A combinação de Outubro com Outono faz-me sempre pensar em babywearing. Primeiro, porque é em Outubro que se celebra a Semana Internacional de Babywearing. Segundo, porque o tempo começa a arrefecer e carregar os nossos bebés coladinhos a nós sabe ainda melhor. Terceiro, porque aproxima-se o Natal e é sempre uma boa altura para comprar um novo porta-bebés.

Mas qual?

Há tantos que às vezes parece complicado. Mas não é. Há dois tipos de porta-bebés:

  • Os panos, que são porta-bebés sem estrutura e nos quais temos que fazer uma amarração (em inglês: carry) para receber e suportar o bebé;
  • As mochilas, que são porta-bebés estruturados que incluem alças e que já têm formas definidas e preparadas para receber o bebé.

E qual deles o melhor?

A resposta é aquele cliché do depende. Os dois têm vantagens e desvantagens e cada um de nós é que tem que eleger qual é, para si, o rei dos porta-bebés.

E há vários tipos de panos?

Afirmativo. Se preferimos um porta-bebés sem estrutura, temos vários tipos disponíveis, adequados a diferentes utilizações:

  • Panos elásticos, são uma peça de pano tricotado com alguma elasticidade. São particularmente adequados para recém-nascidos,
  • Panos tecidos, feitos através de um processo de tecelagem, com nenhuma elasticidade e que podem ser usados desde que o bebé nasce até… este querer ser carregado. São duradouros e versáteis, mas exigem alguma dedicação para aprender as amarrações.

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  • Slings de argolas, pano sem elasticidade com argolas metálicas, que permite o transporte do bebé na anca, em posição assimétrica e também barriga-a-barriga para bebés pequenos. São muito práticos pela rapidez de colocar e tirar o bebé. Não são recomendadas para caminhadas longos, pois a assimétrica distribuição do peso pode criar desconforto na anca, costas e lombar;

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  • Pouch sling – uma espécie de faixa cilíndrica fechada, muito fácil de colocar e adequada a transportes rápidos. Têm a desvantagem de poder ser usadas só desde quando a criança consegue sentar se sozinha.
  • Híbridos, que misturam as opções, como por exemplo, panos elásticos com argolas

 

Então significa que também há diferentes tipos de Mochilas?

Correto. Optar por um porta-bebés com estrutura abre-nos um outro leque de opções, cada uma com diferentes valências:

  • Meh dai (mei-tai), originário da China, é um porta-bebé com quatro alças abertas para ajustar e amarrar. Duas passam por cima dos ombros e duas criam o cinto. É muito simples de usar e rápido de aprender. A desvantagem é que mesmo os evolutivos não são adequados para recém nascidos;
  • Mochilas ergonómicas com cinto com fivelas e com alças ajustáveis, também com fivelas. Este é o porta-bebés mais conhecido e o que temos em mente quando alguém diz “mochila ergonómica”. Simples e rápido de aplicar e ajustar, é muito confortável e é tipicamente o preferido dos papás, pois não tem nada que enganar. Tem a desvantagem de não ser adequado para recém-nascidos e se for partilhado pelo pai e pela mãe, vão ter que estar constantemente a ajustar e reajustar as fivelas;

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  • Podaegi, inspirado em tradições coreanas, um pano com duas alças abertas para ajustar e amarrar, sem cinto. Ao princípio parece um pouco estranho a ausência de cinto, mas é cómodo e seguro e é uma opção excelente para viagens, pois ocupa muito pouco espaço. Porém, não é confortável para carregar os bebés durante períodos mais longos.
  • Onbuhimo, originário do Japão, com duas alças ajustáveis, seja com argolas ou com fivela, mas sem cinto. Também muito cómodo e adequado para viagens por ser compacto, mas também desadequado para períodos mais longos a carregar os bebés porque o peso fica todo só por cima dos nossos ombros.

