Resistir à tempestade é não desistir de ser Feliz…. É criar instantes de vida que valham por si mesmos.

Vivemos num mundo moderno, em pleno século XXI, onde as exigências são enormes….

As mulheres com todas as suas conquistas, passaram a trabalhar fora de casa, sim porque antes também trabalhavam muito, mas dentro de casa, onde infelizmente não eram vistas nem apreciadas. Passaram a ter voz ativa, uma palavra a dizer, mas não deixaram de estar um pouco sozinhas da gestão doméstica e educação dos filhos. Alguns homens, justiça seja feita, adapataram-se e aprenderam não só a partilhar como a responsabilizarem-se pela dinâmica familiar, outros nem tanto…

As crianças estão mais sozinhas, com menos apoio familiar e em dinâmicas sociais vazias, num culto de imagem que torna as relações mais líquidas e quase sem vínculo…

Ensinamos desde pequenos que a vida é dificil e que a carreira se começa a desenvolver desde o nascimento, com um conjunto infindável de atividades extra-curriculares que pensamos serem úteis no seu desenvolvimento, mas que na verdade as impede de brincar e de serem simplesmente crianças.

A ansiedade e a depressão

A ansiedade e a depressão são as novas doenças do século, que avassalam todos sem dó nem piedade e cada vez mais as pessoas estão desesperadas, sem saber que caminho seguir. Na generalidade não compreendem a razão de estarem assim, mas sentem-se incapacitadas para prosseguir como antes. Não identificaram os sintomas que com certeza já iam aparecendo e quando finalmente não conseguem mais ignorar, porque o mal-estar é permanente e parece comandar as suas vidas, já não podem passar sem medicação. Infelizmente isto é verdade também nas crianças e jovens, que cada vez mais sofrem de distúrbios de ansiedade, que lhes retiram qualidade de vida.

Sofremos cada vez mais de hiperatividade mental! Sobrecarregamos o nosso pequeno computador, como se ele não se desgastasse e cansasse de tanto pensamento, tantos afazeres, tantas listas que inundam a nossa cabeça e não nos deixam dormir! Precisamos fazer tudo em tempo útil, estar em todo o lado, cumprir com as obrigações familiares e profissionais e ainda assim ter tempo para amar e ser feliz!

Parece que tem sido impossível completar essa tarefa que a vida moderna nos impõe. O custo tem sido a tristeza das nossas crianças, a nossa tristeza e todos os distúrbios e patologias que temos vindo a desenvolver.

O mar que em tempos beneficiava de períodos de tranquilidade, hoje está repleto de ondas ininterruptas, que batem com força na areia e por vezes fazem buracos complicados de tapar ou disfarçar. O mar está claramente bravo e difícil de navegar….

“A nossa mente é como a água, quando está calma e em paz, pode refletir a beleza no mundo. Quando está agitada, pode ter o paraíso em frente e não o reflete!”  – David Fischman

O que é que cada um de nós pode então fazer para resitir a esta tempestade?

Diria que antes de mais precisamos todos de Respirar!

Precisamos de sair do alheamento que a hiperatvidade nos confere para vivermos mais inteiros, mais conscientes, mais presentes em nós e nos outros. Precisamos criar tempo e espaço para simplesmente parar e Respirar!

Por parar não nos estamos a referir a meditações complexas logo pela manhã. Sabemos que existe um conjunto infindável de tarefas para completar antes de podermos sair de casa. Não! Basta acordar 15 minutos antes da hora fulcral, para poder executar todas as tarefas com calma e de forma consciente. Porque não tirar uns minutos para nós próprios para começar o dia respirando o seu dia, sem pensar… Praticar esse estado de presença consciente ou mindfulness, não é nada que requeira muito do seu tempo e muito menos da sua cabeça!

É um estado que possibilita a nossa autoregulação. Viver no momento presente e aliviar o excesso de energia na zona da cabeça, a hiperatividade mental, preocupação e confusão que nos esgota e nos obriga a ligar o piloto automático na execução das tarefas quotidianas, anulando a possibilidade de estarmos atentos e conscientes.

Quando vivemos com o piloto automático ligado é como se vivêssemos na estratosfera! Viver na estratosfera é o contrário do que o mundo exige de nós e todas as nossas tarefas ficam dificultadas.

Precisamos de Caminhar e sentir os nossos pés no chão! Precisamos de nos enraizar na vida, no aqui e no agora, na nossa capacidade de acção e concretização… Precisamos de nos apropriar do nosso corpo e do nosso sentir. Caminhar possibilita não só a nossa autoregulação como o nosso enraizamento. Quando estamos ligados à terra estamos centrados e conectados a receber e escoar a energia do nosso corpo. Esse porcesso dá-nos a segurança e a base para que possamos experimentar a vida sem medo e em plenitude.

Estar vivo não é um acaso inútil ou um lanche grátis, que nem nos soube assim tão bem! Estar vivo é uma responsabilidade para connosco, com os outros, com a nossa felicidade e o nosso caminho! Dizem que felicidade é um instante de vida que vale por si mesmo… Vamos produzir mais instantes aos quais possamos chamar de Felicidade!

Resistir à tempestade é não embarcar na loucura que são as exigências da vida moderna. É criar espaços para Parar, Respirar e Conectarmos com nós próprios no dia-a-dia agitado do século XXI.

Resistir à tempestade é não desistir de ser Feliz…. É criar instantes de vida que valham por si mesmos.

O corpo contém a história de cada indivíduo e é por meio dele que devemos procurar resgatar as emoções mais profundas, como se fosse uma viagem na qual podemos desvendar alguns mistérios, aos quais a mente sozinha não tem como aceder. A proposta é possibilitar, através do contacto com o corpo enquanto organismo vivo e expressivo, revivências de carácter emocional e afectivo, acompanhadas de uma tomada de consciência capaz de dar suporte à reorganização do vivido.

