A minha filha tem fúrias

Faço esta pergunta como mãe e ainda estou à procura de respostas.

A minha filha tem 4 anos, é um amor, carinhosa e preocupada mas também tem fúrias. Há alturas em que passa para o lado de lá da força e nessas alturas vai tudo à frente.

Há uma tendência de os pais ficarem incrédulos porque não foi assim que educaram os filhos. Ou porque simplesmente foram crianças tão diferentes deles.

Cresci a ouvir dizer que nunca tinha feito uma birra e, bem, digamos que não somos minimamente iguais.

Conheço a minha filha como ninguém mas isso não significa que saiba tudo sobre ela ou que consiga perceber tudo o que está a sentir.

Tento, é esse o meu papel, e tento também orientá-la dentro da raiva e fúria que está a sentir, a frustração que transmite no seu comportamento.

Tento que perceba que pode comunicar de outra maneira.

Uma das estratégias que encontrei foi pedir-lhe que me tente explicar o que está a sentir usando palavras. Sei que isto, para quem está fora de si, dá vontade de chutar o balde e mandar o outro para um certo lugar. E às vezes não resulta. Noutras resulta e ela vai verbalizando e eu vou tentando ajudar a falar, a exprimir, a explicar.

Mas há alturas em que nem ela sabe já o que a deixou assim e, por isso, esta estratégia não resulta.

Já fiz este mundo e o outro e tento seguir o meu instinto no momento.

É cansativo, suga-me a alma e muitas vezes acabo derrotada e a chorar por dentro (até que posso chorar para fora), mas procuro fazê-la perceber que não é assim que se resolvem conflitos ou se manifesta tristeza ou raiva. Não deveria ser.

Já li que as crianças só têm maturidade emocional por volta dos 5 anos e estou a contar os dias para lá chegar, para provar a teoria, sabendo à partida como todas as crianças são diferentes e como os timings variam de umas para outras.

Quero que sinta que se pode exprimir. Mas que entenda que nesse processo não pode magoar os outros, verbal ou fisicamente – e não se pode magoar a si.

Este processo de não desistir dela e de não a deixar por sua conta dá-lhe a segurança de sentir que, apesar de às vezes errar, não está sozinha.

Porque não está e canso-me de lho dizer.

Às vezes termina a pedir-me desculpa e a dizer “vamos voltar a ser amigas”.

Explico-lhe que nunca deixei nem deixarei de ser sua amiga porque ela age de maneira errada comigo. Porque sou sua mãe e estou aqui para a ajudar. Mas faço questão de dizer que para as outras pessoas isto pode não ser válido, porque quero que compreenda que não se pode fazer tudo aos amigos. Há coisas que simplesmente não têm perdão e não podemos esperar que nos aceitem depois de errarmos. Podemos desejá-lo, trabalhar para isso, mas não exigir isso dos outros.

Porque este amor incondicional pertence aos pais. E nós somos os primeiros a terem de ser tratados como tal.

Se desse lado também há dias cinzentos, muita força. Às vezes temos de atravessar a tempestade de mãos dadas para conseguirmos chegar juntos até ao arco-íris.

Deixem-me chorar!

Entrei no elevador, um elevador grande, de um prédio grande, cheio de espelhos grandes.

Em cada piso, vários consultórios, muitos médicos, muitas batas e muitas coisas desconhecidas e assustadoras.

Ele não tinha mais de 5 anos, escondido atrás da mãe. Já o tinha visto antes de entrar. Reparei como estava assustado. Tinha o corpo retraído, os olhos colados no chão e o soluço preso na garganta.

Antes do piso 1, começou a chorar. Era um choro encolhido, sem espaço, que não libertava todo o turbilhão interior. A mãe começou a pedir para ele parar. Schhhh! Schhhh! Como se o choro fosse uma falta de educação. Algo não permitido e incomodo. O rapazinho tentava engolir o próximo soluço, mas todo o corpo pedia um choro profundo. Todo o corpo pedia uma forma saudável de expressar o que ia dentro dele.

Sem aviso, a mãe virou-se para mim e pediu desculpa. Pediu-me desculpa por o filho estar assustado, e a chorar. Hã???

Nunca ninguém me pediu desculpa por ter a música alta demais, por atirarem um papel pela janela do carro, ou por passarem à frente só porque lhes apeteceu. Coisas que para mim fariam algum sentido serem seguidas de um “Desculpe”. Mas ali… fiquei atónita. Quando voltei a ter reação disse “Não tem de pedir desculpa, chorar faz bem. Todos precisamos de chorar.” Desta vez, foi ela que ficou atónita.

Para grande alívio da senhora, chegaram ao seu destino, não fosse eu desatar a chorar no elevador. Pisquei o olho ao rapazinho, continuei o meu caminho mas o episódio ficou comigo. Fiquei a pensar na forma como lidamos com o “CHORAR”.

Quando vem do bebé, encaramos como uma forma de comunicação, um pedido de ajuda, algo que devemos amparar emocional e fisicamente. No entanto, parece que com sorte só podemos chorar no máximo até aos 6 anos…

Quando o meu filho entrou para a primária, de um dia para o outro, o cenário mudou.

