Gerir o divórcio com filhos: dicas para pais preocupados

Seja qual for a idade dos filhos, todos sofrem de alguma forma com o divórcio. Poderá ser no momento da separação ou uns anos mais tarde.

Apesar de todos os desencontros que a vida possa trazer, havendo filhos o divórcio deve ser sempre gerido em torno deles. Assim, seguem alguns conselhos/dicas para todos os pais preocupados:

1 – Comunicação – Fortalecer o diálogo

Os filhos devem ser informados do que se está a passar. Afinal, serão eles os principais afetados de todo o processo. Inevitavelmente um dos pais passará a estar mais ausente (nem que seja de forma alternada). Os filhos devem entender que a culpa não é sua e que os pais não passam a gostar menos deles por não estarem a viver sempre debaixo do mesmo teto;

2 – Os filhos em primeiro lugar: redobrar a atenção

Independentemente de todas as alterações, seja na morada, seja uma nova companheira do pai ou companheiro da mãe, sejam irmãos, o filho deve sempre sentir que é amado e que não foi esquecido na vida dos pais;

3 – Evitar discussões e ambientes de tensão

É importante que todos se dêem bem! – Apesar do que possa ter acontecido e da mágoa que possa ter trazido, há alguém que é fruto de um amor que já existiu e que com certeza quererá que os pais consigam ter uma relação cordial e que estejam presentes nas suas ocasiões especiais, sem rancores ou mau ambiente;

4 – Sintonia na educação

É importante que todos estejam em sintonia com a educação e decisões dos seus filhos. Os assuntos devem ser discutidos em particular para apresentar uma força unida, de forma a não confundir os filhos e não criar situações em que se possa ouvir a frase “se fosse o pai/mãe deixava”.

O divórcio é uma mudança na vida dos pais, das famílias e dos filhos. É necessário explicar-lhes que a culpa não é deles e que são igualmente amados pelos dois.

Não se deve esquecer: o divórcio é muitas vezes a rutura necessária para a construção de uma estrutura mais firme no futuro.

 

Por Catarina Marques Lobo, Assistente Social

Este texto é para todos os homens que, num determinado momento da sua vida, se despiram do papel de pai e abandonaram os filhos. Aos homens que se separam não só das mulheres, mas também dos filhos. A todos os pais ausentes.

Para ti o que é ser pai? Aparentemente, pagar uma pensão mensal (ou não) e telefonar de vez em quando? É postar no Facebook fotos “felizes” dos filhos de um fim de semana raro de visita?

Falo com conhecimento de causa.

Perdeste um grande aprendizado na vida. Perdeste a oportunidade de ensinar os teus filhos a dar os primeiros passos. Perdeste noites de sono recompensadas com sorrisos e um cheirinho incrível de bebé. Não viste a tua filha vestir-se de princesa e acreditar na fada dos dentes. Não percebeste que o teu filho não gosta de futebol, mas adora o mar e uma prancha de surf.

Depois da separação achaste que não tinhas mais obrigações na educação dos teus filhos. Concluíste que não dás conta da nova mulher e dos filhos antigos. Eles já não se enquadram na tua nova vida, não é?

É uma pena que não tenhas enlouquecido como eu com os TPC, as zangas e os morreres de amores com os amiguinhos, a conversa sem fim a seguir à escola, as febres, as viroses, as atividades, as contas por pagar.

Tenho pena que seja uma chatice para ti ficares com os teus filhos de vez em quando.

Mal pensas nos teus filhos que abandonaste nas mãos de uma mulher que, teve de ser forte e de criar um ser humano e um futuro cidadão completamente sozinha. Que pena que não te lembres da data de aniversário da tua criança. E que nem vás saber se um dia vai entrar na faculdade ou se vai passar dificuldades na vida.

Não é para o teu colo que o teu filho vai correr quando precisar de chorar. Ufa, certo?

Não é o carinho dele que vais sentir sempre que caíres sem ninguém para te amparar. Não são aquelas mãozinhas pequenas com verniz vermelho que vais segurar depois de um dia de trabalho.

Felizmente, não terás preocupação nenhuma, até porque está alguém a criar (e bem) os teus filhos. Felizmente, não vais perder horas de sono quando o teu filho for sair à noite. Nunca terás vontade de bater na parede para aguentar uma birra terrível sem te passares. Que sorte, não terás cabelos brancos tão cedo.

