E SE… | Editora: Sana | De Raquel Garcez Pacheco | lustrações de Bárbara Neto |

E Se…?’ – que está entre os títulos literários mais curtos do mundo e o único atribuído a uma obra infantil portuguesa – é como uma viagem de balão pelo mundo da constante inconformidade humana. Aqui a fantasia ilustra o desejo e o sonho permanentes.

Este livro promete cativar miúdos e graúdos. Apesar de ser uma história infantil, a narrativa tem várias mensagens que se podem extrair.

Uma mensagem de motivação.

Que retrata a importância de acreditarmos que é possível realizarmos os nossos sonhos, que é importante sermos inconformados para nos permitirmos voar, sem medo, com ambição;

Uma mensagem de inspiração (nas crianças)

Pela sua curiosidade, bravura e imaginação. Tudo é possível aos olhos destemidos de uma criança. Perpetuar esta essência de criança em nós, é dar asas aos sonhos, é querer ser um herói, guerreiro e vencedor;

Uma mensagem pedagógica – ser resiliente.

Tal como no mundo real, na história narrada no livro, há tristeza, injustiça, solidão, traição, frustração, perda (morte), cabendo a cada de um nós, saber agir, enfrentar, ultrapassar;

Uma mensagem de reflexão universal – a eterna pergunta «E SE?»

Que nos faz escrever a nossa história pessoal pelas escolhas que fazemos, consequência ou não do livre-arbítrio: E se? E se eu fosse? E se eu tivesse feito de outra forma? E se tivesse escolhido aquele outro caminho? E se…?

SINOPSE

E se… um livro tivesse vida e, de repente, cansado de o ser, quisesse ser outra coisa?

E se esse desejo fosse concedido?

E se, num universo fantástico onde a imaginação é a rainha de todas as coisas, a magia transformasse o impossível em possível?

E se alguém fosse eternamente insatisfeito e desejasse ser sempre algo mais?

E se a ambição comandar o sonho?

E se eu fosse um sapato um dia, noutro dia, um banco de jardim e no dia seguinte uma nuvem?

E se…?

Este livro é como uma viagem de balão pelo mundo da constante inconformidade humana, onde a fantasia ilustra os desejos e os sonhos permanentes.

Atreves-te a vir voar?

FICHA TÉCNICA

Autor: Raquel Garcez Pacheco
Ilustrador: Bárbara Neto
Data de publicação: Outubro de 2018
Número de páginas: 40
Formato: 21X21
ISBN: 978-989-54210-0-8
Colecção: infanti

 

Colectânea As Crianças e o Mundo | Racismo e Intolerância, de Louise Spilsbury | Refugiados e Migrantes, de Ceri Roberts ! Ilustração de Hanane Kai

O preconceito ainda hoje existe na nossa sociedade e, no seu quotidiano, as crianças vivem ou assistem a diversas situações injustas, perguntando-se como agir.

«Racismo e Intolerância» e «Refugiados e Migrantes» transmitem aos mais novos uma mensagem relevante e sensível sobre a aceitação da diferença

A coleção «As Crianças e o Mundo» apresenta uma excelente ferramenta para pais e educadores ajudarem as crianças a compreender conceitos e a saberem o que fazer nestas situações.

«Racismo e Intolerância» e «Refugiados e Migrantes» são os dois primeiros livros desta pertinente coletânea. A Bertrand Editora faz chegar às livrarias portuguesas a 19 de outubro.

A linguagem simples e os desenhos apelativos destes livros proporcionam uma conversa delicada e importante, para que um adulto consiga explicar, de forma acessível, temas difíceis e, infelizmente, atuais. Permite às crianças entender o que significam conceitos como «intolerância» e «refugiado». E em especial perceber as dificuldades que as crianças deslocadas ou excluídas sentem.

«Racismo e Intolerância» e «Refugiados e Migrantes» transmitem aos mais novos uma mensagem relevante e sensível sobre a aceitação da diferença e a importância da amizade, ajudando-os a perceber como lidar com estas situações e para que saibam que podem fazer a diferença.

