Antes de ter filhos acreditava que quando as crianças se portavam mal, ou eram mal criados, ou faziam coisas nojentas, havia qualquer coisa em casa que não funcionava bem. Obviamente os pais não sabiam educar uma criança. (Posso voltar atrás no tempo e esbofetear-me?)

Agora eu sei que, provavelmente, eram crianças comuns e os seus pais estavam tão chocados como eu com o comportamento deles. Porque independentemente da educação que damos há coisas que as crianças fazem.

  1. BIRRAS
    O que é que me fez pensar que é possível calar uma criança a meio de uma birra? É como tentar parar um comboio. Um comboio barulhento. Um comboio barulhento, descontrolado e desenfreado que vem na nossa direção, e tudo o que podemos fazer é atirar-nos para os trilhos para o tentar parar. Podes tentar falar calmamente, devagar, mas… é um comboio descontrolado! Boa sorte!
  2. LAMENTAR-SE
    Eu já disse aos meus filhos 5.387 827 vezes “Eu não percebo nada quando falas assim” mas eles continuam. A sério, as crianças não falam assim porque resulta. Eles falam assim porque gostam do som da sua voz a lamentar-se. E por causa do Ruca.
  3. NÃO RESPONDER
    Não dar resposta, pura e simplesmente, quando alguém fala com eles. Dois dos meus filhos não respondiam às pessoas, apesar das inúmeras conversas que tive com eles sobre o facto de isso ser falta de educação (consideração, respeito etc) Um deles responde na própria cabeça e nem sequer se apercebe que não o disse em voz alta. O outro não responde se não tem nada a dizer. A timidez é difícil de superar.
  4. NÃO DORMIR A HORAS
    O meu filho mais novo é uma coruja. Ele chega a ficar 2h30 às escuras no quarto e não dorme. A sério, 150 minutos é muito tempo. Ele fala sozinho, canta, e ocasionalmente chama-nos para dizer que não está a dormir (como se não tivéssemos percebido) É indiferente se tivemos um dia muito agitado ou não. Por mais calmas e relaxantes que sejam as rotinas de ir para a cama, ele simplesmente não adormece. É dele.
  5. FALAR ALTO
    Algumas crianças não têm controlo do volume. É sempre no máximo. Não precisam de estar a gritar ou a berrar. A voz delas é assim, fura o ar! Até a sussurrar é num tom muito alto. E não há nada que se possa fazer quanto a isso, senão amordaça-las.
  6. MENTIR
    Um dos meus filhos é naturalmente honesto. Eu também era assim em criança, lembro-me de mentir à minha mãe uma vez e ainda me sinto mal por isso. Mas os outros dois já brilharam no palco dos miúdos aldrabões, apesar de falarmos com eles e lhe tentarmos ensinar a importância de ser honesto desde muito cedo.
    Eu nem queria acreditar a primeira vez que um dos meus filhos me mentiu descaradamente. Como é que ele pode? Dizem que é sinal de inteligência! Claro, vamos entrar na onda. Sempre é melhor do que o pensamento “O meu filho é um sociopata”
  7. TIRAR MACACOS DO NARIZ
    Todos os miúdos que conheço o fazem. Em casa ou em público. Normalmente passará com a idade, mas até lá é uma batalha diária, que por vezes dura meses.  Às vezes vejo-os ali sentados simplesmente com o dedo enfiado pelo nariz adentro. Nem sequer o mexem. É nojento.
  8. NÃO LAVAR AOS MÃOS DEPOIS DE IR À CASA DE BANHO
    Lavar as mãos fazia parte da rotina de treino para tirar fralda: íamos à casa de banho, cantávamos o abc, falávamos sobre germes e lavávamos as mãos.
    E mesmo assim, levou uns seis ou sete anos até que se habituassem a lavar as mãos quando começaram a ir sozinhos à casa de banho. E eu tornei-me numa mestra em cheirar mãos de crianças!
  9. MASTIGAR COM A BOCA ABERTA

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-Mastiga com a boca fechada, sff

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-Querida, mastiga com a boca fechada, sff.

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-Princesa, não comas de boca aberta!

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-A sério, já te pedi para não mastigares de boca aberta. E se vais a casa de alguém, mastigas assim?

-Eu não como assim na casa das outras pessoas.

(Olhar vazio)

-Bem, então também não comes assim cá em casa, entendido?

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

É como falar para uma parede.

        10. TODA AS OUTRAS COISAS NOJENTAS

Estávamos em casa de uns amigos no outro dia, e encontrei em cima do balcão da cozinha as meias sujas do meu filho. Meias sujas do MEU filho. No balcão de cozinha. Na casa dos meus amigos. Não era do meu filho mais novo, mas sim do meu mais-de-dez-anos-e-que-já-deveria-ter-juízo filho. Eu nem sabia o que fazer com aquilo.

