A importancia de um sono descansado

Dormir é tão essencial quanto comer e respirar! Na infância, um sono de qualidade assume um papel primordial, pois para além de ser importante para a recuperação das funções biológicas e para o crescimento corporal, é também importante para o bem-estar psíquico, pois permite a reorganização do pensamento.

Sabia que, existe uma elevada percentagem de crianças portuguesas em privação crónica de sono (SPS-SPP)?

Pois bem, de acordo com a Sociedade Portuguesa de Pediatria, a maior parte das crianças não dorme o tempo suficiente e recomendado para a sua idade. Em parte, porque a partir dos 3 anos muitas escolas deixam de fazer a sesta e porque as exigências laborais dos pais não permitem que, por vezes, as crianças se deitem mais cedo e/ou que se levantem mais tarde. Estes são alguns dos factores que contribuem para que as crianças durmam menos (SPS-SPP).

Cada criança tem o seu próprio padrão de sono, mas de uma forma geral e segundo as recomendações da American Academy of Sleep Medicine (AASM), as crianças de 1 a 5 anos necessitam de 10-11 horas de sono nocturno e as crianças de 1 a 2 anos, 2-4 h de sesta; e as crianças de 3 a 5 anos de 1-3 h de sesta (SPS-SPP).

Contudo, no que toca ao sono não importa apenas a quantidade, mas também a qualidade.

E como dormir com qualidade?

A qualidade do sono advém muito da qualidade da vigília. Os momentos que são vividos na chegada a casa têm impacto na hora de ir dormir. Hoje em dia, apesar das exigências da vida laboral, é importante sempre que lhe for possível, dispor de uma parte do seu tempo para brincar com o seu filho, o que fará que ele esteja mais tranquilo na hora de ir dormir. Tal como o sono, o banho e a alimentação, brincar e conversar em família também são necessidades básicas.

Estipular um horário para dormir e sempre que possível, mantê-lo ao fim-de-semana é também um aspecto promotor de um sono de qualidade. Não quer dizer que a criança tenha de ir dormir à hora definida e nem mais um minuto. Mas o horário deve ser organizador. Sabemos que, com o regresso às aulas acresce a pressão no cumprimento dos horários das rotinas. Importa sobretudo salientar que a hora de dormir não pode ser conflituosa. Isso irá perturbar o início de um momento que é suposto ser reparador.

A importancia das rotinas

É também importante estabelecer uma rotina que preceda a hora de ir para a cama. Esta, sempre que possível, deverá ser relembrada à criança momentos antes de suceder. A título de exemplo, a rotina de contar uma história antes da criança adormecer é extremamente tranquilizante e promotora de um sono descansado. Para além de ser um momento de relação pais-filho, as histórias estimulam o desenvolvimento cognitivo, a imaginação e a linguagem. Por vezes, numa tentativa de terem os Crescidos um bocadinho mais a seu lado, os Pequenos pedem infinitamente mais histórias, mas nestas situações também é importante impor limites, com amor e firmeza.

Outra questão muito importante é adormecer a criança na própria cama. Permitir o uso do seu objecto preferido, como a fraldinha, chucha ou um boneco, dá-lhe a tranquilidade que precisa para enfrentar a ausência dos pais durante a noite.

O que evitar antes de ir dormir?

Momentos antes de ir para a cama é também benéfico colocar as tecnologias, como telefones, tablets e televisão de lado. Estes aparelhos são extremamente estimulantes e dificultam o adormecimento. Assim como, é importante evitar actividades que envolvam esforço físico antes de dormir que, ao contrário do que se pensa, não faz com que a criança fique mais cansada e durma melhor, mas vai agitá-la, o que terá impacto na hora de dormir.

Privação de sono

Uma criança em privação de sono pode apresentar alterações de comportamento e emocionais. Tais como, birras/irritabilidade persistente, agitação motora, impulsividade, agressividade, bem como dificuldades cognitivas, com consequente comprometimento da aprendizagem (SPS-SPP).

Está comprovado que um sono descansado melhora os níveis de atenção, comportamento, aprendizagem, memória e regulação emocional (SPS-SPP). Permite também que a criança apreenda padrões de sono saudáveis, que se irão repetir na adolescência e na idade adulta.

*Recomendações SPS (Pediatria Social) – SPP (Sociedade Portuguesa de Pediatria). Prática da sesta da criança nas Creches e infantários, públicos ou privados (2017).

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Sesta? Sim, por favor!

As sestas são, para a grande maioria das crianças portuguesas com mais de três anos, um luxo.

As crianças que frequentam estabelecimentos públicos de ensino no pré-escolar não dormem sestas e isso sempre foi um dos pontos que mais me preocupava relativamente à minha filha.

No início do ano letivo que agora está perto do fim, a minha filha com três anos acabadinhos de fazer, conseguiu entrar para uma escola pública. Na reunião de início de ano com os pais e a direção da escola o pai dirigiu-se à coordenadora para perguntar como funcionavam as sestas, uma vez que a Mariana ainda tinha necessidade de fazer repouso. Como já sabíamos não haveria sestas. Mas na sua resposta, a coordenadora acrescentou: “mas sabemos que há crianças que precisam de descansar, por isso damos-lhes umas mantas e ele enroscam-se e encostam-se a um canto para dormirem, se conseguirem”. Pois. Eu sei. Estamos a falar de crianças e a imagem é de uns pobres miúdos a caírem de sono, com birra e exaustos a caírem contra as paredes porque não aguentam estar em pé.

Que pai gosta de ouvir esta resposta? Que pai, preocupado com as necessidades do seu filho ficaria tranquilo com este tipo de oferta da comunidade escolar.

A Mariana acabou por não ingressar na escola, por este e outros motivos, para nós igualmente relevantes mas não deixo de pensar neste assunto.

Ela está neste momento numa escola que faz o repouso depois do almoço, repouso esse que lhe é essencial.

Sei que todas as crianças são diferentes, nem todas precisam de dormir, nem sequer de dormir a mesma quantidade de tempo.

