Os direitos das crianças

Às vezes esquecemos que as crianças não são mini adultos. São seres humanos “em construção”, é certo, mas a infância passa rápido e temos tendência a exigir, a demandar, a lembrar os deveres. Hoje é dia de lembrar os direitos – e não só os que estão contemplados na Declaração dos Direitos das Crianças.

As crianças têm direito a sonhar.

A serem amadas.

De brincar livremente.

De se expressar.

A terem professores competentes, pacientes, interessados e justos.

De usar a sua imaginação.

De fazer perguntas, por mais estranhas e “descabidas” que possam parecer.

De não compreender tudo.

De errar.

De serem chamados pelo seu nome – e não pelos comuns “feio” ou “mau” quando fazem algo que desagrada aos adultos.

De não serem insultados (este direito complementa o anterior) – é urgente deixar de dizer às crianças coisas que, de tanto ouvirem, se tornarão a sua realidade. “Preguiçoso”, “burro”, “porco”, e por aí fora.

De serem livres.

À identidade de género.

À sua orientação sexual.

À sua individualidade.

De serem respeitadas.

De serem orientadas.

De fazerem amigos com facilidade, com dificuldade, ou de não fazerem amigos de todo.

À curiosidade.

De testar os limites.

De descobrir o mundo ao seu ritmo.

De não serem comparadas a toda a hora.

A boas rotinas de sono, de segurança rodoviária, de alimentação.

De serem ouvidas.

De não carregarem o peso da crise às costas – a informação está em todo o lado, não precisam de ter medo a toda a hora, de se preocupar com a comida que há-de ser posta na mesa, nas contas que há para pagar… mesmo que haja essa dificuldade, que as crianças não sofram em demasia com a antecipação de algo que não podem mudar. Nós, os pais, temos o dever de usar a imaginação, aquela que sempre esteve connosco desde que somos crianças, para evitar sofrimento desnecessário. E isto vale para tudo na vida dos nossos filhos.

A ter um tecto, comida, educação, acesso à saúde.

De não viverem num ambiente hostil.

À liberdade.

À paz.

Acima de tudo, as crianças têm direito a ser crianças.

Nascer, hoje, em Portugal, é muito diferente de nascer em qualquer outro lugar do mundo. Existem países em que as crianças são respeitadas, mas existem também países em que a infância simplesmente não existe. Temos o privilégio, dentro das nossas limitações, de ser um país sem guerra, sem violência extrema. As nossas crianças têm o direito a usufruir daquilo que as torna crianças – também em respeito àquelas que não têm essa oportunidade. Para que se tornem nos adultos que podem vir a mudar o mundo, com pequenos ou grandes gestos. Para que cada vez menos crianças tenham medo do futuro.

Semear hoje para colher amanhã.

 Ser filha, ser mãe

Sou filha.

Sou mãe.

Sinto-me ainda mais filha desde que a minha própria filha nasceu, logo ela que me deu o privilégio de ser mãe.

Ser filha é:

– Dizer ao meu pai que não sei como é que ele aguentou estar longe de nós tantos dias (quando os meus pais se separaram e passámos a ir aos fins de semana para casa do meu pai) e ele dizer que aproveitava bem os sábados e domingos, sem pressas, o tempo todo uns para os outros.

– Pensar na minha mãe e dois minutos depois tê-la a telefonar-me sem eu ter dito nada.

– Saber que ensaie o que ensaiar o meu pai vai sempre perceber se estou bem simplesmente pelo tom da minha voz.

– Ter, na casa da minha mãe, uma escova de dentes para quando lá vou.

– O meu pai enviar uma mensagem à noite a perguntar se está tudo bem (preocupado) porque há dois dias que não nos falamos pelo telemóvel.

– Continuar a fazer hoje, com a minha mãe, os mesmos programas que fazia quando éramos só mãe e filha – em vez de também avó e mãe.

– Sempre que me acontece alguma coisa: boa, má, assim-assim, ligar à minha mãe e ao meu pai de imediato. Sem ordem definida. Porque eles atendem sempre. Vibram com as coisas boas, emocionam-se com as vitórias, encorajam nas derrotas, querem saber de mim.

É sentir que importo para quem mais admiro no mundo.

Ser mãe é:

– Acordar várias vezes por noite quando a minha filha me chama e, mesmo assim, sorrir quando a vejo e dizer tranquilamente “está tudo bem, a mãe está aqui”.

