Quer filhos mais felizes e tranquilos? Simplifique o dia a dia deles

Sente que os horários apertados e o excesso de atividades dos seus filhos a estão a fazer perder o controlo? Sente que se está a afastar dos seus filhos? Então, é tempo de parar e simplificar.

Os benefícios de simplificar a vida dos seus filhos são muitos. E isso também pode e vai tornar a sua mais gratificante.

As crianças tornam-se criativas quando têm tempo e espaço para explorar o mundo sem estarem presos ao “excesso”. Tudo o que é em excesso é esmagador e stressante. Quer sejam coisas de mais, informação de mais, atividades de mais, escolhas de mais ou um ritmo rápido de mais. Quando se anda a correr de uma tarefa para a outra, não há um momento para relaxar ou brincar. Ter e fazer muito pode sobrecarregar uma criança e levar a um stress desnecessário que se reflete tanto em casa como na escola.

Simplificar a rotina da criança e reduzir a sua sobrecarga de informações e atividades, bem como o excesso de brinquedos e desarrumação, poderá ajudar crianças hiper-estimuladas a tornarem-se menos argumentativas e disruptivas.

Ao simplificar o dia a dia de uma criança abre-se espaço para um desenvolvimento positivo, criativo e tranquilo.

“Muitas das questões comportamentais de hoje vêm de crianças que têm muitas coisas e vivem uma vida muito acelerada”, diz Kim John Payne, autor de Simplicity Parenting: Using the Extraordinary Power of Less to Raise Calmer, Happier and More Secure Kids.

Payne diz que muitas das crianças americanas vivem numa sobrecarga sensorial com “bugigangas a mais, escolhas de mais e informação excessiva”. Se a educação dos filhos for estruturada com base na simplicidade, reduz-se significativamente o stress diário na criança. Isto poderá traduzir-se em crianças mais felizes e mais bem-sucedidas.

As crianças precisam de tempo para si próprias.

Para se conhecerem através da brincadeira e interação social. Se sobrecarregarmos uma criança com escolhas e pseudoescolhas antes que tenha a maturidade para as entender, esta aprenderá apenas um gesto emocional: MAIS!”

A melhor forma de começar é em casa.

À medida que diminuir a quantidade de brinquedos e a desorganização do seu filho, está a aumentar-lhe a capacidade de atenção e de brincar profundamente. Coisas a mais resumem-se em falta de tempo e pouca profundidade na forma como as crianças veem e exploram os seu mundo”, diz Payne.

Destralhar

Ao reduzir os brinquedos, concentre-se em manter uma mescla de brinquedos que os seus filhos gostem de forma consistente.  Aqueles brinquedos que os mantêm entretidos por longos períodos de tempo. Muitas vezes, os brinquedos favoritos das crianças são simples e clássicos, sem muitos sinos e apitos – bichos de peluche, bonecos, brinquedos de construção como Legos, comboios e carros, roupas de vestir e materiais de artesanato.

Diminua a quantidade de livros para um punhado de favoritos que podem ser saboreados. Remova o restante para criar uma “biblioteca” e encontrar novas leituras. Dê-lhes tecidos, cordel e almofadas para criarem fortes e cabanas. Depois dê-lhes tempo para se ajustarem e criarem o seu próprio mundo de brincadeiras com esta simples seleção de brinquedos.

Faça do tempo de descanso uma prioridade

Na mesma linha, simplificar a programação da sua família pode reduzir a sensação frenética de estar sempre em movimento. Os TPC, as atividades extracurriculares e desportos diários podem stressar as crianças. O seu dia a dia torna-se caótico já que lhes falta o tempo livre que precisam para brincar e explorar criativamente.  Definir limites de tempo de ecrãs também manterá seu filho livre de distrações e ajudá-lo-á a encontrar alegria no momento presente.

“O descanso alimenta a criatividade, que alimenta a atividade. A atividade alimenta o descanso, o que sustenta a criatividade”, explica Payne em Simplicity Parenting. “Cada um extrai e contribui para o outro.

Também a mãe que anda sempre a fazer de motorista se sente cansada e stressada. Reduzir para apenas uma ou duas das atividades favoritas poderá dar-lhes a liberdade não só de ter tempo para brincar e explorar, mas também de praticar e se concentrar numa atividade especificamente.

Reduzir a desorganização física, definir ritmos previsíveis e simplificar atividades trará também benefícios para os pais, e consequentemente para o equilibrio familiar. Ao simplificar, podemos concentrar-nos naquilo que realmente valorizamos.

Ter menos brinquedos beneficia a imaginação de uma criança e a sensação de calma.

A simplificação é um processo contínuo, não algo que posse ser começado e acabado numa tarde ou fim de semana. Demora tempo a reduzir, a mudar hábitos e a desenvolver novos ritmos. Não é fácil mudar de direção quando toda a sua família anda à velocidade da luz e o caos está instalado. Comece devagar, com pequenas mudanças e um olhar para o que quer que a sua vida em família seja.

Relaxar

“Nas infância o que se destaca não são as viagens à Disneylândia, mas sim as coisas comuns que se repetem. Os jantares em família, passeios na natureza, ler juntos antes de dormir, panquecas ao sábado de manhã.”

Com a simplificação, podemos trazer uma infusão de inspiração para o nosso quotidiano. Podemos definir um tom que honre as necessidades da nossa família à frente das exigências do mundo. Permitir que a fé que temos nos nossos filhos supere os nossos medos. Realinhar a nossa vida para proporcionar uma infância como deve e pode ser..

