As mães não são seres mágicos.

Eu confesso.
Todos os dias, ao fim da tarde eu deixo os meus filhos verem televisão para que eu consiga preparar o jantar.
Salto algumas palavras, ok na verdade eu salto parágrafos, quando leio longos livros infantis.
Perco a paciência com os meus filhos diversas vezes durante a semana.
Todas as manhãs eu coloco a tetina 1 no biberão do meu filho para que ele mame devagar e me de tempo de tomar café.
Eu odeio lavar a louça.
Quando não temos legumes e estou com preguiça de ir ao mercado, ponho tomates picadinhos na comida para me sentir menos culpada.
Já cortei o dedo da minha filha a cortar-lhe as unhas.
Quando estamos no carro e o meu filho chora porque quer sair da cadeirinha, digo que acabou de passar um macaco na rua para o distrair. Ou um tigre, ou um leão, ou seja lá qual for o animal favorito daquela semana.
Eu chego atrasada a quase todos os jogos de futebol do meu pré-adolescente.
Os meus filhos já caíram e magoaram-se mesmo debaixo do meu nariz.
Já me esqueci de trocar a fralda do meu filho ao ponto do gel começar a vazar.
Eu não tomo nem perto de 2 litros de água por dia.
Nunca me lembro de comprar meias para minha caçula e até hoje  usa as meias de recém nascido (está com quase 9 meses).
Eu já queimei a boca do meu filho porque não vi que a sopa estava muito quente.
Os meus filhos já ficaram dois dias sem tomar banho.

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A minha sala está sempre uma bagunça. Quem é que eu quero enganar? A minha casa inteira (não é só a sala) está sempre uma bagunça.

E os meus filhos, como são meus filhos? Bom, eles são normais. Eles estão bem, e estão felizes.

Ser uma boa mãe não pode estar relacionado com o número de horas que brincas com os teus filhos. E não pode ser medido através da quantidade de glúten que os deixas ingerirem.

As mães não são seres mágicos. Nós somos reais. Perdemos a paciência e ficamos cansadas. Cansadas da rotina, cansadas de ter que cozinhar todo-santo-dia. Cansadas de encontrar roupa limpa no cesto de roupa suja. Sim, nós ficamos cansadas. Mas também temos ataques de alegrias e gritamos alto quando presenciamos os primeiros passos. Ou quando sem querer fazemos cocegas no bebé e arrancamos aquela gargalhada deliciosa.

Ser mãe é muito difícil, e infinitamente gratificante.

Eu confesso, não sou uma mãe perfeita. Não é que eu não queria ser uma pessoa melhor. Pelo contrário. Mas admitir que não se pode abraçar o mundo todo de uma vez, reconhecer os próprios erros, e ter um pouco de amor próprio, também é um grande aprendizado.

E tu, o que confessas?

 

Por Rafaela Carvalho, em A Maternidade,
adaptado por Up To Kids®

imagem@fotocdn.de

O fim do ano letivo – Desabafos de uma mãe

Sento o final das aulas como o retirar das costas uma mochila carregada de livros e materiais escolares!
É certo que não carreguei livros, mas a tarefa de mãe de três filhos é redobrada quando assentamos no modelo de família monoparental.
O meu carro percorreu centenas de quilómetros, perdi a conta do número. Levar os miúdos à escola, ir buscar, os trabalhos de casa, os treinos de basquetebol, as idas ao ginásio e o ballet cansaram o meu corpo e o meu espírito.
O ritual do adormecer: “Já fizeram os trabalhos? têm testes? a mochila está pronta para amanhã? o equipamento? se chover telefonem quando saírem! vão almoçar a casa da avô? vou-te buscar à escola, vou-te buscar ao treino. Tens jogo? A que horas? onde? com quem?”
Perco o fôlego e quando chego à cama parece que o transportei um piano às costas durante todo o dia. É como se vivesse várias vidas dentro de mim e, no fundo,  acabo por viver.
No silêncio da noite, o meu cérebro percorre os caminhos das dúvidas parentais: “Serei a mãe que quero ser? Exigi demais? Baixei as espectativas ou será que fui equilibrada? Deverei estar, ainda, mais presente ou ausentar-me um pouco a fim de dar asas e sentido de responsabilidade?”
Dúvidas e mais dúvidas surgem… No entanto, o amor de mãe diz-me que o melhor para os meus filhos é a presença e o apoio incondicional independentemente dos resultados visíveis.
Nem todos serão o mais inteligente da sala de aula, mas poderão ser o mais realizado, ter um grau de maturidade que os ajude a enfrentar os novos desafios, ou ser os mais felizes.
O acordar do novo dia é o inicio da rotina. Os adolescentes dormem muito. Preferem as noites ao amanhecer. Foi desgastante acordar-vos durante estes meses! Cumprir horários, rituais de rotinas …
Perceber a importância do descanso para o sucesso do novo dia.
As atividades extra-curriculares foram o vosso escape, a vossa fuga ao stress. Bem ditas sejam as horas do basquetebol, do ginásio e do ballet.
Neles foram canalizados os vossos problemas, a vossa energia descontrolada, foi reencontrado o equilíbrio interno. Digamos que as atividades foram mei caminho andado para vos ajudar a conseguir alcançar os objetivos académicos.
Sinto me cansada! O ano letivo foi longo, estive ausente, estive doente… não pude estar presente a 100% … amadurecemos juntos, crescemos, unimos-nos!
Preciso de férias, como todas as outras Mães. O dever de missão cumprida trará novo ânimo para o próximo ano letivo e voltaremos a sentar-nos e a refletir sobre a nossa missão maternal!
Até lá, degustemos as férias, com mimos e abraços, sol e praia!
imagem@istock