– Ficar com o coração a bater mais depressa quando vejo a minha filha tentar algo pela primeira vez e dar-lhe espaço para que o faça sozinha.

– Ouvir o dialecto que a Mariana criou para se fazer entender e ser quem mais a percebe, às vezes só com um som.

– Saber que tenha dormido bem, mal, esteja doente, mal disposta, com febre, a arrastar-me pelo chão, terei de dar a volta e recuperar com a melhor energia possível porque há alguém que “depende” de mim.

– Dar por mim a fazer alguma coisa e a cantarolar “sapo sapo sapo, à beira do rio, quando o sapo canta é porque tem frio” em vez de uma qualquer música da rádio.

-É querer ser mais. Melhor. Errar. Aprender. Viver.

– Querer, mesmo quando é ela quem mais me exaspera, um abraço da minha filha.

Fazê-la sentir que importa, que trouxe uma felicidade imensa à nossa casa, que somos tão mais completos pelo simples facto de ela existir.

Ser mãe, ser filha. Duas metades de uma existência tão rica, complexa e importante.

Gosto tanto de ser filha.

Não trocaria ser mãe por nada no mundo.

E assim é que deve ser.

imagem@weheartit

Eu amei-vos o suficiente para…

Um dia, quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes:

Eu amei-vos o suficiente para ter perguntado “onde vão, com quem vão e a que horas vão voltar”.

Para não ter ficado em silêncio e fazer-vos saber que aquele novo amigo não era boa companhia.

Eu amei-vos o suficiente para os fazer pagar os doces que tiraram do supermercado ou revistas do quiosque, e obriga-los a dizer ao dono: “Nós levamos isto ontem e queríamos pagar“.

Eu amei-vos o suficiente para ter ficado de pé, duas horas, enquanto limpavam o vosso quarto, tarefa que eu teria feito em 15 minutos.

Eu amei-vos o suficiente para vos deixar ver para além do amor que eu sentia por vocês. Viram também o desapontamento e e por vezes lágrimas nos meus olhos.

Eu amei-vos o suficiente para vos deixar assumir a responsabilidade das vossas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
Acima de tudo, eu amei-vos o suficiente para lhes dizer NÃO, quando eu sabia que vocês me iam odiar por isso (e por momentos até odiaram). Essas eram as mais difíceis batalhas de todas.

Estou contente, venci… Porque no final vocês também venceram!

E qualquer dia, quando os meus netos forem crescidos o suficiente para entender a lógica que motiva os pais e as mães, e lhes perguntarem se a mãe era má, os meus filhos vão lhes dizer:

“Sim, a nossa mãe era má. Era a mãe mais má do mundo…”

As outras crianças comiam doces no café e nós tínhamos que comer cereais, ovos e torradas.
As outras crianças bebiam refrigerantes e comiam batatas fritas e sorvete ao almoço e nós tínhamos que comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.
A mãe obrigava-nos a jantar à mesa, e as outras mães deixavam os filhos comerem a ver televisão.

Insistia em saber onde estávamos a todas as horas (ligava-no para o telemóvel de madrugada e “cuscava-nos” os e-mails).

A Mãe tinha de saber quem eram os nossos amigos e o que é que nós fazíamos com eles.

Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que demorássemos apenas uma hora ou menos. Nós tínhamos vergonha de admitir, mas ela violava as leis do trabalho infantil. Nós tínhamos que tirar a louça da mesa, arrumar os nossos quartos, esvaziar o lixo e fazer todo o tipo de trabalho em casa, que nós achávamos cruel.

Eu acho que a mãe nem dormia à noite, a inventar coisas para nos mandar fazer.

Insistia sempre connosco para que lhe disséssemos a verdade e apenas a verdade. E quando éramos adolescentes, até conseguia ler-nos os pensamentos.
A nossa vida era mesmo chata. Não deixava os nossos amigos buzinarem para sairmos. Tinham de subir, bater à porta, para a mãe os conhecer.

Enquanto os outros miúdos não tinham horas para chegar a casa, nós tivemos que esperar até aos 16 para anos chegar um bocadinho mais tarde. E aquela chata levantava-se para saber se a festa foi boa (só para ver como é que estávamos).

Por causa da nossa mãe, perdemos imensas experiências na adolescência. Nenhum de nós esteve envolvido com drogas, roubos, atos de vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por qualquer crime.

TUDO POR CAUSA DA NOSSA MÃE.