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  • Híbridos, que misturam essas configurações e características, como por exemplo mochilas de cinto com fivela e alças de amarrar.

Prontos para escolher um?

*imagens fornecidas pelo autor

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Os panos porta-bebés estão na moda? Já Maria os usava;

 

Babywearing Workout – Exercício físico com os filhos

Todos os pais sabem que as 24 horas do dia parecem sempre insuficientes quando temos que tomar conta dos nossos filhos, com as várias tarefas associadas a eles, em especial quando são bebés. Ao mesmo tempo, precisamos de zelar pela saúde. Fazer exercício físico diariamente – entre as outras 827 tarefas diárias. Uff…e tempo para isso tudo?

Muitos pais já perceberam que juntar desporto e filhos é uma solução. Fazer exercício com os mais pequenos, e nem precisa de sair de casa. A ideia de «incorporar» os filhos no exercício físico tem ganho peso nas redes sociais e, por consequência, nas nossas vidas.

Um enorme aliado neste desafio é um porta-bebés. Existe, inclusivamente, o termo técnico: “babywearing workout”. Nada mais é do que carregar o seu bebé de forma segura, num porta-bebés (pela saúde do seu bebé, opte por um ergonómico!) enquanto faz os seus exercícios. E tanto serve para mães como pais.

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 As vantagens são várias, como por exemplo:

– (a mais óbvia) ter tempo útil com os seus filhos enquanto faz desporto

– os pequenos adoram andar como coalas às costas dos pais, quais pesos humanos para desenvolver os músculos dos papás

– optando por um porta-bebés, fica na mesma com as mãos livres

– num porta-bebés ergonómico (por exemplo, as mochilas, como Boba, Ergobaby, Manduca) o bebé fica numa posição confortável, e tem menos cólicas

– o bebé sente-se seguro, chora menos, e dorme mais

– ao carregar o seu bebé, para além de favorecer o desenvolvimento motor/físico, favorece o desenvolvimento emocional e neurológico da criança

– incentiva as crianças ao movimento – haverá algo mais representativo do que é ser criança do que o movimento?

– mesmo que não faça exercícios específicos, só o facto de ter o bebé como «peso» é meio caminho andado para queimar muitas calorias!
Veja os vídeos disponíveis na internet sobre aulas de dança com pais e mães com os seus bebés nas mochilas ergonómicas, além de vários sets de exercícios exequíveis em casa ou no jardim, e  experimente lá em casa.

Resumindo e concluindo: quem precisa de ginásio quando se tem filhos?  Experimente. Aproveitem para passar o próximo Dia do Pai no parque, a fazer desporto da forma mais divertida.

Ponha o seu pequeno “personal trainer” às costas e…que comecem os push-ups!

imagemCapa@vaulterfit
imagem@BrentKulthof

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Babywearing no dia-a-dia, uma perspetiva familiar: criança

Será o Babywearing uma moda? Ou é realmente importante para o bebé?

Este, aquele ou o outro: qual é o porta-bebés certo para mim?

 

A perspetiva da criança sobre o babywearing é uma perspectiva imediata. Não tem curto, médio nem longo prazo, só tem o agora. Considerar o babywearing no dia-a-dia sem equacionar a perspetiva da criança, incorre-se o risco de rapidamente olhamos para esta prática apenas como uma rotina para ter mãos livres ou para adormecer as crianças.

O mundo dos graúdos

Uma das vantagens do babywearing é trazer a criança para o nosso plano. Vê o mundo da nossa perspetiva, cá de cima. Vê coisas que não vê lá de baixo, e vê o lá de baixo cá de cima.

Mas também permite à criança interagir com o mundo na vertical, e aproximar-se ou mesmo participar em atividades com os pais, como arrumar a louça, cozinhar, limpar o pó e aspirar. E também é assim ao sair à rua. Vê os carros de forma diferente e chegam às árvores e as sebes do jardim já não são uma parede, são um obstáculo superado.

