Faltar para Estudar

Nas minhas aulas de Aikido para crianças, a justificação mais frequentemente apresentada para o absentismo é de longe a necessidade de ficar em casa a estudar para um teste ou exame da escola. Dou aulas a crianças com idades entre os 6 e os 14 anos, idade a partir da qual passam a integrar as classes de adultos, e a criança mais nova a dar-me esta justificação tinha 8 anos.
Confesso que não consigo deixar de ficar perplexo por uma criança desta idade, inteligente e saudável, me dizer que tem que faltar a uma semana de Aikido — no caso foi o que aconteceu — porque tem testes na escola. Que matérias são pedidas na escola do meu aluno de 8 anos que justifiquem que este precise de abdicar de duas horas semanais de uma actividade física e mentalmente estimulante para obter boas notas? Não consigo imaginar. Um outro aluno, de 12 anos, disse-me um dia ao conversarmos no fim da aula: “Os meus pais obrigam-me a estudar duas horas por dia, todos os dias. Só no dia de Natal me deixam não estudar e o que eu acho estranho é que as minhas notas são positivas mas não são muito boas!”

Mesmo partindo do princípio de que os programas escolares possam em alguns casos ser demasiado exigentes, estou convencido de que estes casos são acima de tudo fruto de uma pressão cultural e do ambiente em que habita cada criança.

Pressão da família, da própria escola, por vezes dos amigos.

O clima de competitividade exacerbada em que vivemos será talvez o principal motor deste fenómeno, mas também o medo dos pais de um futuro incerto para os filhos pode aqui ter o seu papel. O medo de uma vida exposta aos perigos da rua, mas também de um tempo que virá em que os mecanismos de solidariedade do Estado se prevêem quase inexistentes, leva a que muitos vejam a competência nos estudos como a melhor garantia de uma idade adulta descansada.

Também a visão tipicamente ocidental do ser humano enquanto tal — uma separação clara entre corpo e mente, carnal e espiritual — contribui para este quadro. Caricaturando um pouco, é como se se considerasse que dentro de cada ser habitam duas entidades, uma regida pelo coração e outra pelo cérebro, sendo que aquela à qual é dado real valor, é a segunda. Considero esta concepção do Homem não só errada mas também perniciosa e, mesmo, filosoficamente insustentável. Nunca ouvi ninguém dizer que tinha mais amor pelo seu cérebro do que pelo coração, é certo, mas é assim que como sociedade, mesmo que de tal não nos demos conta, agimos.

Temos finalmente a evidente sub-valorização das actividades ditas físicas ou de educação física (sendo que o Aikido não é puramente nem uma nem outra) quando confrontadas com as restantes actividades académicas. A nossa sociedade coloca no topo de uma hierarquia implicitamente aceite as disciplinas das ciências e engenharias; dá um segundo lugar às humanidades; situa as artes abaixo das duas anteriores e, no fim da tabela, surgem as actividades físicas. É um sistema valorativo que tem tanto de cultural como de injusto e mesmo injustificado.

Que futuro desejamos para os nossos filhos?

À pergunta “que futuro deseja para o seu filho?”  Será muito mais provável ouvir-se respostas como “gostava que fosse médico” ou engenheiro, do que “gostava que fosse um ser humano apto para a vida”. Mesmo quem diz apenas “eu quero que ele seja feliz”, não está a grande maioria das vezes, quase de certeza, a equacionar a hipótese de o filho vir a ser profissional de Andebol ou técnico de jardinagem. E no entanto, se pensarmos bem, não há nada que nos permita relacionar directamente o grau de felicidade com os estudos que se tem. Projectar o futuro é humano e inevitável; perceber que aquilo que projectamos, mais ainda se o projectamos em função de terceiros, pode não acontecer, é desejável.

Chegado a este ponto, é preciso deixar claro que não falo neste texto de casos com necessidades específicas, sejam elas quais forem. Refiro-me apenas à grande maioria das crianças que tenho nas minhas aulas e que são em geral saudáveis e provenientes de um ambiente familiar estruturado. Há sempre casos particulares ou excepcionais. Estou convencido, evidentemente, de que uma criança mais bem preparada na escola terá à sua disposição mais ferramentas para a idade adulta; aquilo em que não acredito é que uma criança tenha um melhor desempenho académico se cortar nas actividades físicas normais para as trocar por horas de secretária. Não tenho dúvida de que há muito por onde cortar no dia-a-dia de grande parte das nossas crianças, antes de chegar às actividades físicas.

