A primeira vez que senti culpa ainda estava na maternidade.

Na primeira noite a seguir ao nascimento da minha filha, ainda com o efeito da epidural e de todas as drogas que nos dão a seguir à cesariana, eu dormi cinco horas seguidas e a minha filha, no berço ao lado da minha cama, dormiu também. Eu ia abrindo os olhos, mas a minha força de vontade não era suficiente para me manter acordada. Quando acordei senti-me a pior das mães e ainda só era mãe há menos de vinte e quatro horas.

Na consulta com a pediatra para nos dar alta, fui informada que a minha filha tinha perdido muito peso. Ela não estava a mamar o suficiente e eu não tinha percebido – nem eu nem os enfermeiros. De cada vez que os chamava, porque ela se irritava com a mama ou porque passava horas agarrada a mama, a única coisa que me diziam era que eu tinha imenso leite, para continuar a insistir. E eu insistia, insistia, insistia, mas a miúda estava a chuchar e não a mamar.

Senti-me mais uma vez a pior mãe do mundo. Como é que eu não percebi que ela não estava a mamar? A amamentação não era aquela coisa especial entre mães e filhos? Que raio de mãe eu ia ser? Ao quarto dia toda eu era culpa, olhava para a minha filha minúscula e chorava enquanto lhe dava biberons de leite adaptado para ver se ela ganhava peso.

Ganhou peso, tivemos alta ao final do dia e nos dias seguintes eu passava o tempo a querer pesá-la. Entre a guerra para ela mamar e os biberons de LA, eu quase enlouquecia de culpa. Ao fim de um mês deixei de dar mama e passei exclusivamente para o LA.
A hora do leite deixou de ser uma guerra, ela continuou a ganhar peso e eu deixei de me sentir culpada.

Desde essa altura que tento viver a maternidade sem o peso da culpa. Tento estar sempre consciente que faço o melhor que consigo e que tomo as melhores decisões com as condições que tenho. Não dou importância às opiniões dos outros, as decisões para a nossa vida são tomadas apenas a dois, tento existir para além dos filhos e não os compenso por algum mal imaginário que lhes possa ter infligido.

Os filhos sugam a nossa energia desde o primeiro dia, esgotam-nos física e mentalmente e acrescentar a essa equação a culpa e o sacrifício, é como ter uma bomba relógio pronta a explodir a qualquer momento.

A culpa? Que morra sozinha.

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Carta à minha filha de seis anos

Hoje reparei que estás crescida. Mesmo crescida.

Fui levar-te à escola e de repente apercebi-me que os beijinhos já são às escondidas e apenas a meu pedido.

Desde quando é que não tenho direito a um beijinho?

Fico de coração apertado à medida que cresces, sei que inevitavelmente vai haver um dia em que na pressa da rotina matinal te vais esquecer que o teu beijo me acalma. O teu beijo diz-me “gosto de ti mamã” sempre que te deixo à porta da escola e diz-me “estou feliz por te ver” quando te vou buscar.

Não te esqueças de mim. Cresce, aprende, sê feliz. Serei sempre tua mãe e o meu coração é sempre metade teu e metade da mana. Sempre. Mas não penses que te amo pela metade. Amo-te inteira. No que és e no que serás. Sempre. Fico imensamente feliz porque este ano vais entrar na escola primária e pelo que vejo já estás muito bem adaptada aos teus novos amigos. Vejo em ti um bocadinho de mim mas muito melhor que eu. Procura sempre o teu melhor e aprende a defender-te sem ofender ninguém. Espero poder aprender muito mais contigo (além de tudo o que já aprendi). E espero poder ensinar-te que a grandeza de um amor como o nosso não se mede. Sente-se. Dá-me um beijinho. Só um.

Tu não sabes, mas sinto-te em mim durante todo o dia em que estou longe. Sempre. Mas, ao mesmo tempo quero que possas ser uma menina independente, capaz de ir à cantina, que arruma o seu tabuleiro sozinha e que entre mochilas e lancheiras encontra a sua forma de ser feliz. Todos os dias. Dá-me um beijinho. Tranquiliza-me saber que és feliz na escola, que gostas de aprender e secretamente desejo que sejas a melhor. Sempre. Mas, o mais importante é que sejas feliz. És feliz?

Gostava que pudesses contar-me tudo o que sentes, para que possa sempre ajudar-te mas quis o destino que fosses uma pérola fechada na sua conchinha. Eu também posso ser a tua concha, mas nunca serei o teu cadeado. És livre. Como o meu amor por ti.