Imaginem um miúdo de uma família super simpática, com uns pais ótimos a fazer xixi na escova de dentes do irmão. Sim, isso aconteceu mesmo.

O nosso filho de 5 anos, no ano passado, basicamente lambeu a Disney world de uma ponta à outra. Tive de lhe dizer repetidamente para tirar a boca de todos os corrimãos que passávamos. Eu nem sequer sou germafóbica, mas juro que cheguei a ficar mal disposta com aquilo.

Tantas. Coisas. Nojentas.

Ensinamos aos nossos filhos estas coisas? Não. Eles aprendem com outras pessoas? Talvez. Nós damos o tudo-por-tudo para ensiná-los bem? Sim! Será que resulta sempre? Claro que não.

Há uma razão para se demorar 18 anos (ou mais) a criar seres humanos responsáveis, sociavelmente adaptados e 100% asseados.

Vamos cruzar os dedos!

Por Annier Reneau para Scary Mommy,
traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

Nota: Todos os textos traduzidos, adaptados e publicados pela Up To Lisbon Kids® têm a a autorização do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

imagem capa@dollarphotoclub

21h00
Teve um pesadelo
Não faz mal, a mãe está aqui )

21h15
Quer um copo de água

21h22
Não consegue parar de rir porque se lembrou de uma coisa muito engraçada mas já não sabe o que era
Pronto, começa! )

21h29
Está triste porque não se consegue lembrar da coisa engraçada e queria contar-me
Eu não disse? )

21h35
Quer um beijinho de boa noite (outro)

21h50
Quer tirar as meias

22h10
Só quer fazer uma pergunta
( Bem, já vi que isto hoje é até às quinhentas… )

22h11
Tem frio nos pés
Pois, então, tiraste as meias… )

22h30
Quer um abraço de boa noite

22h40
Quer ir para a sala

23h00
Tem fome. Quer leite.

23h16
Quer telefonar aos avós para dizer uma coisa.

23h25
Quer saber se no natal pode receber uma bicicleta nova
-DORME!

23h33
Está com medo
( Se calhar o meu DORME!... foi  num tom menos melódico…)

23h42
Ainda não sabe, afinal, de onde é que saem os bebés
( Humm, pois, não sei quando contar toda a verdade, mas por agora parece-me muito cedo )

23h50
Quer outro irmão, mas tem de nascer já crescido. Com 4 anos e com a altura dele para poderem brincar… mas, ainda por cima, ainda não sabe de onde saem os bebés.
(  Nem queiras saber, esquecias logo a ideia do irmão de 4 anos )

23h54
Quer um cão que pode até ser em vez da bicicleta.  O melhor era receber os dois e a bicicleta nem precisava de vir embrulhada: bastava ter 1000 balões pendurados.Das tartarugas Ninja – A bicicleta, não são os balões

23h59
Tem sono
( e não dormes porque?…)

00h09
Que saber de que tamanho é a maior formiga do mundo. Porque o irmão mais velho disse-lhe que há formigas no quarto dele, debaixo da cama.
( Nunca se sabe se está lá alguma do tamanho de um dinossauro!)

00h15
Quer saber porque é que o Jesus está sempre de fralda.
(…??…Agora? )

00h19
Quer saber quanto tempo falta para fazer anos
( Pouco querido, é no fim do ano, falta-te só mais um bocadinho! )

00h26
Quer dizer um segredo: gosto muito da mãe!
– Eu também querido… ( mas gosto mais de ti durante o dia. )

00h30
Chamou a última vez.
Quando lá cheguei estava a dormir. Sem tocar em nada saio pé ante pé… quando estou a chegar à porta diz – Mãe? 

Desesperada, respondo a arrastar a voz: Siiiim querido!

“Vá-xe deitale! Tá xó a faxer balulho no meu qualto… Xonhos veldes”
Porque é um bebé a falar, e adora o Hulk! Ah e o côr-de-rosa é para meninas…

Por Up To Lisbon Kids®
Todos os direitos reservados

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LER PRIMEIRO |  A VERDADE SOBRE TER UM TERCEIRO FILHO

A derradeira verdade sobre ter um quarto filho

Quando engravidamos do quarto filho, os mais velhos já são completamente autónomos mas o terceiro é ainda um bebé apesar dos seus quase 4 anos. Não sabemos que estamos grávidas até percebermos que aqueles 3Kg a mais não são por estar a entrar nos 40. Curiosamente sentimo-nos com a energia de uma adolescente, e aguentamos tudo com poucas horas de sono. Parece que estamos grávidas de 6 meses, no dia antes de parir. Já ultrapassamos a fase do stress, e agora adotamos uma postura zen, menos quando estamos a dormir que temos sempre um olho aberto por causa dos outros filhos.

