Falas ao teu filho dos teus segredos, dos teus sentimentos, dos teus sonhos?

Falas com ele, olhos nos olhos, sobre como te sentes, como te queres sentir e o que fazes para que as coisas aconteçam? Transmites, de facto, as tuas emoções ou escondes-te atrás de um escudo que não só não vos protege, como vos afasta ainda mais?
Não esperes que ele faça o mesmo se não deres o primeiro passo, o primeiro gesto, o primeiro exemplo.
Não esperes que ele te venha dar um abraço, se não o ensinaste a receber primeiro. Não esperes, aliás, por nada.

Sê livre e espontânea, verdadeira, como és, pois só assim ele te irá conhecer realmente e amar-te pelo que és.
Não te escondas nas palavras, ditados antigos, dicas de livros ou estudos comprovados. Verbaliza o que sentes. Não deixes de ser a pessoa que és apenas porque te tornaste mãe. Se queres chorar, chora, mas primeiro, fala com ele. Ele é pequeno mas entende, mesmo que não o saiba demonstrar. Não guardes remorsos, culpa ou dor.
Explica-lhe as coisas. Ele é ingénuo mas sabe mais do que tu pensas. Abre a janela da tua mente e deixa a liberdade entrar, não a feches em ti pelos outros. Queres saltar com ele nas poças, salta. Não te importes se te julgam por isso… provavelmente quem te julga gostaria de ter metade da tua franqueza.

Fomos feitos para crescer, mas há muito em nós que precisamos de manter! Ser criança ensina-nos tanto. E nós ensinamos mais quando somos nós próprios, de verdade.

(Carta a mim própria quando me desvio daquilo em que acredito)

Por Mafalda | Meia Lua

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Ser mãe põe fim à dependência da opinião alheia

Olha-me aquela mãe

Carta à minha filha de seis anos

 

 

As coisas que as mães aturam

As mães têm de aturar muitas coisas. A opinião altamente especializada do resto do mundo é só uma delas. Quando damos por nós, estamos rodeadas de especialistas em tudo o que diz respeito aos nossos filhos, desde a cor e consistência do ranho ao cheiro e consistência do cocó.

Tudo começa com os filhos ainda na nossa barriga. O hospital em que decidimos parir, se optamos por parto natural ou por cesariana, o pediatra que escolhemos, o tempo que vamos estar de licença de maternidade, se vamos amamentar, a creche onde os vamos inscrever, como se as nossas escolhas tivessem algum peso físico, emocional e financeiro sobre a vida dos outros.

Estava eu grávida da minha filha mais velha e tinha uma amiga preocupada se eu punha creme na barriga, como se as eventuais estrias não fossem minhas por direito. Ou outra que me perguntava se as vitaminas que tomava seriam suficientes, porque não, elas não me tinham sido prescritas pelo obstetra.

As pessoas dizem tolices e nem dão por isso. Um dia ao mudar a fralda à minha filha mais velha, uma amiga incomodada com o cheiro disse-me que o cocó da filha dela não tinha cheiro. Acho que foi a primeira vez que fiquei sem resposta. Também há as especialistas em constipações, infecções respiratórias, bronquiolites e várias outras ites. Os meus filhos são esponjas, nas creches as doenças são uma ementa generosa e eles são uns glutões. Apanham tudo, incluindo piolhos. Ao desabafar com uma colega, disse que havia miúdos que nem um gorro na cabeça usavam no inverno e nunca estavam doentes, e os meus sempre bem agasalhados, bem alimentados, com as vacinas em dia estavam sempre com qualquer “ite”. Arrependi-me logo. Fui esclarecida que o mal era esse, os meus filhos andavam agasalhados demais.

Que meta o dedo no ar quem nunca ouviu que o seu leite era fraco, que a criança não estava satisfeita, que não sabia amamentar, que nessa posição o bebé não estava confortável ou que o filho não está a aumentar de peso.