A viagem através dos nossos 7 centros energéticos vitais.

Acredito que a saúde e o bem-estar do indivíduo dependem do fluir da energia em todas as dimensões que compõe o ser-humano. O funcionamento dos chakras está diretamente relacionado com o estado psíquico da pessoa, originando bloqueios e conflitos que alteram o seu funcionamento e comprometem o fluxo energético, determinando o estado da nossa saúde.

O corpo humano encontra-se dividido em três grandes áreas:

  • A área inferior (dos pés até a cintura)
    Que está relacionada com os processos de absorção, eliminação e nutrição e da qual fazem parte o chakra da Raiz e do Hara.
  • A área central (do umbigo até abaixo do coração)
    Que corresponde ao chakra do Plexo Solar e relaciona-se com os aspectos de transmutação, metabolização e distribuição de energia.
  • A área superior (do coração até o topo da cabeça)
    Que envolve os chakras do Coração, Garganta, Terceiro Olho e Coroa, com um movimento energético para cima e que se relaciona com a componente espiritual e com os estados progressivos de consciência.

Os 7 Chakras

Arquetipicamente cada um dos chakras representa também uma das forças elementares da vida, numa interpretação simbólica da função energética de cada um destes centros: Terra, água, fogo, ar, som, luz e pensamento. Psicologicamente também correspondem a áreas fundamentais da nossa vida, tais como: sobrevivência, sexo, poder, amor, comunicação, imaginação e espiritualidade e o seu fluxo determina algumas funções psicológicas.

  • O primeiro centro, o chakra da Raiz, tem como função primária enraizar, no sentido de um compromisso com o corpo e um dese­jo de sobrevivência. A Raiz tem como qualidade principal o Grounding, que representa a nossa capacidade de contacto com a nossa realidade interna e externa, é as nossas competências de sustentação, assertividade e concretização. Representa assim uma espécie de compromisso com o corpo e um desejo de sobrevivência que se liga à energia da terra.

A pergunta básica deste chakra é então, “onde estão as minhas fontes de força?”, onde é que vou buscar o que me alimenta, me protege e me permite viver em bem-estar físico e emocional.

  • O segundo chakra é o Hara, cuja qualidade é a Serenidade. Ao contrário da Raiz que nos ensina a formar a nossa base e o centro da nossa atenção está no Eu, o Hara compreende já a mudança do Eu para o Outro, da singularidade para a dualidade e permite-nos descobrir o reino dos sentimentos e dos desejos. Este centro tem como função primária a carga ou emoção. Este centro está intimamente ligado ao umbigo e à sensação de contacto via conexão com o cordão umbilical. Na infância é o centro do bem-estar, sustentado por experiências agradáveis no seio. Duran­te e após a adolescência relaciona-se com a sexualidade. Ao longo do desenvolvimento, a líbido passa então da boca para os genitais.

A questão chave que se coloca para trabalhar este centro é “Quem sou eu e como uso a minha força?”.

  • O Chakra do Plexo está relacionado com o Poder pessoal, Vontade e Vitalidade. Liga-se à nossa parte emocional e à nossa capacidade de lidar com os conflitos.

Este centro reflete a nossa parte emocional, a nossa personalidade, o nosso Ego e tem como função mais profunda a transmutação da energia para que ocorra transformação. Os bloqueios a este nível dificultam a transmutação e a passagem do fluxo energético da parte inferior do corpo, para a parte superior, o que gera uma separação no organismo, perfeitamente visível em alguns corpos. É o centro do poder, de ser capaz e de adquirir o nosso “direito de agir”. São as questões dos vínculos, fronteiras, limites e autoconfiança.

A questão central deste chakra é “Como reconhecer fronteiras, como lidar com o conflito construtivamente?”.

  • O quarto Chakra, tem como qualidade a Alegria, a celebração da vida e a função essencial é a compaixão. O Coração é o centro da união com o próximo, com a vida e com o mundo. Relaciona-se com a compaixão, a habilidade de amar profundamente e de formar relacionamentos. Quando este chakra está em desequilíbrio, o peito parece contraído, a respiração profunda e difícil e verifica-se uma tendência à depressão. Nestas circunstâncias, a pessoa pode ter a tendência de se isolar, ter medo dos relacionamentos interpessoais e sofrer com falta de amor-próprio.

Para trabalhar o Chakra Cardíaco, a questão que se coloca é “Como melhorar as minhas qualidades de contacto?”.

  • Chakra da Garganta tem como qualidade a Expressão, a Comunicação e a Partilha. O elemento deste chakra é o som. A garganta como canal de expressão está ligada à forma como estamos ligados ao coração, expressamos os nossos sentimentos, a nossa perceção e a nossa criatividade. Os bloqueios deste centro por excesso de energia, são característicos de pessoas que falam muito mas dizem muito pouco. É como se descarregassem a energia em excesso através da verborreia, porque a garganta, as mãos e os pés são os lugares do corpo através dos quais podemos descarregar energia e libertar tensões. Por outro lado, uma deficiência energética é visível em pessoas que apresentam dificuldades na comunicação. Garganta apertada, ombros tensos e voz sem ritmo.
  • O Terceiro Olho tem como qualidade a Clareza Mental. O centro da Fronte ou Terceiro Olho relaciona-se com a perceção visual, psíquica e intuitiva – olhar para fora e ver por dentro. Está assim relacionado com a nossa clarividência, que é a capacidade de ver claramente, não com os olhos mas com todo o nosso sistema de perceção intuitiva, que nos leva para lá do tempo e do espaço.

A pergunta associada a este chakra é “Para onde vou, como concretizar os meus sonhos?”.