Não vais dormir exausto depois de fazer os TPC, ir à  natação, ao ballet, ao inglês. Não vais chorar ao veres o teu filho chorar também.

O fim de semana é só por tua conta! Que maravilha! Nunca vais ter de ensinar alguém a andar de bicicleta e não vais ficar com dores nas costas de tanto empurrar. Nunca sentirás aquela alegria de veres o teu filho a pedalar sozinho depois de várias tentativas. Nunca perderás o teu tempo a ver o pôr do sol ao lado do teu filho, nem a falar sobre o universo e as coisas mais estapafurdias da vida.

É uma pena que sejas apenas pai de certidão de nascimento (às vezes nem isso), e nunca vás experienciar nada disto. Nem a parte boa nem a parte má. Não saberás o que é amor incondicional. O que é ter um companheiro para o resto da vida que vai te amar com todas as forças que tem.

Mas sabes, podes ficar tranquilo. Os teus filhos vão crescer saudáveis, inteligentes, com alguns traumas, mas como se costuma dizer, “o que não te mata torna-te mais forte”. Nada que os marque para sempre, porque os teus filhos ficaram com a mãe.

A Mãe de verdade. Que às vezes sente vontade de fugir, que se tranca na casa de banho a chorar, que fica exausta e irritada com os choros, as manhas e as malcriações. Esta mães consegue ter os mais variados sentimentos dentro de si e ainda assim amar tanto os seus filhos que aguenta tudo por eles.

Por isso, descansa, fica tranquilo.

Os teus filhos estão a ser bem cuidados.

E tu podes continuar livre e desocupado.

 

Por Aline Rolo em ObviousMagazine

 

Divorciados mas não separados

De facto deixámos de viver na mesma casa. Não partilhamos a nossa vida pessoal um com o outro desde que tomámos a decisão de nos divorciarmos.

Nunca poderemos dizer que da nossa relação restou pouco já que ela durou uma grande parte das nossas vidas, do nosso crescimento, das nossas experiências.

Para além disso, o mais importante – dos dias melhores da nossa vida nasceram os nossos filhos.

Além da existência real destes, ainda pequenos seres, ficará para sempre a memória conjunta do dia em que soubemos que iam nascer. Dos momentos em que festejámos e partilhámos com os mais próximos o grande mistério das suas vidas.

Eles não nos permitem uma separação efectiva, nem forçada nem imaginada, menos ainda desejada.

Contrariar ou negar um tempo passado com esta qualidade é o mesmo que fugir de si próprio. Fugir da sua própria vida, passado, presente e obviamente futuro…

Quando tomámos a decisão de nos divorciarmos, toda a dor sentida nos fez, eventualmente, rever os momentos maravilhosos que vivemos.  E também pôr em questão tudo o que aparentemente desaprendemos ao longo do tempo. Em vez de um rumo naturalmente esperado de evolução como um todo, sentimos que deixámos de controlar o que juntos planeámos.

Por muita dor, mágoa e arrependimento que possam ficar, ainda nos resta a possibilidade de seguirmos o rumo da parentalidade que ambos sonhámos viver. É verdade que com algumas diferenças substanciais do modelo que tínhamos interiorizado, mas a possibilidade existe!

O caminho não será tão linear, não será tão amparado; mas com amor, equilíbrio, respeito e altruísmo é um caminho possível e com tendência a evidenciar-se como positivo.

O que é ser pai hoje? Qual é o papel da mãe nos dias que correm?

E ser filho? O que é ser filho neste mundo louco em que corremos atrás da felicidade e da perfeição!?

Conseguir olhar para um filho como aquele ser que nos é colocado no trajeto de vida para encaminharmos, protegermos e prepararmos para um caminho que será só seu.

Olharmos para um filho com a responsabilidade de o vermos como um ser independente de nós. Um ser que sente por si, que vive uma experiência de vida que não deve ser a nossa, mas sim a dele.

Percebermos a importância de partilhar decisões com a pessoa com quem decidimos gerar esta vida. Trabalharmos diariamente as competências pessoais que nos permitam não nos separarmos de quem connosco partilha um papel, um lugar, uma missão que o coloca no mesmo lugar do pódio.

Partilhar para sempre o 1º prémio, sem lugar a disputas, a bem daqueles de quem nunca nos divorciaremos – os filhos!

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