No capítulo da amamentação o terrorismo psicológico é tanto, que há mães que desesperam se não conseguem amamentar ou sentem-se as piores do mundo se não gostam de o fazer. Eu amamentei a minha filha até ao primeiro mês. Nem eu nem ela tínhamos paciência para aquilo, ela não sabia mamar e eu só queria que ela ganhasse peso. Desisti e comecei a dar leite adaptado. Foi a melhor coisa do mundo. Amamentei o meu filho mais novo até ele ter cinco meses. Continuei sem paciência para aquilo, mas o miúdo gostava e crescia. Aceitei as condições.

Se a criança começar a andar depois dos doze meses logo vêm os avisos de que não está a ser estimulada o suficiente. Se não fala, precisa de terapia. Se é tímida, tem de socializar no parque infantil. Se não anda na natação desde que nasceu vai ser um fracasso. Se não sabe inglês aos quatro anos, Deus nos ajude!, vai ser burra. Se é menina e brinca com loiças, o lugar dela vai ser na cozinha. Se é rapaz e brinca com loiças, vai ser mole.

É cansativo ser imune às opiniões dos outros. Na maternidade não existem certezas absolutas, ser mãe é difícil para caraças. Ter alguém a questionar constantemente as nossas escolhas torna-nos propensas a desatarmos aos pontapés à primeira pessoa que abrir a boca para emitir uma opinião nada científica. Por isso, da próxima vez que tiverem uma opinião a respeito da idade com que a filha da vossa amiga devia deixar a chucha, calem-se e lembrem-se que as escolhas que a vossa amiga faz para os filhos dela, são dela e da família dela. Não têm necessariamente de coincidir com as vossas. Tomem as vossas decisões conscientes de que estão a fazer o melhor possível pelos vossos filhos.

Quanto às opiniões dos outros, evitem-nas, ignorem-nas ou, se preferirem, mandem alguém à fava. Pode ter um efeito libertador, sobretudo se for acompanhado pelo vosso mais belo sorriso. Mas isto é só a minha opinião.

imagem@nvnt

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Cada vez mais fartinha de Mães

Olha-me aquela mãe

Carta às mães mais que perfeitas.

 

 

De repente cresceste, meu filho

De repente cresceste. Tanto que me disseram que o tempo passa rápido, que passou mesmo. E de repente, estás um crescido.

Aproveitei cada minuto e cada segundo. Nunca te neguei mimo ou colo, e fiz tudo para estar cada minuto possível contigo, mas mesmo assim, o tempo passou rápido e tu cresceste.

De repente, já não eras um recém-nascido, tão pequenino, tão frágil e tão dependente de mim.

Já comias sólidos, atiravas a comida ao chão e sujavas tudo à tua volta.

De repente já escolhes o que queres comer, o que gostas e o que não gostas, e não há quem te demova dos teus gostos.

De repente sentaste-te e bateste palminhas… Gatinhavas e eu corria pela casa atrás de ti…

De repente já andas, corres e exploras o mundo, e deslumbras-te com tudo o que vês.

De repente trepas tudo, cais e esfolas os joelhos. De seguida levantas-te, sacudes as mãos e continuas a correr…

De repente disseste mãe, e de repente já dizes um monte de coisas …

De repente começaste a expressar-te. Tornaste-te consciente das tuas emoções, que são tantas e tão intensas e expressas o que sentes da forma que sabes.

De repente concentras-te. Sabes o que queres fazer, e sabes focar-te na tua tarefa abstraindo-te de tudo o resto.

De repente folheias um livro e rabiscas um papel, ou uma parede do teu quarto.

De repente adoras carros, bolas, adoras marcar golos e dizer os sons dos animais.

De repente fazes birras quando não tens o que queres. Gritas, choras, e empurras-nos para demonstrar o teu desagrado.

De repente dás-me um abraço só porque sim, ou empurras-me para que continues a brincar sem que os meus beijos te atrapalhem.