  • Por fim o Chakra da Coroa, cuja qualidade é a Espiritualidade e Transcendência. O centro da Coroa é o canal de comunicação com o cosmo. Relaciona-se com o pensamento, a consciência, a informação e a inteligência. Está ligado ao nosso modo de pensar, ao nosso sistema de crenças e à ligação ao superior, numa abertura para algo maior do que o ser, onde se dá a integração de todas as nossas qualidades.

As distorções/perturbações deste chakra são o excesso de pensamento, como no caso das pessoas que estão sempre na cabeça ou no inverso, a incapacidade de pensarem por si próprias, radicalismo e sistemas de crenças fechados.

Este chakra corresponde ao “direito de saber”, que inclui não só o direito à informação, à verdade, à educação e ao conhecimento como ao direito espiritual de nos conectarmos com o divino, seja qual for a nossa conceção espiritual.

A pergunta associada a este Chakra é “Quais os meus valores e como comportar-me eticamente?”

Experimente esta viagem e descubra-se a si próprio…..

Consciência do potencial inato o mais cedo possível, vida bem sucedida

Creio que estamos todos de acordo que as nossas crianças estão cada vez mais atentas, conscientes e despertas mesmo em tenra idade. Após estes momentos, em que nem sempre lhes damos a devida atenção e valor à mensagem que nos passam, começa o processo de formatação que afasta e atrasa o potencial inato.

Cada Ser é único na sua maneira de ser, tem características muito peculiares e únicas e são exactamente estas que nos trazem o sucesso. Tal acontece porque o que está já traçado no nosso ADN, e constitui a nossa missão, tem no nosso interior a ferramenta ou os recursos necessários para a concretização e sucesso. Em termos sociais a busca deste ambiente está muitas vezes nublado, ou cheio de dúvidas, começando na escolha dos livros a ler e mais tarde a escolha vocacional.

Avaliamos e decidimos o futuro das crianças de acordo com os fenómenos de moda em deferimento das suas capacidades inatas. O que trazemos como informação é o que sabemos fazer melhor, logo é a decisão certa. Isto pode ocorrer também pela força hereditária, mas nem sempre.

É por isso importante conhecer desde a tenra infância o potencial inato e ajudar assim a direcionar todos os impulsos e inputs que oferecem à criança o amor e a certeza. É possível descobrir este caminho através de aconselhamento ainda o Ser é bebe.

Dar continuidade à informação que já está registada no nosso interior tem uma força muito grande, desenvolve o caminho dos estudos e trabalho sem grandes dúvidas e porque o estado é de felicidade e amor, o sucesso é garantido.

Felizmente a consciência dos pais do século 21 está a mudar e oferece aos mais pequenos escolhas mais verdadeiras.

Neste caminho, estudar deixa de ser um aborrecimento e passa a ser um entusiasmo. Fique por isso mais atento aos traços que aparecem, as palavras e dúvidas que são referidas, e será capaz de fazer a orientação certa.

O estudo individual de criança referido noutro artigo pode dar lhe uma ideia mais precisa do que fazer mas o instinto de família, pai e mãe em conjunto com os sinais da criança fazem 60% do trabalho. Respeitar o potencial inato tem outros efeitos colaterais, igualmente importante, como por exemplo o fortalecimento sempre crescente da auto estima, pois quem sabe bem de si e do seu valor só pode crescer assim.

Entender as diferenças, aceitando que diversos filhos educados da mesma maneira podem ter mostras internas diferentes e por isso comportamentos e tendências diferentes, ajuda na auto afirmação e esta ao ser respeitada desde tenra idade oferece a determinação e a segurança que as crianças devem ter.

Siga por isso este sinais e valorize o mundo interno da criança.

Vai ter resultados surpreendentes.

imagem@picmia
@SandraBlancoPhotography

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Manter a calma nas férias com Mindfulness

Não sei se és como eu. Adoro estar de férias com os meus filhos. É divertido, muita ação e muito amor. Também é cansativo, é desafiante e existem muitos conflitos. E, às vezes, não me apetece nada estar de férias com eles. Mesmo. E está tudo bem! Há muitos anos livrei-me da culpa que sentia quando ia de férias sem os meus filhos. Aliás, hoje em dia acho essencial para a recarga das minhas próprias baterias… e assim consigo acompanhar melhor a velocidade deles. E divirto-me muito mais! Mesmo assim, há momentos em que sinto que as férias de verão são mesmo loooooongas. E há momentos em que parece que os meus filhos não se sabem entreter sozinhos e sinto-me uma espécie de animadora e os meus filhos têm a expectativa que os vou entreter durante horas e horas. Sei que não é bem verdade, mas às vezes parece… E se és como eu, às vezes ficas mesmo sem ideias (e farta)… mas está tudo bem! Nestes momentos páro e lembro-me que além de serem uma recarga essencial das baterias, as férias são sobre conexão. E muitas vezes sobre re-conexão. Rebuscando a conexão que muitas vezes se perde na correria do dia-a-dia.

Hoje quero partilhar contigo 10 ideias de atividades de Mindfulness que podes fazer com os teus filhos. Não só ficas com ideias de coisas para fazer como podes fazer uma viagem para dentro, para o interior, cultivando a calma, a paz, a tranquilidade, a reflexão e a conexão.

