Estarei a meio?

Estarei a meio da vida? Não estou a par das mais atuais indicações sobre a esperança média de vida. Acredito que rondará os 90 anos…

A minha idade vezes dois, aproxima-se deste número!

E agora? Que reflexão poderei fazer?

Por vezes, sinto-me menos tolerante para conversas vazias. Para dias sem gelo na bebida ou sem gindungo no prato.

Estarei a “ficar velho” no mau sentido, ou estarei mais exigente?

Será que já começo a apreciar melhor a vida, como vaticinaram outras pessoas com quem falei sobre envelhecimento?

Gostava de ir à praia mais vezes. No inverno, principalmente.

Não sei onde guardei as cartas de amor, mas vou socorrer-me delas para trazer o jovem sonhador que fui.

Ser sonhador está fora da moda? É piroso?

Piroso é querer estar na moda.

Os miúdos estão crescidos. Preciso estar mais com eles. Pensamos que crescem e pronto, mas não. Não há pronto. Há paciência para exercitar. E persistência.

Posso estar a meio, só que, sinceramente, não sinto.

Mas sinto que, demasiadas vezes, quem diz “sinceramente” está a mentir.

Preciso abrir um buraco mais fundo no meu coração para descobrir os diamantes que serão as minhas forças e virtudes. Assim, poderei alinhar a vida que falta. Alinhar nesta direção. Na direção das situações onde me sinto pleno.

Assim, estar a meio não vai assustar.

Não me assusta.

Sinceramente.

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“Tenho tanto para aprender e o tempo passa ora muito rápido, ora lento e penoso.
Por vezes gostaria de encontrar um atalho para saber mais sobre a vida, e admito, sem egoísmo, continuo a perseguir um significado para minha própria existência e isso tem um custo elevado, às vezes me sinto já sem crédito, usando uma forma onerosa de cheque especial, já sacando a descoberto.
Essa busca não é resultado de uma crise qualquer, é bem mais antiga, remonta à minha consciência, quando comecei a perceber que havia algo além do meu quintal.
Admiro as pessoas que conseguem viver e se preocupar apenas com o dia presente, que por si só, nesse tempo onde tudo é tão rápido e complexo, já é muito.” – Paulo Afonso de Barros

 

 

A falta de reflexão, filha da pressa, uma senhora chata, com o senhor preguiçoso é, por sua vez, mãe do intento perdido.

No outro dia – são tão longas as viagens – dei comigo a pensar que estava muito seguro de que a palestra ia correr bem. Fiquei assustado. De repente, já não estava tão seguro assim…

É que há tempos, tinha lido algures, que um palestrante deve sempre estar um pouco nervoso. Seria sinal de que estava empenhado.

Acabei por entender que era possível a coexistência de ambas as sensações. Estava seguro, mas não deixava de sentir a adrenalina a galopar nas minhas veias.

Esta reflexão levou-me a um local muito bonito. O local onde nasce a segurança. Eu estava seguro porque tinha muito claro o que pretendia alcançar com a palestra.

Na vida é igual!

O que pretendes alcançar? O que queres realizar? Tem isto claro e sentirás segurança.

Decifra isto é terás felicidade.

Irás sentir medo também. Por vezes. É natural. Mas a segurança, qual armadura, fará o teu intento ficar mais próximo. Isso é felicidade.

Qual é mesmo o teu intento? É isto que tens que saber.

A falta de reflexão, filha da pressa, uma senhora chata, com o senhor preguiçoso é, por sua vez, mãe do intento perdido.

Já reparaste, quase de certeza, que falo do Propósito. 

Acabo a palestra e tenho uma grande ovação. Estava seguro, sabia o que ia dizer. Sabia o que desejava provocar. Saio de lá com mais vontade de ter claros os meus propósitos para a vida.

Quais os meus próximos projetos? O que tenho em vista?

Também quero uma ovação da vida.

Cansado, de missão cumprida, surge-me um restaurante na beira da estrada.

Já te tinha dito que as viagens são longas, não já?

Apetece-me um bife. Com alho. Mal passado. Mas bebo água? Só uma cerveja não há-de fazer mal. Mas amanhã acordo cedo…comer muito à noite faz mal… isto pode prejudicar o propósito que defini para o meu trabalho.

Aqui, traiçoeiro, surgiu o outro pilar: o Prazer.

E agora? Qual é que vai ganhar?

