Dias em que, de repente, dás meia volta e desces da cama sem pedir ajuda, sem grandes alarmes.

Dias em que, de repente, passas a dormir sestas grandes, como os outros meninos da tua sala.

Em que quando chego à creche estás na sala dos meninos maiores a brincar com eles de igual para igual.

Em que tentas calçar os teus ténis e consegues.

Em que, no banho, descobres a maravilha de te levantares e voltares a sentar e as ondas que provocas.

Em que, de noite, choramingas só porque te destapaste e arrefeceste.

Em que acabas a sopa e ficas a pedir mais.

Em que descobres um livro que tinhas escondido na horizontal na estante e ficas radiante como se fosse a primeira vez que o tens na mão.

Em que percebes que, tal como tu, também os teus bonecos têm nariz, mão, pé e alguns também usam sapatos.

Em que me vês triste e viras a cabecinha, como se espreitasses para dentro de mim para perceber o que está errado.

Em que saltamos em cima da cama e ficamos com a barriga a doer de tanto rir – e tu com soluços.

Em que falas na tua língua misteriosa com os bonecos e te observo ao longe, imaginando o que se passa dentro da tua cabeça.

Em que cantas, sem te aperceberes.

Em que faço uma brincadeira esquecida (“eu mexo um dedo, diguidi, diguidi”) e me surpreendes com a coreografia da música.

Em que testas os limites, tentando subir à mesa de centro.

Em que estás tão cansada que adormeces na cadeira de refeições.

Em que a música de um anúncio na televisão te faz parar de brincar para veres de que se trata e dançares.

Em que mordes um balão (que ainda anda cá por casa depois da tua festa de anos) sem qualquer medo de que possa rebentar e assustar-te.

Em que pedes pão como uma menina crescida.

Em que andas pela casa a 50 km/h como se há um mês não fosses bebé de gatinhar apenas.

Há dias em que descobres o mundo e em que eu descubro mais mundo dentro do meu.

És tu, minha filha, meu amor, a causadora das maiores descobertas da minha vida, do reconhecimento das minhas limitações mas também das minhas maiores vontades.

Há dias difíceis, mas contigo aqui, com a tua inocência e a tua ternura, não trocava estes dias por nada.

Por Marta Coelho, para Up to Kids®
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As cardiopatias congénitas são as malformações mais frequentes no recém-nascido.

Cada vez mais cedo são dadas aos Pais informações seguras sobre o decorrer da vida do seu bebé, se está tudo bem, se existem ou não preocupações. Provavelmente as alterações cardíacas e as cerebrais são as que mais assustam os Pais. E hoje em dia, numa gravidez vigiada e com os avanços tecnológicos, é muito raro um bebé com um problema cardíaco importante ter alta da maternidade sem que isso seja descoberto, exceptuando as situações que se manifestam só pelo fim da primeira semana, mas, em geral, estas são de fácil resolução. Quer seja durante a gravidez, quer seja ainda na maternidade, os problemas cardíacos importantes costumam ser diagnosticados.

Quando os Pais recebem esta trágica notícia, é como se desmoronasse toda a estrutura que sonharam à volta do seu bebé, que queriam ver saudável e feliz. É como se um tufão passasse por aquela sala, naquele momento. Sentem-se completamente indefesos, assustados, desorientados.

Durante a gravidez, esta notícia assume aspetos ainda mais trágicos, num clima do desconhecido, da incerteza, do que se não vê, do que não se sabe se causa sofrimento ao bebé ou não. Cabe ao médico estar muito seguro e calmo, fornecer toda informação de que dispõe, sabendo de antemão que os Pais não vão compreender grandes e longas explicações naquele momento. Uma futura avaliação a curto prazo, de preferência com um especialista na área, será mais esclarecedora.

Nesse momento surgem as habituais perguntas, sobre a gravidade da doença, sobre as consequências, sobre a qualidade de vida do bebé, se vai precisar de ser operado ou não, se vai ser uma criança normal ou não, se pode praticar desporto como os outros. E os Pais têm que assumir uma decisão muito difícil por vezes, que é, se embarcam ou não no desafio de ter e criar um filho com uma doença importante, ou se desistem e interrompem a gravidez. Esta decisão tem que ser tomada pelo casal, numa vontade mútua, firme e esclarecida, porque o desafio de cuidar de um filho com uma doença importante pode unir mais ou então separar o casal. Por vezes o casal desiste deste desafio, e optam pela interrupção da gravidez, justificando que não querem ter um filho para que este venha a sofrer. Mas isto não é bem verdade, porque todos os que cuidam destas crianças sabem, com o sucesso dos tratamentos, como elas se tornam crianças felizes e activas.