Eu sou a mãe que anda com as unhas arranjadas, cabelo impecável e outfit de fazer inveja e sou a mãe que chega atrasada, de calças de ginástica, cabelo oleoso e camisa manchada (e a mancha pode ser de restos de comida ou excreções de um mini corpo humano).
Eu sou a mãe que amamenta feliz e sou a mãe que se levanta a resmungar por ter de dar de mamar.
Eu sou a mãe que cozinha tudo em casa e uso ingredientes orgânicos e sou a mãe que vai buscar fast food por pura e absoluta preguiça.
Eu sou a mãe que se voluntaria para ir ao passeio da escola a acompanhar a turma dos meus filhos e sou a mãe que se esqueceu de mandar o lanche do filho.
Eu sou a mãe que vai ao parque infantil e inventa brincadeiras e sou a mãe que põem os filhos em frente à televisão para ter uns minutos de sossego.
Eu sou a mãe que conta até 10 e mantém a calma e sou a mãe que tem ataques histéricos e se transforma em Hulk.
Eu sou a mãe que dá ao filho a última e melhor colherada da sobremesa e sou a mãe que se escondeu a comer chocolates para não ter de partilhar.
Eu sou a mãe que conta os segundos para pôr os miúdos na cama a horas e sou a mãe que borrifa para as horas porque me apetece dar-lhes (ainda) mais mimo.
Eu sou a mãe que trabalha, cuida da casa e dos filhos e sou a mãe que, às vezes, não tem forças sequer para sair do sofá.
Eu sou a mãe que mantém a lucidez mesmo em situações enlouquecedoras e sou a mãe que grita com os filhos por “dá cá aquela palha”.
Eu sou a mãe que cede a “mais 5 minutinhos” e sou a mãe que obriga os filhos a cumprir uma ordem quando mando e com tolerância zero.
Eu sou a mãe perdida que às vezes precisa de conselhos e sou a mãe que dá abraços apertados e conforta os filhos.
Eu sou a mãe que faz cabanas na sala e sou a mãe que finge estar a dormir só para não ter que responder.
Eu sou a mãe que salva os filhos de quedas e apanha-os no ar e sou a mãe que já perdeu os filhos de vista em pleno parque temático.

Eu sou estas mães todas e muitas outras. Muitas vezes sou várias num só dia.

Talvez me tenhas visto no meu melhor momento e tenhas acreditado que eu sou uma mãe exemplar, com tudo sob controle.
Talvez me tenhas visto num momento mau e tenhas achado que sou a pior mãe do mundo.
É indiferente. A vida não é perfeita. As mães não são perfeitas. Os filhos não são perfeitos.
Todas nós já estivemos dos dois lados. Um momento ou um dia não define ninguém.

Caso precises que te digam: és uma excelente mãe e estás a fazer um fantástico trabalho.

Por um mundo com menos dedos indicadores, e mais “eu sei que é difícil”!

