio da série que começou a seguir em 2013 (é muito mais emocionante ver os episódios repartidamente, aumenta o suspense, não é?);

– Pegue no livro que tem na mesa-de-cabeceira e dedique-lhe a sua total atenção;

– Olhe-se ao espelho e veja quem lá está, converse com ela sem críticas;

– Adormeça no sofá sem culpa;

– Passeie com o cão pelas redondezas para fumar aquele cigarro da semana e ver a vista da cidade à noite;

– Todas as anteriores, se for capaz e se for importante para si.

 

Nota:

Para servir basta apenas um sorriso no rosto… E agradecer as coisas boas que tem – de certeza que encontra umas quantas.

Já tem meio caminho andado para ser feliz.

Querida mãe da criança aos gritos no super-mercado:

Eu sei que estás envergonhada. Consigo ver nos teus olhos o desespero ao tentares levantar o teu filho histérico do chão. Estás toda encarnada, e vejo que prendes as lágrimas nos olhos para não correrem cara abaixo.

Tens umas calças elásticas pretas e uma t-shirt, e tal como eu, o cabelo com um ar de quem não vê pente há dias, embora o tenhas lavado e arranjado esta manhã. Eu sei que me viste a olhar para ti. Mas quero que saibas uma coisa: eu não te estava a julgar!

Eu não estou a pensar que deverias ter agido de outra forma, ou teres sido mais ou menos qualquer coisa. Eu não me estava a questionar porque é que trazes uma criança para o super-mercado, porque sei que não deves ter sítio melhor para a deixares. Nem me estou a questionar porque é que não consegues controlar o teu filho. As crianças não são robots, são pessoas livres que, de vez em quando, também lhes salta a tampa, e por vezes em público.

Nem sequer estou a perguntar porque é que não és um mestre Jedi, que usa o poder da força para acabar de vez com essa birra. Não estou a perguntar porque é que o teu filho não te respeita ou não tem medo suficiente de ti para se calar no minuto que o mandaste calar, porque sei que não és nenhum “Putin”.

Queres saber o que é que eu estou a pensar enquanto olho para vocês?

Eu estou a pensar em quantas horas de sono terás dormido a noite passada. Aliás, quantas horas de sono terás dormido nos últimos dois anos.

Eu queria saber se, tal como o meu, o teu filho ainda acorda todas as noites a chamar, apesar de já ter tentado de tudo! Eu queria saber se o teu filho também acorda com as galinhas, a pedir para ver televisão e para tomar o pequenos almoço (que acabo por ser eu a comer porque não aguento ver mais comida desperdiçada)

Eu tento adivinhar quando terá sido a última vez que fizeste uma refeição completa sem teres um par de mãos em miniatura a tirar-te o prato ou uma criança ao colo. Provavelmente foi há muito tempo. Será que o teu pequeno almoço, tal como o meu, foi o resto das torradas dos miúdos e meia chávena de café? A outra metade estava fria, puseste a aquecer no micro-ondas e nunca mais te lembraste dela? Pois, eu também…

Será que ficas tão animada simplesmente por sair de casa, mesmo que isso signifique que o teu filho te vai pedir para comprar o corredor completo de brinquedos, vai descalçar os sapatos no carro, pedir para fazer xixi 200 vezes e passar metade do tempo a chorar enfiado no carrinho do supermercado?

Enquanto tentas pegar no teu filho aos gritos, e pergunto-me se será a sua hora da sesta, e tal como eu, tentas fazer tudo o que precisas a correr para chegar a casa e pô-lo a dormir. E que anseias que não adormeça no caminho (claro que vai adormecer!) , e assim, em vez de teres uma tranquila hora de silêncio, vais ter uma tarde infernal de choro, drama, gritos, mais café à temperatura ambiente, isto tudo enquanto imaginas que a qualquer momento vais passar para uma bebida mais forte!

Gostava de saber se estarás tão surpresa como eu com o quão difícil é a maternidade, mas no entanto não mudarias nada!
Gostava de saber se amas os teus filhos mais do que pode ser descrito em palavras, e repetias tudo outra vez sem pestanejar. Menos a parte das birras!