Sinopses

Por vezes, as crianças ouvem, nas notícias, palavras que não entendem e que as deixam preocupadas. Com ilustrações lindíssimas e uma linguagem acessível, Racismo e Intolerância e Refugiados e Migrantes procuram responder às suas perguntas e oferecer soluções encorajadoras.

«Racismo e Intolerância»

Louise Spilsbury é autora de livros infantis, com mais de 200 títulos publicados, todos na área da pedagogia e da educação. Já escreveu um pouco sobre tudo, desde ciência a geografia, passando por assuntos internacionais, problemas sociais, arte, história e literacia.

«Refugiados e Migrantes»

Ceri Roberts é jornalista, palestrante, editora e escritora freelancer que trabalha para vários meios de comunicação de destaque.

Sobre a ilustradora

Hanane Kai é ilustradora e designer. A sua aspiração é que as suas ilustrações toquem e dêem que pensar aos adultos e crianças que as vêem. Vive e trabalha no Líbano.

FICHA TÉCNICA

Género: Literatura/Infantil

Formato: 22 x 22 cm – capa dura

No de páginas: 32

Data de lançamento: 19 de outubro de 2018

PVP: 8,80 €

Tradução: Maria Rita Furtado

A leitura recreativa é um tipo de leitura que visa o ler pelo prazer de ler, abrindo as portas da criança para a imensidão a que se pode aceder.

A toda a leitura preside, por mais inibida que seja, o prazer de ler, e pela sua própria natureza – este prazer dos alquimistas – o prazer de ler não receia qualquer imagem, mesmo a da televisão e mesmo sob a forma de avalanches quotidianas. (…) Mas é preciso saber que caminho se deve seguir para o encontrar… – Daniel Pennac

A leitura recreativa é um tipo de leitura que visa o ler pelo prazer de ler, abrindo as portas da criança para a imensidão a que se pode aceder.

Promover hábitos de leitura recreativa é um dos caminhos a seguir para alcançar uma leitura prazerosa, em família.

Com as férias de verão a chegar estão criadas condições propícias à leitura recreativa.

Os pais poderão começar por solicitar à criança que escolha um livro do seu agrado, dando-lhe a conhecer os “Direitos Inalienáveis do Leitor” (extraídos da obra de Daniel Pennac), como estratégia para a motivar para este tipo de leitura:

1. O direito de não ler.
2. O direito de saltar páginas.
3. O direito de não acabar um livro.
4. O direito de reler.
5. O direito de ler não importa o quê.
6. O direito de amar os heróis dos romances.
7. O direito de ler não importa onde.
8. O direito de saltar de livro em livro.
9. O direito de ler em voz alta.
10.O direito de não falar do que leu.

A leitura recreativa implica manusear o livro enquanto objeto, folheá-lo, observar a capa e a contracapa, ler os títulos, ver as imagens, consultar os índices.

Deve também promover a interação da criança com o texto, levando-a a imaginar o que se vai passar a seguir, a comentar o comportamento das personagens, a inventar outros fins e, sobretudo, a manifestar o seu gosto pessoal pelo livro que escolheu.

Por último, os pais, em conjunto com a criança, poderão criar a sua própria Carta de Direitos, e desfrutar de agradáveis momentos de leitura em família durante o verão!

P A R A B É N S!

O vencedor do passatempo para ganhar este maravilhoso poster catita foi:

Marta Machuqueiro

Por favor envie um mail com os seus dados (Nome e morada completa) para uptolisbonkids@gmail.com para reclamar o seu prémio.

Obrigada por participar!

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O que é o Poster Abcatita?

O pequeno catita está a aprender a ler. Entre o “d”, “l” e o “p” a confusão instalou-se. Não sabia como o ajudar a decorar TODAS as letras e a sua diferença. Eram tantas. Maiúsculas e minúsculas, em manuscrito e à máquina… A cabeça dele andava à roda com tanta informação. E a minha também. Decidi meter as mãos à obra e nasceu o Abcatita, um super-poster com tudo o que o teu filho precisa para aprender a ler.

