Vem aí um irmão… E eu vou gostar

A chegada de um irmão pode constituir um momento desafiante na vida de uma criança pequena. Enquanto filha única, beneficiava da total atenção dos pais e, eventualmente, de outros membros da família, como avós e tios. De repente, a criança sente que o tempo e o espaço, que eram só seus, são “invadidos por um estranho”. Por norma, e mesmo quando a criança se adapta de forma resiliente, a verdade é que o tempo e os espaço que eram dela, o deixaram de ser. E qualquer transformação ou mudança, mesmo que muito desejada, acarreta alguns níveis de stress.

Se a chegada do novo membro da família não for preparada, podem surgir algumas reacções negativas, que embora compreensíveis serão fonte de angústia para si e para o seu filho – a criança poderá tornar-se mais irritável, agressiva e regredir nalguns comportamentos, por exemplo, voltar a chuchar no dedo, falar à bebé ou pedir para dormir no seu quarto… Mas atenção, que se estas alterações ocorrerem de forma transitória, limitada no tempo, podem ser consideradas como normativas, enquadradas no processo de ajustamento à nova realidade.

A família, nos seus complexos laços afectivos, é um sistema em evolução. A chegada de um irmão é, portanto, um momento importante que merece ser preparado com tempo e dedicação, de modo a que alguns dos seus laços não se transformem em nós.

Converse com o seu filho sobre a chegada do novo membro à família. Se o seu filho perceber que vai nascer um bebé e que os seus pais nada lhe estão a dizer sobre esse assunto, ele irá sentir-se traído, pouco importante na vida dos pais, confuso. Ajude o seu filho a fazer parte do processo. Explique-lhe o que se vai passar, oiça e valide as suas dúvidas, responda às suas questões. As questões poderão ser as mais diversas, umas mais simples de dar resposta do que outras. Dê sempre informação verdadeira, numa linguagem simples e adequada à idade da criança.

Permitir que o seu filho participe na preparação do nascimento do irmão, ajudará a que se sinta valorizado. Importa, contudo, lembrar que colocar a tónica na importância do irmão mais velho, não deverá exigir à criança que seja mais madura, que cresça de repente ou que tenha responsabilidades pouco ajustadas à sua idade. A participação do irmão mais velho continua a ser importante após o nascimento. Pode, por exemplo, incentivar a sua ajuda nos cuidados ao bebé, em tarefas simples como ajudar a escolher a roupa que o bebé vai vestir ou a preparar alguns objectos necessários ao banho.

Embora a família se possa sentir “absorvida” pela chegada do novo membro, é de extrema importância continuar a reservar tempo de exclusividade para o filho mais velho, em que dominarão os seus assuntos, os seus interesses, as suas aventuras!

Vem aí um irmão… E eu vou gostar.

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É das perguntas mais frequentes que nos fazem quando olham para as Marias. A verdade é que não existem gémeos verdadeiros ou falsos, existem gémeos Monozigóticos ou Dizigóticos.

Os Monozigóticos resultam da fecundação de 1 óvulo por 1 espermatozoide. O ovo, ou zigoto, resultante divide-se espontaneamente em 2 ou mais, origina 2 embriões geneticamente idênticos e originando assim os gémeos idênticos.

Quando a divisão ocorre em menos de 72 horas e tem duas placentas e dois sacos amnióticos são os chamados Bicoriónicos, Biamnióticos/Monozigóticos.

Quando a divisão ocorre entre 4 a 8 dias e tem apenas uma placenta e dois sacos amnióticos são os chamados Monocoriónicos, Biamnióticos/ Monozigóticos.

Quando ocorre com 13 dias ou mais dias são chamados Monocoriónicos, Monoamnióticos/ Monozigóticos.

Estes quase sempre são do mesmo sexo e tem muitas semelhanças entre os bebes. Quanto mais tarde for a divisão mais probabilidades de haver complicações na gravidez. Apenas 1/3 das gravidezes gemelares são monozigóticas.

Bicoriónicos, Biamnióticos/Monozigóticos
Bicoriónicos, Biamnióticos/Monozigóticos
Monocoriónicos, Biamnióticos/ Monozigóticos
Monocoriónicos, Biamnióticos/ Monozigóticos

 

Monocoriónicos, Monoamnióticos/ Monozigóticos
Monocoriónicos, Monoamnióticos/ Monozigóticos

Os Dizigóticos acontecem quando a mulher tem mais do que uma ovulação num mês e dois ou mais óvulos são fecundados por um mesmo número de espermatozoides. Os embriões são diferentes geneticamente entre si, podem ser parecidos e podem ser ou não de sexos diferentes. Cada gémeo vai ter uma placenta própria e um saco amniótico (Bicoriónicos, Biamnióticos).

