Estudo confirma: Ficar em casa com os filhos é mais extenuante que ter um emprego

Manter a casa limpa e arrumada, preparar e planear refeições (de preferência saudáveis), lavar e passar roupa a ferro.

Levar os miúdos à escola e da escola para as atividades extracurriculares. Acompanhar os TPCs, brincar, leva-los ao pediatra, dentista, oftalmologista, otorrinolaringologista e a todas as especialidades médicas que precisarem. Saber o nome dos amigos e respetivas mães e lidar com os grupos de whatsapp de cada turma e de cada actividade de cada filho.

A lista de afazeres diários de muitas mães e pais pode ser longa, exaustiva e muitas vezes desesperante. No entanto, a sociedade geralmente não reconhece este esforço dos progenitores que optaram por ficar em casa com os filhos.

Muitas pessoas, especialmente as que não têm filhos, pensam que é muito mais cansativo ter um emprego a tempo inteiro do que ficar em casa a criar e a educar os filhos.

A critica alheia

O pior é quando familiares próximos, muitas vezes o próprio marido ou mulher do progenitor que está em casa, não percebem porque é que este está sempre cansado. Aliás, não há pior pergunta do que “O que é que fazes o dia inteiro?

Investigadores da Universidade Católica de Lovaina entrevistaram quase 2.000 pais, principalmente mães, e concluíram o trabalho de mãe/pai a tempo inteiro é muito mais cansativo do que trabalhar fora.

13% das mães demonstraram um alto nível de exaustão. Com um profundo sentimento de incapacidade de lidar com todas as tarefas diárias, apenas uma em cada dez mães conseguiu reconhecer que abdicar do seu emprego veio a comprometer seriamente a sua saúde física e emocional.

Es definitivamente uma mãe/pai quando…

Um outro estudo, da empresa Aveeno, sobre a mesma temática, aprofundou também as dificuldades do dia-a-dia dos novos pais. Segundo esta pesquisa, 22% dos pais e mães inquiridos admitiu que, depois do bebé nascer, nunca mais conseguiram terminar uma chávena de chá, 33% só utilisa uma mão enquanto come, 19% nunca mais conseguiu ver um programa de televisão completo e  17% queixaram-se de dores de costas. (Os restantantes não se queixaram, mas garantidamente sofrem do mesmo problema.)

A Competição de mães/pais nas redes sociais

Também foi abordado neste estudo a influencia das redes sociais na parentalidade.

Segundo os resultados,71% dos pais admite que as redes socais os tornaram mais competitivos em relação a outros pais. 22% afirmaram que a pressão para se ser uma mãe/pai perfeita/o é grande. Que cada  a partir do momento que cada um exibe os seus feitos com os filhos. São bolos e festas de anos megalómanos e quartos de criança que parecem ter saído das revistas. Gurus da parentalidade que nunca deram um grito aos filhos. Amigos da natureza que reciclam, não usam fraldas descartáveis e só dão alimentos bio. Nas redes sociais vale tudo. Aqui é exibida uma parentalidade que raramente corresponde à real.

Desculpa, desculpa, desculpa filho! Milhões de vezes desculpa.

Até diria que nem mereço que me perdoes, porque tu, és tão puro e inocente que nem sentes que precisas me perdoar. Tu és tão incondicional que és meu, com todos os meus defeitos… Ainda assim, quero pedir-te desculpa!

Desculpa por todas as vezes que me pediste colo e eu não to dei. Nada justifica não o dar. Tu não vais ser mimado, não vais ficar mal habituado, e eu nem estou assim tão cansada. A verdade é que um dia muito em breve, já não vais querer o meu colo, e eu vou estar ainda mais arrependida pelas vezes que não to dei.

Desculpa por todas as vezes que te falei mais alto. Pela paciência que me faltou, pelos afazeres que me exacerbaram e que me fizeram falar-te mais alto e de forma impaciente. O certo é que tu recorreste a mim, e eu não te correspondi.

Desculpa pelo cansaço… pela exaustão que às vezes toma conta de mim e que não me deixa acompanhar as tuas correrias, as tuas emoções ou a tua alegria! Nunca deixes de ser assim. Mesmo que a mãe te diga que está cansada, não desistas de mim.

Desculpa por ter que trabalhar. Por te deixar a maior parte do dia com pessoas que não sou eu. Por apenas estar contigo um par de horas por dia. Por não conseguir estar mais tempo contigo e acompanhar mais o menino em que te estás a tornar. Eu prometo que tento, e que estou contigo todos os minutos que consigo.