Logo nos primeiros dias de aulas, no meio das suas intermináveis corridas, espatifou-se no recreio. Quando o fui buscar, estava arranhado de cima a baixo. Claro que quando me viu, apesar do episódio ter acontecido algumas horas antes, voltou a chorar. Uma descarga emocional natural perante um adulto de referência.

A auxiliar veio logo explicar com ternura “Já lhe disse que não é preciso chorar, que ele agora está na primária e já é crescido.” Hã??? “Curioso, eu tenho quase 40 anos e choro sempre que preciso. Já não chora?” perguntei com um sorriso. Auxiliar atónita do outro lado.

Não percebo porque há tamanha diferença na aceitação do riso e do choro. São os dois fundamentais para digerir emoções e expressar sentimentos. Os dois estão ligados como o sol e a chuva. Cada um com funções distintas mas igualmente importantes. A sua dança alternada cria o equilíbrio e, como o arco-íris, podem aparecer juntos no maravilhoso chorar a rir.

O choro acompanhado (quando a criança está a chorar mas sente-se totalmente apoiada) é profundamente curativo, ajuda a libertar tensão, medo, frustração, raiva, tristeza. A criança sabe que está segura para entrar em contacto com essa parte mais escura e lamacenta, que nós estamos ali, mesmo à mão. Essa segurança permite-lhe lidar com emoções peludas e crescer emocionalmente.

Não chorar não significa que está tudo bem. Significa que há um mar de lágrimas preso numa barragem que vai enchendo em vez de a água ir fluindo para onde precisa. Nunca peças desculpa por chorar. É esta água salgada e doce que nos faz ser humanos.

 

“Do not apologize for crying. Without this emotion, we are only robots.” Elizabeth Gilbert

image@mãecatita

 

A educação dos nossos filhos começa em cada um de nós, pais.

“De onde tirámos a ideia louca de que para conseguirmos que uma criança seja boa, primeiro devemos fazê-la sentir-se mal?” A famosa frase da norte americana Jane Nelson, uma das mentoras da Disciplina Positiva, dá que pensar.

Vivemos um dia a dia tão frenético que nos resta pouco tempo para dedicar ao que deveria ser a nossa principal prioridade: a família. E quando os nossos filhos se “portam mal”, é mais fácil reagir com um grito, um castigo ou pior, uma palmada. E que tal começar por tentar perceber qual a razão por detrás dessa conduta? E se eu lhe disser que há alternativas, bem mais… positivas?

O que é a Disciplina Positiva?

Todas as crianças querem sentir-se importantes. E têm o desejo de pertencer.  À família, à escola, à equipa de futebol, ao grupo de amigos.

Disciplina Positiva não é mais do que um modelo educativo que permite entender o comportamento das crianças e oferece ‘ferramentas’ para actuar, sempre de forma positiva. Ou seja, com firmeza mas com afetividade ao mesmo tempo, sem autoritarismos ou controlo excessivo, mas sem permissividade. Baseia-se, pois, no respeito mútuo e na cooperação. A Disciplina Positiva permite também aos pais ajudar os mais novos a desenvolverem competências básicas para enfrentar o mundo lá fora. E um sentido de responsabilidade apurado.

Autoconhecimento, uma ‘arma’ poderosa para a Disciplina Positiva

A educação dos nossos filhos começa em cada um de nós, pais. Para podermos mudar comportamentos nos nossos filhos é preciso, primeiro, olharmos para nós próprios. E percebermos o que está mal e o que podemos mudar. Melhorar. Chama-se a isto autoconhecimento.

A maior responsabilidade de todas é clara: educar. Sem culpa, com amor, respeito, firmeza e amabilidade.

Sei que vou continuar a errar, neste caminho tão maravilhoso e desafiante da paternidade.

Mas eu aceito o desafio, e você?

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5 Pontos de Partida para Pais de crianças com NEE

Redundância à parte, uma vez pais, para sempre dentro do mundo da parentalidade!

Com ou sem crianças com nee, a parentalidade (tal como aparece no dicionário) implica “todas as funções ou atividades desenvolvidas pelos progenitores ou cuidadores com vista ao saudável e pleno desenvolvimento da criança a seu cargo“.

Dependendo da cultura, da idade, do contexto familiar, da criança, entre outras condicionantes, aqueles que estão já no mundo da parentalidade e querem fazer parte dele procuram saber como poderão ser os melhores pais do mundo para a sua criança, de forma a serem felizes e a contribuir para o desenvolvimento “saudável e pleno” da sua criança. Tal como todos os pais, também os pais de crianças com necessidades especiais procuram a melhor forma de educar, apoiar e contribuir para o desenvolvimento e felicidade dos seus filhos tendo sempre em consideração as suas necessidades e dificuldades! No entanto, como qualquer outro pai/mãe, com as preocupações, desilusões e as ansiedades do dia-a-dia, estes pais procuram muitas vezes por uma “luzinha” que os ajude a iniciar ou retomar o caminho da sua parentalidade positiva e promotora de felicidade na sua família!

Ready, set, go!