Normalmente são gravidezes múltiplas por tratamentos de fertilidade, mas diz-se ainda que há probabilidade de ter gémeos dizigóticos quem tiver alguém na família com gémeos, sempre do lado feminino. Também aumenta a probabilidade se tiver mais de 35 anos pois a dupla ovulação é mais frequente.

Eu vejo-te
Não me limito a olhar para ti, vejo-te.

Já tive a tua idade, treze anos, e sei como tudo o que sentes é exacerbado em duzentos por cento.

Há dias em que acordas e estás triste, sem saberes porquê. Quando chegas ao pé das tuas amigas pensas que sem elas não serias ninguém, porque foram elas que alegraram o teu dia.

Não te apercebes da forma como te tratam, como se devesses estar agradecida por poderes dizer que és amiga delas. No fundo, é o que sentes, porque elas são populares e falam de uma maneira confiante e não se envergonham dos seus corpos nem têm as borbulhas chatas que teimam em pontuar o teu rosto.

Gostas delas, mas principalmente gostas que gostem de ti. Não tens a oportunidade de experenciar esse gostar muitas vezes. Em casa amam-te, mas não se lembram de to dizer. (Eu digo-to sempre no teu aniversário, mas pensando bem também eu falho, porque não é suficiente. Em trezentos e sessenta e seis dias, um dia não chega. Vou melhorar, prometo. Porque gosto mesmo muito de ti).

Quando te olhas ao espelho vês uma série de coisas que não adoras. Não te demoras nos teus olhos, redondos e grandes, com um tom de castanho raro. Não te apercebes da forma dos teus lábios, que é sublime quando sorris. Só vês a dificuldade em desembaraçar o teu cabelo e não as ondas que se formam de maneira tão natural.

Para te sentires melhor “cobres-te”. Com roupas que as tuas amigas aprovam e os rapazes reparam (mesmo que te deixem desconfortável na maior parte das vezes), com maquilhagem que não deverias usar porque não é para a tua idade (e porque não precisas dela), com os últimos ténis de marca que toda a gente usa. Com essa “embalagem” sentes-te mais segura, consegues calar por momentos as vozes que estão dentro da tua cabeça e que te dizem que não és bonita o suficiente. Que não tens um corpo desejável. Que ninguém quer estar ao pé de ti se usares uma t-shirt comprida e o cabelo apanhado num rabo-de-cavalo. É bom lutares contra essas vozes, mas tudo o que fazes é superficial. À noite tiras do corpo esse peso todo que transportas e é contigo que tens de dormir.

Sabes que mais? Tenho mais dezassete anos que tu e vejo as coisas de outra maneira. Não é fácil, mas tu consegues.

Livra-te dessas amigas que inferiorizam os outros com base nos seus “defeitos” (a ti incluída, se prestares atenção), volta a dar importância à escola, onde sempre te saíste tão bem e agora pareces fazer questão de que seja ao contrário, aprende a ver-te. E a gostar de ti. Terás sempre coisas que não gostas tanto. Aprende a viver com elas, porque vão estar sempre aí. Quando não forem essas serão outras.

Sei que tens dificuldade em falar. Achas que os adultos não te compreendem (provavelmente porque quando falaste não te ouviram com a atenção que merecias), mas não guardes para ti tudo aquilo que pensas. Escreve. Num caderno ou num blogue. Ninguém precisa de saber que és tu. Mas deita cá para fora. E depois lê o que escreveste. Vais aprender coisas sobre ti. Vais dar valor a algumas coisas e corrigir a maneira como vês outras. Vai ajudar, prometo. Se te sentires com coragem escreve uma carta à tua mãe. Diz-lhe o que pensas. O que gostavas que fosse diferente. A forma como ela pensa estar a ajudar-te e não está. Ela também precisa de saber e só tu poderás dizer-lho. Ouve-a mais vezes, ela tem o coração no sítio certo, mas não sabe como chegar a ti.

Sonha, não tenhas medo de sonhar. Mas acima de tudo, sonha pela tua cabeça. Pensa naquilo que realmente desejas. Tu, não o que os outros esperam que desejes, não o que achas que os outros vão querer ou esperar de ti.

Pode não parecer, mas eu vejo-te, não me limito a olhar para ti.

Tens um longo caminho pela frente e vai ser tão bom. Juro.

Vais ser muito feliz… Aconselho-te a começar agora!