Agora que já somos adultos, honestos e educados, estamos a dar o nosso melhor para sermos “PAIS MAUS”, como minha mãe foi.
E este é um dos males do mundo de hoje: as mães não suficientemente más!

 

Artigo do Psicólogo Dr. Carlos Heckteuer, sugestão do leitor

Eu sei. Estás preocupada.

Todos os dias o teu filho chega a casa com uma história sobre AQUELA criança.

Aquela que está sempre a bater, a empurrar, a beliscar, a arranhar e até a morder às outras crianças.
Aquela que tem de ir sempre de mão dada comigo na fila para a sala.
Aquela que tem um lugar especial no tapete, e às vezes senta-se numa cadeira em vez de se sentar no chão.
Aquela que teve que sair da sala de brinquedos, porque os brinquedos não foram feitos para ser atirados.
Aquela que trepou a cerca do parque exatamente enquanto eu dizia para não o fazer.
Aquela que entornou o leite do colega no chão num acesso de raiva.

De propósito. Enquanto eu estava ali, a olhar para ela. E depois, quando eu pedi que limpasse, acabou com o rolo de papel inteiro! De propósito. Enquanto eu observava. Aquela que diz PALAVRÕES à séria na aula de educação física.

Estás preocupada porque acreditas que esta criança poderá prejudicar a experiência de aprendizagem do teu filho.

Tens medo que esta criança ocupe grande parte do meu tempo e da minha energia, e que o teu filho não receba a atenção necessária e merecida.
Tens medo que esta criança  magoe alguém a sério um dia. E tens medo que esse “alguém” seja o teu filho.
Tens medo que o  teu filho também comece a ser agressivo.
Tens medo que o teu  filho possa ficar para trás porque eu talvez não consiga aperceber-me de que ele está com dificuldades a fazer a pega do lápis. Eu sei.

O teu filho, este ano, com esta idade, não é AQUELA criança.

O teu filho não é perfeito mas geralmente segue as regras. Ele é capaz de partilhar brinquedos pacificamente. Ele não atira os brinquedos. Ele põe o dedo no ar para falar. Ele trabalha quando é para trabalhar, e brinca quando é para brincar. Sempre que vai à casa de banho volta direto para a sala de aula sem se distrair. Ele nem conhece os palavrões. Eu sei.

Eu sei, e também estou preocupada.

Eu estou sempre preocupada. Com TODOS os meus alunos.

Preocupo-me com a pega do lápis do teu filho, com os sons das letras de outra criança, com a timidez do mais pequeno da sala e com a lancheira vazia de outros. Eu preocupo-me que o Lucas não venha suficientemente agasalhado e que o pai de Talita grite com ela por escrever a letra B ao contrário. Penso neles enquanto vou a conduzir para casa e quando estou a tomar banho de manhã, porque os meus pensamentos estão sempre com eles.

Mas eu sei, que queres falar sobre AQUELA criança.

Porque os Bs ao contrário de Talita não vão deixar o teu filho com um olho roxo. Eu também quero falar sobre aquela criança, mas há tantas coisas que eu não te posso dizer.

Eu não te posso dizer que ele foi adotado aos 18 meses.

Eu não te posso contar que está a fazer uma dieta de eliminação de possíveis alergias alimentares, e que por isso está SEMPRE com fome.

Eu não te  posso dizer que os pais daquela criança estão, neste momento, a meio de um divórcio horrível, e ela tem ficado com a avó.

Eu não te posso dizer que desconfio que a avó beba demais… Eu não te posso dizer que a medicação que toma para a asma faz com que fique muito agitado.

Eu não te posso dizer que a mãe daquela criança é uma mãe solteira, e deixa-a na escola todo o dia, desde que abre até fechar e que, de seguida, a viagem até a casa leva 40 minutos.

Eu não te posso dizer que aquela criança foi vítima de violência doméstica.

E tu entendes que eu não possa partilhar informações pessoais ou da família. Só queres saber quais as medidas que estou a aplicar em relação ao comportamento daquela criança.

Eu adorava contar-te. Mas também não posso.

Eu não te posso dizer que aquela criança recebe serviços fonoaudiólogos, porque numa avaliação apresentou um grave atraso na linguagem, e que o terapeuta sente que a agressão está relacionada à frustração por ser incapaz de comunicar.
Eu não te posso dizer que tenho reuniões com os pais daquela criança TODA as semanas, e que costumam chorar nessas reuniões.

Eu não te posso dizer que aquela criança e eu temos um sinal secreto para me dizer quando precisa de se estar sozinha por um tempo.