E qual é a melhor notícia para começar o ano? A Uptokids e a Mãe Catita vão sortear um poster Abcatita entre os mais divertidos comentários de A a Z.

alfabetocatita

COMO PARTICIPAR

1. Fazer like nas seguintes páginas de Facebook Mãe Catita e Up to Kids

2. Partilhar este post no vosso facebook.

3. Escrever um comentário, neste post, com o maior número características que te definem usando por ordem alfabética o maior número de letras. Por exemplo: “Sou adorável,brincalhona, criativa, divertida, elegante…” No final do comentário é só fazer link para 3 amigos!

 

REGULAMENTO

passatempo termina às 23h59 do dia 20 de Fevereiro de 2018. 

O vencedor será sorteado aleatoriamente através do programa Random.org, será depois anunciado no facebook.

Este passatempo não é patrocinado, aprovado, administrado ou associado ao Facebook, sendo da exclusiva responsabilidade da entidade promotora. O Facebook exonera-se de qualquer responsabilidade relativamente ao passatempo.

 

Cá em casa contam-se histórias

Cá em casa, contamos muitas histórias à nossa filha.
Principalmente eu. Confesso que sempre fui fã de livros e contos, mas o pai também não se sai nada mal…
A minha filha mostrou desde logo muita curiosidades pelos livros, por isso, estes têm estado presentes na sua vida quase desde que nasceu! Contudo, estes livros eram maioritariamente de exploração de imagens, vocabulário e texturas, com abas ou sons.
O primeiro livro de histórias que lhe despertou verdadeiramente a atenção nem era (supostamente) adequado para a sua faixa etária e entrou na sua vida por acaso… A ovelhinha que veio para o jantar de Steve Smalllman e Joelle Dreidemy, um dos muitos livros infantis que possuo, ficou por arrumar num qualquer lugar da sala de estar. A nossa filha deu com ele e, perante o seu interesse, acabei por lhe ler a história. Tinha pouco mais de um ano e meio e, nos tempos seguintes, folheou-o e analisou-o vezes sem conta, do princípio ao fim, de trás para a frente e salteado! Pediu-nos o mesmo número de vezes para lho lermos e, com o pouquíssimo vocabulário que possuía na altura, mas com a enorme expressividade que sempre a caracterizou, ia já antecipando algumas partes da história.
Foi então que, por ter o texto tão presente na minha cabeça, decidi contar-lho com as minhas próprias palavras, numa das noites em que a fui adormecer, em substituição da habitual canção de embalar. Resultou… Ela adormeceu poucos instantes após ter terminado o conto…E é isto que se quer, não é?
Nas noites e sestas seguintes, a estratégia foi-se repetindo. Eu entusiasmada a descobrir o meu novo talento de contadora de histórias, e ela a adormecer rápida e tranquilamente…
Gradualmente fui variando e experimentando outros contos mais tradicionais, de que me recordava, como a Branca de Neve, os três porquinhos, o lobo e os sete cabritinhos, Caracolinhos Dourados e os três ursos, etc.
Fui igualmente pondo mais livros infantis à sua disposição e, a partir deles, passou também ela a indicar-me frequentemente a história que queria ouvir antes de adormecer.
E assim se criou um hábito valioso, do qual hoje, aos 28 meses, dificilmente estará disposta a abdicar! Andamos agora numa fase de Capuchinho Vermelho e de o patinho feio, depois de um breve reinado de Cinderela… Conto-os com palavras minhas, mas também já aconteceu uma ou outra vez ler-lhe mesmo o livro, como no caso de O casamento da Gata, de Luísa Ducla Soares, que é todo em verso e perderia a essência se fosse contado de outra forma, e que (ainda!) não sei totalmente de cor (mas estou quase lá!!).

Porque é que acredito tanto no valor desses momentos diários?