Assim, ficam aqui 5 pontos de partida para os pais de crianças com NEE que se comprometam com a viagem no mundo da parentalidade:

  • Não se foquem nas “normas parentais” habituais. Algumas serão possíveis de utilizar como ferramenta na vossa família, mas outras não serão adequadas. Não porque não são merecedoras ou porque não as saberão utilizar, mas porque não irão adequar-se à vossa criança, às suas necessidades e às suas dificuldades. E isso não tem mal nenhum! O importante é que adaptem as normas “habituais” de parentalidade à vossa criança, ao seu desenvolvimento e à vossa família!
  • Procurem junto de pediatras, médicos especialistas, terapeutas e equipas multidisciplinares informação credível e coerente sobre a problemática do seu filho, estratégias a utilizar, adequações, entre outras. Organizem essa mesma informação e falem sobre a mesma com os vossos familiares mais próximos, professores/educadores ou outras pessoas que sejam significativas na vossa família e na vossa rotina. É importante que todos estejam sensibilizados, conscientes e em sintonia com vista ao melhor para a criança.
  • Aceitem a criança e a sua verdade para que as vossas expetativas estejam de acordo com o ritmo da criança, a criança que é real e pertence à vossa família. Deparar-se com uma nova realidade ou um lapso nas suas expetativas como pai/mãe poderá levar a sentimentos de tristeza, revolta, culpabilização ou negação. No entanto, não se deixem ficar com esses sentimentos pois não ajudarão a vossa criança, e ainda antes disso, não vos ajudará. Há quem diga que é importante fazer um processo de “luto”, eu falo em processo de reflexão em que as expetativas, os sonhos e os projetos de vida podem ser reinventados ou reajustados à vossa criança e à vossa família.
  • Foquem-se no positivo e criem oportunidades de sucesso para a vossa criança. Façam-na sentir confiante e capaz, incluída numa família que a valoriza e a apoia acima de tudo. Não se esqueçam que a valorização dos pontos positivos e das pequenas e grandes conquistas ajudam na harmonia e felicidade da vossa família.
  • Não esperem perfeição ou passo-a-passo do que é esperado para a idade da criança. Esperem sim, felicidade e progresso para a vossa criança, felicidade e progresso enquanto família de alguém tão especial, que terá de certo um pouco para vos ensinar a cada dia que passa.

Acredito ser uma viagem atribulado, difícil até de saber por que ponto de partida iniciá-la, mas lembrem-se que todas as viagens têm um ponto de partida. Comecem pelo ponto que faz mais sentido para a vossa família ir sempre junta! <3

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Por Beatriz Pereira, BLOG “MAIS Q’ESPECIAL”

Mãe, estás contente?

Os nossos filhos vêem-nos como somos e não como achamos que somos.

Muitas vezes, ao longo da vida, enganamo-nos. Enganamo-nos para continuarmos o nosso caminho sem nos sentirmos tão culpados por aquilo que fazemos e que sabemos que deveríamos fazer de outra maneira.

Ao longo da vida enganamos os outros, voluntária ou involuntariamente, pelo simples facto de aceitarmos a opinião que os outros têm de nós sem a corrigirmos, principalmente quando essa opinião é positiva.

Com os filhos não há nada disso.

Podemos saltitar de pedra em pedra mas eles sabem que não estamos a voar.

Vêem-nos como super heróis por fazermos coisas que a eles ainda são inacessíveis, vêem muitas vezes as nossas qualidades quando duvidamos delas, e muitas vezes apontam os nossos defeitos quando menos esperamos.

“Mãe, por favor, não fiques zangada. Não quero que fiques zangada”.

Esta frase tira-me metade do coração quando a oiço.

E às vezes ela chega para me lembrar que quando chamo a minha filha à atenção ela vê o que eu não vejo, porque estou dentro de mim. Ela vê o cansaço, ela vê alguma impaciência, ela vê alguma tristeza.

Acho que é importante que ela perceba que os seus actos têm consequências, acredito que ela tem de perceber que quando me magoa deve ter à sua frente alguém que demonstra os seus sentimentos sob pena de crescer a achar que a mãe foi sempre um muro de aço perante as coisas menos boas da vida e que demonstrar os nossos sentimentos é uma fraqueza. Não é, pelo contrário.

Mas quando ela me vê naquela culpa e tristeza sinto ainda mais culpa e mais tristeza, essa sina eterna das mães.

Quero que perceba que as coisas não desaparecem segundos depois de acontecerem, mas não quero que tenha receio que eu me zangue. Quero que faça as coisas, tome as suas decisões pelos motivos certos e não com medo de me deixar triste.

Sei, também, que há alguma inevitabilidade em crescermos a não querermos desiludir os nossos pais e que isso faz parte.

E por isso, ao ver-me ao espelho quando me zango, através dela, através da forma como ela me vê, sei de imediato aquilo que tenho de tentar mudar.

E é por isso que o diálogo é tão importante.

E é por isso que a pergunta “estás zangada?” nunca é seguida de um “mas é claro que sim”, um virar de costas e ir embora.

Eu fico. Eu baixo-me para falar com ela a olhá-la nos olhos. Eu explico o que estou a sentir e porquê. Explico o que acho que devia ter acontecido de outra forma, muitas vezes inclusivamente falando do eu EU deveria ter feito de outra forma, porque aqui não há só um culpado.

E depois abraçamo-nos. E ela, sem falhar, pede desculpa se tem de o pedir e jura que não volta a fazer.