Um esconderijo

Além de virem cá para cima para experimentarem o mundo ao máximo, encontram no babywearing um esconderijo para repousar, um porto seguro.

Quando o cansaço aperta ou quando o sono está a chegar ou simplesmente porque estão menos pacientes, o porta-bebés ajuda-os a acalmar. Mas onde está a perspetiva da criança aqui? É que muitos de nós iremos ficar surpresos quando repararmos que frequentemente os nossos miúdos vêm ter connosco a pedir para ir para o pano, para descansarem um pouco, conscientes do bem que lhes faz e de como os acalma e os faz sentir melhor.

Um hábito

O repetir da rotina vai criando hábitos e a criança vai interiorizando esses hábitos, tomando-os como dela. O mesmo acontece com o babywearing. Ao introduzir esta prática na família e ao repeti-la com regularidade, vamos também marcar a rotina da nossa criança com esse momento. E vamos perceber que na hora da sesta vai resistir estoicamente contra o pano ou à mochila, mas no momento de ir dar um passeio ao parque, o porta-bebé é o seu melhor aliado e quase que salta para dentro do pano.

Por Nuno César Nunes

Artigo elaborado com base em recolha de informação feita no grupo do FB Babywearing Love Portugal 

imagem@Kristi Hayes-Devlin

Babywearing no dia-a-dia, uma perspetiva familiar: pai

A perspetiva do pai é bastante diferente da de uma mãe. Tanto os pais que praticam babywearing como aqueles que preferem não o fazer têm uma abordagem muito pragmática, muito focada no resultado a curto prazo: carregamos os bebés para atingir algo dali a poucos minutos. Mas todos, carregadores ou apoiantes, reconhecem os benefícios e afirmam ser uma atividade fascinante.

Alguns pais não carregam

As razões para não carregar os bebés podem ser variadíssimas e todas absolutamente legítimas. A razão pode ser um mero encolher de ombros. Ou porque parece ser coisa de mulher. Ou porque não gosta destas coisas. Ou porque dá demasiado nas vistas. Ou porque o pai não se ajeita. Ou porque têm medo de se enforcar em tanto pano. Ou porque para trajetos curtos, não justifica fazer uma amarração. Ou porque têm carrinho-de-bebé. Ou porque a mãe carrega. Ou porque tentou uma vez e o menino chorou.

É natural que as famílias não ajam da mesma maneira e que existam objeções que sustentem que o babywearing possa não ter um papel central na vida familiar.

Outros fazem-no, desde que seja simples

Mesmo os que decidem acompanhar as mulheres na prática do babywearing, por vezes fazem-no apenas em trajetos mais longos, passeios ou caminhadas, quando a mãe está cansada, ou  à espera de outra criança e precisa de ajuda do marido, ou simplesmente porque a mãe insistiu muito e lá cedemos.

Estes procuram essencialmente a liberdade para fazer coisas, como passear o cão, despejar o lixo ou ter as mãos livres para executar tarefas, bem como a facilidade de acalmar as crianças, lidar com as suas birras em alturas em que estão mais cansados ou rabugentos e até pô-los a dormir. Usam mochilas ergonómicas ou mei-tais, por serem fáceis e rápidos de colocar.

Outros tomam-lhe o gosto

Quando saem de casa habituam-se a carregar os seus miúdos ao ponto da mãe ter quase que implorar para os poder levar. Têm sempre um porta-bebés no porta-bagagens do carro e quando os miúdos crescem e começam a insistir ir pelo próprio pé, ficam tristes. Usam qualquer porta-bebés, mas quando experimentam um pano, não há retorno.