De repente já não és um bebé. De repente cresceste. O tempo passou e por mais que eu queira fazer o tempo parar, não posso. E tu vais continuar a crescer, a aprender, e definir quem és! De repente deixarás de ser o meu bebé pequenino porque de repente és um rapazinho.

E eu estou tão orgulhosa de ti! E eu gosto tanto, mas tanto de ti, mesmo que de repente… tenhas crescido!

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#Para lerem quando crescerem; O que é o amor?

Coisas que a minha filha ainda não sabe

Como manter a casa arrumada com crianças

 

Quando somos mães longe dos nossos, temos que aprender a arte de improvisar. Temos que aprender a relativizar e a plantar raízes muito fortes. Também pensar que se assim o é, só pode ser porque fomos feitas para ser desse jeito.

Ser mãe sem depender de ninguém [para além do pai] é ser-se mãe mais do que a tempo inteiro, é ser-se mãe num todo e num infinito de definições. É ser mãe, tios, primos e avós. Educar como pais, acarinhar como avós e cometer doidices como tios.

É ter que ensinar que se pode crescer assim sendo igualmente ou tão mais feliz. Que não se deve forçar nada que não nos faça sentido e que a saudade tantas vezes existe para se enxergar melhor o que realmente é.

Mas quando a família não está por perto, nem sempre é fácil. Há dias mais solitários e mais fragilizados. Quando a família não está por perto, há muitas coisas que não conhecemos como realidade e que por isso também não nos faz falta, mas que não é por isso que deixamos de pensar nelas.

Se foi este o rumo que escolhemos, é este o caminho que levamos, mas não esquecemos de como poderia ser, se fosse diferente.

Ser mãe longe da nossa mãe e ser mãe longe dos nossos é ter que ser mais do que já somos. É também nós sentirmos saudade de colo e não o termos quando precisamos.

É preciso o embalo da segurança, é preciso o simples conforto de saber que está ali, ao virar da esquina, mas que não está. É termos que escutar em nós essa necessidade e deixá-la silenciada por dentro. É ter que saber gerir essas emoções e até mesmo as suas próprias contradições de quando estou nem sempre quero estar.

Falta a mão que passa na cabeça, faltam as sopas quentinhas e os chás mágicos. Faltam os alguidares de água quente para massajar os pés doridos.

Faltam as gargalhadas das histórias de infância que se contam quando se compara aquele sorriso, aquele gesto, aquela traquinice.

Há o telefonema e as visitas rápidas. Há as fotografias e vídeos que se partilham. Mas não há muito mais do que isso. Não há a cumplicidade serena de quem nos conhece de verdade. Não há a compreensão de quem sabe o que somos e no que nos tornamos.

Nós já não somos os mesmos. A mãe que nasceu em mim, não é a mesma miúda que cresceu perto deles. Agora cresceu longe, diferente e distante. Poucos já a conhecem.

Sou a mãe que quero ser por completo, mas não deixo de ser a menina que está longe do que a vida a viu-se tornar.

Por Mafalda | Meia Lua

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Valorizo as amizades mas escolho passar mais tempo com a família

Família, cada um com a sua!

A importância de reconhecer o seu Legado familiar

A primeira vez que senti culpa ainda estava na maternidade.

Na primeira noite a seguir ao nascimento da minha filha, ainda com o efeito da epidural e de todas as drogas que nos dão a seguir à cesariana, eu dormi cinco horas seguidas e a minha filha, no berço ao lado da minha cama, dormiu também. Eu ia abrindo os olhos, mas a minha força de vontade não era suficiente para me manter acordada. Quando acordei senti-me a pior das mães e ainda só era mãe há menos de vinte e quatro horas.