Desculpa por ter sono quando ao Domingo de manhã queres ir jogar à bola. Por ir muitas vezes ainda meio ensonada e a esfregar os olhos, e muitas vezes tentar dissuadir-te da ideia.

Desculpa por ter muitas coisas para fazer. Roupa, loiça, pó… E ainda que tente sempre fazer disso uma brincadeira, se eu pudesse as nossas brincadeiras seriam sempre outras.

Desculpa filho, se a vida é injusta! Se o mundo não está preparado para me deixar ser completamente tua mãe! Muito disto não é a minha culpa, mas ainda assim, tu és o mais importante da minha vida, e o que lhe dá sentido. E por isso mereces o meu pedido de desculpa, hoje e sempre, mesmo que não o queiras.

Como mãe sinto muitas vezes frustração.

Não apenas quando não consigo acalmar uma birra ou quando não consigo dormir uma noite inteira sem interrupções, mas principalmente quando os meus filhos estão doentes.

Ontem, depois do jantar, dei por mim a caminho do hospital com a minha filha. Outra vez. O costume. Na sala de espera, já cansada, ela deitou-se no meu colo, encostou a cabeça no meu peito e adormeceu. Senti-lhe o cheiro doce dos cabelos, as mãos quentes da febre e, exausta, chorei.

Chorei de cansaço e de frustração.

Na semana passada estiveram os dois doentes (a bem da verdade, ainda não deixaram de estar doentes desde o Outono) e já estou outra vez sentada no frio da sala de espera da urgência pediátrica.

Conheço de cor a tosse, a respiração, com ou sem expectoração, os nomes dos medicamentos, a dosagem, sim, faz essa bomba todos os dias, vamos aumentar a dose, vamos experimentar estes comprimidos, este é de doze em doze horas, os sinais de alarme, sim, eu sei quais são, se não melhorar em dois dias volta cá, então adeus, até daqui a dois dias.

Posso gritar?

Com o tempo vai melhorar, eles vão crescer, vamos ter saudades: todas já ouvimos isto centenas de vezes, mas a verdade é que o aqui e o agora é feito de miúdos doentes o tempo todo e eu garanto que não vou ter saudades. Estou de rastos, pareço um pano velho que agora só serve para secar as bancadas da cozinha, quando os oiço tossir começo imediatamente a tremer, não durmo bem há cem anos, a tensão quer que eu pare para descansar e recuperar forças, mas vivemos num círculo vicioso interminável.

Abracei a minha filha com força, beijei-lhe a testa e limpei as lágrimas. A maior frustração da maternidade é a do colo da mãe não ser capaz de curar tudo.

 

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Olá bebé lindo da mãe!

Quando me leres já não serás um bebé, mas por agora ainda és… e na verdade, para mim, serás sempre o meu bebé!

Completaste 1 ano de vida! E já completaste tanto!

Cresces a cada dia, e constantemente aprendes uma nova gracinha, um novo desafio, uma nova competencia!

Adoro ver-te crescer, mas ao mesmo tempo adorava parar o tempo, porque sei que vou ter saudades!
Vou ter saudades do cheirinho de bebé! Aquele cheirinho inconfundível, e irreproduzível que só mesmo os bebés têm. Um cheirinho delicioso que me sabe a calor, a conforto e a amor.

Vou ter saudades do teu sorriso desdentado! Esse sorriso lindo de onde só espreitam pontinhas de pequenos dentes que já te cresceram, mas que fazem esse sorriso tão inocente e puro

Vou ter saudades da forma como me agarras… Como me agarravas os dedos quando eras mais pequeno, e como me agarras agora a mão, ou os braços, ou quando te empoleiras em mim para te levantares… vou ter saudades desta forma que me agarras…

Vou ter saudades que adormeças no meu colo. Aconchegado, quentinho, confortável… aninhado em mim… sabes que não há encaixe mais perfeito que uma mãe e seu filho… Vai deixar saudades….

Vou ter saudades da forma como ficas surpreendido com a mais pequena coisa… como tudo para ti é novidade, e da forma como me procuras para mostrar o que de novo descobriste!

Vou ter saudades desses passos atabalhoados que dás agora que ainda estás a aprender… São atabalhoados mas tão deliciosos…

Vou ter saudades de ter ver com fralda! Ficas tão giro com essas pernocas gorduchas, e essa fralda que te dá esse ar de bebé.