Antes de mais, são momento de entretenimento e partilha, em que eu ou o pai estamos exclusivamente dedicados a ela, sem distrações de ordem alguma. Sentados na poltrona do seu quarto, com a luz apagada, somos só nós, ela e as personagens dessa história. Nos tempos que correm, entre dias acelerados com as mais variadas solicitações e com a interferência que as tecnologias têm nas nossas vidas, parece-me essencial a criação destes momentos de entrega total aos nossos filhos.
Acredito também que o facto de lhe contarmos histórias (e de, noutros momentos, lhe lermos livros) contribui para o aumento do seu vocabulário, para que desenvolva a capacidade de encadeamento de ideias (tão importante no seu raciocínio e discurso oral e que o será também um dia na aprendizagem da escrita), fomenta o seu gosto por livros e futuramente pela leitura, desenvolve a sua imaginação, permite-lhe ampliar o seu conhecimento do mundo…
Os contos são também fundamentais para o seu crescimento emocional. Existe sempre a “moral da história”, que lhe transmite valores.  Com os três porquinhos aprendemos que o esforço compensa, com a Caracolinhos Dourados que não devemos mexer no que não é nosso sem autorização, com a Capuchinho Vermelho que devemos ouvir os conselhos dos pais… Ao longo das histórias, a criança é também confrontada com os vários sentimentos das personagens, revendo-se muitas vezes nesse sentir, o que a ajudará a lidar melhor com as suas emoções. Apreende a distinguir o bem do mal, e, como é regra que as histórias tenham um final feliz, ganha confiança no mundo, pois percebe que, apesar das adversidades da vida é possível que a justiça prevaleça!
Sofia, do blog Cá em casa somos três, adaptado por Up To Kids®
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LER TAMBÉM…

Os Livros são caixas mágicas

Onde está a história? – Perguntam-me as crianças com frequência quando notam que, nas minhas mãos, não trago um livro.

Parece ser importante para elas ouvir uma história pela manha e muitas das vezes, também, no final da tarde.

Sei que nem todos os dias estão atentos e que se distraem com frequência. Mas, quando não tenho o livro pareço que estou a cometer uma infracção grave e provavelmente até estou!

Uso livros praticamente todos os dias, não gosto de contar histórias sem livros. É um hábito. Um suporte que serve de arranque para todas as restantes atividades e temas a trabalhar.

O livro é um instrumento que leva a criança ao mundo da imaginação, permitindo de uma forma lúdica aumentar todo o seu vocabulário e construção do discurso oral. Após contar a historia ou simplesmente explorar as imagens do livro de acordo com os objetivos definidos por mim enquanto educadora de infância, faço obrigatoriamente o reconto. Com esta atividade quero observar o que o grupo conseguiu reter da mensagem do livro e organizar as ideias dentro da cabeça da criança.

Os Livros são excelentes meios de aprendizagem, pois permitem criar sequências de acontecimentos, memorizar novas palavras e ampliar o vocabulário.  As crianças começam a explorar os comportamentos das personagens e estabelecer elos de ligação entre eles e os que observam no dia a dia. Aprendem a observar o texto escrito e a sequência das palavras nas frases, a interiorizar termos ligados ao livro – capa, página, folhas, palavras, frases. Os livros podem ajudar a criança na resolução de problemas, entre muitos outros aspetos .

A exploração habitual de livros em contexto de Creche e Jardim de Infância, bem como, em casa, aumenta a probabilidade da formação de futuros leitores.

Convido-vos a colocar ao alcance das crianças alguns livros e os que estão habituados a ter contato frequente com estes vão certamente pegar, folhear e imitar um adulto da sua referencia.

“Um, dois , três … Bom Dia, Bom Dia, Bom Dia a toda a gente…”  “- agora vamos ouvir a história meninos!”– dizem algumas das minhas meninas e dos meus meninos. Fico embebecida com tais comportamentos, pois refletem que a minha missão está a ser comprida e posso considerar que lancei as sementes para a formação de futuros leitores.

