Vamos falar sobre os trabalhos de casa?

Vamos, mas não em frente aos miúdos, por favor.

Este é um tema recorrente e pouco consensual e, por esse motivo, é bastante falado nas reuniões escolares e fora delas, entre os pais.

No outro dia estava na companhia de duas mães de rapazes que frequentam o terceiro ano e que se cruzaram, com os respectivos filhos, à entrada do colégio.

– Então, hoje há trabalhos de casa?

– Há e não são poucos. Uma seca, aquilo nunca mais acaba, estou com os exercícios pelos cabelos.

Este diálogo aconteceu entre as duas mães. Com os filhos ao lado. Filhos esses que mais tarde iriam pegar nos ditos exercícios, sentarem-se à secretária e fazê-los.

Entendo a frustração das ditas mães e sei que nem sequer pensaram no que lhes estava a sair da boca naquele momento, mas como se podem motivas as crianças a fazer uma tarefa que muitas vezes não é divertida, quando ouvem os seus pais queixarem-se dela? Aquele tipo de comentários legitima que os próprios alunos sintam que os trabalhos de casa não só não servem para nada como é uma chatice terem de os fazer. E mesmo que essa seja a verdade absoluta para os pais, considero uma irresponsabilidade estarem a passar este tipo de mensagem aos filhos.

Não que as crianças não devam ser ouvidas quanto a este assunto. Eles são o objecto em discussão, não nos enganemos, mas existe uma diferença entre ouvir e condicionar a opinião. Numa conversa sobre o que sentem sobre os trabalhos de casa, a sua utilidade, os resultados que deles retiram, as palavras como “chatice” e “seca” não deviam ser proferidas.

Como antiga aluna e mãe tenho a minha opinião sobre os trabalhos de casa: nem todos os alunos precisam deles e a acontecer não devem ser em quantidade que faça com que as crianças passem o dia inteiro a estudar, mesmo quando chegam a casa depois de saírem da escola, onde deveriam passar o seu tempo com os pais a serem crianças e a estreitarem as suas relações. E esta minha opinião nunca me fará olhar para o caderno da minha filha com expressão de aborrecimento e nem ela ouvirá da minha boca “mas tu não precisas destes exercícios todos…” ou “o que é que a professora estava a pensar em mandar estes trabalhos todos para as férias”. O que irei fazer (digo eu, que quando a batata quente nos cai no colo é que sabemos como agiremos, mas quero acreditar que seguirei as linhas orientadoras das minhas atitudes até agora) será motivas a minha filha. Ajudá-la a tirar as dúvidas e tentar que os momentos em que tem de se sentar em casa a fazer os trabalhos de casa não sejam um suplício mas sim algo que tem de ser feito e tem a sua utilidade e por isso mais vale fazer tudo e o mais depressa possível para ter o seu tempo livre.

Se não concordar com o método escolhido pelos professores, há um lugar para discutir o assunto: a escola. E com os professores. Fazendo-lhes chegar a minha opinião e dando as minhas sugestões e aceitando ou não a sua forma de trabalhar.

É por este motivo que é muito importante que os pais e a escola estejam em sintonia, o que muitas vezes não acontece. Mas o trabalho que ambas as instituições desenvolvem são os mais determinantes nos primeiros anos dos nossos filhos. Deve ser um trabalho conjunto, não deve haver um “nós” e um “eles” e tudo deve ser feito para pensar no bem-estar e evolução dos nossos filhos.

Eles nem sempre vão dominar a matéria. Nem sempre serão os melhores alunos, os mais rápidos, os mais audazes.

Mas a forma como “pintarmos” as suas ferramentas na obtenção de conhecimento será essencial na sua formação enquanto adultos.

Muitas vezes, nas empresas em que vão trabalhar, terão de desenvolver tarefas que não acrescentam muito. Elas fazem parte. E eles, os nossos filhos, são parte de um todo. São parte importante de um todo importante.

Todos importam e devem ser ouvidos, mas não legitimemos os nossos filhos a virarem a cara às suas obrigações porque desabafámos em frente a eles.

É uma chatice ter os miúdos sentados a uma secretária no fim de semana quando poderiam estar a passear com os pais? Claro que sim, mas para muitos deles será nos trabalhos de casa que conseguem desenvolver algumas dificuldades com que se depararam durante a semana. Para muitos pais será esse o momento em que ficam a par do que estão afinal os filhos a estudar. Para outros será efectivamente uma seca, porque fazem os trabalhos com uma perna às costas.

Mas é importante que os nossos filhos entendam as suas obrigações, concordem ou não com elas.

É importante que aprendam e é muito importante que haja espaço para que continuem a ser crianças.

Vamos falar de trabalhos de casa?

Vamos, mas em frente aos miúdos não, por favor.

image@weheartit

 

Chumbar de ano, falhar e errar!

Sinónimos do ponto de vista dos pais, habitualmente. E isto porque pais, filhos e escola é uma relação triangular que envolve receios e, por norma, muitas expectativas.

Como forma de reduzir os receios parentais, aumenta-se a necessidade de que os filhos tenham uma carreira académica de sucesso. Isto é, quando os filhos brindam os pais com boas notas constantes, além do orgulho sentido, os pais vivem uma preocupação a menos (já que educar vai suscitando sempre algumas). E isto, do ponto de vista dos filhos, traz por norma a carga das expectativas. Os filhos vão sendo muito elogiados pelos resultados, a família e amigos próximos reforçam os elogios e, sem que muitas vezes uns e outros se apercebam, já todos têm a expectativa da manutenção daquele estatuto e o próprio aluno vai percebendo que “este registo agrada… se vacilar e baixar as notas, agradarei ou não…”.

Afinal, que representação acarreta, emocionalmente, uma carreira académica brilhante, desde cedo?

Sucessos sucessivos e consequentes reforços positivos podem facilmente conduzir ao medo de falhar – o medo de errar. Os famosos “chumbos”!

No fundo, os filhos tendem a sentir sempre alguma expectativa sobre a sua prestação escolar. Uns esforçam-se por corresponder a essa expectativa e podem até vivê-la com ansiedade, bailando ao som da falha como possibilidade legítima (e evitando-a a todo o custo, mas sem desistir); outros a quem a possibilidade de não corresponder à expectativa os trava, logo na casa de partida, e nem tentam a sorte “ao jogo”.

Falhar e tentar de novo, faz parte do percurso de vida de todas as pessoas. As falhas têm a vantagem de nos ensinar novos caminhos, permitindo-nos renovar experiências e, com isso, crescer e criar autonomia emocional. Incutir aos filhos o trajeto das boas notas; o objetivo do quadro de honra é enviesar a realidade.

Na vida real, o caminho não é sempre sereno, as surpresas não são todas agradáveis, os objetivos não são todos cumpridos e os resultados das circunstâncias vividas nem sempre serão um fruto apetecido. Logo, permitir aos filhos espaço para falhar sem zangas, é criar a oportunidade de se confrontarem com essa frustração, originando um trabalho de gestão interna de tolerância ao erro, com consequente aprendizagem. É, acima de tudo, retirar-lhes o medo de errar!

Pode, depois, criar-se a dúvida sobre onde fica o limite de não exigir boas notas, mas ensinando que tem de haver empenho e algum esforço. E a resposta a essa dúvida é a atitude. A atitude de exigir responsabilidade, no entanto sem demonstrar reatividade emocional aos resultados académicos obtidos:

  1. As notas são a única e necessária recompensa que os filhos têm como fruto do esforço investido no estudo.

Os pais devem demonstrar que a felicidade/orgulho sentido, é consequência daquilo que o próprio filho sente. Exemplo perante uma boa nota: “Que bom que estás contente! Fico tão feliz quando estás assim. E sei que é muito bom vermos o nosso esforço glorificado. Estudaste, conseguiste!”.