Não esperes nunca que alguém possa fazer por ti o que tu própria não fazes. Sabes, meu amor, nós somos o segredo da nossa felicidade. É dentro de nós que encontramos força para darmos um passinho a seguir ao outro, um passinho de tartaruga.

Meu amor, este ano que vais para a escola dos crescidos não te esqueças da mana. Ela tem um orgulho enorme em acompanhar-te no teu caminho, adora que estejas com ela porque na verdade ela sempre olhou para ti como a menina que gostava de ser. Dá-lhe um beijinho também. E estende-lhe sempre a tua mão. Vou confessar-te que gostaria de vos ver percorrer um caminho lado a lado mas sei que nem sempre será possível, no entanto mesmo afastadas quero que se sintam perto do coração uma da outra. (é o meu desejo secreto). Mas o que eu quero, o que eu quero mesmo é que eu seja para ti e para a mana sempre um porto de abrigo, um sítio seguro para estar, sempre que te sentires no meio de uma tempestade, ou numa explosão de emoções que não consegues controlar. Não te deixes afundar, volta para mim. Pegamos no teu livro de receitas do Mickey e fazemos uma pizza. As duas. Dá-me um beijinho, vá lá. Tem um bom dia na escola e diverte-te no recreio.

Aprende a crescer e cresce a ser feliz. Um beijinho (às escondidas dos amigos.)

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Dez coisas que aprendi com a minha filha

Um dia ensino-te…

Olha-me aquela mãe…

… a dar de mamar sem se tapar, sem se ir esconder num canto, que falta de decoro!

… a dar de mamar com o bebé todo tapado, todo abafado, pobre criança!

Olha-me aquela mãe…

… sempre com o bebé ao colo, não o deixa chorar, vai crescer mimado e dependente!

… a deixar o bebé chorar, que horror, vai crescer a sentir que não teve o amor da mãe!

Olha-me aquela mãe…

… a dar banho ao bebé todos os dias, nem deixa a pele repousar!

… a dar banho ao bebé dia sim dia não, que falta de higiene!

Olha-me aquela mãe…

… a deixar a miúda mexer na terra e sujar-se toda, está a crescer sem limites!

… a proibir a miúda de mexer na terra, vai crescer a sentir-se aprisionada!

Olha-me aquela mãe…

… a deixar-se engordar durante a gravidez, está mesmo a desleixar-se!

… a manter-se magra durante a gravidez, o bebé assim não vai crescer!

Olha-me aquela mãe…

… o dia inteiro em casa e tem tudo em pantanas, que preguiçosa!

… tem a casa sempre impecável, não deve ligar nenhuma ao bebé!

Olha-me aquela mãe…

… a escolher pessoas da família para padrinhos, esses já têm o grau de parentesco a uni-los!

… a escolher amigos para padrinhos, a família deve estar sempre em primeiro!

Olha-me aquela mãe…

… a deixar que toda a gente pegue no bebé, de colo em colo, ele assim fica agitado!

… sempre a fugir com o bebé para que ninguém lhe pegue, aposto que vai ser um anti-social!

Olha-me aquela mãe…

… a deixar o bebé dormir na cama dos pais, eles habituam-se e jamais irão para a deles!

… a pôr um bebé tão pequeno no berço, eles precisam tanto de estar em contacto com os pais!

Olha-me aquela mãe…

… a obrigar todos a lavarem as mãos antes de tocarem no bebé, ele assim não ganha defesas!

… a deixar que todos mexam no bebé sem lavarem as mãos, ele assim vai adoecer!

Olha-me aquela mãe…

… vai jantar fora com o marido e deixa o bebé tão pequenino abandonado ao cuidado dos outros!

… sempre fechada em casa, nunca sai para jantar, não larga o bebé, está obcecada!

Olha-me aquela mãe…

… a furar as orelhas do bebé, a sujeitá-lo a tanta dor só por vaidosice!

… a adiar furar as orelhas do bebé, depois custa-lhes mais!

Olha-me aquela mãe…

… sempre a dar a chucha ao bebé, vai ficar com os dentes todos tortos!

… a esconder a chucha do bebé, pobrezinho, não tem com o que se consolar!

Olha-me aquela mãe…

… a falar calmamente com a filha enquanto esta faz uma birra enorme, que crianças tão mimadas!

… a dar uma palmada à filha só porque fez uma birra, não tem paciência nenhuma!

Aos olhos de alguns vais ser sempre “aquela mãe”. Cabe-te decidir se queres ser “aquela mãe” que faz o que os outros acham certo, indo muitas vezes contra o seu instinto e tudo aquilo em que acredita, ou “aquela mãe” que, ainda que sendo criticada, é feliz e faz os seus filhos felizes.