Eu não te posso dizer que aquela criança passa o intervalo enrolado no meu colo porque “me faz sentir melhor ao ouvir seu coração, professora“.

Eu não te posso dizer que tenho rastreado os seus incidentes agressivos meticulosamente, e que diminuíram de 5 incidentes por dia, para cinco incidentes por semana.

Eu não te posso dizer que a chefe da secretaria da escola concordou em deixar-me mandar aquela criança para o escritório para “ajudar” sempre que eu achar que precisa de “mudar de ares”.

Eu não posso te dizer que na última vez que tive de sair da sala, IMPLOREI de lágrimas nos olhos aos meus colegas que ficaram a tomar conta  para serem gentis com aquela criança, mesmo estando frustrados porque acabou de dar um soco a alguém OUTRA VEZ, e mesmo à frente do PROFESSOR.

A questão é, há TANTAS COISAS que eu não te posso dizer sobre AQUELA criança. Eu nem sequer te posso dizer as coisas boas.

Eu não te posso dizer que o seu trabalho na sala de aula é regar as plantas. Que ele chorou desconsoladamente quando uma das plantas morreu durante as férias de natal.

Eu não te posso dizer que ele dá um beijinho de adeus na sua irmã bebé todas as manhãs, e diz-lhe “és o meu sol” antes da mãe ir embora.

Eu não te posso dizer que ele sabe mais sobre as tempestades do que a maioria dos meteorologistas.

Eu não te posso dizer que muitas vezes ele me pede ajuda para afiar os lápis durante o intervalo.

Eu não te posso dizer que ele gosta de fazer cafuné no cabelo dos amigos no intervalo.

Eu não te posso que, quando um amigo está a chorar, ele é o primeiro a vir do canto de histórias com o seu ó-ó para o confortar.

A questão, querida mãe, é que eu só posso falar contigo sobre o TEU filho.

Então, o que eu posso dizer-te é o seguinte:

Se em algum momento, o TEU filho, ou qualquer um dos Teus filhos, se tornar NAQUELA criança…

Eu não vou partilhar os teus assuntos familiares com outros pais na sala de aula.
Eu vou comunicar contigo com frequência, de forma clara e gentil.
Eu vou certificar-me de que terei sempre lenços de papel por perto nas nossas reuniões e, se deixares, eu vou agarrar-te na mão enquanto choras.

Eu vou defender sempre o teu filho e a vossa família, para que recebam os serviços especializados de melhor qualidade, e eu vou cooperar com esses profissionais da melhor forma que for possível.

Eu vou certificar-me que o teu filho recebe sempre amor e carinho quando mais precisar.

Eu vou ser uma voz para a tua criança na nossa comunidade escolar.

Eu vou, independentemente do que aconteça, continuar a procurar e encontrar as coisas boas, surpreendentes, especiais e maravilhosas sobre o teu filho.
E eu vou-te lembrar dessas coisas boas, incríveis, maravilhosas e especiais, várias e várias vezes. Sempre que precisares.

E quando outras mães vierem ter comigo preocupadas com o TEU filho…

Eu vou dizer-lhes exactamente o que te disse.
Palavra por palavra.

Com amor,
A professora do teu filho

 

Publicado no Blog  Miss Night’s Marbles,
traduzido e adaptado por Up To Kids®

imagem@360doc.com

Nisto do amor (como se fosse uma coisa simples e definitiva), as coisas mudam muitas vezes.

Quando nos apaixonamos. Quando percebemos que afinal não era bem amor, que agora é que é (e que daquela(s) outra(s) vez(es) nem contou). Quando encontramos pessoas que nos fazem amá-las de uma forma não amorosa. Quando conhecemos sítios e culturas novas. Quando encontramos a casa dos nossos sonhos. Quando somos tios, ou padrinhos de uma criança, quando os nossos amigos têm filhos. Quando somos pais de um bebé.

Definir o amor seria uma tarefa demorada, bastante relativa e ainda mais redutora, mas há quem, tendo chegado à parte de ter filhos, se esqueça dos outros amores que sentiu – e deveria continuar a sentir.

A gestão do tempo é complicada e ter um filho requer uma entrega gigante, nunca ninguém o negará, mas este amor, este viver com o coração fora do peito, não pode nem deve obliterar o restante amor que existe nas nossas vidas.