Na consulta com a pediatra para nos dar alta, fui informada que a minha filha tinha perdido muito peso. Ela não estava a mamar o suficiente e eu não tinha percebido – nem eu nem os enfermeiros. De cada vez que os chamava, porque ela se irritava com a mama ou porque passava horas agarrada a mama, a única coisa que me diziam era que eu tinha imenso leite, para continuar a insistir. E eu insistia, insistia, insistia, mas a miúda estava a chuchar e não a mamar.

Senti-me mais uma vez a pior mãe do mundo. Como é que eu não percebi que ela não estava a mamar? A amamentação não era aquela coisa especial entre mães e filhos? Que raio de mãe eu ia ser? Ao quarto dia toda eu era culpa, olhava para a minha filha minúscula e chorava enquanto lhe dava biberons de leite adaptado para ver se ela ganhava peso.

Ganhou peso, tivemos alta ao final do dia e nos dias seguintes eu passava o tempo a querer pesá-la. Entre a guerra para ela mamar e os biberons de LA, eu quase enlouquecia de culpa. Ao fim de um mês deixei de dar mama e passei exclusivamente para o LA.
A hora do leite deixou de ser uma guerra, ela continuou a ganhar peso e eu deixei de me sentir culpada.

Desde essa altura que tento viver a maternidade sem o peso da culpa. Tento estar sempre consciente que faço o melhor que consigo e que tomo as melhores decisões com as condições que tenho. Não dou importância às opiniões dos outros, as decisões para a nossa vida são tomadas apenas a dois, tento existir para além dos filhos e não os compenso por algum mal imaginário que lhes possa ter infligido.

Os filhos sugam a nossa energia desde o primeiro dia, esgotam-nos física e mentalmente e acrescentar a essa equação a culpa e o sacrifício, é como ter uma bomba relógio pronta a explodir a qualquer momento.

A culpa? Que morra sozinha.

imagem@123.rf

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Um pedido de desculpas ao meu último filho

Não és má mãe!

Nutrição e amamentação: Factos e mitos

«Estas criancinhas vão ser adultos insuportáveis», disse a senhora no seu melhor fato de domingo, com uma expressão de “nojo” no rosto, enquanto rematava para outra amiga, igual menos no tom do tecido do fato, com quem segundos antes falava sobre a missa de onde acabavam de sair.

A criancinha, no caso, era a minha. E estava entretida com um brinquedo para cães, daqueles que se apertam e chiam. É chato, eu sei. Eu própria estava a chamar-lhe à atenção pela terceira vez para que parasse, coisa que se não acontecesse me faria tomar medidas. Mas tenho de ter a tolerância de pensar que tenho comigo uma criança de quase três anos que no supermercado não tem muito com que se entreter e se vê um brinquedo, brinca. Porque é criança.

Fiquei, na altura, bastante sentida com a afirmação da senhora. Não sou pessoa de responder, odeio tudo o que é confrontos e conflitos, mas se ela não tivesse acelerado o passo, como cobardemente fez, teria certamente ouvido a minha resposta, que me fugiu dos lábios num tom bastante mais baixo do que ela merecia: “insuportável como a senhora?”.

Como disse há umas linhas a senhora tinha acabado de sair da missa. Era toda ela elegância e educação. Pois de pouco adianta ir à missa se cá fora não se tem em consideração os outros, se lança a primeira pedra e se julga só porque sente superior. Que deselegante foi aquela afirmação. Que pouco “bem”. Que desrespeitosa. Jamais a teria dito a um adulto.

Tentei imaginar os filhos da dita senhora, todos a andarem em passo acertado uns com os outros, as golas cheias de goma e sem um único vinco, crianças que ficam caladas e de costas direitas independentemente do contexto, crianças que são mini adultos. Em suma, pequenos robots.

Mas depois percebi que não era certamente esse o caso. Eu própria fui uma criança bem-comportada e no meu vestido de roda subia à árvore da igreja e fazia arranhões nos joelhos e surrava os sapatos. Também eu corria pela rua, rindo alto. Também eu era criança.