 

 

Por Rafaela Carvalho, em A.Maternidade, adaptado por Up To Kids®

imagem@wildflowerphotos

Hoje tenho 16 anos e a única terapia que mantenho é a psicologia. Segundo a minha psicóloga, a minha perturbação é uma perturbação do neurodesenvolvimento caracterizada, segundo os critérios clínicos (DSM-5), por um modelo de dois domínios que engloba: défices na comunicação e interação social e, padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Com ajuda da minha psicóloga analiso, de seguida, se me enquadro nestas características:

  1. Défices persistentes na comunicação e interação social:
  • Défices na comunicação não verbal usada na interação social

Comunicar e interagir socialmente com outras pessoas, desde sempre, me causa uma grande ansiedade. Para mim, é muito difícil perceber e responder de forma adequada às outras pessoas. Estar a olhar para uma pessoa a falar é insuportável, porque ao mesmo tempo que a pessoa está a dizer algo, com flutuações no tom de voz e pausas no discurso que não entendo, também está a fazer mil e uma expressões com a cara e com as mãos. É como se todas estas imagens diferentes entrassem, ao mesmo tempo, no meu cérebro e eu não conseguisse descodificar, acabando por não prestar atenção àquilo que a pessoa disse. Assim, quando as pessoas falam para mim, eu desvio o olhar para outro sitio e tento concentrar-me somente no que a pessoa está a dizer. A minha psicóloga ensinou-me a interpretar todo um conjunto de expressões faciais das pessoas. Disse, que se uma pessoa levantar a sobrancelha isso pode querer dizer: “Acabaste de dizer um grande disparate”; “És muito giro, queres sair comigo?”; “Não percebi nada do que disseste”. Quando ela me disse isto pensei, como é que as pessoas interpretam tudo isso sobre uma mera sobrancelha, que para mim é apenas um aglomerado de pêlos que serve para proteger os olhos.

  • Défices no desenvolvimento e manutenção de relacionamentos apropriados à idade

No outro dia um professor disse-me: “tens de dar o braço a torcer”. Fiquei completamente chocado! Como é que ele teve a coragem de dizer aquilo? Porque motivo haveria ele de querer que eu lhe desse o meu braço para ele torcer? Só esta imagem fez-me entrar em pânico. Quando cheguei à psicóloga, ela explicou-me que as pessoas falam muito por expressões idiomáticas: ” tive um dia de cão”; ”dar o braço a torcer”; ”dar com a língua nos dentes”; “estar com a pulga atrás da orelha”. Quando tento visualizar esta última frase na minha cabeça, só me confunde, porque imaginar uma pulga –  sifonáptero da ordem dos insetos sem asas, que se alimenta do sangue de mamíferos – atrás de uma orelha, nada tem a ver com o significado que as pessoas atribuem de “estar desconfiado”. Para além destas expressões, há também as metáforas e a ironia que são ainda mais difíceis de compreender e dar resposta.

  • Défices na reciprocidade socio-emocional

Tal como disse anteriormente, interpretar expressões faciais, perceber os estados emocionais da pessoa e retribuir com um simples “estás bem?” ou um simples abraço de conforto, é muito complexo.  Para mim, dar abraços e beijinhos é constrangedor, porque não consigo atribuir isso a uma sensação agradável. Contudo, nós nunca negamos o afeto e alguns dos meus amigos com esta perturbação apresentam até, uma fixação pelo cheiro (perfume), pelo tocar na cara de pessoas que lhes são familiares, procurando o contacto físico e querendo dar e receber carinho constantemente.

2. Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades:

  • Adesão inflexível a rotinas ou padrões ritualizados de comportamentos

O meu dia a dia já o memorizei, tenho as mesmas rotinas há anos, porque me acalma saber o que vai acontecer a seguir e eu consigo antecipar e controlar a minha vida. Se algo muda na minha rotina, fico muito nervoso. Quando era pequeno, sempre que havia uma mudança, eu berrava, guinchava e às vezes tornava-me agressivo. Com a minha psicóloga, aprendi a controlar-me e agora, apesar de ainda ficar nervoso com a mudança, já consigo dizer o que me incomoda, respirar para me acalmar e distrair-me com outra coisa para reduzir a ansiedade.

  • Movimentos motores, uso de objetos ou fala estereotipados ou repetitivos

Desde que me lembro, faço movimentos intencionais repetitivos – estereotipias – que passam por abanar as mãos (flapping), balançar o corpo, alinhar objetos segundo um padrão de cores. Normalmente faço isto quando estou muito entusiasmado, ou quando estou entediado. Eu sei que estes movimentos são esquisitos e inadequados, e que as outras pessoas acham muito estranho, mas para mim é muito difícil controlar isto. É como se fosse uma descarga do meu corpo que eu nem sempre controlo. É como se o meu corpo me estivesse a obrigar a fazer isso.