Há pessoas que passam a ir trabalhar a olhar para o relógio, ansiosos que chegue a hora de voltarem para perto dos rebentos, há pessoas que quase se esquecem que precisaram do companheiro para que aquele bebé ali estivesse. Há pessoas que deixam, pura e simplesmente, de ter amigos. Nos casos mais extremos, as pessoas esquecem-se de se amar a si próprias.

Amar um filho é reaprender a amar. É não conseguir compreender como é que tanto amor cabe dentro do peito… como é que esse amor, não se repetindo, também não se divide quando chegam outros filhos.

Mas tal como o amor materno e paterno é elástico, também todos os outros níveis de amor o são. E têm de ser nutridos, alimentados ou desaparecem.

Os nossos filhos, se tudo correr bem, estarão sempre lá. Mas chegará a altura em que voam. E vai saber bem ter alguém ao nosso lado para os ver voar, seja um companheiro, sejam amigos. E vai saber ainda melhor perceber que mesmo tendo eles voado, nós continuamos a existir na nossa plenitude. Porque nos lembrámos de nos amar. Porque não nos esquecemos de distribuir o amor à nossa volta.

Às vezes precisamos de nos lembrar disto e abrir um pouco a roda. Para deixar chegar perto quem nunca deixou de ali estar.

Para o bem deles.

Para o nosso bem.

O amor, essa dádiva, chega para todos.

És, definitivamente, uma mãe quando…

  1. Consegues fazer tudo – responder e-mails, pintar as unhas dos pés, fazer o jantar, falar ao telefone, tudo – com alguém ao colo. Pode demorar um pouco mais, mas consegues fazer.
  2. Por mais que feches a porta da casa de banho sem fazer barulho nenhum, os teus filhos aparecem lá passado 1 minuto e meio. Máximo 2 minutos se estiverem a ver TV.

  3. Ficas  “histérica” quando tens uma jantar marcado com as tuas amigas, e depois voltas para casa às 23h porque te lembras que no dia a seguir tens de deixar os miúdos na escola às 8h30.
  4. Quando está tudo em silêncio, estranhas e pensas: “Já estão a fazer asneiras (com M)…”. Mas estás a curtir tanto o sossego que até estás disposta a arcar com as consequências.
  5. A tua mala tem mais coisas de outras pessoas do que tuas.
  6. Sempre que estás a tomar banho ouves o bebé a chorar (Mesmo que o teu filho mais novo já tenha 12 anos. É tipo um choro fantasma).
  7. Quando vês um bebé a fazer uma birra no supermercado, trocas olhares de “I’ve been there.” com a outra mãe.
  8. Dormires 8h de seguida, tomares um banho sem interrupção ou andares com o cabelo solto é um luxo.
  9. Reconheces o choro do teu filho a léguas, e consegues saber se se magoou, se é birra, se tem fome ou se é sono.
  10. Tomar banho ou fazer xixi de porta aberta enquanto conversas com uma criança é perfeitamente normal.
  11. Passaste a ter medo de coisas que nunca tiveste na vida.
  12. Consegues adormecer em sítios que nunca tinhas imaginado:  na aula de natação dos miúdos, na sala de espera do consultório ou na depilação.
  13. É normal ouvires músicas infantis no carro mesmo depois de deixares os miúdos na escola.
  14. Nunca tens tempo para nada, mas quando estás sem miúdos não sabes o que hás-de fazer sozinha. 
  15. Passas o dia TODO com saudades dos teus filhos e chegas ao serão e só queres enfiá-los na cama para ires dormir! 


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    ÉS, DEFINITIVAMENTE, UMA MÃE QUANDO

    Por Justrealmoms, adaptado por Up To Kids®, todos os direitos reservados.

Mãe… Pai… Há algumas coisas que vos gostava de conseguir dizer por palavras, só que muitas vezes não tenho as palavras certas, mas hoje vou tentar. Estejam com atenção! Aqui vai…

Eu sei que há uma coisa que vos deixa um bocadinho zangados… é quando eu faço birras… Mas olhem, quando eu faço uma birra, eu não preciso que me dêem tudo só para eu parar de chorar. Isso ensina-me que chorar é uma boa maneira de conseguir o que quero, mas na verdade eu até nem gosto de chorar, faz-me sentir mal.

E há também outra coisa… eu às vezes só faço birra para ter um bocadinho da vossa atenção, se vocês perceberem isso se calhar eu vou conseguir controlar-me melhor.