Gostava de te perguntar se estás bem. Já levantaste o teu filho do chão e vais-te embora deixando o carrinho cheio de compras para trás. “I’ve been there!” Espero que os teus dias melhorem!

Acontece a qualquer uma. Basta ser mãe.

Ler também Carta às mães mais que perfeitas

 

Por Stuffmomsay, traduzido e adaptado por Up To Kids®

Todos os direitos reservados

 

 

 

 

O nosso amor tem espaço para a novidade mas não se importa nada com a mesmice das rotinas.

Surpreende todos os dias porque cresce, aconteça o que acontecer.

É repleto de beijos e abraços, mas sei que nem sempre procurarás o meu colo.

Guardo todos os nossos momentos numa memória que extravasa o disco rígido a que chamamos cérebro porque haverá alturas em que as memórias serão aquilo que nos apaziguará as saudades.

Sinto saudades tuas por mais absurdo que seja e faço-te saber disso.

Não sinto ciúmes e sei que sentes amor por outras pessoas e isso é bom (tão bom!).

Aproveito, mesmo que ensonada, quando é a mim que chamas porque sou eu quem tem a oportunidade de te abraçar a meio da noite e sussurrar-te ao ouvido como és amada.

Zangamo-nos e eu ralho, mas depressa volta tudo ao devido sítio. Não guardamos rancores, só guardamos o que é bom e que nos faz bem.

Limpo as tuas lágrimas e evito que vejas as minhas.

Às vezes surpreendes-me com carinhos que não foram pedidos e esses são os que sabem melhor.

Ensino-te o que sei e deixo-me aprender contigo.

Conversamos e conversamos e conversamos.

Dançamos juntas e cantamos sem música de fundo. (Enquanto não te sentes ridícula a fazê-lo. Comigo).

Conheço todos os teus amigos e eles conhecem-me, como devia ser em todas as relações. Dou-te espaço para que a nossa não interfira na vossa.

Faço-te rir e o teu sentido de humor enche-me o peito.

Passeamos e conhecemos sítios novos.

Não nos cansamos uma da outra.

Tenho orgulho em ti e isso deixa-me sentir também um pouco de orgulho por seres minha filha.

Conhecemos os gestos uma da outra.

Conversamos sem palavras.

Contrario-te. Faço-te crescer. Digo muitas vezes sim mas também digo não.

Porque nunca te vou dar tudo aquilo que queres mas tudo farei para te dar tudo aquilo de que precisas.

É este o nosso amor.

imagem@weheartit

Mães chatas, filhas bem sucedidas!

É daquelas mães que está sempre em cima dos seus filhos, gosta de saber onde vão e com quem? E a que horas voltam? Impõem horários e rotinas em casa? Verifica os testes e cadernos da sua filha? Então, este artigo é para si, Mãe Chata!

De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Essex, em Inglaterra, filhos de mães mais rigorosas (Mães chatas) são mais bem-sucedidos profissionalmente do que as crianças que foram criadas por mães mais permissivas.

O estudo

Durante seis anos, um grupo de especialistas acompanhou a vida de 15.500 raparigas entre os 13 a 14 anos de idade. Concluiu-se que as filhas de mães mais rigorosas e com elevado padrão de educação, conhecidas por “mães chatas”, obtiveram maior sucesso a nível de avaliações escolares e posterior ingressão na faculdade.

A pesquisa concluiu ainda, que estas raparigas revelaram ser menos propensas a engravidar durante a adolescência. Ok. Isto pode ter sido só sorte.

Portanto, mães Chatas, continuem a mandar postas de pescada que estão no caminho certo!

Regras são para cumprir, e mesmo que as suas filhas lhe digam que é a mãe mais chata do mundo, daqui a alguns anos, irão agradecer-lhe!

E quem sabe, se se tornarão também um dia, numa mãe Chata!!

 

imagem@123.rf