  • Interesses altamente restritos e fixos, na intensidade ou foco

Quando era pequenino a minha mãe dizia que eu vivia obcecado com os números, memorizava uma sequência enorme de números primos e debitava a sequência, vezes sem conta. À medida que fui crescendo os meus interesses foram variando, já memorizei os nomes e as características dos mais variados animais, e atualmente interesso-me por memorizar datas de factos da história de Portugal.

  • Hiper ou hiporeactividade a estímulos sensoriais

A minha perturbação implica alterações senso-percetivas, o que significa que há pessoas com esta perturbação que podem ter hiper ou hiporeactividade a determinados estímulos sensoriais. Estar no recreio ou a num centro comercial é um tormento: o cheiro, as luzes, o barulho dos saltos altos, as pessoas a falarem, todas estas perceções entram de uma só vez nos meus ouvidos, com o mesmo nível de intensidade, fazendo com que eu nem as consiga diferenciar. Estas sensações são de tal maneira fortes que não me consigo concentrar em mais nada.

A par destes dois grandes domínios que caracterizam esta perturbação, podem surgir outras características, as mais comuns são: défices intelectuais (a grande maioria de nós não tem capacidades de “génio”), défices na linguagem (expressiva ou recetiva), dificuldades ao nível da atenção e problemas de ansiedade.

É importante referir que não existem duas pessoas que estejam exatamente no mesmo ponto do espectro, não existem duas pessoas que sejam afetadas exatamente da mesma forma por esta alteração do neurodesenvolvimento.

Por fim, enganam-se as pessoas que pensam que não percebemos o que se passa à nossa volta.  O facto de interagirmos pouco ou parecer que estamos mais distantes não quer, de todo, significar que estamos ausentes!

 Ser filha, ser mãe

Sou filha.

Sou mãe.

Sinto-me ainda mais filha desde que a minha própria filha nasceu, logo ela que me deu o privilégio de ser mãe.

Ser filha é:

– Dizer ao meu pai que não sei como é que ele aguentou estar longe de nós tantos dias (quando os meus pais se separaram e passámos a ir aos fins de semana para casa do meu pai) e ele dizer que aproveitava bem os sábados e domingos, sem pressas, o tempo todo uns para os outros.

– Pensar na minha mãe e dois minutos depois tê-la a telefonar-me sem eu ter dito nada.

– Saber que ensaie o que ensaiar o meu pai vai sempre perceber se estou bem simplesmente pelo tom da minha voz.

– Ter, na casa da minha mãe, uma escova de dentes para quando lá vou.

– O meu pai enviar uma mensagem à noite a perguntar se está tudo bem (preocupado) porque há dois dias que não nos falamos pelo telemóvel.

– Continuar a fazer hoje, com a minha mãe, os mesmos programas que fazia quando éramos só mãe e filha – em vez de também avó e mãe.

– Sempre que me acontece alguma coisa: boa, má, assim-assim, ligar à minha mãe e ao meu pai de imediato. Sem ordem definida. Porque eles atendem sempre. Vibram com as coisas boas, emocionam-se com as vitórias, encorajam nas derrotas, querem saber de mim.

É sentir que importo para quem mais admiro no mundo.

Ser mãe é:

– Acordar várias vezes por noite quando a minha filha me chama e, mesmo assim, sorrir quando a vejo e dizer tranquilamente “está tudo bem, a mãe está aqui”.

– Ficar com o coração a bater mais depressa quando vejo a minha filha tentar algo pela primeira vez e dar-lhe espaço para que o faça sozinha.

– Ouvir o dialecto que a Mariana criou para se fazer entender e ser quem mais a percebe, às vezes só com um som.

– Saber que tenha dormido bem, mal, esteja doente, mal disposta, com febre, a arrastar-me pelo chão, terei de dar a volta e recuperar com a melhor energia possível porque há alguém que “depende” de mim.

– Dar por mim a fazer alguma coisa e a cantarolar “sapo sapo sapo, à beira do rio, quando o sapo canta é porque tem frio” em vez de uma qualquer música da rádio.

-É querer ser mais. Melhor. Errar. Aprender. Viver.

– Querer, mesmo quando é ela quem mais me exaspera, um abraço da minha filha.