Nesta fase somos super-heroínas

Nada nos afeta, e os enjoos nem tiveram coragem de se manifestar. Não há tempo para nada e mal descansamos por isso, quando é hora de refeição é hora de refeição, e não nos privamos de comer sobremesa sempre que nos apetece. O álcool sabe-nos lindamente até descobrirmos que estamos grávidas. A partir daí voltamos a enfrascarmo-nos em baldes de leite com chocolate. Compramos vitaminas no dia em que descobrimos que estamos grávidas e tomamos religiosamente todos os dias. Tudo o que ajudar a aguentar este ritmo é bem vindo. Redefinimos o conceito de tempo. É a gravidez mais curta da história e é contada em períodos escolares e férias grandes.

Ninguém se dá ao trabalho de nos dar conselhos ou informações sobre bebés

Preocupam-se a dar conselhos sobre contraceptivos. Todos assumem que somos loucas e que só pode ter sido um acidente. As pessoas acotovelam-se a apontar para nós no meio da rua, normalmente de sorriso na cara. Fazem questão de nos contar histórias sinistras sobre o terceiro filho que deixou de falar, comer ou fazer cocó quando nasceu o quarto. E sentiu-se incompreendido toda a vida por isso nunca conseguiu ter uma relação estável. O obstetra já nos conhece de ginjeira e falamos várias vezes por whatsapp.

Como a gravidez se pega, três ou quatro amigas também estão grávidas. As restantes, batem na madeira e continuam com uma vida social agitada.

Perguntam-nos, onde quer que vamos “É o primeiro?” Quando dizemos que é o quarto, ficam com cara de Mona Lisa, e acabam por soltar uma bojarda qualquer tipo:

“- Eh lá, isso é que é! Grande coragem… tinha só rapazes, era?”

– “Não, já tínhamos dos dois sexos, por isso devemos ser mesmo estúpidos por fazer mais uma criança!”

Lemos artigos sobre maternidade nas redes sociais e nos blogues e tiramos dúvidas nos grupos de mães.

A Criança vai ficar com o nome do pai ou da mãe ou do periquito. Montamos o berço ao lado da nossa cama e esperamos que o bebe caiba lá até aos 2 anos porque não há quarto para ele.

Já não temos quase nada de enxoval, mas as coisas vão aparecendo através de amigas e familiares. Mesmo assim fazemos questão de comprar cueiros e outras peças que duram um mês, porque na verdade estamos cheias de saudades de roupa tamanho zero.  Os miúdos passam a vida a ver televisão e já mal controlamos as gravações que fazem. Já não se fala sobre pierciengs e tatuagens: eles não falam sobre isso, nós temos tanto com que nos preocupar, que se algum aparecer com um mamilo furado é um mal menor. A Dora e o Ruca já desapareceram da nossa casa, e na verdade, até preferíamos que voltassem porque, pelo andar da carruagem, este bebé vai ser fã de DragonBall e Violletas aos 18 meses.

O bebé nasce. E sentimo-lo como se fosse o primeiro filho.

Este filho vai fazer-nos perceber a quantidade de amor de que um coração humano é capaz. Vamos olhar para os mais velhos com outros olhos, e perceber o doloroso que é estar longe deles. Vamos perceber que eles continuam a precisar de nós tanto como o bebé. Vamos ter de gerir o nosso tempo, porque a capacidade de amar multiplica-se, mas o tempo não!

Vamos confirmar que temos a capacidade de amar cada um deles. E que temos a capacidade de sofrer por cada desgosto deles. E  fazêmo-lo alegremente até ao último sopro. Ao nosso último sopro, esperemos.

Quando engravidamos do nosso quarto filho, as pessoas julgam-nos e criticam-nos.

Mas eu vejo sempre o copo meio cheio. E trazer uma vida a este mundo não é garantia de incertezas e tristezas ao longo de toda a existência. Para mim, é garantia de certezas (cada vez mais) e alegrias ao longo de toda a existência.

Eu fui mãe por amor. Amor ao meu marido, amor à nossa vida, amor ao nosso amor. Por querer estender e partilhar este amor. E sim, não planeei tudo, se querem saber… Mas isso nunca fez com que os meus filhos fossem menos desejados ou menos amados.

Se somos felizes assim?
Somos, felizes e completos.

Por Ines Pinto Correia, Todos os direitos reservados

Depois que virei mãe, passei a conviver diariamente com medos até então desconhecidos ou nunca antes pensados.

