Fui durante treze anos a irmã mais nova. Depois, passei a ser a irmã do meio, a posição privilegiada que tem a função de aprender mas também de ensinar em igual proporção, a única que pode dizer que tem irmãos mais novos e irmãos mais velhos!
De certa forma é como se já nem me lembrasse da fase em que não havia a minha irmã.
Foi com ela que aprendi que os bebés sorriem antes mesmo de terem dentes.
Foi a ela que ensinei a dançar em cima da cama.
Foi a ela que pedi vezes sem conta que me deixasse dormir mais um bocadinho. Ou que parasse de cantar para eu conseguir estudar.
Foram as lágrimas dela as que primeiro limpei, dizendo que ia correr tudo bem.
Foi a ela que ensinei muito rapidamente a pôr a mesa para me poupar essa tarefa.
Foi a ela que ajudei a fazer os trabalhos de casa.
Foi com ela que voltei a brincar com bonecas.
Foi com ela que passei “vergonhas” em sítios públicos quando dizia bem alto que tinha de ir à casa de banho.
Foi a ela que expliquei que os seus avós não eram meus avós, apesar de os outros avós serem avós de ambas.
Foi com ela que dormi as melhores sestas da minha vida.
Foi a ela que pintei as unhas de transparente com brilhantes – mas só para usar no fim-de-semana porque na escola não podia.
Foi nas festas da escola dela que me emocionei como se fosse minha filha.
Foi a ela que vi crescer e ter um discurso mais adulto que muita gente que conheço.
Foi dela que tive sempre o maior orgulho pela sua cabeça, pelo seu coração.
É com ela que falo de assuntos sérios, mesmo com os nossos treze anos de diferença.
É a ela que gosto de ouvir para perceber como algumas coisas são realmente diferentes das “do meu tempo” mas também como algumas coisas nunca mudam.
É a ela que digo para ter juízo.
Para respeitar os pais.
Para estudar.
Para ligar.
Para ler.
A quem empresto maquilhagem. E roupa.
É com ela que falo de músicas e de filmes. Que recomendo livros.
É a ela que vejo ser uma tia paciente, brincalhona, presente, divertida e adorada.
É com ela que me preocupo mais, enquanto a minha própria filha não cresce.
De quem espero receber uma mensagem quando sai à noite.
Que odeio ver com um coração partido. De quem me orgulho por seguir em frente com a cabeça erguida.
Que pede desculpa por esta semana não vir cá a casa.
Que é uma das melhores amigas que existem. E a minha melhor também.
Que tem uma memória de minhoca para muitas coisas, mas não se esquece das principais.
Que é a melhor companheira de férias.
A minha irmã mais nova é linda por fora e por dentro.
Foi o melhor presente que recebi na vida porque me ensinou a amar verdadeiramente. Porque é um presente que está na minha vida sempre. E para sempre.
E que sortuda sou por ser a irmã do meio!
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