O tratamento das cardiopatias congénitas evoluiu muito nos últimos anos. Situações aparentemente complicadas, são quase sempre resolvidas pela cirurgia de modo a oferecer à criança uma actividade motora e mental normal.

Os Pais devem-se sentir muito bem informados e esclarecidos das dúvidas que têm, e antes de tomarem qualquer resolução, devem também discutir com o cirurgião, que os informará da sua experiência e dos seus resultados no tratamento da doença do seu filho.

Em geral as crianças com cardiopatia têm uma inteligência normal, e não têm mais nenhuma doença a não ser no coração, a não ser que tenham, por exemplo, alterações cromossómicas que implicam atraso mental. Mas isso não é o mais frequente, e a análise dos cromossomas é então recomendada.

Nas cardiopatias muito graves corre-se o risco, ainda que pequeno, de o tratamento poder interferir na actividade mental da criança. A troca de experiências entre Pais que passaram por situações semelhantes, parece-nos muito importante.

Os Pais que fizeram a opção positiva para o bebé, são pessoas de luta e esperança, e a transmissão desses sentimentos pode ser encorajadora.

Concluindo A notícia de que o bebé tem uma cardiopatia é demolidora psicologicamente. Exige um esforço pessoal, do casal e do médico para ser bem compreendida e aceite. As cardiopatias, em termos grosseiros, podem ser simples, graves, moderadamente graves e muito graves. As simples não precisam de tratamento, ou então tratamento sem cirurgia (cateterismo). As graves e moderadamente graves, têm hoje em dia possibilidades de excelentes resultados com a cirurgia. As crianças ultrapassam estes desafios com uma boa-disposição e energia espantosas. As cardiopatias muito graves, têm solução cirúrgica, algumas em diferentes etapas. Algumas acabam em transplante cardíaco, e os resultados são mais preocupantes.

O casal deve esclarecer-se, procurar apoios e manter diálogo, um com o outro, com a família e amigos, com outros Pais que passaram pelo mesmo, com o médico, eventualmente com o psicólogo. Esta é uma experiência difícil, mas não desesperante, que chegada ao fim resulta quase sempre numa criança feliz, que, se não for super-protegida, anda e cresce descontraidíssimo.

Estes são Pais que, com as suas dúvidas e angústias, cresceram mais como pessoas e casal, e formaram uma família mais unida, mais preparada para testemunhar, junto dos mais jovens, como enfrentar certas dificuldades…

Por António J. Macedo, Médico Cardiologista Pediátrico, publicado originalmente no Blog Meu pequenino Coração,
Autorizado para  Up To Kids®

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Como criar um Quarto Montessoriano

As crianças são amadas desde que são um feijão na barriga da mãe. Os pais aguardam ansiosamente a chegada do bebé, e enquanto esperam vão preparando tudo o que será necessário para a criança nos primeiros meses de vida. Compram ou fazem roupa, preparam a família, especialmente os irmãos, deixa-se feita a mala da maternidade, e até se monta todo o quarto do bebé.

O quarto é a divisão da casa onde o bebé passará mais tempo: é um quarto de dormir e de brincadeira, um sítio onde pode relaxar, brincar, dormir, mas acima de tudo, onde podea crescer e desenvolver-se livremente e em segurança.

Os pais podem escolher a decoração do quarto do seu filho, apenas, seguindo uma questão estética/funcão, ou podem seguir algum método como aquele que iremos falar a seguir, o Método Montessoriano.

O Método Montessoriano

Apenas para esclarecer, o Método de Montessoriano, como o nome indica foi criado e desenvolvido por Maria Montessorimédica, educadora e primeira mulher italiana diplomada em medicina.

Este método propõe a criação de um ambiente adequado e produtivo para o desenvolvimento da criança. Pela filosofia de Maria Montessori, o quarto das crianças deve ser montado e estruturado de acordo com a ótica da criança e não do adulto, de maneira que os miúdos circulem livremente e em segurança no seu ambiente e explorem as coisas que estão ao seu alcance.

O ponto mais importante do método não é apenas a escolha dos materiais ou sua prática, mas a possibilidade de libertar a verdadeira natureza do indivíduo, promovendo o desenvolvimento da educação com base na evolução da criança.