Os Livros são caixas mágicas, com personagens iguais a nós, que nos fazem aprender a conhecer-nos e a ultrapassar os nossos medos!

Passamos tanto tempo a receber e a transmitir informações através da linguagem escrita que esta nos parece quase tão espontânea como a comunicação oral. No entanto, não há nada de natural na leitura. Não existe no cérebro nenhuma região especialmente dedicada à descodificação de símbolos que representem palavras. Trata-se de uma habilidade tão complexa que o nosso cérebro tem de se adaptar, criando um circuito que envolve as áreas – visual, auditiva e de linguagem.

A maior parte dos adultos não se lembram de como foi lento e trabalhoso o processo de aquisição da capacidade de leitura.

O facto é que essa transformação no cérebro não acontece e nem pode acontecer de um momento para o outro. É um trabalho de desenvolvimento e aquisição de conhecimentos por etapas que, por ansiedade dos pais e muitas vezes incentivo dos educadores, tem vindo a ser antecipado.

Não seria lógico concluir que, por se tratar de algo complexo, quanto mais cedo aprendessemos a linguagem escrita, melhor e mais fácil seria?

Sim e não: se considerarmos que o contacto com os livros, as brincadeiras de consciência fonológica, as histórias e as rimas recitadas e cantadas criam ligações no cérebro que serão importantes para a aquisição da capacidade de leitura, então este processo deveria começar cedo. Mas seria só mesmo esta fase em que se desenvolvem as conexões necessárias para que a leitura possa ser entendida com maior facilidade.

Já a alfabetização propriamente dita, para acontecer com tranquilidade e sucesso, deve esperar que as etapas anteriores estejam muito bem construídas e assimiladas. No entanto, grande parte das escolas (e muitos pais) esperam que as crianças cheguem aos 6 anos a saber ler e escrever.

Nessa idade, regra geral, as crianças ainda não estão neurologicamente prontas para começar a ler. Há áreas do cérebro envolvidas na leitura, como o giro angular, que não estão suficientemente desenvolvidas para que a descodificação faça algum sentido.

Por volta dos 4 anos muitas crianças memorizam letras e sílabas, reproduzem palavras inteiras e escrevem o seu nome – o que não significa que estejam a compreender o processo de leitura. Trata-se de memorização simples. Na verdade, nessa idade elas têm uma memória excelente, mas regra geral, não estão maduras para entender a linguagem escrita.

Maturidade da criança

Estudos mostram que essa maturidade, geralmente, ocorre entre os seis e os sete anos, quando acontece o que o neurocientista cognitivo Stanislas Dehaene chama de “revolução mental” no seu livro Os Neurónios da Leitura , da Penso Editora.

A “Revolução mental” é a fase em que a criança começa a perceber que a palavra pode ser dividida em diferentes fonemas. No entanto, não existem dois cérebros iguais, e haverá sempre variações na facilidade com que cada um se familiariza com a linguagem escrita, o que traz à escola o desafio de conhecer e respeitar o ritmo de cada aluno.

Assim, antes de estabelecer a chamada consciência fonológica, forçar a alfabetização é uma perda de tempo.

Este período de tempo pode ser muito bem aproveitado – as crianças em idade pré-escolar estão em pleno desenvolvimento da consciência metalinguística e ampliam diariamente o seu vocabulário.

Estudos mostram que, aos 3 anos de idade, as crianças têm a capacidade de absorver  a até 20 palavras novas por dia, enquanto assimilam naturalmente as complexas regras gramaticais. Em vez de forçar um cérebro ainda imaturo a relacionar letras a sons, estes miúdos podem (e devem) exercitar a linguagem oral e suas habilidades metalinguísticas de forma a familiarizarem-se com a complexidade das construções sintáticas que o seu idioma oferece.

Muito mais importante do que começar a ler cedo, é começar a associar a leitura a algo agradável e prazeroso e não a um desafio penoso. Para isso, é necessário que os pais e educadores respeitem o ritmo e a maturidade de cada criança para que possam então, iniciar a alfabetização com sucesso.