“O meu filho não tem motivação para nada”.

Esta é uma das frases que mais oiço por parte de pais de adolescentes.

Do lado de cá, compreendo-lhes a angústia, tal como sou solidária com o lado de lá, que usa a inércia para mascarar o medo, a vergonha ou a incerteza de não se saber bem quem se é ou de não se estar à altura daquilo que esperam que se seja.

Quando nos nasce um filho, nasce-nos um sem fim de desejos, de projetos, de finais felizes, que servirão como uma luva (achamos nós) àquele pequenino ser. Nasce, ainda, a oportunidade única de nos redimirmos do nosso lado lunar, esperando que deles, seres de luz, venha sempre sol.

À medida que crescem e se tornam gente, vão dando pequeninos passos no sentido de nos ensinar a ajustar expectativas, a tropeçar nas certezas que criámos e a perceber que afinal por ali mora, tal como em nós, a lua, o sol e até a chuva intensa. E é precisamente aqui, nesta espécie de microclima tropical que é a adolescência, que tudo aquilo que sonhámos que seriam, dá lugar a tudo o que podem vir a ser e à necessidade de o perceber através de um caminho próprio, único e irrepetível.

O que se segue, é muitas vezes uma dança difícil entre pais e filhos, marcada pela tensão natural entre quem exige e quem é exigido e tantas vezes, pelo desejo secreto de que as coisas pudessem resolver-se outra vez com um pronto  “Anda cá que a mãe ensina…”.

E agora?” – perguntam vocês. “Como é que se ajuda a sair da tempestade, molhados, mas com vontade de enfrentar as próximas?” E eu respondo, outra vez: “Sendo porto de abrigo”, sempre que possamos tentar os passos seguintes:

Dar espaço.

Conviver com um filho que não parece interessar-se por nada, que não estuda, que não cumpre, que se perde nas horas do dia, pode ser extremamente desafiante para os pais, correndo-se o risco de transformar a sua inércia no tema de conversa preferido de toda a família (não que o prefiram, mas ele está sempre lá). Passa então a falar-se sobre isto constantemente, à refeição, na chegada a casa, antes de dormir, no carro à porta da escola… E com o tempo, a desmotivação passa a definir a sua atitude geral perante a vida e o que era passageiro, instala-se e perdura. É por isso importante desligar o modo “sermão” e centrarmo-nos naquelas que são as suas características positivas. Valorizar todas as oportunidades que possam tornar-se acendalha para lhes atear a chama outra vez. E é importante, sobretudo, deixar de falar deles e passar a falar com eles.

Compreender.

A falta de empenho é muitas vezes apenas a parte visível do iceberg. Um recurso para se defenderem de algo com o qual não se sentem capazes de lidar. Não liga nenhuma à escola porque acredita que os outros serão sempre melhores do que ele. Não investe no exame final porque acha que nunca vai conseguir ter uma nota que satisfaça a família. E assim, por evitamento, se vão confirmando todas as profecias, as dos pais e as do próprio.

É assim fundamental compreender que a desmotivação pode ser um sinal de alterações emocionais ou de uma baixa auto estima que, alimentadas por sentimentos de incapacidade ou de maior vulnerabilidade, acabam por impedir os jovens de explorarem as suas capacidades e de correrem atrás daquilo que desejam. Ouvir o que tenham para dizer (evitando o rótulo fácil), procurar ser empático com o que estão a sentir e partilhar quem fomos em momentos semelhantes, pode ajudar a desbloquear emoções associadas ao momento de impasse, tornando-as menos pesadas e logo, mais passíveis de transformação.

Exigir.

Compreender o que sentem e os desafios que atravessam. Isto não significa que sejamos coniventes com a distância afetiva que aumenta sempre que chegam tarde a casa por sistema ou sempre que evitam a todo o custo qualquer programa de família. Na adolescência, a experimentação de uma maior autonomia e independência, natural e altamente desejável, não pode sobrepor-se em larga escala ao tempo de todos e às regras de funcionamento do espaço familiar (horários, rotinas, divisão de tarefas…). Quer isto dizer que são de compreender e tolerar algumas escapadelas, mas o essencial deve manter-se, por mais contrariedade que às vezes provoque.

Acreditar.