Existirá melhor lembrete de nós próprios do que os nossos filhos? O nosso ‘eu’ menos stressado e mais despreocupado?

Na inocência deles vemos a sombra do que já fomos. Quando éramos crianças, sim, mas também antes de termos filhos. Ou mesmo há duas semanas atrás antes de todo o stresse dos testes escolares, por exemplo.

Simplificar é encontrar um lugar de equilíbrio à medida que nos afastamos do “excesso”.

Com menos, as crianças podem descobrir de que é que realmente gostam e o que realmente querem.

E tornarem-se mais seguras, mais tranquilas e mais felizes.

 

 

Publicado em Want happier, calmer kids? Simplify their world, de Sandy Kreps

 

Porque na vida tudo tem um tempo e eu quero viver cada segundo deste nosso tempo.

Qualquer dia não irei mais queixar-me do barulho que fazes e da desarrumação que lanças por onde passas. Nem do tempo passado à mesa quando não queres comer.

Qualquer dia não irei queixar-me das noites mal dormidas. Nem das tuas constantes reclamações por teres de ir tomar banho ou das vezes que tenho de repetir a mesma história.

Qualquer dia não terei de me levantar para fazer outro biberão porque afinal querias mais um bocadinho. Não terei de demorar uma eternidade a chegar a qualquer lugar porque paraste vezes sem conta para admirar o que te rodeia.

Qualquer dia não irás chamar por mim repetidamente, vezes sem conta..

Qualquer dia vou estar em silêncio, com a casa arrumada, a fazer as refeições rapidamente e sem dramas. Vou deitar-me sem horários nem rotinas, vou ser capaz de me despachar num ápice.

Porque na vida tudo tem um tempo e eu quero viver cada segundo deste nosso tempo.Qualquer dia não irei mais queixar-me do barulho que fazes...

Nesse dia irei perceber que deixei de reparar nos detalhes que aprendi a apreciar nas milésimas vezes em que me fazias parar. Irei perceber que ter a casa arrumada afinal não é tão gratificante e que o silêncio, que tanto desejava, pode ser ensurdecedor.

Nesse dia, irei perceber que não chamares por mim constantemente chega a doer no peito .

Antes que esse dia chegue vou encher-te de beijos. Vou dar-te todo o colo de que precisas, vou olhar-te nos olhos e dizer-te como te amo. Antes que esse dia chegue vou saborear o som da tua gargalhada, vou brincar contigo sem olhar para o relógio e valorizar a doce bagunça que lanças pela casa.

E vou repetir tudo quantas vezes precisares. Vou educar-te com todo o amor que tenho.

Porque na vida tudo tem um tempo e eu quero viver cada segundo deste nosso tempo.

 

Desfralde para Totós

Quem me conhece e me segue há algum tempo, sabe que sou uma adepta fervorosa do Slow Parenting – o mais curioso é ter começado a seguir esse modo de vida, sem nunca me ter apercebido que já existe uma teoria acerca disso.

Comecei o blog por brincadeira. Em parte, para poder acompanhar o crescimento dos meus filhos. Mas também porque adoro escrever. Desde pequenina que este meu hobby me faz sentir viva. Mas o meu blog nunca foi, nem nunca será um diário da minha família, ao estilo Big Brother. Apesar de partilhar fotografias dos meus filhos. sei que um dia eles podem não gostar de saber que eu partilhei os dias inteiros deles. As suas manias. As suas teimosias. As suas alegrias.

Daí que, de vez em quando estou um tempo sem por cá aparecer. Vou andando no instagram, para quem me quiser ver.

Mas hoje tive mesmo de passar por aqui e dar o meu testemunho: o desfralde do meu último filho.

O exemplo vivo de que cada criança é uma criança e tem os seus próprios timings. Para quê insistir com um bebé com 2 anos que não está nem aí para tirar as fraldas? Só porque os livros assim o dizem? Ou porque os filhos dos outros assim o ditam? Não, obrigada.

Cá em casa, o desfralde do Zé Maria foi simples. Prático. E rápido. Não houve cá potes, nem redutores, nem deslizes. Quando senti que o Zé Maria estava preparado, ensinei-o, sem pressas, a ir sozinho à casa de banho, E com dois anos e 10 meses largou definitivamente as fraldas. E não houve um ai. Nem um ui. Só alegrias e palmas. E não é porque o meu filho é melhor, mais esperto ou mais inteligente do que os outros. Simplesmente porque senti que já estava preparado. Porque ele deu sinais. Porque o Zé Maria mostrou confiança. Porque o senti seguro de si mesmo.

Já assisti algumas vezes a Mães que insistem com os filhos a largar as fraldas.

Com gritos, Com culpa. Com stress. Agora tem de ficar de castigo, só porque fez xixi fora do sítio. Agora não tem história antes de ir dormir, porque hoje não fez nada no pote. Não consigo perceber estas pressas. Estas manias dos Pais de insistirem com os filhos a crescer ou a serem independentes antes do tempo. Já ouviram falar de alguém que vai de fraldas para a faculdade? Ou que foi de chupeta para o liceu? Ou que ainda dormia na cama dos Pais quando resolveu pedir a namorada em casamento? Estas pressas não entram cá em casa.

Os meus filhos podem não ser os melhores nem os mais espertos, nem os mais rápidos em tudo. Mas são, sem dúvida, felizes, porque têm uns Pais e uma família que respeita os timings, as necessidades e os medos de cada um, deixando-os ser livres à maneira deles, sem exigências fora do seu controlo.