Na escola da minha filha as sestas vão de encontro a este facto: há crianças que dormem pouco ou quase nada e que se levantam e vão brincar, outras que precisam de dormir quase hora e meia para acordarem com energia renovada. Há espaço para todos.

Mas também isso termina este ano. Quando falo sobre esse assunto, seja na escola, seja com outros pais, refere-se o facto de estarem a caminhar para a escola primária, onde não se dorme a sesta.

Respiro fundo. A escola primária, para uma criança com três anos, está à distância de outros três anos. São três anos em que para se adaptarem a uma realidade que está no fundo do túnel faz com que sejam obrigados a descansar menos do que podem e deveriam.

“Ah, mas há escolas sem condições para deitar as crianças, há turmas heterogéneas, com crianças dos três aos cinco anos e não dá”. Aqui, como em tudo, o essencial é haver vontade. Os catres onde as crianças dormem não são caros e é um investimento que fica de uns anos para os outros, há com certeza espaço para os colocar nas salas.

E se há crianças que não dormem, então podem ser encaminhadas para outras atividades.

Há também quem diga que por causa do tempo letivo que se exige às educadoras que passem com as crianças, seria impraticável. Fico boquiaberta. Porque acredito (e sou apenas uma mãe a falar do pouco que sabe) – que poderia ter de haver um ajuste no planeamento dos dias, até porque com cinco anos o repouso não precisaria de ser longo, apenas o suficiente para as crianças descansarem – estas mesmas crianças estariam mais despertas e abertas a assimilar informação do que estando cansadas.

O sono é determinante para o desenvolvimento cognitivo e essencial para a sociabilização das crianças.

A Sociedade Portuguesa de Pediatria defende que, a curto prazo, a privação do sono na criança passa por distúrbios na modulação do humor e dos afetos, a perturbação da função neuro-cognitiva, alteração do comportamento e alteração motora.

Como já referi, sei que há crianças que não têm necessidade de descansar, têm pilhas intermináveis e é um tormento para os pais conseguirem que elas durmam uma sesta.

No caso da minha filha, mesmo com o repouso depois do almoço, em que em dias quase dorme a hora e meia, acontece adormecer no caminho para casa. Há dias em que chego à escola (e vou busca-la cedo) e ela está animada e a correr, mas assim que quebra noto o cansaço (também porque as noites têm sido complicadas, estamos numa fase em que precisa de um pouco mais para adormecer e isso rouba-lhe minutos preciosos de sono, mesmo fazendo eu um esforço para que ela se deite mais cedo para precisamente ela dormir tudo o que precisa).

Aquilo que eu defendo é que exista escolha. Que as escolas deem essa possibilidade às crianças. Porque há muitas que precisam. Porque há tantas que não dormem as horas suficientes à noite.

Mais uma vez não defendo que a escola substitua a responsabilidade dos pais, mas que seja um complemento essencial para que muitos miúdos possam crescer saudáveis.

A Academia Americana de Medicina do Sono (American Academy of Sleep Medicine – AASM) divulgou em Junho de 2016 novas recomendações onde estabelece períodos mínimos e máximos adequados a cada faixa etária, tendo sido esta declaração subscrita pela Academia Americana de Pediatria (AAP).

Novas recomendações para as horas diárias de sono:

– Lactentes dos 4 aos 12 meses: 12 a 16 horas por 24 horas (incluindo sestas)

– Crianças de 1 a 2 anos: 11 a 14 horas por 24 horas (incluindo sestas)

– Crianças de 3 a 5 anos: 10 a 13 horas por 24 horas (incluindo sestas)

– Crianças de 6 a 12 anos: 9 a 12 horas sono noturno por 24 horas

– Adolescentes de 13 a 18 anos: 8 a 10 horas sono noturno por 24 horas

Por cá, a Sociedade Portuguesa de Pediatria, no ano passado (2017), recomendou a realização de sestas das crianças no ensino pré-escolar. Alexandra Vasconcelos, médica da secção de pediatria social da SPP disse à Agência Lusa que  a falta da sesta nas crianças com idades a partir dos três anos representa um “grave problema de saúde pública”, acrescentando que “se as creches não fornecessem uma refeição toda a gente se indignava. A falta de uma sesta é igualmente grave”. A recomendação da SPP ressalva que, depois dos quatro anos, nem todas as crianças necessitam de realizar a sesta de forma regular pelo que “a família e a educadora de infância deverão avaliar, em conjunto, a necessidade da sua prática em cada criança”.

E é tão isto aquilo em que acredito.

Escolha.

Trabalho conjunto entre pais e educadores.

As crianças a serem avaliadas como indivíduos e não somente como parte integrante de um grupo.

Um futuro melhor.

Para todos e a começar na infância.

Para que possamos dormir todos descansadamente à noite, com a cabeça pousada na almofada.

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A minha experiência com o sono

Muitas vezes acho que nos fechamos demasiado sobre os nossos próprios problemas e temos alguma dificuldade em olhar em volta. E devíamos fazê-lo, para nosso próprio beneficio, porque assim conseguiríamos relativizar algumas situações.

Há uns tempos uma amiga recém mamã queixava-se que a sua bebé de três meses acordava durante a noite (à meia noite, às três e às seis) e dizia-o como se isso significasse que toda a sua existência fosse super dolorosa. E não deixa de ser, porque aqueles pais acordam duas vezes à noite (para mim as seis já contam como manhã…) e isso significa um descanso interrompido com todas as consequências que daí advém.

E eu fiquei a pensar no meu caso: durante dois anos e meio a minha filha acordou religiosamente todas as noites. Não teve aquela fase do “depois isso passa”, porque deveria ter acontecido ainda com alguns meses. Não, ela chegava a acordar três e quatro vezes já crescidinha. O meu corpo habituou-se, por mais que pudesse custar no dia seguinte – e custava, principalmente depois de voltar a trabalhar. O cérebro teve de se adaptar e eu, enquanto mãe e mulher, aprendi a gerir estas interrupções do sono sem nunca colocar um peso nem culpa na minha filha. Se ela precisava eu estava lá, como estou sempre, como estarei sempre. Mas a minha filha chamava, mamava, voltava à cama e dormia de imediato. E fui sempre agradecida.

