Ilustração de Mônica Crema

Comecei a escrever sobre este ano e dei por mim a escrever um texto morninho e cheio de pensamento positivo. Depois de me olhar ao espelho e confirmar que eu era eu, penitenciei-me com dez chapadas e apaguei o texto.

Este ano foi um ano filho da mãe.

Não há lugar a palavras doces. Repito: foi um ano filho da mãe. Testou a nossa família com golpes duros, muitas viroses, muitas ausências do pai, a mudança de escola dos miúdos, muitas birras e muitas noites mal dormidas. Olho para trás e o que vejo é uma mulher esgotada, cheia de sono e a viver em piloto automático.

Não li os livros que gostava de ter lido, aturei demasiadas birras, pensei que fosse enlouquecer, não peguei na máquina fotográfica uma única vez, ainda não foi este ano que fomos ao teatro, será que fomos a algum concerto?

Não me lembro.

Apanhei várias camadas de nervos, como diria a minha querida avó. Acho que fomos duas vezes ao cinema, ou terá sido uma? Fiz a depilação menos vezes que o desejável, a tinta para pintar os cabelos brancos ficou muitas vezes esquecida, não tivemos o tempo merecido a dois, sexo, isso existe depois da maternidade? O emprego continuou a ser a minha pedra no sapato, não cuidei de mim como deveria, adormeci vezes demais no sofá enquanto o meu marido conversava comigo, as várias dietas que comecei duraram dois dias, passei a detestar pessoas ainda com mais convicção.

Os miúdos estiveram doentes a porra do ano todo, um de cada vez e os dois ao mesmo tempo. A minha paciência conheceu novos limites, gritei vezes demais ou talvez não, que a parentalidade positiva não é para mim e esqueci-me muitas vezes de existir para além dos filhos ou para ser mais justa, não tive muito tempo para existir para além dos filhos.

Estamos quase no final do ano e se, por um lado, a vida não se compadece com calendários, por outro, sinto em mim todo o peso do ano que está a acabar e não desfazendo de tudo o que de bom aconteceu e foi muito, é impossível olhar para trás sem desejar que chegue depressa um novo ano, com doze meses inteirinhos, para eu o encher de planos que não vou concretizar, de noites mal dormidas, de camadas de nervos e de birras dos meus filhos.

Podes vir Ano Novo, mal posso esperar.

Com o início de um novo ano renovam-se sonhos, energias, desejos e objetivos.

Para as famílias pode ser uma oportunidade para fazer diferente, apostando ainda mais nos bons momentos passados com os que mais amamos, pois são esses momentos que possibilitam um maior fortalecimento e proximidade das relações, ao mesmo tempo que nos tornam (ainda) mais felizes.

Assim, nesta novo ano priorize a sua felicidade, assim como a de toda a sua família, investindo em si e nos seus, através de pequenos grandes gestos:

– Cultivem hábitos de vida mais saudáveis.

Façam exercício físico (passeios, caminhadas, natação, etc.) em família, alimentem-se melhor e conquistem mais horas de sono aos vossos dias.

– Fomentem bons momentos em família.

Podem, por exemplo, instaurar semanalmente a Noite da Família e nessa noite joguem em conjunto um jogo de tabuleiro, joguem às cartas, vejam um bom filme, com um balde de pipocas ao lado, ou simplesmente conversem.

– Conheçam juntos novos lugares e vivam novas experiências.

Está provado que o nosso cérebro se desenvolve tanto melhor quanto mais experiências e emoções positivas estivermos expostos. Criem memórias e boas recordações, em família.

– Digam e mostrem mais o que sentem uns pelos outros.

Incentive todos os elementos da família a verbalizarem o que pensam e sentem, sem julgamentos ou recriminações. Digam uns aos outros o quanto se amam. Abracem-se, pelo menos, uma vez por dia.

– Se têm mais do que um filho instituam o Dia do Filho Único.

Uma vez por mês, tirem um dia, uma tarde, um momento, em que estejam com cada um dos vossos filhos sem a presença do ou dos irmãos. Nesse dia conversem e façam o que ele ou ela mais gosta de fazer convosco e que, muitas vezes, não pode fazer por não ser filho único.

– Pais felizes =  filhos felizes.

Encontrem mais tempo para o casal e para estar com os amigos.

– Façam refeições em família.

