Menores que procuram asilo correm mais riscos de serem explorados por traficantes para trabalho forçado, venda de droga ou prostituição, isto depois de sobreviverem a guerras e a viagens perigosas.

Uma das imagens marcantes de refugiados a chegar à Europa pode ser a de um pai sírio que chora ao sair de um barco e pôr os pés na Grécia, segurando firmemente os seus dois filhos, um em cada braço. Uma das histórias pode ser a de um bebé recém-nascido entre vários menores não acompanhados resgatados numa operação dos Médicos Sem Fronteiras no mar da Líbia. São imagens tiradas em apenas um momento de viagens que estão a demorar semanas ou meses, são histórias contadas a traços largos ouvidas quando ainda vão a meio. E cada vez mais, nestas imagens e nestas histórias de quem tenta chegar à Europa para fugir de guerras e perseguições, há crianças.

Vêem-se muitos rostos muito novos: saem dos barcos em Itália ou na Grécia entre os adultos, passam o arame farpado na Hungria, entram na linha de comboio em Calais, estão entre os mortos do camião na Áustria.

Viajaram sozinhos ou com alguém que morreu na viagem. Ou a família desdobrou-se e cada um procurou um país diferente, tentando aumentar as hipóteses de um deles conseguir asilo e os outros poderem apelar à reunificação familiar e juntarem-se todos de novo.

Mas as crianças e os menores são especialmente vulneráveis e ficam ainda mais sujeitos a perigos vários, desde problemas de saude, até morte, por falta de água ou alimentos, à exploração às mãos de redes de crime organizado, que os tentam usar para tráfico de droga ou prostituição.

Os números confirmam a impressão de que há cada vez mais menores, muitos ainda crianças, a fazer viagens perigosas para conseguirem chegar a países europeus sem terem consigo qualquer adulto encarregado por eles: segundo a organização Save the Children, nos primeiros meses do ano entre mais de 80 mil migrantes que chegaram a Itália, 6000 eram menores, dos quais 3830 chegaram sozinhos. Em 2014, o número de chegadas de menores sozinhos foi de 13.030, três vezes mais do que no ano anterior, acrescenta a organização.

Na Grécia, apenas em Junho, chegaram 4720 menores às ilhas em barcos vindos da Turquia. Destes, 86 viajavam sem um adulto responsável por si. Na Hungria, segundo o Alto-Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), entre os pedidos de asilo feitos na Hungria este ano, 140 mil no total, havia sete mil de menores não acompanhados.

Muitos deles, no entanto, desaparecem dos centros governamentais nestes países de passagem muito rapidamente. Nunca se sabe se seguiram viagem para o destino pretendido, como Alemanha ou Suécia, ou se ficaram nas mãos de traficantes. Entre os menores que foram registados em Itália em 2014, 3707 desapareceram.

Em Dover, Inglaterra, onde querem chegar a maioria dos migrantes e refugiados acampados em Calais, os serviços dizem que o número de menores a chegar da Síria ou Iraque a precisar de protecção chegou a mais de 600, quando no ano anterior era de 238.

O mais novo tinha sete anos
Num centro de dia da organização Praksis, em Atenas, passam muitos migrantes e refugiados todos os dias para usufruir dos serviços: um tecto quente ou fresco conforme seja Inverno ou Verão, lavagem de roupa, cabeleireiro, televisão, computador com Internet. Alguns são crianças. “O mais novo que tivemos a passar por aqui tinha sete anos”, contou Christos Eleftherakos, psicólogo na Praksis, numa visita do Público em Junho. A organização ajuda sem pedir documentos, por isso não há números certos que permitam dizer quantos menores passaram por aqui, mas serão muitos, diz o psicólogo. As razões são diferentes: “podem-se ter perdido da família na viagem, podem-se ter separado intencionalmente para pedir asilo em países diferentes.”

Ainda assim, é muito impressionante pensar em crianças sozinhas em viagens tão perigosas e, depois disso, à deriva em grandes cidades onde tudo é estranho, desde o sistema de transportes à língua.

