Depende da relativização que fazemos.
Este ano, a minha filha mudou-se para Inglaterra. A adaptação à língua não foi fácil, mais pela frustração que sentia em não conseguir comunicar à mesma velocidade que já fazia na língua materna, do que pelo medo do desconhecido. Sobre esse conversámos e aprendemos a dar-lhe “pontapés no rabo”. Foi um click.
Quase seis meses depois regressámos a Portugal. Chegámos a uma terça-feira e na quinta ela já foi à escola.
O meu coração estava mais do que apertado. É fácil gerir as mudanças na nossa vida, sozinhos. Quando temos um filho, tudo muda. Assaltam-nos os medos, que mesmo pontapeando, tal como lhe ensinei, sucedessem-se.
Quando decidi regressar só fiz um plano: relativizar a mudança, tal como, a vida já nos obrigou a fazer antes.
Na véspera de ir para a escola perguntou-me se podia estar nervosa, embora gostasse de voltar a ser, outra vez, a “menina nova”. Respondi-lhe que podia, que tal como lhe disse, antes, os adultos também ficam nervosos e têm medo.
O segredo está na maneira como resolvemos as coisas.
Se em Inglaterra ela tinha conseguido vencer e aprender uma língua que não era a dela, agora, que entende tudo e se pode explicar, era muito mais fácil. Só tinha de fazer todas as perguntas, que sentisse que tinha de fazer, sem medo e/ou vergonha.
Não podia ter corrido melhor. Parece que está na escola desde sempre.
Depois de, no espaço de pouco mais de um ano, ter-me visto obrigada a explicar-lhe a morte de vários familiares e, acima de tudo, a da irmã bebé, mais a adaptação a Inglaterra, e agora o regresso a Portugal, sinto que apesar do carrossel que tem sido a nossa vida, ela está a aprender a superar obstáculos e a encontrar dentro de si a segurança para tal.
E isto vai ser-lhe tão importante pela vida fora!
Tal como o tempo muda a cada milésimo de segundo, criar e educar um filho também não é constante. As necessidades de ontem não são as de hoje, nem serão as de amanhã.
Vivemos numa era em que se fala e escreve sobre fórmulas para quase tudo. A era das verdades absolutas. Mas a fórmula é apenas uma: ouvir e seguir o nosso coração de mãe.
Por Irina Gomes,
para Up To Lisbon Kids®
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