Vou ter saudades dos teus beijinhos cheios de baba! Os beijinhos babados são mil vezes melhores porque são os primeiros.

Vou ter saudades de todas as primeiras vezes que passamos juntos. Os primeiros passeios, as primeiras comidas, as primeiras gracinhas… deste mundo de primeiras vezes…

Vou ter saudades das gargalhadas de bebé que dás! São tão contagiantes, tão deliciosas…

Vou ter saudades de tantas coisas… vou ter saudades que sejas bebé. Vou ter tantas saudades…

Vou ter saudades que sejas só meu, quando um dia te tornares do mundo, porque para mim, serás sempre o meu bebé. Mas o meu bebé está a crescer… e eu vou ter saudades!

imagem@70tt

 

LER TAMBÉM…

O que os meus filhos irão esquecer

Filhos, cresçam devagarinho!

Um brinde a nós, mães.

 

 

Todos já ouvimos, num ou outro momento, a expressão “ colhes o que semeias ”. É válido para quase tudo da vida, excepção feita às injustiças que por aí se multiplicam.

Se sairmos de casa irritados porque estamos atrasados, teremos muito menos tolerância para a pessoa que parece andar em câmara lenta a atravessar a estrada em frente ao nosso carro, ou àquele carro que não nos deixa entrar na faixa nem por nada.

Também com os filhos, em muitas ocasiões é assim. Somos, em muito, energia. E energia positiva cria energia positiva.

Se estivermos sem paciência, naturalmente os nossos filhos vão sentir isso mesmo e “provocar-nos” mesmo que sem se aperceber.

Se não estamos disponíveis para eles é quase certo que vão chamar a atenção e, maioritariamente, de forma negativa. Sabem que assim olharemos para eles, nos daremos ao trabalho de ir ver o que se passa, chegar perto, falar.

Se acordam mal dispostos da sesta a nossa maior prova de amor é tentar que essa indisposição passe. Brincando, rindo, distraído ou, muitas vezes, dando-lhes espaço para resolverem o que os está a perturbar ou deixá-los recuperar por si mesmos. Se, ao invés disso, nos deixarmos absorver pela má disposição e perdermos nós o bom humor, avizinham-se horas difíceis, em que tudo é uma chatice, em que fazem asneiras atrás de asneiras, em que queremos puxar os cabelos de tão desesperados nos sentimos.

Amor gera amor.

Paz gera paz.

Um sorriso provoca outro sorriso.

Procurarmos estar zen mais vezes traz a paz a nossa casa.

Para a próxima vez que estiver numa altura difícil tente lembrar-se de como gosta que lidem consigo quando se sente frustrado. Ou irritado por qualquer motivo. Aja com os outros e, principalmente com os seus filhos, como gostaria que os outros agissem consigo e com eles na sua ausência.

A serenidade é um estado de alma mas pode ser trabalhado para ser um modo de vida.

Baixe o tom da conversa.

Não se ria das fragilidades do seu filho.

Não o acuse.

Não seja implacável.

Pratique a paz de espírito.

Se lhe passar esta lição hoje, então pode esperar o mesmo tratamento da parte dele.

Agora e no futuro.

Seja o melhor exemplo que ele pode receber – mais tarde orgulhar-se-á da pessoa em que ele se tornou.

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Com três letrinhas apenas nos referimos ao ser mais complexo e completo do Universo.

A mãe consegue rir e chorar ao mesmo tempo devido a uma mesma emoção quando confrontada com uma proeza de um filho.

Só uma mãe entende o risco que é pintar as unhas em casa, à noite, depois de deitar um bebé. Aprendemos a rezar baixinho para que se aguente pelo menos até à segunda camada estar seca – mas não somos tão exigentes que vamos logo pedir que haja espaço temporal para a aplicação do brilho…

A mãe é enciclopédia, motor de busca, banco, amiga, depósito de segredos.

É capaz de fechar os olhos a uma asneira para não dar cabo de uma tarde perfeita. É incapaz de deixar passar uma injustiça.

É leoa, tigre, elefante, galinha – dependendo da ocasião.

É consultora de moda e, se a genética e os gostos assim o permitirem, mais tarde ou mais cedo tem o roupeiro atacado pelas filhas. E olhar crítico dos filhos em relação a uma ou outra roupa.

A mãe inventa histórias, canta canções, reaprende a matéria da escola quantas vezes for preciso.