[fonte] Ler artigo completo aqui no Público

Em Publico/Noticia/Cada vez há mais crianças a chegar à Europa sozinhas

imagem@publico

Cá em casa, a nossa bebé acorda várias vezes durante a noite.
Lembro-me de, nas primeiras consultas de rotina da bebé, a enfermeira perguntar com que regularidade a minha bebé mamava e se, durante a noite já fazia intervalos maiores… Respondi-lhe que sim, até porque a essa data isso era mesmo verdade! De noite, ela chegava a fazer intervalos de três ou quatro horas, mas de dia era comum mamar a cada duas horas, no máximo.
Na altura, apesar de dar de mamar em livre demanda, acreditava que era normal, ao fim de pouco tempo, todos os bebés dormirem a noite inteira. Pensava que gradualmente ela iria pedir para mamar menos durante a noite, até dormir um sono completo, e que isso aconteceria nos primeiros meses de vida.
Efetivamente, é isso que a maior parte das pessoas espera. Essa é a ideia que está instaurada nas nossas mentes, porque é isso que nos tem sido transmitido…
No meu caso concreto, conta a minha mãe que sempre dormi muito, de dia e de noite. E que, mal cheguei a casa, após uma semana na maternidade (em que os bebés ficavam no berçário durante a noite e não junto das mães), já dormia cerca de sete horas seguidas!
Com a minha bebé isso ainda nunca aconteceu…
Perto dos três meses, chegou a fazer sonos de cinco horas, mas foram a exceção à regra. A seguir, começou a reduzir a duração dos mesmos e passaram a ser mais curtos do que eram ao fim do primeiro mês. Atualmente, com sete meses e meio, o mais comum é acordar a cada duas ou três horas. Mas já teve dias em que desperta ao fim de pouco mais de uma hora…
Estarei à beira de um ataque de nervos? Não…
Acredito agora que o “normal” é os bebés acordarem frequentemente ao longo da noite. Os que não o fazem não têm nada de “anormal”, só não são a maioria, como tem sido preconizado.
Porque é que os bebés acordam?
Os motivos vão variando em função das diferentes etapas de desenvolvimento do bebé, uma vez que o sono é um processo evolutivo, que se vai alterando ao longo das nossas vidas. Contudo, fazendo uma abordagem mais geral, destacam-se a necessidade de segurança, de alimento e a adaptação às fases do sono.
Assim, um dos motivos para os seus despertares é a necessidade de saberem que quem cuida deles está por perto. Pensando na carga genética que carregamos, os sobreviventes da nossa espécie foram aqueles que conseguiram manter os seus progenitores por perto para os defender dos perigos.
Também acordam para mamar, estimulando deste modo a produção de leite, já que os níveis se prolactina (hormona responsável pela produção de leite) são mais elevados durante a noite.
Para além disso, os recém-nascidos têm apenas duas fases do sono. Acordam frequentemente na passagem de uma fase para a outra.  Entre os quatro e os sete meses, irão adquirir as cinco fases que caracterizam o sono de um adulto. Passam então por uma etapa de instabilidade, também com vários despertares. Isto explica o porquê de, a dada altura, a minha bebé ter começado a fazer novamente sonos mais curtos, como já referi.
Perguntam-me muitas vezes: “A bebé dá-vos boas noites?” Eu respondo que sim, porque é isso que sinto desde o início.
Deito-a por volta das oito e meia da noite e ela acorda definitivamente perto das nove da manhã. Durante a noite, acorda, mama e adormece. E eu acompanho o seu ritmo! Às vezes mal despertamos. Às vezes, adormeço quando ela ainda está a mamar!
O facto de ter colocado a cama dela, sem uma das grades, encostada à minha facilita muito esta dinâmica.Na maior parte das noites, não me incomoda acordar algumas vezes, nem o sinto como um fator de cansaço. Digo “a maior parte”, porque já existiram dias que em que acordei cansada e desejando poder dormir mais de doze horas seguidas!
Mas não acontece isso com toda a gente, até mesmo com quem não tem filhos?

Sofia, do blog Cá em casa somos três, adaptado por Up To Kids®
Todos os direitos reservados

Porque é que ter menos brinquedos irá beneficiar o seu filho

“As potenciais possibilidades de qualquer criança, são o mais intrigante e estimulante em toda a criação” – Ray L. Wilbur

Os brinquedos não servem apenas para brincar. Os brinquedos são os alicerces na construção do futuro dos nossos filhos. Ensinam as crianças a conhecer o mundo e a conhecer-se si próprias. Enviam mensagens e comunicam valores.
Assim, os pais devem preocupar-se com o que podem os brinquedos ensinar aos seus filhos. Sendo a quantidade de brinquedos acumulada, muitas vezes absurda, ficam aqui 8 razões para se livrar do excesso de brinquedos, e como isso irá beneficiar os seus filhos a longo prazo:

1. Criatividade

Uma grande quantidade de brinquedos irá impedir que as crianças desenvolvam plenamente o seu dom da imaginação. Dois trabalhadores alemães (Strick e Schubert) realizaram uma experiencia em que convenceram uma sala de aula do jardim de infância a remover todos os seus brinquedos durante três meses. Embora, inicialmente, as crianças tenham estranhado e sentido falta dos brinquedos, rapidamente começaram a usar objetos básicos para inventar jogos revelando-se bastante criativas.

2. Capacidade de concentração e atenção direcionada.

Uma criança com acesso a muitos brinquedos ao mesmo tempo, terá a sua atenção dispersa. Uma criança dificilmente irá aprender a apreciar plenamente o brinquedo à sua frente enquanto existirem inúmeras opções que ainda permanecem na prateleira.

3. Competências sociais

As crianças com menos brinquedos aprendem a desenvolver relações interpessoais com outras crianças e adultos. Aprendem a começar e manter uma conversa. Estudos revelam que as amizades de infância contribuem para uma maior hipótese de sucesso académico e mais facilidade em lidar com situações sociais durante a idade adulta.

4. Valorizar as coisas.

Quando as crianças têm muitos brinquedos, naturalmente têm menos cuidado com eles. Não vão aprender a valorizá-los se houver sempre um substituto pronto na prateleira. Se o seu filho estraga e perde os brinquedos constantemente, experimente tirar-lhe metade dos que tem, e verá como ele passará a valorizar mais aqueles que lhe restam.