Confia em ti, mesmo que por vezes sintas que estás a fazer asneira.
Tu és capaz, não vais acertar à primeira, por vezes nem à terceira. Com o tempo vais perceber o que resulta com vocês, quais são as opiniões que vale a pena escutar e aproveitar e quais as que devem ser recebidas a sorrir e acenar (como os pinguins do Madagáscar) enquanto por dentro mandas a pessoa ir comer um peixe balão mal confeccionado. Independentemente do caminho que escolhes seguir, do tipo de práticas parentais com que te identificas, jamais serás compreendida por todos. O que uns aplaudem, outros apupam; não faz mal que assim seja, os únicos aplausos de que precisas são os dos teus filhos, aqueles que se traduzem em sorrisos e gestos de amor e te ecoam na cabeça quando à noite a pousas na almofada.

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Cada vez mais fartinha de Mães

Carta às mães mais que perfeitas.

Larguem as mães!

 

Calma! Calma mães desesperadas, sonolentas, com roupas manchadas de leite e sabe-se lá mais o quê… Calma, mulheres que não vêm um rimel há mais de 6 meses e já desistiram daqueles jeans justos que antes ficavam tão bem… Não se zanguem, mães cansadas de arrumar uma casa onde mais parece que vivem 15 do que 3, e que já não sabem o que mais inventar para fazer uma sopa “diferente”…

Eu sou como vocês! Eu estou como vocês! Estamos todas assim!

Antes que se revoltem comigo por dizer que ser mãe é fácil, deixem-me explicar:

Antes do meu filho nascer tinha medo… Tinha muito medo… E se eu não soubesse cuidar de um bebé?! E como é que se fazia a alimentação dele? E se ele ficasse doente?! E se não fosse boa mãe?! 
Depois, entrei em “modo automático”! Nada do que eu fazia era consciente ou propositado, era puro instinto… Como se estivesse fora do meu corpo sem ter a verdadeira noção das minhas acções… Quase como um sonho, mas sempre com um diabinho na minha cabeça a dizer tudo o que EU TENHO QUE fazer… TENS QUE fazer isto, TENS QUE fazer aquilo… Raio do bicho..

Com o tempo percebi que eu não “TINHA QUE” nada! Nem tinha, nem tenho! Porque ser mãe é tão fácil…

Há alturas complicadas. Há momentos difíceis.Há o cansaço, o não saber o que fazer. A pressa de voltar ao que a vida era (sem ainda sonhar que nunca mais será igual), a necessidade de voltar a sentir outras coisas (sair daquele modo automático que falei mais acima)… É duro! É o papel mais duro nas nossas vidas. Mas é também o mais gratificante e aquele que mais nos preenche! Os momentos bons são muitos mais e sobrepõem-se claramente às dificuldades, e um abraço daqueles pequenos seres cura todos os males do mundo! É mágico…

E na verdade ser mãe é tão fácil… Porque não precisamos de nada. O que faz de nós boas mães está em nós. Cresce em nós, tal como eles!
Porque instintivamente vamos saber como cuidar deles. Vamos saber dar-lhes o que eles precisam, vamos curar todos os males com colo, mimo e abraços… É natural, é instintivo… É algo que vive em nós e que não sabemos até sermos mães… É difícil de explicar, mas na realidade, ser mãe é tão fácil quanto dar um abraço. Porque um abraço entre mãe e filho é o momento mais sereno que há! É onde tudo é certo, tudo é bom, tudo é feliz!
E se o que queremos é que sejam felizes, é tão simples quanto isso. Basta amá-los e o resto acontece!  Porque quando se ama, não é preciso mais nada!

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Será que sou má mãe?

Eu não sou uma mãe perfeita, sou uma mãe perfeitamente real

O mais difícil de ser mãe, é aceitar que o somos

 

Ser mãe muda-nos muito, demais. Após seres mãe nunca mais serás a mesma pessoa porque vais descobrir inúmeras coisas que nunca imaginarias, tais como:

  • Vais ter um pequeno ser que mora na tua cabeça, que te vai fazer imaginar, “se o teu filho estiver em perigo”, “se ele caiu”, “se ele está a chorar”, “se lhe acontece alguma coisa”… “Se”, “Se” ,“Se”… Algumas de nós sofrem mais com esta preocupação que outras, mas a preocupação mora em todas. Estaremos preocupadas o resto das nossas vidas! Não passa quando crescem, não passa nunca mais!
  •  Vais descobrir o maravilhoso que é ver alguém a dormir. E isto dito assim, parece tão interessante como ver tinta a secar. Mas não… É muito mais interessante quando vês o ser que tu geraste, que tu criaste, que tu ajudaste a crescer… Mesmo que ele esteja só a dormir, é delicioso simplesmente olhar para eles!
  •  Vais sentir montes de coisas. Tal como a preocupação que vai deixar-te corroída, também o orgulho vai parecer querer sair de dentro do teu peito. As emoções, tornam-se todas mais fortes, mais intensas, e cada pequeno momento, torna-se gigante!
  •  Vais chorar como nunca! De cansaço, de frustração, de alegria… Vais chorar porque eles ficam doentes e não podes fazer nada… Vais chorar porque estás cansada e sentes o mundo a descambar, e vais chorar por cada conquista deles, cada passo de aprendizagem, porque és uma mãe orgulhosa. Os teus olhos vão ser autênticas cascatas!
  •  Vais ter uma enorme luta interior. Vais ter que te convencer todos os dias que não os podes proteger de tudo! Não os podes proteger do mundo. Eles vão cair, vão-se magoar, vão sofrer e tu não podes fazer nada contra isso… Vais ter que aprender a engolir tudo isso.
  •  Vais olhar para os “outras pessoas”, de outra forma! As pessoas “más” passarão a ter maior impacto em ti. Se por um lado não queres que o teu filho seja vítima de um ladrão, de uma pessoa violenta, ou de um criminoso qualquer, por outro também vais desejar intensamente que ele não se torne num deles.
  •  Vais perceber que o amor dói! Vais saber na verdade que nunca amaste até agora, e que amar é tão intenso que pode mesmo doer e fazer-nos chorar… É como se o coração nos quisesse sair do peito. Literalmente!
  •  Vais sentir culpa. Muita culpa. Ou porque não deste colo, ou porque mimaste demais. Ou porque decidiste ficar em casa, ou porque tens que ir trabalhar. Ou porque amamentaste mais tempo que a maioria, ou porque não conseguiste amamentar. A culpa vai seguir-te, e é impossível não a sentir!
  •  Vais compreender as mães. Vai existir algo que vos liga, e que vos une! E vão sentir uma enorme cumplicidade. Mesmo as amigas “Mães virtuais” vão ser tão especiais para ti, como se as conhecesses desde sempre. Vais saber pela primeira vez, o que na verdade significa estar em segundo lugar. MESMO! E não te vais importar nem um bocadinho com isso… Estarás sempre em segundo lugar, e com orgulho!
  •  Vais perceber que afinal, o que mais importa no mundo, está a dormir no quarto ao lado!

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A minha maternidade não é igual à tua

Eu não sou uma mãe perfeita, sou uma mãe perfeitamente real

Ser mãe põe fim à dependência da opinião alheia

 

Meu amor,

Ainda não completaste três anos e já dizes coisas que eu jamais seria capaz de te dizer.

Muitas vezes, nos últimos tempos, ao seres contrariada viras costas, fazes beicinho enquanto cruzas os braços e te afastas ao som de um já não sou mais tua amiga!.

Deixo-te estar, dou-te espaço para lidares com a tua frustração e quando sinto ser hora disso falo contigo. Explico-te que isso de sermos amigos é muito mais do que termos alguém que nos faz a vontade a toda a hora.

Um amigo, como irás concluir, mais tarde ou mais cedo na tua vida, é uma pessoa que gosta de ti como és. Que pode até tentar ajudar-te a seres melhor, mas aceita os teus defeitos. Mas isso não significa que gosta de tudo o que és e que por ser teu amigo tem de aturar as tuas piores características como um mártir.

Um amigo diz-te a verdade, mas só quando és capaz de a ouvir. Sabe que há momentos em que não vale a pena que se una uma frente fria, que achamos que nada nos vai derrubar. Nem a mais pura das verdades. Um amigo sabe respeitar os ritmos, os tempos, e no que toca à verdade isso conta e muito.

Um amigo conhece-te como ninguém, lembra-se de ti nos momentos mais inusitados mas não tem de te ligar todos os dias para provar como és importante para ele.

Um amigo está lá sempre que precisas, mas não podes exigir que coloque a sua vida em pausa e venha a correr só porque sentes o teu mundo desabar. Haverá alturas em que isso é possível e outras em que não dá. Terás de aprender a aceitar as duas com igual reconhecimento.

Um amigo é alguém em quem confias, mas também te pode deixar mal, mesmo que sem essa intenção.

Um amigo é, afinal de contas, humano.

Lembra-te que também tu, para alguém, serás esse amigo. E esperas que tenha a mesma consideração, a mesma paciência, o mesmo amor que exiges quando estás do outro lado.

A amizade és dos laços mais importantes que vais desenvolver. Vais ter amigos na família, na escola, no trabalho, no sítio onde passas férias, no clube onde fazes desporto.