(Nota: esta é uma carta para uma menina que vi crescer dentro da barriga da mãe, ser criança e entrar aos trambolhões na adolescência. É uma carta para alguém que está perdido e que não o reconhecendo não deixa ninguém aproximar-se. Faço o exercício que lhe aconselho, escrevendo. Pode ser que alguma coisa lhe chegue ao coração. Tenho a certeza que sim…)

imagem@weheartit

Fui durante treze anos a irmã mais nova. Depois, passei a ser a irmã do meio, a posição privilegiada que tem a função de aprender mas também de ensinar em igual proporção, a única que pode dizer que tem irmãos mais novos e irmãos mais velhos!

De certa forma é como se já nem me lembrasse da fase em que não havia a minha irmã.

Foi com ela que aprendi que os bebés sorriem antes mesmo de terem dentes.

Foi a ela que ensinei a dançar em cima da cama.

Foi a ela que pedi vezes sem conta que me deixasse dormir mais um bocadinho. Ou que parasse de cantar para eu conseguir estudar.

Foram as lágrimas dela as que primeiro limpei, dizendo que ia correr tudo bem.

Foi a ela que ensinei muito rapidamente a pôr a mesa para me poupar essa tarefa.

Foi a ela que ajudei a fazer os trabalhos de casa.

Foi com ela que voltei a brincar com bonecas.

Foi com ela que passei “vergonhas” em sítios públicos quando dizia bem alto que tinha de ir à casa de banho.

Foi a ela que expliquei que os seus avós não eram meus avós, apesar de os outros avós serem avós de ambas.

Foi com ela que dormi as melhores sestas da minha vida.

Foi a ela que pintei as unhas de transparente com brilhantes – mas só para usar no fim-de-semana porque na escola não podia.

Foi nas festas da escola dela que me emocionei como se fosse minha filha.

Foi a ela que vi crescer e ter um discurso mais adulto que muita gente que conheço.

Foi dela que tive sempre o maior orgulho pela sua cabeça, pelo seu coração.

É com ela que falo de assuntos sérios, mesmo com os nossos treze anos de diferença.

É a ela que gosto de ouvir para perceber como algumas coisas são realmente diferentes das “do meu tempo” mas também como algumas coisas nunca mudam.

É a ela que digo para ter juízo.

Para respeitar os pais.

Para estudar.

Para ligar.

Para ler.

A quem empresto maquilhagem. E roupa.

É com ela que falo de músicas e de filmes. Que recomendo livros.

É a ela que vejo ser uma tia paciente, brincalhona, presente, divertida e adorada.

É com ela que me preocupo mais, enquanto a minha própria filha não cresce.

De quem espero receber uma mensagem quando sai à noite.

Que odeio ver com um coração partido. De quem me orgulho por seguir em frente com a cabeça erguida.

Que pede desculpa por esta semana não vir cá a casa.

Que é uma das melhores amigas que existem. E a minha melhor também.

Que tem uma memória de minhoca para muitas coisas, mas não se esquece das principais.

Que é a melhor companheira de férias.

A minha irmã mais nova é linda por fora e por dentro.

Foi o melhor presente que recebi na vida porque me ensinou a amar verdadeiramente. Porque é um presente que está na minha vida sempre. E para sempre.

E que sortuda sou por ser a irmã do meio!

Escrevi sobre o tema quando as minhas filhas tinham uns 8 meses, agora com quase 2 anos o sentimento é o mesmo…queria ter mais um par de braços para as ter ao meu colo ao mesmo tempo.

Duas para uma… Injusto! Sinto-me com o coração em pedacinhos quando estou com uma ao colo e vejo a outra com o olhar de “gato das botas” a pedir colinho também.

Quando estamos os dois papás em casa é fácil, justo, e tão simples! Vai uma para cada colo, e surge instantaneamente um sorriso no rosto dos 4. Todos rimos, todos nos desmanchamos em gargalhadas fáceis. Mas quando está apenas um de nós é tão difícil! E parece tão injusto.

Já com a comida é igual, e pior mesmo é quando choram ao mesmo tempo. Também vos acontece a vós, mães e pais de gémeos?

Mas como temos de ser práticos, temos de inventar soluções. Com a questão do colo, normalmente coloco as duas juntas na cama, sofá ou mesmo no tapete e brinco com elas ao mesmo tempo, adiando o tão bom e aconchegante colinho para mais tarde, para quando o papá estiver em casa. Com a comida, a minha solução é dar às duas ao mesmo tempo e tem resultado bem, excepto quando estão com horários desencontrados pois nem sempre acordam, ou comem ao mesmo tempo. Quando assim é, demoro o dobro do tempo para tudo. Por vezes dou por mim a pensar que estou a trabalhar numa fábrica de montagem em série!

Quando choram ao mesmo tempo, sinceramente ja tive vontade de chorar e de fugir. Houve mesmo momentos que chorámos as três! Já me senti em pânico de não saber o que fazer, principalmente nos primeiros meses, mas agora é mais fácil. O truque é distraí-las 😉

Depois também vêm aquelas dúvidas parvas no final do dia, será que dei mais atenção a uma que a outra? Será que devia ter dado mais colo a uma delas? Isto atormenta-me todos os dias.