Fazê-la sentir que importa, que trouxe uma felicidade imensa à nossa casa, que somos tão mais completos pelo simples facto de ela existir.

Ser mãe, ser filha. Duas metades de uma existência tão rica, complexa e importante.

Gosto tanto de ser filha.

Não trocaria ser mãe por nada no mundo.

E assim é que deve ser.

imagem@weheartit

Eu amei-vos o suficiente para…

Um dia, quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes:

Eu amei-vos o suficiente para ter perguntado “onde vão, com quem vão e a que horas vão voltar”.

Para não ter ficado em silêncio e fazer-vos saber que aquele novo amigo não era boa companhia.

Eu amei-vos o suficiente para os fazer pagar os doces que tiraram do supermercado ou revistas do quiosque, e obriga-los a dizer ao dono: “Nós levamos isto ontem e queríamos pagar“.

Eu amei-vos o suficiente para ter ficado de pé, duas horas, enquanto limpavam o vosso quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

Eu amei-vos o suficiente para vos deixar ver para além do amor que eu sentia por vocês. Viram também o desapontamento e e por vezes lágrimas nos meus olhos.

Eu amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
Acima de tudo, eu amei-vos o suficiente para lhes dizer NÃO, quando eu sabia que vocês me iam odiar por isso (e por momentos até odiaram). Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci… Porque no final vocês também venceram!

E qualquer dia, quando os meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, e lhes perguntarem se a mãe era má, os meus filhos vão lhes dizer:

“Sim, a nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo…”

As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos e torradas.
As outras crianças bebiam refrigerantes e comiam batatas fritas e sorvete ao almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.
A mãe obrigava-nos a jantar à mesa, e as outras mães deixavam os filhos comerem a ver televisão.

Insistia em saber onde estávamos a todas as horas (ligava-no para o telemóvel de madrugada e “cuscava-nos” os e-mails).

A Mãe tinha de saber quem eram os nossos amigos e o que é que nós fazíamos com eles.

Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela violava as leis do trabalho infantil. Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar os nossos quartos, esvaziar o lixo e fazer todo o tipo de trabalho em casa, que nós achávamos cruel.

Eu acho que a mãe nem dormia à noite, a inventar coisas para nos mandar fazer.

Insistia sempre connosco para que lhe disséssemos a verdade e apenas a verdade. E quando éramos adolescentes, até conseguia ler-nos os pensamentos.
A nossa vida era mesmo chata. Não deixava os nossos amigos buzinarem para sairmos. Tinham de subir, bater à porta, para a mãe os conhecer.

Enquanto os outros miúdos não tinham horas para chegar a casa, nós tivemos que esperar até aos 16 para anos chegar um bocadinho mais tarde. E aquela chata levantava-se para saber se a festa foi boa (só para ver como é que estávamos).

Por causa da nossa mãe, perdemos imensas experiências na adolescência. Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, roubos, atos de vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por qualquer crime.

TUDO POR CAUSA DA NOSSA MÃE.

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a dar o nosso melhor para sermos “PAIS MAUS”, como minha mãe foi.
E este é um dos males do mundo de hoje: as mães não suficientemente más!

 

Artigo do Psicólogo Dr. Carlos Heckteuer, sugestão do leitor

Eu sei. Estás preocupada.

Todos os dias o teu filho chega a casa com uma história sobre AQUELA criança.

Aquela que está sempre a bater, a empurrar, a beliscar, a arranhar e até a morder às outras crianças.
Aquela que tem de ir sempre de mão dada comigo na fila para a sala.
Aquela que tem um lugar especial no tapete, e às vezes senta-se numa cadeira em vez de se sentar no chão.
Aquela que teve que sair da sala de brinquedos, porque os brinquedos não foram feitos para ser atirados.
Aquela que trepou a cerca do parque exatamente enquanto eu dizia para não o fazer.
Aquela que entornou o leite do colega no chão num acesso de raiva.

De propósito. Enquanto eu estava ali, a olhar para ela. E depois, quando eu pedi que limpasse, acabou com o rolo de papel inteiro! De propósito. Enquanto eu observava. Aquela que diz PALAVRÕES à séria na aula de educação física.

Estás preocupada porque acreditas que esta criança poderá prejudicar a experiência de aprendizagem do teu filho.