Só quero que eles nos respeitem também como Pais que somos, e que sejam muito, mas muito felizes.

E assim foi o desfralde do Zé Maria: sem regras, sem pressas, sem nada do que vem nos livros.

Só seguindo o ritmo dele e o instinto desta Mãe. Assim é que é!

Sem tempo para ser mãe

Provavelmente sempre que te imaginavas a ser mãe projectavas-te a dar colo ao bebé. Vias-te presente nas suas primeiras conquistas, a alimentá-lo, a partilhar momentos de ternura e carinho. A incentivá-lo a explorar o meio, a protegê-lo nos momentos em que se sentisse inseguro, a consolá-lo quando chorasse.

Acreditavas que estarias sempre lá, para amar e cuidar, sem restrições.

Provavelmente à noite deitas a cabeça na almofada e choras por não estares a cumprir o que prometeste. Cada lágrima tem o seu motivo – uma por não estares lá quando deu os primeiros passos, outra por teres perdido aquele momento em que se riu vezes sem conta. Mais uma por não teres sido tu a dar colo quando se assustou e chorou. Ainda outra por teres chegado cansada e teres ralhado desnecessariamente. Por fim um mar delas por sentires que estás a falhar enquanto mãe. Sentes-te sem tempo para ser mãe.

Provavelmente acreditas que não estás a ser quem deverias ser. Que trabalhas demasiado, que estás sempre ocupada com outras coisas, que dás tudo de ti em tarefas que não são essenciais. Não estás onde queres, não vais para onde queres, não fazes o que queres, não és quem queres ser. És aquela mãe sem tempo para ser mãe.

Entre chegar a casa, dar banho, fazer o jantar e preparar as coisas para o dia seguinte, ficas com a sensação de que não estiveste verdadeiramente com o teu filho, quase como se vivesses a realidade em modo automático. Dás por ti a pensar que o tempo passa a correr. Que os momentos são únicos e que não podem ser recuperados. Que a melhor parte da tua vida não está a ser vivida. Que te está a escapar por entre os dedos, que estás a permitir que o dinheiro se sobreponha à felicidade.

Provavelmente és perseguida pela culpa, aquela que te bate constantemente à porta.

A que durante o dia te sussurra ao ouvido que, naquele exacto momento, o teu filho deve estar a aprender uma coisa nova e que, mais uma vez, não estás lá para assistir. Porque te sentes sem tempo para ser mãe.

Ao vê-lo dormir, tão sereno e inocente, sentes uma vontade enorme de lhe pedir desculpa por tudo e, ao mesmo tempo, por nada. A raiva apodera-se de ti – Estou farta desta vida injusta! Por que não tenho direito a viver o papel de mãe?

Provavelmente existe um desequilíbrio entre a mulher e a mãe. – A mulher, mais especificamente trabalhadora, está a sufocar a mãe, ocupando mais espaço e  roubando-lhe a oportunidade de se desenvolver e afirmar.  É esta repressão da mãe que faz com que te sintas insatisfeita. Afinal, não vives em pleno todos os teus papéis!

Provavelmente gostavas que no final do texto aparecessem algumas dicas mágicas de como mudar a situação.

A única coisa que está ao meu alcance é dar-te algumas certezas que talvez te aliviem.

A primeira é que somos muitas a sentir o mesmo, a pensar o mesmo e a viver o mesmo. Acho que esta é uma espécie de condição inerente ao papel de mãe – a culpa e a maternidade tendem a andar de braço dado.

A segunda certeza é a de que não estás a falhar. A culpa não é tua, fazes certamente o que tem de ser feito com as oportunidades que acreditas ter.

A última certeza, e na minha opinião a mais importante, é a de que quando estás com o teu filho dás o teu melhor e é isso, mais do que a quantidade de tempo que passam juntos, que fortalece o vínculo (relação) que vos une. É um cliché, eu sei, mas realmente aplica-se a velha máxima de que a qualidade é melhor do que a quantidade.

Acredita que se naquele tempo em que estão juntos, ainda que seja pouco, o teu filho sentir que as suas necessidades são escutadas, que as suas vontades são compreendidas (ainda que não sejam cumpridas),que as suas limitações são respeitadas, que lhe é dado incentivo para explorar o meio e ao mesmo tempo um porto seguro para onde regressar caso deseje, ele terá a confirmação de que realmente é amado e está seguro.

Tal como todas nós, estás a dar o teu melhor. Não te culpes por isso, orgulha-te!

Como tornar-se no mãe mais paciente?

Ser mãe é ser uma espécie de super mulher. Uma super heroína cujo esforço ninguém realmente (re)conhece, que tem de pensar em tudo, de conciliar muitas-vezes-sem-saber-como os filhos, a lida da casa e a vida profissional. Ah, e que ainda tem de ser uma esposa perfeita, sempre impecável, arranjada, elegante e disponível para agradar ao marido.

Com tanta responsabilidade em cima dos ombros, é natural que a paciência não seja uma virtude fácil de cultivar. E quem é que normalmente paga por isso? Aqueles que estão mais próximos: os filhos.

Para a ajudar a lidar com a pressão do dia a dia, aqui ficam algumas dicas que podem ajudar a torná-la numa mãe mais paciente:

1 – Acalme-se antes de (re)agir

Sei que é fácil falar, mas leia até ao fim. É normal que, enquanto mãe, se irrite e perca a paciência com os seus filhos, quando se portam “mal”. Mas não desespere nem se sinta culpada.