Vais fazer muitos amigos e manter apenas alguns.

Faz com que aqueles que manténs do teu lado sejam bons. Te façam bem. E sê boa para eles. Faz-lhes bem também porque as relações são feitas de dar e receber.

Quanto a mim, por mais que faças, nunca te virarei costas dizendo que já não sou tua amiga.

Teremos os nossos conflitos e teremos de aprender a ser suficientemente amigas uma da outra para não deixar que destruam o que de melhor temos: o nosso amor.

Conta com isso.

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Ama os teus filhos todos os dias

Todos os pais amam os seus filhos à sua maneira. Todos eles se questionam se o estão a fazer da forma correta. Será que existe uma fórmula, uma dose correta de amor que devemos dar aos nossos filhos? Não existe nenhuma fórmula nem dose correta. Nunca criança alguma ficou doente ou morreu por excesso de amor.

Os pais apaixonam-se pelo filho no momento em que o idealizam, em que sonham com ele. Esse amor vai crescendo, conforme a gravidez avança. Após o nascimento, quando conhecem o rosto, quando pegam no seu filho parece que este amor, que já era tão grande, ainda fica maior. Com o choro do bebé chegam as primeiras angústias, pois os pais ainda não conhecem bem esta linguagem, não sabem o que fazer. Questionam o que estão a fazer bem e o que estão a fazer mal. Não fique preso ao que lhe dizem ser o correto, simplesmente, siga o seu coração e ame o seu filho. Não o deixe chorar para “ele aprender”, pois nos primeiros meses os pais são os que dão voz ao que ele precisa. O bebé por vezes chora só porque não quer estar sozinho, quem gosta de estar sozinho? Afinal ele passou 9 meses sempre acompanhado… E amar o seu filho não quer dizer que tem de fazer tudo perfeito. Esse desejo da perfeição poderá levar a estados de ansiedade, que poderá passar para ele e para a vossa relação. Como Winnicot refere, uma mãe tem de ser apenas suficientemente boa.

A mãe suficientemente boa e que ama o seu filho, sabe que amar também é saber dizer não. Mas amar é acalmar as birras do seu filho, aceitar as asneiras e os seus erros. Não é dar tudo o que o ele quer, é não dizer sim a tudo o que ele diz ou pede. Amar é estar sempre ao seu lado e aceitá-lo, é abraça-lo e dizer-lhe todos os dias o quanto o ama. Os filhos aprendem mais com amor do que com castigos. Um abraço, uma conversa, um “amo-te meu filho” é muito do que precisa para crescer. A coisa mais importante, o “brinquedo” mais importante para as crianças é o tempo que os seus pais passam com elas a brincar. Não há brinquedo nenhum no mundo que uma criança pequena trocasse por brincadeira com os pais.

Amar é também aceitar que o seu filho é um ser que tem de crescer e voar, é deixa-lo crescer, por muito difícil que seja aceitar que ele já não precisa “tanto” de si. Porque lá no fundo os filhos precisam sempre dos pais, eles são sempre os seus portos de abrigos.

Ama os teus filhos todos os dias.

Por Joana Duarte, psicóloga

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Eu olho para ti e sinto que te devo um pedido de desculpas. Os pais estão cansados, caso não te tenhas apercebido.

Os teus irmãos mais velhos sugaram-nos a energia toda, e tu acabaste por ficar por tua conta. Não sabes, mas em tempos nós éramos rigorosos com as rotinas de sono, não permitíamos que fast food fosse uma opção alternativa de jantar e censurávamos os canais de televisão que não considerávamos apropriados para as idades dos teus irmãos. Não sabes o que perdeste, porque esses pais desapareceram há dois filhos atrás.

Tu andas a reboque dos teus irmãos. Eles muitas vezes ficam acordados até mais tarde, e tu também. Quando te vi ferrado no sofá, ontem às 10h da noite, com o Star Wars a passar em plano de fundo, fez-me parar para pensar… Não deverias estar na cama? Mas infelizmente nós estávamos cansados de mais para te levar. Em vez disso, aconcheguei-me contigo, abracei-te e fiquei a admirar as tuas pestanas. Eu sei que tens 5 anos, e deixei de fazer isso com os teus irmãos quando tinha dois anos, por isso, desculpa-me. Eu simplesmente não consigo parar de ver-te como o meu bebé e manter-te assim enquanto posso. Parecias estar ali bem, até que o pai te levou ao colo para uma breve passagem pela a tua cama, até que acordaste e foste para a nossa.