Para além de tudo isto, sinto ainda uma tristeza grande, por não poderem dormir juntas, pois uma acorda a outra e vice-versa. Por vezes tenho de adormece-las até em divisões da casa diferentes. Mas penso que tudo isto faz parte das rotinas de criar duas gémeas… 😉 Mas há dias em que dormem juntas porque elas têm essa necessidade e ainda há dias em que dormimos todos juntos, costumamos chamar a isso um acampamento familiar.

É difícil de gerir o cuidar por igual de uma e outra e de lhes dar o mesmo, mas de uma coisa tenho a certeza, o Amor que sinto pelas duas é igual!

Sem dúvida é bastante difícil ser pais de gémeos de primeira viagem e com poucas ajudas, mas o mais difícil sem duvida é poder dar colo as duas ao mesmo tempo, é ir busca-las a escola e enquanto coloco uma no carro a outra foge e o meu coração para de medo, é chorarem ao mesmo tempo e não conseguir consola-las as duas, é as horas que demoro para adormecer as duas quando estou sozinha, é o acordarem-se uma a hora ao meio da noite e começarem a brincar e já não quererem dormir, é o deitarem a comida, pratos e talheres para o chão na brincadeira, é as birras a dobrar, e tantas coisas faltam por dizer… é difícil mas tem sido a melhor aventura da minha vida. Amor a dobrar e ao mesmo tempo, e o melhor de tudo a cumplicidade entre elas…enche-me o coração.

Apenas para terminar, e em tom de desabafo, os pais de gémeos podiam ter mais um par de braços não acham??? 😉

Muito se tem falado e escrito sobre a relação pais-filhos, no entanto, pouco ainda se sabe e se estudou, até ao momento, sobre as relações entre irmãos e nomeadamente sobre a influência dos mais velhos no crescimento e desenvolvimento físico e psíquico dos mais novos.

Será que existe uma influência? Qual será o papel dos irmãos mais velhos no crescimento dos irmãos mais novos? Em que se manifesta esta influência? É uma influência positiva ou negativa?

As relações dos irmãos são marcadas por vínculos e emoções fortes, como a amizade, a cumplicidade e/ou zangas e rivalidades. Estas relações são marcadas por diferenças individuais de personalidade e pela diferença de idades. Sendo reguladas e mediadas pelos pais, principais modelos de referência e a quem cabe o importante papel da educação, as relações entre irmãos, parecem constituir um lugar protegido e seguro, para aprender a interagir com outras crianças, aprender formas construtivas de resolver desacordos e problemas e a regular emoções positivas e negativas.

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Os irmãos mais velhos, são muitas vezes cuidadores, figuras de suporte e amigos e as relações que estabelecem com os irmãos mais novos, são mediadas pela socialização, por comportamentos de ajuda em diferentes tipos de tarefas, por actividades de cooperação e por brincadeiras e desafios que proporcionam o desenvolvimento cognitivo, social, emocional e físico.

Assim, embora muitas vezes estas relações, sejam verdadeiros desafios e por vezes, verdadeiros testes à paciência dos pais, estes devem proporcionar, desde o início, uma relação favorável entre irmãos, devendo estimular a relação, o respeito mútuo, a cooperação e a habilidade para resolver problemas.

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Termino, com o testemunho de 3 mães e também irmãs:

Carolina, 32 anos. | Irmã de dois rapazes  | Mãe de uma rapariga e de dois rapazes
“Os irmãos mais velhos “puxam” pelos mais novos. São modelos, são heróis, são mais fortes e mais capazes aos olhos dos mais novos.
Os mais novos seguem os mais velhos, vão atrás deles para brincar, seguem-nos com o olhar e correm para os apanhar, mas também lhes “roubam” os brinquedos e destroem as construções de legos.
Os irmãos são companheiros inseparáveis mas por vezes querem mesmo estar separados:)
A Leonor que é a mais velha diz muitas vezes que não quer os rapazes no quarto dela porque desarrumam tudo, mas outras vezes quer partilhar brincadeiras com o mais novo e tem paciência para emprestar brinquedos e dar-lhe sugestões de brincadeiras: “Olha leva os copinhos da Nô e faz um chá…”.
E também pede ao do meio para brincar com ela. Nesta fase em que estamos, a Leonor e o Miguel brincam mais juntos e o Francisco assalta as brincadeiras deles ou vai andando pela casa atrás da mãe:)
Os mais velhos podem ajudar os mais novos a superar dificuldades ou a desmistificar algum medo”.