Perante uma nota negativa: “Como é que te sentes com o teu resultado?” (esperar a reação) “O que achas que podes fazer (ou “podemos fazer”, de acordo com a idade ou nos casos em que os pais possam sentir assim) para mudar este resultado?”

Evitar demonstrar preocupação com os resultados negativos, para controlar o sentimento (dos filhos) de “eu não agrado”, que muitas vezes conduz a um outro sentimento destrutivo “eu não sou capaz”.

  1. O desinvestimento escolar dos filhos, que culminará no insucesso escolar, não é necessariamente uma decisão voluntária.

Os pais devem lembrar-se disto, como forma de evitar rótulos (nomear defeitos). A esta atitude, segue-se tensão na dinâmica familiar, sem quaisquer alterações desejadas no que é sentido como o foco do problema.

É necessário um auxílio especializado para auscultar as razões.

  1. Relembrar sempre que o inverso de alunos “quadro de honra” não são maus alunos e, acima de tudo, não são maus filhos, nem filhos problemáticos.

Podem, simplesmente, ser filhos que não focam nas matérias escolares toda a sua energia, podendo isso até ser uma mais valia. Um foco absoluto no estudo, retirará tempo e capacidade para desenvolver outras áreas tão ou mais importantes na nossa condição de humanos: como a área emocional, onde está implicada a necessidade e capacidade de comunicação e relação com o outro.

  1. Alunos não devem ser reforçados pelas suas notas positivas ou negativas

As boas notas são o único reforço positivo necessário ao investimento de tempo implicado no estudo.

As más notas, ou mesmo negativas, deverão ser motivo de reflexão entre pais e filhos, sem que implique reações emocionais desagradáveis. Isto evitará a criação de expectativas e, sobretudo valorizará a crença de que, além de os pais serem interessados, atentos e envolvidos nas vidas dos filhos, as notas não têm qualquer influência no amor incondicional pelo qual se pauta a relação pais-filhos.

Os filhos devem estudar porque esse é o seu trabalho e porque os ajudará a conseguir com maior facilidade assimilar a matéria que virá a seguir. E esta é a única exigência-base que os pais devem colocar na relação, em termos do percurso académico.

image@wired

É frequente o surgimento de dúvidas acerca do bilinguismo: ajudará ao desenvolvimento da criança ou, pelo contrário, dificultará a correta aquisição linguística? A crença generalizada nalguns mitos chega a influenciar o modo como as pessoas interagem com as crianças expostas a mais que uma língua, quer sejam os próprios pais e família quer sejam os seus educadores/professores, médicos…

O bilinguismo é definido como a capacidade de uma pessoa ter um controle nativo de duas línguas tendo, por isso, competências comunicativas idênticas, quer ativas (falar e escrever) quer passivas (ouvir e ler) em ambas as línguas.

No desenvolvimento linguístico das crianças importa distinguir aquelas que são verdadeiramente bilingues, das crianças que fazem a aprendizagem de uma segunda língua. No caso das crianças bilingues, estas aprendem as duas línguas durante os primeiros anos de aquisição da linguagem (entre os 1 a 5 anos de idade) e essa aquisição dá-se em contexto informal, sem recurso a um professor. As crianças que aprendem uma segunda língua normalmente fazem essa aprendizagem após a aquisição da língua materna (depois dos 5 anos de idade) e é realizada num contexto mais formal, exigindo em princípio um esforço escolar acrescido.
A predisposição das crianças para a aprendizagem linguística não ocorre per se. As experiências comunicativas a que a criança é exposta influenciam diretamente o desenvolvimento da linguagem. É possível constatar que a qualidade e quantidade das interações comunicativas se reflete em diversos domínios linguísticos, nomeadamente no nível de vocabulário, no domínio das regras específicas de uso da língua, assim como na maior ou menor utilização de estruturas complexas.

Para que uma criança aprenda uma língua basta que a mesma esteja exposta a ela, isto é, que ouça as outras pessoas a falar e que estas falem com ela. Se uma criança está exposta a mais que uma língua no seu dia-a-dia será natural que aprenda a compreender e a se expressar em ambas.

Estão generalizados alguns mitos relacionados com o bilinguismo e, por vezes, surgem dúvidas se o mesmo ajuda a crianca a desenvolver ou se, pelo contrário, dificulta a correta aquisição linguística. Estes mitos chegam a influenciar o modo como as pessoas interagem com as crianças expostas a mais que uma língua, quer sejam os próprios pais e família quer sejam os seus educadores/professores, médicos…

Dado que a globalização mundial torna o acesso às várias línguas mais facilitado, em parte devido à circulação de pessoas pela migração, surge a necessidade de desvendar dois desses mitos que assumem um papel influente na escolha ou rejeição do bilinguismo.

Estar exposto a duas ou mais línguas em idades precoces predispõem a criança a ter um atraso da linguagem.

Em todo o mundo ocidental ainda existem terapeutas e médicos que aconselham os pais de crianças que estão expostas a mais que uma língua a eliminar uma delas. Nestas situações os pais acabam por optar por deixar de expor a criança à lingua minoritária pois crêem que o domínio da língua que é utilizada no ambiente global lhes trará mais oportunidades. Esta ideia é facilmente aceite por se pensar ainda que o facto de a criança ouvir mais que uma língua levará a que a mesma fique confusa e que por isso desenvolva atrasos linguísticos.
No entanto não existem evidências científicas de que o bilinguismo está associado a atrasos ou perturbações da linguagem, ou que o facto de se eliminar uma das línguas trará automaticamente benefícios na outra. Por outro lado, o término da exposição repentino de uma língua poderá trazer problemas emocionais e psicológicos pois sabe-se que a língua está ligada à emoção, ao afeto e à identidade.
Estudos recentes comprovam que o uso de mais que uma língua no dia a dia das crianças tem uma influência positiva no desenvolvimento de alguns processos cognitivos como a atenção seletiva e o controlo inibitório (capacidade para evitar elementos distratores), quando comparadas com crianças monolingues da mesma idade. Estas e outras funções executivas estão relacionadas com o planeamento de ações e a tomada de decisões mas, acima de tudo, com o convívio em sociedade.
O bilinguismo infantil não traz benefícios apenas para o desenvolvimento linguístico das crianças. Outros estudos evidenciam também resultados bastante positivos em tarefas não linguísticas relacionadas com o controlo para inibir informações distratoras, o que traz benefícios claros para a atenção seletiva e sustentada necessária para o desenvolvimento cognitivo e escolar das crianças.

O uso das duas línguas na mesma frase indica que a criança não consegue distinguir as várias línguas.

Sabe-se que quando uma criança está a aprender duas línguas, estas passam por uma etapa de mistura entre as duas. Há quem diga que o facto de uma criança produzir palavras de ambas as línguas numa mesma frase revela a sua confusão linguística que se reflete na incapacidade de a criança distinguir as línguas entre si. Está provado, no entanto, que a utilização de duas línguas numa mesma frase por bilingues adultos espelha uma excelente competência linguística. Também se pode verificar que as crianças que usam palavras das duas línguas numa mesma frase acabam por produzir mais frases numa só língua o que demonstra claramente que são capazes de separar ambas as línguas.