  1. FAÇAM UM ”MIND-IN-A-JAR”
    Estes jarros são relativamente fáceis de fazer e são uma experiência sensorial muito engraçada, tanto para nós como para as crianças. A ideia é que os brilhantes dentro da jarra representam as nossas emoções e os nossos pensamentos. Agitando o frasco conseguimos ver como as emoções e os pensamentos podem ficar muito agitados, mas se pousarmos o frasco, após algum tempo, todos os brilhantes acabam no fundo do frasco… exatamente como acontece com as emoções.
    Podem falar e refletir sobre os pensamentos e as emoções, brincar de várias formas, talvez fazer um jogo a ver se conseguem ficar a olhar para os brilhantes até estarem todos no fundo, sem falar e respirando apenas.
  1. FAÇAM MEDITAÇÃO EM ANDAMENTO
    Isto é o Pókemon Go do Mindfulness. Vão lá para fora andar, e andar mesmo. Olhem para os pés. Experimentem andar com os olhos semi-fechados ou até fechados. Sentindo cada passo. A sensação debaixo dos pés (se estiverem descalços melhor ainda!), a sensação das pernas, experimentem ritmos diferentes. Deixa ser o teu filho a guiar… dando instruções curtas, ”mais rápido!” ”lento” ”pára!”, de resto mantenham-se em silêncio. Parem de vez em quando para ouvir os sons, olhar para as cores e as formas…
  1. FAÇAM BOLINHAS DE SABÃO
    É um excelente exercício para praticar a atenção plena e a respiração profunda. Incentiva o teu filho a inspirar profundamente e expirar leeeeentamente quando sopra. Incentiva-os também a observar as bolas de sabão a serem formadas, a voarem, a rebentarem. Observem as cores e as sensações quando as bolas rebentam na vossa pele.
  1. BRINQUEM COM BALÕES
    Enche alguns balões. Começa por colocar um balão no ar e pede ao teu filho para manter o balão no ar com toques suaves. De seguida, vai acrescentando balões para a criança manter no ar. Isto é um bom exercício para as crianças mais ativas e que gostam de desporto e de ter algum tipo de objetivo (que neste caso é manter o balão no ar o máximo tempo possível/dar o máximo de toques).
  1. PRATICA MINDFUL EATING
    Isto é uma adaptação de um jogo que se fazia sempre nas festas de anos na Suécia quando eu era pequena. Prepare 5-10 taças com alimentos diferentes. Pedaços de fruta, vegetais, frutos secos etc. A ideia agora é a criança explorar e investigar o alimento com os cinco sentidos. Coloca uma venda na criança, pede para ela respirar, focar-se e põe o alimento na mão da criança. Diz para ela sentir, cheirar e ouvir (sim, ouvir! é uma experiência engraçada ouvir comida), para depois colocar o alimento na boca. Antes de poder mastigar tem de sentir o alimento nos dentes, na língua, no céu da boca e só depois pode começar a mastigar, lentamente. Incentiva a criança a descrever os sabores e as sensações e apenas no fim dizer qual o alimento que é. Tira a venda e olhem agora para a taça desse alimento, descrevendo o alimento como se nunca a tivessem visto antes.
  1. PINTEM MANDALAS
    Compra um dos imensos cadernos com mandalas que existem ou façam as vossas próprias mandalas. Compra pedras ou vão apanhar pedras à praia para depois pintarem com as vossas mandalas personalizadas (marcadores normais funcionam em algumas pedras, em outras não, tinta acrílica funciona muito bem). O meu filho mais novo adora esta atividade, e eu também!
  1. FAÇAM MASSAGENS
    Faz uma massagem ao teu filho e deixa-o fazer-te uma também. Fala com ele sobre o que ele sente quando recebe a massagem e o que sente quando faz a massagem, tanto fisicamente como emocionalmente. Dá lugar à conversas lindas.
  1. REFLITAM SOBRE O QUE APRECIAM
    Pergunta ao teu filho o que ele aprecia nele próprio. Diz-lhe o que aprecias em ti. Depois diz o que aprecias nele e pede para ele fazer o mesmo sobre ti. Depois falem sobre o que apreciam na vossa vida em família, na vossa casa, na vossa cidade, em Portugal e por aí fora.
  1. FAÇAM YOGA JUNTOS
    Qualquer sala ou jardim pode ser transformado num espaço para fazer yoga. A internet está cheia de inspiração. Vê por exemplo este vídeo

  1. FAÇAM UMA ÁRVORE DE GRATIDÃO
    Não é preciso um dia especial como o Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day). Podemos praticar gratidão a qualquer altura e fazer uma árvore de gratidão é uma atividade de trabalhos manuais (que são sempre bons para desenvolver a atenção plena) engraçada que também nos permite fazer reflexões especiais.
    Podes ver aqui como fazer a árvore

imagem@educamais

“A mente é como a água, quando está calma e em paz, pode refletir a beleza no mundo. Quando está agitada, pode ter o paraíso em frente e não o reflete!” – David Fischman

Atualmente, as pessoas vivem agitadas, inquietas, distraídas, numa vida extremamente exigente onde não existe um botão de pausa. É fundamental criar tempo e espaço para que as pessoas possam simplesmente parar e entrar em contacto, centrarem-se em si próprias. Apropriarem-se das suas necessidades, das suas emoções, dos seus impulsos e do seu corpo, libertando a mente….

Mindfulness não é mais do que a capacidade de colocar o corpo e a mente em posição de observar passo a passo o fluxo de pensamentos, emoções e ações que navegam e se revelam em nós. É uma presença consciente, uma atenção plena para a vida e na vida….

Uma disposição aberta e sincera para compreender o que está a acontecer em nós e à nossa volta. Uma atitude de investimento e plenitude em vez de uma atitude de fuga, que inviabiliza a capacidade de viver no aqui e agora. Viver no momento presente não é o mesmo que pensar sobre o momento presente, na medida em que é exatamente esse excesso de energia na zona da cabeça, essa hiperatividade mental, preocupação e confusão que nos esgota e nos obriga a ligar o piloto automático na execução das tarefas quotidianas, anulando a possibilidade de estar atento e consciente. Quando vivemos com o piloto automático ligado é como se vivêssemos na estratosfera! Já lhe aconteceu ir a guiar e não se lembrar de passar na portagem, não reter o que lhe foi dito ou simplesmente o seu filho não ouvir chamar para ir tomar banho!?