Saber que a adolescência é um período de  aprendizagens riquíssimas e de aquisições determinantes para o resto da vida, ainda que às vezes a navegação pareça fazer-se ao sabor do vento, ajuda a não perder de vista a importância de valorizar e a incentivar todos os pequenos passos que possam dar em direção ao crescimento. Estimulá-los a que se envolvam ativamente nas diferentes alternativas de solução para os problemas com que se deparem, fá-los também sentir também que confiamos na sua capacidade para superar todos desafios, ajudando a agir.

Quando um filho nos diz que não tem motivação, pode estar a dizer-nos que precisa que o ajudem a compreender-se melhor. Que precisa que olhem para si tal como é (e não como as histórias que se contam sobre ele) . Que precisa, enfim, que lhe digam, muitas e muitas vezes, que a vida vale a pena e que neles mora tudo o que é preciso para conquistar o mundo.

Ainda que o passo firme e o brilho no olhar possam vir depois, e se instalem, para não mais os deixarem sair.

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Gamificação (ou, em inglês, gamification) tornou-se numa das apostas da educação do século XXI. O termo significa usar elementos dos jogos de forma a engajar pessoas para atingir um objetivo.

Na educação, o potencial da gamificação é imenso: funciona para despertar interesse, aumentar a participação, desenvolver a criatividade e autonomia, promover diálogo e resolver situações-problema.

A brincar aprende-se melhor

A brincadeira é uma das atividades que está presente na natureza do ser humano desde o início dos tempos. Podemos brincar sozinhos ou em grupo, sentados em torno de um tabuleiro ou de pé, em casa ou ao ar livre. O como, não é relevante. Através da brincadeira, crianças e adultos aprendem, experimentam e compreendem a realidade ao seu redor.

A gamificação explora esta maneira natural de aprender, utilizando as dinâmicas do jogo em diferentes atividades cujo objetivo vai para lá do entretenimento. O principal objetivo é aumentar o engajamento e despertar a curiosidade dos usuários e, além dos desafios propostos nos jogos, na gamificação as recompensas também são itens cruciais para o sucesso.

Basicamente, este recente conceito consiste em usar ideias e mecanismos de jogos para incentivar alguém a fazer algo. A ideia é criar uma motivação intrínseca, em que o aprendizado acontece através das próprias brincadeiras, sem separar a teoria da prática.

Este movimento de “tornar lúdico” procura sobretudo a melhoria da experiência do usuário, seja ele um estudante ou um trabalhador. A ideia por trás deste tipo de iniciativa é que, se gostamos de um determinado jogo, através do mesmo podemos aprender mais e melhor.

A gamificação é uma resposta a diversos males que afetam a educação tradicional, sendo o maior deles o desinteresse dos estudantes.

Vantagens da Gamificação na aprendizagem

No âmbito do ensino, envolver os alunos em jogos aumenta a motivação e melhora a capacidade de atenção. Ao contrário dos métodos tradicionais (testes, perguntas, ditados etc.), o aluno não é tratado como um elemento passivo ou que apenas reage a estímulos prévios.

Recompensas, status e êxitos (superar certo nível de um jogo) são algumas das maneiras mais comuns de “gamificar” uma atividade.

Um excelente exemplo é Flipped Playground, uma iniciativa promovida pelo professor do 1º Ciclo Michael T. Bennett (do colégio Humanitas Bilingual School, em Tres Cantos, Espanha), que reinterpreta as brincadeiras infantis tradicionais, transformando-as em ferramentas educativas. Bennett dá suas aulas com a ajuda de jogos simples como a macaca, gincanas e um piano gigante.

O professor Bennett transformou, por exemplo, o clássico jogo do Twister num cenário educativo adaptável. O docente modificou vários elementos do jogo tais como os círculos coloridos nos quais as partes do corpo são apoiadas, transformando-os numa série de figuras geométricas. Além disso, as instruções são dadas em inglês – “your left hand on the brown pentagon”. Deste modo, as crianças trabalham com um simples jogo de psicomotricidade, geometria e inglês. O pátio transforma-se numa ludoteca ao ar livre, onde professores e alunos convivem enqunto aprendem.

“O homem não para de brincar porque envelhece, mas envelhece por deixar de brincar” Bernard Shaw.

DO ANALÓGICO AO DIGITAL

Nos anos oitenta os jogos educativos saltaram dos pátios do recreio para os computadores. Inicialmente eram cópias de jogos tradicionais, como baralhos de cartas ou  xadrez transformados em programas de informática.