Há crianças que não conseguem adormecer cedo.

Há crianças que acordam durante a noite e não voltam a dormir.

Há crianças que dormem tão pouco tempo que chega a ser impressionante como conseguem ser funcionais.

Tive uma colega de trabalho que partilhava a rotina lá de casa, durante três anos (depois perdi o rasto a esta situação) o filho acordava a meio da noite. Tinha já uma escala estabelecida, um dia ia lá ela, no outro o marido. E assim conseguiam ir dormindo, mais ou menos melhor do que se fosse lá sempre o mesmo. E eu lembro-me de pensar, ainda sem filhos, que devia ser muito difícil conseguir estar bem, pensar com clareza, trabalhar com competência, ter sentido de humor e boa disposição, não resmungar a qualquer interação humana. Admirei-a naquele momento, como continuo a admirar, porque ela conseguia fazer tudo isso, não dormindo uma noite seguida há três anos.

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A solução radical para umas boas noites de sono

Após 18 meses de noites não muito bem dormidas, decidimos procurar uma solução para este “problemazito”… O dormir pouco! Papás e mamãs alguém com este problema? (então este post é para vós!!)

Como qualquer papá e mamã, escolhemos o berço que nos pareceu melhor para o quarto do nosso bebé, mas infelizmente o colchão que comprámos tinha “picos”… Invisíveis é verdade, mas tinha “picos”, seguramente! Foi esta a justificação que encontrámos para o facto de dormir tão bem na cama dos papás, mas quando o tentávamos “passar” para o berço dava um salto e acordava ! Outros pais terão tido sorte e comprado um colchão “normal” e onde os seus bebés dormem profundamente. Se é este o seu caso, sentimos alguma inveja ?

Além desta justificação que nos parece plenamente válida (ou se calhar não)… o “nascer” dos dentes, o “vício de mamar*” durante a noite, o não querer estar sozinho, aliado ao facto de se mexer muito quando dorme e bater nas grades da cama… foram alguns dos fatores que contribuíram para noites mal dormidas! Efectivamente tínhamos um problema que queríamos resolver, até porque o bebé também quer dormir.

*a utilização da expressão “vicio de mamar” é apenas uma “força de expressão” razão pela qual está entre aspas.

Após lermos bastante… decidimos uma medida meio radical (método Montessori)! Como o L já é um bebé grande (18 meses), decidimos dizer adeus ao berço e passámos a sua cama para o chão. Assim damos-lhe autonomia de sair e entrar da cama quando quer, e sobretudo damos lhe espaço! (Algo que uma criança muito ativa e irrequieta como ele quer.) Assim dificilmente cai da cama, e mesmo que caia, a altura é bem baixa.

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Nota: quando preparar o quarto, ponha-se ao nível do seu filho e veja todos os perigos e mais algum, que ele possa inventar. A imaginação deles, consegue ser bem mais fértil que a nossa! Além disso não se esqueça de deixar fechadas as portas de outras divisões da casa.

Honestamente não esperávamos que corresse tão bem! Adora chegar ao quarto atirar-se para o colchão e tem feito um “oh-oh” de quase 7 horas seguidas!
Vamos na 7ª noite seguida e continuamos sempre atentos, aos passitos dele durante a noite… Esta noite pegou na luz de presença e veio para o quarto dos papás a cantar o “Olá, olá” do Panda… Haverá melhor despertador que este? ?

Boas noites de sono!!

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Dormir é uma necessidade primária, inerente a todo o ser humano.

A privação de sono reflete-se geralmente no nosso estado de humor, níveis de atenção e rendimento no trabalho. No caso das crianças o sono é também fundamental para o seu desenvolvimento, pois é durante o sono que são produzidas maiores quantidades de hormona do crescimento. Para além da quantidade de horas de sono, que vai diminuindo até à adolescência, é importante que a criança tenha um ambiente adequado e que sejam implementadas algumas rotinas no que respeita ao sono. Aqui ficam algumas dicas para melhorar o sono das crianças e, consequentemente, dos pais que há muito anseiam por uma noite de sono tranquila.

  1. Certifique-se que o seu(sua) filho(a) tem as horas de sono diárias necessárias, de acordo com a sua idade
Primeiro mês 19 horas 24 meses 13 horas
Até aos 3 meses 18 horas Dos 3 aos 7 anos Entre 10 a 11 horas
Até aos 6 meses 16 horas Dos 7 aos 12 anos Entre 9 a 10 horas
Até aos 12 meses 15 horas Adolescentes Entre 8 a 9 horas

 

  1. Permita que a criança brinque e gaste energias antes do deitar

Poderá inclusivamente fazer deste momento antes de deitar, um momento de brincadeira entre pais e filho(a), aproveitando assim para estimular o seu desenvolvimento e fortalecer também a relação e o vinculo emocional existente entre ambos.

  1. Tenha cuidado com a alimentação

Tenha algum cuidado na escolha dos alimentos que dará ao seu filho(a), sobretudo na refeição do jantar. Alguns alimentos são estimulantes e outros não são adequados por provocar uma digestão mais lenta, o que não irá favorecer o período de sono.

  1. Antes de deitar a criança, poderá dar-lhe um banho ou aplicar-lhe um creme realizando uma massagem localizada

Este ritual, para além de ajudar a criança a sentir-se mais relaxada, irá promover também os laços entre pais e filho, através do toque e dos cuidados prestados pelas figuras cuidadoras.

  1. Defina um ritual à hora de deitar

Ao deitar poderá definir um ritual de embalar, cantar, ler uma história, ou dar-lhe um objeto de conforto. Quando despertar, ajude a criança a encontrar o seu objeto de conforto, faça-lhe umas caricias e embale-a, o importante é que de forma progressiva, esta se consiga autorregular sozinha.