Tens medo que esta criança ocupe grande parte do meu tempo e da minha energia, e que o teu filho não receba a atenção necessária e merecida.
Tens medo que esta criança  magoe alguém a sério um dia. E tens medo que esse “alguém” seja o teu filho.
Tens medo que o  teu filho também comece a ser agressivo.
Tens medo que o teu  filho possa ficar para trás porque eu talvez não consiga aperceber-me de que ele está com dificuldades a fazer a pega do lápis. Eu sei.

O teu filho, este ano, com esta idade, não é AQUELA criança.

O teu filho não é perfeito mas geralmente segue as regras. Ele é capaz de partilhar brinquedos pacificamente. Ele não atira os brinquedos. Ele põe o dedo no ar para falar. Ele trabalha quando é para trabalhar, e brinca quando é para brincar. Sempre que vai à casa de banho volta direto para a sala de aula sem se distrair. Ele nem conhece os palavrões. Eu sei.

Eu sei, e também estou preocupada.

Eu estou sempre preocupada. Com TODOS os meus alunos.

Preocupo-me com a pega do lápis do teu filho, com os sons das letras de outra criança, com a timidez do mais pequeno da sala e com a lancheira vazia de outros. Eu preocupo-me que o Lucas não venha suficientemente agasalhado e que o pai de Talita grite com ela por escrever a letra B ao contrário. Penso neles enquanto vou a conduzir para casa e quando estou a tomar banho de manhã, porque os meus pensamentos estão sempre com eles.

Mas eu sei, que queres falar sobre AQUELA criança.

Porque os Bs ao contrário de Talita não vão deixar o teu filho com um olho roxo. Eu também quero falar sobre aquela criança, mas há tantas coisas que eu não te posso dizer.

Eu não te posso dizer que ele foi adotado aos 18 meses.

Eu não te posso contar que está a fazer uma dieta de eliminação de possíveis alergias alimentares, e que por isso está SEMPRE com fome.

Eu não te  posso dizer que os pais daquela criança estão, neste momento, a meio de um divórcio horrível, e ela tem ficado com a avó.

Eu não te posso dizer que desconfio que a avó beba demais… Eu não te posso dizer que a medicação que toma para a asma faz com que fique muito agitado.

Eu não te posso dizer que a mãe daquela criança é uma mãe solteira, e deixa-a na escola todo o dia, desde que abre até fechar e que, de seguida, a viagem até a casa leva 40 minutos.

Eu não te posso dizer que aquela criança foi vítima de violência doméstica.

E tu entendes que eu não possa partilhar informações pessoais ou da família. Só queres saber quais as medidas que estou a aplicar em relação ao comportamento daquela criança.

Eu adorava contar-te. Mas também não posso.

Eu não te posso dizer que aquela criança recebe serviços fonoaudiólogos, porque numa avaliação apresentou um grave atraso na linguagem, e que o terapeuta sente que a agressão está relacionada à frustração por ser incapaz de comunicar.
Eu não te posso dizer que tenho reuniões com os pais daquela criança TODA as semanas, e que costumam chorar nessas reuniões.

Eu não te posso dizer que aquela criança e eu temos um sinal secreto para me dizer quando precisa de se estar sozinha por um tempo.

Eu não te posso dizer que aquela criança passa o intervalo enrolado no meu colo porque “me faz sentir melhor ao ouvir seu coração, professora“.

Eu não te posso dizer que tenho rastreado os seus incidentes agressivos meticulosamente, e que diminuíram de 5 incidentes por dia, para cinco incidentes por semana.

Eu não te posso dizer que a chefe da secretaria da escola concordou em deixar-me mandar aquela criança para o escritório para “ajudar” sempre que eu achar que precisa de “mudar de ares”.

Eu não posso te dizer que na última vez que tive de sair da sala, IMPLOREI de lágrimas nos olhos aos meus colegas que ficaram a tomar conta  para serem gentis com aquela criança, mesmo estando frustrados porque acabou de dar um soco a alguém OUTRA VEZ, e mesmo à frente do PROFESSOR.

A questão é, há TANTAS COISAS que eu não te posso dizer sobre AQUELA criança. Eu nem sequer te posso dizer as coisas boas.

Eu não te posso dizer que o seu trabalho na sala de aula é regar as plantas. Que ele chorou desconsoladamente quando uma das plantas morreu durante as férias de natal.

Eu não te posso dizer que ele dá um beijinho de adeus na sua irmã bebé todas as manhãs, e diz-lhe “és o meu sol” antes da mãe ir embora.

Eu não te posso dizer que ele sabe mais sobre as tempestades do que a maioria dos meteorologistas.