Com algum treino é possível diminuir (e muito!) a quantidade de vezes em que isso acontece. E fazer com que isso seja a excepção e não a regra.

Quando o seu filho fizer algo que a deixe irritada, zangada, tente acalmar-se antes de (re)agir, respirando fundo ou saindo de cena, por exemplo. Neste último caso, informe a criança de que precisa de se acalmar mas que voltará para falarem tranquilamente sobre o assunto. Atenção ao tom de voz, que deve ser firme mas respeituoso ao mesmo tempo! Às vezes bastam segundos para reagruparmos os pensamentos e acedermos novamente à parte racional do nosso cérebro, o que não acontece nos momentos de conflito. O que pode tornar a sua reacção perigosa e com consequências negativas no longo prazo. Depois é tentar retomar a conexão perdida, conversar sobre o que se passou e procurar que dali saia uma solução conjunta.

2 – Avalie a dimensão do problema

Será que o que aconteceu foi assim tão grave? Quando estamos irritados, cansados, sem paciência, tendemos a dramatizar e as situações (as birras, por exemplo) ganham proporções que, em condições normais, não ganhariam. Depois de se acalmar, pense se vale a pena empolar as coisas ou se é algo que se resolve facilmente, com um abraço ou uma curta conversa, por exemplo.

3 – Reserve um tempo para si

Todas as mães precisam de parar e de ter algum tempo para si próprias. Já sei, não tem tempo livre… Ou talvez necessite de se organizar melhor, pense lá bem…

A maioria das mães esquece-se das suas necessidades para cuidar dos outros. Mas pense nisto: tal como as crianças, também os adultos agem melhor quando se sentem melhor. E o autocuidado é essencial. Cuide de si!

Às vezes, tirar meia hora para ir às compras, fazer um jogging, uma massagem, tomar um banho, ler um livro, ir ao ginásio, comer um gelado, por exemplo, é suficiente para lhe dar a energia de que precisa para estar mental e fisicamente bem para o enorme desafio de ser mãe.

Se há algo que adora fazer, arranje tempo para isso. Enquanto o bebé dorme ou as crianças estão na escola, por exemplo.

4 – Durma!

Sei bem como é fácil falar, também passei por isso enquanto pai a dobrar… Desde que é mãe acabaram-se as noites tranquilas, certo? Ainda assim, lembre-se que é essencial o descanso, sobretudo noturno. E é imperativo que as crianças tenham uma boa rotina de sono. Ponha-as a dormir cedo, até para depois poder também a mãe descansar…

5 – Planeie um tempo especial mãe-filho

É uma das “ferramentas” de Disciplina Positiva que melhor resultam cá em casa. Planeie um programa especial com os seus filhos, não precisa de ter muito tempo disponível. Um lanche a dois, uma ida ao parque infantil ou um simples passeio onde poderão ir a conversar pela rua. Vai ver como fará milagres pela vossa relação!

6 – Organize-se

Por vezes é complicado, com tantas tarefas, saber o que fazer para as conciliar a todas. Uma boa organização pode ajudar a acabar com o caos do dia a dia. Pode criar, com a ajuda dos miúdos, uma tabela de rotinas diária, que é ao mesmo tempo útil e divertida. A partir daí é a tabela que “manda”, que “diz” o que eles têm de fazer a seguir. O que evita muitas “guerras” desnecessárias.

Uma questão de prioridades!

Educar uma criança exige treino, tempo e paciência. Mas vale a pena. É uma escolha, entre perder a calma ou mantê-la. E uma questão de prioridades. Comece hoje a mudança, para colher os frutos amanhã.

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Sempre que o tempo assim o permite (ou seja, quando não chove) vou com a minha filha ao parque.

Nas últimas semanas tenho reparado numa tendência: somos as únicas ou há apenas mais uma criança por lá. O frio afasta os pais das actividades ao ar livre ao final do dia.

Tem andado frio, é verdade, mas não consigo deixar de pensar no bem que faz aos miúdos andarem a correr, a brincar, a divertir-se na rua. Há muitas escolas onde chegando o final do Outono as crianças deixam de ir para o recreio. Haverá milhares delas que deixam simplesmente de brincar na “rua” aos dias de semana. E está provado que lhes faz bem e, acima de tudo, falta.

Ao escrever estas linhas lembrei-me de uma publicidade recente que alegava que os prisioneiros encarcerados nas prisões passavam mais tempo fora de quatro paredes do que a média das nossas crianças, ou seja uma hora.

Cabe aos pais proporcionar este tempo, mesmo quando ele existe na escola, que é o que acontece com a minha filha. Se não chove saem para o recreio de manhã e à tarde e sei que para muitos é o único momento em que estão a correr e a sentir o vento na cara.

Alega-se que nesta época se tem de proteger as crianças, que há um aumento das complicações ao nível respiratório, mas acredito que manter as crianças num ambiente fechado durante vinte e quatro horas por dia é prejudicial para elas. E se o é no Verão, no Inverno ainda mais. Está frio, veste-se mais um casaco, um gorro e umas luvas, coloca-se creme hidratante no rosto para proteger. Porque as defesas se criam em condições “adversas”. Tem de haver contacto com o frio, tem de haver contacto com outras crianças quando está frio.