  1. Não substitua um mau hábito por outro

Não promova um mau hábito ao deitar, como por exemplo, dar-lhe um biberão para adormecer. Se uma criança adormece tendo como última recordação beber leite pelo biberão, ficará condicionada a depender de um biberão para voltar a adormecer quando acorda a meio da noite.

  1. Evite colocar a criança a dormir na cama dos pais

A partir dos 3 ou 4 meses é apropriado tirar a criança do quarto dos pais e passá-la para o seu. Ainda assim, vai muito a tempo de o fazer, se optar pelos 6 meses de idade. Evite sempre que a criança durma na cama dos pais, pois para além da interferência na rotina do casal, tal inviabiliza a independência da criança. É preferível que os pais fiquem junto da criança até esta adormecer, regressando posteriormente ao seu quarto.

  1. E se a criança chorar a meio da noite?

É importante que a criança aprenda que é hora de dormir, e que deve fazê-lo sozinha. Quando a criança chorar, os pais devem dirigir-se ao seu quarto para a acalmar. No entanto, não se apresse a socorrer a criança de cada vez que ela chorar. Em vez disso, aumente progressivamente os intervalos de tempo em que se dirige ao quarto do seu filho. Se a criança se levanta e vai para a cama dos pais, deve ser levada de volta para o seu quarto e estar com ela o tempo suficiente para lhe explicar que tem de dormir na sua cama.

  1. Esteja atento(a) a alterações nas rotinas de sono do seu(sua) filho(a) e eventuais perturbações do sono que possam surgir

Até aos 5 anos de idade é esperado que as crianças desenvolvam rotinas elaboradas para adiar o sono, são mais suscetíveis de querer uma luz acesa e de dormir com  o brinquedo ou o cobertor preferido. Estes objetos, designados por objetos transicionais em Psicologia, ajudam a criança a passar da dependência que caracteriza a criança para a independência que caracteriza a criança mais velha. Caso a criança apresente outros comportamentos menos normativos, tais como, oposição ao deitar, fobia ao deitar, insónias ou terrores noturnos, estes poderão ser sinais de que algo não está bem.

  1. Procure ajuda profissional

Se o seu(sua) filho(a) apresenta dificuldades ou perturbações ao nível do sono que estão a interferir significativamente no seu bem estar físico e emocional, se já tentou alterar rotinas e implementar estratégias diferentes e, ainda assim, o seu sono não melhorou, o mais indicado será procurar a ajuda de profissionais como o pediatra ou o psicólogo infantil, que o(a) ajudarão a perceber o que se passa e como melhorar o sono do(a) seu(sua) filho(a)…e dos pais.

Por Carla Pereira e Sandra Alves, psicólogas

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Keep it Simple poderia ser o mote desta marca.
Aqui não vais encontrar um catálogo infindo de camas cujo design pouco ou nada varia entre si.
Esta história começa com uma mãe que espera mais dos móveis dos seus filhos e sente que o bom design não precisa ser exclusivo.
Incapaz de encontrar uma cama que fosse diferente e acessível, decidiu pôr “mãos à obra” e criar as suas próprias peças.
Com formação em design e apaixonada por produtos artesanais, apostou na inovação e na tradição, para oferecer aos pais uma alternativa ao mobiliário para crianças.

Assim nasce a SWIT, onde cada peça é resultado da criatividade de uma mãe, tornada realidade pelas mãos e sabedoria dos nossos artesãos.
O feedback foi tão positivo, que a SWiT começou com apenas uma cama e cresceu para produzir duas linhas distintas: a SWiT WOOD (madeira) e a SWiT BAMBOO (bambu).

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A colecção SWiT WOOD tem um design simples, leve e sofisticado, que se adapta aos mais diversos ambientes. As camas são de cor personalizável e feitas a partir de contraplacado de bétula, um material flexível e facilmente lavável.

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  • A cama SWIT wood é perfeita para os mais pequenos.
    A baixa altura, permite-lhes entrar e sair sozinhos da cama, promovendo a sua autonomia e as laterais foram projetadas para evitar que caiam enquanto dormem. Disponível em 3 cores (branco, azul agua e cinza).
  • O mini-berço SWIT wood é ideal para os primeiros meses do seu bebé. Graças à sua dimensão reduzida, poderá colocá-lo em qualquer parte da casa. Pequeno e envolvente, deixam o seu bebé mais seguro e confortável. Quando colocado ao lado da cama dos pais, as grades das laterais facilitam o contato sem ter de se levantar.

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A colecçao SWiT BAMBOO é uma reminiscência dos anos 50, com um toque contemporâneo, que fará qualquer berçário ficar deslumbrante.  São peças exclusivas, produzidas à mão, e como tal diferem ligeiramente ou não fosse esse o charme dos produtos artesanais.

  • O mini-berço oval SWIT BAMBOO é a primeira cama ideal para o seu recém-nascido. É pequeno, aconchegante e fica deslumbrante em qualquer quarto. É tão leve e compacto que pode ser transportado facilmente pela casa.
  • O mini-berço SWIT bamboo é uma reminiscência dos anos 70, com um toque contemporâneo, que devido à sua dimensão reduzida o seu bebé vai sentir-se confortável e protegido e é tão leve, que poderá facilmente transportá-lo entre divisões de sua casa.
  • O Berço SWIT bamboo, é leve e resistente. O seu ar vintage transmite serenidade e dá um encanto especial ao quarto do seu bebé.

No entanto, a história da SWiT não acaba aqui! Sabemos que os miúdos crescem e a família também. Por isso já estamos a desenvolver um modelo de beliche, que será lançado muito em breve.

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Porque é na cama que começam os sonhos!!

A melatonina é usualmente prescrita a adolescentes e crianças com dificuldades para dormir.

«A chamada “hormona do sono”, quando ingerida em forma de suplementos, pode causar perigosos efeitos colaterais aos mais novos» –  Jornal de Pediatria e Saúde Infantil da Austrália.