Sofia, 30 anos. | Irmã de duas gémeas. | Mãe de três raparigas.
“Ter irmãos é o melhor do mundo! Crescer numa casa cheia ajuda-nos a aprender a viver com pessoas com feitios diferentes e até gostos! Há sempre alguém para brincar, para partilhar, para aprender ou ensinar, para emprestar coisas, para ajudar, para embirrar, para defender, para chatear, para dormir agarradinhos, para cantar em coro, para ter cumplicidades imensas… Ter segredos que os pais não podem saber! Ter irmãos é partilhar uma vida, uma casa e dividir as melhores memórias da infância!”

Margarida, 33 anos. | Irmã de dois rapazes. | Mãe de um rapaz e duas raparigas.
“Ter irmãos-mais-velhos…
Para além de ser o melhor presente que os Pais podem dar aos seus filhos, ter irmãos (ou irmãs) mais velhos é ter sempre, e para sempre, com quem partilhar – alegrias e tristezas, brincadeiras e birras, saltos na cama e quedas de bicicleta, bolachas e brócolos! Contas feitas, os nossos irmãos (mais velhos ou mais novos) são os nosso primeiros melhores-amigos e aqueles que nos ensinam o que é o Amor”.

Afinal como diz o filósofo Agostinho da Silva:

Ninguém reprovará o seu irmão por ele ser o que é; mas com paciência e persistência, com inteligência e com amor; procurará levá-lo ao nível mais alto”

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A importância de ter irmãos mais velhos! ? #uptohappykids www.uptokids.pt

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Férias são sempre férias e são sempre muito esperadas e muito bem-vindas. As nossas foram igualmente aguardadas e planeadas com algum tempo, pois a logística a 4 é diferente do que a dois.

Mas antes das aguardadas férias a 4, tirámos férias a dois. Sou apologista de que os pais precisam de férias dos filhos e os filhos dos pais, o marido da mulher e vice-versa. É importante fugir a rotina, sentir aquela saudade boa, ganhar independência e ganhar ânimo e ainda mais amor e valor à família que se tem.

Fomos 4 dias para a Madeira sozinhos e deixamos as meninas com os avós e com a tia, não podiam ficar melhor e fomos descansados. Importante deixar os filhos com quem sabemos que ficam felizes e bem cuidados. Foram poucos dias, pois a saudade também não deixava mais, mas deu para namorar, um bem precioso numa relação e por vezes tão esquecido quando se tem filhos. Deu para passear e acima de tudo para descansar e dormir. Quando regressamos estávamos cheios de saudades e ainda com muito mais amor e energia para lhes dar. Carregamos a nossa bateria de energia e de Amor, não é fácil cuidar de gémeos sem grandes ajudas por perto, os meus pais estão a 385 Km e os do meu marido a 50Km. Já sonhava com estes dias de descanso.

Depois veio as férias do mimo a quatro. Fomos em rumo a casa dos avós, uma vez que estamos longe aproveitamos para estar com eles e também de alguma forma nos ajudarem.

A Logística é terrível, tudo a duplicar (roupa, fraldas, cadeiras do automóvel, cadeiras de alimentação, carros, brinquedos, etc.). A viagem difícil e longa, mas fomos após o almoço e dormiram quase o caminho inteiro. As rotinas alteram, por muito que possamos tentar mantê-las, há sempre mais pessoas, ambiente diferente, casa, cama tudo diferente e o sono, alimentação e padrão intestinal fica logo tudo alterado. Os mimos dos avôs, tão bom mas depois acabam por fazer birra connosco. O tempo estava terrível, saíram pouco à rua mas quando saíram queriam correr até mais não. Fase das descobertas e testar os limites, é terrível mas muito emocionante para todos.

Podemos dizer que foi mais um mudar de ares que propriamente férias. Mas a parte boa foi o poder estar com elas sempre, passar o dia com mimos, poder ensinar-lhes e mostrar-lhes coisas novas, observa-las e tentar compreende-las com o tempo que lhes é devido, sem pressas, sem regras… afinal são férias.

Alguns conselhos para férias quando se tem filhos, principalmente gémeos:

– Tirem uns dias de férias dos seus filhos;

– Namorem muito;

– Durmam bem e alimentem-se bem;

– Relaxem e não stressem, lembrem-se que estão de férias;

– Planeiem as férias com antecedência;

– Vão para locais que consigam descansar por curtos períodos;

– Fujam um pouco à rotina, as crianças também precisam de um pouco de aventura;

– Mimem os vossos filhos;

– Dêem-lhes tempo, observem-nos e ensinem-nos a conhecer e a explorar o mundo;

– Durmam pelo menos uma vez todos juntos;

– Brinquem muito.