Lembro-me como se tivesse sido ontem da primeira vez que senti medo. Foi no dia em que descobri que estava grávida. Quis comprar umas botinhas de bebê para contar para Saulo a novidade e como a loja era perto eu fui andando. Como tinha pressa decidi começar a correr, mas o corpo não obedeceu. Parei e notei que estava com medo. Medo de ir correndo tropeçar e cair no medo da estrada e ser atropelada! Vejam que exagero, mas esse exagero todo era porque eu estava com medo de perder o meu bebê. Naquele momento quase me achei louca e até ri de mim mesma, mas respeitei meu medo e fui andando calmamente. Mal sabia eu que aquele era o começo da minha relação intensa com um sem numero de “medos”.

Matheus nasceu e com ele nasceu um mundo de medos.

Um dos primeiros foi o medo de morrer… não por mim, não pela dor física da morte, mas pela dor de deixar meu filho… de não o ver crescer. Nunca até então tinha tido medo de verdade de morrer, hoje eu tenho pânico.

E o medo de perder? Esse então me aterroriza. Não consigo me imaginar perdendo meu filho  e queria que nunca ninguém tivesse que conviver com essa dor. E por causa do medo da perda, aparecem os  “mini medos”.

Quem nunca no pós-parto teve medo até de uma escada quando estava com o bebê nos braços? Eu tenho medo de descer uma escada com Matheus nos braços até hoje, e tenho mais medos desse tipo, mas com o tempo aprendemos a controla-los e a não pensar tanto neles.

Sabe outro medo que apareceu logo depois que Matheus nasceu? O medo de dirigir. Vocês não imaginam como eu tremi quando me vi pela primeira vez sozinha com Matheus dentro de um carro. Eu tremi na base, mas após alguns “passeios” eu aprendi a conviver com esse medo e hoje lido bem com ele. Ele ainda existe, eu o respeito, mas faço que não o vejo.

Matheus foi crescendo e com ele os medos continuaram aparecendo.

Qual mãe não conheceu o medo de falhar? Comigo não foi diferente. Sempre, desde o dia que ele nasceu que me cobro. Queria conseguir ser perfeita, mas descobri que nunca vou sê-lo e quando passei a saber lidar com a imperfeição, comecei a ter medo das consequências dos meus erros causados por ela.

Como educar é difícil… Você fica o tempo todo se questionando, perguntando se a educação que você está dando é a melhor, se a forma como está educando é a certa… Duvidas, e mais duvidas, e todas elas são culpa do medo de falhar.

Como é complexo viver quando se é mãe. É como se fossem dois seres vivendo num só.

Você quer voltar a ser você, mas o instinto materno fala mais alto, e voltar a ser você pode provavelmente te fazer errar mais, e com o medo de errar, você vice com medo de tudo, porque tudo na vida é feito de momentos onde tentamos acertar e frequentemente erramos.

Ser mãe é ter o curriculum cheio de medos… não tenho dúvida, mas também não podemos deixar de viver porque eles existem…

Medos nos desafiam, mas eles nos fazem chegar muita além do que a nossa mente se julga capaz.

E você? Já aprendeu a conviver com os medos?

 

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Primeiro somos solteiros. Felizes descomprometidos à procura do amor eterno. Depois apaixonamo-nos e a vida é bela. Tudo acontece em slowmotion, e as emoções a dois são vividas com intensidade. Crescemos e a vontade de ter um filho, uma prova do amor que nos une, aumenta de dia para dia. Fazemos um teste de gravidez. Deu positivo. A seguir quando damos por nós já temos um pé de feijão a brotar na janela da cozinha, brinquedos espalhados na banheira e festas de anos infantis fim-de-semana sim, fim-de-semana também.

O tempo passou à velocidade de um fósforo e não houve tempo para planear o dia a dia na educação dos nossos filhos da forma que sempre pensamos vir a fazer. Claro que decisões foram pensadas e tomadas de acordo com o decidido… mas são as pequenas coisas que farão toda a diferença. E aqui, já todos erramos e já todos nos arrependemos.

Para estarmos um pouco mais atentos, aqui ficam os 7 erros mais frequentes na educação dos filhos:

  1. Uso excessivo desnecessário do “não”
    -Não comas com a boca aberta, não chateies o teu irmão, não desarrumes o quarto… Estes são só alguns dos exemplos das frases que repetimos diariamente aos nossos filhos. O uso excessivo da negativa não é benéfico em nada. Peça-lhes para fazer o que considera correto: – Quando acabares de brincar, arruma o quarto. Reforce os comportamentos positivos, e elogie sempre que for adequado. Aplique a força do Não para o que é mesmo necessário, o que quer que os seus filhos retenham como algo a não fazer: – Não metas os dedos na tomada!
  2. Elogiar sempre o seu filho
    Incentivar e apoiar as atitudes de uma criança parece um caminho 100% seguro para garantir autoestima em alta. O problema é que o exagero pode levar a um efeito exatamente contrário. – Até os anos 70 não havia uma preocupação nítida com essa questão da autoestima dos filhos. “Quando se começa a falar mais sobre isso, vem o exagero. Os pais começaram a elogiar qualquer coisa, mesmo que banal”, refere Tania Zagury, mestre em educação e autora do livro Filhos: manual de instruções. A autora defende que encorajar e parabenizar um filho deve fazer parte da rotina da família, desde que os pais percebam que as crianças realmente se esforçaram para atingir o objetivo. Elogios excessivos e falta de encorajamento são dois extremos perigosos. O ideal é cada família encontrar o seu equilíbrio.
  3. Superproteção
    Proteger os filhos exageradamente impede que eles aprendam a lidar com as adversidades que encontrarão na vida adulta. As crianças têm de ser preparadas para serem autónomas e auto-suficientes, e para isso é necessário deixa-los correr determinados riscos, e cometer alguns erros. Se é um pai/mãe demasiado nervoso, tente relaxar e abstraír-se um pouco pois o nervosismo é transmitido à criança tornando-se ela, também, um adulto nervoso e inseguro.
  4. Facilitismos
    Querer tirar todas a pedras do caminho dos seus filhos, é legítimo. Fazê-lo, é errado. Os pais são os principais responsáveis pela construção da autoestima da criança e deixar que ela adquira confiança em si mesma e nas próprias ações é fundamental neste processo. Eles precisam que os ensine a lidar com os problemas, e não que os resolva por eles. Isso criará uma relação de dependência muito grande, que por vezes, se estende até à idade adulta.
  5. Querer que eles cresçam depressa demais
    Muitas vezes os pais querem que os filhos aprendam coisas que não são ainda apropriadas à idade dos mesmos. Querem que o filho seja o melhor e por isso forçam o desenvolvimento de competências avançadas para a faixa etária. As crianças precisam de tempo para brincar. Apressar o desenvolvimento é privá-la do seu tempo enquanto criança e não traz mais valias a longo prazo. Uma criança que aprenda a ler mais cedo do que as outras, não significa que será melhor nos estudos mais tarde. O ideal é deixar que a criança se desenvolva naturalmente de acordo com cada fase da vida.
  6. Exigir dos filhos para enaltecer o seu ego
    O sucesso dos seus filhos não reflete o seu sucesso como pai/mãe. Os pais têm tendência a sobrevalorizar o desempenho dos filhos, muitas vezes para se sentirem bem em relação ao seu desempenho como pais. Uma coisa não implica a outra: pais ausentes e desinteressados podem ter filhos exemplares e pais presentes e preocupados podem ter filhos desinteressados. Obviamente que o acompanhamento, a educação e o exemplo que lhes dá é meio caminho andado para melhorar o desempenho do seu filho. Mas de qualquer forma o mérito é sempre deles. Encarar os objetivos do seu filho como metas suas pode gerar cobranças excessivas e causar frustração. Evite esse tipo de comportamento.
  7. Deixar a educação dos seus filhos a cargo
    Os pais têm cada vez menos tempo livre para dedicar à educação (presencial) dos filhos. Querem dar-lhes o melhor, e por isso passam muitas horas a trabalhar transformando, muitas vezes, a casa numa extensão do seu local de trabalho. Quando chegam, ou é demasiado tarde para fazer alguma coisa com os miúdos, ou estão demasiadamente cansados para brincar com os filhos.
    Um efeito colateral desta indisponibilidade é a procura de artifícios e recursos para manter os filhos ocupados. A realização de atividades extra curriculares é sempre uma boa solução para os miúdos, principalmente quando gostam do que fazem, mas não substitui de forma alguma a necessidade de passar tempo com os pais.Os pais são o alicerce de uma educação sólida e de uma auto-estima fortalecida.
    Invista na educação do seu filho.
    Porque ele merece ser feliz!

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Esta manhã passei-me. Saltou-me a tampa à séria.

Depois dos miúdos estarem vestidos para a escola, de pequeno almoço tomado, dentes lavados, mochila pronta, liguei a televisão.  Eu tenho uma regra que os miúdos só podem assistir a determinados canais. Há tanta porcaria na TV – espetáculos  para adolescentes e pré-adolescentes, novelas com crianças malcriadas geralmente com comportamentos ofensivos – e sinceramente já é suficientemente complicado manter os meus filhos sob controlo sem expô-los a esses tipos de influências e modelos. Portanto, a regra é, a mãe define o canal, e ninguém muda sem permissão. A Annebelle nunca, mas nunca cumpre esta regra. Assim que olho para o lado um segundo, já está de comando na mão a fazer zapping à procura de um programa qualquer com adolescentes wannabe. Foi o que aconteceu esta manhã. 30 segundos depois de eu ter ligado a televisão, ela já estava a mudar de canal. – Larga a Tv Annebelle! – e saí da sala.
A caminho da cozinha olhei para ela e já estava de comando na mão outra vez. E passei-me.