Lembrem-se de uma coisa, o que eu mais quero é a vossa atenção, e se vocês não dizem nem fazem nada quando eu me estou a portar bem, o que eu penso é que vocês não me estão a ligar. Mas se assim que eu faço um disparate vocês vêm logo ter comigo (mesmo que seja para ralhar), então eu fico a achar que vocês só me vão ligar se eu me portar mal e, por isso, volto a fazê-lo. Às vezes fico um bocadinho confusa, afinal vocês não querem que eu me porte bem?… Prefiro que me dêem atenção quando me porto bem, e quando eu fizer algum disparate (se não for nada de grave), não me dêem atenção. Eu vou acabar por perceber que não vale a pena fazer isso para vos ter por perto.

Quando vocês me impõem regras, vocês já devem ter percebido que eu às vezes não gosto muito e, na verdade, preciso testar um bocadinho para perceber até onde é que vocês estão realmente dispostos a deixar-me ir. Mas, sinceramente, eu fico um bocadinho assustada quando não sei quais são os limites, fico perdida e desorientada… Acho que eu preciso de regras, mesmo que às vezes pareça ficar zangada, não deixem de as colocar e me fazer cumpri-las.

Há momentos em que vocês me criticam muitas vezes e não me dizem as coisas boas que eu tenho e que sei fazer, e nessas alturas eu acabo por acreditar mesmo nisso, afinal de contas, vocês são os meus pais e se vocês o dizem é porque é verdade, mas isso deixa-me desanimada, insegura e faz-me sentir ainda mais pequenina.

Sabem… eu fico mesmo feliz quando vocês me elogiam pelas coisas que eu consigo fazer. Para vocês, podem parecer pequenas coisas, mas na verdade eu sou pequenina e, por isso, para mim, essas coisas são muito grandes! Eu gosto muito dos vossos mimos, aplausos e elogios nesses momentos.

Eu sei que às vezes sou um pouco mexida, que faço disparates e que vocês, por vezes, estão muito cansados, mas eu não faço de propósito para vos chatear ou zangar… preciso que me aceitem como sou, me compreendam e que tenham um bocadinho (do tamanho do mundo) de paciência e tolerância comigo.

Eu preciso muito que me respeitem, mas eu preciso também que lá em casa não mandemos todos o mesmo… para eu me sentir segura, eu preciso sentir que são vocês quem toma as decisões nas situações mais importantes. Não eu… Na verdade, eu não gosto muito de lutas de poder. É uma coisa estranha eu estar a “lutar” com um adulto para ver quem ganha.

E só mais uma última coisinha… eu não estou à espera que vocês sejam perfeitos, eu vou amar-vos sempre. Mesmo que às vezes diga o contrário, não é verdade, está bem?! É só porque estou zangada.

Há muita coisa que não vos consigo dizer por palavras. Ainda sou criança e isso é difícil para mim, mas se me fizerem sentir segura e protegida e me ajudarem a falar de sentimentos, tenho a certeza que, quando for mais crescida, vou conseguir fazê-lo muito melhor. Conto convosco para isso. Amo-vos muito!

A vossa filhota

(5 anos)

Cátia Teixeira, Psicóloga Clínica

imagem@freepics

Lá está ela, por baixo do meu filho de 3 anos, de braços abertos como se estivesse na igreja à espera que Deus lhe largue uma bomba em cima.

“Sabe quem é a mãe desta criança?” – pergunta-me quase a arfar, em pânico.

-“É minha”, respondo, “E já sobe essa escada desde os 2 anos

Ela olha para mim como um falcão para um rato. É aí que me apercebo que estou encurralada. Ela é uma controladora. E se eu não estiver sempre à volta dos meus filhos, ela vai fazê-lo por mim de uma forma pouco silenciosa enquanto me critica e julga telepaticamente.

Obrigada por me estragares o programa no parque infantil, fofa!

Porque existem dois tipos de pais no parque.

Eu vou muito com os meus filhos para o parque por duas razões: para que possam brincar com outras crianças, e para que aprendam a lidar com as situações por sim mesmos. Aprendem a testar os seus limites, a experimentar a sua capacidade física. “Será que consigo subir esta escada?” – se não conseguir, temos pena. Talvez consiga da próxima vez.. Aprendem a correr e a gritar e a fazer amigos e todas essas coisas que os miúdos aprendem nos parques enquanto eu fico sentada na conversa com outras mães. Porque isso é o que eu faço no parque. Eu converso com as minhas amigas mães, enquanto me certifico, ao longe, de que corre tudo bem.