Recomendações aos pais

Embora seja difícil citar todos os aspetos aos quais os pais devem ter em conta quando a sua criança está numa situação de aprendizagem linguística bilingue, apresentam-se algumas sugestões que certamente os ajudarão neste processo.

  • Interaja naturalmente com o seu filho sem a necessidade de escolher uma ou outra língua. Certifique-se apenas de que o seu filho ouça ambas as línguas de forma frequente e em circunstâncias diferentes. Tente que essa exposição seja consistente;
  • Crie oportunidades para que o seu filho utilize as várias línguas às quais está exposto;
  • Leia livros com o seu filho em cada uma das línguas que ele está a aprender;
  • Se tem mais que um filho, converse com ambos na mesma língua e não use uma para cada filho. Como já foi dito, a língua está fortemente ligada às emoções e o facto de utilizar línguas diferentes para com os seus filhos poderá criar sentimentos de exclusão e levantar questões emocionais, afetando assim, o seu comportamento.
  • Evite mudar radicalmente a língua com que fala com o seu filho, principalmente quando tem menos de seis anos. Por exemplo, não comece a falar em Inglês com o seu filho se sempre falou em Português.
  • Se quer que o seu filho utilize uma determinada língua consigo encoraje-o a usá-la sempre que ele se dirija a si. Peça para ele repetir o que disse na língua preferida e ajude-o na escolha das palavras apropriadas para o que quer transmitir.
  • Não faça da aquisição bilingue uma questão central na vida dos seus filhos e não os repreenda ou castigue por usarem ou não usarem uma língua em particular. Siga a sua intuição e se sentir que o seu filho não está a falar como deveria durante os anos pré-escolares peça ao seu médico para prescrever um exame auditivo e uma avaliação de terapia da fala mesmo que lhe digam que o atraso pode ter como origem o bilinguismo.

O bilinguismo não tem que ser uma barreira à aquisição linguística por parte das crianças e pode até ser um impulsionador, trazendo mais oportunidades no decorrer da vida da criança.

Bibliografia:
SIM-SIM, Inês. Desenvolvimento da Linguagem. Lisboa: Universidade Aberta, 1998
DE HOUWER, Annick. Two or More Languages in Early Childhood Some General Points and Practical Recommendations. ERIC Digest,1999
BRENTANO, Luciana. Fontes, Ana Beatriz. Bilinguismo escolar ou familiar?. Organon, Porto Alegre, nº 51, julho-dezembro, 2011, p. 19-38

Por Terapeuta da Fala Andreia Batista

16 mitos e perguntas frequentes sobre a dislexia

A dislexia é sinónimo de baixa inteligência? Quando se avalia a dislexia? Devo esperar até ao final do 2º ano? Só os rapazes têm dislexia? A dislexia é um problema visual? Tem cura? Quem faz o diagnóstico da dislexia? Neste artigo clarificamos os mitos e as perguntas mais frequentes sobre a dislexia.

MITO 1

Não existe diferença entre um aluno com Dislexia ou um aluno que tem dificuldades em aprender a ler 

Errado. Atualmente, a Dislexia é considerada uma Dificuldade de Aprendizagem Específica. De acordo com as definições mais recentes de Dificuldades de Aprendizagem Específicas, os alunos que as manifestam têm uma disfunção em um ou mais processos neurológicos básicos envolvidos na compreensão do uso da linguagem falada ou escrita, os quais podem resultar em dificuldades na capacidade de leitura, escrita, caligrafia ou cálculo. Por esse motivo, nem sempre é fácil distinguir um aluno com uma Dislexia de um aluno que aprende a um ritmo mais lento. Um aluno que tenha sido diagnosticado com Dificuldades de Aprendizagem apresenta um défice em uma ou em mais áreas, apresentando, contudo, sucesso em outras áreas. Além disso, as suas capacidades cognitivas estão acima do verificados nos seus desempenhos – discrepância entre a capacidade e o desempenho.

Deste modo, as dificuldades manifestadas por um aluno com Dificuldades de Aprendizagem não podem ser explicadas por fatores cognitivos, por acuidade visual ou auditiva não corrigida, ou por outras perturbações mentais ou neurológicas, ou ainda por uma adversidade psicossocial ou instrução educativa inadequada. A falta de proficiência na língua da instrução académica também não justifica uma Dificuldade de Aprendizagem Específica.

As Dificuldades de Aprendizagem Especificas apresentam um caráter permanente e, apesar dos alunos poderem ser alvo de intervenção psicopedagógica e melhorarem os seus desempenhos, terão sempre essa disfunção. É, contudo, de salientar que qualquer aluno, ao longo da sua vida escolar, pode experienciar algum tipo de dificuldade, não sendo tal facto um sinal evidente e exclusivo da existência de uma Dificuldade de Aprendizagem.

MITO 2

A Dislexia é sinónimo de baixa inteligência

Errado. São vários os estudos que demonstram que pessoas com Dislexia têm uma inteligência dentro da média ou mesmo acima dela. Ao nível dos critérios de diagnóstico, a Dislexia não é melhor explicada por uma incapacidade intelectual. Os alunos com Dislexia tendem a caracterizar-se por desempenhos abaixo do que seria de esperar, tendo em conta o seu perfil cognitivo, em uma ou em mais áreas em específico. No entanto, e apesar disso, crianças com Dislexia têm frequentemente elevado sucesso noutras áreas.

MITO 3

Devo esperar até ao final do 2º ano para o meu filho fazer uma avaliação em Dislexia

Errado. Embora o diagnóstico de Dislexia só deva ser formalmente fechado após dois anos de aprendizagem formal da leitura e escrita, não significa que o seu filho não possa apresentar sinais de alerta característicos da Dislexia. Nesse caso, faz todo o sentido que seja avaliado e, posteriormente, apoiado com intervenção terapêutica. Quanto mais cedo a criança iniciar o processo de intervenção, maior a sua probabilidade de sucesso.

MITO 4

O meu filho escreve a maioria das letras de baixo para cima, logo tem Dislexia

Errado. É comum, no ensino pré-escolar e no início da idade escolarização, as crianças apresentarem alguma dificuldade na escrita de letras e números, podendo escrever em “espelho” (ou seja, da direita para a esquerda ou mesmo de baixo para cima). A maior parte das crianças vai corrigindo estes erros à medida que vai sendo exposta à aprendizagem formal das letras, da leitura e da escrita.

MITO 5

O meu marido tem Dislexia, logo os meus filhos vão ter Dislexia

Não necessariamente. Existem, de facto, diversos estudos que comprovam uma elevada hereditabilidade tanto para a capacidade como para as incapacidades de aprendizagem. No entanto, apesar desta maior predisposição da presença da Dislexia em filhos de pais com a mesma dificuldade, a sua manifestação não terá que ser dada como certa. Caso o seu filho revele alguns sinais de alerta, e exista, de facto, um historial de Dislexia ou outra Dificuldade de Aprendizagem Específica na família (com ou sem um diagnóstico formal) recomenda-se que procure ajuda especializada. Felizmente, com a evolução dos estudos sobre a Dislexia e as Dificuldades de Aprendizagem Específicas no geral, existe hoje em dia um maior conhecimento sobre esta temática e as crianças conseguem obter ajuda mais facilmente do que na época dos seus pais, evitando-se assim o agravamento dos sintomas e as respetivas repercussões, sobretudo ao nível académico.