Eu não te posso dizer que muitas vezes ele me pede ajuda para afiar os lápis durante o intervalo.

Eu não te posso dizer que ele gosta de fazer cafuné no cabelo dos amigos no intervalo.

Eu não te posso que, quando um amigo está a chorar, ele é o primeiro a vir do canto de histórias com o seu ó-ó para o confortar.

A questão, querida mãe, é que eu só posso falar contigo sobre o TEU filho.

Então, o que eu posso dizer-te é o seguinte:

Se em algum momento, o TEU filho, ou qualquer um dos Teus filhos, se tornar NAQUELA criança…

Eu não vou partilhar os teus assuntos familiares com outros pais na sala de aula.
Eu vou comunicar contigo com frequência, de forma clara e gentil.
Eu vou certificar-me de que terei sempre lenços de papel por perto nas nossas reuniões e, se deixares, eu vou agarrar-te na mão enquanto choras.

Eu vou defender sempre o teu filho e a vossa família, para que recebam os serviços especializados de melhor qualidade, e eu vou cooperar com esses profissionais da melhor forma que for possível.

Eu vou certificar-me que o teu filho recebe sempre amor e carinho quando mais precisar.

Eu vou ser uma voz para a tua criança na nossa comunidade escolar.

Eu vou, independentemente do que aconteça, continuar a procurar e encontrar as coisas boas, surpreendentes, especiais e maravilhosas sobre o teu filho.
E eu vou-te lembrar dessas coisas boas, incríveis, maravilhosas e especiais, várias e várias vezes. Sempre que precisares.

E quando outras mães vierem ter comigo preocupadas com o TEU filho…

Eu vou dizer-lhes exactamente o que te disse.
Palavra por palavra.

Com amor,
A professora do teu filho

 

Publicado no Blog  Miss Night’s Marbles,
traduzido e adaptado por Up To Kids®

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A Família é o primeiro grupo onde ser humano tem a sorte de experimentar quase todas as emoções.  É onde tudo é vivenciado normalmente pela primeira vez.

É na família que os indivíduos aprendem a viver em comunidade, onde num ambiente controlado tudo é sentido ou experimentado, muitas vezes intensamente, onde somos testados para depois podermos ser postos a voar e a viver em sociedade.

Nos últimos anos as famílias têm sofrido mudanças e transformações, por isso a ONU resolveu escolher um dia para mais do que homenagear a família, obrigar ao debate e ao pensamento.

O primeiro Dia Internacional da Família foi celebrado em 1994. O tema do Dia Internacional da Família de 2016 foi: “Famílias, vidas saudáveis e futuro sustentável”. Mas a mensagem base será sempre a importância da família como o núcleo vital da sociedade.

É no seio da família que podemos ser nós mesmos. Que podemos mostrar as nossas fraquezas, que nos podemos mostrar sem adereços, make-up ou adornos.
É onde nos zangamos mais, refilamos (por vezes vezes sem razão) pois sabemos intuitivamente que nunca deixarão de gostar de nós.
É onde não temos medo de acordar descabelados, com mau hálito ou mesmo ranhosos.
Onde nos queixamos dos outros, por sabermos que vamos receber colo ou simplesmente nos vão ouvir.
Só no seio da família é possível  ir à casa de banho de porta aberta, ouvir gritar já fiz cocó, e deixar, a determinada altura, de segurar os puns …
Só no seio de uma família é possível uma casa inteira acordar todinha numa mesma cama.

ARTIGO RELACIONADO
A FAMÍLIA

A vida também me ensinou que família vai muito para além da família nuclear, para além daqueles membros que vivem debaixo do mesmo teto e para além daqueles que partilham o nosso sangue.

Aprendemos a contar com outros que se cruzam nas nossas vidas, a quem chamamos amigos e nos momentos em que estamos tristes ou atrapalhados são os nomes que nos vêm à mente ou o número que surge no telemóvel, pois sabemos que são quem nos salva, quem nos conhece, quem nos ajuda, quem escolhemos para fazer parte da nossa família.

Estão muitas vezes mais presentes, preocupados e e disponíveis. São a nossa família de coração. Algumas vezes vamos fazendo uns ajustes, mas o núcleo é preservado por anos, mesmo com ausências, silêncios, afastamentos ou acompanhamentos diários.