Por fim, os mais entusiastas, acabam por ser eles a assumir a liderança do assunto. São eles que pesquisam as opções e analisam os vários tipos de porta-bebés, logo durante a gravidez. Por vezes acabam por sofrer um pouco com o nível de dependência da criança à mãe porque querem envolver-se no dia-a-dia e não conseguem esse espaço. Acabam por praticar para equilibrar essa balança e fazer uma ligação forte ao bebé, logo desde a nascença. Usam vários tipos de porta-bebés e não perdem uma oportunidade para dizer “isto existe e é o melhor para os bebés”

Simples e prático

Seja para dar uma pausa à mãe, para evitar a confusão dos carrinhos nas ruas e espaços mais apertados ou seja para ter maior liberdade de movimentos, desde que seja confortável, simples de usar e prático os pais vão aderindo. Alguns sentem que tiveram de perder a vergonha, mas outros afirmam que até mesmo o mei tai rosa com padrão de sereia lhes fica a matar. E as mães concordam! Qualquer que seja o porta-bebés, fica-nos sempre a matar.

Por Nuno César Nunes

Imagem@Stefanie Archer

O babywearing parece estar na moda. Tem tido um crescendo de popularidade e aparece ligado à parentalidade com apego e ao bem-estar dos pais e bebés, com estudos a reforçarem que as crianças carregadas em porta-bebés choram menos, dormem melhor e tornam-se mais confiantes e independentes.

Mas no dia-a-dia, a prática de babywearing gera uma dinâmica própria na família, em que cada membro familiar tem a sua perspetiva.

Na perspetiva da mãe

A perspetiva da mãe é uma perspetiva holística e recorrente. O babywearing permite inúmeros benefícios para a mãe e para o bebé, a curto, médio e longo prazo. A sua atratividade leva a mãe a decidir praticar, repetidas vezes ao dia, mas sempre com o retorno de longo prazo em vista.

03h50m

Sim. Foi a primeira vez que coloquei hoje a minha filha no pano. Estamos na altura dos dentes a nascer e às vezes nem a mama ajuda a aliviar a dor. A bebé desperta e quer colo e baloiço. Assim, aconchegada no pano, adormece rapidamente e não tenho que a segurar nos braços e poucos minutos depois podemos voltar para a cama para sacar mais uns minutos de sono.

09h10m

A primeira sesta do dia, no pano, nas minhas costas. Na verdade, já lá estava há algum tempo, cerca de meia hora. Como não dormiu bem durante a noite, de manhã estava um bocado birrenta e precisava de colo.

Mas eu não funciono bem sem café. E tinha que preparar o pequeno almoço do irmão mais velho, de 3 anos, não podia andar com ela nos braços.

Assim, no pano, as necessidades do bebé estão satisfeitas porque está perto da mãe, a descansar, e eu tenho a minha autonomia, fico com as mãos livres e consigo despachar trabalho e tratar da nossa rotina matinal.

A sesta só demorou 20 minutos mas valeu na mesma.

12h00

Sesta número dois. Que timing perfeito! Deu para tratar do almoço. Junto com o irmão preparámos uma sopa que ficou pronta exatamente quando a pequena decidiu acordar. Acordou com fome, mas quando viu a sopa logo quis e só mamou depois de papar a sopinha.

15h00

A bebé está cansada. Já não quer brincar e tudo a faz chorar? Vai para pano. Primeiro numa amarração ao peito, para lhe dar alguns miminhos, para dar montes de beijinhos e abraços, depois quando já não acha graça, vai para as costas. E? Pumba! O balançar do dia-a-dia parece ter a cadência certa para adormecer bebés. Vou avançando com os meus afazeres, sempre com a minha pequena colada a mim. E? É tão bom! E nem o entusiasmo do mais velho nas suas brincadeiras a acorda.

17h00

A sesta número três já ficou para trás há algum tempo, mas o dia já vai longo e a pequena começa a mostrar sinais de cansaço, sem paciência, birrenta, sempre à procura de mimo e de colo, mas a pedir chão no momento que chega aos braços. Mas ainda é cedo para a ir por na cama. Então volta para o pano. Está por perto, sente o meu cheirinho e vê tudo à volta. Mas quando quer pode esconder a cara no meu peito e proteger-se das redondezas.