5. Gosto pela leitura, escrita e arte.

Ter menos brinquedos irá criar espaço e tempo para que a criança aprenda a apreciar a leitura, a música, o desenho e a pintura. O amor pela arte vai ajudá-los a apreciar melhor a beleza, as emoções e a comunicação

6. Habilidade e engenho

Na escola não se dão as respostas aos problemas mas sim as ferramentas para que os alunos consigam encontrar a resposta. No entretenimento e jogo, pode ser aplicado o mesmo princípio. “a necessidade aguça o engenho” – menos brinquedos faz com que as crianças se tornem engenhosas, resolvendo problemas apenas com os materiais à mão. A desenvoltura é um presente com potencial ilimitado.

7. Harmonia e Partilha.

Isto é, um pouco, contraintuitivo. Muitos pais acreditam que havendo mais brinquedos haverão, consequentemente, menos desavenças, porque há mais opções disponíveis. No entanto, verifica-se frequentemente o oposto: os irmãos discutem constantemente por causa de brinquedos. E cada vez que “aparece” um novo brinquedo no relacionamento, damos-lhes também mais um motivo para estabelecer o seu “território”. Por outro lado, irmãos com menos brinquedos são obrigados a partilhar, colaborar e trabalhar em conjunto, reforçando a relação entre eles.

Details

Paz Interior – Livro para Colorir | Colecção Arte Para A Alma | Anna Miller e M.J. Silva

SINOPSE
Já a fazer sucesso lá fora, o livro para colorir Paz Interior de Anna Miller, é um livro de colorir para adultos, mas toda a família vai querer um bocadinho só para si. Com um campo especial para a assinatura do colorista, Paz Interior pode ser colorido por uma só pessoa, por vários membros da família ou por um grupo de amigos. Os desenhos para colorir são impressos de um só lado para ser retirado e exposto facilmente.

Paz Interior Livro para Colorir (tamanho de praia – livro de bolso) Mais de 30 designs deslumbrantes para colorir que vão tornar os seus tempos livres, em família ou a sós, ainda mais relaxantes e divertidos. Este é o livro para colorir perfeito para levar consigo onde quer que vá.

Colecção de Livros Para Colorir Arte Para A Alma de Anna Miller:

1. Amor Perfeito (brevemente em Português)
2. Mandala *
3. Meditação (brevemente em Português)
4. Diário de Sonho – Uma viagem curativa através das palavras e da Arte Terapia (brevemente em Português)
5. Paz Interior*
6. Pedras Precisas*

7. Paraíso Maia*

* Já disponíveis em português

Pode encontrar Paz Interior e outros livros de colorir únicos, relaxantes e  divertidos da únicos da colecção Arte Para a Alma (Art For The Soul Coloring Books) de Anna Miller aqui: Livro Para Colorir Paz Interior de Anna Miller
FICHA TÉCNICA
Series: Arte Para a Alma
Páginas: 66
Editor: CreateSpace Independent Publishing Platform (July 27, 2015)
Idioma: Portugues
Dimensões: 12,95 x 0.5 x 19,85 cm
Peso para envio: 358g

Lembro­-me bem da minha primeira entrevista. A primeira. De todas. Esquecendo aqueles trabalhos pontuais, em épocas de férias (quem quero enganar?… eram sempre na sapataria do meu pai…) a minha primeira experiência em lides de apresentação de mim mesma ( vim para esta área porque entendo que é uma área de futuro; sim, estou à procura mas atualmente não estou em nenhum processo de recrutamento; tempos livres? Sair com amigos, ler… ) foi na empresa onde fiz o meu estágio profissional: uma multinacional do setor automóvel, daquelas de engolir em seco e agradecer ao universo inteiro pela sorte que se teve em se ser selecionada para uma empresa daquela envergadura.

Fui muito feliz no meu estágio: a equipa era constituída maioritariamente por homens: mecânicos automóveis, eletricistas automóveis, vendedores de automóveis, rececionistas de oficina, o meu chefe… Não vacilei com a minha vergonha de inadaptada, nem eles me deixaram ficar de braços cruzados: ensinaram tudo o que era possível uma miúda aprender sobre carros para além de terem rodas e um autorrádio. No final dos meses, recebia um cheque; fotocopiei o primeiro e guardei a cópia com carinho. E, a partir daí, nunca mais parei.

Atualmente, isso das novas experiências profissionais (as entrevistas, as avaliações de desempenho, os despedimentos, as despedidas, as mudanças de empresas, de locais, de pessoas, de rotinas e de destinos) já faz parte do meu percurso e da carreira que escolhi.

Paralelamente, o Mundo ofereceu-­me, também, uma vida pessoal (a conquista mais difícil): um marido, um filho e uma casa. Recentemente descobri um bloco de notas da época do estágio: um pequeno apontamento que não era mais que uma compilação de algo como Onde Quero Estar Daqui 10 Anos. Ia estar em todo o lado: em cálculo mais ou menos rigoroso, previa, aos meus 30 anos, uma carreira estonteante – a um nível de Cristiano Ronaldo. Devia falar até de viagens que já teria feito, provavelmente quase todas as capitais do Mundo, umas tantas de introspeção (ou não… bom, não me lembro, mas duvido que os meus 19 ou 20 anos quisessem conhecer o Tibete). Lembro-­me de ter sorrido, de ter enfiado o bloco ao bolso e nunca mais o ler. Não me recordo particularmente o que dizia mas, definitivamente, a mulher que, dez anos depois, queria ser, não se tornou no que dizia a carta.

