Como sobreviver às férias com irmãos ou, na perspectiva dos pais, como sobreviver às férias quando temos vários filhos

Entramos em férias com vontade de descansar, de aproveitar o tempo em família e de criar memórias felizes com muita diversão. É a altura do ano em que passamos mais tempo juntos e isso pode (e deve) ser tão especial! Então, e para que nenhuma briga ou conflito entre irmãos possa pôr em causa essa harmonia, aqui ficam 10 dicas para sobreviver às férias com irmãos, e  fazerem destas férias uma festa!

1. ½ dose de planeamento e ½ dose de improviso!

As férias envolvem geralmente alguma preparação. De forma a promover a cooperação entre todos, conversem e envolvam as crianças nessa organização. Onde vão, o que vão fazer, com quem vão estar, o que é que cada um quer levar. Meio caminho para se sentirem todos envolvidos e evitar “amuos”! E se alguma coisa não correr conforme planeado, é hora de gerir expectativas e frustrações, e toca a improvisar com sentido de humor! Isso é aventura!

2. Apostar em jogar!

É a altura para abusar dos jogos de tabuleiro, dos jogos ao ar livre, dos jogos nas viagens de carro, dos jogos nas toalhas de papel dos restaurantes. Levem os preferidos de casa, descubram novos e porque não criarem os vossos? E até que os irmãos tenham maturidade para saberem jogar um contra o outro, e aceitarem que para um ganhar outro tem de perder, promovam que eles façam equipa contra os pais. Dá-lhe um gozo enorme!

3. Digam não à competição!

“Vamos lá ver quem faz o castelo maior!” “Quem comer a sopa primeiro pode comer um gelado depois” Hum… não vai funcionar! Evitem promover a competição que já é tão normal que exista entre os irmãos e que origina tantos conflitos!

4. E a comparação? Também não!

“Ai o teu irmão com esta idade já sabia andar de bicicleta” “O teu irmão já fez os trabalhos das férias, e tu és sempre o mesmo a deixar tudo para a última!” Podemos pensar que os estamos a motivar, mas na realidade não estamos é a respeitar a individualidade de cada um, os seus ritmos, os seus gostos, e sim a promover a competição!

5. Cada um é um só!

Tentem ter um tempinho para cada um, uma ida aos gelados, um mergulho com conversa pelo meio, um passeio ao fim da tarde, acompanhem numa atividade que queiram fazer sozinhos… numa altura que é de intensa partilha, sabe bem uns momentos de filho único com cada um deles!

6. Antecipem situações de conflito!!

Nós já conhecemos bem os miúdos, e sabemos quais são os “gatilhos” que podem despoletar uma briga! É o sono, é a fome, o cansaço, o tablet ou o telefone, ou o simples botão do elevador. Então toca a fintar essas situações e estabeleçam regras e limites claros!

7. Diplomatas e negociadores

Aproveitem as férias para promover a gentileza (“podes pedir-lhe por favor?” “a tua irmã está com o balde de água muito pesado, podes ajudar?”) e ensinem-lhes técnicas de negociação e a serem criativos na resolução dos seus problemas! (que a técnica “um parte e outro escolhe” salve muitas partilhas de bolas de Berlim, sumos ao almoço e algodão doce à noite) e saberem que têm escolhas antes de brigar ou bater (perante uma discussão, podem chamar um adulto, pedir para parar, pedir ajuda, etc)

8. Stop! Parem, escutem, observem e avaliem se é mesmo necessário intervir.

Se nos metermos constantemente nas brigas dos nossos filhos estamos certamente a tomar partidos, a tomar decisões por eles e a não incentivar que resolvam os problemas entre si. Mas, por outro lado, não ignorem situações em que um deles possa estar a cometer uma injustiça contra o outro, ou exista agressão física e/ou verbal.

9. Mediação é a solução! 

Perante um desentendimento que seja necessário intervir, não tomem partidos. Dêem-lhes ferramentas para que consigam comunicar de uma forma positiva, respeitando-se e alcançando um acordo que seja bom para todos (escrevam mesmo os acordos e aquilo em que se comprometem – eles adoram).