19h30

Esta até pode parecer a hora de começar a preparar o jantar, mas o dia da nossa pequena já terminou. Começou cedo, às 03h50m e às vezes até me questiono como se aguentou até tão tarde. É pequena mas já se apercebe que desta vez não é para dormir uma sesta. Já compreende que o dia acabou. E luta bravamente contra. Mas apertadinha no pano, rapidamente se acalma e não demora muito tempo a adormecer, o que é bom, porque o dia da mãe também já vai longo. Mais mimo, mas desta vez para a mãe. A birra efusiva terminou e agora dorme como um anjinho debaixo do meu nariz e parece que este amor não cabe no coração e enche-nos o corpo todo de paz, orgulho e satisfação.

 

Por Julia Wronikowska Nunes para UpToKids®

imagem@BasiaGladysz

Sim! Os meus baby boys usam golinhas!

Hoje venho falar-vos de um assunto que, admito, não tem discussão. Gostos são gostos! E se eu não sou muito clássica a vestir-me, os meus filhos são do mais clássico que existe! Não aderi aos modernismos das leggings e dos pretos para os mais novos! E logo eu, que todos os dias uso pretos e cinzas! Mas ainda não consigo associar essa cor às crianças.
Não há um dia que seja que não ouça quem me encontra (e ao Zé Maria):
– “Que linda princesa! Como se chama?”
ou
– “À terceira foi mesmo de vez, hein? Que boneca tão querida!!”
Enquanto que no Sebastião e no Manel fazia questão de dizer que era rapaz…agora só respondo, com a maior naturalidade “Maria”. Finjo que me esqueço do “Zé”, só para não ter que dar mais explicações! Sim! Os meus filhos usam cueiros quando nascem. Usam folhos e laços nos primeiros dias de vida. Golas e mais golas. Cresci a ouvir que os recém-nascidos não têm sexo. É claro que não andam de cor-de-rosa nem de florzinhas…mas de tudo o resto, uso e abuso. E adoro!
Por isso, hoje venho aqui expressar publicamente a minha paixão por golinhas nos rapazes. E se me virem na rua, já sabem que até aos 2 anos, os meus filhos vão andar de gola redonda e de tapa-fraldas. Não, nunca pus um par de calças aos meus filhos bebés. O máximo que usam são jardineiras e calções. Cheios de cor e padrões! Têm toda a vida para ser modernos, e vestir-se como gente grande!
Depois dos 2 anos, sou adepta das camisas de capuz e das golas à padre. Camisas à homem, não obrigada! Pretos e bonecada a mais? Também dispenso! E não há desculpa para as Mães de rapazes que dizem que não há nada giro e diferente para os boys! Basta procurar e ter um pouco de imaginação! Garanto-vos, não é preciso gastar rios de dinheiro.
Têm dúvidas, ou dificuldade em encontrar peças giras e diferentes, mas sempre dentro do estilo clássico, para os vossos filhos? Eu posso dar uma ajuda! Escrevam-me para aqui! Prometo que respondo a todas as vossas questões!

Os movimentos e os estímulos físicos, neuronais e emocionais que um bebé recebe através do babywearing, ou seja, ao ser transportado num pano ou numa mochila para o devido efeito, são fatores que favorecem a fundação de um desenvolvimento físico e anímico sadio da criança. A criança acalma, sente-se segura perto da mãe (ou pai), chora menos, tem menos cólicas e desenvolve a sua estrutura óssea da melhor forma. Em conjunto com as vantagens que também os pais têm (poderem ficar com as mãos livres, não terem os dramas de carregar o ovo ou subir e descer escadas com um carrinho), representam os benefícios cada vez mais (re)conhecidos, de usar os porta-bebés ergonómicos.