 

Artigo de Michele Müller, Jornalista especialista em neurociências e neuropsicologia, publicado em Brasilpost

 

imagem@AIA Austin

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Ler não é chato. O chato é ser burro!

Em todas as épocas sempre houve amantes da ignorância. Há grupos sociais que defendem a “cultura” como o amor à falta de cultura. A cultura da não cultura. Quando digo cultura — a verdadeira cultura — entenda-se aquela herança milenar em que os povos de diversas matrizes labutaram evoluções técnicas e intelectuais para que hoje pudéssemos falar, por exemplo, de ética, estudar grandes sistemas de pensamentos, debater sobre a possibilidade do transcendente, andar em automóveis confortáveis, teclar nos computadores e até beber uma cerveja ao fim-de-semana. Isto tudo não apareceu do nada, não surgiu de nenhum portal de Hollywood. Foi necessário que homens e mulheres dedicassem as vidas inteiras à leitura, a testes de laboratório e a observações microscópicas ou telescópicas. Eu sei, tudo isto é óbvio. Mas vivemos numa época onde os jovens acreditam piamente que a canábis é uma espécie de milagre natural.

É a demência como sinónimo de saúde e o óbvio como sinal de intolerância.

Porque digo isto? Porque ontem, ao regressar a casa, num autocarro à pinha, ouvi uma adolescente muito bem tatuada, muito bem furada com, talvez, uma dezena de argolas. Estávamos encaixotados num lugar ainda mais compacto que o seu próprio cérebro, e a jovem diz: “eu não leio. Ler é chato, ler e é para quem tem tempo”.

Confesso, que não estava lá muito feliz naquele autocarro – vocês sabem que os gordos transpiram por natureza mesmo quando está frio, agora imaginem às 16h, com 35º centígrados, enfiados dentro de um autocarro cheio de estranhos, entre eles, outros gordos e gordas como eu. Respirei fundo, tentei desviar o pensamento para não me focar na burrice autoproclamada daquele ser exótico.

Aqui o leitor questiona-me: acreditas que o conhecimento se adquire apenas através da leitura? Se foi esta a mensagem que deixei transparecer é porque me expressei bem! É exatamente isso. Ler não é chato, o que é chato é ser burro!

Controlei-me, engoli as palavras, fiquei calado e a adolescente acabou por sair na paragem a seguir, possivelmente para ir aumentar a sua cultura, quem sabe, com mais uma tatuagem. Afinal, ainda havia espaço nos cotovelos e, obviamente, o seu tempo não era gasto com livros mas sim com arte espalhada pelo seu corpo – algo muito mais proveitoso que uma boa literatura de Machado de Assis, óbvio.

Estamos a ensinar às nossas crianças que ler é algo retrógrado. Que a cultura se adquire nos vídeos do youtube e repetindo discursos de militância que alguém decorou. Os jovens estão a aprender que a esperteza é sinal de sapiência, que ser malandro é uma virtude e ser virtuoso é algo para tolos.

Os livros são uma porta para qualquer grandeza que possa ser galgada, e aqui não se trata apenas de grandeza no sentido monetário. Ser rico não é sinal de inteligência. O conhecimento e a grandeza humana são bens que ninguém nos pode tirar, a dádiva de conhecer profundamente algo é uma riqueza que não pode ser contabilizada; aquilo que ninguém nos pode tirar é algo muito mais digno e rico do que qualquer fortuna.

Enquanto não estivermos com estas ideias bem definidas nas nossas cabeças iremos continuar a ter vários tolos a opinar tolamente sobre tudo!