Acresce ao até agora dito, que tudo o que tenho consultado sobre a matéria é consensual no que diz respeito aos efeitos benéficos do exercício físico no desempenho escolar das crianças. A média de uma hora de actividade física diária surge, frequentemente, como desejável para que se façam sentir os seus efeitos nos resultados académicos (e na saúde em geral, embora não caiba aqui tratar esta matéria).

Os benefícios mais referidos de uma actividade física regular nos moldes acima descritos, são:

  • Maior oxigenação das células do cérebro, nomeadamente das implicadas nos processos de aprendizagem, por via de um aumento do fluxo sanguíneo a este órgão;
  • Aumento da produção das hormonas úteis no combate ao stress e para uma melhoria da disposição geral;
  • Maior capacidade de concentração.

Outro benefício geralmente referido, não directamente relacionado com questões de saúde, é o do papel da aprendizagem de regras em ambiente desportivo num melhor desempenho social das crianças (no caso do Aikido, não sendo embora um desporto, o conceito aplica-se plenamente). Um exemplo disto será a melhoria do comportamento verificado nas salas de aula.

As escolas têm, claro, uma oferta desportiva própria. Não só a incluída nos horários regulares, mas também a que algumas já hoje oferecem como actividades extra curriculares e que vão do Judo à Canoagem. Acontece que é tudo ainda muito insuficiente. A carga horária semanal da disciplina de Educação Física, variando conforme o ano, não andará muito longe das duas horas, duas horas e meia. Os intervalos não chegam para compensar e grande parte dos edifícios escolares não tem sequer boas condições para que tal pudesse acontecer. É por isso fundamental que as crianças complementem a sua actividade com disciplinas fora do horário académico, sejam elas na própria escola ou fora dela.

Não falei aqui, deliberadamente, dos benefícios próprios do Aikido. Fi-lo porque já escrevi sobre isso noutros locais e porque pretendo que este artigo sirva fundamentalmente para chamar a atenção dos pais para o erro que penso ser cortar nas actividades físicas dos mais novos a favor de muito pouco em estudo para testes ou exames. Não sendo um profissional de saúde infantil, estou profundamente convencido de que uma criança plenamente formada física e mentalmente é a condição essencial para um adulto apto para a vida. Cortar num dos factores será prejudicar o seu futuro.
A chave estará antes numa boa organização do tempo que, apesar da vida complicada dos nossos dias, estou convencido ser possível.

 

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A música é considerada a linguagem universal, um meio de comunicação em todo o mundo e  entre todas as pessoas. Mas nada é tão importante como o papel que desempenha no  desenvolvimento do ser humano…
Desde o nascimento, que os pais instintivamente se ligam aos filhos através da música:  adormecem e acalmam as crianças com canções de embalar, brincam e interagem com canções e rimas divertidas. No entanto, se os pais souberem o impacto da música no desenvolvimento psicológico dos seus filhos, poderão estar mais atentos e trazer mais activamente a Música para o seu dia-a-dia.
Quando é que a criança começa a ouvir?
A audição é um dos primeiros sentidos a desenvolver-se: o bebé começa a ouvir por volta dos 5 meses, na barriga da mãe. Nessa altura, a mãe poderá começar a ouvir música clássica ou relaxante e também cantar para o seu bebé, de forma a que ele reconheça a sua voz e as músicas que o vão embalar mais tarde.
Quais os benefícios da música para o desenvolvimento da criança?
Diversos cientistas, investigadores, neurologistas e psicólogos têm-se debruçado sobre o papel da música no desenvolvimento da criança a vários níveis.

Desenvolvimento Cognitivo

Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes épocas, particularmente nas décadas finais do século XX, confirmam que a influência da música no desenvolvimento da criança é incontestável. Algumas delas demonstraram que o bebé, ainda no útero materno, desenvolve reacções a estímulos sonoros.
Diversos estudos demonstram que existe uma forte correlação entre a aprendizagem da  música e o desempenho académico. Tocar um instrumento, ter aulas de música ou ainda apreciar de forma activa a música, potencia a aprendizagem cognitiva, particularmente no campo do raciocínio lógico, da memória, do espaço e do raciocínio abstrato. Ao nível cerebral e do desenvolvimento neurológico, as recentes investigações sugerem que a música expande os canais neuronais e potencia a ligação entre os dois hemisférios cerebrais.

Ler também A Importância da Música na Aprendizagem de uma Língua 

Desenvolvimento Sócio-Emocional
Pesquisas comprovam algo que muitos pais e educadores já imaginavam: os bebés tendem a permanecer mais calmos quando expostos a uma melodia serena e, dependendo da aceleração do andamento da música, ficam mais alertas.
Quando a criança estuda música em conjunto, torna-se mais comunicativa e convive com regras de socialização. A criança aprende a respeitar o tempo e a vontade do próximo; a criticar de forma construtiva; a ter disciplina; a ouvir e interagir com o grupo.
É através do repertório musical que a criança se inicia como membro de determinado grupo social, desenvolvendo a sua identidade cultural e o sentido das regras e valores da sua sociedade em que se insere.