Há vários motivos para eu levar os meus filhos ao parque. Mas eu não os levo lá para brincar com eles. E isso, aparentemente, faz de mim uma mãe negligente e merecedora de se chamar a segurança social, aos olhos do outro tipo de mães no parque. Essas são as mães helicópteros.

Estes pais nem sequer aquecem o banco de jardim. Estes pais vêm com um objetivo: brincar com os filhos. E não é à distância. Eles ensinam o Júnior a subir as escadas degrau por degrau, a descer o escorrega, empurram-no suavemente nos baloiços. Não há trepadelas pelo lado errado do escorrega. Não se sobe ao topo dos divertimentos mais altos. E muito menos se corre perto de qualquer coisa que possa andar ou rodar. Aliás, não podem fazer nada daquilo que os miúdos gostam de fazer no parque. Sei lá eu o que é. Não tenho 6 anos.

As arestas de plástico arredondados de cada brinquedo do parque não são o suficiente para essas mães, nem tampouco o chão emborrachado. Elas têm de estar ali, de braços abertos à espera de agarrar uma criança que possa cair. Elas seguem as recomendações de idades dos baloiços. E estragam tudo às outras mães.

Normalmente é assim: estou sentada a picnicar com um grupo de mães como eu. Uma até pode estar, cof cof, em pulgas para ir a correr de braços abertos para um miúdo, e a pior está de costas a mexer no telemóvel. De repente uma criança, normalmente o meu filho mais novo, tenta escalar cuidadosamente uma plataforma, talvez até grande demais para ele.

Onde é que está a tua mamã?” E ouço essa voz fofa a dizer ”Eu ajudo-te a subir”, e enquanto isso, olha à volta à minha procura para fulminar-me com os olhos.

Isto significa que tenho de levantar-me e tirar de lá o miúdo, porque se ele não conseguia subir sozinho, obviamente não vai conseguir descer.

Estas são também as mães que andam frenéticas a gesticular por baixo dos meus filhos cada vez que estão a subir umas escadas, a escalar uma parede ou a balouçar nas grades de macaco. As mães helicóptero ficam ali, de braços no ar, a olhar à volta à procura de uma mãe para culpar. “Ai, já estou cheia de nervos! – dizem alto e em tom depreciativo!

As mães helicóptero gostam de reforçar as regras do parque. Aquelas regras de bom senso, que não estão definidas em nenhum lado, e que toda a gente ignora. “Sobe-se pelas escadas e desce-se pelo escorrega!” dizem alto e em bom som e vezes infinitas. Olham para os meus filhos de lado até eu me levantar e dar a ordem “Meninos, não subam pelo escorrega!”.

Não pode haver brinquedos dentro do parque infantil. Nem pode haver lutas. Não podem atirar pinhas (mesmo que não sejam direccionadas nem acertem a ninguém). Não podem andar descalços. Não podem estar de tronco nú! (Ei, o meu filho molhou-se todo no aspersor de rega). E nada de brincar com terra ou na lama, porque dá mau exemplo. Não vão os tesouros preciosos e assépticos destas mães querer sujar-se também.

Eu não venho ao parque para fazer o meu papel de mãe. Eu venho para lhes dar liberdade, com limites razoáveis. Eu venho ao parque para deixá-los explorar. Eu venho ao parque para os meus filhos serem crianças.

E quando estas mães que me olham de lado pegam no meu filho e o colocam em sítios onde sozinho não conseguiria ir, estão a estragar tudo.

Querida mãe Helicóptero, quando te fartares de andar com o Júnior ao colo, a pô-lo e a tira-lo de cima de todas as escadas e divertimentos, podes  juntar-te a nós. É simpático estar de conversa à sombra. Nós somos divertidas.

Pode ser que o Júnior faça alguns amigos. Pode ser que corra e se suje. Pode ser que se torne no momento mais divertido de todo o seu dia.

Até lá, guarda a mania de controlar o parque todo para ti própria.

 

Por Elizabeth Broadbent, para Scary Mommy

 

Traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®
Todos os direitos reservados

 

Todos já ouvimos, num ou outro momento, a expressão “ colhes o que semeias ”. É válido para quase tudo da vida, excepção feita às injustiças que por aí se multiplicam.

Se sairmos de casa irritados porque estamos atrasados, teremos muito menos tolerância para a pessoa que parece andar em câmara lenta a atravessar a estrada em frente ao nosso carro, ou àquele carro que não nos deixa entrar na faixa nem por nada.

Também com os filhos, em muitas ocasiões é assim. Somos, em muito, energia. E energia positiva cria energia positiva.