Mas rapidamente, a  gamificação evoluiu ao ritmo das novas tecnologias. A GlassLab é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve jogos educativos utilizados em mais de 6.000 salas de aula dos Estados Unidos, segundos dados da SRI International. Alguns dos jogos da empresa, como SimCity EDU, são versões educativas de outros já famosos, mas existem os originais, como Ratio Ranchel.

Os professores recebem atualizações instantâneas sobre o progresso dos alunos, bem como sugestões sobre os temas que deveriam ser mais trabalhados. Estas avaliações quantificam o progresso em diferentes áreas: visão espacial, cálculo, capacidade estratégica e de argumentação.

Outro caso de sucesso entre as plataformas de jogos educativos é a Kahoot. Com mais de 50 milhões de usuários ativos mensais em mais de 180 países, segundo dados da própria empresa, é uma das plataformas que apresenta maior crescimento. Uma das vantagens que distingue esta plataforma norueguesa é que  permite que qualquer pessoa crie as suas próprias atividades.

O CINEMA TAMBÉM SERVE PARA EDUCAR

Outro programa de gamificação com bons resultados é o que se pratica na Universidade de Granada (Espanha), onde um professor do departamento de Educação Física, Isaac J. Pérez, aplica há vários anos esta técnica nas suas aulas.

Isaac J. Pérez utiliza séries e filmes populares como veículo de aprendizagem. Começou com Game of Thrones, e o objetivo era conquistar o Trono de Ferro. Assim, a turma dividiu-se em reinos, cada um deles relacionado a um tema da matéria: Físicor (condição física e saúde), Deporticia (jogos e desportos), Expresanto (expressão corporal) e Naturalia (atividades no meio natural). Em 2016, repetiu a experiência utilizando como fio condutor a trilogia Matrix. O professor mostra-se muito satisfeito com os resultados obtidos. “Os alunos, além de terem aprendido os conteúdos da matéria, melhoraram a sua condição física ao terem de fugir dos sentinelas”, explica.

Mas não se deu por satisfeito, e para este ano preparou um programa inspirado no filme O preço do amanhã. A atividade é baseada numa aplicação desenvolvida na própria universidade, que oferece uma referência constante do tempo que cada jogador conta para manter-se na partida. Os alunos, que têm um tempo disponível para o curso, enfrentam objetivos criativos e formativos para ganhar pontos, e também enfrentam outros alunos, os “rouba minutos”, que sobrevivem roubando tempo.

Seja com cartas, minutos ou videogames, a gamificação chegou para ficar.

 

Fontes The Dailyprosper, Infogeekie,

A importância do Desporto na vida das crianças

No curso prático da maternidade, a escrita é um instrumento valioso na partilha de vivências que permitem às outras mães perceber que não estão sós no mundo exigente no qual entramos quando o embrião ainda está alojado no ventre.

O crescimento dos filhos processa-se de forma acelerada e a ilusão de que com o crescimento diminuirá a preocupação que temos para com eles, aos poucos se vai desvanecendo.

Seremos sempre colo e porto de abrigo no decorrer desta viagem chamada vida!

Num pensamento fugitivo de uma mãe que escreve, tudo é motivo para desenvolver textos sobre o que me vai na alma. Alguns chegam aos teclados … outros não!

Tenho realizado algumas leituras em torno do tema Desporto, essencialmente do papel dos pais e mães na prática desportiva dos filhos.

Muitos realçam a conduta dos progenitores nos jogos, e alguns dão enfoque à aceitação do desporto como algo de base na vida dos crianças/jovens.

Desconstruindo a ideia de base, muitas crianças/ jovens não praticam uma modalidade para corresponder aos ideais dos Pais. Estes miúdos estão nas suas actividades com empenho e por conseguirem satisfazer as suas necessidades de realização pessoal, permitindo gerir o escape de emoções menos positivas, inerentes ao acto de crescer.

O desporto é essencial para desenvolver inúmeras competências físicas, sociais e académicas.

O desporto deverá ser visto como algo de positivo e não como um rebuçado que se dá e tira de acordo com o comportamento ou desempenho escolar da criança ou jovem. Não é algo que  permaneça em segundo plano. Há que aceitar que para eles é uma prioridade, constituindo a base do seu crescimento.