Todos precisamos de desenvolver esta capacidade de estar inteiros no aqui e no agora das nossas vidas, inclusive as crianças. Cada vez encontramos mais crianças com ansiedade, dificuldades de concentração, dificuldades relacionais e sintomas de depressão; Cada vez encontramos mais crianças desenraizadas…. Vivem aparentemente satisfeitas nesse “planeta X” mas revelam muitas dificuldades na vivência e convivência no planeta terra.

O que é que se passa com estas crianças? Como será que o Mindfulness pode ajudar?

Por algum motivo, que é com certeza diferente para cada criança, esta estrutura de fuga funciona como mecanismo de defesa, para o que está a ser difícil de gerir e assim vão alienando-se de si próprios e da vida. É fundamental que possam percorrer um caminho no qual sejam capazes de se apropriar de todo o seu ser, resgatando um corpo que se encontra “amputado”, uma voz interna que está silenciada e todas as emoções continuamente abafadas em prole de uma vivência aparentemente mais tranquila, mas alienada.

Esse é o caminho do desenvolvimento da consciência e domínio de si; Esse é o caminho que permite desligar o piloto automático, que nos desenraíza de nós e do mundo, em função de uma forma de estar na vida, presente, voluntária e capaz de harmonizar e integrar os impulsos emocionais.

Mindfulness é algo extremamente complexo e simples ao mesmo tempo! É como um botão de pausa nas nossas mentes em constante funcionamento e agitação. É uma forma de modelar, educar e aperfeiçoar o grande potencial da nossa mente.

Poderíamos simplificar e dizer que Mindfulness é uma técnica de meditação. Para mim é muito mais do que uma técnica, é uma forma de vida que pode ser ensinada aliando relaxamento a consciência, através da respiração, permitindo um maior equilíbrio do sistema vegetativo.

Será difícil conseguir que as nossas crianças, frutos de uma cultura Ocidental desenvolvam com facilidade essa capacidade para meditar. No entanto, podemos simplesmente relembrar para a necessidade de parar, respirar, fechar os olhos e tomar consciência das suas emoções e do seu corpo.

Esta é uma tarefa que pode ser desempenhada por todos os educadores, pais ou professores com grandes benefícios, tais como:

  • Alívio do Stress;
  • Equilíbrio físico, emocional e mental;
  • Presença Consciente;
  • Comunicação Consciente;
  • Educação Emocional;
  • Concentração;
  • Atenção Plena.

Experimente pedir ao seu filho que pare o choro ou a birra, feche os olhos por um minuto que seja e respire fundo!

Aprecie os resultados….

imagem@attiliopiazza

Limpar o corpo com a respiração – Uma prática de meditação Mindfulness

A maior parte de nós passa muito mais tempo na cabeça do que no corpo. E damos também demasiado valor ao que se passa na cabeça, na nossa mente, aos nossos pensamentos.

Já pensaste no facto de que só porque tens um pensamento, não quer dizer que esse pensamento seja verdadeiro?

Existe um grande desequilíbrio na atenção que prestamos ao nosso corpo comparado com a atenção que prestamos à mente e os pensamentos. Houve uma altura, antes de desenvolvermos muito a nossa capacidade de raciocínio em que confiávamos plenamente no corpo- quando éramos crianças. Quando não havia pensamentos, crenças e ideias para avaliar e julgar aquilo que acontecia. Por outro lado, nessa altura, também haveria um desequilíbrio inverso.

Quando praticamos Mindfulness podemos atingir o verdadeiro equilíbrio. Podemos saber quando é para utilizar mais na mente e quando é para confiar mais no corpo. Talvez esse equilíbrio se encontra quando estamos em conexão com o nosso coração… e até podemos dizer que o Mindfulness se transforma em Heartfulness.

Quando fazemos regularmente um ”check-in” ao nosso corpo, algo que pode ser feito de muitas formas diferentes, conseguimos obter feedback valioso em relação a nossa saúde física e emocional. Também se torna mais fácil ouvir a nossa alma e o nosso coração.

Hoje quero partilhar contigo uma prática que vai desenvolver a concentração e a capacidade de ouvir para dentro. Nesta meditação terás uma oportunidade para treinares a direcionar a respiração para diferentes partes do teu corpo.

Quando praticamos meditação Mindfulness a respiração funciona como a nossa principal âncora. Está sempre connosco, aonde quer que vamos. Cada vez que a tua mente vaguear, cada vez que te apanhares nas historias da tua mente (isto vai acontecer de certeza), redireciona, com gentileza a tua atenção para a respiração. As vezes pode ser necessário redirecionar a atenção centenas de vezes, outras muito menos. Seja como for, é só como é para ti no momento e está tudo bem.

Às vezes quando direcionamos a atenção a algo que normalmente evitamos podemos sentir emoções fortes. Se às vezes sentires que é demasiado para ti, então interrompe a prática e recomeça mais tarde. Na prática de meditação Mindfulness estamos a (re)aprender a confiar na nossa sabedoria interior e estamos a (re)aprender a ouvir o nosso corpo.

  • A prática de limpar o corpo com a respiração

Esta prática simples é uma espécie de Body Scan (exploração corporal) – uma das meditações Mindfulness mais comuns e mais conhecidas. Também é uma das poucas meditações que por norma se faz deitado, mas se preferires também te podes sentar ou estar numa posição mais inclinada. A intenção aqui é focares a tua respiração e direciona-la para dentro e à volta do corpo.

  • A prática

 Deita-te preferencialmente no chão. Se isso não for confortável para ti escolhe outra posição.