Desculpa por andares sempre com uma comitiva a proteger-te em cada movimento. Eu sei que os teus irmãos só me tiveram a mim e ao pai a dizer-lhes o que fazer, mas tu tens-nos a nós e a eles. Deve ser frustrante receber ordens de 6 pessoas, digo eu. Todos querem estar contigo, o irmão bebé, a toda a hora.

Mal tocaste com os pés no chão até aos dois anos, de tanto que andavas de colo em colo. E agora tens sempre alguém a querer dar-te a mão, ou um abraço, ou a ajudar-te a chegar às guloseimas que escondi no topo do frigorífico. Uma das tuas primeiras frases foi “Tanto amor”, e nós sabemos que é verdade. O que faz uma criança com tanto amor?

Desculpa-me pelas roupas que tens. Enquanto os teus irmãos tiveram outfits completos tu tem uma pilha enorme de coisas para escolher. Metade herdaste, metade trouxe das promoções do outlet quase sem escolher. Também tens lá disfarces de Carnaval à mistura. E para ajudar à festa, normalmente estou cansada de mais para te mudar de roupa quando vestes o equipamento de futebol para ir para o colégio, e deixo-te ir assim.

Tens sempre tantos ajudantes para te calçar, que ainda não o fazes sozinho. Estamos a trabalhar nisso, mas agora eu sei que a maternidade não é nenhuma corrida, por isso terás o teu tempo. Não me preocupa quando irás aprender a apertar os atacadores, desde que o saibas fazer antes de saires de casa para não andares a pedir aos colegas na faculdade. Normalmente sentes-te bastante feliz com as roupas que escolhes, especialmente quando vestes o fato de Willy Wonka que a tua irmã te ofereceu no Natal, por isso às tantas o teu vestuário é uma vitória minha.

Peço desculpa por saberes falas de filmes e séries que não são para a tua idade. E que tenhas um episódio favorito no “The Office”.  Provavelmente deixámos de controlar o que vês e o que ouves. Na verdade estás a ser criado como uma criança dos anos 80: nós assistíamos às novelas com as nossas mães, se calhar posso criar aqui um movimento “retro-parenting”.

Já te foi mostrado muito mais do mundo do que à tua irmã mais velha quando tinha 5 anos. Para compensar, acabas por ser o miúdo mais “à frente” na mesa de almoço, ao contrário da tua irmã que só percebeu quem eram os Kardashian quando o reality show estava na 7ª temporada. Peço desculpa por estar tão empenhada e preocupada com a educação dos teus irmãos mais velhos, e nem me ter apercebido que quem iria acabar por ser chamado ao gabinete do director da escola eras tu. Prometo ir lá arcar com as culpas.

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Tu és a última carruagem deste comboio, o nosso último filho, o nosso “grand finale”. E a boa notícia é que a única coisa que nunca te faltou foi amor. Aprendemos muito com os filhos que vieram antes sobre o quão rápido tudo passa, sobre a velocidade em que irás crescer e o quanto temos de aproveitar todos e cada um dos momentos contigo. Quanto te abraçamos com força, te deixamos que ainda sejas o nosso bebé e te sufocamos, sabes que é por te porque te amamos mais do que o coração aguenta.

Crescerás rodeado de amor, e esperemos que comer fast food mais vezes do que deverias, ver TV sem limites e deitares-te a horas completamente impróprias para a tua idade não deixem cicatrizes que não possam ser suavizadas pelo facto de seres o nosso último filho, o último grande amor das nossas vidas.

Dos teus pais exaustos, mas que muito te amam.

Por Amy Betters-Midtvedt, publicado em Scary Mommy, traduzido e adaptado por Up To Kids®

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Comecei a seguir um grupo sobre Parentalidade Minimalista, onde esperava encontrar tópicos tais como ensinar gratidão ao filhos, contornar o consumismo desde antes de eles nascerem, ou até sobre manter a casa mais “clean”! E havia de facto muitas sugestões sobre brinquedos rotativos dentro e fora do parque, comprar roupas e equipamentos da moda, ou até pedir aos familiares que contribuam para as suas contas bancárias nos aniversários em vez de oferecer mais brinquedos de plástico.

Mas depois comecei a aperceber-me que, tal como em todas as discussões que envolvem a maternidade, havia uma estranha presunção e critica nas respostas quando alguém perguntou:

“Quais os itens de bebé que realmente não são necessários para um bebé?”

“Um contentor de fraldas.” – Verdade, as recargas são caras e um caixote normal com sacos individuais resolve perfeitamente a questão.

“Fraldário” – Claro que podemos mudar as fraldas no chão, em cima da cama, numa cómoda, ou até no carro se for preciso.

