(…ou um arrojado Guia em 12 Passos Para uma Relação Feliz e Sem Medo dos Lugares Comuns)

Minha namorada, minha mulher, minha querida,

As mulheres são assim. Conseguem ser espaço e floco de neve. És mãe, e ao mesmo tempo, és linda na forma como cortas o tomate para a salada.

1) Diga ao seu parceiro quais os pormenores que o fascinam. Faça-o já. Pode ser por SMS. Seja descritivo. E verdadeiro. Não invente um pormenor à pressa. E se for preciso, pense um pouco no assunto para ir ao fundo  do coração. Não tem parceiro? Exercite o seu músculo emocional e faça o mesmo, mas para um amigo.

No outro dia gabaram o meu cozinhado. Sabes porque saiu bem? Porque fiz a pensar em ti. Na verdade penso muitas vezes em ti. E tento mostrar-te, com uma sobremesa, ou uma história.

2) Pense no outro, mas mostre que pensa. Como o tem feito? Como materializou esse pensamento?

Vou tentar dizer mais vezes “vou lá fora por o lixo e no sítio certo para não haver multa”. Vou tentar ser menos impulsivo na resposta “está bem” e usar mais o “mas diz lá de novo para ver se entendi”.

3) Cumprir as promessas (fundamental) começa no cuidado usado na hora de prometer. Cuidado com o que sai da boca para fora. É o velho “pense antes de falar”.

Sei que há vários modelos de relação. Claro que há solteiros felizes e casados tristes. E o contrário. Mas também sei que sou apaixonado pela nossa paixão. Se não te conhecesse ia já á tua procura!

4) Menos sofá, mais relação. Mais amor e mais desamor. Menos “casas dos segredos”. Menos redes sociais. Coragem. Vida real. Negas. Entrega. Tentar. Não ter medo de ficar só. Não há pior solidão do que estar mal acompanhado. Há poucas coisas capazes de amargar mais as pessoas, do que partilhar a vida com alguém que apenas toleram.

Sabes que nem sempre os meus horários são fáceis. Mas amar-te dá-me energia!

5) Amar dá energia! Ame. Não se deixe vencer pelo cansaço.

Não tenho medo dos lugares comuns. São rosas, perfumes, postais…são pormenores. Faz parte. Não sou perfeito. Mas tento melhorar. E o nosso ritual meio secreto… Sabes? Esse é fundamental!

6) Pelo menos uma vez por ano, uma tarde num cobertor jogado na relva. Ou uma foto debaixo da lua cheia. Ou o nascer do sol. Piroso? Quem diz é quem é…

Os nossos filhos são lindos! Como esta carta é só para ti, posso dizê-lo sem falsas modéstias. Desde cedo foram imbuídos na dinâmica da nossa relação. Como sabemos que mais tarde ou mais cedo vamos concretizar a saída só a dois, não desesperamos quando ela não se concretiza, porque calhou não termos ninguém para ficar com eles. Amanhã os avós vão poder, ou os tios, ou os padrinhos…não desesperamos.

7) As crianças nunca podem ser culpadas do fim de uma relação. É o casal que tem que fazer por estar bem. Ser Egoísta e colocar os miúdos no meio de relações falsas, é dos piores atos de quem se diz evoluído. Essa cobardia de agir sem pensar a sério nos miúdos, é própria de personalidades pouco desenvolvidas. Não culpe as crianças dos vossos problemas.

Adoro que saibas falar também dos “grandes temas”. A velhice, a solidariedade, política…educação… Viver contigo não é só partilhar uma série em silêncio (o que também é bom) nem rir de parvoíces (igualmente bom) .

8) Saiba quais são os grandes temas que motivam o seu parceiro. Agite-o. Provoque-o .
Dentro de nós “há uma energia que nos motiva a procurar contato, ternura, intimidade…”. Viver essa energia é ser saudável.

9) Lembre-se do muito que ainda têm para fazer juntos. Se estiver sem parceiro ou parceira vá sozinho.
Ainda temos que aprender uma dança juntos. Zumba? Ou inventarmos uma. Por exemplo kizumba…mistura de…dá para entender. Ou frequentarmos um Workshop a dois.

10) Fuja das sombras. Ainda mais se foram cinquenta. Procure a luz dessa energia. Reencontre-se. Reinvente-se. Beije. Com todo o corpo, com toda a alma. Com todos os segundos. Isso é ser saudável! E ser cidadão ativo. Porque estando mais saudável, produz mais, adoece menos, melhora o país.

Agora que escrevo tenho vontade de te tocar. Uma festinha na cara. Um entrelaçar de mãos…

11) Leia sobre endorfinas. Sobre abraços. Torne-se especialista em abraços. E leia sobre ocitocina.
Partilhar contigo novas experiência é um dos meus objetivos. Obrigado por me teres entusiasmado. Obrigado pela pele de galinha. Obrigado pelo coração a bater. E pelo coração desenhado no vidro da casa de banho

12) Desenhe um coração na casa de banho. Também pode ser metafórico.


Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Kids®

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imagem capa@aqui

Estou a ficar louca! Estou a tentar fazer o jantar, eles não param de me chamar para pedir coisas e eles são três e eu sou só uma, e nem sequer consegui trocar a porcaria da lâmpada naquele candeeiro ridículo da casa de banho!

Foi assim que eu cumprimentei o meu marido, ontem, quando entrou em casa. Sem um sorriso. Obviamente sem um beijo, mas de qualquer forma eu nem sequer tinha tomado banho, por isso ele até aproveitou para fugir com o rabo à seringa.

Era eu no meu pior. E foi assim que ele foi recebido em casa. Com uns disparates sobre lâmpadas estúpidas e difíceis de colocar, e alguns palavrões.

Ele já me viu a ceder em diversas situações, mas mal entra em casa… isto foi uma situação nova.

As coisas acalmaram depois de toda a gente ter jantado. Eu estava a arrumar, a cozinha o meu marido entrou, deu-me um abraço e disse : ”Lamento que tenhas tido um dia tão complicado”.

Nesse momento senti-me mesmo mal. O dia não tinha sido assim tão mau. Foi um dia perfeitamente normal. Houve uns momentos óptimos e outros difíceis. Mas na maior parte do dia não estivemos assim em tanto stress. As miúdas fizeram desenhos para forrar o túnel de papelão que tínhamos feito. Adoraram o almoço porque tinha queijo e ketchup. E apesar das gémeas não terem dormido, o bebé dormiu quase três horas. No geral, podia ter corrido muito pior.

Foi só que aconteceu tudo ao mesmo tempo. Estava a saltear cogumelos, a mexer o feijão e a fazer arroz no micro-ondas. As gémeas não se calavam, porque estavam na casa de banho e diziam que não tinha luz suficiente para fazerem xixi.

O bebé andava a rasgar os desenhos que as miúdas fizeram com tanta dedicação para forrar o túnel, e que eu andei metade do dia a colar aquilo. E começou a gritar, e elas também gritavam!

O cão vomitou no chão e o cheiro começava a misturar-se com o cheiro do feijão e das especiarias que já começavam a agarrar no fundo da panela!

Claro que tudo isto estava a acontecer no preciso momento que o meu marido entrou em casa. Mal entrou e apanhou-me toda irritada, a gritar e a transpirar em bica que fez com que imaginasse que tinha tido um dia terrível. Assim que caí em mim, senti-me pessimamente porque me apercebi de uma coisa: no meu melhor eu sou divertida, criativa e entusiasta. No meu pior sou uma cabra rezingona e fria. Normalmente sou equilibrada, e apesar dos meus filhos normalmente lidarem com o melhor de mim, o meu marido simplesmente não tem essa sorte.

Tenho medo que isto seja o principio da queda de um casamento.

Tenho medo que ele comece a achar que eu estou sempre aos gritos com os miúdos quando estou sozinha com os miúdos em casa. Porque, na verdade, eu não estou.

Ele não me vê a partir das dez da manhã, quando já está tudo calmo e eu já bebi o meu café. Às vezes consigo arrumar a cozinha, lavar os dentes, e às vezes até consigo escapulir-me e tomar um banho relaxada.
A essa hora é quando nos aconchegamos no sofá e fazemos uma maratona das histórias favoritas deles.  Ou dançámos. Ou fazemos manualidades com coisas que temos em casa. A essa hora é quando eu me divirto com os meus filhos, e eles recebem toda a minha atenção.

Mas e o meu marido? Ele vê-me de manhã toda destrambelhada, com os olhos meios fechados e sem paciência para nada. Depois só me vê no fim do dia quando estou completamente de rastos.

Claro que há fins-de-semana. Mas com crianças nunca tempos tempo para nós.. Saímos os dois muito de vez em quando, mas obviamente não é o necessário.

Adoro poder ser eu própria com o meu marido. Ele não quer saber se estou maquilhada ou não. Eu sei que ele me ama. Eu sei que ele ama a forma como criamos uma família juntos. Somos uma equipa e estamos nisto junto.

Mas eu quero ser divertida, e interessante e sexy quando estou com ele pelo menos algumas das vezes. Eu quero que ele veja para lá da mãe sempre em stress, aos gritos e cheia de nódoas. E eu sei que ele não me vê assim, mas por quanto tempo vai conseguir ver para lá dessa imagem, se não tiver de vez em quando, um avivamento de memória?  Como é que posso fazer para lhe mostrar o meu eu divertido e sexy? Como é que as outras stay-at-home-moms fazem? E será que ele também se preocupa com algumas destas coisas?

Talvez seja só uma fase. Talvez seja só o resultado dos primeiros anos dos filhos. Talvez um dia que consiga ler um livro, escrever, pensar, ir ao ginásio eu consiga ter energia suficiente para estar sempre bem-disposta quando o meu marido está em casa. Talvez eu consiga parar de andar aos gritos por causa da luz da casa de banho e consiga vestir uma roupa gira e sem nódoas, pelo menos de vez em quando.

Nós merecemos os dois isso. Merecemos à séria.

Kate Parlin para Scary Mommy
Traduzido e adaptado por Up To  Kids®

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