A senhora ter-se-á provavelmente esquecido de que os seus filhos foram um dia crianças. Que os netos e bisnetos falam, comunicam como sabem, muitas vezes têm comportamentos que nós, os adultos, gostaríamos que fossem outros. Quem sabe se nunca foi ao supermercado com os filhos porque os deixava com a criada em casa. Se nunca foi a um restaurante para os meninos não falarem entre si e “incomodarem” quem está à volta.

Também eu gosto de sossego e silêncio. Também eu às vezes sou confrontada com crianças que se portam pior do que o desejável e quantas vezes esse comportamento é alheio à vontade e, pasme-se, educação que os pais lhes dão. Sou tolerante, acho que é preciso termos calma e não julgarmos as pessoas. Não julgo, não gosto de ser julgada.

Lembrei-me, enquanto escrevia estas linhas, da história do menino autista no restaurante que a empregada queria insistentemente que se comportasse ou todos (pais e irmãos) teriam de sair. Que mundo é este em que não conseguimos dar espaço às pessoas?

Se a senhora em vez de fugir tivesse ficado a fazer as suas compras calmamente teria visto como me baixei ao nível da minha filha e lhe expliquei por que motivo não podia continuar a apertar a galinha de borracha, por mais divertido que estivesse a ser para ela. E ela parou. Para passados alguns minutos estar noutras tropelias, naturais da sua idade e razão pela qual raramente a tenho comigo nas compras sem ser sentada no carrinho – enquanto ainda dá.

Eu tive de ouvir os comentários pouco católicos que essa senhora estava a fazer sobre o que se passou na missa (shame on you, miss!) e depois sobre a minha filha.

Aqui fica uma novidade: crianças sossegadas não são garantia de adultos calmos, tranquilos ou educados.

Muitos dos adultos “insuportáveis” que conheço tiveram mães que apesar das aparências se achavam no direito de dizer em voz alta cobras e lagartos sobre os que estavam à sua volta, legitimando, assim, que os filhos crescessem para fazer exactamente o mesmo.

As crianças que brincam, sobem às árvores e se sujam também sabem comportar-se quando o momento o pede. Também sabem trocar as leggings pelos vestidos de folhos e dar a mão enquanto ouvem o que os adultos dizem.

As crianças, se fizermos bem o nosso trabalho, conseguirão perceber, quando tiverem idade para isso, que há lugar para tudo.

E sendo livres, sendo-lhes permitido serem crianças para aprenderem em que momento ser de uma forma ou outra, serão adultos que mais facilmente expressarão os seus sentimentos e saberão lidar com quem os rodeia.

Espero passar muitas coisas à minha filha.

Espero que ela seja boa com ela e com os outros.

Espero que ela nunca olhe para os filhos de alguém e tenha a cobardia de lhe pôr um rótulo e de lhe dar uma sentença tão triste como já lhe deram a ela.

Logo à minha Mariana, que de insuportável tem pouco.

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Socorro! Só podem ser “bichinhos carpinteiros”

4 atitudes que enfraquecem o vínculo emocional com os filhos

Carta à minha filha de seis anos

Hoje reparei que estás crescida. Mesmo crescida.

Fui levar-te à escola e de repente apercebi-me que os beijinhos já são às escondidas e apenas a meu pedido.

Desde quando é que não tenho direito a um beijinho?

Fico de coração apertado à medida que cresces, sei que inevitavelmente vai haver um dia em que na pressa da rotina matinal te vais esquecer que o teu beijo me acalma. O teu beijo diz-me “gosto de ti mamã” sempre que te deixo à porta da escola e diz-me “estou feliz por te ver” quando te vou buscar.