Como eu, tantas outras mulheres da minha geração: as que trabalham 12 horas por dia, muitas vezes sem saírem do mesmo ponto onde iniciaram, anos e anos seguidos. As com experiências demasiado curtas para perceberem se é isso que querem ou o suficiente para não quererem ficar mais um dia. As carreiras da rotatividade. Ou até as carreiras que atiramos às urtigas para ir plantar feijões ou fazer sacos de sarapilheira. Também eu, um dia, dei o salto: larguei tudo para ir trabalhar para um horto voluntariamente. Não ganhava um tostão e era a mulher mais feliz do Mundo.
Voltei porque a vida assim me exigiu.

Porque fui mãe. Aceitei. Retomei.

Sei que, na época em que vivemos, falar de oportunidades de carreira é um tema delicado: se já é difícil uma oportunidade de trabalho, como se pode falar em carreira? É importante, contudo, ressalvar dois aspetos: o conceito de percurso profissional dos nossos pais ou até dos nossos irmãos mais velhos (a geração imediatamente anterior à minha, os que nasceram nos finais de 60, inícios de 70 do século passado) não é o mesmo que agora. E não é só por precaridade e falta de empregabilidade; se calhar essa causa até está na cauda. É uma questão de sociedade, cultural e estatutária: os nossos pais trabalham mais anos, sendo que alguns cargos para progressão ficam estanques por mais tempo; a otimização dos sistemas efetivamente existe e retira tarefas e responsabilidades, por vezes, de um inteiro posto de trabalho; o mercado está altamente expandido com centenas de milhares de empresas por atividades, quer seja a nível singular, quer seja a nível coletivo; somos um número cada vez maior de cidadãos ativos: precisamos de trabalhar e seguir caminho. Não podemos descorar o que existe mas também é importante não deixar de viver por isso. Sei bem que pode parecer um cliché mas, em boa verdade, é mesmo isto que acontece.

E eu só descobri essa realidade depois de ter sido mãe. Deixemos de lado os lacinhos e o eu olho para ele e fico embebecida de amor ou não há cheirinho como o da nuca dele… É claro que é isso que dá cor a quem ama a maternidade… Mas não é o que move. A capacidade de rasgar o bloco das dez máximas para os próximos dez anos está ligada única e exclusivamente à vontade de se estar totalmente ao lado de quem se gosta; e, sem rodeios afirmo que é absolutamente impossível esconder a um filho aquilo que somos. Não entremos em camuflagens: é impossível.

Deixa, então, nesse primeiro instante da consciência maternal, de fazer sentido levar trabalho para casa (o mental, porque o físico, por vezes, temos de levar com ele no portátil), atender permanentemente os telefones pós horário laboral ou até aceitar todos os convites para festas com colegas de trabalho.
Fecha-­se a porta do escritório e abrem-­se os braços em casa.
Para mim foi esta a poção mágica; curiosamente foi o elixir que me trouxe a oportunidade de trabalho que mais gostei até agora. Ao não contrariar o que sinto, ao aceitar as limitações e ao viver intensamente a minha profissão fora de casa e a minha maternidade dentro da mesma, faz-­me sentir completa e realizada – pelo menos para já.

Claro que todos nós devemos encontrar esse mesmo equilibro, sejamos pais, mães, solteiros, viúvos, sem filhos, sem sobrinhos. As relações sociais (os nossos amigos, a nossa família, as nossas atividades para lá do escritório) são tão fundamentais como angariar dinheiro: o homem é um animal de hábitos e de proximidade grupal. Não chega estourar toda a energia em tempo de trabalho se não se reserva em igual medida para uma saída com amigos, um passeio no parque com os filhos, uma ida à praia com o namorado, ou até uma tarde inteira connosco próprios a fazer rigorosamente… nada. Não adianta acreditar que uma coisa substitui a outra. As alternativas têm de existir e têm de ser rigorosas: continuar o treino funcional todas as terças e quintas; terminar o livro que tanto estavas a gostar; não arranjar desculpa para não ires ao jantar das colegas da faculdade (a não ser que não te apeteça mesmo aturar essas chatas). Faz o pino, solta à corda, cria as tuas próprias metodologias e planeamentos: mas não deixes de ser rigorosa para ti mesmo e vive para além da carreira. E aceitar – tão, mas tão importante – que a realização é no caminho, não na chegada. Foi exatamente quando aceitei a amplitude (e limitações) do meu ser que entendi, efetivamente, a clássica frase do Senhor Confúcio: Escolhe um trabalho que amas e não terás que trabalhar um único dia na tua vida.

Que assim continue.

Por Sofia Cruz, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

imagem@evolllution.com

Vi-te na biblioteca da escola primária onde eu dou aulas, e o teu filho de quatro anos estava a berrar contigo. Estava a gritar, desesperadamente, na tua cara. Foi por isso que eu olhei para ti. Foi por isso que toda a gente olhou para ti. Ele estava desesperado porque não lhe compraste o novo livro da Lego Star Wars, de 19.99€, que traz os bonecos que ele “precisa, precisa preciiiiiiiiiisa” mesmo de ter.

