O título é divertido e não se fala noutra coisa entre a gente miúda e mesmo a graúda, senão no filme que estreou há poucos dias no cinema: “Inside Out” ou “Divertida Mente”, o qual aconselho vivamente, enquanto psicóloga e mãe.

E este filme foi o mote para o fluir dos seguintes pensamentos…

A alegria, o medo, a tristeza, a raiva, a repulsa…tantos sentimentos que coexistem dentro de uma pessoa.

Chegamos ao mundo equipados com esta bagagem sentimental e depois vamos desenvolvendo cada uma destas emoções à medida que vamos crescendo, vivendo…e sentindo, sempre em relação e como reacção ao que nos rodeia.

E valeu a pena…sair do casulo, do ventre da mãe, onde protegidos já sentíamos tanta coisa, para um mundo nem sempre bom, nem sempre agradável, nem sempre acolhedor ou cuidador, mas só pela oportunidade de sentir tudo, o bom e o menos bom, pela oportunidade de viver e podermos criar vida, só por isso, já valeu a pena!.. Pela oportunidade de amar e ser amado…claro que vale a pena!..

Viver é um desafio diário, que tem tanto de belo como de assustador. Mas vale pela viagem, pelo caminho que vamos fazendo e pelos sentimentos que vamos experienciando ao longo do mesmo.

Se ficarmos tolhidos pelo medo, não fazemos a viagem, ou pior, a viagem acontece mas nós não embarcámos.

As crianças devem brincar muito, tudo o que puderem, e ter o máximo de experiências, enriquecedoras e desafiantes, usufruir em pleno da felicidade de estar vivo, sem que lhes sejam incutidas demasiadas regras ou limites ou metas. Atenção, regras têm sempre que existir, mas sempre na medida certa!.

É importante ensinar a pensar mas é muito mais importante deixar espaço para o sentir. As crianças devem ser educadas para o Ser e não tanto para o Ter. É tão mais importante ser…e só se consegue ser um bom ser humano (interessante escolha de palavras) se formos sentindo desde crianças todas estas emoções, de forma espontânea e livre…o medo, a alegria, a raiva, a inveja, o ciúme, a ansiedade, o amor. Todas estas emoções têm de ser vividas desde cedo e só assim um adulto se pode considerar preparado (e mesmo assim nunca por completo) para fazer face às exigências diárias da vida.

A exploração, a conquista, o desafio e a aventura, é isso que torna a infância tão especial, exactamente porque nessa fase da vida tudo se pode (e tudo se deve) e como tal é nessa fase que devemos ser confrontados com todas estas emoções e aprender a lidar e a gerir as mesmas, ou criar defesas.

E claro, que mesmo assim, nunca estaremos preparados, nada na vida é linear e somos seres incompletos e imperfeitos, mas pelo menos devemos disso ter consciência, devemos confrontar-nos com a nossa humanidade. Ser humano implica falhar, errar, levantar e tentar de novo. Tomar consciência da nossa pequenez face ao universo e saber que falharemos mas que não deixaremos de nos levantar (para possivelmente falhar de novo), isso sim é aceitar o desafio de viver.

Só temos uma vida, pelo menos é o que se diz, por isso ponham tudo o que são em tudo o que fazem. Façam uso do coração…que é o músculo que carece de mais exercício…sintam e procurem incansavelmente atingir a felicidade…e sejam felizes pelo caminho…

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=3c4NORepKt4]

 

Quando as emoções dos nossos filhos movem o nosso mundo

Ser pai é uma tarefa árdua.

Os nossos filhos, especialmente os mais pequenos, têm vários momentos em que nos tiram do sério.

Seja tolerante consigo, mas quando se sentir tranquilo e livre de stress, aproveite para “treinar” as emoções do seu filho. Futuramente, haverá menos explosões de emoções e o seu filho tornar-se-á mais competente em diferentes áreas.

O que poderá fazer para ser um “Treinador” de Emoções:

1º Reconhecer Emoções
Isto de reconhecer emoções pode ser difícil, no entanto, é essencial que consiga reconhecer as suas e as do seu filho, quer sejam estas mais ou menos intensas.

2º Oportunidade de Intimidade e de Aprendizagem
Depois de reconhecer as emoções temos a porta aberta para a aprendizagem dos miúdos e ainda, para ficarmos mais próximos deles.

3º Empatizar e Validar a Emoção
O seu filho precisa de se sentir compreendido e orientado por si, visto isso, terá apenas de mostrar que percebe o que ele está a sentir e respeitar a emoção presente.