MITO 6

A Dislexia tem cura

Errado. A dislexia é uma Dificuldade de Aprendizagem Especifica de carácter permanente, logo não tem cura. No entanto, atualmente já existem diversas estratégias e métodos de intervenção psicopedagógicos que podem ser utilizados em crianças com Dislexia no sentido de as ajudar a ultrapassar ou a minorar as suas dificuldades. Quanto mais precocemente forem implementadas estas estratégias, melhores resultados a criança terá ao longo da sua vida e percurso escolar.

MITO 7

A Dislexia é um problema visual

Errado. A Dislexia é uma Dificuldade de Aprendizagem Especifica que tem origem no papel combinado de fatores genéticos e ambientais que resultam em alterações estruturais e funcionais do cérebro. Deste modo, a Dislexia não está associada a um défice visual, mas sim a causas essencialmente genéticas. No entanto, uma criança pode apresentar dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita em virtude exclusiva de um problema visual, não preenchendo, para o efeito, os critérios de um diagnóstico de Dislexia. Neste sentido, e com vista a um diagnóstico o mais rigoroso possível, antes de se iniciar uma avaliação psicopedagógica para despiste de Dislexia, dever-se-á efetuar previamente uma avaliação auditiva e visual, de modo a excluir as referidas hipóteses como causa das dificuldades manifestadas pela criança.

MITO 8

Não é possível ter sucesso escolar quando se tem uma Dislexia

Errado. Tem vindo a ser cada vez mais demonstrado que a implementação e desenvolvimento de estratégias psicopedagógicas na sequência de um diagnóstico, tem enormes probabilidades de permitir à criança corresponder às exigências das aprendizagens escolares e desse modo, obter sucesso, quer a nível académico, quer a nível profissional.

MITO 9

Só os rapazes é que têm Dislexia

Errado. Na realidade, não existem diferenças significativas entre rapazes e raparigas. A razão pela qual os rapazes são mais vezes referenciados pelos professores, parecem residir no facto de os rapazes terem, de um modo geral, um diagnóstico mais precoce, em parte devido a causas comportamentais, uma vez que parecem ter maior dificuldade em gerir a frustração nas situações em que as suas dificuldades específicas se tornam mais evidentes.

MITO 10

O meu filho é tem dislexia, logo não pode ter boas notas

Errado. Se o seu filho for ajudado com uma intervenção intensiva e adequada às suas necessidades, de forma a colmatar as dificuldades causadas pela Dislexia, se existir suporte por parte dos agentes educativos (pais, professores, entre outros), e se a isso se associar motivação e esforço, então estarão reunidas as condições para que seja bem-sucedido, quer académica, quer profissionalmente.

MITO 11

A Dislexia está relacionada com dificuldades de orientação-espacial e/ou com o “ser canhoto”

Errado. Não existe qualquer tipo de investigação que demonstre uma ligação entre orientação-espacial e Dislexia, nem entre ser esquerdino ou destro e a Dislexia. Existem disléxicos esquerdinos e existem disléxicos destros, tal como existem disléxicos que têm dificuldades ao nível da orientação espacial e disléxicos que não têm esse tipo de dificuldade. O único fator comum comprovado cientificamente entre as várias pessoas com Dislexia é um défice ao nível da consciência fonológica.

MITO 12

A Dislexia é um défice apenas da infância

A maior parte dos diagnósticos de Dislexia são realizados durante a idade escolar, pois é nessa fase que os sinais tendem a apresentar uma maior evidência. No entanto, há crianças que, utilizando estratégias compensatórias e um esforço extraordinariamente elevado, com o devido suporte social, conseguem manter um funcionamento académico aparentemente adequado ao longo de vários anos, até que os procedimentos de avaliação ou as exigências do sistema educativo/meio imponham barreiras à demonstração da sua aprendizagem.

Em termos globais, e no que respeita aos vários domínios académicos de leitura, escrita e de cálculo, as Dificuldades de Aprendizagem Específicas apresentam uma prevalência de 5%-15% entre crianças em idade escolar em diferentes culturas e línguas.

MITO 13

A Dislexia é um diagnóstico médico 

Errado. A Dislexia não deve ser considerada um problema médico, nem pode ser diagnosticada exclusivamente por um médico, uma vez que este não possui conhecimentos suficientes de avaliação da leitura e da escrita. Enquanto Dificuldade de Aprendizagem Específica, o diagnóstico da dislexia deverá ter por base a síntese do historial do desenvolvimento do individuo, contemplando a área médica, familiar e educacional, incluindo a análise detalhada de relatórios e avaliações escolares, e a realização de uma avaliação psicoeducacional.

MITO 14

Todas as crianças que têm dificuldades em aprender a ler são disléxicas

Não. A Dislexia é uma causa comum de dificuldades na leitura, no entanto, não é a única causa. As dificuldades gerais de leitura podem também estar associadas a outras causas intrínsecas como extrínsecas ao individuo. Nas causas intrínsecas podemos encontrar outras perturbações do desenvolvimento que comprometem igualmente a aquisição do processo de leitura. Nas causas extrínsecas poderemos encontrar fatores ambientais e educacionais que quando negligenciados poderão igualmente provocar dificuldades de leitura.

MITO 15

Se não ensinarmos uma criança com Dislexia a ler até aos 9 anos, será tarde demais para aprender a ler

Errado. Nunca é tarde para melhorar as capacidades de leitura, escrita e ortografia de uma criança com Dislexia. Claro que, quanto mais precoce for a intervenção, mais probabilidade de sucesso a criança terá.

MITO 16

As adequações curriculares para as crianças com Dislexia são uma injustiça para as outras crianças que não têm Dislexia

Errado. A abordagem de ensino mais justa é quando o professor consegue providenciar a cada aluno aquilo que é necessário para que este seja bem-sucedido em contexto escolar. Assim sendo, as adaptações que os professores fazem são uma tentativa de criar condições equitativas, quer em situação de teste ou num trabalho de casa, e não uma forma de atribuir vantagens aos alunos com Dislexia. Na verdade, um aluno com Dislexia terá que se esforçar tanto ou mais que outro aluno, mesmo com as adaptações individuais.

imagem@istockphoto

ARTIGOS RELACIONADOS

Esta coisa estranha da Dislexia

A Dislexia – Manual de Instruções

Dificuldades de Aprendizagem: Avaliar e Intervir

 

A época de exames já começou para muitos alunos. Dos mais novos aos mais velhos todos estudam, todos se preparam para prestar provas sobre o que aprenderam

Muitos pais já se esqueceram do que sentiram quando eles próprios passaram por isso, outros não sabem como ajudar nesta fase.

Para mim, como irmã de uma finalista do 12º ano, acho que há coisas básicas que todos podemos fazer e que por vezes são suficientes para que os nossos “alunos” se sintam mais calmos.

– Desdramatizar. Por mais importantes que os exames sejam, por mais ponderação que tenham na nota ou até na média, é preciso não fazer um bicho de sete cabeças – um exame é, no fundo, uma recapitulação do que foi dado. E eles estiveram nas aulas. Estudaram.

– Aceitar as suas dúvidas. É natural que elas existam e podemos orientá-los sobre como conseguir ultrapassá-las. Muitas vezes eles precisam de se sentir acompanhados, apenas isso.

– Ser companheiros no que respeita a espantar os nervos. Trocar experiências, dar dicas, fazer com eles exercícios de relaxamento ou simplesmente ajudá-los a encontrar uma forma de fazer uma pausa no meio de tanto estudo.

– Valorizar o que nos dizem. Por mais que achemos descabido, devemos ouvir. Desabafar é essencial para nos ouvirmos a nós próprios, porque expressamos os nossos pensamentos em voz alta. Sistematizar o que sentem pode ser a chave para que entendam onde precisam de trabalhar mais ou por qaue motivo estão a ter mais dificuldades numa matéria que noutra.