“Roupas novas”. – Definitivamente. Os bebés crescem tão rápido e babam-se tanto obrigando a ter várias mudas, que faz todo o sentido que se poupe o máximo na compra das roupas.

Um berço. Nós somos apologistas do co-sleeping porque amamos o nosso filho.” Hummm, pois, eu também amo os meu filho, mas o co-sleeping não funciona connosco. Passamos a dormir todos melhor quando o mudamos para o seu quarto.

“Não precisas de um carrinho de bebé para nada. Nós usamos panos para a levar para todo o lado.” Pois, com o problema de costas que tenho, isso não é opção. E o nosso filho independente nunca gostou de ser embrulhado.

Um parque. Um baloiço. Uma cadeira Bumbo. Estas coisas não são mesmo necessárias para o teu filho.  Isso é o que a industria de artigos de puericultura quer que tu acredites. Tu deves ter sempre o teu filho contigo para que crie um vínculo afetivo e de segurança contigo” – Então quando é que eu devo/posso tomar banho? Ou comer? Ou ensiná-los que “a mãe já volta?

“Comida embalada para bebés. Faz um horta. Cultiva os teus próprios alimentos e faz as papas todas do teu bebé.” Eu tentei fazer a comida do meu bebé e ele sempre recusou. Preferiu embalada. Não fiz disso um campo de batalha.

“Mamas, tudo o que eles precisam é de mamar!” – Ok. Isso não é verdade de todo.

“Fraldas. Mesmo as fraldas de pano gastam muitos recursos a ser lavadas. Usa folhas de milho e começa o desfralde a partir do 1º dia”

(Ok. Este último é basicamente um exagero.)

Vindo de um grupo de pais criado para apoiar as famílias nas suas escolhas fugindo dos julgamentos alheios de outros mais fundamentalistas, senti que aqui não se podia perguntar nada sem que os restantes elementos impusessem as suas crenças como único caminho. Suponho que este tipo de insularidade e auto-congratulação aconteça em qualquer grupo de pessoas que se reúnam em torno de um interesse comum ou conjunto de crenças, por isso não vou estar aqui a atirar pedras aos telhados alheios.

Mas pergunto: quando é que o minimalismo e o anti-consumismo se tornaram um estatuto? E não estamos aqui a perder o fulcro da questão?

Calma.

Se sentes que precisas de pôr o teu bebé num baloiço para que adormeça, ou para poderes tomar um banho, ou até para não dares em louca, está tudo bem.

Se não quiseres amamentar de todo, ou se estás doente até à morte de tirar leite com a bomba no emprego, ou com dores horrorosas para conseguires tirar mais uma dose e escolheres dar suplemento, ele vai ficar bem.

Se precisas de ensinar o teu bebé a adormecer sozinho para que pares de te levantar várias vezes à noite e te sentires um ser humano funcional novamente, mesmo que ele chora um bocadinho (ou muito), ele vai ficar bem.

Se precisares de comprar uma bugiganga qualquer no supermercado para que esteja entretido as duas horas que lá estás enfiada, está tudo bem.

Se precisas de roupa do tamanho acima para o teu filho e tens um cartão presente de uma loja não-orgânica, não-bio, não-sustentável, não-zen e decides encomendar on-line, queimar algum combustível fóssil para que te entreguem em casa em vez de arrastares o teu circo para a loja de segunda mão, está tudo bem.

A industria fomenta o consumismo de artigos completamente desnecessários para os bebés? Provavelmente. Eu tento comprar em segunda mãe, e comprar o menos possível, obviamente. E acredito que todos nós poderíamos consumir (muito) menos e sermos mais conscientes do custo dos artigos de conveniência. Pratico o que prego todos os dias? Oh…!

Mas podemos de parar de agir como se a parentalidade tivesse de ser obrigatoriamente difícil para ser “real” ou “verdadeira”?

Usar um carrinho de bebé não me torna numa capitalista, vendida e sem consciência. O suplemento criado especificamente para bebés não é um veneno. A amamentação até pode ser melhor, mas dar suplemento não faz de mim uma zombie deprimida e capitalista.

Antes de me ter tornado mãe, há um ano atrás, eu disse a mim mesma que nenhuma decisão ou princípio relacionado com a maternidade me ia pôr louca (ou à minha família). E sai-me bem nesta decisão – não brilhante, mas tem corrido bem. Eu estava muito determinada em amamentar exclusivamente, mas sabes que mais? Foi uma experiencia traumatizante e negativa para mim. Fraldas de pano? Neste momento durmo descansada porque lhe posso por uma fralda descartável a noite toda e ele não acorda todo molhado e irritado desnecessariamente.