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Sei que há crianças com maior propensão para problemas respiratórios nos meses frios e cabe aos pais conhecer os filhos e fazer o que é melhor para eles. Mas a maior parte dos miúdos beneficiaria de um final de dia, mesmo que seja só de vez em quando, quando as rotinas apertadas o permitem, lá fora, a subir ao escorrega, a andar de baloiço, jogar à bola ou à apanhada. Quando é isso ou deixar as crianças a respirar um ar que só circula dentro de casa, que é sempre o mesmo (por causa do ar condicionado, ou que tem menor qualidade por causa dos aquecedores) então eu opto por brincar na rua. Em contacto com os germes, os micróbios, a ganhar defesas. A ficar constipada, muitas vezes, é certo… Mas quanto a isso não há muito que se possa fazer, é a “fruta da época” e cá em casa a minha filha constipa-se mais porque se destapa toda durante a noite do que pelo ar frio que respira quando chega da escola.

As crianças ficam mais impacientes se fizerem um percurso casa, escola, escola, casa. E aos pais, sejamos sinceros, também faz falta estarem na rua, a verem os filhos ganharem asas, brincarem e serem felizes.

A sopa pode esperar.

A roupa pode esperar.

A casa pode esperar.

O tempo, como o coração dos pais, é elástico quando damos prioridade aos momentos que são impossíveis de recuperar.

A vida anda agitada, o tempo dá para pouco. Mas o pouco que temos devemos transformá-lo em muito.

Cabe-nos a nós.

O dia em que deixei de dizer despachem-se

Cada vez mais, as pessoas vivem constantemente apressadas. Desde que acordas até que te deitas é um desenrolar que rotinas e tarefas que só te apetece despachar tudo para poderes descansar.

Sentes que estás sempre a cumprir uma tarefa da lista, a olhar para um ecrã ou a saltar de compromisso em compromisso. Independentemente da forma como distribuis o teu tempo e do número de obrigações que realizas em multi-tasking, nunca há tempo suficiente para nada.

Isto foi a história da minha vida durante dois anos. O meu cérebro e consequentemente as minhas acções foram controlados por notificações electrónicas, toques de telemóvel e uma agenda superlotada. O militar que há em mim queria que conseguisse ter um grau de eficácia de 200% e cumprisse todas as actividades em agenda, mas nunca consegui estar à altura.

Sempre que os meus filhos faziam algo que me desviasse da minha agenda principal, eu pensava: “Não temos tempo para isto.”

Tenho 4 filhos que, como todas as crianças, não têm a noção de urgência. Podemos estar atrasadíssimos para qualquer coisa e um pede para parar para comer um bolo no café, outro quer ir ao parque brincar, pára numa montra para ver capas de telemóveis!

Quando temos de sair de casa, primeiro que consiga reunir os 4 à porta com tudo o que é necessário (mais o que cada um quer levar quer seja um brinquedo ou uma lancheira cheia de cuecas, como já aconteceu) é um verdadeiro desafio (aka caos).

Quando estou atrasada para qualquer coisa, mesmo que seja, para uma festa de anos de amigos deles (pensas que estás a favor da maré, mas não!), parece que está tudo contra nós. Até perdem tempo a pôr o cinto do carro à bola de futebol em vez de o porem a si próprios.

Se vamos a um fast-food comer qualquer coisa rápida para nos despacharmos, querem trocar o boneco 10 vezes, comer um gelado, e ficam a falar com amigos que acabaram de conhecer.

Os meus filhos, crianças felizes sem quaisquer preocupações, foram a maior chamada de atenção para o meu estilo de vida.

Eu tinha uma visão da vida em forma de túnel, como os cavalos que andam com palas nos olhos. O meu dia-a-dia era um cumprir de compromissos e obrigações, sem parar para pensar ou respirar. Qualquer coisa que não me permitisse fazer um check na minha lista de tarefas era, simplesmente,  uma perda de tempo.

Sempre que os meus filhos me faziam perder o foco da minha agenda principal, eu pensava: “Não temos tempo para isto.”

Consequentemente, a palavra que mais lhes dizia era: “Despachem-se”.

Começava o dia a dizer:

Despachem-se, estamos atrasados!
Despachem-se e vistam os casacos!

e terminava a dizer:

Despachem-se, lavem os dentes e, xixi cama!

Ainda que o reforço “despachem-se” pouco ou nada fizesse para aumentar a velocidade dos meus filhos, eu passava a vida a gritar, “DESPACHEM-SE”. Na verdade repetia mais estas palavras do que lhes dizia o quanto gosto deles. Daqui até à lua, dizem antes de dormir, sempre à espera de mais mimo e mais amor.

Despachem-se!

A verdade é difícil de reconhecer e de aceitar, mas ajuda-nos a crescer e aproximou-me da mãe que EU quero ser.

Até que em um dia fatídico, as coisas mudaram. Eu tinha ido buscar os meus filhos ao colégio e estávamos a sair do carro. Um dos meus filhos disse para o mais novo na altura (o 3º agora): “És muito lento! Estás a atrasar tudo”

Cruzou os baços e suspirou com ar de enfado. Neste momento eu revi-me ali. Foi uma sensação horrível. EU ERA ASSIM!

Eu era a bullyer que empurrava, pressionava e apressava 3 crianças (na altura), que simplesmente não estavam (ainda) minimamente formatadas para a obrigação de cumprir horários.

Foi um abre olhos; eu vi com clareza o dano que a minha forma de viver estava a causar aos meus filhos.