Ao gerirem os vossos dias priorizem, pelo menos uma refeição diária em família. Sem televisão, telemóveis ou qualquer outro tipo de distração;

– E, por fim, brinquem, riam e divirtam-se em família.

 

imagemcapa@tumblr

Li algures e faz sentido: “o ano só é novo se tu mudares também”. 

É daquelas frases manhosas que apanhamos no facebook, que não partilhamos por serem bimbalhotas mas que até ficamos a pensar nelas durante uns segundos.

Felizmente, para mim, este ano já foi um ano de redescoberta, de religação espiritual (não parem de ler só por ter usado a palavra espiritual e “religação” existe que fui ver) e isso não aconteceu porque comecei a colorir flores esquisitas naqueles livros que se vendem no Pingo Doce – acho que estou a muito pouco tempo de cair nisso também, mas tenho medo de adormecer.

Os filhos são um eyeliner da alma (estou inspirada, não estou?). Parece que, com o nascimento de uma criança, os nossos piores defeitos vêm ao de cima e as nossas melhores qualidades também. Sinto que me tornei mais confiante, mais paciente, mais franca, mais brincalhona, mais bonita, mais empática, solidária, tolerante. Reparei também na espiral de ansiedade em que vivia, na pseudo depressão que me assombrou durante anos, no vazio que havia em mim por preencher, naquilo que negava a mim própria e que tanto precisava, simplesmente por não ter tempo para pensar, sentir, ouvir, ouvir-me.

Este ano tive tempo para me ouvir. Tive mesmo de me começar a ouvir porque tinha de me organizar a todos os níveis. A Irene merece o melhor de mim, todos merecem o melhor de mim, eu mereço o melhor de mim.

Comecei a cuidar de mim, de dentro para fora e a minha força foi a Irene. Ela foi a minha âncora, a minha motivação, o meu objectivo e agora sinto-me mais capaz de lhe dar o que ela e eu precisamos. Sinto-me inteira. Não devemos apoiar-nos nos nossos filhos para sentirmos que temos tudo, mas devemos ser tudo pelos nossos filhos.

O meu marido, depois a Irene foram a minha pedra de toque. Tive necessidade de fazer terapia, optei pela hipnoterapia, naturalmente comecei a cuidar mais de mim e maquilho-me, penteio-me (à séria, não a batotice que fazia antes), vou ao cabeleireiro, tenho vaidade em fazer combinações de roupa, salivo a olhar para sapatos, estou a tratar do meu corpo, a comer mais saudavelmente… Reconheço a existência do próximo na sua plenitude, preocupo-me genuinamente, ambiciono ser inspiradora, motivadora para aqueles que me rodeiam. Não me meto em intrigas, não sofro com coscuvilhice (há menos chatices quando passamos a ser optimistas), não ando ansiosa sem necessidade, respeito os timings da Irene, vejo-a como um ser humano e não como um lembrete no telemóvel…

Sinto que vivemos numa altura (sim, vem aí uma treta do género mindfullness e “aldeia global” e todos os chavões do género) em que vivemos cheios de pressa para fazermos imensas coisas cuja gratificação é pouca ou nada. Sinto que perdemos pouco tempo a construir e muito tempo a mostrar. Noto isso quando varro o instagram 40 vezes enquanto a Irene está a falar comigo e a pedir-me para fazer qualquer coisa, como se o instagram fosse importante ou não estivesse ali dali a duas horas quando ela estivesse a dormir. E isto acontece, a meu ver, porque andamos adormecidos. Andamos com a corrente. Os dias, com a rotina, parecem-nos todos iguais e acabamos por absorver essa falta de cor.

Muito, comigo, tem que ver com a merda do telemóvel. Os tempos em que estou agarrada ao telemóvel, são os tempos em que a minha cabeça poderia estar a trabalhar em soluções, oportunidades ou a fazer algo de maior valor. Sinto que tenho de perder essa pressa. A pressa de responder logo. A pressa de saber já.

Por que é que reagimos como se as coisas do telemóvel não estivessem lá dali a umas horas?

Desculpem por estarem a assistir aos meus pensamentos em directo, o texto não deve estar minimamente organizado para vocês que não vivem na minha cabeça.