Está a fazer uma cena enorme. Eu ouvi do outro lado do corredor. Está a gritar e a espernear enquanto se contorce no chão. Ele só chora e grita, e diz que a mãe é má porque não lhe dá o que ele tanto quer. O mundo dele está desmoronar-se, e ele só consegue dizer que és a pior mãe do mundo.

Todas as pessoas à volta já estão a olhar para ti. A empregada está congelada, sem saber como reagir. Toda a gente está a olhar para ver o que vais fazer em relação à sua birra. É uma daquelas birras barulhentas e incomodativas de se assistir.

Vejo as lágrimas a subirem-te aos olhos, mas também vejo a coragem e força estampadas na tua cara. Estás calma e serena, e aparentemente não estás incomodada com a birra do teu filho. Continuas o pagamento na caixa, depois colocas os livros na mala, calmamente dás a mão à tua filha, recolhes o miúdo enquanto grita, e sais biblioteca fora. Ele continua a contorcer-se e a empurrar-te. Acabou de te arranhar na cara, deixando uma grande marca na bochecha, mas continuas a caminhar calmamente.

Conforme andas até ao carro (e eu não posso deixar de seguir-te e observar com admiração as tuas técnicas mágicas de parentalidade) ouvi-o gritar, entre soluços enquanto tentava recuperar o fôlego sem sucesso: “-A MÃE PROMETEU QUE EU PODIA COMPRAR UM LIVRO HOJE!“. Calmamente respondeste: “Eu dei-te 10€ para gastares num livro hoje. Escolheste um livro mais caro. A seguir preferiste passar o teu tempo na feira a chorar e a gritar em vez de procurares um livro que pudesses comprar com o dinheiro que te dei. Tenho muita pena que tenhas feito essa escolha, deve ser muito triste para ti saíres da feira sem nenhum livro hoje.”

Ele, claro, não gostou dessa resposta. Na verdade, ainda gritou e chorou mais alto. Contorceu-se tanto que quase que te caia dos braços. Colocaste-o calmamente no chão com firmeza, mas com amor, agarraste-lhe no pulso para que ele não fugisse. Num tom calmo, paciente e maternal disseste: “querido, eu adoro-te. Eu amo-te muito. Eu sei que agora estás triste, e eu fico triste quando tu estás triste. Vamos entrar no carro e vou dar-te o teu cobertor: faz-te sempre sentires-te melhor.”

Ele responde: “mas, mas, mas…a mãe não comprou o meu livro…” Repetiste o que disseste anteriormente: que estás triste por ele ter escolhido perder o seu tempo a chorar em vez de procurar um livro que custasse 10€.

Depois, em silencio, deste-lhe um grande abraço (ao qual ele resistiu), pegaste-lhe ao colo (apenas para ser novamente arranhada na cara), e sentaste-o na sua cadeirinha no carro. Fechaste a porta e, apoiaste-te inclinada no carro por um momento. Deixaste escapar um suspiro, de frustração, antes de entrar no carro e ir embora.

Hoje, tu não cedeste. Não cedeste em momento algum, e por isso eu quero agradecer-te.

Obrigada por seres uma mãe que estabelece limites para o seu filho. Obrigada por seres uma mãe que não cede ao constrangimento social para apaziguar os desejos do seu filho pequeno que está aos gritos.

Obrigada por escolheres não lhe dar tudo o que ele quer.

Obrigada por teres a maturidade de lhe pegar ao colo enquanto ele se contorcia e gritava, e calmamente explicar-lhe as razões pelas quais não compraste o livro da Lego hoje.

Obrigada por teres maturidade para conversar com o teu filho como um adulto e permitir-lhe ver as consequências de suas ações. Obrigada por lhe teres explicado que não era um problema teu, que era uma confusão criada por ele, baseada numa (má) escolha que ele fez.

Muito obrigada por seres um exemplo para todas as mães, porque ser uma mãe firme que cumpre a sua palavra é muito mais importante do que ceder, para evitar uma birra. Obrigada por seres uma mãe em quem os teus filhos podem confiar, porque és consistente e firme.

Obrigada por seres uma mãe que faz os seus filhos sentirem-se seguros. Obrigada por amares os teus filhos o suficiente ao ponto de não seres a amiga deles, mas sim assumires o papel de mãe.

Como professora, eu vejo todos os dias uma grande variedade de pais e vejo todo o espectro de estilos parentais e abordagens. E como uma professora, eu consigo ver a extrema necessidade que o mundo tem da existência de mães como tu.

A feira do livro foi há três meses, e eu ainda estou a pensar na forma como lidaste com a birra do teu filho naquele dia.

Obrigada por seres o tipo de mãe que cria filhos respeitosos e humildes. A tua influência é muito maior do que jamais saberás.

Atenciosamente,
Uma professora grata.

Ler também Carta às mães mais que perfeitas

 

Por , no blog argyle in spring
traduzido e adaptado por Up To Kids®

Todos os direitos reservados

imagem@educationandbehavior

Existe um fenómeno social no FB que é a adesão aos grupos de mães. Para quem não é mãe e para quem anda a dar os primeiros passos nas redes sociais desde que elas existem, os grupos de mães são grupos secretos e restritos dos quais só podem fazer parte, como o nome indica, mães.

