A passagem ou sete questões para desinquietar

A vida pode ser só isso. Uma passagem. Ou talvez não. Nesta altura do ano, por razões óbvias, dou por mim a refletir mais sobre este assunto. Morrer, na verdade, pode não ser só morrer…

Será que a ciência pode estar de mãos dadas com a espiritualidade? Cada vez mais, sei que sim. Mas esta não é a primeira pergunta que desejo deixar nesta minha passagem por aqui…

A pergunta está relacionada com o nosso desenvolvimento como pessoas. Com o nosso contributo. Com o dar para receber. Com o dar…sem pensar em receber…

Da reflexão, vem uma prática melhor. Cá vai então:

PERGUNTA UM

Quais são as reflexões que poderíamos (até como espécie!) fazer, se considerarmos que morrer não é só morrer?

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Há dias, falava com os meus miúdos sobre a renovação celular. Mesmo que, por vezes, seja difícil imaginarmos, as células, na sua renovação, vão-nos dando (literalmente) um corpo novo de tempos a tempos.

Isto leva-me à:

PERGUNTA DOIS:

A passagem do tempo, permite esta renovação…será que aproveitamos?

É comum escutarmos queixas sobre a velocidade. A velocidade da vida. Realmente, se não soubermos aproveitar, tudo passa (tudo passará…e nada fica…nada ficará…como dizia o cantor).

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A semana passada, em Guimarães, num estabelecimento de ensino de referência, com um excelente ambiente, educadores motivados, lideranças presentes, tive uma grande lição.

Não foi só a vontade de melhorar, demostrada por desejarem receber uma formação. Não foi só a maneira como se esforçaram para investir. Não foi só a forma como me receberam.

No fim de um dia de trabalho, era um grupo intenso, dedicado, atento…a minha velocidade até feriu alguns. Estavam dispostos a refletir. A ficar. A pensar. Com calma.

Educadores com vontade de deixar um legado! Esta foi a lição. Comprovei. Quando este intuito está presente de forma clara e intencional, a passagem da nossa formação é mais. É passagem, mas fica. É rápido, mas mantém-se. É curta, mas perdura assente no legado. É mais.

PERGUNTA TRÊS

Como educador, que legado quer deixar? Como mãe, como tia, como auxiliar, como porteiro, como motorista, como educador…qual será o seu legado?

Lembremos sempre: os auxiliares também educam. Também será pertinente terem um legado para deixar.

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No outro dia reconheci uma pessoa que já tinha estado numa formação anterior. Fiquei um pouco a observar o seu rosto. A forma como me fitava, era como se me bebesse.

O seu rosto, um símbolo.

Reconheci esse símbolo.

Reforcei (ainda mais!) o meu empenho.

PERGUNTA QUATRO:

Pense na forma como tem olhado para a vida…como tem pisado no chão…qual a marca da sua passagem…pense se será clara e pertinente.

Os seus olhos querem beber a vida?

Use símbolos. Se usar os símbolos certos, no rosto, nos rituais, nas brincadeiras com as crianças, na sua privacidade, se usar os símbolos certos, a vida retribuirá com empenho!

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Não somos perfeitos. Pelo contrário. Temos problemas. Muitas vezes desejamos ir para a direita, mas vamos para a esquerda. Sabemos as teorias. Sabemos os ideais. E falhamos. Por isso, muitas vezes, como castigo, impedindo-nos de desfrutar a vida, impedido-nos de fazer valer a passagem, fugimos das emoções positivas.

Fugimos porque sentimos culpa.

Voltando à renovação, se eu nutrir bem o meu corpo, com a alimentação, ele sairá reforçado mais à frente.

PERGUNTA CINCO

Alimenta as suas células de emoções positivas?

Se reforçar com emoções positivas também sairá reforçado. E não precisamos de avisar o mundo! De publicitar! Não precisamos. Na penumbra, muitas vezes em segredo, é aí. Outras vezes, com uma pessoa. Outras vezes, com a pessoa. Por nós. Sem fazer mal a ninguém. E vamos sair reforçados para poder ajudar os outros mais à frente.

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Nelson Mandela, ou mais recentemente, Malala Yousafzai, são inspiradores.

Esta última, com 11 anos, já dava sinais de resiliência e luta. Nelson Mandela, vinte e sete anos preso, soube sair um homem (ainda) melhor.

A minha mãe, impossibilitada de ir ao funeral do pai, do meu avô, mandou-me uma mensagem para eu ler no funeral. Com o coração apertado e quase sem voz, li a mensagem perto de um punhado de familiares.