10. Criem muitas memórias felizes e registem esses momentos!

Não há nada como depois conseguirmos reviver cada momento e partilhar histórias.

Boas Férias!

 

Por Joana Sardinha Zino, Pais e Mães Mediadores de Serviço

Já não és minha amiga

Ser mãe de crianças de ambos os géneros dá-me uma visão bem diferente da forma de se estar na vida e da convivência social de cada um. Com os rapazes tudo é ou parece simples. Na grande maioria das vezes, para além da competição de macho, pouco mais existe para discutir. Nas meninas é tudo mais complicado e dramático. “Já não és minha amiga”, “já não te convido para ires à minha festa”, “já não gosto de ti”, etc e etc.

 Quem é mãe de menina já passou por isto.

De início tentamos não dar importância. Mas quando as queixas são persistentes e de forma sofrida começamos a achar que a nossa princesa possa estar em sofrimento, a ser excluída e/ou até a ser vitima de bullying. (Lembrando todos os casos expostos nos meios de comunicação social em que os pais não deram conta ou importância). Decidimos então intervir de alguma forma, normalmente pedindo ajuda a professores. Mas quando o fazemos apercebemo-nos de que tudo já foi esquecido e já estão totalmente “amiguinhas” ou “BFF” (best friend forever).

Nós, adultos, não esquecemos tão repentinamente.

Por mais que sejam coisas de miúdos, mais cedo ou mais tarde somos confrontadas com o pedido para a amiga ir brincar lá a casa. Acompanhada de uma birra ou amuo se dizemos que não, e temos de lidar com a presença de uma miúda que ainda há minutos era o foco de sofrimento e choro da nossa filha ( e o risco de voltarem a zangar-se repentinamente). É aqui que começamos a estar atentas à autoestima e capacidade de sociabilização da nossa filha! Será que devo transmitir-lhe ferramentas de defesa psicológica para que não se deixe pisar ou rebaixar? Tenho reforçado sempre a compaixão, humildade, bondade e respeito para com os outros. Na verdade, tanto é atacada e é a presa como é ela que ataca e se transforma na vilã.

Para se ser uma boa amiga precisamos de perceber e dar a entender que apesar da brincadeira, das gargalhadas, do suporte e do carinho, por vezes, podemos encontrar conflitos, mal-entendidos ou tristeza.

E que ferramentas poderão precisar, elas e nós, para contornar estas situações:

  1. Antes de ser amiga de alguém precisa de ser a melhor amiga de si própria;
  2. Ter em nós mães um bom modelo e exemplo;
  3. Conversar sobre o comportamento e características que uma amiga deve ter. Explorar o que é uma má companhia e o que faz. O que espera de uma amiga. (sou da total opinião que não devemos ser nós a dar respostas, mas ajudar a traçar o caminho da descoberta)
  4. Falar sobre as suas qualidades que a fazem especial e única.
  5. Ensinar alguns recursos para lidar com conflitos. (ex: pode fazer perguntas ou pedir explicações, às vezes o tom pode ter sido mal entendido ou as palavras terem um duplo sentido, e o que é escrito então… )
  6. E por fim, o que para mim é uma regra de ouro, tratar os outros como gostariam de ser tratadas.

imagem@parents.fr

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5 Dicas para acabar com as guerras às refeições

Os momentos das “grandes” refeições são óptimos para a criança ter os pais à sua volta, atentos, focados e preocupados. E estes momentos às vezes são tão raros! É por isso que tantos pais têm dificuldades com a alimentação dos filhos. Estes, precisam de sentir que têm algum controlo para acalmar a insegurança provocada pelo desejo de conquistar mais independência. Nada melhor do que ser “um pisco” a comer para manter os pais em alerta e poder exercer esta certa forma de “poder”.

Como ultrapassar?