A falta de sono de teu filho está a começar a reflectir-se no seu desempenho escolar. Já tentaste estabelecer uma rotina de sono consistente, sem sucesso. Tu própria já estás a enlouquecer com a privação de sono, de tal maneira que actualmente sofres de insónias. Já ouviste dizer que a administração de melatonina – uma hormona natural – pode ajudar. O teu pediatra até já te falou no assunto. Mas será realmente benéfico e poderás dar ao teu filho em segurança? A Dra. Judith Owens, diretora do Sleep Center no Boston Children’s Hospital, respondeu: “Provavelmente. Mas na verdade, ninguém sabe ao certo.”

O que é a melatonina?

A melatonina disponível nas farmácias e lojas de alimentos saudáveis é uma forma sintética de uma hormona produzida pelos nossos cérebros e que nos ajuda a dormir. A nossa própria melatonina ajuda a regular os relógios circadianos que controlam não apenas os nossos ciclos de sono / vigília, mas praticamente todas as funções do nosso corpo.

A melatonina é normalmente libertada à noite, estimulada pela ausência de luz. Na parte da manhã e durante o dia, a produção desta hormona, é em grande parte desligada.

A melatonina pode ajudar o meu filho a dormir? 

Está provado cientificamente que a melatonina pode reduzir o tempo que demoram a adormecer as crianças com sonos desregulados, incluindo crianças com TDAH, autismo e outras doenças de desenvolvimento neurológico. Mas a melatonina não as ajuda a permanecer a dormir mesmo quando administrada em suplementos de acção prolongada. São muitas as razões que podem causar problemas em adormecer às crianças: Ansiedade, sintomas de pernas inquietas ou uma hora de ir dormir descoordenada da do seu horário biológico, são apenas alguns. Antes de considerar a melatonina, peça ao seu pediatra que faça uma avaliação completa de outras possíveis causas. A maioria dos problemas de sono são facilmente resolvidos com medidas comportamentais ou outro tipo de intervenções. Caso prático: a melatonina não vai ajudar uma criança ou adolescente que esteve ligada a gadgets antes de adormecer! Esses dispositivos tecnológicos emissores de luz suprimem a melatonina.

É seguro administrar melatonina a crianças? É natural que, cada vez mais os pais revelem preocupações relativamente a este tema. Se fizermos uma pesquisa na net iremos encontrar muitas mensagens e até estudos contraditórios:

“A melatonina não deve ser administrada em crianças. É POSSÍVELMENTE inseguro. A melatonina pode interferir com o desenvolvimento durante a adolescência. ” – Medline Plus

“De acordo com mais de 24 estudos, administrar melatonina às crianças é seguro e tem sido utilizado com pouco ou nenhum efeito colateral.”  Naturalsleep.org

“Embora pareça seguro administrar doses baixas de melatonina a criança para as ajudar a dormir, é necessária a realização de mais pesquisas para se poder dar resposta às perguntas persistentes”. – livestrong.com 
Nós tendemos mais pela última afirmação. Em geral, a melatonina parece ter poucos efeitos colaterais em crianças, a maioria deles de menor importância, como dores de cabeça, enurese noturna e enjoos matinais. Estes efeitos secundários são menos prejudiciais do que a privação de sono em crianças, e por vezes compensa o risco. No entanto, existem preocupações pertinentes baseadas em estudos efectuados em animais, onde se concluiu que a melatonina pode afetar as hormonas relacionados à puberdade. A verdade é que ainda não foram realizados ensaios a longo prazo em seres humanos não se podendo, assim, confirmar confirmar esta teoria.

O autor do estudo e chefe do Laboratório de Fisiologia do Ciclo Circadiano do Instituto de Pesquisa Robinson, da Universidade de Adelaide, na Austrália, David Kennaway tem desenvolvido pesquisas sobre a melatonina há mais de 40 anos e diz, na publicação, que os malefícios do uso da hormona em bebés, crianças e adolescentes irão verificar-se mais tarde:  “Os estudos experimentais realizados nos mamíferos não-humanos, destacaram maiores alterações na puberdade e na sazonalidade da fertilidade, a nível de metabolismo, controle da pressão sanguínea e função do torax. Tendo em vista que a melatonina não é resolve a questão do tempo de sono e que sabemos muito pouco ainda sobre como age no corpo, eu não acho que valha a pena colocar a saúde das crianças em risco” ­

Outro factor que tem suscitado polémica, são as concentrações reais de melatonina, que podem variar de produto para produto ou mesmo de lote para lote. Isso pode afetar tanto a segurança quanto a eficácia. Por essa razão, alguns especialistas recomendam comprar melatonina de grau farmacêutico, que poderá ser mais confiável em relação à dose.
Em que casos não se deve administrar melatonina?

Como mencionado acima, as crianças perdem o sono por variadas razões. Evite a melatonina: ·         Se a insónia é situacional (decorrente da ansiedade sobre um novo ano letivo, por exemplo) ·         Se a insónia é de curto prazo (causada por uma infecção no ouvido, por exemplo) ·         Se a insónia é devido a uma causa física subjacente (como apneia do sono ou pernas inquietas) ·         Se o seu filho tem menos de 3 anos de idade. ·         A melatonina nunca deve substituir as práticas de sono saudável: uma rotina regular, apropriada para a idade e consistente na hora de dormir, sem cafeína e sem o uso de aparelhos electrónicos antes de ir para a cama.

A não esquecer:

Nunca dar melatonina por auto-recriação. Apenas com prescrição médica.A Melatonina terá menos riscos e mais benefícios nos casos em que a criança tem dificuldade em adormecer mas já dorme a noite toda, e se for administrada em combinação com intervenções comportamentais caso a caso, e práticas de sono saudável.

Fontes Thriving, estudos Laboratório de Fisiologia do Ciclo Circadiano do Instituto de Pesquisa Robinson, da Universidade de Adelaide, na Austrália, e  Jornal de Pediatria e Saúde Infantil da Austrália.