 Coloca toda a atenção na respiração .

 Foca-te no sítio do corpo onde mais sentes a tua respiração (pode ser na barriga, no peito, nas narinas ou outro sítio).

Inspira, expira e fica com a experiência da respiração. Faz apenas o que estás a fazer, que é respirar. Deixa a respiração acontecer exatamente como o teu corpo quer respirar, sem a tua intervenção mental. Inspira, expira….

Agora coloca a atenção novamente na respiração como um todo, imaginando que ela está a varrer o teu corpo. Inspirando pelo topo da cabeça, enchendo o corpo com ar, expirando pela planta dos pés.

Depois inspirando pela planta dos pés, permitindo que o corpo fique cheio de ar, com vida, com energia… expirando pelo topo da cabeça.

Continua o tempo que achares bem, varrendo o corpo com a respiração, inspirando e expressando de cima para baixo, de baixo para cima. Isto é uma prática que pode durar poucos minutos e pode demorar uma hora. És tu que decides.

Lê estas instruções algumas vezes para depois experimentares sozinho/a. Se eventualmente sentires necessidade podes gravar a sequência com a tua própria voz, ou pedir à alguém para o fazer. Assim já tens a tua meditação guiada e personalizada!

Eu utilizo esta meditação em várias situações. E também a faço em pé. Ainda noutro dia estava numa enorme fila no banco. Fechei os olhos, e respirei, varrendo de cima para baixo, de baixo para cima. Aliás, filas são excelentes oportunidades para a prática de Mindfulness.

Falarei mais sobre isso no futuro.

Até lá! Boa prática! E dá-nos feedback!

QUERO MEDITAR, MAS NÃO TENHO TEMPO E NÃO CONSIGO! 6 dicas para conseguires praticar mindfulness a qualquer hora…

Nas formações e sessões que facilito de Mindfulness e de Parentalidade Consciente falamos, muitas vezes, de meditação. Encontro muitas pessoas que querem meditar, mas ”não conseguem” ou ”não têm tempo”. Admitem os benefícios, mas as crenças à volta do que é meditação não permitem a prática.

Uma das coisas fundamentais na Parentalidade Consciente é assumirmos responsabilidade pelas nossas necessidades e pelo nosso estado emocional. Se não estamos bem, como é que podemos ser bons pais? Se existe caos interior, como vamos conseguir criar calma no exterior? É realmente necessária uma preparação interior e o Mindfulness (e a meditação Mindfulness) é a melhor prática que conheço para garantir que consigo exercer uma parentalidade consciente.

Também eu tinha grandes dificuldades para me organizar e encontrar tempo para meditar formalmente. Até perceber que meditação não precisa de ser nada formal. Não necessito de me sentar com as pernas cruzadas, não preciso de acender velas, nem preciso de estar num ambiente calmo, não preciso de fechar os olhos…. nem preciso de mais tempo!

Para mim, a principal prática é aparecer para a vida, todos os dias. Com curiosidade e sem julgamentos. Procurando viver ao máximo cada momento. Sabendo que tudo que acontece, acontece pela primeira e pela última vez. Se pensares bem, nenhum de nós faz a mesma coisa duas vezes. De cada vez existe algo de diferente. A prática é estar com o que é, inteira, conscientemente presente.

E é por isso que a prática de meditação Mindfulness pode ser tanta coisa e para, muitas pessoas, o primeiro passo não é organizar-se para meditar todos os dias durante 20 minutos, se calhar nunca será. As boas notícias são mesmo que apesar de tudo que ”tens” de fazer durante o dia, todas as tarefas de casa, os filhos, o trabalho… tudo pode ser transformado em práticas de Mindfulness! O primeiro passo é olhares para o teu dia e ver o que já fazes que poderias fazer de uma forma Mindful.

Lavas os dentes? Tomas banho? O que fazes enquanto lavas os dentes? Lavas apenas os dentes ou pensas no que aconteceu ontem? O que fazes quando tomas banho? Tomas apenas banho ou pensas no dia que tens à tua frente? Passas roupa a ferro? Fazes o jantar? Dás banho ao teu filho?

A questão à qual tens de responder é: o que na minha rotina diária vou escolher para fazer enquanto o estou a fazer? 

Começa por escolher 1 coisa. E a partir de hoje, faz esta coisa enquanto a fazes. Podes-te guiar pelas seguintes dicas enquanto fazes a tarefa… ou melhor, a tua nova prática de Mindfulness!

 

    1      Observa. Observa como se fosse a primeira vez com todos os teus sentidos. Cada movimento, cada sensação. Repara em cada detalhe da atividade.

     Se te apanhares envolvido nas histórias da tua mente (o mais provável é que isso aconteça), redireciona, com gentileza, a tua atenção para a respiração, permitindo-te voltar para o que estás a fazer neste momento. As vezes vai ser necessário fazer isto 100 vezes, outras vezes apenas algumas. É como é.

    3      Utiliza todos os sentidos. Tens 5, lembras-te? Qual é a sensação nas mãos? Texturas? Temperaturas? Qual é o cheiro? O que vês? O que ouves? Quais os sabores que estás a sentir na boca?

    4      Tens pensamentos que aparecem continuadamente? Começas a ter grandes ideias que tens medo de te esquecer? Anota-as rapidamente para a tua mente poder descansar. Com a prática vais ver como vais conseguir deixá-las ir, confiando que te vais lembrar novamente quando for necessário.

    5      Pratica o não-julgamento. Cada momento é como é para ti. Nada está a correr bem ou mal. Não existe uma forma certa de fazer este exercício. Existe apenas a forma como estás a fazer neste momento. Não te julgues. Deixa ir pensamentos tipo ”eu não consigo” ”eu penso demasiado” etc.

