História da receita:

O tempo que temos é curto e passa a correr. A seguinte receita procura devolver alguma normalidade ao caos, lembrar que por muito pouco tempo que se tenha, às vezes temos de o usar melhor. Só saímos a ganhar.

Receita de 60 minutos para ser feliz

Ingredientes (para famílias pequenas ou numerosas):

– Disponibilidade q.b.

– Atenção

– Muito amor

– Sentido de humor moderado

 

Dificuldade: Fácil/Moderada

 

Tempo: Acessível

 

Preparação:

Esta receita está dividida em três partes iguais de vinte minutos. O ideal será que consiga conciliar as três diariamente. A ordem apresentada é apenas uma sugestão.

 

Primeira parte:

Converse com o seu companheiro sobre o seu dia. Nada de televisão ligada, nada de consultar o telemóvel de dois em dois minutos para ver o e-mail, nada de ter o tablet na mão, nada de “deixa cá ver o que é que os miúdos estão a fazer que estão muito calados”, nada de falar sobre problemas. Converse apenas. Partilhe algo engraçado sobre o seu dia. Não se queixe do trabalho nem do tempo que perdeu no trânsito nem a birra que o mais velho fez quando o proibiu de sair com os amigos por causa das notas. Só importam vocês.

Se não tiver companheiro, vale fazer uma vídeo chamada para a amiga que imigrou, ligar à sua mãe (relembre que o tema problemas é proibido), conversar com o seu irmão. O que importa é que fale, converse, partilhe o seu tempo com alguém, alimente as suas relações. Diariamente.

 

 

Segunda parte:

Dedique tempo ao(s) seu(s) filho(s) – Ajude-o a resolver o trabalho de casa, oiça o que ele tem a dizer sobre o seu dia, sobre o que aconteceu com os amigos, deixe-o contar uma piada e ria-se pelo esforço que ele fez (provavelmente inversamente proporcional ao nível da graça), brinque com ele sem ralhar nem lembrar que deixou os legos espalhados, a televisão ligada na sala, demorou imenso tempo no banho ou custou a comer a sopa. Este momento é para ser vivido numa bolha. São vinte minutos de puro amor. Aproveite-os.

 

Terceira parte:

É chegada a altura de se dedicar a si. Não se esqueça que são vinte minutos em que não deve preocupar-se com mais nada.

– Tome um banho demorado sem ser interrompida;

– Veja parte do episódio da série que começou a seguir em 2013 (é muito mais emocionante ver os episódios repartidamente, aumenta o suspense, não é?);

– Pegue no livro que tem na mesa-de-cabeceira e dedique-lhe a sua total atenção;

– Olhe-se ao espelho e veja quem lá está, converse com ela sem críticas;

– Adormeça no sofá sem culpa;

– Passeie com o cão pelas redondezas para fumar aquele cigarro da semana e ver a vista da cidade à noite;

– Todas as anteriores, se for capaz e se for importante para si.

 

Nota:

Para servir basta apenas um sorriso no rosto… E agradecer as coisas boas que tem – de certeza que encontra umas quantas.

Já tem meio caminho andado para ser feliz.

A Felicidade não se explica, não é palpável, mas sente-se. Entra e sai, nunca fica. É feita de um material cósmico, uma mistura de pozinhos de perlimpimpim com bocadinhos de arco-íris. Talvez também tenha um pedaço da Lua. Mas não é eterna. Não é total. Não é absoluta.

Faz-se de retalhos. De momentos perdidos mas não esquecidos. De caminhos seguidos. De atalhos. A Felicidade não se vê, não se ouve. Mas saboreia-se, vislumbra-se. Não é como o Pai-Natal nem como a Fada dos Dentes. A Felicidade existe. E se existe! Porque a Felicidade é momentânea. São segundos, milésimos de segundo.

O importante é sabermos coser todos os retalhos de Felicidade no nosso dia, na nossa vida. Se à noite pensarmos naqueles bocadinhos bons que tivemos, ainda que no escritório, num dia de chuva, ainda que no meio do trânsito. Pode ser uma música, um piropo, uma frase solta, uma ideia tonta. Tudo isso são bocadinhos de Felicidade.

A Felicidade não pode depender só do sol, das férias, dos fins-de-semana, do chegar a casa. Se assim fosse, só teríamos direito a ser felizes em menos de um terço das nossas vidas. Não. Nem pensar!

A Felicidade planta-se, cultiva-se, trata-se com Amor. A Felicidade cresce e amadurece, mas também desaparece. O segredo é regá-la, enchê-la de beijinhos, de abraços e de miminhos. O truque é procurá-la porque a Felicidade está mesmo ali, ao virar da esquina, dentro do armário, a espreitar das gavetas.

Ser feliz é isso. É aprender a sentirmo-nos bem, é saber dar valor àquilo que temos, é viver dando graças pelo que vivemos! Ainda que não tenhamos tudo, ainda que não possamos aproveitar o que temos como gostaríamos! Mas se a Felicidade fosse plena, não lhe daríamos valor! Se tivéssemos de férias o ano todo, elas não teriam o mesmo sabor!

A Felicidade não se escreve, não é palpável, mas sente-se.
E se há coisa que me traz Felicidade, é este blog.

 

 

imagem@pinoria.com

LIVRO “O que me faz Feliz” | De Joana Cabral | Ilustração Margarida Teixeira | Máquina de Voar | M/4 | Afetividade e partilha | 9.54€ |

Há livros que nos fazem sorrir cada vez que os lemos. “O que me faz feliz” é um livro que os meus filhos adoram, e que me pedem para ler à noite, sempre que acham que vão ter sonhos assustadores.

O narrador, que nesta história é uma criança, enumera diversas coisas que o fazem feliz. Não fosse a felicidade ser feita de pequenas coisas simples, apaixonamos-nos pelo livro à primeira.

Coisas triviais como o cheiro dos lençóis quando nos deitamos ou desenhar nos vidros embaciados são coisas que nos fazem sorrir por dentro.

Este é um livro para ler em família, e descobrirmos, ou relembrarmos quais são essas as pequenas coisas que nos fazem sorrir!

Veja o interior do livro aqui