Adaptação e tradução Uptokids®

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Tudo uma questão de sorte

Francisca. 34 anos. 3 filhos. No último ano mudou de vida. Teve um bebé. Mudou de casa. Mudou de profissão. Mudou de hábitos. Mudou de vida, lá está. No último ano emagreceu com o cansaço, ganhou brancas, rugas e olheiras. Aprendeu a dar mais valor às coisas simples da vida. Coisas simples como dormir. Sim, dormir.
A verdade é que já não me lembro de dormir uma noite inteira. Há praticamente 7 anos que acordo várias vezes durante a noite. Vá, com um intervalo de 5 ou 6 meses, quando o Manel finalmente passou a dormir a noite toda e a barriga do Zé Maria ainda não pesava por aí além. Todas as outras noites foram uma tortura. Uma T-O-R-T-U-R-A. Não tenho vergonha em admitir.
Adoro um recém-nascido e todo aquele maravilhoso mundo à sua volta. Não há nada melhor do que a sensação de trazer um bebé com poucos dias para casa. Um bebé perfeitinho, saudável, cheio de vida. Uma verdadeira benção! Mas a previsão das noites mal dormidas sempre me trouxe uma ansiedade terrível. Logo eu, que antes de ser Mãe, se não dormisse as minhas sagradas 8 horas tinha o dia estragado…Logo eu, que tinha o sono mais pesado do que um menir. Logo eu, que acordo sempre com uma má-disposição terrível…
“A culpa é tua, que os mimas demais…”
“A culpa é da Mãe, que não os soube educar direito na hora de ir para a cama…”
“A culpa é da Francisca, que não os deixa chorar, não há milagres!”
Foram tantas, mas tantas a vezes que já ouvi isto.
“Já experimentaste um terapeuta de sono?!”
“Já ouviste falar do livro xpto? Põe-nos a dormir em 2 dias!”
“Já tentaste o método infalível do não-sei-quê?”
Já não aguento tanta pergunta…
Não, não deixo os meus bebés a chorar. Não, não os ponho a dormir no seu próprio quarto mal nascem. Sim, quando choram a meio da noite, e se não acalmam logo com a chupeta, vêem para a minha cama, tal é o cansaço (e a vontade de dormir agarradinha a uns seres pequeninos!). Sim, dei de mamar até muito tarde. Sim, dou-lhes mimo (do bom) a mais. Faço tudo mal. Ou bem! O que é que tem?
Um dia destes, uma amiga minha disse-me uma coisa muito acertada. Então: Há 3 tipos de Mães. Há aquelas cujos filhos dormem a noite toda desde sempre: uma minoria. Há também as Mães com filhos que não dormem, ponto: a grande maioria. E depois há aquelas cujos filhos também não dormem mas em vez de admitirem…mentem!
Ah e tal, o teu filho não dorme? Ui! Coitada! O meu dorme desde as 3 semanas de vida!! Uma M-A-R-A-V-I-L-H-A!
Antes ainda lhes perguntava qual era o truque de magia…agora já estou naquela fase em que finjo que não ouço para não desmaiar…
Pois muito bem, eu admito que os meus filhos não dormem. Admito, também, que me tem saído bem cara esta brincadeira. Agora, por favor, não me venham dizer que a culpa é minha! Não, quando tudo isto é uma questão de sorte, salvo melhor opinião em contrário. Conheço muitas Mães que adoptaram exactamente os mesmos rituais de sono para os filhos, e em que um dormia a noite toda, e o outro acordava de hora em hora. É isso mesmo: tudo uma questão de sorte. Há bebés que tem mais tendência para dormir bem do que outros. Tem a ver com o ritmo de cada um. Ponto.
Adoro a minha vida, não me arrependo nem um milésimo de segundo das opções que fiz, mas, por favor, querida sorte, devolve-me as minhas milagrosas noites de sono. Não sei quanto tempo mais vou aguentar! É que, sabes, já é uma questão de saúde! Sou feliz. Sou muito feliz, mas sou uma felizarda cheia de sono…

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Eu dei Melamil aos meus filhos

Queridos pais:

Esta carta não pretende ser uma crítica em relação às vossas escolhas ou aos conselhos dos pediatras em relação ao sono dos vossos filhos. Pretende sim, ser um relato de uma mãe que se sentiu a perder o Norte e a afundar-se, numa zona sem pé.

Tenho 3 filhos e fiquei 6 anos sem dormir uma noite completa. Todos sabemos dos efeitos da privação de sono num adulto. Imaginem numa criança.

Os meus filhos mais novos sempre (desde os 4 meses) dormiram a noite completa, mas com a mais velha foi tudo diferente. Amamentei-a até aos 10 meses e, na altura, mamava a cada 4h durante a noite. A introdução de alimentos correu muito bem e as rotinas das refeições sempre foram muito regulares. Inicialmente, não estipulei um horário de sono rigoroso: aos 9 meses fazia 3 sestas por dia, e por vezes ficava acordada ao serão connosco. Era o tempo que tínhamos para estar em família e aproveitámo-lo muito bem. Depois mamava e adormecia. O problema é que, quando estava eu no 1º sono, ela acordava para mamar. Mais tarde, passou aos biberons, mas nunca deixou de beber o seu leite à noite.

Conto isto, porque acredito que se lhe tivesse “tirado” o leite à noite, talvez não crescesse com um ritmo de sono interrompido.

O sono é uma coisa muito estranha que precisa de ter uma rotina estanque.

Mesmo em adultos, nós sabemos que basta uma ou outra noitada para nos estragar o ritmo de sono de uma semana.

Quando a minha filha acordava à noite para beber leite, se não lhe desse o seu biberon chorava estridentemente. Nesta altura, já tinha uma irmã bebé, com quem partilhava o quarto. Sempre foi mais fácil dar o leite do que gerir o problema. Mas não me critiquem, eu já estava num grau de cansaço extremo. E estava grávida do meu 3º filho.