Se no fim das férias se sentirem cansados…é normal.
As crianças têm mais energia que nós e nós que o digamos.

Segundo filho

Ter um segundo filho nunca foi para mim uma ideia clara ou que sempre tivesse tido em mente.

Fazendo agora com distanciamento uma reflexão, pesou para isso o facto da primeira experiência não ter sido a mais simpática.

Fui mãe de um menino perfeito e fantástico, mas tive que superar a adversidade de ver um primeiro filho a ser operado com 7 meses, com uma cirurgia com alguma complexidade e que obrigou a um internamento hospital de 9 dias. Fora os milhentos exames a que teve que ser submetido desde que nasceu, que são difíceis para um adulto, quanto mais para um bebé de meses e uma mãe de primeira viagem.

Isto são coisas que se registam no coração de mãe e que o marcam. Na hora de pensar em ter novamente um bebe, fazem-nos oscilar, recuar e acima de tudo recear passar por tudo novamente.

Passados 4 anos e qualquer coisa, as coisas começam a resfriar e as memórias menos boas vão voando. Por isso, foi com grande entusiasmo que decidimos que queríamos tentar ter outro filho.

Foi uma segunda gravidez muito desejada, planeada e também muito diferente. Costumo dizer que há situações onde a ignorância é uma grande vantagem e confirmo isso mesmo em relação à gravidez. Quando há desconhecimento, não há medos. O que me fez consideravelmente uma grávida muito mais ansiosa e inquieta na segunda gravidez.

Pelo contrário, os momentos do parto e de ter um recém-nascido nos braços são momentos vividos com muito mais calma, serenidade e muito mais aproveitados na segunda experiência. Reviver todas essas emoções é maravilhoso, com a sabedoria de mãe a acalmar todo o novo universo de sentimentos que temos pela frente.

Há contudo uma grande angústia que nunca tinha sentido: necessidade de repartir o meu tempo com dois filhos. Até aqui o meu coração de mãe fazia o melhor pelo seu filho, o seu único filho. Agora eram dois! E necessitei de aprender a duplicar as atenções, os carinhos, o tempo, a paciência… Mas o que mais custou mesmo foi perceber que nem sempre a escolha é fácil, que o melhor para um pode não significar o melhor para o outro.

Há muitas situações que temos que optar pelo benefício de um dos nossos filhos e isso foi o sentimento mais difícil com que me deparei e que aprendi. Acho mesmo que ainda estou nessa aprendizagem como mãe e que são muitas as situações em que fico cheia de dúvidas sobre o que fazer.

Acho que fui uma “segunda” mãe mais descontraída, mais solta, com mais confiança e segura do que fazer. Isso é um grande benefício e tenho para mim que se reflecte na serenidade do bebe. Cada vez mais acredito que a nossa insegurança e os nossos medos passam para os nossos filhos e têm reflexos no seu comportamento desde muito cedo. Um colo de mãe experiente faz milagres (menos na parte do banho, onde não consegui superar a insegurança de dar banho a um recém-nascido, nem no segundo! Mas isso são outros quinhentos…).

Uma outra coisa que o segundo filho ensina é que não há fórmulas mágicas para nada. Nem teorias para educar, ensinar a dormir, brincar, hábitos alimentares… Nada. Não há crianças iguais e o que resultou com o primeiro pode não resultar com o segundo.

Aprendi que o que eu achava ter sido fruto da nossa instrução e ensinamentos como pais, afinal não é bem assim… Ou melhor, não é só isso que conta, que pode ter efeito num caso e no outro, zero. Achava que os bebes vinham com ausência de temperamento e que apenas adquiriam o que nós lhes transmitíamos, mas não podia estar mais equivocada. Há coisas que estão lá com eles, desde sempre. Há personalidades, há tendências, há gostos, há comportamentos.

É encantador ver as diferenças dos nossos filhos, pensar que dois seres com a mesma origem e com a mesma educação de base, reagem de forma tão distinta a situações semelhantes. Talvez pense que a educação em si é igual, mas analisando bem o tema, reconheço que o segundo filho terá sempre a influência de uma realidade que o primeiro não teve – um irmão desde sempre. Tenho que admitir que isso por si só faz com que o ambiente seja desigual e que a educação do segundo filho é altamente condicionada por ter um mano mais velho. A partilha, a atenção em regime de não exclusividade, as influências, gostos e brincadeiras do mano, são algumas das circunstâncias com as quais teve sempre que conviver.

Tenho noção que nós como pais vivemos todo o crescimento dos nossos filhos de forma muito distinta. No primeiro estamos sempre impacientes com a chegada da próxima etapa, dos dentes, da sopa, do andar, do falar, de mudar a cama de grades, da entrada na escola.