Já percebi que uma das coisas que mais desespera a minha filha é sentir que me falhou.

Mas ela não me falha. Simplesmente está a crescer. E crescer custa, dá trabalho e é um percurso recheado de bons e maus momentos.

Seguimos caminhos errados, testamos limites, somos diferentes do que esperamos que sejamos.

E isso não vai mudar, porque hoje, aos trinta e dois anos, continuo a fazer o mesmo que ela aos quase quatro.

E por isso quero que ela sinta que não vou fingir que não vejo quando ela age de forma errada, mas quero que saiba, que sinta, que não tenha  menor dúvida que, principalmente nesses momentos espero por ela para lhe dar a mão e encontrarmos uma maneira de melhorar. As duas.

Ser mãe não é fácil, principalmente porque também nós estamos a seguir o nosso percurso, a evoluir, a mudar, a encontrar novas ferramentas, novas convicções.

Ser mãe não é fácil pelo que se espera de nós, pelo que esperamos de nós.

Mas sabermos que não fazemos esse crescimento sozinhas ajuda.

E eu não estou sozinha porque a tenho a ela, a aprender comigo e a ensinar-me mais do que dezassete anos de escolaridade me ensinaram.

E não, meu amor, não estou zangada. E se estiver, passará.

Porque tudo passa, menos nós.

image@weheartit

Como tornar-se no mãe mais paciente?

Ser mãe é ser uma espécie de super mulher. Uma super heroína cujo esforço ninguém realmente (re)conhece, que tem de pensar em tudo, de conciliar muitas-vezes-sem-saber-como os filhos, a lida da casa e a vida profissional. Ah, e que ainda tem de ser uma esposa perfeita, sempre impecável, arranjada, elegante e disponível para agradar ao marido.

Com tanta responsabilidade em cima dos ombros, é natural que a paciência não seja uma virtude fácil de cultivar. E quem é que normalmente paga por isso? Aqueles que estão mais próximos: os filhos.

Para a ajudar a lidar com a pressão do dia a dia, aqui ficam algumas dicas que podem ajudar a torná-la numa mãe mais paciente:

1 – Acalme-se antes de (re)agir

Sei que é fácil falar, mas leia até ao fim. É normal que, enquanto mãe, se irrite e perca a paciência com os seus filhos, quando se portam “mal”. Mas não desespere nem se sinta culpada.

Com algum treino é possível diminuir (e muito!) a quantidade de vezes em que isso acontece. E fazer com que isso seja a excepção e não a regra.

Quando o seu filho fizer algo que a deixe irritada, zangada, tente acalmar-se antes de (re)agir, respirando fundo ou saindo de cena, por exemplo. Neste último caso, informe a criança de que precisa de se acalmar mas que voltará para falarem tranquilamente sobre o assunto. Atenção ao tom de voz, que deve ser firme mas respeituoso ao mesmo tempo! Às vezes bastam segundos para reagruparmos os pensamentos e acedermos novamente à parte racional do nosso cérebro, o que não acontece nos momentos de conflito. O que pode tornar a sua reacção perigosa e com consequências negativas no longo prazo. Depois é tentar retomar a conexão perdida, conversar sobre o que se passou e procurar que dali saia uma solução conjunta.

2 – Avalie a dimensão do problema

Será que o que aconteceu foi assim tão grave? Quando estamos irritados, cansados, sem paciência, tendemos a dramatizar e as situações (as birras, por exemplo) ganham proporções que, em condições normais, não ganhariam. Depois de se acalmar, pense se vale a pena empolar as coisas ou se é algo que se resolve facilmente, com um abraço ou uma curta conversa, por exemplo.

3 – Reserve um tempo para si

Todas as mães precisam de parar e de ter algum tempo para si próprias. Já sei, não tem tempo livre… Ou talvez necessite de se organizar melhor, pense lá bem…

A maioria das mães esquece-se das suas necessidades para cuidar dos outros. Mas pense nisto: tal como as crianças, também os adultos agem melhor quando se sentem melhor. E o autocuidado é essencial. Cuide de si!

Às vezes, tirar meia hora para ir às compras, fazer um jogging, uma massagem, tomar um banho, ler um livro, ir ao ginásio, comer um gelado, por exemplo, é suficiente para lhe dar a energia de que precisa para estar mental e fisicamente bem para o enorme desafio de ser mãe.

Se há algo que adora fazer, arranje tempo para isso. Enquanto o bebé dorme ou as crianças estão na escola, por exemplo.

4 – Durma!

Sei bem como é fácil falar, também passei por isso enquanto pai a dobrar… Desde que é mãe acabaram-se as noites tranquilas, certo? Ainda assim, lembre-se que é essencial o descanso, sobretudo noturno. E é imperativo que as crianças tenham uma boa rotina de sono. Ponha-as a dormir cedo, até para depois poder também a mãe descansar…

5 – Planeie um tempo especial mãe-filho

É uma das “ferramentas” de Disciplina Positiva que melhor resultam cá em casa. Planeie um programa especial com os seus filhos, não precisa de ter muito tempo disponível. Um lanche a dois, uma ida ao parque infantil ou um simples passeio onde poderão ir a conversar pela rua. Vai ver como fará milagres pela vossa relação!

