Filhos perfeitos, crianças tristes: a pressão da exigência

Os filhos perfeitos nem sempre sabem sorrir, nem conhecem o som da felicidade.

Temem cometer erros e nunca alcançam as expectativas elevadas dos seus pais. A sua educação não se baseia em liberdade e reconhecimento mas sim na autoridade de uma voz rígida e exigente.

Segundo a APA (American Psychological Association) a depressão nos adolescentes é atualmente um problema muito grave. Uma exigência desmedida por parte dos pais pode derivar facilmente na falta de autoestima, ansiedade, e num elevado mal-estar emocional.

É preciso salientar que essa exigência na infância deixa marcas irreversíveis no cérebro do adulto. O indivíduo cresce a achar que nunca é suficientemente competente ou perfeito no cumprimento dos ideais que lhe foram incutidos. É preciso cortar esse vínculo limitante que veta a nossa capacidade de sermos felizes.

Filhos perfeitos: quando a cultura do esforço é levada ao limite

É frequente ouvirmos que vivemos uma cultura que baseia a sua educação na falta de esforço, na permissividade e na pouca resistência à frustração.
No entanto, esta constatação não é de todo verdadeira, principalmente em tempos de crise em que os pais procuram a “excelência” dos filhos.

Se uma criança obtém 17 valores em matemática é pressionada para alcançar um 20. As suas tardes são preenchidas com aulas extracurriculares e seus momentos de ócio são limitados à procura do desenvolvimento de competências. Na maior parte das vezes isto resulta em crianças stressadas, esgotadas e vulneráveis.

“The Price of Privilege” é um livro interessante publicado pela doutora Madeleine Levine. Explica que a necessidade de educar filhos perfeitos e aptos para o futuro, culmina em criar filhos “desligados da felicidade”.

Consequências por exigir demais das crianças

Enquanto pais e educadores devemos ter em consideração que educar os nossos filhos na cultura do esforço tem um limite.

A barreira, que deveria ser intransponível é a de acompanhar a exigência com  uma igual ou superior dose de amor incondicional.

Por outro lado, os nossos filhos perfeitos serão crianças tristes que evidenciarão as seguintes dimensões:

  • Dependência e passividade

Uma criança habituada a receber muitas ordens deixa de decidir por conta própria. Assim, procurará sempre a aprovação externa e perderá a sua espontaneidade e a sua liberdade pessoal.

  • Falta de emotividade

Os filhos perfeitos inibem as suas emoções para se ajustarem ao que “tem que ser feito”e toda essa repressão emocional traz graves consequências a curto e longo prazo.

  • Baixa autoestima

Uma criança ou um adolescente habituado à exigência externa não tem autonomia nem capacidade de decisão, desenvolvendo uma autoestima muito negativa.

A frustração, o rancor e o mal-estar interior podem traduzir-se muito bem em instantes de agressividade.

A ansiedade é outro fator característico das crianças educadas na exigência: qualquer mudança ou uma nova situação gera insegurança pessoal e uma elevada ansiedade.

Pais exigentes Vs pais compreensivos

A necessidade de educar “filhos perfeitos” é uma forma subtil e direta de dar ao mundo crianças infelizes. A pressão da exigência irá acompanhá-las sempre, principalmente se a sua educação for baseada na ausência de estímulos positivos e de afeto.

Fica claro que como mães/pais todos queremos que nossos filhos tenham sucesso, mas acima de tudo que sejam felizes.

Ninguém quer que os filhos desenvolvam uma depressão na adolescência ou que sejam tão exigentes consigo próprios que não se permitam a aproveitar, a sorrir ou cometer erros.

Características gerais

  • Os pais muito exigentes e excessivamente críticos apresentam uma personalidade insegura que precisa de sentir controlo sobre tudo.
  • Os pais compreensivos “impulsionam” seus filhos para a conquista, permitindo explorar, sentir e descobrir. São guias e não colocam fios nos seus filhos para movê-los como marionetes.
  • O pai exigente é autoritário e leva um estilo de vida rigoroso, com horários definidos e invioláveis. Indica regras e decisões para economizar tempo através do “porque eu sei que é melhor para ti”, ou “porque eu sou o teu pai/mãe”.

Concluindo: educar é exercer a autoridade, mas com bom senso. É usar o afeto como antídoto e a comunicação como estratégia.