Num local rico e estimulante, a criança torna-se capaz de aprender sozinha através das suas próprias experiências, desenvolvendo-se de forma espontânea, criativa e saudável!

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Deixamos aqui os tópicos a ser levados em consideração ao montar um quarto Montessoriano são:

1) Colchão no chão

O berço é um limitador de movimento, logo é substituído por um colchão no chão ou uma cama bem baixinha, para que a criança tenha mais independência para se levantar e se deitar. Ao lado do colchão, pode-se colocar um elemento que além de amortecer uma possível queda, proporcionará estímulos sensoriais diferentes. Pode ser um colchão de campismo, almofadas variadas, um tapete felpudo, etc.

Como criar um Quarto Montessoriano. Montessori

Como criar um Quarto Montessoriano. Montessori

2) Tudo ao alcance das crianças

Os  brinquedos, livros, jogos e fotos das crianças devem ficar ao alcance das próprias, organizados em prateleiras baixas. Experimente gatinhar no quarto dos seus filhos para perceber o quanto as alturas das coisas estão desajustadas às suas necessidades.
Toda a decoração deverá, também, ser colocada ao nível dos olhos da criança.

Como criar um Quarto Montessoriano. Montessori
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3) Minimalismo

A decoração deve ser minimalista, apenas com mobiliário essencial para que a criança possa explorar tudo o que tem no quarto. Para que essa exploração possa ser feita de forma segura, é bom abusar de materiais que proporcionem segurança aos pequenos, como tapetes de borracha, ou felpudos..
Evite acumular muitos brinquedos. Evite guardá-los em caixas, gavetas ou roupeiros sem que estejam sempre disponíveis. O ideal é ter brinquedos sempre à vista, para que a criança sinta vontade de brincar e possa escolher com o que brincar. Pode criar um sistema rotativo, em que tem meia dúzia de brinquedos à vista, e depois troca, para que a criança não se farte.

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4) Proporção

Todo o quarto deve ser proporcional à criança. É uma questão de escala: para que as coisas estejam ao alcança da criança, também os móveis devem ser mais pequenos, as mesas baixas, as cadeiras apropriadas a crianças etc.

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5) Escolha Autónoma

Ter menos brinquedos faz com que a criança conquiste maior autonomia de escolha. A criança conseguirá com facilidade escolher, entre meia dúzia de brinquedos, aquele com que lhe apetece brincar. Se houver muita oferta será mais difícil de optar, acabando a criança por não valorizar nenhum especificamente.

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6) Estímulos

Segundo Maria de Montessori, nos primeiros anos de vida a criança elabora os próprios conceitos pela ação e pelo contato com o mundo em que vive. A criança actua pela ‘mente absorvente’ e os órgãos sensoriais são os captadores das informações necessárias.

Espelho: O espelho serve para que a criança se possa conhecer e entender que é uma pessoa distinta da mãe. Quando ainda não gatinha, esse espelho pode ser instalado na horizontal, ao lado da cama. Mais tarde, pode ficar na vertical, noutra parede. Para garantir a segurança dos pequenos, é importante que o espelho seja de acrílico e fique bem preso à parede.

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Musica: Para o estímulo auditivo, músicas ou sons de violão ou flauta são uma boa pedida. Músicas de compositores clássicos em geral são adoradas pelos pequenos.

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Móbile: no início, o recém-nascido não consegue focar coisas que estão muito longe, por isso, o móbile deve estar a 30 cm do bebê. Além disso, no primeiro mês, o ideal é que o objeto seja preto e branco, com diferentes formas e padrões. Mais tarde, podem ser introduzidas outras cores. Os bebés novinhos adoram móbiles feitos com formas geométricas e cores fortes. Após os 3/4 meses, que a criança já agarra objetos, deve-se tomar cuidado para que o móbile não seja alcançado muito facilmente, por uma questão de segurança

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Por Up To Kids®, baseado nas seguintes fontes Lar Montessori, Just Real Moms, Mimo Infantil 

 

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Hoje soube da história de uma adolescente que sofre de maus tratos do namorado.
A miúda (ou criança…) tem 16 anos. O namoro dura há 4 meses, e aquilo que começou por ser um namoro normal tornou-se numa relação perfeita. Mas afinal, só é perfeita para ele. – “Ele só é assim ciumento porque gosta muito de mim. A culpa foi minha, porque eu é provoquei!” (…)
16 anos e já sabemos onde “isto” vai acabar…
Ela deixou de poder sair com as amigas. Ele controlou-lhe o telemóvel, o e-mail, persegue-a nas redes sociais, e agora, terminando o verão, ela diz-me que não quer regressar à escola.
Quando começaram a namorar ele aparecia na escola dela para ver com quem falava, com quem andava, onde se sentava. Até os professores foram alvo do seu ciúme. Agora, ela não quer voltar, mas não sabe que é por ter vergonha desta situação. Ela não sabe como resolver este problema. Ela acredita que gosta dele e que são felizes. E que tudo o que precisam é um do outro.