Preocupa-se com as horas: de deitar, de comer, do banho, mais tarde com as horas de sair, de chegar a casa. Com os amigos, os namorados, os professores.

Só uma mãe acorda a meio da noite a jurar a pés juntos que ouviu um bebé chorar. Mesmo quando o seu dorme como um anjo ou já não é tão bebé assim.

Estranha se tem a casa de banho toda só para si.

Estranha se não a chamam de cinco em cinco minutos.

Estranha se há demasiado silêncio.

Estranha se acorda só com o despertador.

É estranha quando partilha isso com quem não tem filhos.

Compreende melhor, com mais ou menos julgamento, a sua própria mãe.

Lembra-se de todas as datas das etapas importantes, até que estas se misturam e já não sabe dizer com certeza se foi de um filho ou de outro.

Tem a sorte de aprender todos os dias.

Tem a responsabilidade de ensinar todos os dias.

Não pode simplesmente decidir que quer mudar de vida e arriscar. Mas já não faz mal.

Porque as mães gostam de ter raízes.

As que elas próprias plantaram.

As que elas regam diariamente.

As que um dia as regarão a elas.

Ser mãe nunca acaba.

Como o amor de uma mãe por um filho.

 

Feliz Dia da Mãe para todas as mulheres que têm o privilégio de o ser (força e coragem para as que tentam) e para as que têm sorte de ainda a ter – ainda que saibamos que o dia da mãe, esse sim, é todos os dias.

 

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História da receita:

O tempo que temos é curto e passa a correr. A seguinte receita procura devolver alguma normalidade ao caos, lembrar que por muito pouco tempo que se tenha, às vezes temos de o usar melhor. Só saímos a ganhar.

Receita de 60 minutos para ser feliz

Ingredientes (para famílias pequenas ou numerosas):

– Disponibilidade q.b.

– Atenção

– Muito amor

– Sentido de humor moderado

 

Dificuldade: Fácil/Moderada

 

Tempo: Acessível

 

Preparação:

Esta receita está dividida em três partes iguais de vinte minutos. O ideal será que consiga conciliar as três diariamente. A ordem apresentada é apenas uma sugestão.

 

Primeira parte:

Converse com o seu companheiro sobre o seu dia. Nada de televisão ligada, nada de consultar o telemóvel de dois em dois minutos para ver o e-mail, nada de ter o tablet na mão, nada de “deixa cá ver o que é que os miúdos estão a fazer que estão muito calados”, nada de falar sobre problemas. Converse apenas. Partilhe algo engraçado sobre o seu dia. Não se queixe do trabalho nem do tempo que perdeu no trânsito nem a birra que o mais velho fez quando o proibiu de sair com os amigos por causa das notas. Só importam vocês.

Se não tiver companheiro, vale fazer uma vídeo chamada para a amiga que imigrou, ligar à sua mãe (relembre que o tema problemas é proibido), conversar com o seu irmão. O que importa é que fale, converse, partilhe o seu tempo com alguém, alimente as suas relações. Diariamente.

 

 

Segunda parte:

Dedique tempo ao(s) seu(s) filho(s) – Ajude-o a resolver o trabalho de casa, oiça o que ele tem a dizer sobre o seu dia, sobre o que aconteceu com os amigos, deixe-o contar uma piada e ria-se pelo esforço que ele fez (provavelmente inversamente proporcional ao nível da graça), brinque com ele sem ralhar nem lembrar que deixou os legos espalhados, a televisão ligada na sala, demorou imenso tempo no banho ou custou a comer a sopa. Este momento é para ser vivido numa bolha. São vinte minutos de puro amor. Aproveite-os.

 

Terceira parte:

É chegada a altura de se dedicar a si. Não se esqueça que são vinte minutos em que não deve preocupar-se com mais nada.

– Tome um banho demorado sem ser interrompida;

– Veja parte do episódio da série que começou a seguir em 2013 (é muito mais emocionante ver os episódios repartidamente, aumenta o suspense, não é?);

– Pegue no livro que tem na mesa-de-cabeceira e dedique-lhe a sua total atenção;

– Olhe-se ao espelho e veja quem lá está, converse com ela sem críticas;

– Adormeça no sofá sem culpa;

– Passeie com o cão pelas redondezas para fumar aquele cigarro da semana e ver a vista da cidade à noite;

– Todas as anteriores, se for capaz e se for importante para si.

 

Nota:

Para servir basta apenas um sorriso no rosto… E agradecer as coisas boas que tem – de certeza que encontra umas quantas.