Desenvolvimento Motor
Através do movimento e da dança ao som da música, assim como através da aprendizagem de um instrumento musical, a criança desenvolve a sua motricidade grossa e fina, respectivamente.
Em suma, a Música tem um papel fundamental na vida do Homem e, mais especificamente, no desenvolvimento da criança.
Incentive o gosto pela música, oiça boa música com o seu filho e tudo isto desde muito cedo, de forma informal e descontraída.
No sentido de beneficiar mais profundamente da música, em vários níveis de desenvolvimento, aconselha-se a aprendizagem mais formal da música, através de aulas e estudo de um ou vários instrumentos musicais.

Termino com uma citação de Aristótles “A música torna os corações dos homens felizes: então, e apenas com base nisso, poderíamos assumir que os mais novos deveriam ser treinados para isso.”
Sara Gonçalves, Psicóloga – Oficina de Psicologia,
para Up To Lisbon Kids®

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Hoje decidi escrever sobre a importância da prática de Meditação para as nossas crianças. Antes de começar, dei por mim a olhar para a minha própria família e a pensar no nosso dia-a-dia.  Igual a tantos outros, o nosso dia começa… a correr!

As crianças acordam a correr, lavam-se a correr, vestem-se a correr, comem a correr e saem para a escola a correr.

Na escola aprendem a correr pois o currículo assim o obriga. Brincam a correr porque os intervalos são curtos. Fazem os deveres a correr para terem um tempo livre para eles. Almoçam a correr para terem mais tempo para brincar no intervalo grande.

Quando toca para a saída, a correria é para ir para a música, para a natação, para o karaté ou para o centro de estudos. Já estoirados e sem compreender para onde correu o dia, vão para casa a correr para tomar banho,  fazer os trabalhos de casa, jantar, correr para a cama e adormecer rapidamente, pois o dia seguinte aproxima-se a correr.

Mas, afinal, andamos a correr para onde?

Observando esta correria desenfreada, questiono-me: qual o sentido de tudo isto? Para onde corremos nós? Para quê? Para onde obrigamos as nossas crianças a correr? E com que propósito?

Se a vida é para ser desfrutada e bem vivida, porque estamos a ensinar o contrário às nossas crianças? A correr não têm tempo para sentir, nem para observar, nem para questionar ou compreender o que pensam, o que sentem ou fazem. Muitas das nossas crianças sentem-se perdidas, deslocadas, incompreendidas. Muitos pais sentem-se perdidos, confusos, sem soluções para esta correria, com a qual nem sequer concordam!

Quando falo na importância da prática de Meditação para as nossas crianças, falo na importância do tempo. Tempo para parar, para respirar, para reflectir, para sonhar, para questionar, para brincar, para interagir, para olhar para dentro e perguntar “quem sou eu”? “Como sou”? “Do que gosto?” “Como me sinto”? “O que penso sobre tudo o que me rodeia?” “Como me sinto nesta correria que define a minha vida?”

Meditar não significa só estar parado a respira.  As crianças sabem-no e gostam! A brincar mais, ou menos, as crianças sabem que a Meditação ajuda-as a acalmar e a descontrair, sem pressões para correr seja lá para onde for.
Sábias e genuínas, rapidamente reconhecem os benefícios desta modalidade e tornam-se pequenos embaixadores de práticas tão importantes como a respiração consciente ou a verbalização de afirmações positivas.
De um momento para o outro, são as crianças que convidam a família a parar de correr e a começar a viver.

 

A musicoterapia tem como objectivo principal melhorar a qualidade de vida através do desenvolvimentos das capacidades, da reabilitação ou tratamento específico e adequado. No entorno Educativo conseguimo-lo estimulando as capacidades apresentadas por cada indivíduo e potenciando todos os mecanismos funcionais e emocionais que esta oferece.

Salientamos alguns dos benefícios que a musicoterapia pode aportar a esta população de forma genérica:

  • Físicos – preservar ou recuperar praxias, preservar ou aumentar a força, a mobilidade e a coordenação, relaxamento, reabilitar ou manter a motricidade fina, recuperar a marcha ou o andar normal, diminuir as sensações de dor e de cansaço.
  • Socio-emocionais – reconhecer e expressar emoções, melhorar a auto estima, melhorar a interacção social e as habilidades comunicativas, elevar o estado de ânimo, reduzir comportamentos disfuncionais e estados de agitação, potenciar a participação.
  • Cognitivos – estimular a memória e a capacidade de concentração, orientar-se no momento real, preservar de agnosias, facilitar a recuperação da linguagem.