Se estivermos sem paciência, naturalmente os nossos filhos vão sentir isso mesmo e “provocar-nos” mesmo que sem se aperceber.

Se não estamos disponíveis para eles é quase certo que vão chamar a atenção e, maioritariamente, de forma negativa. Sabem que assim olharemos para eles, nos daremos ao trabalho de ir ver o que se passa, chegar perto, falar.

Se acordam mal dispostos da sesta a nossa maior prova de amor é tentar que essa indisposição passe. Brincando, rindo, distraído ou, muitas vezes, dando-lhes espaço para resolverem o que os está a perturbar ou deixá-los recuperar por si mesmos. Se, ao invés disso, nos deixarmos absorver pela má disposição e perdermos nós o bom humor, avizinham-se horas difíceis, em que tudo é uma chatice, em que fazem asneiras atrás de asneiras, em que queremos puxar os cabelos de tão desesperados nos sentimos.

Amor gera amor.

Paz gera paz.

Um sorriso provoca outro sorriso.

Procurarmos estar zen mais vezes traz a paz a nossa casa.

Para a próxima vez que estiver numa altura difícil tente lembrar-se de como gosta que lidem consigo quando se sente frustrado. Ou irritado por qualquer motivo. Aja com os outros e, principalmente com os seus filhos, como gostaria que os outros agissem consigo e com eles na sua ausência.

A serenidade é um estado de alma mas pode ser trabalhado para ser um modo de vida.

Baixe o tom da conversa.

Não se ria das fragilidades do seu filho.

Não o acuse.

Não seja implacável.

Pratique a paz de espírito.

Se lhe passar esta lição hoje, então pode esperar o mesmo tratamento da parte dele.

Agora e no futuro.

Seja o melhor exemplo que ele pode receber – mais tarde orgulhar-se-á da pessoa em que ele se tornou.

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Com três letrinhas apenas nos referimos ao ser mais complexo e completo do Universo.

A mãe consegue rir e chorar ao mesmo tempo devido a uma mesma emoção quando confrontada com uma proeza de um filho.

Só uma mãe entende o risco que é pintar as unhas em casa, à noite, depois de deitar um bebé. Aprendemos a rezar baixinho para que se aguente pelo menos até à segunda camada estar seca – mas não somos tão exigentes que vamos logo pedir que haja espaço temporal para a aplicação do brilho…

A mãe é enciclopédia, motor de busca, banco, amiga, depósito de segredos.

É capaz de fechar os olhos a uma asneira para não dar cabo de uma tarde perfeita. É incapaz de deixar passar uma injustiça.

É leoa, tigre, elefante, galinha – dependendo da ocasião.

É consultora de moda e, se a genética e os gostos assim o permitirem, mais tarde ou mais cedo tem o roupeiro atacado pelas filhas. E olhar crítico dos filhos em relação a uma ou outra roupa.

A mãe inventa histórias, canta canções, reaprende a matéria da escola quantas vezes for preciso.

Preocupa-se com as horas: de deitar, de comer, do banho, mais tarde com as horas de sair, de chegar a casa. Com os amigos, os namorados, os professores.

Só uma mãe acorda a meio da noite a jurar a pés juntos que ouviu um bebé chorar. Mesmo quando o seu dorme como um anjo ou já não é tão bebé assim.

Estranha se tem a casa de banho toda só para si.

Estranha se não a chamam de cinco em cinco minutos.

Estranha se há demasiado silêncio.

Estranha se acorda só com o despertador.

É estranha quando partilha isso com quem não tem filhos.

Compreende melhor, com mais ou menos julgamento, a sua própria mãe.

Lembra-se de todas as datas das etapas importantes, até que estas se misturam e já não sabe dizer com certeza se foi de um filho ou de outro.

Tem a sorte de aprender todos os dias.

Tem a responsabilidade de ensinar todos os dias.

Não pode simplesmente decidir que quer mudar de vida e arriscar. Mas já não faz mal.

Porque as mães gostam de ter raízes.

As que elas próprias plantaram.

As que elas regam diariamente.

As que um dia as regarão a elas.

Ser mãe nunca acaba.

Como o amor de uma mãe por um filho.

 

Feliz Dia da Mãe para todas as mulheres que têm o privilégio de o ser (força e coragem para as que tentam) e para as que têm sorte de ainda a ter – ainda que saibamos que o dia da mãe, esse sim, é todos os dias.

 

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