“Minha querida, tu não precisas dele. Ele é que precisa de ti.” – Disse-lhe. Mas não a demovi. Zangou-se comigo. Disse-me que não tenho nada a ver com a vida dela e que já é adulta para cuidar de si própria.

Lembrei-me deste texto que não fui a tempo de lhe mostrar.

Espero que este texto te vá parar à mãos, e o leias com atenção.
Espero que transformes o teu futuro.
Que vás para a escola e continues o 10º ano (eu sei que tem sido difícil com a falta de apoio familiar que tens).
Que termines o curso como planeaste.
Que nunca desistas.
E lembra-te: o maior trunfo que tens nas mãos de momento é a opção de escolha.
Pensa nisto.


«O teu namorado de 16 anos não é nervoso, é uma besta

Enviar-te 35 mensagens durante o dia a dizer que te ama e a perguntar onde estás não é uma prova de amor. É uma prova de que ele é um controlador e que, se tu deixas que ele o faça e não pões um travão a tempo, a coisa só vai ter tendência para piorar ainda mais.

Fazer-te perguntas sobre dinheiro não é indício de estar atento aos tempos difíceis em que vivemos, e reflexo de uma educação de poupança. Falar muitas vezes disso indica, isso sim, que um dia ele vai querer controlar o teu dinheiro. Aliás, se dependesse dele, era ele que geria já a tua mesada. Quanto gastas. Quando gastas. Em que gastas. Quando deres por ti, estarás a pedir-lhe autorização para comprar coisas para ti.

Pedir a password do teu e-mail ou da tua conta de Facebook não é sinal de que vocês nada têm a esconder um do outro. Não é sinal de que, entre vocês, tudo é um livro aberto. Mesmo que ele insista em dar-te a password dele. Isso é um sinal de desconfiança permanente. E um passo grande para o fim da tua privacidade. Sabes o que é privacidade,

certo? É uma zona tua, onde mais ninguém entra. A não ser que tu queiras.

Os comentários sobre a roupa que usas ou o novo corte de cabelo não revelam um ciuminho saudável. Revelam que é ciumento. Ponto. Pouco lhe importa se tu gostas daquele top, daqueles calções ou daquelas calças apertadas. Entre os argumentos usados, talvez ele diga que já não precisas de te vestir assim, porque isso atrai a atenção de outros rapazes e tu já tens namorado. Se não fores capaz de lhe dizer, na altura, que te vestes assim porque te apetece, não para lhe agradar, pensa que este é o mesmo princípio que leva muitas sociedades a obrigar as mulheres a usar burka… Não é exagero. Controlar o que tu vestes é exatamente a mesma coisa.

Perguntar-te a toda a hora quem é que te telefonou ou ver o teu telemóvel, à procura das chamadas feitas e atendidas e das mensagens enviadas e recebidas não é um reflexo de pequeno ciúme. É um sinal de grande insegurança. Faças tu o que fizeres, dês tu as provas de amor que deres (na tua idade, o amor ainda tem muito para rolar, mas tu perceberás isso com o tempo), ele sentirá sempre que é pouco. E vai querer mais, e mais. E tu terás cada vez menos e menos.

Apertar-te o braço com mais força num dia em que se chatearam e lhe passou qualquer coisa má pela cabeça não é um caso isolado e uma coisa que devas minimizar porque ele estava nervoso. Aconteceu daquela vez e é muito, muito, muito provável que volte a acontecer. Um dia ele estará mais nervoso. E a marca no teu braço será maior. E mesmo que ele «nunca tenha encostado um dedo» em ti, a violência psicológica pode ser tão ou mais grave do que a física.

Gostar de ti mas não gostar de estar com os teus amigos não é amor. É controlo. E é errado. O isolamento social é terrível.Continuar a telefonar-te insistentemente depois de tu teres dito que queres acabar a relação, ou encher-te o telemóvel com mensagens a pregar o amor eterno, não significa que ele esteja a sofrer muito. Significa, sim, uma frustração em lidar com a rejeição. E se pensares em voltar para ele, pensa que da próxima vez que isso acontecer ele vai telefonar-te mais vezes. E enviar-te mais mensagens.