As mães são muito críticas com as opções das outras mães – não fossemos todas mulheres… – mas se por um lado criticam pelas escolhas de cada uma, por outro, apoiam-se incondicionalmente quando uma cria está em perigo. Independentemente de quem seja a cria. É a síndrome Mãe-galinha.

É preciso ser mãe para compreender outra mãe. As mães são como uma seita secreta em que os membros se reconhecem por um qualquer sinal que os identifique. Neste caso, são as olheiras, cansaço e rabugice. E os grupos on-line. Muitas são as mães que se vão (re)conhecendo do ecrã para a vida real.

Os grupos de mães do FB são grandes fóruns onde estas guerreiras se apoiam. Para o bem e para o mal, na saúde e na doença, na fartura e na miséria até que as crianças cresçam (depois disso as preocupações serão outras)

mom

Com o avançar do tempo, os grupos foram ganhando dimensão. As mães criaram amizades com outras mães. Fizeram-se festas, arraiais, jantares, piqueniques. Criaram-se novos grupos, novas marcas, negócios, contactos e parcerias. Já houve discussões, já se perderam amizades.

Já se movimentou muita gente para ajudar alguém. Já se criaram correntes de oração. Já se chorou em conjunto a dor de outra mãe. Já se alteraram fotografias de perfil em massa e acenderam-se centenas (milhares?) de velas, na mesma noite, cada uma em sua casa.

Já houve burlas (e grandes), já se deram reportagens.

Trocaram-se impressões, mezinhas, receitas, palpites, dicas, galhardetes e bitaites.

Os grupos, têm funcionado como um par de muletas para muitas das mães. Para outras, é um pagode sem fim.

Temáticas e especificidades à parte, a verdade é que em todos eles encontro um comportamento padrão de algumas mães, que eu acho que precisam de parar imediatamente.

Será mau feitio ou alguém está comigo?

  1. Perfis falsos.
    Nunca consegui perceber porque é que alguém cria um perfil falso, mas calculo que não seja por um bom motivo. Esconder-se atrás de um computador a opinar sobre tudo e todos é pior do que a porteira bucal e sorrateira que veio lá da terra, para cochichar sobre a vida dos outros.
  2. Diminutivos e nomes fofuxos para tudo
    Filhotes são os cães, menino é o Jesus, o Senhor está no Céu, a Dona é a da frutaria, o bebecas é bebé, e namorido… nem sei o que dizer. Ou casa ou não casa, esquece lá esses termos intermédios. Os nomes certos para cada coisa por favor. Mesmos que não pareça tão divertido, tá fofuxa? Xau bebecas.
  3. Partilhar mais do que queremos saber.
    Querida mãe: quando fazes um post a dizer que o teu bebecas caiu da cama porque estava a chorar e não foste lá à 1ª nem à 10ª porque estavas tão entretida a espremer as borbulhas das nalgas do teu namorido, que desde que fez a depilação integral cria estes furúnculos dolorosos,… por favor…!Pergunta logo qual é o raio do gel para as contusões, e poupa-nos os pormenores.
  4. Charadas e enigmas para quem quiser andar à pesca
    A mãe que está sempre a fazer posts enigmáticos, à espera de uma réstia de atenção das demais: – “Não acredito nisto” – Já está! Agora fica toda a gente a pensar que estás grávida de quíntuplos!Se precisas de atenção mais vale dizeres diretamente o que aconteceu. A não ser que seja “Apanhei o meu marido com o meu fio dental tigresse.” -Nesse caso, voltar ao número 3.
  5. Posts em catadupa.
    Eu adoro ler os teus comentários e os teus posts (juro, és a rainha da festa). Mas também gosto de ler os das outras mães. Não queiras ser aquela mãe bloqueada por toda gente.
  6. A idade dos bebés em semanas.Já não aguento fazer mais contas. O teu bebé tem 32 semanas? E Nasceu em que ano? É que estou meia perdida! Ou estarás grávida ainda?
  7. Fotografias sem censura
    Fotografias tuas, dos teus filhos, do teu cão e do periquito em alta definição, daquela parte do corpo onde o sol não chega, não partilhes sff. A gerência agradece!
  8. Escrever com demasiados erros ortográficos, gramaticais ou linguísticos
    Gralhas há em todo o lado. Se tens um teclado estrangeiro ou és emigrante, vá…. Mas nós temos net, temos dicionários on-line, temos dicionários instalados nos nossos computadores. No caso de dúvida,  pergunta. Se deste um erro e te chamaram a atenção: agradece e aprende com isso. O saber não ocupa lugar, e não há idade para aprender!
    BTW: quando tiveres duvidas: lambes-te, refere-se a ti própria; lambeste é algo que já passou! Se não tem nada a Haver, é porque não há troco, e mamas são no soutien!
    De nada.

 

Por Laura Figueiral, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

A Felicidade que sentimos não é diretamente proporcional a conseguirmos ou não ter um relacionamento amoroso seja ele qual for: flirt, amizade colorida, namoro ou até casamento. No entanto, inconscientemente ou até por pressão social, acreditamos que para sermos felizes é condição  “ter alguém”.