Não é pelo facto de se tirar os treinos, os jogos, as competições que se vão alcançar bons resultados escolares ou de comportamento. É no jogo do dá e tira, que entram em campo mais conflitos …

Há que perceber que, para os desportistas não há dias de semana e fim de semana sem luta, sem treinos e sem jogos. Não há festas de aniversário ou momentos familiares mais importantes do que o compromisso que assumem consigo e com a equipa. Continuam a gostar da família, dos amigos, da escola, do lazer, no entanto, são seres únicos capazes de se entregarem para atingir os seus objectivos de forma saudável.

O Desporto não é passatempo, é entrega, é vida e emoção!

Não é por teres filhos que ele não vai aparecer. Vai de certeza. Ele chega quase sempre quando não estás à espera.

Às tantas, logo depois de teres deixado, à pressa, os miúdos na escola.

Que bom! Hoje ficaram bem. As segundas-feiras costumam ser difíceis! Ficaram bem!

Ou terás sido tu a “deixá-los” bem? Sem culpa. Sem insegurança. Sem hesitações. Vais estar com este pensamento entre a escola deles e o carro, quando ele chegar. O corre-corre, pareceu mais suado. A roupa, parece mais quente. Ele chegou. Culpas o cortisol, mas foi ele que chegou. Ou dir-se-à “a” cortisol? Bem, prometes a ti mesma que vais pesquisar. Há que estar informado sobre estas questões do stress.

A tua prioridade agora é dar-lhe atenção. Sorrateiro, acabou de chegar.

Ele também pode aparecer disfarçado de uma rapariga que passa por ti, aparentando boa forma, já com um tom de pele bronzeado, já com roupas a condizer.

Comparas-te com ela e fazes mal.

Algures em Março, aparece aquele dia quente que te lembra que deves ir para o ginásio. Que é como quem diz, aquele dia em Março que te lembra que tens que comer melhor.

Que é como quem diz, que tens que cuidar melhor de ti.

E assim, chegamos aqui:

Guia em 7 passos para enfrentar bem o dia algures em Março onde te lembras que tens que ir para o ginásio/cuidar de ti

1- Descobre qual é o exercício físico que melhor se adapta à tua vida;

2- Podes não ser “pessoa de ginásios”;

3- Pensa numa alternativa;

4- Treina, insiste, experimenta;

5- Faz uma lista de pessoas que podes desafiar para se juntarem a ti;

6- Descobre exercícios simples que até podes fazer em casa, poupando tempo e dinheiro;

7- Revê a lista, repete os passos.

A tua “onda” até pode ser uma prática de meditação, por exemplo, em vez de exercício físico. Ou podes mesmo estar a precisar de um psicólogo. Escuta-te. Não sejas surpreendida pelo dia. Que vai chegar. Sorrateiro. Soalheiro. Ou disfarçado daquela jovem que já não és. Não te compares.

Mas não é por isso que ele não chega na mesma.

imagem@weheartit

Há momentos da vida em que tudo está bem.

Por vezes, duram apenas uns segundos.

Não há problemas, não há amanhã. Nem ontem. Apenas o presente. Deve ser isso o mindfulness…

Há momentos tão saborosos que nem têm sabor. E amanhã quero lembrar-me desses momentos, nem que seja ao reler este “artigo” que viajará nas redes. Quero. Claro que tenho guardado no peito. Mas é mais uma ajuda. Uma surpresa. Como encontrar dinheiro num bolso de um casaco velho.

Há momentos da vida em que não há contradições. Apenas o bem. O bom.

Ela dormiu. E eu fiquei a ver.

Amanhã quero dizer: A girafa comia estrelas, contei-lhe. Aprendi com o Agualusa.

Amanhã quero mais desses momentos.

Esses momentos são como a auto-estima. Frágeis bolas de sabão…enche-os com um sobro breve. Deixa-os voar…ao mínimo susto, podem rebentar…

E rebentam. E seguimos. Outros momentos da vida virão.

Assim espero.

 

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“É exatamente disso que a vida é feita, de momentos. Momentos que temos que passar, sendo bons ou ruins, para o nosso próprio aprendizado. Nunca esquecendo do mais importante: Nada nessa vida é por acaso. Absolutamente nada. Por isso, temos que nos preocupar em fazer a nossa parte, da melhor forma possível. A vida nem sempre segue a nossa vontade, mas ela é perfeita naquilo que tem que ser.”