Não te esqueças de mim. Cresce, aprende, sê feliz. Serei sempre tua mãe e o meu coração é sempre metade teu e metade da mana. Sempre. Mas não penses que te amo pela metade. Amo-te inteira. No que és e no que serás. Sempre. Fico imensamente feliz porque este ano vais entrar na escola primária e pelo que vejo já estás muito bem adaptada aos teus novos amigos. Vejo em ti um bocadinho de mim mas muito melhor que eu. Procura sempre o teu melhor e aprende a defender-te sem ofender ninguém. Espero poder aprender muito mais contigo (além de tudo o que já aprendi). E espero poder ensinar-te que a grandeza de um amor como o nosso não se mede. Sente-se. Dá-me um beijinho. Só um.

Tu não sabes, mas sinto-te em mim durante todo o dia em que estou longe. Sempre. Mas, ao mesmo tempo quero que possas ser uma menina independente, capaz de ir à cantina, que arruma o seu tabuleiro sozinha e que entre mochilas e lancheiras encontra a sua forma de ser feliz. Todos os dias. Dá-me um beijinho. Tranquiliza-me saber que és feliz na escola, que gostas de aprender e secretamente desejo que sejas a melhor. Sempre. Mas, o mais importante é que sejas feliz. És feliz?

Gostava que pudesses contar-me tudo o que sentes, para que possa sempre ajudar-te mas quis o destino que fosses uma pérola fechada na sua conchinha. Eu também posso ser a tua concha, mas nunca serei o teu cadeado. És livre. Como o meu amor por ti.

Não esperes nunca que alguém possa fazer por ti o que tu própria não fazes. Sabes, meu amor, nós somos o segredo da nossa felicidade. É dentro de nós que encontramos força para darmos um passinho a seguir ao outro, um passinho de tartaruga.

Meu amor, este ano que vais para a escola dos crescidos não te esqueças da mana. Ela tem um orgulho enorme em acompanhar-te no teu caminho, adora que estejas com ela porque na verdade ela sempre olhou para ti como a menina que gostava de ser. Dá-lhe um beijinho também. E estende-lhe sempre a tua mão. Vou confessar-te que gostaria de vos ver percorrer um caminho lado a lado mas sei que nem sempre será possível, no entanto mesmo afastadas quero que se sintam perto do coração uma da outra. (é o meu desejo secreto). Mas o que eu quero, o que eu quero mesmo é que eu seja para ti e para a mana sempre um porto de abrigo, um sítio seguro para estar, sempre que te sentires no meio de uma tempestade, ou numa explosão de emoções que não consegues controlar. Não te deixes afundar, volta para mim. Pegamos no teu livro de receitas do Mickey e fazemos uma pizza. As duas. Dá-me um beijinho, vá lá. Tem um bom dia na escola e diverte-te no recreio.

Aprende a crescer e cresce a ser feliz. Um beijinho (às escondidas dos amigos.)

imagem@wallpaperscraft

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Ingressar no 1º ano com 5 anos ou aguardar um ano no pré-escolar?

Dez coisas que aprendi com a minha filha

Um dia ensino-te…

Olha-me aquela mãe…

… a dar de mamar sem se tapar, sem se ir esconder num canto, que falta de decoro!

… a dar de mamar com o bebé todo tapado, todo abafado, pobre criança!

Olha-me aquela mãe…

… sempre com o bebé ao colo, não o deixa chorar, vai crescer mimado e dependente!

… a deixar o bebé chorar, que horror, vai crescer a sentir que não teve o amor da mãe!

Olha-me aquela mãe…

… a dar banho ao bebé todos os dias, nem deixa a pele repousar!

… a dar banho ao bebé dia sim dia não, que falta de higiene!

Olha-me aquela mãe…

… a deixar a miúda mexer na terra e sujar-se toda, está a crescer sem limites!

… a proibir a miúda de mexer na terra, vai crescer a sentir-se aprisionada!

Olha-me aquela mãe…

… a deixar-se engordar durante a gravidez, está mesmo a desleixar-se!

… a manter-se magra durante a gravidez, o bebé assim não vai crescer!

Olha-me aquela mãe…

… o dia inteiro em casa e tem tudo em pantanas, que preguiçosa!