4º Ajudar a dar nomes às Emoções
Como o seu filho ainda é pequeno, é absolutamente natural que ainda tenha dificuldade em saber o que está a sentir, sendo assim, precisa de si para aprender o nome da emoção, para que seja possível, posteriormente, compreender e dar sentido a estas emoções.

Eis as sete emoções fundamentais – alegria, surpresa, medo, tristeza, raiva, nojo e desprezo

5º Manter os Limites e ajudar na Resolução de Problemas
Finalmente, é preciso que o seu filho saiba quem é o pai, e que apesar de o compreender e de o ajudar a lidar com as emoções, é você quem manda e tem a última palavra. Você está a ajudar o seu filho a lidar com o que sente, o que não implica que lhe fará as vontades. Para além disso, poderá sugerir formas de resolver o problema, ou formas de lidar com a frustração que ele possa estar a sentir num dado momento.

Para que possa compreender melhor deixo uma situação exemplo:

O Henrique tem 8 anos e faz birra quando o irmão mais novo lhe tira o brinquedo com que estava a brincar.

Resposta mais frequente de um pai:
Dá o brinquedo ao teu irmão e pára de chorar. Agora é a vez dele brincar

O que nós sugerimos:
“Eu sei que estás com raiva porque o teu irmão te tirou o brinquedo. Sei que gostas muito de brincar com ele, mas agora quero que o emprestes ao teu irmão porque é a vez de ele brincar”

Em suma, o que se pretende é que você possa ser o treinador das emoções do seu filho, dando-lhes a possibilidade de aprender a dar nomes as emoções e a lidar com elas. Com o treino o seu filho será capaz de enfrentar as dificuldades e problemas da vida de forma eficaz e criativa porque com esta abordagem ele aprenderá que as emoções não são perigosas, que o seu pai é capaz de aceitar as emoções mais difíceis e que está presente para o ajudar a lidar com elas.

Resultados evidentes do treino das emoções dos nossos filhos

Com o tempo, o seu filho tornar-se-á mais calmo e fará menos birras, uma vez que o ensinou a lidar com as emoções que tem dentro dele. Finalmente, futuramente, o seu filho será também mais capaz em todas as adversidades que possam surgir, sendo por isso uma criança mais saudável (ex: terá melhores notas e não irá desistir se tirar uma negativa num teste; saberá resolver problemas com amigos ou colegas; será um adolescente capaz de tomar decisões mais acertadas).

Sei que pode parecer difícil, e que por vezes as emoções são assustadoras até para os adultos, no entanto, são elas que abrem espaço a uma oportunidade de crescimento, tanto sua, como do seu filho. Terá apenas de relaxar, aceitar e abraçar a oportunidade de ser o treinador de emoções do seu filho.

Divirta-se!

 

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Estamos a criar crianças gentis?

Richard Weissbourd, psicólogo pós-graduado em educação, em Harvard, dirige o projeto  Making Caring Common. Este projeto visa reforçar as capacidades dos pais, escolas e membros da comunidade para desenvolver crianças gentis e bem formadas. Ou seja pretende ajudar-nos a ensinar os nossos filhos a preocuparem-se mais com o mundo e com as pessoas que os rodeiam.

Foi feito um inquérito a jovens, em que 80% dos mesmos referiam que os pais estavam mais preocupados com a sua realização ou felicidade do que com o facto de eles se preocuparem com terceiros. “Os meus pais ficam mais orgulhoso se eu tirar boas notas, do que se eu for um membro da comunidade solidária em sala de aula e/ou na escola.”

Weissbourd e a sua equipa desenvolveram algumas teorias sobre como criar os filhos de forma a se tornarem adultos atenciosos, respeitosos e responsáveis.

Por que é que isso é importante?

Porque se queremos que os nossos filhos sejam pessoas éticas, temos que, criá-los dessa forma. É importante criar crianças gentis para que o espírito de cooperação e interajuda não se perca, nos mais novos.

“As crianças não nascem simplesmente boas ou más e, nós pais e sociedade, nunca devemos desistir deles. Eles precisam de adultos que irão ajudá-los a crescer solidários, a criar respeito e a sentirem-se responsáveis pela sua comunidade em todas as fases de sua infância ”

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=7d4gmdl3zNQ?list=PL1F7B648CC36DEBB4]Children see, children do

Ficam aqui 5 principios, que de acordo com projeto  Making Caring Common, podemos e devemos ensinar aos nossos filhos para que se tornem adultos éticos e gentis.

  1. Cuidar dos outros (é uma prioridade)

Porquê? Os pais tendem a priorizar a felicidade e realizações de seus filhos e a descurar a importância da gentileza e preocupação com os outros.