Fraldas descartáveis e muitas outras coisas que usamos para os nossos filhos, até podem ser um luxo, e sermos gratos ou negarmos o custo ambiental e humano da sua produção não os torna menos luxosos.

Mas sabes de que é que o teu bebé não precisa mesmo? Que te partas toda (mais ainda) para o criares. Por isso vá lá, arranja um aquecedor de biberões se o teu filho só bebe leite quente. Ou habitua-o a beber frio. De qualquer das formas ele vai ficar bem, e tu também.

Por Jennifer Fultz, publicado em Scary Mommy

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Quando um bebé nasce, nasce também uma mãe.

Uma mãe que não sabia que brevemente iria deixar de fazer refeições quentes, deixar de dormir até tarde aos fins-de-semana e que não fazia ideia que seria possível amar tanto alguém tão pequenino.

A nova mãe começa então a descobrir novos sentimentos, medos nunca sentidos, emoções que não consegue descrever por palavras.

A verdade é que esta mãe vem tão mal preparada para lidar com as mudanças que é perfeitamente normal que comecem a surgir dúvidas que, quando prolongadas, poderão criar inseguranças e fragilidades.

Quando fui mãe a primeira vez, há cerca de 11 anos, devorei todos os livros sobre o pós-parto, maternidade, e o desenvolvimento do bebé mês a mês, mas mesmo assim, muitas vezes me senti perdida. Há sempre pequenas coisas que não vêm escritas em lado nenhum. Quer sobre a amamentação, sobre o nosso corpo, sobre o que sentimos em relação ao bebé e em relação a nós próprias, agora mães.

Ontem estive presente num evento da Bayer, onde apresentaram uma nova plataforma que foi lançada com o apoio de Bepanthene Pomada e que esclarece tudo sobre esta nova fase da vida (Eu já tinha andado lá a cuscar). O nome é o mais apropriado possível, Décimo Mês. O décimo mês da mãe começa no dia em que o bebé nasce. Este dia representa o fim da gravidez e o início de duas vidas novas.

A frase que me ficou na cabeça na apresentação desta plataforma foi:

“Quando nasce um bebé, nasce também uma nova mulher”

Ena. É mesmo isto. Além de ter nascido uma mãe, nós tornámo-nos numa nova mulher.

Nasce uma “mãe” apenas no nosso primeiro filho ou gravidez porque a partir daí passamos a
sê-lo todos os dias até ao nosso último sopro.

Mas esta nova mulher nasce em cada gravidez. Em cada filho que temos sofremos novas transformações tanto físicas como psicológicas: mais responsabilidades, mais experiência, mais encargos, mais estrias, mais barriga, menos cabelo, menos horas de sono. Tudo isto nos transforma.

Quantas vezes nos perguntam num pós parto como é que estamos? Como é que nos sentimos? Como é que estamos a lidar com esta nova mulher?

O mais comum é perguntarem se o parto correu bem, se o bebé mama, se fez cocó, e se dorme à noite. E nós?

Nós, sem nos apercebermos, também só temos olhos para o bebé.

Acho interessante pensar sobre o princípio das instruções de segurança dos aviões: em caso de emergência devemos sempre colocar as máscaras de oxigénio primeiro em nós próprias, e só depois nos filhos. A razão é óbvia mas vai contra tudo aquilo que instintivamente uma mãe faz.

Uma mãe pensa sempre em primeiro lugar no filho deixando as suas necessidades, medos e inseguranças muito bem guardadas. Por isso é que as mães são fortes. Não por não terem medo mas por terem a capacidade de enfrentar e aguentar tudo em prol dos filhos.

O problema é quando as recém-mães não estão num caminho seguro de recuperação.

O Décimo Mês acredita que que só quando a mãe tem todo o apoio que precisa é que consegue verdadeiramente tornar-se a mãe que deseja ser.

Por isso, esta plataforma foi pensada e criada para ajudar todas estas novas mulheres a encontrarem o seu equilíbrio durante as primeiras semanas e meses que sucedem ao nascimento do bebé.

Neste espaço podemos encontrar artigos divididos por 5 categorias distintas, direcionadas não só às necessidades do bebé, mas também às da mãe e mulher – Recuperação e Saúde, Bem-estar Emocional, Uma Nova Realidade, O Seu Corpo no Pós-parto e Relacionamentos e Amor.

São artigos escritos de mãe para mãe e revistos por um painel médico de aconselhamento que garante que toda a informação transmitida é especializada e não relatos infundados de experiências caso a caso.

Eu, enquanto mãe de 4 filhos, só tenho pena que esta plataforma não tenha sido pensada mais cedo (tipo quando eu comecei a ter filhos) porque, de facto, é um útil e completo suporte para todas as mães!