Guardares estas coisas para ti não é um sintoma da tua timidez. Não quer dizer que sejas reservada. É uma estratégia de defesa tua. E um pouco de vergonha, à mistura, não é? E que tal partilhares isso? Ficarias espantada com a quantidade de amigas tuas que passam por situações semelhantes.

Talvez a sua filha não leia isto. Mas que tal mostrar-lhe a revista, para ela pensar um pouco?» – ISTO NÃO É O QUE PARECE, Paulo Farinha, DN, 19 Junho 2013

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O jardim de infância é mais importante que a faculdade

Desde que nascemos, ouvimos os nossos pais a insistir que temos que estudar se queremos vir a ser alguém na vida. Eu pelo menos ouvi muito. Hoje em dia, as exigências vão para além do estudar. Mal uma criança nasce, os pais (eu e o leitor, neste caso) já estão a fazer planos para a faculdade. Sim, claro, é importante. Nós sabemos. Mas, ao mesmo tempo, o número de jovens que têm optado por caminhos profissionais que não envolvem a frequência universitária, ou que ingressam mas acabam por mudar duas e três vezes de curso, é crescente. A tal da insatisfação crónica comum da nossa época… Bem, eu não sei se o meu filho irá ou não para a faculdade. É uma incógnita se irá ser arquiteto, cineasta ou jogador de futebol. Mas de uma coisa tenho eu a certeza: ter feito um bom jardim de infância faz toda a diferença.

Os primeiros sete anos de vida são decisivos para o desenvolvimento da criança. Nestes anos as pessoas sofrem diversas transformações próprias do crescimento, entre elas, as físicas, em que o nosso corpo sofre diversas alterações e mudamos a dentição para definitiva. A nível emocional formamos, nesta idade, um sentimento básico em relação ao mundo, ou seja, aquele sentimento ou característica que nos vai  acompanhar para sempre. Pode ser o medo, a forte personalidade, o carisma, ou a insegurança. Claro que com os anos podemos trabalhar isso, mas envolverá muita terapia e dedicação. Se neste período as nossas crianças tiverem um desenvolvimento sadio, com espaço para brincar, se forem acolhidas nas suas necessidades básicas e emocionais, então, terão uma forte e estruturada base para qualquer que seja a sua escolha profissional posteriormente.

Por acaso, na minha rua havia um jardim de infância Waldorf quando meu filho era pequeno (hoje em dia há dois na mesma rua, que milagre!).

Não vou defender a pedagogia Waldorf como o único caminho para que uma criança passe bem por essa fase: ainda são poucas as escolas e custam um preço que não está ao alcance de todos. Mas, ao dar uma grande importância aos primeiros anos de desenvolvimento, a pedagogia Waldorf traz reflexões importantes para quem está à procura de um Colégio para inscrever o seu filho e, mais do que isso, para mostrar que o desenvolvimento nesta fase da vida é essencial para alicerçar a criança. É esse o tema que irei desenvolver de seguida.

O primeiro passo em direção ao mundo lá fora
Segundo a metodologia Waldorf, a criança deverá entrar no jardim de infancia a partir dos 3 anos. Nem todas as famílias têm estrutura para esperar esse tempo,  e é a vida. Mas, também, há muitas mães acham que os filhos “pedem” para ir para a escola. Podem até pedir. Mas eu gosto da explicação: é que só nessa idade é que a criança estaria preparada para interagir com o mundo que vai além do pai, da mãe, dos irmãos e da avó. Mesmo que a criança adore ir para a rua, brincar com outras crianças, lembre-se que a mãe, a avó ou, em muitos casos, a babá querida, estão por perto.

Aos 3 anos é que aparece, pela primeira vez, aquele impulso que se faz mais forte aos 9 anos, de encarnação do EU, segundo a antroposofia, de uma certa individualidade. Não por acaso, é nessa idade que as crianças começam a dizer…eu! Antes, referem-se a si mesmas na terceira pessoa (“a Gabi quer comer”, “O Pedo quer brincar”).
Aos 3 anos o sistema nervoso está mais maduro e a criança consegue usar o “eu”, essa individualidade, como instrumento de comunicação, de crescimento. A criança, então, percebe que ela e o mundo são coisas diferentes. A mãe já não é uma extensão dos seus desejos e necessidades. E isso é lindo de se ver. Eu adoro os três anos de idade. Mas fiz aqui uma lista com algumas reflexões que consideraria importante se fosse escolher uma escola para o meu filho hoje, caso ele ainda estivesse na primeira infância.