O meu pai, cruzando a ponte Vasco da Gama, fala-me com tranquilidade (aparente!) da sua mudança de vida. E inspirou-me.

Foi difícil, mas inspiraram-me.

PERGUNTA SEIS:

Quem é que o inspira? Jesus Cristo?  Santa Madre Teresa de Calcutá? Princesa Diana?

Os inspiradores ajudarão nesta passagem. Tenha-os. Vivos em si.

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Saint Nobody, uma música de Jessie Reyez, tem um letra incrível e um poderoso vídeo clip. Ando a revê-lo.

Fala de passagem, de entrega, de dedicação, de não sermos santos, fala da importância da fé, da importância da fé em nós próprios…porque isto não pode ser só uma passagem.

Trabalhemos. Trabalhemos ainda mais. Tenhamos a noção de que acaba. Mas pode ser só o começo…

PERGUNTA SETE

Pode ser só o começo…vai deixar algo por dizer…algo por fazer?

 

Como é que se explica a Páscoa a crianças? Parece complicado, mas deve ser um processo natural. Tal como o Natal, a Páscoa é um feriado cristão, uma festa pagã.

Obviamente que parece mais fácil explicar o Natal: celebra-se o nascimento do Menino Jesus, os presentes aparecem dos 3 Reis que seguiram a estrela para conhecer o Menino. Celebra-se o amor. E, inicialmente, é o suficiente. Com o crescimento e maior entendimento da vida, torna-se mais fácil acrescentar informação de valor a esta história.

Agora a Páscoa… Como se explica a ressurreição de Cristo? Como se explica a morte de “Menino” Jesus?  E, sendo filho de Deus, como deixa Deus morrer o seu filho? Onde entra o Coelho?

Tudo isto é muito complicado na cabeça de uma criança. Tal como uma história, onde podemos acrescentar pormenores, aqui devemos ir por partes. Não vale a pena explicar tudo de uma vez. Uma criança muito pequena não terá capacidade de compreender Cristo a ser crucificado. Mas se for uma criança habituada a ir à missa, de certeza que já começou a apanhar alguma parte da história, nem que seja pelas imagens e estatuárias. Agora, trata-se de unir os pontos. Assim, deixamos algumas dicas

Para explicar a morte de Cristo, escolha um momento em que tenha tempo para contar uma história. Sim, deve começar como se se tratasse de uma história infantil. Não é preciso entrar em grandes pormenores. Cristo era muito bom e ajudou muita gente. Na sua época conseguiu mudar muita coisa, e por isso apareceram alguns inimigos, que acabaram por pendurá-lo na Cruz.

Logo de seguida, pode passar à parte em que Cristo ressuscitou. E foram apenas três dias depois. É isso que celebramos, a ressurreição de Cristo.

Aqui chegamos aos ovos da Páscoa: os ovos representam o renascimento. Inicialmente eram pintados à mão com cores vivas e motivos florais, para representar a Primavera. Ah, porque a Páscoa celebra-se no solstício de Primavera! O que nos leva ao Coelho da Páscoa: que animal poderia representar melhor a fertilidade e a primavera?

Deixamos um vídeo que pode mostrar aos seus filhos. Quem poderá explicar melhor a Páscoa às crianças, do que as próprias crianças?

E lembre-se, o mais importante a explicar não é a morte e a ressurreição de Cristo, mas sim aquilo que todos aprendemos com isso.

 

Ovo Criativo | Sugestão Páscoa
Quando os miúdos estão de férias, e especialmente se o tempo lá fora não ajudar, o melhor é fazer atividades em casa. Deixamos-lhe esta sugestão giríssima de Páscoa! Experimente enviar uma mensagem para os colegas da escola receberem quando começarem as aulas. Os miúdos vão adorar

Fazer dois furos nos topos do ovo
Fazer dois furos nos topos do ovo
Retirar o conteudo
Retirar o conteudo
Pintar/decorar
Pintar/decorar
Escrever uma mensagem de Páscoa
Escrever uma mensagem de Páscoa
Enrolar a mensagem
Enrolar a mensagem
Colocá-la no interior do ovo
Colocá-la no interior do ovo
Guardar numa caixa a dizer "Parte-me"
Guardar numa caixa a dizer “Parte-me”
Embrulhar, e enviar pelo correio
Embrulhar, e enviar pelo correio
A surpresa será assim!!
A surpresa será assim!!

 

 

Por Poppytalk