6 – Organize-se

Por vezes é complicado, com tantas tarefas, saber o que fazer para as conciliar a todas. Uma boa organização pode ajudar a acabar com o caos do dia a dia. Pode criar, com a ajuda dos miúdos, uma tabela de rotinas diária, que é ao mesmo tempo útil e divertida. A partir daí é a tabela que “manda”, que “diz” o que eles têm de fazer a seguir. O que evita muitas “guerras” desnecessárias.

Uma questão de prioridades!

Educar uma criança exige treino, tempo e paciência. Mas vale a pena. É uma escolha, entre perder a calma ou mantê-la. E uma questão de prioridades. Comece hoje a mudança, para colher os frutos amanhã.

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Pais e Mães Mediadores de Serviço – Conflitos entre irmãos

Quando temos mais do que um filho queremos que, acima de tudo, os irmãos sejam amigos. Acreditamos que serão companheiros para a vida. Que juntos irão conquistar o mundo, partilhar brinquedos e experiências e ser inseparáveis para todo o sempre.

Mas a verdade é que, nem sempre as relações são perfeitas. Aliás, o mais usual é haver zangas e disputas, e ora serem os melhores amigos, ora não se podem ver pintados de cor-de-rosa.

Quando digo que tenho 4 filhos, perguntam-me logo se eles se dão bem! Óbvio que é um factor extremamente importante para todos os pais.

Joana Sardinha Zino, Advogada exercendo maioritariamente na área do direito da família, como mãe sentiu a necessidade de encontrar estratégias para evitar e resolver conflitos entre os irmãos.  Percebeu que o problema era geral em todas as famílias, e começou por desenvolver técnicas de mediação de conflitos com os seus filhos, há cerca de dois anos. Conjugou o know how da profissão com a  sua experiência de mãe e os resultados foram visíveis.

“O meu maior sonho sempre foi ser mãe e ter vários filhos, assim seguidos, como tenho… para que fossem amigos e para que se acompanhassem ao logo das suas vidas!! Até aqui tudo ok. Confere com a realidade! Mas a questão é que ninguém me avisou que eles também se iam pegar muito, que se iam zangar e que não iam querer partilhar… 

Os conflitos existem

Nenhuma relação é isenta de conflito e os conflitos entre irmãos e em família “fazem parte”, todos sabemos disso, mas, deixam de ser normais, quando alteram estados de espírito, alteram a dinâmica e comprometem a harmonia e os programas familiares. Foi quando isso começou a acontecer, que senti necessidade de trazer para dentro de casa algumas das técnicas e estratégias da minha profissão, enquanto mediadora de conflitos (familiares, civis e escolares) e comecei a observar como os miúdos começaram a ganhar maiores competências de negociação e gestão dos seus problemas, e eu pude ter mais descanso!”

Pais e Mães Mediadores de Serviço

O projeto “Pais e Mães Mediadores de Serviço” nasce da vontade de transmitir as técnicas, as ferramentas e os benefícios da mediação, e aposta no desenvolvimento de competências de cooperação para a prevenção de conflitos, a negociação, a cooperação, a comunicação positiva e a criatividade na resolução de “problemas”!

“Foi por esta paixão pela mediação que desenvolvi o projeto Pais e Mães Mediadores de Serviço – a mediação de conflitos entre irmãos e em família, para que mais Pais pudessem ficar a conhecer estas técnicas.

O que se pretende é que os pais fiquem a conhecer quem são os seus filhos perante o conflito. A mais-valia de desenvolver junto destes competências de cooperação para a prevenção de conflitos, o poder das técnicas de negociação, a comunicação positiva e dar algumas dicas criativas na resolução de “problemas” através das técnicas de mediação, ficando estes a conhecer o processo de mediação, como fazer acordos e como aplicá-lo em suas casas!

A prevenção do conflito

Considera-se assim muito importante desenvolver com os mais novos estratégias que lhes permitam crescer lidando de forma construtiva e positiva com os seus conflitos, promovendo a gestão dos mesmos.”

Joana defende que “As crianças aprendem a fazer paz, quando perante um conflito  expressam as suas necessidades, conseguem ver as várias perspectivas, conseguem negociar e conseguem chegar a um acordo que seja satisfatório para todos, um ganha-ganha.

Por isso, todo o tempo e empenho que possamos dedicar quer na prevenção, quer na mediação e resolução dos conflitos, será muito bem empregue.”

Tendo sido a primeira em Portugal a aplicar a mediação na gestão de conflitos entre irmãos, o projeto ganhou asas, e neste momento já podemos encontrar nas redes sociais a Página “Pais e Mães Mediadores de Serviço”, para que todos possamos aprender a aplicar estas técnicas dentro das nossas casas.

“A educação para a gestão positiva dos conflitos contribui para o desenvolvimento de um espírito de cidadania baseado no respeito mútuo e fundado no diálogo e contribui para termos miúdos desencucados, abertos ao diálogo, criativos, confiantes e capazes de criar memórias muito felizes e fazer da vida uma festa!

É esse objetivo… e os pais terem descanso… está claro!”

 

Joana Sardinha Zino, 39 anos, mãe da Carminho, Domingos e Graça, com 11, 9 e 7 anos. Advogada, exercendo maioritariamente na área do Direito da Família, Mediadora de Conflitos nos Julgados de Paz, Mediadora Familiar, Mediadora Escolar e Formadora.