Quando os ia deitar, dava de mamar ao bebé e colocava-o no berço. Depois deitava as meninas. A mais nova adormecia enquanto rezávamos. A mais velha ainda bebia um biberão de leite sozinha e, já na cama, pedia-me que ficasse um bocadinho com ela. Eu sentava-me na sua cama ora a contar uma história, ora em silêncio. A sua dificuldade em adormecer era grande, e veio a piorar com aparecimento dos medos que desenvolveu depois dos 3 anos – da morte, do escuro, de estar sozinha e até medo de não conseguir adormecer. A hora de ir para a cama tornou-se também para ela um problema.

E eu ficava lá.

Porque ninguém quer deixar uma criança aterrorizada à noite. Porque seria pior se chorasse e acordasse os irmãos. Porque me sentia encurralada num túnel de um só sentido.

Deixei de ter serões com o meu marido porque quando acabava de adormecer a minha filha, já só tinha tempo para deixar roupas e almoços preparados para o dia a seguir. Eu chegava a ficar 1h30 ou 2h no quarto com ela e a luz de presença.

Inconscientemente, por cansaço ou preguiça comecei a deitá-los cada vez mais tarde. Acho que o antecipar daquelas 2h começava a deprimir-me. Os meus outros filhos, por consequência, começaram também a deitar-se mais tarde. O que eu não previ foi que, passando a “hora do sono”, vem a excitação. E quando me apercebi disso, tinha os miúdos com 4, 5 e 7 anos, a deitar-se tardíssimo. Passavam metade do dia a chorar por tudo e por nada, começaram a comer MUITO pior, caíam e magoavam-se mais vezes, estavam sempre distraídos na escola, enfim. O cansaço tornou-se visível a olho nu. Tornámo-nos numa família que andava sempre aos gritos. E os miúdos também já gritavam uns com os outros.

Eu estava desesperada e resolvi agir.

Já tinha lido sobre o Melamil mas estava renitente em relação a medicar os meus filhos para dormir. Para quem não conhece, o Melamil  é um “suplemento alimentar natural à base de melatonina que ajuda a diminuir o tempo necessário para conciliar o sono.”

Foi a parte do “natural” que me convenceu. Pensei que sendo natural, mal não iria fazer.

Nem falei com o pediatra. Já estava decidida e agora não queria argumentos para voltar atrás.

Falei com umas amigas que me explicaram: “é maravilhoso para ajudar a adormecer, mas se for uma criança que acorda várias vezes à noite, vai continuar a fazê-lo.”

Tranquila. Agora só queria pô-los na cama cedo. Avancei.

Comprar Melamil

Comprei na farmácia onde não me perguntaram nada – nem se era a primeira vez, nem se foi o médico que recomendou, nada de nada. Parecia  tudo muito natural.

Li a posologia onde indica as doses recomendadas de acordo com as idades e adverte que o suplemento não deve ser administrado sem aconselhamento médico. Por isso, dei a dose mínima à minha filha para ver se resultava: 4 gotas, meia hora antes de se ir deitar.

Diz também que deve ser administrado durante 3 meses sempre à mesma hora. Achei um exagero: só precisava que se voltassem a deitar a horas decentes, e não faria sentido um tratamento tão longo.

No primeiro dia, 15 minutos após tomar as gotas, a minha filha mais velha pediu para ir para a cama. Eram 20h45. Nem queria acreditar. Entre lavar os dentes, deitar-se e eu dar um beijinho, já estava a dormir. Nem rezou. Não fiquei lá até adormecer. Não fiquei sem serão (pensei eu). Eu parecia maluca de radiante. Depois, tinha os outros dois, agora já com horários trocados, ainda a pé. Achei que vendo a irmã a dormir conseguia metê-los na cama sem stress ou demoras. Mas não foi assim. Começaram a chamar-me por tudo e por nada: um quer água, o outro tem frio e foi mais uma hora nisto.

No dia a seguir nem pensei duas vezes: gotas para todos.

Foi a loucura, antes das 21h estavam os três a dormir. Eles nem aguentavam os tais 30 minutos.

A partir daqui dei-lhes todos os dias Melamil e foi um descanso.

Até que um dia o frasco acabou. Nessa noite, sem gotas, tentei deitá-los à mesma hora destas últimas semanas, mas o sono chegou ainda mais tarde do que antes.

Lembrei-me que o tratamento deveria ser de 3 meses, então comprei mais uma embalagem.

E voltou a resultar. Nós começámos a descansar mais, os miúdos ficaram mais bem dispostos porque já estavam a dormir um número de horas apropriado à idade, verificaram-se melhorias a nível de rendimento escolar (nem falo em termos de avaliações, mas o entusiasmo e a concentração eram outros).

As rotinas de sono na nossa casa passaram a ser tão rigorosas como sempre foram as das refeições. Sentia-me feliz e orgulhosa.

Embalagem após embalagem, passaram 3 meses. O tratamento acabou.

Percebi que o tratamento tinha acabado e, sinceramente, nem me preocupei. As rotinas estavam tão bem impostas que seria impossível voltar perder o ritmo. Na verdade eu já nem me lembrava de como era quando eles se deitavam tardíssimo. Que estupidez… nem percebi como é que cheguei a esse ponto. Fui mesmo descuidada.

Às 20h30 pedi-lhes que lavassem os dentes e as mãos para irem para a cama. Assim foi. Mas enquanto estavam na casa de banho, a festa era grande porque um deu um pum e uma delas salpicou o espelho de pasta de dentes com a gargalhada que deu. A excitação era grande, e obviamente,  quando chegaram à cama não tinham sono.

A mais velha, ao aperceber-se que não estava a cair para o lado voltou a pedir que ficasse no quarto a fazer companhia. Não quis voltar atrás, agora já adormecia tão bem sozinha. Disse-lhe que não. Passados 15 minutos estava a chorar de pânico porque não conseguia adormecer. Os outros, mantinham-se na cama mas iam falando entre quartos. E eu, a tentar que acalmassem! Percebi que a confusão estava instalada, e que já não poderia voltar a usar o Melamil. Dei copos de água, fiquei um bocadinho em cada quarto, tinham calor, depois outra coisa qualquer.