– Ter muita paciência.

– Não deixar os nossos próprios nervos transparecerem. Eles já têm os deles e basta.

– Ir acompanhando, mas dar-lhes espaço. Não fazer perguntas a toda a hora (já estudaste? Não devias estar a estudar? Como assim vais ter com os teus amigos com o exame daqui a 144 horas???), não exigir que eles tenham as respostas todas na ponta da língua.

É uma fase que é ansiada o ano todo e que passa num instante. Pode ser determinante para a definição do futuro deles, como pode também significar ficar mais um ano à espera.

Vejam as férias à espera no fundo do túnel.

Os miúdos vão ser capazes e vocês também!

Qual?

Qual é o jornalista, doutor, engenheiro ou pai que pode dizer, com toda a certeza, que sabe o que é ser professor? 

O esforço colocado na crítica vã, deverá ser canalizado para ajudar. 

Todos nós andámos na escola. Projetamos uma escola de acordo com a imagem do nosso passado. Gostava de repetir isto

até à exaustão. Espalhar aos quatro ventos até ser ouvido. A educação precisa de ventos positivos! 

Quando? 

Quando é que, nomeadamente no nosso país, as boas notícias nascidas nas escolas, merecerão o mesmo protagonismo dado aos defeitos, às limitações e às más notícias?

Olhamos para a escola e pensamos no aluno que fomos, no mundo que tivemos, no pai que somos. Entretanto, já tudo mudou.  É fácil lançar suspeitas quando a realidade está distante.  

O esforço colocado na crítica vã, deverá ser canalizado para ajudar. 

Porquê?

Porquê assistir ao enaltecer de outros sistemas educativos, sistemas diferentes do nosso, quando, demasiadas vezes, esse enaltecer serve para denegrir o esforço do professor?

Olhamos para países diferentes. Com hábitos, clima e rendimentos diferentes para denegrir os nossos professores. Os melhores sistemas APOIAM o professor! 

O esforço colocado na crítica vã, deverá ser canalizado para ajudar. 

Cristalizámos as críticas. 

Elas estão presas a um tipo de realidade. A realidade, contudo, é um mosaico. A realidade é assim…mas entretanto, nesse mosaico, já tudo mudou. Claro que há fatores que me custam. Fatores negativos. Claro que há espaço para a crítica.

Há professores desmotivados, pouco pontuais, com pouca capacidade de escutar, e até, pasme-se, com pouca disposição para aprender! 

Mas, por cada professor que assiste às minhas (trans) Formações optando por se sentar na última fila, há uma maioria grande que fica na primeira fila participando de forma positiva. 

Por cada professor desmotivado, desatento, incapaz de ver algo positivo no que quer que seja, há uma maioria capaz de sonhar.
Quando um professor vai para a última fila, decide não falar, lembro-me dos milhares que trabalham com alunos de diferentes níveis de ensino na mesma sala, lembro-me das dificuldades que isto acarreta e opto por entender a resistência, o cansaço.
Por cada professor que não fica cativado com o meu sentido de humor, há uma maioria vibrante, brilhante, desafiante e cativante. 

Há uma maioria cativada e cativante. Obrigado a esta maioria. 

Por cada um que optou por me mandar um rosto frio, como que mostrando desagrado pela minha postura positiva, feliz, provocadora e assertiva, como se fosse minha a culpa dos males do mundo educativo, há centenas capazes de elogiar. 

O esforço colocado na crítica vã, deverá ser canalizado para ajudar. 

E, quantas vezes, o professor que fica na fila de trás, o que já se rendeu à desmotivação, o que até tem uma postura defensiva, não é vítima de outras Formações aborrecidas, tristes, mal humoradas, mal dinamizadas por quem não conhece a realidade? 

Quantas vezes esse professor não é vítima de outros formadores capazes de criticar em vão, só porque até é fácil criticar o professor.

Toda a gente parece ter uma palavra a dizer sobre escola, educação, editoras, manuais escolares, sistema educativo… E a realidade? E as salas sem condições? E os “psicólogos de televisão” com os minutinhos de antena para encher? 

E a crítica fácil do comentador, do “pai de torremolinos”?

Tudo desgasta. 

O esforço colocado na crítica vã, deverá ser canalizado para ajudar. 

E as mudanças de rumo dos diferentes executivos? As alterações nos ministérios? As suspeitas de “corrupção”, baseadas em mentiras?

Qual é o “psicólogo de televisão” conhecedor da realidade? Qual é o palestrante que já deu aulas nas escolas portuguesas? Qual é o jornalista que enfrentou uma turma atrás de outra turma, nas condições atuais? 

Por cada professor desmotivado, por cada professor que decidiu assistir a uma intervenção minha na penumbra da sala, perdendo o meu rosto, inibindo-se de se envolver comigo para poder entender a minha mensagem, há uma maioria merecedora de vénias.

Perante os da penumbra, tento envolvê-los. Por vezes fico triste, se não sentem o meu rosto, podem não entender o humor, a ironia, a assertividade, as entrelinhas…e como a minha ação tem entrelinhas! 

Perante estes, a minha decisão de ser cada vez melhor no que faço, é renovada. 

Pelos alunos, a base de tudo, pelos melhores professores, levantarei sempre a voz. Estudarei sempre mais. Contrariarei salas sem condições, sistemas de som contraproducentes, últimas filas desatentas.
Perante a opinião ligeira do jornalista, ou perante a crítica teórica do “psicólogo de televisão”, levantarei sempre a voz.
Perante a má cara do meu colega formador, porque “foram maus formandos”, levantarei sempre a voz.
Perante a sugestão leviana do pai que deveria ir à escola pela positiva, levantarei sempre a voz.

O esforço colocado na crítica vã, deverá ser canalizado para ajudar. 

Perante cada professor cansado ou desenquadrado, lembrar-me-ei sempre da maioria que está para levar o mundo para a frente. 

Pelos alunos, a base de tudo, ajudam-me a levantar a voz? 

LER TAMBÉM…

Pistas para motivar os alunos

10 dicas para todas as Professoras que mudam o mundo

Conhecimento de Estufa

 

Quem me dera que, um dia, a educação despertasse nas pessoas a mesma paixão que o futebol.

Quem me dera que fosse tão importante que as nossas crianças e jovens tivessem uma educação de qualidade, em que a descoberta e o conhecimento despertassem as mesmas emoções que um golo ou um cesto no último minuto. Seria fantástico, não acham?

Quem me dera que pudéssemos aliviar os nossos professores e que fizéssemos da sua profissão um trabalho bem considerado e remunerado. Quem me dera que víssemos o verdadeiro potencial das nossas crianças e que os professores pudessem ensinar da forma mais individualizada, acolhendo e ressaltando os pontos fortes de cada um dos seus alunos.

Quem me dera que um adolescente que demonstre paixão pelos livros despertasse a mesma expectativa nos pais e na sociedade que um adolescente que promete ser o melhor do mundo, o ouro,  a prata, o bronze ou todos de uma vez. Quem me dera que os jornais que aludem a novas descobertas apostassem nos títulos e nas capas como uma publicação nos dias posteriores aos grandes jogos.

Enquanto lemos e pensamos nestes “quem me dera”, existem milhares de crianças que procuram um bocado de chão para poder ler um livro herdado, que olham para um caderno de notas e não sabem o que aconteceu. Milhares de crianças que se frustram com a matemática, milhares de análises que não compreendem, guerras que não conhecem. Guerras, preconceitos e crenças que enganam com sua intenção de seguir adiante, de sobreviver.