Em nome do “Amor” saímos numa busca louca e desesperada envolvendo-nos em toda sorte de situações e com pessoas que na maioria das vezes não temos nenhuma afinidade, levando-nos ao sofrimento, tristeza e carência. Quando entramos neste ciclo perigoso “de falta de nós mesmos” viramos presas fáceis para o engano, para a fuga e a ilusão.

Existem pessoas que não conseguem ficar um dia sozinhas, vivem de namoro em namoro, de casamento em casamento, de flirt em flirt. Emendam um relacionamento com outro na tentativa de curar o vazio, a solidão. Estão sempre à procura de alguém para suprir todas as suas necessidades, resolver os seus problemas e proporcionar a tão sonhada felicidade. Estão sempre a querer apoiar-se nos outros. Não se amam, não se valorizam, não se conhecem. Não conseguem enfrentar os seus desafios, amadurecer e crescer.

Outras, sustentam anos de casamento ou namoro em nome de um amor que já não existe. Entregam-se à rotina, à violência física, à tortura emocional, à bestialidade, à depreciação, às ofensas, às vinganças e às traições. Vivem de aparências e num verdadeiro inferno dentro de suas próprias famílias. Vão seguindo a vida entulhando-se de problemas e doenças, mergulhando no desrespeito mútuo, e destruindo-se a cada dia. Desistem de viver. São pessoas acomodadas e escravas do destino que escolheram.

Seguindo a viagem à procura das maravilhas do Amor, também encontramos os céticos que já não acreditam em nada e fazem tudo para não se envolver por medo de sofrer novamente. Gostam até um certo limite. Trocam de amor como quem troca de cuecas. Cultivam o amor e a desilusão. Sustentam a sua deceção por anos.

Já os românticos apaixonados amam demais e entregam-se tanto, que se anulam. Criam nas suas mentes deuses e deusas. Esperam e idealizam demais: a mágoa e a decepção são sentimentos constantes.

Tudo isto em nome do “AMOR”? Ou será para manter o STATUS? Ou será para fugir à realidade? Você é feliz? Você conhece-se? Há quanto tempo não se dedica a si próprio? Há quanto tempo não faz nada que realmente gosta? Estar sozinho não é o problema: não ser feliz com a sua vida, é que é! Nós somos capazes de superar os desafios, aprender e caminhar com as nossas próprias pernas. Todos os dias a nossa missão é procurar mais felicidade e prazer. Nascemos sozinhos, estamos sozinhos o tempo todo. Quando sofremos ou sentimos alegria estamos a sós com o nosso pensamento, coração e alma. Os amigos, a família e os amores são o conforto e o carinho que precisamos para nos dar coragem e alimentar a nossa fé. Mas o trabalho, a tempo inteiro, é somente nosso. É cada um por si! Por isso, ficar do nosso lado com carinho e paciência é um compromisso.

Ser feliz só depende única e exclusivamente de cada um, não depende de ninguém e de nada externo à própria pessoa, muito menos de um estado civil.

Todos nós queremos companhia e desejamos o amor.
Mas amar é partilhar e não se apoiar.
É conviver e não depender.
É gostar e não tornar-se escravo.
É caminhar lado a lado com companheirismo, alegria e prazer, é partilhar seu verdadeiro ser.
Ame-se, respeite-se e seja feliz!

Um amor… É consequência!

Por Mônica Dias, em Coração em Retratos
Adaptado por Up To Kids®

Todos os direitos reservados

 

Quando eu era criança, os pais esforçavam-se para sustentar as suas famílias e pouco mais. Com ostentação ou sem, as pessoas eram mais preocupadas com o trabalho do que com ser feliz. Talvez por isso, já que filhos querem  fazer sempre tudo diferente dos pais, agora a principal preocupação dos pais é fazer os filhos felizes.

Isso explica os valores escandalosos que se paga hoje em dia por uma festa de aniversário, a quantidade de brinquedos que as crianças têm e a ida, quase obrigatória, à Disney em família.

Claro que existe a culpa de muitos pais que trabalham demais e tentam compensar os filhos de alguma forma. Mas reflexo da culpa ou não, as crianças de agora nasceram para ser felizes. Será que estamos a agir corretamente?

Vamos pensar na nossa infância. Eu pelo menos, era muito feliz. Brincava com a minha amiga que morava na casa ao lado, passávamos horas a pentear o cabelo uma da outra, ou a fazer papas com as plantas do jardim. A maior aventura de que me recordo era brincar à apanhada com o meu cão.

Muito básico para si? Acontece que meu cão se transformava numa puma que na verdade era uma Medusa, e com um simples olhar, podia transformar-nos em pedras. Por isso estávamos sempre equipadas com frascos de shampoo que enchíamos de água e explodiam como granadas quando caiam ao chão. Pois é, as crianças trazem a imaginação do berço . Por isso não é preciso ir a Orlando ou Paris ver os espetáculos de fogos de artifício para ficarem maravilhadas. Aliás, cá entre nós, já estive na Disney 3 vezes (2 em Orlando e 1 em Paris) e nunca vi tantas crianças tristes num parque. Cansadas, a chorar, angustiadas, com as mães e os familiares stressados. Claro, já viu o tamanho do Parque? E a quantidade de informação? E de sorrisos maquilhados, brilhos e purpurinas, e alegria explosiva? Somos humanos. Isto não é um filme. É a vida real. Não somos super heróis, nem princesas. O seu filho vai comer um cachorro quente naquela roullote linda com várias coisas a girar, e pode ser que passe mal. E depois? Ninguém pode passar mal na Disney! Têm de aproveitar. Têm que ser felizes.