A musicoterapia ajudar a manter ou restabelecer o bem estar físico, emocional, social e espiritual, para além de proporcionar uma ajuda para que as pessoas gozem de uma maior autonomia pessoal, já que aumenta a sensação de controle sobre o seu ambiente familiar/social e sobre a sua situação.

O que compreende um programa de musicoterapia?

Um programa completo poderá ter um alcance muito amplo. No entanto, não existem, ou existem muito poucas instituições no nosso país que tenham implementado ou apostado por este tipo de terapias, mas, e com a oferta e diversidade que já existe, cada vez a sensibilidade é maior.

Perguntas habituais…

Em que consiste uma sessão de musicoterapia?

Nas sessões de musicoterapia e consoante os objectivos terapêuticos pré-determinados, são realizadas várias actividades como:

  • Cantar canções
  • Tocar instrumentos
  • Improvisações vocais e instrumentais
  • Jogos musicais
  • Audições Musicais
  • Movimento e expressão corporal com música
  • Análise de canções
  • Pintura/desenho com música
  • Relaxamento com música

As sessões têm sempre uma estrutura preparada para cada grupo ou pessoa individual em função das suas necessidades, habilidades e capacidades para que resulte sempre uma experiência com êxito e agradável para os intervenientes.

Quem é, e o que é um musicoterapeuta?

Um musicoterapeuta é um profissional com uma vasta experiência e vinculação com a música e está comprometido em utilizá-la com finalidades terapêuticas, para ajudar pessoas com necessidades especiais.

As competências de um musicoterapeuta profissional incluem três âmbitos importantes: musical, clínico e musico-terapêutico.

  • Musical – uso de instrumentos de acompanhamento, domínio da voz, improvisação, direcção de conjuntos, composição, arranjos, conhecimento de uma vasta variedade de repertório e estilos musicais, entre outros, assim como técnicas pedagógicas relacionadas com a Educação musical que permita uma adaptação aos diferentes níveis dos participantes.
  • Clínico – empatia, capacidade de observação, respeito, conhecimento de técnicas de relação de ajuda e psicoterapêuticas em colectivos concretos, avaliação, elaboração e planificação de tratamentos, e comunicação e trabalho em equipa.
  • Musico-terapêutico – conhecimento da psicologia da música, compreensão dos fundamentos teóricos da musicoterapia, conhecimento das diferentes orientações metodológicas, conhecimento de literatura científica sobre a matéria, assim como domínio de técnicas musico-terapêuticas próprias de colectivos específicos.

 

Por Marco Henriques, Musicoterapeuta,na How To…
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Será mesmo?!

Se é daqueles que considera que o Património é algo velho, sem graça, cheio de pó ou inacessível, guardado em redomas de vidro e que poucos o conseguirão entender, muito menos os seus filhos, desengane-se!

O Património está cada vez mais vivo, através de um conjunto de acções que reforçam o seu potencial histórico e educativo. Seja para crianças, adultos ou famílias, é possível visitar o melhor do nosso Património de uma forma extremamente lúdica, onde o prazer se alia ao ócio, onde se cumpre a missão de cada entidade que gere esse bem patrimonial, isto é, conhecer para preservar.

Mas será assim tão importante levar os mais novos a conhecer o Património?

Nós acreditamos que sim. Nós sabemos que sim. Criando esta aproximação ao Património, as crianças crescem com valores de protecção e salvaguarda de um bem que é delas. Conhecer é também compreender; é fazer a ponte com tudo o que aprendem na Escola, sustentando o conhecimento que aí adquirem. É também fazer a ponte com o presente e com o futuro, projectando-se na salvaguarda da sua própria história.

O Património é fixe?

Não somos só nós que o dizemos. As nossas crianças, após conhecerem histórias e truques do dia-a-dia da boca de um pastor; de conhecer como é confeccionado o pão, sentido-lhe o sabor após ter sido cozido em forno a lenha; de descobrir a arte da pintura a fresco, escondida em igrejas cuja chave é preciosamente guardada por uma senhora da aldeia; ou a arte dos azulejos nos edifícios, que praticamente nos passa despercebida, tal é a rotina das pessoas que vivem nas grandes cidades; ou o prazer e surpresa que têm ao lançar o pião, outrora jogado pelos pais e avós; são elas que nos dizem: o Património é fixe!

Por Patrícia Azevedo, Programadora Cultural do MAPA,
para Up To Lisbon Kids®

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