 

Surgiu esta semana em conversa.

“A maioria dos pais, homens, não estão presentes na vida dos filhos”.

A frase chocou-me. Ainda mais porque foi seguida de vários exemplos reveladores, lançados porque alguém com conhecimento de causa, que trabalha com famílias e em contexto escolar. Eram 8 as coisas que um Pai não faz.

Não serei o melhor Pai do mundo, longe disso, mas posso orgulhar-me por nunca ter faltado a um momento importante da vida dos meus filhos. Por vezes, com sacrifício da minha vida profissional. Mas foi sempre simples decidir, porque são eles a minha prioridade.

No dia a dia, é também para eles que reservo o tempo de maior qualidade. E isso passa também por desempenhar tarefas que, tradicionalmente, costumam ser entregues à Mãe.

Para os pais (homens) que se “esquecem” que ser Pai é mais do que pôr uma criança neste mundo, deixo o alerta. Elas precisam de mais. Aqui vão 8 coisas que a maioria dos pais (homens) não fazem… mas deviam fazer:

1 – Vestir a criança.

Ok, em princípio vai correr mal. Muito mal. Pelo menos à primeira tentativa. E à segunda. E à terceira. O babygrow está mal posto, o macacão fica largo, a camisola mal amanhada e fora das calças e os ténis não condizem com a camisola. Mas se não nos deixarem tentar, nunca aprenderemos, certo.

Por isso respirem fundo, mamãs, e deixem-nos assumir o risco. Vão ver que, com o tempo, nos tornaremos nuns verdadeiros especialistas!

2 – Mudar a fralda.

Aí está uma coisa que nunca percebi: porque é que tem que ser sempre a mãe a chegar-se à frente na hora de mudar a fralda à criança? Quando nascem, a desculpa é porque são muito pequeninos. E porque nós, homens, somos uns brutos e podemos magoá-los (já ouvi isto muitas vezes, acreditem). Mais para a frente, tudo serve de razão para o Pai se descartar. Ora é porque está a dar a bola ou um “filme” qualquer, ora é porque a Mãe “tem mais jeito para isso” ou porque “limpa melhor” o rabinho do bebé.

Verdade seja dita, a verdadeira razão para um Pai assobiar perante o vislumbre da mal cheirosa tarefa é a preguiça. Porque custa levantar o rabo do sofá depois de um dia de trabalho. E assim se perde a oportunidade de criar um momento divertido a dois. E de criar vínculo.

 3 – Cozinhar.

Porque é que pôr as mãos na massa (literalmente) continua a ser, na maior parte das famílias, um (quase) exclusivo das mães? Porque é que ainda há tanta resistência do Pai em preparar uma refeição para os filhos? Se ambos trabalham, porque é que tem que ser sempre a Mãe a chegar a casa (cansada) e a tratar do assunto?

Vá lá homens, estamos em 2017! Sejam evoluídos e dividam (também) esta tarefa. Cá em casa é um prazer que não dispenso. E os miúdos agradecem. Às vezes até já me chamam chef. E soa tão bem ?

4 – Preparar o lanche para a escola.

Não fosse a Mãe a lembrar-se de colocar na mochila o pacote de leite ou o sumo, a sandes ou a fruta para o dia seguinte, e a maioria das crianças morreria de fome na escola.

Os pais (homens) que conheço nem se lembram desta tarefa diária. E antes que sejam chamados à atenção, disparam a frase: “amor, preparas o lanche da escola dos miúdos?”. Vá lá, deixem-se disso e cheguem-se à frente!

5 – Ir às consultas.

Uma chatice. É assim que muitos pais (homens) encaram uma ida com os filhos ao médico. E evitam pôr os pés nas consultas, não porque não possam mas porque acham que deve ser “território” das mães.

“Elas é que fixam tudo o que os médicos dizem, nós não vamos ali fazer nada…”, já ouvi de um Pai. Nada mais errado. Acompanhar o crescimento das crianças também é isto, e nem tudo são rosas, ok?

6 – Ir às reuniões e eventos escolares

São manhãs ou tardes “perdidas”, acham alguns pais (homens) que conheço. Outros, percebe-se a seca que estão a apanhar pelo sorriso amarelo quando lá aparecem.

Delegar sempre na Mãe essa responsabilidade é demitirmo-nos de educar. E são oportunidades perdidas para reforçar o vínculo.

7 – Pedir guarda partilhada ou conjunta

Deixei a mais polémica para o fim. Apesar de me parecer que o paradigma começa a mudar, ainda há muito por fazer.

Porque é que a maioria dos homens que se separam (dizem-me amigos juristas, mas corrijam-me se estiver errado) continua a contentar-se em ver os filhos de 15 em 15 dias? É assim que querem criar uma boa relação com eles? E que espécie de adultos estarão a criar?

Desculpem o sermão, mas às vezes é preciso ler… para crer. Ou querer!

imagem@jetosoft

Todos os pais querem dar a melhor educação aos seus filhos. Mas não existem receitas mágicas para criar melhores adultos. Errar é humano e não há pais perfeitos. Nem é possível evitar que, em algumas ocasiões, lhes saia da boca frases menos felizes, que podem ter um impacto negativo no seu desenvolvimento.

