Antes de ter filhos acreditava que quando as crianças se portavam mal, ou eram mal criados, ou faziam coisas nojentas, havia qualquer coisa em casa que não funcionava bem. Obviamente os pais não sabiam educar uma criança. (Posso voltar atrás no tempo e esbofetear-me?)
Agora eu sei que, provavelmente, eram crianças comuns e os seus pais estavam tão chocados como eu com o comportamento deles. Porque independentemente da educação que damos há coisas que as crianças fazem.
- BIRRAS
O que é que me fez pensar que é possível calar uma criança a meio de uma birra? É como tentar parar um comboio. Um comboio barulhento. Um comboio barulhento, descontrolado e desenfreado que vem na nossa direção, e tudo o que podemos fazer é atirar-nos para os trilhos para o tentar parar. Podes tentar falar calmamente, devagar, mas… é um comboio descontrolado! Boa sorte! - LAMENTAR-SE
Eu já disse aos meus filhos 5.387 827 vezes “Eu não percebo nada quando falas assim” mas eles continuam. A sério, as crianças não falam assim porque resulta. Eles falam assim porque gostam do som da sua voz a lamentar-se. E por causa do Ruca. - NÃO RESPONDER
Não dar resposta, pura e simplesmente, quando alguém fala com eles. Dois dos meus filhos não respondiam às pessoas, apesar das inúmeras conversas que tive com eles sobre o facto de isso ser falta de educação (consideração, respeito etc) Um deles responde na própria cabeça e nem sequer se apercebe que não o disse em voz alta. O outro não responde se não tem nada a dizer. A timidez é difícil de superar. - NÃO DORMIR A HORAS
O meu filho mais novo é uma coruja. Ele chega a ficar 2h30 às escuras no quarto e não dorme. A sério, 150 minutos é muito tempo. Ele fala sozinho, canta, e ocasionalmente chama-nos para dizer que não está a dormir (como se não tivéssemos percebido) É indiferente se tivemos um dia muito agitado ou não. Por mais calmas e relaxantes que sejam as rotinas de ir para a cama, ele simplesmente não adormece. É dele. - FALAR ALTO
Algumas crianças não têm controlo do volume. É sempre no máximo. Não precisam de estar a gritar ou a berrar. A voz delas é assim, fura o ar! Até a sussurrar é num tom muito alto. E não há nada que se possa fazer quanto a isso, senão amordaça-las. - MENTIR
Um dos meus filhos é naturalmente honesto. Eu também era assim em criança, lembro-me de mentir à minha mãe uma vez e ainda me sinto mal por isso. Mas os outros dois já brilharam no palco dos miúdos aldrabões, apesar de falarmos com eles e lhe tentarmos ensinar a importância de ser honesto desde muito cedo.
Eu nem queria acreditar a primeira vez que um dos meus filhos me mentiu descaradamente. Como é que ele pode? Dizem que é sinal de inteligência! Claro, vamos entrar na onda. Sempre é melhor do que o pensamento “O meu filho é um sociopata” - TIRAR MACACOS DO NARIZ
Todos os miúdos que conheço o fazem. Em casa ou em público. Normalmente passará com a idade, mas até lá é uma batalha diária, que por vezes dura meses. Às vezes vejo-os ali sentados simplesmente com o dedo enfiado pelo nariz adentro. Nem sequer o mexem. É nojento. - NÃO LAVAR AOS MÃOS DEPOIS DE IR À CASA DE BANHO
Lavar as mãos fazia parte da rotina de treino para tirar fralda: íamos à casa de banho, cantávamos o abc, falávamos sobre germes e lavávamos as mãos.
E mesmo assim, levou uns seis ou sete anos até que se habituassem a lavar as mãos quando começaram a ir sozinhos à casa de banho. E eu tornei-me numa mestra em cheirar mãos de crianças! - MASTIGAR COM A BOCA ABERTA
CHOMP. CHOMP. CHOMP.
-Mastiga com a boca fechada, sff
10 segundos depois.
CHOMP. CHOMP. CHOMP.
-Querida, mastiga com a boca fechada, sff.
10 segundos depois.
CHOMP. CHOMP. CHOMP.
-Princesa, não comas de boca aberta!
10 segundos depois.
CHOMP. CHOMP. CHOMP.
-A sério, já te pedi para não mastigares de boca aberta. E se vais a casa de alguém, mastigas assim?
-Eu não como assim na casa das outras pessoas.
(Olhar vazio)
-Bem, então também não comes assim cá em casa, entendido?
10 segundos depois.
CHOMP. CHOMP. CHOMP.
É como falar para uma parede.
10. TODA AS OUTRAS COISAS NOJENTAS
Estávamos em casa de uns amigos no outro dia, e encontrei em cima do balcão da cozinha as meias sujas do meu filho. Meias sujas do MEU filho. No balcão de cozinha. Na casa dos meus amigos. Não era do meu filho mais novo, mas sim do meu mais-de-dez-anos-e-que-já-deveria-ter-juízo filho. Eu nem sabia o que fazer com aquilo.
Imaginem um miúdo de uma família super simpática, com uns pais ótimos a fazer xixi na escova de dentes do irmão. Sim, isso aconteceu mesmo.
O nosso filho de 5 anos, no ano passado, basicamente lambeu a Disney world de uma ponta à outra. Tive de lhe dizer repetidamente para tirar a boca de todos os corrimãos que passávamos. Eu nem sequer sou germafóbica, mas juro que cheguei a ficar mal disposta com aquilo.
Tantas. Coisas. Nojentas.
Ensinamos aos nossos filhos estas coisas? Não. Eles aprendem com outras pessoas? Talvez. Nós damos o tudo-por-tudo para ensiná-los bem? Sim! Será que resulta sempre? Claro que não.
Há uma razão para se demorar 18 anos (ou mais) a criar seres humanos responsáveis, sociavelmente adaptados e 100% asseados.
Vamos cruzar os dedos!
Por Annier Reneau para Scary Mommy,
traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids®
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