    6      Repete. Mesmo que não te tenhas sentido muito bem a primeira vez, tenta de novo. Lembra-te que cada vez é única e a próxima será diferente de certeza absoluta.

Quando integrei a prática de Mindfulness no meu dia-a-dia, passado algum tempo, a minha prática formal também ganhou o seu espaço na minha rotina diária. Além disso encontro tantos pequenos momentos nos quais tenho oportunidade de fechar um pouco os olhos e meditar de uma forma mais formal. Um deles por exemplo quando deito os meus filhos e fico ao lado deles um pouco. Ou posso demorar só mais um pouco na casa de banho a meio de um dia de trabalho. Ou posso fechar os olhos e respirar conscientemente 3 vezes antes de atender o telemóvel.

Mas a primeira grande diferença para mim foi realmente transformar a rotina normal em prática. Essa prática permite-me sair da minha cabeça, permite-me experienciar mais os momentos e conectar mais com os meus filhos. Permite-me ver e usufruir do pequeno raio de sol que observo entre as nuvens. Permite-me ver a beleza de cada momento. Permite-me ver tudo pela primeira e pela última vez.

Artigo publicado originalmente em mindfulnesseparentalidade

Durante muito tempo andei com o piloto automático ligado.

Principalmente depois de ter tido a minha primeira filha.

Achava que para conseguir dar vazão a tudo, às muitas horas de trabalho por dia num projeto enorme e desafiante ao mesmo tempo que o meu marido estava num projeto igualmente estimulante,  teria de ter um enorme controlo de tudo e tornar-me especialista em multitasking.

Eram muitas as vezes que ligava em cima da hora à minha sogra a pedir que fosse buscar a minha filha à escola, quando deveria ter sido eu.

Um dia soube que estava grávida do meu segundo filho. Uma gravidez muito desejada.

Quando chegou a altura de contar à minha filha que ia ter um irmão, sentei-a no sofa, demos um abraço e dei a notícia. Ela ficou muito, muito feliz. Há muito tempo que andava a pedir um irmão. Deu-me outro abraço e com esse abraço surgiu-me a questão mentalmente: como vamos ter tempo para tudo, para todos, para nós?

O meu segundo filho nasceu em 2008. Foi um bebé incrivelmente fácil desde que nasceu e durante o primeiro ano de vida. Dormia sestas enormes que me permitiam fazer uma das coisas que mais gosto. Estudar e explorar novos conhecimentos.

Andava sempre à procura de ”qualquer coisa”. Mas não sabia bem o quê. Andava há anos a meditar, em alguns períodos com mais intensidade e outros com muito menos. E estava numa altura da minha vida em que senti um chamamento profundo e foi aí que descobri pela primeira vez a palavra Mindfulness. Inicialmente nem conseguia escrever a palavra direito. Ficava sempre com dúvidas se era com um ou dois Ls. Mas isso não me impedia de explorar e de experimentar.

Em 2009 fui ao meu primeiro retiro de Mindfulness. Foi com três monges budistas vindos da comunidade do Thich Nhat Hanh, Plum Village, em França. E senti-me imediatamente em casa. Percebi que não precisava de estar sempre em grande esforço para conseguir fazer tudo aquilo que ”tinha” de fazer. Tinha dispendido muita energia em tentar criar e manter a vida da forma que achava que ela deveria estar, em vez de aceitar a vida exatamente como ela é.

Tudo ressoava em mim e o chamamento de dedicar mais tempo ao Mindfulness cresceu. Comecei a minha caminhada de Mindfulness, um passo de cada vez, até ao dia uns anos mais tarde que me certifiquei como Instrutora de Mindfulness.

Quando comecei a falar de Mindfulness, ninguém sabia o que era. Eram pouquíssimas as pessoas que conheciam a palavra… Mind…quê?! Hoje em dia é diferente. Quando faço palestras ou formações é raro haver alguém que não tenha ouvido falar pelo menos do termo, enquanto que há apenas alguns anos atrás era raro haver alguém que tivesse ouvido falar.

Mindfulness transformou-se para mim num estilo de vida. Ás vezes desvio-me, mas sei que está tudo bem. Está porque o Mindfulness permite-me sempre reconectar com a minha força e sabedoria interior.

Mas o que é então Mindfulness?
Bem, a tradução mais vulgar para português é Atenção Plena, ou às vezes Consciência Plena. Eu gosto de utilizar outra tradução, Presença Consciente, simplesmente porque acho que descreve melhor o que é para mim Mindfulness.

Quando pratico Mindfulness estou Conscientemente Presente, agora, observando propositadamente este momento, sem julgamentos. E com compaixão. Repara nesta experiência, neste momento. Dentro e fora de mim. Podemos fazer esta observação formal, através da meditação Mindfulness ou informal, utilizando as nossas experiências do dia-a-dia como a nossa prática.

Para entendermos melhor o que é Mindfulness é importante falarmos das suas raizes. A meditação Mindfulness tem as suas raízes em práticas budistas que têm mais de 2500 anos. O príncipe Siddharta Gautama (mais tarde o Buda, o iluminado), dedicou a sua vida à busca da causa do sofrimento e o alívio do mesmo. Buda discursou sobre Satipaṭṭhāna, que é a palavra em páli para o conceito budista das bases do Mindfulness. Ele falava sobre a observação, em presença consciente, do corpo, das sensações, da mente, e dos objetos mentais e recomendava a pratica do Mindfulness como uma forma de ultrapassar o luto, tristeza, dor e ansiedade, para atingir a felicidade.