O que explica porque coloquei mais energia nisto do que colocarei na altura em que tivermos que escolher a faculdade.

Desenvolvimento da espiritualidade
Não se trata apenas religião. As escolas que cultivam a espiritualidade trazem riqueza para a vida infantil. As festas do ano, a chegada da primavera, os pequenos rituais, como acender uma velinha na sala, ao começar o dia, uma canção de gratidão por acordar e estar disposto, a árvore de Natal enfeitada, uma lanterna para se carregar na festa de São João. São essas coisas que despertam em nós a conexão com o que é divino no mundo e com a nossa própria alma.
É aos 3 anos que nasce na criança uma admiração pelo mundo lá fora. Admiração que, se for bem cuidada, se manifesta como veneração frente aos milagres quotidianos. As flores têm sóis dentro delas, alguém pintou o céu de laranja e roxo, cai neve porque São Pedro está a sacudir o seu edredom de penas lá em cima. Nunca devemos estragar essa veneração enfiando conceitos científicos muito cedo nas cabeças dos miúdos. O melhor é deixar as fantasias fluírem e até cultivá-las. E esse é um cuidado que eu teria em atenção, caso estivesse a escolher a escola para o meu filho, mesmo que fosse por poucas horas por dia.

Fase em que se desenvolvem sentimentos para a vida
Este é o conceito que rege os primeiros sete anos da educação Waldorf (e de outras pedagogias).
Qualquer um pode trabalhar isto em casa! É extremamente importante que a criança desenvolva a sua confiança no mundo, a sua capacidade de amar, de sentir-se segura, de se adequar ao ambiente que começa perceber e diferenciar. Qualquer tipo de ensino, tanto em casa como na escola, deve ser conduzido de forma a mostrar à criança o lado positivo das coisas e o que o mundo tem de bom. Ah, claro, algumas pessoas vão já dizer que não querem que o filho cresça numa redoma. Calma, há  tempo para tudo. Quando a criança acaba de nascer, ninguém lhe põe um biberon ao lado para tomar sozinha, pois não? É por aí. Cada coisa a seu tempo. Até os 7 anos, as crianças não “aguentam” ser expostas à violência da TV ou dos jogos de computador. Não precisam de saber que a água do planeta está a acabar. Não precisam de saber que todos os dias há massacres a acontecer em vários cantos do mundo. Toda esta informação assusta qualquer alminha que,  ainda, está a tentar perceber este mundo. O mundo também é bom, meu filho. A avó gosta muito de ti. A professora gosta muito de ti. O pai gosta muito de ti, e vai sempre proteger-te. E tu mereces ser protegido daquilo que não é assim tão bom. É um cuidado, um carinho, um gesto de proteção que podemos dar aos nossos filhos, independentemente da escola e da metodologia que escolhermos.

Formação dos órgãos e criatividade
Durante os primeiros sete anos, a maioria dos órgãos (ou a semente que os originará), vai formar-se. E, como sabemos, se plantarmos uma semente de macieira não vai nascer uma figueira. Por vezes, aquilo que não se vê, está lá na mesma, tal como os dentes, que se formam até os 7 ou 8 anos.
Gritos, falta de ritmo, sustos. Tudo influencia essa formação. O mesmo acontece com a criatividade. Se a criança tiver espaço (e não digo estímulos de brinquedos electrónicos ou excesso de estímulos intelectuais) e acolhimento, se tiver exemplos e inspiração, sentirá segurança para desenvolver os dons que lhe são inatos. Mais tarde, essa segurança será a base para um trabalho criativo e satisfatório.

Segunda a antroposofia, a educação é o que cura; aquilo que traz saúde. Acho que um bom jardim de infância garante boa parte dessa saúde, física e emocional, que levaremos para a vida. Então, a criança vai estar a desenvolver bases para o seu futuro, nomeadamente para a fase em que tiver de escolher o curso que irá exercer o resto da sua vida.
Boa sorte com as vossas escolhas!

 

Por Fabi Corrêa, postado no blog Antes que eles crescam
Adapatado por Up To Kids®

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1. Migrantes e refugiados aglomeram-se do lado de fora da Estação Ferroviária de Budapeste.Migrantes e refugiados se aglomeram do lado de fora da Estação Ferroviária de Budapeste pela segunda noite consecutiva ontem.