Gostava muito que vocês, tal como eu o fiz este ano, tivessem oportunidade de se dedicarem a vocês próprias. Abstraindo-se de tudo o que corre muito bem e/ou corre muito mal.  Parem um bocadinho. Oiçam-se. O que querem fazer e nunca fizeram? Querem ser melhores nalguma coisa? O que precisam de fazer para chegar lá? Do que têm saudades? O que querem proporcionar aos vossos filhos?

Proponho uma vida mais consciente. Por vocês.

Nunca fui tão feliz como agora. E muito se deve a mim.

Prometem que este ano (comece ele hoje ou amanhã ou em Fevereiro) vão ouvir-se mais? Fazer mais por vocês e pela vossa família?

Não se deixem adormecer por esta corrida imaginária para o nada. 

imagem@yvision

As Saudades apertam nesta altura do ano, mas penso em ti todos os dias!

Querida avó,

O Natal passou! Estamos quase, quase, quase num novo ano que nos trará, dizem, mais 366 oportunidades de sermos felizes!

Este é o terceiro Natal que passo sem ti! E, em tudo, continuo a sentir a tua falta!

Lembro, com tanta graça, o quanto detestavas o Natal! Sei que não era propriamente o Natal que estava em causa, mas sim “esta coisa dos presentes”, do “fazer de conta” que a família é perfeita, do fingir que, de repente, as dores que doeram todo o ano desapareceram! Dava-te alguma razão… com pena!

Compravas chocolates para todos, que variavam entre Ferreros, Mon Cheri e aqueles de frutos do mar! Para todos, menos para mim! A mim sempre me coube alguma coisa que me “fizesse falta”. E, assim, lá vinhas comigo comprar umas botas ou umas calças ou qualquer outra coisa, em que davas a tua opinião, sentadinha num qualquer banco, de uma qualquer loja, porque já não tinhas “idade para estas andanças”!

Lembro-me do quão fechada e pouco divertida era a tua cara durante os jantares e almoços, e também me consigo lembrar do quão apurado era o teu sentido de humor, quando te permitias soltar um pouco de dentro de ti! Essas recordações valeram-me umas risadas na ceia deste Natal!

Lembro-me do casaco de peles que vestias em todas as consoadas e de como ficavas linda com ele! E não tenho a certeza de to ter dito as vezes suficientes! Agora que não estás mais comigo, penso sempre que houve palavras que ficaram por dizer, beijos por dar e abraços por abraçar!

Lembro-me do teu “gostei” em cada regresso a casa depois do jantar com a família! Nunca percebi se seria para nos convenceres a nós… se seria para te convenceres a ti mesma!

Ensinaste-me tanto de Amor, apesar de nunca te teres sentido verdadeiramente amada e querida na tua vida (espero que o meu Amor por ti tenha atenuado algumas mágoas em ti!)!

E, talvez por isso, vais-me fazer falta em todos os Natais! E em todos estes novos 366 dias que aí se avizinham! Porque guardo em mim tanto de ti! Porque esta ausência de ti será para sempre trilhada de altos e baixos… de risos das nossas lembranças ou de lágrimas que deixarei rolar, sempre que o teu colo me fizer falta!

Gosto muito de ti!

Um beijo da tua querida neta!

Por Sara Ribeiro

imagemcapa@duitang

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Com o início de um novo ano renovam-se sonhos, energias, desejos e objetivos.

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Assim, em 2016 priorize a sua felicidade, assim como a de toda a sua família, investindo em si e nos seus, através de pequenos grandes gestos:

– Cultivem hábitos de vida mais saudáveis.

Façam exercício físico (passeios, caminhadas, natação, etc.) em família, alimentem-se melhor e conquistem mais horas de sono aos vossos dias.

– Fomentem bons momentos em família.

Podem, por exemplo, instaurar semanalmente a Noite da Família e nessa noite joguem em conjunto um jogo de tabuleiro, joguem às cartas, vejam um bom filme, com um balde de pipocas ao lado, ou simplesmente conversem.

– Conheçam juntos novos lugares e vivam novas experiências.

Está provado que o nosso cérebro se desenvolve tanto melhor quanto mais experiências e emoções positivas estivermos expostos. Criem memórias e boas recordações, em família.

– Digam e mostrem mais o que sentem uns pelos outros.

Incentive todos os elementos da família a verbalizarem o que pensam e sentem, sem julgamentos ou recriminações. Digam uns aos outros o quanto se amam. Abracem-se, pelo menos, uma vez por dia.