Muitas vezes caímos na tentação de dizer frases feitas, algumas até que ouvimos também em crianças. E que, sem nos apercebermos, desmotivam, afectam a autoestima e dificultar a relação pais-filhos. Mas não se martirize. Afinal, quem nunca se deixou vencer pelo cansaço depois de um dia de trabalho? Quem nunca desesperou com as tarefas que ainda o/a esperam em casa ou com “aquela” birra que “parece mesmo de propósito”?

“Somos humanos e é normal que cometamos erros. O importante é saber pedir desculpa, algo que custa a muitos pais. Além disso, se o fazemos, estamos a dar-lhes um grande exemplo”, explicou ao jornal El Mundo María Rueda, uma reputada psicóloga espanhola.

“Não se trata de nos retratarmos, nem tão pouco devemos compensá-los com carinho e palavras bonitas. O que fizeram é errado e devemos explicar-lhes para que aprendam a tomar melhores decisões da próxima vez. Além disso, devem saber que as suas acções têm consequências”, sublinhou ainda. Em suma: é preciso corrigir comportamentos, mas sempre de um ponto de vista construtivo e empático.

Para os especialistas, estas são as frases que qualquer pai deve evitar na comunicação com os filhos:

 1. “Se não fizeres o que te mando, ficas de castigo”

As ameaças utilizam o medo e podem afectar a confiança que as crianças depositam nos pais. Para além disso, “com o nosso exemplo, estamos a ensinar-lhes que para conseguir o que querem é legítimo fazê-lo através da intimidação”, diz Rueda.

2. “Se te portares bem, compro-te…”

Por vezes, os pais utilizam este estilo de comunicação para fazer com as crianças uma espécie de chantagem emocional. Desta forma, corre o risco de que ela não aprenda o porquê de ter que fazer o que lhe pedem, mas sim que o faz para obter um determinado fim.

3. “Não tens vergonha de te portares assim?”

Tal como a expressão anterior, que promove a culpa, esta fomenta a vergonha. Alguns pais impõe a disciplina desta maneira, principalmente diante de outras pessoas, “mas é melhor evitar as críticas que não sejam construtivas ou apenas conseguirá humilhá-los e minar a sua autoestima”, argumenta Rueda.

4. “Fazes o que te mando porque eu digo e pronto!”

Nós, adultos, tendemos a pensar que somos donos da verdade absoluta, se o nosso interlocutor é uma criança. E quando a discussão chega a um ponto em que já estamos cansados de argumentar, recorremos a esta frase para a dar como terminadas. Mas ser imperativo por ser imperativo só vai minar a relação pai-filho se não lhes explica porque devem fazer o que lhes é pedido.

5. “Vais enlouquecer-me!”

“Utilizar a culpa para motivar o seu filho não é o melhor método para mudar o seu comportamento. Além disso, pode gerar impacto negativo na sua relação com eles”, afirma Rueda. “Estamos a transmitir-lhes a ideia de que os nossos problemas são culpa deles, e isso pode gerar uma grande ansiedade“, acrescenta Inma Marín, consultora pedagógica e presidente em Espanha da Associação Internacional pelo Direito das Crianças a Julgar.

6. “Não chores, não é razão para tanto”

“Muitas vezes tendemos a sub-valorizar os sentimentos dos nossos filhos. Podem ter guerreado com um amigo na escola e isso para nós não tem importância, mas para eles tem e não devemos desvalorizar”, considera Marín. “Também é habitual usar a frase com a intenção daquilo que os magoa para que se sintam melhor, mas essa não é a maneira mais adequada de os ajudar. É melhor ajudá-los e consolá-los, para que saibam que quando lhes acontecer algo mau, os pais os entenderão e estarão ali para eles”, prossegue.

7. “Deixa estar que eu faço”

A mensagem que passa quando utiliza esta expressão é clara: “Não vais ser capaz de fazê-lo”. E se os pais acreditam nisso, a criança também acreditará, chegando à seguinte conclusão: “Para que é que me vou esforçar da próxima vez?”.

Ao actuarmos assim, estamos também a impedir que aprendam por si mesmos, tornando-os pessoas dependentes e inseguras.

8. “Não fazes nada bem”…

… ou “não sei quando vais aprender” são outros exemplos de frases pouco construtivas, já que “não valorizam o esforço, mas o resultado obtido”, assegura Marín. A evitar!

9. “Estou farta/o de ti”

Quando usa esta expressão, numa situação limite, não tem certamente a intenção de ferir os sentimentos do seu filho, mas é preciso estar ciente das possíveis consequências de um comentário destes. Pode fazer com que ele acredite que é algo que sente realmente, não só naquele momento mas sempre, e provocar um impacto negativo. “O amor de um pai por um filho é incondicional, e isso é algo que devemos mostrar-lhes a todo o momento”, afirma Marín.

10. “És má/mau”

“É um erro dizer isto a um filho, porque este poderá pensar: ‘Ok, sou assim e não posso fazer nada para mudar’”, explica Rueda. Os especialistas aconselham a ser preciso na hora de lhes explicar o que é que fizeram mal e a censurar as suas acções. “Em vez de lhes dizermos que são maus, é melhor centrar a atenção no que podem mudar para conseguir um resultado mais positivo. É mais construtivo usar outras expressões como: ‘Não gosto quando fazes…’ para explicar-lhes porque é que o seu comportamento não é aceitável e oferecer-lhes alternativas.