Zoltan Mathe / AP

2. Mais de 150.000 pessoas chegaram à Hungria este ano, sendo que a maioria veio pela fronteira sul com a Sérvia, viajando de lugares como Síria, Afeganistão e África Subsaariana.Mais de 150.000 pessoas chegaram à Hungria esse ano, sendo que a maioria veio pela fronteira sul com a Sérvia, viajando de lugares como Síria, Afeganistão e África Subsaariana.

Zoltan Mathe / AP

3. A Hungria respondeu à crise construindo uma cerca ao longo da fronteira com a Sérvia.A Hungria respondeu à crise construindo uma cerca ao longo da fronteira com a Sérvia.

Attila Kisbenedek / AFP / Getty Images

4. As pessoas do lado de fora da estação de comboio estão atualmente num impasse com a polícia húngara, pois tentam viajar para outros países europeus.As pessoas do lado de fora da estação de trem estão atualmente em um impasse com a polícia húngara, pois tentam viajar para outros países europeus.

Petr David Josek / AP

5. Nenhum comboio internacional sairá da estação.Essa manhã, a Sky News noticiou que nenhum trem internacional sairá da estação.

Leonhard Foeger / Reuters

6. As fronteiras do país com a Áustria e a Eslováquia foram fechadas, de acordo com a CNN.As fronteiras do país com a Áustria e a Eslováquia foram fechadas, de acordo com a CNN.

Leonhard Foeger / Reuters
Pessoas pernoitam atrás de grades numa estação subterrânea próxima à estação de trem Keleti, em Budapeste, Hungria, no dia 2 de setembro de 2015.

7. Alemanha, Itália e França pediram que as leis de asilo da Europa fossem revistas, tendo em vista o despertar da crise.Alemanha, Itália e França pediram que as leis de asilo da Europa fossem revistas, tendo em vista o despertar da crise.

Bela Szandelszky / AP

8. A Grã-Bretanha foi criticada pela imprensa americana por se recusar a aceitar mais migrantes.A Grã-Bretanha foi criticada pela imprensa americana por se recusar a aceitar mais migrantes.

Laszlo Balogh / Reuters

9. Entretanto, David Cameron disse que “receber mais e mais refugiados” não é resposta para a crise.Entretanto, David Cameron disse que "receber mais e mais refugiados" não é resposta para a crise.

Bernadett Szabo / Reuters

10. A Alemanha espera receber cerca de 800.000 migrantes esse ano – a Grã-Bretanha disse que não receberá mais do que mil.A Alemanha espera receber cerca de 800.000 migrantes esse ano - a Grã-Bretanha disse que não receberá mais do que mil.

Zoltan Balogh / AP

11. Na semana passada, 71 pessoas morreram em um caminhão que viajava da Áustria a Budapeste.Na semana passada, 71 pessoas morreram em um caminhão que viajava da Áustria a Budapeste.

Petr David Josek / AP

12. Enquanto isso, milhares de migrantes têm chegado à Grécia continental.Enquanto isso, milhares de migrantes têm chegado à Grécia continental.

Visar Kryeziu / AP

13. A Macedônia declarou estado de emergência  para lidar com a crise.A Macedônia declarou estado de emergência na quinta-feira para lidar com a crise.

Giannis Papanikos / AP
Abed Hadi, de 19 anos, alimenta seu sobrinho enquanto espera para cruzar a fronteira da cidade de Idomeni, no norte da Grécia, para o sul da Macedônia.

14. Muitos dos que chegaram inicialmente nas ilhas gregas estão a tentar ir até o norte da Europa.Muitos dos que chegaram inicialmente nas ilhas gregas estão tentando ir até o norte da Europa.

Alexander Zemlianichenko / AP
Iranianos discutem com a polícia de choque grega enquanto esperam seus registros próximo a uma estação policial na ilha grega de Kos, segunda-feira, 17 de agosto.

15. A BBC informou que cerca de 44 mil pessoas viajaram pelo país nos últimos dois meses, e que arames farpados foram colocados na fronteira para evitar que mais pessoas entrem.A BBC informou que cerca de 44 mil pessoas viajaram pelo país nos últimos dois meses, e que arames farpados foram colocados na fronteira para evitar que mais pessoas entrem.

Giannis Papanikos / AP
Criança enrolada em um saco de dormir enquanto espera próximo à estação de trem de Idomeni, na fronteira norte da Grécia, em 18 de agosto de 2015.