No segundo filho só quero que o relógio pare e que cada fase dele dure muito e muito mais. Não estive/estou desejosa que tenha dentes, que corra, muito menos que fale correctamente (porque adoro as palavras ditas à bebé) ou que mude de cama, porque tudo isso significa que está a crescer com muita pressa e que mais brevemente do que desejo já não é o meu bebé.

Na verdade é mentira, os dois, por mais crescidos que sejam, serão para sempre os meus bebés… Mas que dá saudades do tempo em que os tinha no meu colo, protegidos, só para mim, lá isso dá. E isso é igual para o primeiro ou segundo filho.

E há mais uma coisa mágica em ter dois filhos… Assistir à felicidade de um com o outro. Não há nada nem ninguém que faça sorrir um bebé como o mano mais velho.

Melhor que ter um filho, só mesmo dois (ou mais…)

 

Por GQ, do blog mãesquemuitas
Sugerido para Up To Kids®

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Escrevo-te hoje para que não esqueças aquilo de que tento lembrar-te dia após dia.

És mais bonita do que consegues ver ou acreditar.

Não imaginas como foi uma boa decisão não fazeres aquelas madeixas no cabelo. O teu é naturalmente bonito e tem uma cor que ainda não conseguiram imitar.

Ouve tudo o que te dizem, mas valoriza só o que vale mesmo a pena. Os comentários negativos e as críticas servem para que vejamos as coisas numa outra perspectiva (nem sempre a mais correcta, mas diferente) e acabemos por reflectir. Mudar está nas tuas mãos. Mas fá-lo apenas por ti, por acreditares que é o melhor ou porque sentes que deves fazê-lo.

Estuda. Procura conhecimento, investiga os assuntos que te despertam mais curiosidade. Em relação àqueles que não gostas tanto não há milagres: estuda!

Ouve o teu coração e deixa-te levar por ele. Não deixes de ouvir o teu cérebro, deixa-o ajudar-te a tomar decisões mas não te impeças de ser feliz por teres medo.

O medo, pois… Faz parte e é bom. Mesmo quando é mau. Aprende a viver  com ele, a ler os sinais e a contornar os que te forem possíveis.

Lê bastante. Conhece novos estilos, novas palavras, novas histórias.

Sublinha as passagens preferidas nos teus livros. Anos mais tarde vais deliciar-te com o que te encantou agora.

Devolve o que te emprestam.

Conhece-te. Respeita-te. Desculpa-te.

Ri tanto que acabes sem saber o que te dói mais, se as bochechas se a barriga.

Rodeia-te de pessoas positivas.

Tens um coração do tamanho do mundo e uma maturidade de fazer inveja a muitos adultos, mas não te esqueças que tens apenas dezasseis anos. Vive-os em pleno.

Muitas vezes complicamos o que é simples, preferimos não ver a verdade e deixamo-nos encantar com a mentira. Escolhemos o caminho mais fácil, cometemos erros que são fáceis de evitar, ultrapassamos os limites que nos impomos. Faz parte. Não deixes que seja a norma, permite que seja a excepção.

Sê feliz. Está nas tuas mãos (e não nas de mais ninguém, é uma lição que não deves esquecer nunca) e é algo que se treina.

Há alturas em que te vais sentir incompreendida. Na verdade, se pensares bem, também serão essas as alturas em que te compreendes pouco. Dá tempo ao tempo, tem calma.

Mantém os teus amigos. Não percas nenhum por uma parvoíce e não andes acompanhada por quem não te faz ou quer bem. Quantidade não é qualidade.

Espera (uns bons anos) para fazer a tatuagem com que sonhas. Vai valer a pena a espera e vais estar mais certa sobre o que queres marcar no teu corpo.

E se ainda faz sentido fazê-lo.

Dança muito. Vais olhar para trás e desejar ter dançado mais quando tinhas mais tempo.

Liga aos teus avós. Diz-lhes que tens saudades deles. Não vão estar cá para sempre.

Ouve o pai e a mãe mesmo quando o pai e a mãe são as últimas pessoas que queres ouvir. Não há mais ninguém no mundo que queira fazer o bem por ti como eles. Aprende com eles. Dá valor aos momentos em família.

Procura menos defeitos nas tuas fotografias. Todos temos características, as câmaras têm tendência para as captar mas, se estiveres disponível para isso, mostram muitas coisas em que não tínhamos reparado.

Dorme mais. Eu sei que parece que a vida não espera e que dormir é desperdiçar horas importantes, mas se estiveres cansada a vida vai passar  mais facilmente por ti.

Não gastes a palavra “amo-te”, é demasiado importante para ser banalizada.

Guarda-a para quem a merecer verdadeiramente – quando essa pessoa estiver diante de ti vais saber.