11. “És preguiçosa/o e não vais ser ninguém na vida”

As notas escolares são um dos principais focos de conflito entre pais e filhos adolescentes. Os primeiros querem que os segundos percebam que, se não estudarem, não terão um futuro risonho e que se arrependerão das decisões erradas que tomaram. Mas em vez de provocar neles uma reacção positiva, este tipo de frases danificam a relação entre pai e filho, provocando nos jovens uma sensação de frustração e desinteresse.

12. “Aprende com o teu irmão”

Cuidado com as comparações! É muito fácil cair nelas quando se tem mais do que um filho. Mas há que ter cuidado, porque “geram rivalidades na família e são muito prejudiciais a longo prazo”, alerta Rueda. A criança verá o irmão como modelo que nunca conseguirá alcançar e isso afectará a sua autoestima, por considerar que os pais gostariam que fosse diferente.

O poder de ser desobediente

Confesso, tenho 39 anos e sou desobediente. Quando estou na fila do supermercado e vejo alguém com uma única compra na mão, deixo passar à minha frente. Às vezes até deixo passar só porque está com um ar cansado ou apressado. Quando coloco moedas no parquímetro e me sobra mais de 30 minutos de estacionamento, ofereço o talão a um estranho. Depois há os dias em que está friooooo e como não tenho nada para fazer, fico de pijama o dia TODO, a rebolar de um lado para o outro. Às vezes como comida com a mão, mesmo que não esteja na Índia, sabe ainda melhor se estiver sentada no sofá a ver qualquer coisa catita.

Não consigo seguir receitas, invento todos os pratos que cozinho, para grande alegria e tristeza do meu marido, porque nunca consigo repetir nenhum sucesso culinário. Preciso de saber o porquê de tudo, e questiono sempre quando me dizem para fazer alguma coisa que sinto que não quero fazer.

Ser obediente não é aquela característica fabulosa que todos pensam. Às vezes, ser desobediente pode salvar-te a vida. Como quando és adolescente e tens um macho alfa a dizer-te para fazeres algo profundamente idiota. Ou quando tens um chefe sem escrúpulos que quer que faças algo ilegal.

Ah! Então agora era a anarquia e cada um fazia o que queria? Claro que há regras que devem ser seguidas, regras de segurança e sociais, mas não é dessas que estamos aqui a falar.

Ao contrário do que muitos pensam, as crianças querem naturalmente colaborar com os pais. Querem sentir-se vistas, amadas e reconhecidas. O seu comportamento é apenas uma manifestação do que se passa dentro delas. Também tu quando te sentes mal, te portas mal. Se olhares com atenção vais ver MUITOS adultos durante o dia de hoje a fazer grandes birras, basta ires a uma repartição de Finanças ou passar alguns minutos no trânsito.

Se o comportamento do teu filho te mostra que algo não está bem, investiga. Descobre o que se passa com ele, o que ele te está a tentar comunicar. Investiga também o que se passa contigo, o que TU estás verdadeiramente a precisar. Se apenas mudas o seu comportamento, sem tentar compreender a necessidade que não está a ser preenchida, vais para sempre fechar um importante canal de comunicação.

Investiga, também, quais são os teus limites, e como os estás a comunicar.

A obediência consegue-se, com meia dúzia de técnicas, meia dúzia de recompensas, castigos, ou 7 minutos a pensar no cantinho da vergonha. Mas senta-te lá tu. Senta-te e sente o que vai dentro de ti quando tens 7 minutos para pensar como és uma “má” pessoa. Sente o que aprendes. Ouve a voz crítica que começa a crescer como uma erva daninha dentro de ti, a raiva que te arranha a garganta, e a tristeza que te salta em cascata dos olhos. Sente como algo se quebra em ti. Ali sentado, calculo que tenhas vontade de obedecer, mas a que custo… Ao teu custo.

Há uma outra forma. A construção da relação entre pais e filhos. Não é rápida, tal como não o é nada que valha mesmo a pena. Não é apenas pintar a fachada de uma casa a cair, é construir fundações, estruturas fortes, olhar com compaixão para tudo o que precisa mudar, e ter a coragem para o fazer. É uma mudança de dentro para fora. Uma mudança que faz toda a diferença num mundo que precisa de pessoas que pensem com todo o coração e não que sigam apenas ordens cegamente.

Sê o exemplo que queres ver crescer no teu filho. Se valorizas a generosidade, sê generoso. Se valorizas a comunicação, a colaboração, a simpatia, a ordem, a organização, é só viveres isso no teu dia a dia.

E sabes porque isso é fantástico? Porque as crianças aprendem pelo exemplo e não pelas palavras que são gritadas. Porque quanto mais de te conheces, aceitas e és coerente com o que vai dentro de ti mais reconstróis a tua autoestima. E sabes o que um pai que constrói, dia a dia, uma autoestima saudável faz a um filho? Inspira-o a fazer o mesmo. É super, não é?

Publicado originalmente em Mãe Catita