… tem a casa sempre impecável, não deve ligar nenhuma ao bebé!

Olha-me aquela mãe…

… a escolher pessoas da família para padrinhos, esses já têm o grau de parentesco a uni-los!

… a escolher amigos para padrinhos, a família deve estar sempre em primeiro!

Olha-me aquela mãe…

… a deixar que toda a gente pegue no bebé, de colo em colo, ele assim fica agitado!

… sempre a fugir com o bebé para que ninguém lhe pegue, aposto que vai ser um anti-social!

Olha-me aquela mãe…

… a deixar o bebé dormir na cama dos pais, eles habituam-se e jamais irão para a deles!

… a pôr um bebé tão pequeno no berço, eles precisam tanto de estar em contacto com os pais!

Olha-me aquela mãe…

… a obrigar todos a lavarem as mãos antes de tocarem no bebé, ele assim não ganha defesas!

… a deixar que todos mexam no bebé sem lavarem as mãos, ele assim vai adoecer!

Olha-me aquela mãe…

… vai jantar fora com o marido e deixa o bebé tão pequenino abandonado ao cuidado dos outros!

… sempre fechada em casa, nunca sai para jantar, não larga o bebé, está obcecada!

Olha-me aquela mãe…

… a furar as orelhas do bebé, a sujeitá-lo a tanta dor só por vaidosice!

… a adiar furar as orelhas do bebé, depois custa-lhes mais!

Olha-me aquela mãe…

… sempre a dar a chucha ao bebé, vai ficar com os dentes todos tortos!

… a esconder a chucha do bebé, pobrezinho, não tem com o que se consolar!

Olha-me aquela mãe…

… a falar calmamente com a filha enquanto esta faz uma birra enorme, que crianças tão mimadas!

… a dar uma palmada à filha só porque fez uma birra, não tem paciência nenhuma!

Aos olhos de alguns vais ser sempre “aquela mãe”. Cabe-te decidir se queres ser “aquela mãe” que faz o que os outros acham certo, indo muitas vezes contra o seu instinto e tudo aquilo em que acredita, ou “aquela mãe” que, ainda que sendo criticada, é feliz e faz os seus filhos felizes.

Confia em ti, mesmo que por vezes sintas que estás a fazer asneira.
Tu és capaz, não vais acertar à primeira, por vezes nem à terceira. Com o tempo vais perceber o que resulta com vocês, quais são as opiniões que vale a pena escutar e aproveitar e quais as que devem ser recebidas a sorrir e acenar (como os pinguins do Madagáscar) enquanto por dentro mandas a pessoa ir comer um peixe balão mal confeccionado. Independentemente do caminho que escolhes seguir, do tipo de práticas parentais com que te identificas, jamais serás compreendida por todos. O que uns aplaudem, outros apupam; não faz mal que assim seja, os únicos aplausos de que precisas são os dos teus filhos, aqueles que se traduzem em sorrisos e gestos de amor e te ecoam na cabeça quando à noite a pousas na almofada.

imagem@read01.com

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Cada vez mais fartinha de Mães

Carta às mães mais que perfeitas.

Larguem as mães!

 

Calma! Calma mães desesperadas, sonolentas, com roupas manchadas de leite e sabe-se lá mais o quê… Calma, mulheres que não vêm um rimel há mais de 6 meses e já desistiram daqueles jeans justos que antes ficavam tão bem… Não se zanguem, mães cansadas de arrumar uma casa onde mais parece que vivem 15 do que 3, e que já não sabem o que mais inventar para fazer uma sopa “diferente”…

Eu sou como vocês! Eu estou como vocês! Estamos todas assim!