JÁ TE DISSE 1000 VEZES PARA NÃO MUDARES DE CANAL. VAI PARA O TEU QUARTO E NÃO SAIS DE LÁ ATÉ À HORA DE IR PARA A ESCOLA – Gritei e praguejei. – JÁ!. – Annebelle ficou parada a olhar para mim. – VAI!

Os miúdos estavam boquiabertos enquanto eu a perseguia literalmente até ao quarto. Ela estava um passo à minha frente e quando lá chega bate-me com a porta na cara. BATEU-ME COM A PORTA NA CARA? – Eu vou matá-la, murmurei. – MÃE! A mãe vai mesmo matá-la? A mãe disse mesmo isso? perguntou a Daisy em pânico.

ABRE JÁ A PORTA! – Ordenei. A Annebelle abriu a porta. – NUNCA MAIS NA TUA VIDA ME BATES COM A PORTA NA CARA, PERCEBESTE?

O Mike tenta acalmar-me. – Deixa-me em paz. Eu faço tudo por vocês – incluindo por ti, e ninguém me dá valor!

Eu sei… tanta coisa por uma criança de 8 anos mudar o canal de Tv, não é? Mas é óbvio que não foi por isso. Isso foi apenas a gota de água. Foi a minha filha de 8 anos mudar de canal depois de lhe ter dito para não o fazer. Foi o Finn a fazer birra durante o pequeno-almoço inteiro, outra vez. Foi o Joey, armado em vítima, e cheio de atitude porque ontem não o deixei criar uma conta no Instagram (ele tem 10 anos, pelo-amor-da-santa). São as brigas e as disputas o tempo todo. É só eu quero, eu quero, eu quero, e não fazem nada do que lhes peço. E eu apenas peço que ponham a mesa, ou que façam as suas camas. Oh meu Deus, pensavam que lhes pedia para arrancarem as próprias unhas ou algo do género, não? Basta o meu marido estar muito tempo fora, para eu me sentir completamente sozinha e não conseguir lidar com tudo ao mesmo tempo.

Não me estou a desculpar por me ter passado esta manhã. Eu até tenho vergonha. Gostava de  me ter controlado. E antes que comece a soar como a minha mãe, que achava que as crianças eram responsáveis pela felicidade/infelicidade dela, mas o ela/o adulto não era responsável pela deles, deixem-me só dizer que eu sei que as crianças são crianças, e que o comportamento deles não revela aquilo que nos querem transmitir. A sério que sei disso.

Por vezes, a maternidade é uma grande filha da mãe! E por isso é que se diz que ser Mãe não é fácil. Não por ser intelectualmente desafiante, ou fisicamente exigente… aliás, é as duas coisas. Mas existem outras ocupações muito mais rigorosas nestas áreas. Não é por requerer uma grande dose de coragem…aliás, requer, mas não tanto como ser polícia ou ser bombeiro. Não é nada disto.

Ler também 10 coisas para fazer uma mãe mais feliz

É porque ser Mãe é emocionalmente desgastante. E porque ser Mãe é incrivelmente ingrato a maior parte do tempo. E porque eu sinto que já sacrifiquei tanto por eles e ninguém me valoriza. É porque eu faço, e faço e faço, e parece que tudo o que recebo em troca são queixas de que nunca é o suficiente – ou sou completamente ignorada. Não estou à procura de elogios, prémios ou medalhas! Nem tão pouco, à espera do Obrigada! Seria apenas bom ter alguma cooperação. Um pouco de respeito pelas regras – regras que não são onerosas ou despropositadas!

E vocês, mães, sabem como é difícil admitir estas coisas. Toda a gente fala de quão maravilhosa é a maternidade e como nos completa e preenche. Às vezes, é. Mas outras vezes, não é. Eu nem sei muito bem o que é que me deu para escrever sobre isto esta manhã. Expor-me assim às criticas e aos julgamentos alheios. A estragar a imagem de mãe perfeita. Acho que não me quero sentir sozinha, talvez.

Depois de deixar os miúdos no colégio, cheguei a casa e percebi que a Annebelle tinha deixado a lancheira em cima da mesa. Quem é que acham que voltou a enfiar o bebé e o Finn na carrinha e foi lá levar o lanche?

Porque  é o que as  mães fazem.