Está constatado que grande parte dos sistemas educativos do mundo são inadequados pela sua insuficiência, pois limitam o estudo à escola e não partem do conhecimento das crianças para potencializá-los. Ainda que os meios sejam diferentes, a má educação está presente tanto nos países pobres quanto nos desenvolvidos.

A educação é a base da sociedade

O segredo do sucesso da educação finlandesa, é que suas atuações são caracterizadas pela consideração com o professorado que foi selecionado e aos quais são oferecidos meios para que se possam converter em instrutores maravilhosos.

Assim, a garantia que a educação deve oferecer é a de instruir cada criança de acordo com o seu potencial, assegurando que cada pessoa se possa superar em vez de se criar atividades generalizadas que não deixam margem a qualquer adaptação mas sim lugar a muitas frustrações, a muitos aborrecimentos, a notas desastrosas e a perdas que são difíceis de quantificar pela sua importância para a sociedade, para a espécie ou para o planeta.

O melhor sistema educativo é o que consegue fazer os estudantes irem mais além e melhorarem os seus resultados, individualizando e flexibilizando o currículo que é proposto. Ou seja, transformar em realidade uma proposta educativa baseada no conceito vygostkiano de capacidade e de potencial.

Com isto não queremos dizer que deveríamos deixar de nos emocionar com o desporto. Seríamos tolos se não entendessemos que, além do seu componente lúdico, é uma fonte de diversão e um contexto perfeitamente válido para a formação de valores. Uma equipa  não seria boa se os seus componentes não entendessem a importância da cooperação, se não colocassem em prática o princípio de Gestalt de que o todo é muito mais que a soma das partes.

É um milagre que a educação sobreviva ao nosso sistema educativo

A educação, tal como se define em termos de recursos e de conceito, hoje está em déficit na maior parte do planeta. Einstein, um dos maiores génios da história, afirmou que é um milagre que a curiosidade humana sobreviva à educação regrada.

Vamos concordar que alguma coisa está errada, e que isso não vem de agora. Por que razão uma criança de 4 anos faz mais de 100 perguntas por dia e uma criança de 10 começa apenas a preocupar-se com as respostas dos testes? Parece-me óbvio que, enquanto sociedade estamos a cortar as asas às nossas crianças. E isso não acontece apenas na escola.

Porque se uma criança não consegue aprender através do método  que foi traçado para todas as crianças da sua idade, então deve-se perceber como chegar a este aluno, como trabalhar com ele.

Porque o essencial é percebermos que o verdadeiro direito não é o de sermos iguais, mas sim o de sermos diferentes e sermos tratados como tal, a começar pela educação.

 

Em A Vida é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

imagem@her.ie

LER TAMBÉM…

Educação pela negativa corta a criatividade

Ministério da Educação quer maior autonomia das escolas

Carta a Mães, Pais, Encarregados(as) de Educação

 

Ensino Doméstico / Home Schooling, um ano letivo de crescimento

Já nos habituamos às expressões de dúvida e espanto quando dizemos que a Francisca este ano está a fazer educação doméstica (Home Schooling). “Isso é possível em Portugal?” Perguntam-nos. Sim desde 1977! Pelo menos como a conhecemos hoje.

Dados disponíveis relatam que, os números têm vindo a duplicar de ano para ano, especialmente nos primeiros anos de escola. As razões são as mais variadas: pais e alunos desiludidos com o ensino em geral, pais que viajam, alunos com as mais diversas dificuldades na escola ou por motivo de doença. O Home Schooling pode ser frequentado até ao 12º ano.

Este é o relato da nossa aventura na Educação Doméstica, onde o percurso tem sido de tentativa erro e muita vontade de aprender num sistema que apesar de o permitir, ainda não o faz adequadamente.

Durante a instrução primária fui uma mãe bastante resignada. Não me queixei de nada, conheci professores que deram o seu melhor dentro das possibilidades que tinham, auxiliares que vestiam a camisola a troco de um salário e condições de trabalho que por vezes impossibilitam a sobrevivência básica. Sempre com gesto carinhoso para com a minha filha ou um sorriso para mim, mãe! Um professor diferente por ano; professores forçados a trabalhar com problemas de saúde mental a beira de exaustão e desgaste acumulado. Matéria despejada e dada para atingir sabe-se lá que objectivos. Exames nacionais, que em nada reflectiam o que os alunos realmente aprendiam. Escolas mantidas com a boa vontade de associações de pais e pais disponíveis para pintar paredes ao fim de semana.

Isto para nós foi o que que mais nos marcou, os afectos a meio de tanta coisa a correr menos bem. Culpa, na minha opinião, de um sistema há muito com falta de atenção concreta e assertiva, de um olhar mais critico e com desenvolvimentos e acções contínuas a pensar no aluno, independentemente de vontades de governos de cores diferentes.

Durante a escola primária viajamos a meio do ano letivo, duas vezes, ambas em Janeiro. Estas viagens eram inevitáveis, mas tiveram um impacto nos resultados escolares da minha filha. No segundo e quarto ano fomos para a Guiné Bissau e Brasil respectivamente, onde eu fui trabalhar e para o Brasil, para onde fomos para a minha filha conhecer a família

Apesar de ter muita sorte por ter uma família que me dá apoio e fica com a Francisca quando me desloco em trabalho, (sendo uma família mono parental), por vezes tenho que a levar comigo. Adoro e prefiro, mas nem sempre foi possível.

No 5º ano fomos viver para Paris. A Francisca ficou numa das muitas escolas internacionais em França onde existem as chamadas secções de vários países incluindo a de Portugal. Geridas pela Fundação Camões no âmbito da Lusofonia, pelos Ministérios da Educação e dos Negócios Estrangeiros, os pais podem garantir o ensino de Português ao mesmo tempo que o Francês, gratuitamente.

Um ano numa Escola Internacional em França

Foi durante este ano, que aprendi que o ensino em geral está todo errado!

Ao chegar a uma escola nova num pais novo, intitulada como uma das melhores de França, a pressão esteve presente desde o inicio com exames vários e entrevistas. Se isto não era o suficiente, numa espécie de ameaça velada, um professor de Português disse na primeira aula aos alunos, que se não mantivessem notas altas seriam posteriormente colocados nas escolas satélites.

Como se fosse um castigo maior para quem não desempenhasse bem o seu dever de estudante. Falamos de a miúdos de 10 e 11 anos. Isto fez com que as crianças sentissem uma pressão e competição desmesurada entre alunos. Estes questionavam-se constantemente sobre sua própria prestação e desenvolveram um medo absurdo de não permanecer na escola principal, a “desejada para os melhores”, entre os melhores. Insinuar que estas escolas não eram boas resultaram num impacto negativo para a secção Portuguesa que geria, então, excesso de alunos para o espaço existente. Muitos teriam de ir para as escolas satélite – que na realidade são escolas normais e boas. Apenas, não estão inseridas no ensino regular Francês e por isso são considerada fora do elitismo que estas escola internacionais tentam manter.

No final do ano, tanto pais como alunos da secção Portuguesa não queriam os filhos nessas escolas. Essa situação seria vista como um falhanço. A secção, sem qualquer transparência ou critérios claros estipulados e publicados, decidiu. A Francisca foi uma das muitas crianças que teria de mudar de escola no ano seguinte – teve o seu primeiro grande desgosto. “Mãe, o meu trabalho e esforço, não foi o suficiente!” Disse-me com os olhos vidrados de lágrimas. Estava tudo errado neste processo.