Existem vários tipos de famílias e vários nomes pomposos para denominar a estrutura familiar nos dias de hoje. Por aqui por casa parece-me que na maioria dos dias, comportamo-nos como sendo “normais”. Zangamo-nos, choramos, temos ciúmes, gritamos, ralhamos, implicamos, rimo-nos, gozamos e não vivemos uns sem os outros ….

Mas somos uma família especial porque somos únicos.

Família

 

 

És, definitivamente, uma mãe quando…

  1. Consegues fazer tudo – responder e-mails, pintar as unhas dos pés, fazer o jantar, falar ao telefone, tudo – com alguém ao colo. Pode demorar um pouco mais, mas consegues fazer.
  2. Por mais que feches a porta da casa de banho sem fazer barulho nenhum, os teus filhos aparecem lá passado 1 minuto e meio. Máximo 2 minutos se estiverem a ver TV.

  3. Ficas  “histérica” quando tens uma jantar marcado com as tuas amigas, e depois voltas para casa às 23h porque te lembras que no dia a seguir tens de deixar os miúdos na escola às 8h30.
  4. Quando está tudo em silêncio, estranhas e pensas: “Já estão a fazer asneiras (com M)…”. Mas estás a curtir tanto o sossego que até estás disposta a arcar com as consequências.
  5. A tua mala tem mais coisas de outras pessoas do que tuas.
  6. Sempre que estás a tomar banho ouves o bebé a chorar (Mesmo que o teu filho mais novo já tenha 12 anos. É tipo um choro fantasma).
  7. Quando vês um bebé a fazer uma birra no supermercado, trocas olhares de “I’ve been there.” com a outra mãe.
  8. Dormires 8h de seguida, tomares um banho sem interrupção ou andares com o cabelo solto é um luxo.
  9. Reconheces o choro do teu filho a léguas, e consegues saber se se magoou, se é birra, se tem fome ou se é sono.
  10. Tomar banho ou fazer xixi de porta aberta enquanto conversas com uma criança é perfeitamente normal.
  11. Passaste a ter medo de coisas que nunca tiveste na vida.
  12. Consegues adormecer em sítios que nunca tinhas imaginado:  na aula de natação dos miúdos, na sala de espera do consultório ou na depilação.
  13. É normal ouvires músicas infantis no carro mesmo depois de deixares os miúdos na escola.
  14. Nunca tens tempo para nada, mas quando estás sem miúdos não sabes o que hás-de fazer sozinha. 
  15. Passas o dia TODO com saudades dos teus filhos e chegas ao serão e só queres enfiá-los na cama para ires dormir! 


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    ÉS, DEFINITIVAMENTE, UMA MÃE QUANDO

    Por Justrealmoms, adaptado por Up To Kids®, todos os direitos reservados.

A maternidade consiste numa série de eventos infelizes que une as mulheres no mais ingrato e revoltante trabalho do mundo.

Ok, é muito mais do que isso, mas os eventos infelizes fazem, definitivamente parte desta experiência universal.

Quando me cruzo com uma mãe, quer seja a Angelina Jolie ou uma mãe solteira adolescente, sinto uma ligação instantânea com ela, porque sei que ambas já tivemos um puto a vomitar na nossa cama ou um bebé a arder de febre pela noite dentro.

Quando era miúda, pertenci aos escuteiros e ganhei algumas medalhas de mérito que na altura serviam basicamente para me gabar de feitos como boa desportista/atleta, voluntária para uma boa causa etc. Tenho andado a pensar em procurar esse cinto, e criar as minhas próprias medalhas de mérito: As medalhas da maternidade!

  1. Medalha Melhor Engenho: Apanhar vomitado no ar com as próprias mãos
  1. Medalha melhor estátua: Fazerem-nos xixi para cima e nem sequer pestanejarmos
  2. Medalha Disney: Conseguir não perder um dos miúdos no parque
  3. Medalha melhor Voluntário: Sobreviver a uma tarde com miúdos chatos, mal criados, irritantes e que não são os meus.
  1. Medalha Melhor Magia: Desaparecer com uma fralda suja em público, num carro em andamento, ou quando estamos ao telefone sem perder pitada da conversa.
  2. Medalha de Pesca: Pescar bolas de cocó da banheira sem te engasgares
  3. Medalha de sobrevivência: Tens de conseguir descansar tudo em três horas de sono
  4. Medalha da Versatilidade: Usar a casa de banho como esconderijo, pequeno escritório e, em caso extremo, quarto.

Em Scary Mommy, traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®, Todos os direitos reservados