Com a voz trémula, olhei para o meu filho mais novo e disse: “Desculpa querido por te apressar constantemente. Eu adoro-te tal como és, leva o teu tempo e quem me dera ser mais como tu!”.

Os outros olharam para mim com um ar surpreso com a minha dolorosa confissão, mas a cara do mais novo sustentava o inequívoco brilho da aceitação e do reconhecimento.

“A mãe promete ser mais paciente a partir de hoje”, disse-lhe enquanto abraçava o meu filho caçulo. Ele estava radiante diante da promessa recém-descoberta de sua mãe.

Foi facílimo banir o “Despachem-se” do meu vocabulário.

O que não foi nada fácil foi adquirir a paciência para esperar pelos meus filhos. Para nos ajudar a lidar com o tempo que o mais novo precisa para realizar as suas tarefas, comecei a acorda-los mais cedo, a ir busca-los mais cedo e a dar-lhes os tempos que precisavam para que não andássemos todos a toque de caixa. Mesmo assim, a maior parte das vezes ainda nos atrasamos mas, pelo menos, os meus filhos não estão sujeitos a pressões constantes.

Agora, quando vamos a algum lado, deixo que o mais novo, o 4º filho, defina o ritmo. Quando pára para ver qualquer coisa (descoberta), eu simplesmente fico a estudar as expressões que faz, muitas delas que EU nunca tinha visto com olhos de ver. Adoro ver como consegue fazer tantas coisas e é tão habilidoso, apesar da idade, e do tamanho mínimo das suas mãos. Percebi que as pessoas lhe respondem quando ele pára para conversar. Raparei que todos os dias ele descobre novos insectos ou flores na rua. Ele é um miúdo observador e isso é uma qualidade a preservar. Devemos estimular essa vontade dando-lhe o tempo que precisa.

Desde este episódio, que aconteceu há cerca de 3 anos,  comecei simultâneamente a minha jornada de me soltar de distrações diárias e agarrar-me ao que importa na vida. E viver sem pressa, num ritmo mais calmo obriga a um esforço extraordinário. Os meus filhos são o lembrete vivo do porque é que tomei esta opção de vida.

E de facto, há dias, o meu filho accionou o lembrete: tínhamos ido ao parque e no fim paramos para comer um gelado. Os irmãos já tinham terminado o deles e de repente ficou a olhar para mim e perguntou: “Tenho de me despachar, não é mãe?

Deu-me vontade de chorar. Se calhar as cicatrizes de uma vida stressada nunca desaparecem completamente.

Enquanto ele olhava para mim à espera de resposta, eu percebi que tinha duas opções. Ou continuava ali sentada melancolicamente a pensar na quantidade de vezes que o apressei até hoje, ou… eu podia celebrar o facto de que hoje estou a tentar fazer as coisas de outra maneira.

Eu escolhi viver o hoje.

Não. Come o gelado com calma. Temos tempo”. O sorriso foi imediato, enquanto os ombros desciam de alivio.

Ficamos ali sentados a falar sobre coisas que, por vezes, o tempo é curto para partilharmos.

Decidi que nunca mais quero dizer: “Não temos tempo para isto”.

Pode ter sido tarde, mas percebi que esta frase basicamente assume que não temos tempo para viver.

 

 

Adaptação do artigo publicado em handsfreemama

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Slow Parenting | Pais sem pressa

Esta é a expressão proibida cá em casa

Antigamente era mais fácil ser mãe

 

A casa é a primeira escola e os pais são os primeiros professores

Esta máxima é o mote do movimento Slow Parenting, que já falamos anteriormente.

O processo de aprendizagem de uma criança durante a primeira infância, é inacreditavelmente rápido, e muitas vezes subvalorizado. A criança até aos 3 anos apresenta capacidade para pensar sobre o mundo e sobre si mesma através da interação que vai estabelecendo com as pessoas e objetos. A observação, repetição, imitação e a experimentação permitem à criança situar-se perante si própria e perante os outros.

Cada momento de cada dia é uma experiência de aprendizagem.

A “casa” representa um lugar de reunião, estável, confortável e onde há amor tornando-se num local seguro. A composição da família, o número de brinquedos, a localização ou número de quartos, não define uma casa.
Tal como um jardim, uma casa deve ser assistida, apreciada, nutrida e respeitada para prosperar. É o cenário para do crescimento físico, mental, emocional e espiritual de um indivíduo, e se houver respeito e amor incondicional, esta casa será uma âncora para os filhos. A casa é a essência daquilo que queremos ser e do que queremos que os nossos filhos sejam.

A casa é a primeira sala de aula – não só no sentido académico – mas como um trampolim para o mundo.

Como nos tratamos uns aos outros, talvez seja a lição de vida mais importante que aprendemos em casa.
Somos educados uns com os outros? Respeitamo-nos? Demonstramos emoções? Honramos a privacidade?  Revezamo-nos? Assumimos as tarefas domésticas?

Resumidamente: podemos contar a nossa história honestamente e sem receio de julgamentos?

Em casa, os nossos filhos aprenderão a resolver problemas, desenvolverão a leitura e até as habilidades matemáticas apenas através da experiência vivida com a família. A aprendizagem com base no amor será adquirida num ambiente calmo e estável, onde se conversa, se brinca, se lêem histórias (muitas) e se fazem vozes de personagens em família.