  1. Tão simples e tão difícil como: “Quer comer? come. Não quer? Não come.” 
    Chegou o momento de ter coragem para se libertar daquela vozinha interior que lhe diz “mas ele/a tem que comer, se não, vai ficar magrinho/a e frágil e vai adoecer e…, e….., e…..”. Estes pensamentos insistentes, não passam de crenças enraizadas que nos levam a sentir medo, sem um verdadeiro fundamento. O primeiro passo é sem dúvida, não obrigar o seu filho a comer. Se a resistência a comer é uma forma de oposição e luta pelo poder, assim que deixar de ser uma obrigação, a “guerra” deixa de fazer sentido. Salvaguardando alguns casos que ultrapassam a “normalidade” (e esses casos devem ser devidamente avaliados e acompanhados clinicamente), a verdade é que qualquer criança vai comer exactamente o necessário para estar bem e saciar a sua fome. O meu lema é sempre: “comer tem que ser mais importante para a criança do que para os seus pais”. Quando os pais ficam muito ansiosos com a alimentação de um filho, invertem-se as prioridades. Para os pais, a prioridade é fazer a criança comer. Para a criança, a prioridade é sentir-se em controlo da situação (claro que não é uma questão consciente para ela). O papel do seu filho é o de comer porque precisa e, porque tem fome. O papel dos pais é o de providenciar as condições para que isso aconteça. O cenário ideal é que ambos colaborem para que tudo se desenrole de forma tão saudável, quanto agradável.
  2. Mude a forma de comunicação à mesa. 
    Acabe com as ameaças do tipo “vais ficar doente”. Acabe com as insistências do tipo “come mais um pouquinho”, “come a carne” ou “come os legumes”. Todos os temas e conversas são válidos durante os momentos de refeição (de preferência divertidos) desde que não se toque no assunto “filho não estás a comer nada de jeito”. Nos primeiros dias deixe que o seu filho se surpreenda com a falta de atenção que o “não comer” desperta.  Já quando acontecer o contrário, e o seu filho começar a comer mais do que o habitual, então aí sim, será interessante reforçar com um “estás a gostar?”, “ficou saboroso?” ou “parece que estavas mesmo com fome…”. Numa fase inicial, pretende que a criança desbloqueie a resistência a comer. Por isso, deixe as aprendizagens de “boas maneiras” para quando esta etapa estiver ultrapassada.
  3. Tenha em consideração os gostos do seu filho
    Pense nas coisas que não gosta de comer… Quando vai a um restaurante é isso que pede? Como seria se alguém o forçasse a comê-las? As crianças estão numa fase em que ainda estão a explorar sabores e para o fazerem de forma mais aberta e ousada, é importante que sintam que o estão a fazer porque querem. Isso vai dar-lhes mais segurança para arriscarem novos sabores. Importa sim, na medida do possível, manter uma alimentação saudável e variada. Mas essa aprendizagem virá do exemplo que houver em casa e não de obrigarmos os nossos  filhos a comer algo que não gostam.
    A minha filha, como tantas outras crianças, avalia se gosta ou não de um alimento por “olhómetro” e, só depois de passar neste primeiro teste, segue para a prova efectiva. Devo confessar que esta é uma insistência da qual ainda não me consegui libertar. Por vezes, lá dou comigo a suplicar “prova só um bocadinho… vais gostar…” e a insistir “já sabes que se não gostares, não tens que comer…”. Às vezes, por “caridade”, lá me faz o “favor”. Mas a verdade é que, quando me sento distraída a saborear qualquer coisa e me esqueço de lhe perguntar se quer provar, ela fica curiosa, aproxima-se, observa e pede para eu lhe dar um bocadinho. Foi assim que, só a titulo de exemplo, começou a comer os pêssegos com a casca (porque é assim que eu os como) e provou bolinhos de gengibre, canela e limão (que detestou claro).
    Ainda relativamente ao “gosto” e “não gosto”, é fundamental neste processo que não haja substituição do almoço e jantar por “guloseimas” como biberão, bolachas, iogurtes, etc. Essas substituições vão ter um efeito contraproducente e levarão a criança a adquirir maus hábitos alimentares. Evite também que a criança coma outras coisas antes da hora da refeição, vai reduzir-lhe o apetite e a vontade de experimentar outros sabores. Ter realmente fome quando chega a hora de comer é fundamental para que as coisas corram bem.