 

Por Pedro Henriques Alves, publicado originalmente em Obvious,

adaptado por Up To Kids®

Monstra? | Autor Elsa Serra | Edição das autoras

«Era uma vez uma monstra que estava cansada de assustar os outros».
Este é o mote que uma contadora de histórias, Elsa Serra, e uma designer e ilustradora, Carlota Flieg, usam como ponto de partida para falar de forma divertida sobre medos, diferenças e o modo como nos vemos a nós próprios.
O Doutor Risada, a Senhora Pé Grande, e a Doutora Dentolas, entre outros personagens, vão ajudar a nossa Monstra a perceber que os medos injustificados estão dentro de nós e que, espantando-os, podemos viver mais felizes.

E os seus filhos, já conhecem a Monstra?

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FICHA TÉCNICA
Monstra?
Autor: Elsa Serra (texto) e Carlota Flieg (ilustrações)
Nº de páginas: 48
Editor: Edição das autoras
Data de edição: Outubro 2015
ISBN: 9789892060699
PVP: 8€

ANIMAÇÃO

Uma sugestão Leituria

Vou avisando já, com muita antecedência (assim o espero) que, no que toca a herança o melhor é não esperares demasiado.

Não prevejo fazer uma grande fortuna nem ir acumulando casas de praia e grandes carros. Jóias? São poucas, mas com significado, como convém. A maior parte delas do espólio das bisavós e avós, todas elas com a sua história, de que te falarei mais lá à frente.

Deixo-te, ou irei deixar-te, livros. Muitos livros. Alguns deles herdados, outros oferecidos. Juntei parte de mesadas para comprar uma série deles. Há uns quantos com a capa dobrada, à força de serem lidos com demasiada descontração, outros com as páginas amareladas pelo tempo e ainda mais outros que nunca deixaram de cheirar a novo. De alguns gostei tanto que chorei, com outros fui acumulando conhecimentos e outros só me ajudaram a passar o tempo. Se olhares para a nossa estante verás uma colecção algo esquizofrénica, com livros de muitos géneros. Não sou indecisa, gosto é de variedade. E é esta variedade que quero que chegue até ti.

Para que me procures nas mesmas linhas que um dia li, para que me encontres inesperadamente dentro delas. Para que te questiones sobre o porquê de ter sublinhado aquela passagem ou por que será que aquele livro existe em três línguas e eu os li a todos (para que a mesma mestria me tocasse com diferentes sonoridades e as palavras se eternizassem numa amálgama de memórias).

Gostava que lesses os meus livros e, a partir deles, criasses a tua biblioteca, juntando depois as tuas escolhas, provavelmente tão diferentes das minhas. Que mais tarde te venhas a sentar com os teus filhos no colo e leias com eles, como fazemos – e gostas tanto. Quem sabe se daqui a duas ou três gerações não vai haver um nosso descendente a pegar num dos meus livros e a perguntar-se quem era aquela pessoa que tinha a mania de assinar a primeira página de todos eles.

Pode não ser muito, mas é isso que te deixo – os meus companheiros de noites frias e dias quentes, de tardes de vento na praia, de viagens intermináveis e viagens que acabaram cedo de mais, porque queria mesmo terminar aquele capítulo.

São histórias que me ensinaram, que me fizeram viver vidas incríveis, que me despertaram a paixão pela escrita e me deixaram a desejar um dia conseguir escrever assim.

Mas a minha obra-prima já está escrita e és tu. E perdoa-me por só escrever, ainda que com muito amor, os primeiros capítulos da tua existência. Os restantes já são contigo. Perdoa-me, também, por não poder estar ao teu lado para sempre, mas a vida é mesmo assim.

Quando um dia já cá não estiver e sentires saudades minhas, abre um dos meus livros, meu amor. Fecha os olhos e lembra-te das minhas palavras sussurradas ao ouvido. Porque eu vou sempre estar ao teu lado. Seja nos olhos grandes dos teus filhos, seja nas músicas que um dia lhes vais cantar e que aprendeste comigo, seja nos livros que ganham pó na estante da sala.

Mas promete-me que não ficas triste e que acrescentas um ponto ao conto da tua vida. Todos os dias um bocadinho, para que a tua história seja sempre interessante, até ao último capítulo.

Por Marta Coelho, para Up To Kids®

imagem@weheartit