Já tem meio caminho andado para ser feliz.

O nosso amor tem espaço para a novidade mas não se importa nada com a mesmice das rotinas.

Surpreende todos os dias porque cresce, aconteça o que acontecer.

É repleto de beijos e abraços, mas sei que nem sempre procurarás o meu colo.

Guardo todos os nossos momentos numa memória que extravasa o disco rígido a que chamamos cérebro porque haverá alturas em que as memórias serão aquilo que nos apaziguará as saudades.

Sinto saudades tuas por mais absurdo que seja e faço-te saber disso.

Não sinto ciúmes e sei que sentes amor por outras pessoas e isso é bom (tão bom!).

Aproveito, mesmo que ensonada, quando é a mim que chamas porque sou eu quem tem a oportunidade de te abraçar a meio da noite e sussurrar-te ao ouvido como és amada.

Zangamo-nos e eu ralho, mas depressa volta tudo ao devido sítio. Não guardamos rancores, só guardamos o que é bom e que nos faz bem.

Limpo as tuas lágrimas e evito que vejas as minhas.

Às vezes surpreendes-me com carinhos que não foram pedidos e esses são os que sabem melhor.

Ensino-te o que sei e deixo-me aprender contigo.

Conversamos e conversamos e conversamos.

Dançamos juntas e cantamos sem música de fundo. (Enquanto não te sentes ridícula a fazê-lo. Comigo).

Conheço todos os teus amigos e eles conhecem-me, como devia ser em todas as relações. Dou-te espaço para que a nossa não interfira na vossa.

Faço-te rir e o teu sentido de humor enche-me o peito.

Passeamos e conhecemos sítios novos.

Não nos cansamos uma da outra.

Tenho orgulho em ti e isso deixa-me sentir também um pouco de orgulho por seres minha filha.

Conhecemos os gestos uma da outra.

Conversamos sem palavras.

Contrario-te. Faço-te crescer. Digo muitas vezes sim mas também digo não.

Porque nunca te vou dar tudo aquilo que queres mas tudo farei para te dar tudo aquilo de que precisas.

É este o nosso amor.

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Dizem que ser mãe muda tudo. Na verdade, a maior parte das coisas à nossa volta permanece exactamente na mesma – nós e a nossa percepção do mundo e da realidade é que mudam.

A maternidade, no fundo, é uma aprendizagem: em relação a nós, à nossa família alargada, à família mais restrita que estamos a criar.

Coisas que uma mãe aprende…

Aprendemos afectos. Os que nos foram negados, os de que nos fomos esquecendo, aqueles que sempre nos rodearam. Tornamo-nos um poço de afeição mais ou menos contida.

A visão dos problemas dá uma cambalhota e aprendemos a dar prioridade ao que realmente importa.

Verbalizamos o amor de outra forma. Vemos o amor de outra forma. Sentimos o amor de outra forma.

Aprendemos a deslocar-nos pela casa totalmente às escuras, como ninjas, em direcção ao berço dos nossos bebés.

Tomamos como adquirido que os «Parabéns» podem ser considerados a canção preferida de uma criança.

Não conseguimos escapar ao facto de que toda a gente (e aqui é mesmo toda a gente, desde a prima em segundo grau que vemos apenas no Natal ao porteiro do prédio) tem uma opinião a dar. E um conselho grátis também.

Sentimos a dor de outra pessoa como se fosse a nossa. Contemos as lágrimas quando há algo que provoca as lágrimas dos nossos filhos, por eles tentamos ser mais fortes… e tentamos mostrar que não faz mal ser também frágeis, de vez em quando.

Aprendemos que é mais importante estar do que ser.

Que gostamos que elogiem os nossos filhos. Que mexe connosco quando são os outros a repreendê-los.

Aprendemos a ser mais ambivalentes. A dormir menos e a fazer mais.

A fazer ginástica mental, financeira, criativa, física.

A brincar como se tivéssemos outra vez três anos.

A ensinar coisas que não nos lembramos de ter aprendido.

A descobrir-nos dentro de quem sempre fomos.

Aprendemos que o tempo é mais valioso que qualquer fortuna do mundo.

Que os tempos mudaram e há muita coisa que não se faz da mesma forma, mas que o amor de mãe nunca muda.

Compreendemos que mesmo que aprendamos tudo temos tudo para aprender.

E ainda bem.

Não estamos sozinhas nesta viagem.

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