Como? Os pais reforçarem a ideia de que cuidar dos outros é uma prioridade é meio caminho andado para manter as expectativas éticas dos nossos filhos mais elevadas, tais como, honrar os seus compromissos mesmo que isso não seja a sua vontade.

Dicas: Em vez de dizer ao seu filho: o mais importante é seres feliz, diga, o mais importante é seres gentil. Certifique-se de que seus filhos tratam sempre os outros com respeito, mesmo quando estão cansados, distraídos, ou mal-humorados.

  1. Pôr em prática a gentileza e a gratitude

Porquê? Nunca é tarde demais para se tornar uma boa pessoa, mas isso não vai acontecer do nada. As crianças precisam de aprender a cuidar dos outros e expressar gratidão por aqueles que cuidam deles. Precisam de contribuir para o bem-estar dos outros.

Como? Aprender a ser solidário é como aprender a praticar um desporto ou um instrumento musical. A repetição diária – quer seja ajudando um amigo com os TPC, ou fazer voluntariado na escola, ajuda a desenvolver e aprimorar as capacidades de cuidar e ser gentil.

Dicas: Não recompense o seu filho para cada acto de simpatia, tal como pôr a mesa ou arrumar o quarto. É um dever ajudar em casa. Ajudar os irmãos e os vizinhos. Só devem ser premiados actos incomuns de bondade.
Converse com seu filho sobre os actos de gentileza que se vêem na televisão e sobre actos de justiça e injustiça que possam testemunhar ou ouvir falar nas notícias. Isso dar-lhe-á algum discernimento sobre o certo e o errado.
Faça da gratidão um ritual diário. Expressar gratidão pelo que temos e recebemos, e pelas pessoas que são gentis e que contribuem para o nosso bem-estar e felicidade

  1. Expandir o círculo de atenção do seu filho

Porquê? A maior parte das crianças preocupa-se apenas com um pequeno círculo de familiares e amigos. O nosso desafio é ajudar os nossos filhos a aprender a olhar para as pessoas fora desse círculo. Como o miúdo novo da sala, alguém que não fala a sua língua ou até o contínuo da escola.

Como? As crianças têm de aprender a observar de perto, mas também têm de saber ver o quadro geral. Assim, irão perceber de que forma as suas atitudes poderão refletir-se na vida dos outros. Uma situação de abandonar a equipa de futebol ou uma banda de música, pode repercutir e prejudicar vários membros da escola, ou de uma pequena comunidade.  Deverá sempre ter em atenção às suas atitudes perante membros de comunidades ou religiões diferentes.

Dicas: Certifique-se de que os seus filhos são simpáticos e gratos com as pessoas que os rodeiam, desde o motorista do autocarro ao empregado de mesa.

  • Incentive as crianças a ser simpáticas para os que são mais vulneráveis.
  • Use um artigo de jornal ou TV para incentivar seu filho a pensar sobre as dificuldades enfrentadas pelas crianças de outro país.
  1. Ser um exemplo a seguir.

Porquê? As crianças aprendem por observação. Repetem as ações dos adultos que respeitam.

Como? Ser um modelo ético e moral significa que temos de praticar a honestidade, a justiça e de cuidar de nós. Mas isso não significa que tenhamos de ser perfeitos o tempo todo. Para os nossos filhos nos respeitarem e confiarem em nós, há que saber reconhecer os nossos erros e falhas.

Dicas: Dê ao seu filho um dilema ético durante o jantar para o encaminhar nas suas escolhas.

“Ex: Deve convidar o menino novo da sala para a sua festa de anos, embora os seus amigos do ano passado gozem com ele?”

  1. Orientar as crianças na gestão de sentimentos/comportamentos de raiva e fúria

Porquê? Muitas vezes, a capacidade de cuidar dos outros é dominada pela raiva, vergonha, inveja ou outros sentimentos negativos.

Como? Ensinando às crianças que todos os sentimentos estão bem, mas algumas formas de lidar com eles não são úteis. As crianças precisam da nossa ajuda para lidar com esses sentimentos de forma produtiva.

Dicas: Aqui está uma maneira simples de ensinar os seus filhos a terem calma. Ensine-os a parar, respirar fundo pelo nariz e expirar pela boca, e contar até cinco. Pratique quando o seu filho está calmo. Depois de um tempo ele vai começar a fazê-lo por conta própria através da habituação.

 

imagem@mundolivrefm

Em washington post, traduzido e adaptado por Up to Kids®

 

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