  4. Ajude o seu filho a desenvolver outras áreas de poder
    Se o seu filho está a sentir necessidade de se afirmar e estabelecer a sua posição na estrutura familiar, então ajude-o a passar por essa etapa de forma saudável. Incluí-lo em todo o processo que envolva a refeição vai valorizá-lo. Ajudar a pôr a mesa, escolher o prato que quer usar (quando existem vários disponíveis), dar-lhe a hipótese de escolher entre vários alimentos (sem exageros), são alguns exemplos. Envolvê-lo na compra dos ingredientes também resulta muito bem. Posso partilhar por exemplo, que as melhores sopas que a minha filha comeu até hoje foram sem dúvida aquelas em que ela é que escolheu as cebolas e as batatas. Parece que, como que por magia, isso lhes confere um sabor especial. Por outro lado, quando percebi que a A. não gostava da sopa com muita cenoura, fiz questão de lhe dizer “já vi que não gostas que eu ponha muita cenoura na sopa”. Desde então, quando me vê a fazer sopa ou quando a sirvo, pergunta-me sempre “tem muita cenoura, mãe?” e gosta de me ouvir responder “não, só um bocadinho. Porque tu não gostas quando ponho muita”. Isto fá-la sentir que o gosto dela foi tido em consideração no planeamento e na preparação do jantar.
  5. Aceite que o caos pode ser desejável, e assim, preserve a sua sanidade mental.
    Se queremos verdadeiramente desbloquear certos comportamentos nos nossos filhos, então é fundamental que possamos olhar também para nós e para as emoções e dificuldades que trazemos à situação. Tente perceber como se sente nos momentos da refeição. Tente perceber se de alguma forma, não existe também da sua parte alguma necessidade de controlo e poder. Se assim for, corre o risco de cair em braços de ferro sem sentido, em que todos ficam necessariamente a perder.
    Lembre-se que insistência gera resistência, que gera mais insistência, e segue em crescendo.
    É difícil para si ouvir o NÃO do seu filho? Aceite-se como é e reconheça as suas próprias dificuldades. Depois, respire fundo. Muitas vezes e muito profundamente. É um primeiro passo e, acredite, vai ajudar muito!
    É difícil para si ver a sua casa num pequeno caos? Acredite que no inicio, quando a criança é mais pequena, uma cozinha muito suja depois da refeição, é muito bom sinal. É sinal de que o seu filho está a explorar e autonomizar-se. Acredite que limpar uma cozinha (vezes e vezes sem conta) é bem mais fácil do que lidar com a dependência (fora de horas) do seu filho. Claro que estamos a falar de situações em que a criança explora, tenta fazer coisas novas e comer sozinha. Quando o comportamento vai para além disso, então é importante estabelecer algumas regras. Mas atenção, porque é preciso saber medir muito bem esta avaliação. Lembre-se que é normal para uma criança (que está ainda a ganhar noção do seu corpo e do espaço) derrubar acidentalmente o copo, o prato ou outras coisas, e é importante que não se sinta punida por isso. Aceite que para o seu filho, crescer sujando é mais importante do que estar sempre limpinho e com medo de fazer novas conquistas! Hoje pagará o preço de ter a casa num pequeno caos. No futuro, ganha em ter um filho autónomo, com uma boa auto-estima e seguramente mais feliz.

Agora, é avançar com segurança e determinação.

Se está efectivamente a pensar implementar um novo sistema, fale disso com a sua família. Explique apenas que o mais importante é que se sintam todos bem e que os momentos de refeição possam ser de alegria. Acima de tudo, confie nas suas escolhas e lembre-se que vai precisar de calma e paciência. Será uma conquista gradual para pais e filhos mas, sem dúvida uma que irá beneficiar toda a família num futuro próximo, quando começarem a ter momentos agradáveis de refeição em família, cheios de respeito, cumplicidade e muitos sorrisos.