 

Por Valeria Amado, em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

imagem@etsy

Mães Stressadas? Façam meditação

Desde que me lembro que faço as minhas meditações. Nada de muito transcendental, uma coisa simples. Sento-me direita, descanso as mãos em cima dos joelhos e fecho os olhos. Concentro-me na respiração e, como detesto imaginar cenários bonitos porque acabo sempre numa praia onde aparece um tsunami só para me estragar a coisa, imagino uma luz quente e suave. Mas, foi há poucos meses atrás que a minha amiga Maria, que tem 5 filhos, me aconselhou uma app para meditar. Dito por ela, que me parece estar sempre tranquila, a APP só pode ser o truque dela para se manter “impek”! Não só aderi à APP como também acabei por comprar o livro (há na versão portuguesa).

Ontem à noite, pelo meio das minhas leituras, perguntei ao meu marido: – “O que é que te fez sentir calmo hoje?” -Pára lá com essas pirosadas desses livros de auto-ajuda da tanga, sff! – Eu, chata assumida, insisti até ter uma resposta: “-Estou quase sempre calmo. Raramente me passo…” Sim, e é mesmo verdade! É uma paz de alma.

Por exemplo:

“-O miúdo ainda não chegou a casa!- Já com a mão no coração. “– Achas normal?”
-O treino atrasou-se…
“-Mas já passam mais de 45 minutos do fim do treino…”
“-Atrasou-se…” – Já nem quis ouvir mais nada daquele poço de tranquilidade. O meu coração andava por aí à solta e eu tinha que fazer alguma coisa!  “– Onde é que vais em pijama? (Para que não fiquem curiosos com o fim desta história. Ao sair bati de frente contra o miúdo. O treino atrasou-se…realmente).

Uma tranquilidade que dá nervos – e aqui vai uma frase que se contradiz. Em minha defesa: Hoje de manhã fui eu, como de costume, que lhes disse, à porta do elevador, para lavarem os dentes e para ela voltar atrás para pôr ténis de desporto. NÃO SE FAZ EDUCAÇÃO FÍSICA DE ALL STAR PAHHHH!

Fui eu que os fui a ouvir a discutir e que quase que os mandei para a mãe deles (contradição número 2).

Controlei-me, respirei fundo. Pensei no Calm e no quanto gosto destes miúdos e no que me custa deixá-los na escola quando estamos todos zangados e irritados uns com os outros. À saída do carro, discutem mais uma vez e empurram-se. Dei um grito (mas não digo o que lhes disse). Eles ficaram muito indignados e eu disse-lhes adeus com um sorriso sacado à força e um I LOVE YOU! (contradição número 3) Portanto, aqui fica a explicação.

Eu é que dou o corpo às balas. Ok? Ah! E façam mesmo isto da meditação porque ajuda imenso… Parece-me!

 

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Slow Parenting | Pais sem pressa

Sais do colégio direta para a natação, da natação direta para o balet, do balet, música, pintura, inglês, etc. Chegas ao fim de semana e andas de festa de anos em festa de anos. A agenda dos teus filhos está a levar-te  à loucura. Sentes que precisas de acalmar. Já ouviste falar em “Slow Parenting”?

O movimento “Slow Parenting”, em Português “Pais Sem Pressa”, começou nos Estados Unidos e, muito resumidamente, significa desacelerar a rotina dos pais para desacelerar a dos filhos.

Vivemos num mundo tão apressado que muitas vezes sentimos ansiedade para estimular e preparar os nossos filhos para serem os melhores em tudo. E há ainda a corrida materna (de loucos!) que somos diariamente bombardeadas com perguntas de outras mães como: “O teu filho ainda não anda? Ahh não? O meu com essa idade já corria!”. Mas qual é a vantagem disso? Para quê acelerar o desenvolvimento dos nossos filhos? Será que eles estão felizes?

Claro que achamos que devemos estimulá-los, mas tudo deve ser feito com peso e medida. Sem querer antecipar fases e, acima de tudo, sem os pressionar desnecessariamente. Há que respeitar o tempo de cada criança, encontrar o equilíbrio entre as atividades e o que realmente faz com que os nossos filhos sejam crianças felizes.  E é exatamente isso que o movimento “Slow Parenting” defende. Por uma melhor qualidade de vida.

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