 “É impossível ter-se livros a mais”

Com a tendência crescente para o consumismo tecnológico, receio que muitas crianças cresçam sem a compreensão e respeito de experimentar palavras escritas.
A alegria de manter um livro, virar as páginas com antecipação, procurar um marcador perfeito, e ler em voz alta é um dos maiores presentes que podes dar aos teus filhos.

É imprescindível que arranjemos tempo para ler com os nossos filhos diariamente. Que os incentivemos a ler por conta própria. Há que parar e arranjar tempo. Quando deixam de dormir a sesta, esse tempo é perfeito para ficarmos no quarto com uma pilha de livros, e que os ensinemos relaxar enquanto expandem o seu vocabulário e estimulam a imaginação.

Esta prática também os ensina a apreciar o silêncio e a sentirem-se feliz consigo próprios – outra componente tão importante.

Histórias de encantar, aventuras, poesias tontas e lengalengas irão evoluir para coleções por capítulos que ocuparão a estante conforme os nossos filhos crescem.

É mais fácil dar à criança um entretenimento visual para passar o tempo, mas queremos mesmo que o caminho seja “passar tempo”? Tentemos que os livros se tornem na melhor ferramenta para os ajudar a “passar tempo”!

Se a casa é a primeira escola, então, os pais são obviamente os primeiros professores.

As tuas amizades e a forma como comunicas influenciarão directamente a forma como o teu filho irá relacionar-se na vida. A educação, respeito, a ética, o amor-próprio, o viver em comunidade são lições de vida que aprenderá contigo. Não fiques à espera que o mundo exterior faça esse trabalho por ti. Se assumires que a escola se irá encarregar disso, então já esperaste muito tempo. Essa é a tua responsabilidade desde o primeiro dia de vida do teu filho.

Parentalidade Consciente e Slow Parenting

A parentalidade não é sobre como criar o filho perfeito e idílico. Nem deve procurar resultados, mas sim experienciar o caminho. Por mais que queiramos acreditar que com determinação e trabalho duro conseguimos controlar tudo, a vida é muito mais complexa que isso, e certamente os nossos filhos terão de lidar com imprevistos. Se tens a capacidade de te adaptar positivamente a situações adversas, também o teu filho herdará essa característica. A isso se chama resiliência.

A parentalidade consciente pressupõe que se faça pausas, que se estude a envolvente e se façam escolhas com base no que consideramos ser o melhor para os filhos, mantendo-nos íntegros e fieis aos nossos valores.

Não será fácil, nem será óbvio, mas se estiveres confiante dos teus valores, um dia que tenhas de fazer essas escolhas, instintivamente saberás qual é o melhor caminho.

Aprender a confiar nos teus instintos e libertares-te das dúvidas é o primeiro passo para a parentalidade consciente.

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A infância tem o seu próprio ritmo, a sua própria forma de sentir, de ver e de pensar. A pretensão de criar os filhos segundo a nossa forma de sentir, ver ou pensar poderá vir a ser um grande erro, porque os filhos nunca serão cópias dos pais. As crianças são filhos do mundo e são feitas de sonhos, de esperança e de ilusões que constroem nas suas mentes livres e privilegiadas.

Há uns meses atrás saiu uma notícia que nos abalou e nos convida a refletir. No Reino Unido muitas famílias preparam as suas crianças de 5 anos para que com 6 anos possam fazer um teste de seleção que lhes permita acessar às melhores escolas de uma elite. Um suposto “futuro promissor” anda agora de mãos dadas com a perda da infância. Transformando em “concorrentes” crianças que deveriam estar a brincar.

Atualmente muitas mães e pais continuam com a ideia de acelerar a aquisição de competências dos seus filhos, de estimulá-los cognitivamente, de ouvir Mozart enquanto ainda estão na barriga da mãe. É possível que essa vontade de criar crianças aptas para o mundo esteja a formar crianças inaptas emocionalmente. Miúdos que com apenas 5 ou 6 anos já sabem o que é o stress, a ansiedade, e o medo de falhar.

É um peso muito grande para crianças tão pequenas, não acha?

Os nossos filhos e o retorno da exigência a longo prazo

Todos sabemos que nestas sociedades mutantes e competitivas é necessário que existam pessoas, acima de tudo, capazes de se adaptarem a este nível de exigências. Também não há dúvidas de que as crianças britânicas que conseguirem entrar nas melhores escolas de elite terão, no dia de amanhã, um bom emprego. No entanto, fica a questão:

Valerá a pena o preço emocional a pagar? Perder a sua infância? Seguir as orientações que os  pais programaram para eles desde os 5 anos de idade?

É de realçar que, até agora, não existem pesquisas conclusivas que sustentem a ideia de que forçar a aquisição de determinadas competências, como a leitura em crianças de 4 anos, seja positivo nem que isso repercuta a longo prazo no seu desempenho académico.

O que se consegue em muitos casos é que os miúdos comecem a conhecer dimensões como a frustração, o stress e principalmente, ter que se adequar às expectativas elevadas criadas pelos pais.

As crianças são feitas de sonhos e é preciso tratá-las com cuidado.

Se enquanto pais nos encarregamos de preparar os nossos filhos para um mundo tão competitivo que aos cinco anos exigimos que trabalhem para desenvolver competências académicas, então estamos a cortar-lhes as asas. Asas essas que, possivelmente, iam ajuda-los a conquistar os seus sonhos no futuro.

As crianças precisam de trabalhar as competências através da arte, da música, de brincadeiras espontâneas, da experimentação, das histórias contadas, das quedas da bicicleta, e acima de tudo através do amor da paciência e do apoio incondicional dos pais.