O que as tuas amigas dizem em relação aos rapazes por quem te apaixonas assim que os conhecem é muitas vezes aquilo de que tendemos a esquecer-nos durante o tempo em que estamos com eles. No final normalmente as nossas amigas têm razão.

Nenhum coração partido dura para sempre.

Vive um dia de cada vez. Sofrer por antecipação nunca resolveu nada.

Sonha muito. Nunca deixes de sonhar. Deixa que os teus sonhos te comandem.

Poupa dinheiro.

Aprende a perdoar.

Tenta coisas novas.

Testa os teus limites.

Diz às pessoas importantes para ti o que elas significam.

Aproveita bem o tempo de escola – vais sentir tantas saudades!

Dá a tua opinião sincera e quando não tiveres nada de bom a acrescentar a uma conversa, aprende a manter o silêncio. Parece cliché mas ajuda a evitar muitas discussões desnecessárias.

Trata toda a gente bem e com respeito.

Gosta de ti.

Em caso de dúvida liga-me. Vou ajudar-te a decidir.

Foi comigo que deste os primeiros passos, naquelas férias em Barcelona. Eras uma bonequinha de bochechas rechonchudas, olhos gigantes e sardas deliciosas. Quando olho para ti hoje, mais de quinze anos depois, é com orgulho que te vejo dar outros primeiros passos. Estava contigo nesse dia e continuo aqui.

Não te esqueças: sê feliz.

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Há irmãos que fazem os pais pensar: onde é que estávamos com a cabeça? Os que deixam os pais sempre a pensar: temos mais um?

Irmãos.

Há os “olha que eu vou dizer à mãe!” e os “é um segredo só nosso!”.

Há os que são tão próximos que parecem siameses e os independentes que preferem outros companheiros de brincadeira.

Há os protectores e os que acham que os irmãos se devem fazer à vida.

Há os que levam os irmãos nas saídas à noite por imposição dos pais e os que fazem parte do grupo desde sempre.

Há os irmãos fascinados com os mais novos e os admiradores máximos dos mais velhos.

Há irmãos que são tão parecidos que parecem feitos por encomenda.

Há os que só sabemos que são irmãos porque chamam pai e mãe às mesmas pessoas.

Há os que só têm um pai ou uma mãe em comum.

Há os que ligam dia sim dia não e os que ligam só no aniversário.

Há os irmãos que compram presentes em conjunto e os que dividem a conta sem saber muito bem o que vão oferecer.

Há os irmãos que morrem de saudades uns dos outros e os que preferiam ter mais oportunidades para sentir saudades.

Há os que se davam bem em pequenos e em grandes mal sabem da vida uns dos outros. Os que cresceram e mal se lembram de se ter dado mal.

Há irmãos que foram pedidos como presentes de Natal e outros que entraram na vida sem aviso.

Há irmãos que falam uma língua própria, para quem a mãe é a mulher mais bonita do mundo e o pai o companheiro mais fixe de sempre.

Há irmãos que dão “calduços” aos amigos quando estes começam a reparar na irmã mais nova.

Há irmãos que não têm oportunidade de crescer juntos.

Há os que vivem juntos e nem se apercebem da bênção que isso significa.

Há irmãos que ajudam e irmãos que culpam os outros por terem partido a jarra favorita da avó.

Há irmãos que fazem os pais pensar: onde é que estávamos com a cabeça? Os que deixam os pais sempre a pensar: temos mais um?

Há os que sentem que os outros é que são os preferidos. Há os que se aproveitam, por achar que são eles os preferidos.

Há irmãos que são tratados como se fossem de cristal enquanto aos mais velhos é dito que têm de ser mais pacientes, mais compreensivos, mais calmos.

Há irmãos que se tratam por manos.

irmãos que vivem em total harmonia.

Há irmãos que são mais que irmãos: são amigos.

Há irmãos que fazem inveja aos filhos únicos. Há os que fazem os filhos únicos sentir que ainda bem que estão sozinhos.

Há irmãos de todos os géneros, como todas as famílias, todas as dinâmicas, todas as vivências.

Eu tenho dois irmãos. Fui irmã mais nova durante treze anos e já me sentia crescida quando passei a ser irmã do meio. Acredito que sem eles seria uma pessoa completamente diferente.

Não sei se a minha filha vai ter irmãos, mas se isso acontecer tudo farei para que se sintam igualmente amados, desejados e capazes. Muitas vezes os pais falham (por não conseguirem fazer melhor, por falta de tempo, de sensibilidade, etc), cedem perante as responsabilidades, tomam más decisões, influenciam o futuro dos filhos.

Ser pai é o “trabalho” mais duro do mundo.

Mas não nos esqueçamos que é também o mais compensador.

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