Mais importante do que pensar nas resoluções para o novo ano, é saber encerrar ciclos. O fim do ano ou o inicio de um ano novo é o pretexto ideal para encerrar capítulos. Deixamos esta reflexão da psicóloga e colunista colombiana Gloria Hurtado, para encerrarmos aqui um ano que passou, e estarmos libertos para receber de braços abertos 366 novas oportunidades!
É preciso saber sempre quando uma etapa chega ao fim. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foste despedido? Terminaste uma relação? Saíste de casa dos pais? Partiste para viver noutro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Podemos passar horas, dias e semanas a tentar perceber o que aconteceu, onde erramos. Podemos dizer que não daremos mais um passo enquanto não entendermos as razões que levaram a certas coisas, que eram tão importantes e sólidas na nossa vida, a serem subitamente transformadas em pó. Mas essa atitude será um desgaste imenso para todos aqueles que nos rodeiam. Todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver-te parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente crianças, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação que já terminou e não tem a menor chance de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixa-las realmente ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está a acontecer no nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.
Ninguém joga nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não esperes que devolvam algo, não esperes que reconheçam o teu esforço, que descubram o teu génio, que entendam o teu amor. Pára de ligar a televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como sofreste com determinada perda: isso vai envenenar-te lentamente, nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceites, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: assume que aquilo que passou, jamais voltará.
Lembra-te de que houve uma época em que podias viver sem aquilo, sem aquela pessoa – nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.
Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na tua vida.
Fecha a porta, muda o disco, limpa a casa, sacude a poeira.
Deixa de ser quem eras, e se transforma-te em quem és. – Por Gloria Hurtado
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