A parentalidade que respeita os tempos, ritmos e os sonhos da criança

Em vez de se tentar acelerar o desenvolvimento da criança, os pais deveriam optar pelo método da aproximação. Ou seja, facilitar o acesso às coisas e aos objectos, como por exemplo, aproximar os livros das crianças de 3 ou 5 anos sem obrigá-las a ler ou a iniciar a aprendizagem.

A curiosidade é o maior impulsionador do cérebro infantil, por isso recomenda-se que pais, mães e educadores uncionem como facilitadores da aprendizagem e não com agentes de pressão.

Preocupados com esta tendência de acelerar o desenvolvimento da criança, muitos pais e educadores começaram a procurar e a desenvolver abordagens que respeitem os ciclos naturais da criança, como por exemplo, “Parentalidade consciente” ou o “Slow Parenting”.

Slow parenting

O “Slow Parenting”, ou “Pais sem pressa”, é o fiel reflexo dessa corrente social e filosófica que nos convida a ir mais devagar, a ser mais conscientes do nosso meio. Por isso, no que se refere à criação, propõe-se um modelo mais simplificado e paciente, com o qual respeitar os ritmos da criança em cada etapa evolutiva.

Os eixos básicos que definem o Slow parenting são os seguintes:

  • A necessidade básica de uma criança é brincar e descobrir o mundo.
  • Não somos os “amigos” dos nossos filhos, somos os pais e temos de assumir esse papel. O nosso dever é amá-los, guiá-los, ser o seu exemplo e facilitar a sua maturidade sem pressões.
  • Lembre-se sempre de que “menos é mais”.Que a criatividade é a alma das crianças, que um lápis, um papel e um relvado têm mais poder que um telefone ou um computador.
  • Passar tempo com os filhos em espaços tranquilos.

Parentalidade consciente

Apesar de ser uma abordagem que valoriza o uso do estímulos positivos em vez do castigo ou das clássicas repreensões, este estilo educacional possui outras dimensões que vale a pena considerar.

  • Educar sem gritar.
  • O uso das recompensas nem sempre é adequado: corremos o risco dos nossos filhos se habituarem a receber sempre recompensas, sem compreender o benefício intrínseco do esforço, da conquista pessoal.
  • Dizer “não” e impor limites não traumatiza e é necessário.
  • A parentalidade consciente faz uso intenso da comunicação, da escuta e da paciência. Uma criança que se sente atendida e valorizada é alguém que se sente livre para conversar sobre estes sonhos da infância e lhes dar forma na maturidade.

Respeitemos a sua infância, respeitemos essa etapa que oferece raízes às suas esperanças e dará asas às suas expectativas.

 

Por Valéria Amado, em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

 

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Há um ano atrás vivia num piloto automático! Estoirada! Desesperadamente estoirada! Trabalhava 14 horas por dia, 6 dias por semana.

Por vezes, as semanas terminavam e recomeçavam sem intervalo e longe de algum aroma domingueiro.

Parar era palavra que não fazia parte do meu vocabulário! Nem para fazer refeições “decentes”, o que dificultou, de certo modo, a minha relação com a balança!

Insatisfeita com o passado, demasiado amedrontada com o futuro, com prioridades mal definidas e com um péssimo defeito de não saber dizer “não”, o presente ia escapando no desenrolar de cada ciclo circadiano. O presente que é, na realidade, o único tempo em que vivemos!

Esta história também é a sua história? Ou também já foi a sua história?

Porque, para mim, o mais incrível é perceber que o viver sem pausas se tornou “normal” para a nossa sociedade!

Valorizamos a azáfama e a correria! Não fazer nada é visto como “preguicite aguda” e as agendas preenchidas são atribuídas às pessoas que são consideradas “importantes”. Enchemos os nossos intervalos das tarefas com passatempos, os Domingos com actividades e os Sábados com jantares, sem percebermos a esterilidade que é uma vida ocupada demais (como Sócrates já dizia!).

Pausa!

Precisamos de pausas!

Precisamos viver as pausas!

Por favor, alguém carregue na pausa!

Precisamos perceber que as pausas fazem parte da vida!

A noite é pausa e o inverno também.

Parar não é interromper. Muitas vezes, persistirmos em não parar é que se revela numa grande e redonda interrupção!

Parar também não é um dia de distracção, mas sim um momento de atenção. Parar é ser atencioso connosco e com a vida!

As pausas são essenciais para a saúde de tudo aquilo que é vivo!

Em Salmos (livro da Bíblia) existe uma palavra que aparece vezes e vezes: Selah. E Selah significa pausa para meditar. É nesse momento de pausa e meditação que existe crescimento. É nesse tempo que se percebe o sentido da caminhada. É a pausa que nos mostra quando algo terminou e quando algo vai começar.

O inicio do ano é uma pausa!

Que neste inicio de ano consigamos parar e repensar a velocidade em que vivemos.
Que esta pausa nos dê tempo, energia, relacionamentos, realizações e oportunidade de nos descobrirmos!
Perdoemos o passado, desfrutemos do presente e entreguemos o futuro nas mãos de Deus! E que quando a culpa começar a querer invadir os nossos pensamentos (porque a dinâmica imparável do mundo vai colocar-nos esta carga em cima), que nos lembremos que até Deus descansou depois de ter feito este lugar fantástico onde nós vivemos!

Por Sara Ribeiro

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