Antes que se revoltem comigo por dizer que ser mãe é fácil, deixem-me explicar:

Antes do meu filho nascer tinha medo… Tinha muito medo… E se eu não soubesse cuidar de um bebé?! E como é que se fazia a alimentação dele? E se ele ficasse doente?! E se não fosse boa mãe?! 
Depois, entrei em “modo automático”! Nada do que eu fazia era consciente ou propositado, era puro instinto… Como se estivesse fora do meu corpo sem ter a verdadeira noção das minhas acções… Quase como um sonho, mas sempre com um diabinho na minha cabeça a dizer tudo o que EU TENHO QUE fazer… TENS QUE fazer isto, TENS QUE fazer aquilo… Raio do bicho..

Com o tempo percebi que eu não “TINHA QUE” nada! Nem tinha, nem tenho! Porque ser mãe é tão fácil…

Há alturas complicadas. Há momentos difíceis.Há o cansaço, o não saber o que fazer. A pressa de voltar ao que a vida era (sem ainda sonhar que nunca mais será igual), a necessidade de voltar a sentir outras coisas (sair daquele modo automático que falei mais acima)… É duro! É o papel mais duro nas nossas vidas. Mas é também o mais gratificante e aquele que mais nos preenche! Os momentos bons são muitos mais e sobrepõem-se claramente às dificuldades, e um abraço daqueles pequenos seres cura todos os males do mundo! É mágico…

E na verdade ser mãe é tão fácil… Porque não precisamos de nada. O que faz de nós boas mães está em nós. Cresce em nós, tal como eles!
Porque instintivamente vamos saber como cuidar deles. Vamos saber dar-lhes o que eles precisam, vamos curar todos os males com colo, mimo e abraços… É natural, é instintivo… É algo que vive em nós e que não sabemos até sermos mães… É difícil de explicar, mas na realidade, ser mãe é tão fácil quanto dar um abraço. Porque um abraço entre mãe e filho é o momento mais sereno que há! É onde tudo é certo, tudo é bom, tudo é feliz!
E se o que queremos é que sejam felizes, é tão simples quanto isso. Basta amá-los e o resto acontece!  Porque quando se ama, não é preciso mais nada!

imagem@babble

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Será que sou má mãe?

Eu não sou uma mãe perfeita, sou uma mãe perfeitamente real

O mais difícil de ser mãe, é aceitar que o somos

 

A mãe por cesariana é fraca, é cobarde e não sabe o que é ser mãe.

A mãe por cesariana arrisca a sua vida, muito mais do que um parto normal, de forma a ter um parto muitas vezes mais saudável para o seu bebé.

A mãe por cesariana tem um parto, sozinha, num bloco operatório, rodeadas de utensílios como tesouras e bisturis, máquinas como monitores cardíacos, numa sala fria, grande, cheia de profissionais, enquanto aguarda sozinha e com medo. Muitas vezes ficamos numa marquesa, simplesmente à espera enquanto os médicos falam da ultima temporada do walking dead sem fazer ideia do que vai acontecer.

A mãe por cesariana recebe uma anestesia na coluna que a pode lesar para sempre!

A mãe por cesariana tem sete camadas do seu próprio corpo cortadas, uma a uma, até chegar ao útero e posteriormente cozidas!

A mãe por cesariana quase não consegue andar quando se levanta pela primeira vez!

A mãe por cesariana passa por um pós parto difícil e demorado com uma costura enorme por sarar que não lhe permite tossir, espirrar ou bocejar sem dor!

A mãe por cesariana é submetida a uma cirurgia. Ao contrário de qualquer outra cirurgia, nos momentos a seguir não há lugar a descanso ou recuperação. Há o cuidar de um bebé. Há o dar de mamar, dar banho, levantar, massagens para as cólicas. O mundo não espera pela recuperação.

A mãe por cesariana carrega em si uma marca para o resto da vida. Uma cicatriz, onde a sua vida recomeçou.

Podem chamar-me de muita coisa, mas não me chamem de fraca, cobarde e nem se atrevam a dizer que não sei o que é ser mãe!

Eu não sou mãe de cesariana! Sou só mãe! 

E a minha força ou coragem, sei-a eu!

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