Atualmente existem inúmeras possibilidades de porta-bebés, desde panos a mochilas, passando por panos pré-montados, slings de argolas, mei-tai, mochilas ultraleves, híbridos pano/mochila/mei-tai, todo um mundo de hipóteses. Ora, o que é que realmente importa na hora de decidir qual o melhor porta-bebés para mim?

Dois fatores são primordiais: primeiro, que seja ergonómico para o bebé, segundo, saber quais são as minhas necessidades e o que pretendo fazer com o meu porta-bebés. Entenda-se, pois, que não existe um porta-bebés que seja igualmente perfeito para toda a gente.

Ergonómico significa, na prática, que o porta-bebés garante que a criança vai na posição de rã, com as pernas abertas, joelhos ligeiramente acima do nível da bacia, e a coluna em C, formando uma ligeira curva. Portanto, um marsúpio onde o bebé vai completamente reto, com as pernas  a pender, não é ergonómico. A posição de rã, todavia, não é possível a um bebé recém-nascido, dado que a amplitude da bacia vai sendo adquirida aos longo dos primeiros meses.

Passando à segunda questão, basta então refletir sobre quais as minhas necessidades relativamente a um porta-bebés:

– quero usar o porta-bebés desde o nascimento ou só mais tarde?

– pretendo usar o porta-bebés intensivamente ou pontualmente?

– serei a única utilizadora ou o pai (ou outra pessoa) também vai usar?

– imagino-me na rua com um pano ou com uma mochila?

– tenho persistência para treinar um pouco a dar os nós, no pano?

– pretendo um porta-bebés compacto, que possa levar nas minhas viagens?

– quero um porta-bebés que me sirva desde o nascimento até aos 3 ou 4 anos?

– em que posições me é importante levar o bebé? Só frente, frente e costas, de lado?

 

– o meu bebé é prematuro?

– quero um porta-bebés que me permita amamentar enquanto o uso?

Os panos são bastante harmoniosos numa fase inicial, quando o bebé nasce, sendo efetivamente a melhor opção para um bebé que seja prematuro. O pano é muito confortável, mais leve e macio do que uma mochila. No entanto, os panos requerem um pouco de treino e paciência. Com a prática, domina-se a técnica. E aí poderá utilizar o pano até a criança ter 15kg.

As mochilas são, por outro lado, porta-bebés estruturados, quase prontos a usar. Por esta característica, a de serem práticas, são a preferência de muitos papás (homens). As mochilas estão geralmente preparadas para bebés a partir dos 3,2kg, e permitem uma utilização até aos 20kg.

Voltando à primeira categoria, existem basicamente 3 tipos: um, os panos que são uma faixa longa, com cerca de 4,5 metros, que por serem uma faixa única, são os mais versáteis dos porta-bebés, pois conseguimos usá-los de mil e uma maneiras, com estilos diferentes; dois, os slings de argolas, que permitem levar o bebé na posição “de berço”, na anca e, com alguma prática, sentado à frente quando o bebé é pequeno, têm suporte assente na zona do ombro, são uma excelente opção para quem deseja algo rápido de colocar, de ajuste fácil, e que precisa de transportar o bebé por pouco tempo, dado que o peso fica concentrado em apenas um dos ombros; finalmente, há o pano cruzado atrás, que é muito prático para quem gosta de pano mas quer algo preparado, sem ter de dar “voltas” ou nós. Qualquer um destes três tipos de panos pode ser usado desde o nascimento até cerca de 15kg.

Existem os mei-tai, de origem oriental, que são constituídos por painel retangular frontal e 4 faixas (duas em cima e duas em baixo) que cruzam atrás e na anca, e permitem levar o bebé à frente e nas costas. Estes são uma boa solução para quem gosta de algo simples, pouco estruturado como o pano mas mais rápido de colocar (como uma mochila), é mais recomendado a partir dos 3 meses, apesar de poder ser usado antes, e suporta até 15kg.