Eu trabalhei para a Disney como tradutora durante 4 anos. Adoro a empresa e o negócio em si. Gosto de lá  ir porque moro a 300Km de distância e temos o passe anual. Para nós, é um programa barato num lugar super organizado e bonito na maioria das vezes. Só estou a usar o exemplo porque sei que é uma viagem muito cara para se fazer do Brasil, mas isso não está a impedir cada vez mais brasileiros de fazerem. A minha pergunta usando este exemplo é: será que precisamos fazer tanto pelos nossos filhos? (Viagem de 8 horas de avião, filas intermináveis, Km e mais Km de parque de diversão) Eu suponho que não. E considero errado os pais sentirem que são responsáveis por fazer dos filhos, pessoas felizes.
De onde tiramos essa ideia maluca?

O que eles precisam na verdade é de adultos para educá-los. E como adultos, é claro que, estamos ocupados. Com a família, com o trabalho, com as funções da casa. Se nesta lista se somar “a felicidade dos meus filhos” alguém vai ficar muito sobrecarregado e frustado. Talvez seu filho, talvez você, talvez toda a gente. É chato tentar e não conseguir. Pense como se sentem os pais que pagaram a viagem em 6 prestações, passaram 8 horas no vião tipo sardinha em lata, mais 1 hora num brinquedo se o filho sair do brinquedo aos gritos e a chorar?

Uma vez eu li o livro Encantador de Cães e fiquei fascinada com o raciocínio simples que o genial Cesar Millan escreve ali: ele diz que os  cães só obedecem quem respeitam. E para ganhar respeito, é preciso ser a autoridade, é preciso impôr ordem antes do amor. Agora tente trocar a palavra “cães” por “filhos”, dá no mesmo. A autoridade é o contrário de democracia. Os pais não podem estar sempre abertos “o que querem comer?, o que vamos fazer hoje?, onde vamos passar as férias?”. Compreende como é complicado para a criança ouvir isso? Sentir que não existe uma ordem? Ela no auge dos seus 4 anos (ou por volta disso) é que precisa saber, querer e lidar com seus desejos.

Quando eu era criança, a minha mãe interrompia a brincadeira e trazia uma bandeja com limonada fresca e bolachas Maria. Lembro-me sempre desta cena (que aconteceu várias vezes) e na minha memória,  ela aparece iluminada como uma fada. O que eu sentia era: a mãe é mágica! Como é que a mãe sabe que estamos com fome e com sede? Teria sido bem diferente se  tivesse aparecido e perguntado: querem lanchar? vão querer gelado ou podem ser bolachas Maria? Estava a pensar  fazer uma limonada, vocês vão querem? Ou é melhor eu trazer um sumo de laranja?

Infelizmente não estou a escrever isso por já ter aprendido a lição. Ainda estou a aprender. E só estou escrever sobre isso porque descobri que tenho errado bastante. Desde que nos mudamos para Miami, fico com pena e compaixão por qualquer expressão de sofrimento que meus filhos tenham. Porque sei que é difícil para eles. E até me esqueço que é difícil, também, para mim. Minha vida mudou completamente. Mas nem penso nisso. Só penso neles. A consequência? A minha filha de 4 anos todos os dias faz uma coisa para me irritar. Percebi que, também eu, a ando a irritar . E porque? Porque estou disposta todos os dias a ouvi-la, e a tentar perceber o lado dela. Não parece errado a princípio. Mas está errado. As crianças precisam de um adulto, alguém que tenha um norte, e ela sente-se frustrada porque percebe que estou a tentar adaptar-me também. A vida é para evoluir. Vamos tentar evoluir como pais antes que eles cresçam. Imagine como deve ser frustrante a adolescência de uma criança que tem sempre várias pessoas a responder aos seus pedidos?

Educar dá mais trabalho do que servir o gelado antes do jantar, já que seu filho quer tanto. Educar envolve mais compromisso do que pagar as 6 prestações da viagem mágica. Educar é para adultos. Deve ser por isso que as crianças não podem ter filhos. Porque os filhos precisam de adultos. Aparentemente esse é o grande problema da minha geração, não queremos ser adultos. Outro dia vi um post sobre a crise dos 25 anos. Nem queria acreditar! A maioria das pessoas que conheço estão nessa crise aos 35 ou 40 anos. Está na hora de dar esse passo. Parar de focar só na diversão e na felicidade e evoluir, amadurecer. Todo grande passo na vida acontece quando fazemos aquilo que é desconfortável. Já aprendemos muito sobre diversão e entretenimento, que tal agora aprender a viver?

Por Cristina Leão, Blog Antes que eles Cresçam
Adaptado por Up To Kids®

Todos os direitos reservados

imagem@disneyorlando