Saia das aulas diariamente às 16h e à quarta-feira não tinha aulas a tarde. Todos os dias carregava cerca de 8 quilos as costas e nos dias que tinha aulas de Português o peso aumentava quase mais 4Kg. Os TPC eram diários, enviados por email e com data limite cerca de 15 dias, mas quem não entregasse nos primeiros dias tinha direito a uma reprimenda por mail ou verbal. “Minha Senhora, a Maria não esta a avançar o suficiente!” ou “Minha Senhora, a Maria é muito lenta, alguns dos seus colegas entregam tudo com muito tempo de antecedência” Dizia-me o professor de Francês. A pressão foi aumentando e tivemos de abdicar de tempos livres para ficar a estudar até às 22h.

As mães do liceu internacional sentam-se com os filhos a fazer os trabalhos de casa!” Disseram-me inúmeras vezes. As dificuldades de adaptação a uma língua nova numa escola nova tinha sido ultrapassada, mas com um custo – o de ser criança.Nesta escola os miúdos não tem tempo para ser crianças” Dizia-me uma mãe de um miúdo de notas excelentes mas que muitas vezes sentia o vazio da pressão e saudades de ter tempo para o desporto e para estar simplesmente com os amigos. Havia dias em que dizia à minha filha para largar o computador, e parar de trabalhar, ao qual respondia “Mas mãe, assim vão-me ralhar! E o pior é que se não trabalhar o suficiente vou para a outra escola!”. Eu sempre lhe disse “Se queres, esforça-te filha, as pessoas conseguem atingir objectivos quando se dedicam! Se no final do ano não ficares na escola mas tiveres dado o teu melhor, isso bastará para mim. Porque tu és o suficiente!”

No entanto, sentir que todo o sacrifício fora em vão e desvalorizado, foi um golpe muito duro de digerir aos 10 anos de idade. Para ajudar a aceitar, pedi ao director da secção que lhe explicasse quais eram os critérios de selecção da escola. No meio de um discurso quase desconexo de tom paroquial, não o soube fazer apenas disse, agora quase no final do ano, que afinal a outra escola era muito boa! Não ajudou, e assim decidi que não ficaríamos em Paris. Sendo este ensino o oficial, para mim não era o que precisávamos ou queríamos. O ensino é que não era o suficiente.

Home Schooling em Portugal

Antes de regressarmos já tínhamos decidido fazer educação doméstica. Liguei para o ministério da educação para me informar e inscrevemo-nos numa escola oficial. O processo demorou mais do que o previsto pois levantou-se a questão da equivalência do ano escolar. Apesar de a secção Portuguesa estar sob a tutela do Ministério da Educação, o cruzamento de informações não foi simples. Agradeço à Fundação Camões em Franca que fora extremamente prestável e célere.

Depois de a inscrever neste sistema de ensino, percebemos que tem de realizar os exames anuais a todas as disciplinas excepto a Educação Física. Isto inclui Música, Educação Visual e Educação Tecnologia, sendo que nestes testes além da parte escrita é contemplada uma parte oral e outra prática em determinadas disciplinas. No 2º ciclo paga-se uma taxa única de 10€ para a realização dos exames. Obter informação para as matérias tem sido uma luta, principalmente para as disciplinas de Musica e EVTs. Talvez por não haver directivas expressas para estes alunos, a escola apenas nos facultou cópias dos exames de 2015, último ano que tiveram uma aluna do 6º ano neste sistema.
Nos sites do Ministério da Educação a informação é escassa ou nenhuma. Na internet a informação é pouca e muitas vezes incorreta. Há um grupo de apoio a pais, mas não há neste momento nenhum movimento que pressione para que se reveja a Lei de 1977 que regula o ensino doméstico.

Nomeadamente questionar haver teste de Música e EVT. Valorizo bastante estas áreas, mas como se resumem num exame? Como é que se prepara uma criança para estas disciplinas? Parece-me ingrato e dispendioso! Se estiverem a fazer Home Schooling e a querer trabalhar de forma diferente ficam de pés e mãos atadas porque não há critérios e objectivos estipulados que dêem uma maior liberdade a pais e alunos de forma a que possam demonstrar o conhecimento adquirido nas mais diversas áreas.

Da escola Francesa aprendeu a falar e ler fluentemente, e apesar da loucura dos trabalhos, desenvolveu métodos de estudo e organização.

Passamos a tirar notas e a aprender com amor as matérias de História, Ciências e Literatura. Fazer trabalhos de pesquisa e apresentações sobre temas das várias matérias. Visitamos museus, principalmente nos dias gratuitos, porque para estes alunos não estão contemplados descontos de estudante.

Os livros foram escolhidos por matérias e sem listas fixas, em bancos de livros escolares e o restante adquirimos nas livrarias, principalmente na livraria solidaria de Cascais a Déjà Lu, onde somos também voluntárias para a despertar para a solidariedade e a ensinar a valorizar o trabalho. O exercício físico está nas caminhadas, as obrigatórias porque andamos a pé para todo o lado. O ballet é paixão da minha filha. As aulas de Matemática, matéria em que a mãe é nula, após muita procura optamos pelo Brain Alive, um espaço onde se aprende pela valorização do erro e a preços acessíveis. Aqui aproveita para conviver com outros alunos. No primeiro teste teve 20%, após 3 meses estava a vencer o desafio do mês! Ganhou autoconfiança e passou a acreditar em si e nas suas potencialidades. Sente-se um individuo com algo para dar a sociedade. Vê filmes educativos e opina sobre vários temas que começou a explorar recentemente. Usa termos e expressões pouco usuais para a sua idade, tem tempo para ler, passear a nossa cadela Concha, para brincar e criar, sonhar e ter apenas os 11 anos que tem.

O desgosto da minha filha com a escola em França, também foi uma lição que eu não poderia  nem deveria evitar. Tornou-a mais forte, mais empática e mais preparada.

Foi e tem sido um ano e meio de muita aprendizagem a vários níveis. No próximo ano penso em voltar a inscrevê-la na escola, até porque a matéria a partir do 7º ano tem que ser dada de outra forma.

Acredito no ensino, na educação e sei pelo meu trabalho as consequências da falta da mesma. Sei que há vontade de melhorar, mas tem de haver abertura de espírito e maior liberdade para incluir no curriculum outras aptidões tão ao mais importantes, para quem está a estudar em casa.

O resultado a nível de avaliações só podemos conhecer no fim do ano letivo. Para já, para mim o seu esforço, a sua atitude perante aprendizagem e o conhecimento são o que mais valorizo. Os números são importantes, mas valem o que valem. E não fazem dela nem uma melhor pessoa, aluna, cidadã e futura trabalhadora.

Agora estou neste momento a educar uma cidadã do mundo. Utópico? Sim, deixem, já há tão pouco de utopia por estes dias que eu vou aproveitar!

imagem@usnews

Conversar com os filhos na língua materna é muito importante para manter o vernáculo, “origem de uma língua”.

A maior parte dos pais concordam sobre quão vantajoso é para os filhos falar mais do que uma língua, especialmente no futuro, quando estiverem à procura de emprego. Mas, não se trata apenas de uma questão de currículo.

Pais de nacionalidades diferentes, ou que moram fora de seu país de origem, têm a facilidade de ensinar várias línguas às suas crianças, tornando-as bilíngues.

A professora da Aliança Francesa com formação em Ciências da Linguagem na França, Nina Roig, afirma que a formação pessoal e o desenvolvimento afetivo, dependem do conhecimento da língua de origem.