Por Lisa Morgess, para Scary Mommy,
traduzido e adaptado por Up To Kids®

Nota: Todos os textos traduzidos, adaptados e publicados pela Up To  Kids® têm a a autorização do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

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Lembram-se dos velhinhos calquitos que fizeram furor na década de 80? Coloridos, com desenhos giros e apelativos? Agora imagine algo semelhante, mas para aplicar na pele e que não faz mal à saúde…

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Seria um acessório perfeito para os nossos miúdos se decorarem e se divertirem com uma coisa que todas as crianças adoram: Tatuagens

E é disso que vamos aqui falar-lhe (pssst, e também há para nós…)

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As Merkattoo, são pequenas tatuagens que se aplicam na pele e que se mantêm durante alguns dias. São giras e seguras e podem ser usadas por crianças a partir dos 3 anos de idade. Tem também uma coleção para adultos. Assim, pais e filhos divertem-se em conjunto, usando as suas tatuagens temporárias!
São fáceis de aplicar e muito versáteis. Podem ser usadas no dia-a-dia, em momentos especiais, e os Kits de Festa são o presente perfeito para colocar um sorriso no rosto de qualquer criança.
Acreditamos que crianças que brincam, fantasiam e sonham, se transformam em adultos felizes.
E é isso que nos move na procura das tatuagens mais giras, que inspirem crianças e adultos a viver de forma divertida.

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Todas as tatuagens que encontra na Merkattoo respeitam os mais altos padrões de segurança europeus e norte americanos para produtos cosméticos e brinquedos, e os corantes usados são certificados pela FDA (Food and drugs administration) dos EUA.
São hipoalergénicas, não tóxicas e saem facilmente com creme de limpeza ou álcool. Porque, para nós, a segurança é o mais importante!

A Merkattoo – Temporary Art Tattoos Market é a primeira loja em Portugal dedicada a tatuagens temporárias. As Merkattoos podem ser adquiridas na nossa loja online e são enviadas para qualquer ponto de Portugal.

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Os Pais devem tomar consciência desta doença infantil, porque o tratamento feito a tempo pode evitar complicações cardíacas graves.

Na primeira metade do século vinte, a doença que atacava mais o coração era febre reumática. As suas complicações cardíacas grassaram no mundo ocidental, mas a pouco e pouco foi ficando controlada, ao descobrir-se e dominar-se a infecção que está na sua origem. Actualmente é uma doença rara entre nós.

Hoje é a doença de Kawasaki, descoberta no Japão nos anos 60, que nos países desenvolvidos, começa a ser a principal causa de doença cardíaca que pode afectar uma criança saudável, sobretudo crianças abaixo dos 5 anos. E em Portugal pode afectar 5/100.000 crianças nesta idade, mas este número pode estar sub-estimado.

A causa não se conhece ainda, mas parece ser infecciosa talvez viral, e uma criança na primeira infância, saudável, começa com febre e sintomas respiratórios, tipo constipação, com tosse e secreções nasais. A FEBRE, 38 ou mais graus, é obrigatória nesta doença, e não desaparece mesmo que ao fim de 4 ou cinco dias a criança já esteja a tomar antibiótico. Entretanto aparecem manchas na pele pelo corpo, os pés e as mãos ficam inchados, os olhos ficam vermelhos e inflamados, mas sem secreção, os lábios gretam, e a língua fica tipo framboesa.

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A criança mostra sinais de doença e fica muito irritada, surgindo também outro sinal importante que é um caroço, gânglio aumentado e doloroso no pescoço, em geral só num lado. Estas são as manifestações típicas que aparecem na primeira semana da doença de Kawasaki, e com estes dados evidentes não é difícil fazer-se o diagnóstico. No entanto, há formas incompletas, em que faltam alguns deste sinais, e o diagnóstico torna-se mais confuso.

É que o diagnóstico é só clínico, não existe nenhum teste laboratorial definitivo, só existem testes orientadores ou de suspeita. Por isso há crianças que começam o tratamento só com base na suspeita, o que é defensável, porque se as complicações cardíacas surgem, já não se podem evitar.
O diagnóstico deve ser feito na primeira semana, idealmente ao 7º, 8º dia desde o início da febre, porque é nesta fase que o tratamento é mais eficaz. Tratamentos muito precoces podem não ser tão eficazes, pelo que os Pais devem chamar a si a maior serenidade possível e colaborarem com o pessoal de saúde. A criança tem que ficar internada para fazer o tratamento que consiste numa dose de gamaglobulina injectada na veia durante 8 a 12 horas, e aspirina em dose alta. Rapidamente todos os sintomas desaparecem e a criança melhora, ficando bem disposta. Raras crianças têm que fazer outra dose de gamaglobulina porque não melhoram, sobretudo a febre não cede completamente. Não é habitual este tratamento dar complicações. Sem tratamento, cerca de 25% das crianças irão ter lesões cardíacas, mas com o tratamento descrito esta probabilidade reduz-se drasticamente.
As complicações mais temíveis são as lesões das artérias coronárias, vasos que irrigam o coração, e que surgem na segunda ou terceira semana da doença. Surgem dilatações ou mesmo aneurismas, que se forem grandes vão ficar para a vida toda, e exigem um acompanhamento e tratamento especializado.
Na segunda ou terceira semana de doença surge também descamação das mãos e dos pés, caindo a pele em placas, mas este é um sinal tardio e não conta para se fazer o diagnóstico, só para se confirmar.