– Se têm mais do que um filho instituam o Dia do Filho Único.

Uma vez por mês, tirem um dia, uma tarde, um momento, em que estejam com cada um dos vossos filhos sem a presença do ou dos irmãos. Nesse dia conversem e façam o que ele ou ela mais gosta de fazer convosco e que, muitas vezes, não pode fazer por não ser filho único.

– Pais felizes=filhos felizes.

Encontrem mais tempo para o casal e para estar com os amigos.

– Façam refeições em família.

Ao gerirem os vossos dias priorizem, pelo menos, uma refeição diária em família, sem televisão, telemóveis ou qualquer outro tipo de distração;

– E, por fim, brinquem, riam e divirtam-se em família.

A Peças de Família deseja a todos os seus seguidores um FELIZ 2016.

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Mais do que resoluções de ano novo, acho mais gratificante fazer uma retrospectiva do que fica agora para trás.

Há um ano já era mãe, mas era mãe de um bebé de quatro meses e meio. Tanto mudou que parece que passou meio século.

Vi a minha filha aprender a sentar-se, a gatinhar, a agarrar objectos, a divertir-se a conhecer novos sabores. Hoje é difícil segurá-la quieta, quase voa, vê em tudo uma brincadeira e transformou-me numa pessoa mais séria e mais divertida. Em igual proporção.

Há um ano eu não sabia muitas (demasiadas) coisas. Hoje sou melhor pessoa, melhor mãe, melhor mulher.

Descobri que é possível amar cada dia mais mesmo quando achamos impossível o nosso coração esticar mais um milímetro que seja.

Descobri que tenho muitos mais defeitos e tanta, mas tanta vontade de melhorar – e de esconder melhor aquilo que não consigo mudar e que é negativo para mim e para os outros.

Que é possível conciliar as tarefas mais inusitadas – como manicure fresca, lavar um ou dois pratos com o verniz a secar e ainda acudir ao bebé que está a chorar no berço – e ficar com as unhas impecáveis no final.

Que perguntamos muitas vezes as mesmas coisas pela delícia de ouvir vezes sem conta a mesma resposta.

Que ouvir “mamã” a meio da noite não me dá vontade de arrancar os cabelos – pode até fazer com que percorra a casa de cabelo desgrenhado e em piloto automático, mas com o coração mais quente.

Que as rotinas são essenciais para as crianças, mas também nos sabem bem a nós – por exemplo, entre a creche e a nossa casa há três paragens obrigatórias, faça chuva ou faça sol: primeiro o banco da paragem de autocarros (que era rasteiro ao chão e a minha filha adorava sentar-se e chegar com os sapatos à pedra da calçada), segundo a tampa de saneamento que está no passeio antes da nossa última curva e que tem centenas de estrelas em relevo (as coisas que inventamos para os entreter são de outro mundo), e que é um verdadeiro céu debaixo dos nossos pés, e o canteiro das flores roxas e vermelhas – a delícia da Mariana, que se despede delas com beijinhos e mil acenos. Se, por algum motivo, não fazemos este percurso, é como se faltasse alguma coisa ao nosso dia.

Descobri também como o tempo é precioso. E não o tempo de descanso, que o corpo acaba por se habituar, mas o tempo que temos entre mãos para dividir por tudo o que temos para fazer – e aqueles a quem queremos dedicá-lo.

Que muitas dúvidas, com esse precioso tempo, se transformaram em certezas. Outras certezas deram lugar a factos mais sensatos e outras ficaram mais aprofundadas. E novas dúvidas surgem todos os dias, para que o ciclo nunca se interrompa.

Que quero continuar a fascinar-me com a minha filha sempre, em todas as fases. Que não quero perder o rasto de quem ela é, de quem ela eventualmente se tornará. Porque ela faz de mim uma pessoa melhor pelo simples facto de existir e eu quero retribuir essa dádiva que ela é – respeitando a sua individualidade, o seu espaço, o seu tempo, o seu crescimento e intrometendo-me apenas naquilo em que possa contribuir de forma positiva.

Ora aqui está a minha resolução, no final das contas. Para 2016 e para o resto das nossas vidas.

A mais um ano de aprendizagem, de tanto amor, de todos os sonhos.

Mãe.

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