Em 1979 o Mindfulness começou a ser utilizado terapeuticamente pelo Dr Jon Kabat-Zinn e os seus colegas na Clínica de Redução de Stress da Universidade de Massachusetts, através do conhecido programa de 8 semanas, MBSR. Um programa já disponível em Portugal. Muitos anos mais tarde, em 2001, outro programa, MBCT, igualmente de 8 semanas foi desenvolvido pelo Mark Williams, John Teasdale e Mindel V. Segal para combater depressão. Um programa hoje em dia recomendado pelo serviço nacional de saúde britânico à pessoas que já sofreram três ou mais episódios de depressão. Na sua essência os dois programas são bastante parecidos, com públicos ligeiramente diferentes, e têm na sua essência a ênfase da observação consciente e livre de julgamentos da própria experiência deste momento. As evidências científicas dos muitos benefícios da prática de Mindfulness são nomeadamente baseadas nos estudos destes programas.

Quando falo em Mindfulness tenho reparado que uma das coisas mais importantes para as pessoas entenderem o que o Mindfulness é, é falar também daquilo que o Mindfulness não é.

Existem muitos mal-entendidos em relação à meditação e meditação Mindfulness. partilho aqui algumas:

1. Um dos princípios tem a ver com a necessidade de esvaziar completamente a mente.
Uma ideia que faz com que muitas pessoas acham que não sabem meditar, que são maus a meditar ou que nunca vão conseguir meditar. Fica já claro que quando praticamos meditação Mindfulness não estamos a tentar esvaziar a nossa mente. Estamos a observar os pensamentos e podemos reparar em padrões típicos que temos e nas historias que contamos (que são muitas e as vezes dignas de um Óscar!). A maior parte das pessoas não estão conscientes destas histórias, sendo que são essas mesmas histórias que influenciam diariamente as nossas escolhas e ações. Quando tornamos as histórias conscientes podemos mais facilmente avaliar o que nos serve e o que não nos serve.

2. Não é preciso sentares-te com as pernas cruzadas numa posição de Lotus, numa almofada, no chão para meditar. Não é a posição que é o mais importante, mas a tua intenção e a tua atitude enquanto praticas. Se vamos praticar Mindfulness e prestar atenção, então claro que é útil estarmos numa posição alerta, mas relaxada. Podes utilizar uma cadeira, podes-te encostar à uma parede. E também podes deitar-te, preferencialmente no chão (mas pode ser boa ideia evitar esse se queres praticar à noite e não queres adormecer). Podes ajustar a posição se sentires algum desconforto.

3. Mindfulness não é necessariamente uma prática budista!
Muitas religiões recomendam diferentes práticas meditativas. O islão e o hinduísmo têm as suas práticas, e o cristianismo tem práticas como por exemplo a oração contemplativa, uma prática muito Mindful.

4. A intenção da meditação não é conseguir relaxar, nem conseguir atingir nenhum estado específico ou alterado. Podemos sentir um maior relaxamento com a prática, mas não é nenhum objetivo. Quando praticamos meditação Mindfulness estamos a abrir-nos para o que estiver a acontecer. Agora, neste momento presente. Enquanto meditamos, pensamentos e emoções irão aparecer, e as vezes até podem ser coisas desafiantes, o que nos permite estar com o que é difícil num momento ”bom” e que nos vai ajudar a lidar com estas coisas no dia-a-dia.

5. Mindfulness não tem nada a ver com pensamento positivo.
Não temos de adorar cada aspeto da vida e achar tudo espetacular. Quando praticamos Mindfulness estamos a abrir o coração para todas as experiências. O que parece bom. O que parece mau. O que parece neutro. Tudo merece a mesma atenção. Quando temos esta abertura entendemos como tudo é impermanente… como vem, fica um pouco e vai.

6. Mindfulness não é uma cura milagrosa.
Não é como uma ida ao ginásio. Não é uma dieta. Não é um medicamento. Uma vontade de sentir menos ansiedade, menos stress, mais foco e concentração, ou até de perder peso pode nos levar até a prática de Mindfulness. Uma vez que temos a intenção da prática, podemos agradecer o que nos levou até ela e deixar essa razão ir. Dedicando nos a prática sem expectativas e sem julgamentos. Se nos agarrarmos à um objetivo especifico esse objetivo vai conduzir a nossa pratica e limitar a nossa experiência. Facilmente transforma-se numa expectativa, e com o Mindfulness não queremos ter, nem temos, expectativas sobre como algo deveria ser. Estamos a treinar o nosso ”músculo de Mindfulness” para ele se tornar cada vez mais forte. Ficamos com a prática também nos momentos menos agradáveis com uma vontade de estar com o que é em cada momento.

7. Só porque praticamos Mindfulness não quer dizer que nunca mais vamos ficar tristes ou frustrados.
Quer dizer que vamos conseguir lidar cada vez melhor com a tristeza e a frustração quando ela aparece.

8. Viver no momento não quer dizer que nunca pensamos no futuro ou que nunca falamos em memórias.
Viver no momento que dizer que estamos a prestar atenção à nossa experiência enquanto ela está a acontecer. Quando sabemos realmente o que está a acontecer ficamos mais aptos para decidir e influenciar o que vem a seguir.

Quando partilho as coisas que o Mindfulness não é, as pessoas costumam relaxar em relação à prática. Entendem que aqui não existe  o certo e o errado. E assim, ganham uma nova vontade e energia para a sua prática.

Eu própria demorei muito tempo a entender o que a meditação e o Mindfulness não era.

E quando percebi o que não era, foi também quando consegui verdadeiramente começar a viver uma vida Mindful. Principalmente porque soltei muita da pressão que colocava em cima de mim e no meu desempenho. Percebi que às vezes apareciam muitos pensamentos enquanto meditava, outras vezes menos, e algumas até poderia parecer vazio cá dentro.

Mas isso não quer dizer que meditava bem, nem mal. Em todas as situações fazia apenas uma coisa – meditava.

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