Em resumo, a doença de Kawasaki é uma doença séria e os pais devem conhecer os seus sinais:

  • Febre com 5 dias
  • Manchas no corpo
  • Pés ou mãos inchadas
  • Olhos vermelhos
  • Lábios inflamados e gretados
  • Boca e língua vermelha
  • Gânglio grande num dos lados do pescoço

Além da febre, não são obrigatórios todos estes sinais para se fazer ou suspeitar do diagnóstico. Se a febre persistir ao 5º dia, os Pais devem levar a criança a um serviço de urgência, mesmo que ela já tenha sido vista por um ou mais médicos e esteja a ser medicada. É que os sinais que dão o diagnóstico mais correcto, só então (5º dia de febre persistente) começam a surgir. Se for feito o diagnóstico de doença de Kawasaki, a preocupação dos pais é mais que legítima, mas devem também ter a noção tranquilizadora de que se o tratamento for feito nessa primeira semana, a criança fica bem de um dia para o outro, e fora de perigo, voltando a ser uma criança saudável.

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Por António J. Macedo, Médico Cardiologista Pediátrico, publicado originalmente no Blog Meu pequenino Coração,
Auitorizado para  Up To Lisbon Kids®

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Há dias falei com um amigo de longa data. Daqueles que só falamos uma vez por ano, mas é como se tivéssemos falado ontem. O tempo passa e fica tudo igual. Perguntou-me pelos miúdos, e rematou com “quem diria, tu com quatro filhos”.

De facto, aparentemente ninguém diria, porque sempre que encontro alguém que não vejo desde os meus tempos de juventude “tu com quatro filhos…”. 

A verdade é que sempre quis ter muitos filhos mas nunca planeei nada. Eu sempre fui a miúda sem planos, a descomplicada deixa andar desta vida. O que tem de acontecer, acontecerá. Sem pressas.

Qual marinheiro, faço amigos onde quer que vá, e mantenho-os por perto. Uns mais outros menos, mas no fim, estão todos à distancia de um telefonema. Ligo o skype, está a chamar…o bebé chora, vou lá ver. Ouve-se: Então? Não está ninguém?…Se calhar são os miúdos… Grito: Espera, estou a mudar uma fralda… Já vouuuuu!
Falamos para os gadgets como se as pessoas estivessem ali, do outro lado da parede. Mas estão do outro lado do computador, no outro lado do mundo. E continuam a fazer o jantar e a ver o futebol, como se fossem uma extensão da minha casa, da minha família para a deles. No fim:… tu com quatro filhos”

Eu, com quatro filhos. Todos diferentes. Eu fui feita para amar quatro filhos. Eu fui feita para amar assim. Cada um dos meus filhos me ensina coisas diferentes, e quero continuar a aprender tudo o que de maravilhoso me podem transmitir. As crianças dão-nos lições de vida.

Não tive medo de ter mais filhos, mesmo depois de descobrírmos que um tem uma doença rara. Cardíaca. A dificuldade em diagnosticar foi imensa. Ele estava doente e tudo o que lhe era prescrito pelo médico, em nada mudava a sua condição. Eu via o meu filho a piorar de dia para dia e ninguém o conseguia ajudar. O seu coração estava a falhar em silencio, e eu não sabia. O sofrimento no diagnóstico foi, também,  imenso.
O seu filho tem a Doença de Kawasaki. 3 em cada 100 mil crianças são diagnosticadas em Portugal com esta doença

Como?… o que é que me está a dizer? – Primeiro a incompreensão depois os porquês.
-Lamento, mas sabe-se pouco sobre a doença, não há uma causa, não é contagioso, não é hereditário, e não há um teste diagnóstico. Também não há prevenção.
…com um nó na garganta: tem cura?
vamos com calma, já está diagnosticado. Agora vamos ver como reage ao tratamento…
O tempo, aqui, parou, com o meu coração.

Eu fui feita para amar assim. Todos os dias sofro por pensar no que lhe pode acontecer de futuro. Antes de atender um telefonema do colégio já estou de lágrimas nos olhos: atendo.  – Houve um acidente na aula de educação física… o seu filho partiu o braço. Respiro de alivio. Sorrio.

Cada conquista deles é uma alegria infínda em mim, e por isso suporto todas as suas dores, todos os seus medos, todas as suas angustias. Os amigos que já não são amigos, os crescidos que chateiam no recreio, as meninas que arranjam outro namorado do nada, o ser gozado por ser diferente.

Eu aguento tudo.

Porque eu fui feita para amar assim. Quatro vezes.

 

Por Inês Pinto Correia, Todos os direitos reservados