“Há casos de pessoas que não ensinaram aos seus filhos a língua materna, e as crianças não conseguem comunicar com os avós, primos, tios. Perdem as referências, os laços”, alerta a professora.

Normalmente, a criança acaba por desenvolver melhor a língua falada no país onde vive, pois, a escola dá as bases para o convívio social.

Mas, quem tem o privilégio de formar uma família poliglota, não deve perder a oportunidade. Os pais são os primeiros professores das crianças.

Quais os benefícios de utilizar a sua língua materna? A língua materna liga os seus filhos à sua família e mantém vivas tradições culturais importantes.

Ser bilingue: quanto mais cedo melhor

The Journal of Neuroscience publicou em 2013 uma tese que confirmava que a melhor fase para se aprender uma língua é entre dois e os quatro anos de idade. Nesta faixa etária, as ligações entre os neurónios desenvolvem-se para processar novas palavras, e o cérebro está mais recetivo aos estímulos exteriores.

Entre os 13 e os 18 anos, é tempo de sociabilizar e as crianças bilingues colocam alguns obstáculos a falar a língua dos pais, em busca do vocabulário usual do meio onde vivem. Mesmo nesses momentos, os pais devem insistir.

Passada a rebeldia da fase, no futuro, ao se tornarem adultos fluentes em mais do que uma língua, os filhos tendem a agradecer.

Uma pessoa que fala mais de uma língua fluentemente tem mais oportunidades de estudo, viagens e trabalho, em qualquer lugar do mundo.

Importante: ser bilíngue ajuda também as crianças a desenvolver competências de pensamento mais fortes e geralmente resultam em melhores notas académicas a longo prazo.

À medida que os progenitores envelhecem, a comunicação vai tornar-se cada vez mais importante. Isto será mais fácil e mais divertido tanto para si, como para os seus filhos, se falarem a mesma língua. Todas estas coisas são parte importante da aprendizagem inicial dos seus filhos – e se o fizer na sua língua mais confortável.

Qual método que devo usar para ensinar?
Conte histórias e leia aos seus filhos na sua língua materna; partilhe rimas, cânticos, canções e poemas que aprendeu na infância; procure atividades divertidas que acontecem na sua língua, como histórias na sua biblioteca local, festivais locais e eventos culturais; procure livros bilíngues, livros sem palavras, ou livros na sua língua materna na biblioteca pública mais próxima.

Porque é que os meus filhos fazem confusão entre as duas línguas?

As crianças pequenas podem aprender duas ou mais línguas ao mesmo tempo pois assimilam conteúdos rapidamente.

Às vezes, os miúdos combinam palavras ou frases de ambas as línguas. Isso não tem problema! Pode parecer que estão confusos, mas na verdade, estão a aprender as regras e vocabulário de ambas as línguas, organizando tudo nos seus cérebros. É um sinal de boa aprendizagem e pensamento.

É possível que os seus filhos prefiram o idioma local porque é o que todos os seus amigos falam. Converse com eles sobre o assunto. Explique que aprender ambas as línguas, é importante. Fale sobre as pessoas especiais nas suas vidas que falam a sua língua, incluindo parentes e amigos favoritos.

Pode ainda explicar que as pessoas que são bilingues têm duas vezes mais probabilidades de fazer amigos e conhecer novas culturas. Pode tornar a sua língua materna divertida ao ler livros, cantar canções e utilizando-a para brincar com jogos ou outro tipo de atividade.

A sua língua é um dom e falá-la mantém a sua família interligada.

 

Por Isa Coli, para Up To Kids®

 

LER TAMBÉM…

Aprende, desenvolve e cria laços em inglês

A Importância da Música na Aprendizagem de uma Língua

Aquisição e desenvolvimento de linguagem mês a mês

As conclusões do trabalho de investigação que traça o perfil ideal dos alunos portugueses na escolaridade obrigatória foram apresentadas este fim de semana, em Lisboa.

Dominar a linguagem, a comunicação, o raciocínio, ter pensamento crítico, fomentar a criatividade e trabalhar as relações interpessoais são algumas das metas que o aluno português deve alcançar até ao 12º ano.

O “Perfil do aluno para o Século XXI” foi apresentado este fim de semana pelo coordenador e antigo ministro da Educação Guilherme d’Oliveira Martins, no Pavilhão do Conhecimento, em Lisboa. Como alerta o responsável no prefácio, este perfil não é “um mínimo nem o ideal, mas do que se pode considerar desejável” para os alunos que concluem a escolaridade obrigatória.

Por escolas mais autónomas

A flexibilização de currículos escolares é um dos pontos mais sublinhados no documento e deverá entrar em vigor já no próximo ano letivo, para os alunos do 1º. 5º, 7º e 10º anos, de acordo com o secretário de Estado João Costa, também presente na cerimónia.

É proposta uma maior autonomia das escolas, para que possam adaptar a prática docente às características dos discentes. Cada estabelecimento de ensino deve procurar valorizar o saber e incutir a curiosidade intelectual nos estudantes portugueses.

A equipa de peritos recomenda que a autonomia na definição dos currículos escolares aumente em 25% e permita um reforço da interdisciplinaridade e do aprofundamento de matérias.

A prática faz a perfeição

O Ministério da Educação quer promover uma escola mais presente na vida dos alunos, dentro e fora dela.

O documento assinado pelo Governo considera o trabalho experimental como base fundamental para o bom exercício escolar e profissional. Segundo a equipa de investigação responsável pelo “Perfil do aluno para o Séc. XXI”, o ensino deve ter por base a interdisciplinaridade e a prática, para que, no futuro, o aluno seja um profissional capaz de trabalhar em cruzamento com outras áreas além da sua.

O documento reflete ainda sobre a necessidade de “educar ensinando com coerência e flexibilidade”.

No centro, a dignidade do aluno

O trabalho prevê uma visão mais humanista da educação, em que a pessoa e a sua dignidade devem ser o centro disciplinar. Dignificar o aluno passa, por isso, por trabalhar a inclusão, os conceitos de democracia e de igualdade.

Cabe às escolas a responsabilidade “de dotar os jovens de conhecimento para a construção de uma sociedade mais justa”, lê-se no documento. A definição de inclusão deve ser trabalhada no corpo discente, pelo que o Governo prevê ainda uma nova legislação sobre educação especial.

Na apresentação que decorreu no sábado, em Lisboa, João Costa disse aos jornalistas que está ainda em curso um processo de “gestão flexível” que será, em breve, colocado em discussão. “Muito brevemente estaremos a apresentar a estratégia da educação para a cidadania. Teremos a proposta de decreto-lei sobre educação inclusiva”, esclarece.

São estes os princípios-chave abordados no perfil traçado pela equipa de investigação, liderada pelo antigo ministro da Educação e atual administrador da Fundação Gulbenkian, Guilherme d’Oliveira Martins. A criação do documento surge no seio de algumas dificuldades que apareceram desde que o ensino obrigatório em Portugal foi alargado até ao 12º ano.

O documento conclui que os alunos devem abandonar este ciclo com as bases necessárias para se tornarem cidadãos “livres, autónomos e responsáveis”.

Notícia de U.Porto

imagem@elizabethalbert

LER TAMBÉM…

Metas Curriculares do 1º Ciclo | Conteúdo programático excessivo

Alunos do 1º ano já podem escrever e pintar nos manuais escolares gratuitos

Receber um aluno com deficiencia na sala de aula não significa inclusão