Chico Xavier

 

“A vida não teria graça nenhuma se fosse feita só de momentos bons, quanto mais ela me desafia mais eu quero vencê-la.”

amanda almeida

 

“Boa tarde, é da escola do pequeno catita. É a mãe dele?” “Sim…” digo eu já a pensar em “n” razões, nada positivas, porque me estão a telefonar, sendo que a maioria delas incluí algo digno de um episódio da Guerra dos Tronos“Era para avisar que amanhã há visita de estudo.” O meu batimento cardíaco volta ao normal, e o meu cérebro larga a historinha que estava a imaginar, focando-se agora na visita de estudo, cheia de material novo por onde elaborar. Nunca vos aconteceu?

E já repararam que quando perguntamos a alguém “Então, como estás?” abrimos a porta para uma corrente de coisas negativas? E que estas, levam-nos logo a pensar em outras tantas negativas que estão a acontecer na nossa vida? Mas quando alguém diz “Estou óptima e super feliz!”, pensamos “Hum, deve andar a fazer meditação ou qualquer coisa new age!”

Porque raio parece que o nosso cérebro está sempre atento ao que pode correr mal?

Esta caraterística humana que leva o homem moderno ao esgotamento e ao stress, salvou-nos a vida enquanto caminhávamos pela natureza sem fim, rodeados de animais selvagens. O cérebro, funciona como um radar ligado que detecta perigo, e exagera a sua importância para nos deixar física e mentalmente preparados para a ação. Perante um estímulo, se não tivermos conscientes dos nossos pensamentos, entramos num ápice numa espiral de nuvens negras umas atrás das outras que montam um cenário dantesco. Ironicamente, no fim do turbilhão, o estímulo inicial nem aparece na equação.

Na parentalidade, o nosso cérebro está assim, biologicamente ligado ao que pode correr mal. Normalmente vemos o quadro bem mais negro do que parece (negativity bias), e temos bastante dificuldade em aproximarmo-nos de qualquer situação de um ponto de vista neutro, meramente de observador.

Há poucos dias, na reunião de pais do primeiro ano, os pensamentos negativos saltitavam aceleradamente de cabeça em cabeça. As preocupações dos primeiros trabalhos de casa, saltavam para a necessidade de irem para a sala de estudo para fazerem tudo bem, para passarem de ano com distinção, terem boas médias, irem para uma boa faculdade, terem um bom emprego. Ufa. Os pais saíram de lá esgotados, stressados e rodeados de pensamentos-nuvem, apenas com as historinhas que iam sendo inventadas nas suas cabeças.

Mas como posso contrariar esta espiral de nuvens negras?

Está cientificamente provado que para anularmos um pensamento negativo temos de ter 3 positivos. Se o nosso radar está sempre virado para o mau, nunca damos oportunidade para o bom crescer. Por isso, se eu apenas me foco no que corre mal na minha relação com o meu filho, no seu comportamento mais desafiante, nas lutas do trabalho de casa, nunca dou oportunidade para o positivo crescer, nem nele e nem em mim.

Ao alimentar o que não funciona, contribuo para que ele se sinta incapaz, errado, incompetente e sem espaço ou vontade para se focar no que pode fazer bem. Pelo contrário, quando nos sentimos bem connosco próprios, isso naturalmente reflete-se no nosso comportamento e na nossa produtividade.

É igualmente importante perceber que pensamentos, não são factos, e que antes de os aceitarmos como tal, devemos olhar para eles com consciência e distanciamento.

Para treinares o teu cérebro a não ir automaticamente para o dark side, tenho um TPC só para ti! Quando surgir um pensamento negativo, repara nele com curiosidade “Olha eu a pensar nisto!” e compensa com 3 positivos. Vais ver como o pensamento-nuvem desaparece mais depressa do que uma estrela cadente.

Experimenta, e como dizia o Obi-Wan Kenobi “MAY THE FORCE BE WITH YOU.”

 

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O tempo e a memória. Reflexões para as férias ficarem no lado doce da memória.

Quando a ação é intensa, quando o acontecimento é marcante, a nossa memória fica carregada, como se mais camadas ganhasse.

As emoções intensas das brincadeiras em família, os novos trilhos descobertos, são camadas de qualidade acrescentadas à memória familiar.

Quando resgatamos estas memórias, por serem em tamanha quantidade, acontece cairmos numa ilusão do cérebro.