Quanto às mochilas, existem várias marcas, com pequenas características que as diferenciam (composição, adaptador para recém-nascido, padrões, existência ou não de extensor, ajustes, bolsos, possibilidade ou não de remoção de capuz, entre outros detalhes). Existem mochilas fortemente estruturadas, que são excelentes para uma utlilização intensiva como passeios longos, passeios diários,  e, por outro lado, as que são ultraleves, especialmente criadas para quem viaja muito e não dispensa o porta-bebés, já que são práticas como a mochila habitual mas são mais compactas devido à sua composição em nylon. Estas, ultraleves, podem ser utilizadas a partir do terceiro mês até aos 20kg.

Em conclusão, para optar por um pano ou uma mochila, sling de argola ou mei-tai, entre as inúmeras possibilidades à disposição no mercado, interessa compreender o que é que cada um precisa, qual a sua realidade e, claro, que seja um porta-bebés ergonómico para o seu bebé. Uma coisa é certa: praticamente todos os bebés adoram ser transportados junto a nós, nós adoramos tê-los sempre pertinho do coração, e o melhor de tudo é que crescem saudáveis e confiantes!

image@babywearinginternational

1ANSALDO, Giovanni Andrea
The Flight into Egypt
1620s
Oil on canvas 170 x 127 cm
Galleria Nazionale d’Arte Antica, Rome

Em várias obras de arte, Maria surge arquetipicamente com um pano onde transporta o Menino.

Sabemos, pois, que carregar os bebés num pano não é moda nova.
Em Portugal, felizmente, testemunha-se um crescente interesse e sensibilidade pelo babywearing (esta forma de transportar os bebés envolvendo-os em nós com um pano ou numa mochila porta-bebés), por parte tanto de mães, que depois influenciam outras mães, como por profissionais de saúde e outros terapeutas – como os osteopatas ou as doulas – que reconhecem cada vez mais os benefícios de transportar o bebé “à distância de um beijinho”, recomendando o uso de porta-bebés ergonómicos.

Para a criança as vantagens passam, acima de tudo, pela prevenção de incorreções ao nível do desenvolvimento da estrutura óssea – como a recorrente displasia da anca – e da estrutura neurológica, e pelo aumento de confiança devido ao contacto (ou melhor: com tacto!) com a mãe ou com o pai, sobretudo se for um contacto direto pele com pele.

Não é novidade que o toque, o afeto e o calor são necessidades básicas. Estudos* comprovam que os bebés transportados nos porta-bebés 3h por dia choram menos. Há igualmente pesquisas** que atestam que os bebés prematuros têm uma resposta mais positiva quando são transportados nos porta-bebés, pois são permanentemente estimulados pelos batimentos cardíacos da mãe, pelo calor da sua pele, pela respiração, além de todo o ritmo que se produz enquanto se movimenta. Por sua vez, os próprios pais tornam-se mais confiantes, dado que facilmente reconhecem os sinais dos seus bebés (movimentos, expressões, respiração, gestos).

Além das vantagens acima referidas, é de longe mais fácil realizar tarefas domésticas, ir às compras e subir escadas – desafio vivido constantemente por quem usa carrinhos – sobretudo quando existem mais filhos pequenos, pois ficam com as mãos livres e não têm que se deslocar recorrentemente para ir ver o bebé.

Desta interação resulta uma maior sintonia e estabilidade para ambas as partes. Uma mulher que tenha tendência para uma depressão pós-parto terá, naturalmente, benefícios acrescidos.

Em resumo, todos estes movimentos e estímulos (físicos, neuronais e emocionais) são fatores que favorecem a fundação de um desenvolvimento físico e anímico sadio da criança e que, em conjunto com as vantagens que também os pais têm, representam os benefícios de usar os porta-bebés ergonómicos.

Já tem o seu?

Por Marta Ribeiro, para Up To Kids®

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