O mais novo foi o primeiro a adormecer, eram 22h30. As meninas, adormeceram quase à meia noite.

O suplemento alimentar com melatonina criou nos meus filhos uma habituação tal que deixaram de conseguir adormecer sem ele. Sim, eu sei que dei sem aconselhamento médico. Aqui pensei que se calhar deveria ter dado outra dose, ou ter feito o desmame antes de completar os 3 meses… Mas estava completamente às escuras.

Comecei a imaginar que toda a vida iriam precisar de suplementos para dormir, e que a culpa era minha.

Rotinas

Resolvi então mudar alguns hábitos nas suas rotinas, e ao mesmo tempo, arranjar maneira de começarem a produzir melatonina de forma natural.

Deixaram de ver televisão e brincar com gadgets depois da hora do jantar. Está provado que o uso excessivo de gadgets tira o sono. É chamada a “Insónia tecnológica”(dizem).

A luz, também diminui a produção de melatonina, por isso, passei a luz de presença para o hall e gradualmente fui diminuindo a abertura das portas para os quartos, até que se habituaram a adormecer totalmente à escuras, e sem medos.

Todos os dias à mesma hora, começaram a ir para a cama cada um com o seu livro, para 15 minutos de leitura.

Alimentação

Depois investiguei sobre a alimentação: o que poderia dar-lhes que aumentasse a produção de melatonina (que é o que faz o melamil)?

  • Abacaxis
  • Arroz
  • Aveia
  • Azeite
  • Bananas
  • Cebola
  • Cerejas
  • Cevada
  • Espargos
  • Gengibre
  • Laranjas
  • Milho doce
  • Nozes
  • Sementes de linhaça, sementes de abóbora, sementes de chia
  • Tomates
  • Uvas

Estes foram alguns dos alimentos que descobri que estimulam a produção de melatonina, e que dei aos meus filhos.

É importante ressalvar, que o ideal é dar estes alimentos em cru, para que sofram o mínimo de alterações e cumpram mais eficazmente a sua função.

Estas alterações resultaram e, hoje em dia, os meus filhos deitam-se a horas normais para as idades.

Mas este processo não foi do dia para a noite.

Passámos mais de 6 meses a cumprir rigorosamente uma rotina “tolerância zero” quer fosse fim de semana, férias, ou dia de escola.

Obrigou-me a repensar muitas vezes os menus, para conseguir incluir ao máximo os alimentos em questão, tanto ao almoço como ao jantar. A melatonina estimulada por alimentos não deve ser ingerida apenas ao jantar: “o organismo habitua-se a produzir a hormona e depois torna-se um acto continuado, que sincronizado com as rotinas e um ambiente propício, ajudará a criar e a manter um ritmo saudável do sono.”

Esta é apenas a minha história que já foi criticada por muitas mães de crianças que nunca foram um problema para adormecer e por tantas outras, que tendo o mesmo problema, deram Melamil aos filhos durante um curto período de tempo, e resultou. Sabemos que todas as crianças são diferentes, e o que funciona para umas não funciona para todas.

Por isso, antes de se porem a achar que fui má mãe saibam que fui a mãe melhor que consegui ser. E continuo.

 

Por Margarida Alvim, carta de leitora, para Up To Kids®

Crianças, pais e cama própria é um assunto tantas vezes abordado, mas sempre com questões intermináveis para os pais. Há mesmo quem afirme que os seus filhos não são capazes de dormir / adormecer sozinhos “eu sei que outros conseguem, mas o(a) meu (minha) não dá… já tentei e não funciona.”.

Todas as crianças conseguem adormecer sozinhas! Precisam de treino, de ser ensinadas – umas demoram mais tempo; outras demoram menos, mas todas são capazes. Muitas das vezes a dificuldade está nos pais. É aos pais a quem mais custa deixar os seus filhos sozinhos no quarto até adormecerem ou mesmo a dormir sozinhos. Quer por pensarem que os filhos podem não estar bem, sem companhia; quer por os próprios pais (entenda-se os dois ou só a mãe ou só o pai) não quererem estar sem a companhia da criança.

A questão principal deve centrar-se em “é importante a criança ter o seu próprio quarto / cama para dormir?”; “é importante a criança adormecer sozinha ou posso fazer-lhe companhia até adormecer?”.

As respostas: As crianças devem ter o seu próprio quarto, cama própria e adormecer sozinhas. É importante e saudável que assim seja. Naturalmente que poderão reclamar a presença dos pais; reagir por não quererem estar sozinhas; chorar, chamar… Os pais devem ir, apoiar, mostrar que estão presentes e atentos, mas voltar a sair até que a criança consiga adaptar-se ao seu quarto e ao facto de adormecer sem companhia. Os pais devem “aguentar” este choro / chamamento / reclamação sem cederem a passa-los para a cama dos pais ou a ficarem junto da criança até que esta adormeça.

O “contacto” com os seus medos, com o desconforto que poderá provocar a noite e o estar sozinha, proporciona à criança a possibilidade de poder confrontar-se com isso mesmo, aprendendo a geri-los interiormente e ultrapassá-los. Esta conquista favorece a sua autonomia emocional, o que é de extrema relevância no desenvolvimento emocional infantil. Isto proporciona à criança perceber que é capaz; que consegue transpor barreiras (neste caso as do medo, por exemplo) e a sentir-se segura, sem precisar para tal da presença constante do adulto. Isto é, neste confronto entre os seus receios, o estar sozinha num espaço e perceber que a presença do adulto é uma certeza – ainda que sem contacto visual – a criança cresce de forma mais autónoma e, portanto, necessariamente mais saudável. Este poderá ser entendido como um dos caminhos pelo qual os pais dão aos seus filhos ferramentas para se alicerçarem numa confiança e segurança evolutivas que vem de dentro, ao invés de crescerem a pensar que precisam sempre de um apoio; de uma bengala exterior (os pais, por exemplo), tal como acontecia quando nasceram.