E, no futuro, as crianças, já crescidas, vão resgatar essas memórias com sabor a sal marinho, areia, protetor solar, vinagre (para os piolhos), enfim, com sabor a Felicidade.

A amígdala, na sua função de sistema de memória, acaba por ficar com muita informação. Quando os momentos são intensos ou vividos intensamente.

Assim, surge a ilusão: o acontecimento vivido parece ter acontecido em câmara lenta. Já lhe aconteceu?

Lembre-se em que circunstâncias?

Talvez num incidente que tenha vivido. Talvez numa tragédia. Mas, de certo, num momento com impacto na sua vida.
Tente trazer intensidade à sua vida. As crianças vão, mesmo que só daqui a uns anos, agradecer.

Nota final:

As férias de verão da minha infância, não acabavam nunca. E era tão bom. Elas eram grandes. E, claro, não me refiro ao tempo real. A questão é que vivíamos tudo muito intensamente, muitos eram os estímulos, as descobertas, as memórias que íamos construindo. Não era?

Envelhecer é, um pouco, ver os verões começarem a passar rápido.

Para mim, que estou sempre a aprender (trabalho em Escolas, com professoras, educadoras de Infância e com alunos) o tempo parece passar sempre devagar. Que bom!

Precisamos trazer a novidade para o palco principal. As férias servem para descansar. E descansar o que será? Não será viver coisas novas?

As novidades podem estar em detalhes.

Geralmente, no início das férias, estreio uma pulseira. Ela alerta-me para as férias mas também serve para trazer mais novidade. O meu pulso não está habituado, é um estímulo novo.

Gosto de levar os miúdos a praias diferentes. E a praias fluviais diferentes. Mudar as rotinas e, simultaneamente, acrescentar novidades.

Na música, nos livros, nos passatempos, podemos fazer o mesmo.

Hoje foi dia de molhar a pulseira nova.

E regar as memórias futuras das crianças. Para que vivam intensamente. Sempre.

imagem@carcanyion

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Na cozinha 

Zangado, triste, no fado das emoções sombrias, o cozinheiro tinha perdido a mão. 

Ainda há pouco tempo, era o preferido pelas mais conceituadas sumidades do palato. 

Os amigos mais próximos, reconheciam o momento da viragem. Tinha coincidido (tudo o indicava) com um grande desgosto. Reza a lenda que o cozinheiro vinha preparando uma sobremesa genial, ao longo da vida. Desde cedo que recolheu sinais da vida, para o ponto de rebuçado perfeito.

Não funcionou. Criticaram. Torceram o nariz. Fizeram má cara. Era doce demais…enjoava…

A partir daí, foi tudo como um molho salgado, um tacho queimado e mais tragédias e desgraças.  

Quantas vezes não somos nós envolvidos nessa tristeza, quando ainda há dias estávamos nas graças de alguém? 

Quantas vezes não deixamos um acontecimento forte passar na nossa vida, sem procurarmos apoio? 

E estes acontecimentos, será que podem despoletar doenças? 

Por vezes, andamos pela vida como que a recolher especiarias para o caril perfeito. O caril perfeito não existe!

E depois, ainda queremos agradar a todos.

Seria melhor olharmos para os nossos esforços. É mais o processo do que o resultado final, não?

Não funcionou. Criticaram. Torceram o nariz. Fizeram má cara. Era doce demais…enjoava. E pronto, desistimos. 

E o cozinheiro? 

Retirou-se para um local onde podia ouvir um som poderoso. O som que estrutura, que acalma. O som poderoso do silêncio. 

Sem pratos a bater, sem plim do microondas. 

E aí teve um sonho. 

Sonhou com um mestre, com um guru da cozinha, que lhe mostrou um gigante arroz doce, num prato redondo, com um metro de raio. 

O mestre pegou numa folha grande de papel vegetal e tapou pouco menos de metade do arroz doce. Depois, fez chover um pó na metade destapada e explicou:

“- Se a tua Felicidade fosse este arroz doce, a metade que tapei depende da tua genética. Mas tens a outra parte toda, para decorar da forma que quiseres.”

Não funcionou. Criticaram. Torceram o nariz. Fizeram má cara. Era doce demais…enjoava…colocou canela e tudo mudou.

E assim, sabendo que tem sempre uma parte para decorar na sua vida, com cautela e parcimónia, use, com arte a canela. 

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