16. Mais de 3 mil pessoas chegam às ilhas gregas todos os dias.Mais de 3 mil pessoas chegam às ilhas gregas todos os dias.

Alexander Zemlianichenko / AP
Uma mulher síria carrega seu filho após sua chegada de manhã cedo em um bote na ilha de Kos, sudeste da Grécia, na quinta-feira, 20 de agosto de 2015.

17. Pessoas que tentavam cruzar a fronteira da Grécia com a Macedônia entraram em confronto com a polícia na fronteira, de acordo com a revista Time.Na quarta-feira, pessoas que tentavam cruzar a fronteira da Grécia com a Macedônia entraram em confronto com a polícia na fronteira, de acordo com a revista Time.

Darko Vojinovic / AP
Homem e garoto presos entre a polícia de choque da Macedônia e migrantes durante um confronto próximo à estação de trem Idomeni, na fronteira norte da Grécia, em 21 de agosto de 2015.

18. O governo grego fretou navios para levarem mais de 4 mil pessoas partindo de Lesbos, conforme o The Independente.O governo grego fretou navios para levarem mais de 4 mil pessoas partindo de Lesbos, conforme o The Independente.

Visar Kryeziu / AP
Um homem chega com seu filho na costa da praia de Kaya, próximo à vila de Skala Sikaminea, na ilha de Lesbos, ao sudeste da Grécia, no dia 21 de agosto de 2015.

19. Gauri van Gulik, diretora da Anistia Internacional na Europa, disse à emissora: “As autoridades macedônias estão respondendo como se estivessem lidando com arruaceiros ao invés de refugiados que fugiram de conflitos e perseguições”.Gauri van Gulik, diretora da Anistia Internacional na Europa, disse à emissora: "As autoridades macedônias estão respondendo como se estivessem lidando com arruaceiros ao invés de refugiados que fugiram de conflitos e perseguições".Win Mcnamee / Getty Images
Um menino sírio chora enquanto seu pai o carrega em uma colina íngreme para chegar à fronteira entre Grécia e Macedônia, próximo a Idomeni, em 3 de setembro de 2015.

Alan White is a reporter for BuzzFeed News and is based in London.

Se lhe dessem um hipótese para fazer algo que sempre quis, mas que teria de começar nesse exato momento, qual seria a sua reação?

Michael, um pai de três filhos, num dia igual a tantos outros, foi levar a sua filha à dança e deparou-se com a oportunidade de fazer, juntamente com Lauren de 10 anos, algo inesquecível!

Aceitou o desafio, e juntos surpreenderam a mãe Lynne, naquilo que podemos chamar um verdadeiro espetáculo público Pai/filha.

Veja o vídeo. <3

  1. Pelo menos metade das tuas refeições são comidas diretamente dos restos dos  pratos dos teus filhos.
  2. Quando o teu marido te pergunta: “Então, o que é que fizeste hoje?”, não consegues relatar nada de significativo, embora te sintas como se tivesses sido centrifugada na máquina de lavar roupa.
  3. Os teus filhos perguntam-te onde é que vais, quando vestes umas calças de ganga.
  4. Consegues dar uma limpeza geral na casa e outra no bebé, apenas com um pacote de toalhetes.
  5. Uma tarde fora, significa ir para o supermercado sozinha e sem horários! (É a loucura)
  6. A televisão esteve ligada o dia inteiro, mas não fazes ideia o que se passa no mundo.
  7. Tomar banho diariamente é uma vitória.
  8. O bebé vê-te mais vezes nua do que o teu marido.
  9. Sabes, de facto, o que diz a raposa, ou o que poderia dizer, já que metade do teu dia é passado a fazer sons de animais.
  10. O teu humor é directamente proporcional às horas que o bebé dorme na sesta.
  11. Quando vais a sair, olhas para a tua roupa, descobres nódoas (algumas crocantes), e pensas “eh, não se nota assim tanto”
  12. Já convidaste mais que uma vez as Testemunhas de Jeová a entrar, e fogem a sete pés quando começas a fazer Gins.
  13. Tens de ver como está o tempo quando sais, porque às vezes não metes o pé na rua há quase uma semana.
  14. Vais ao facebook passar tempo com as tuas amigas.
  15. O teu aspirador já faz parte da mobília, e não é desligado da tomada há mais de 3 meses.
  16. Não fazes ideia do dia de semana em que estás, mas sabes as horas pelos desenhos animados que estão a dar na TV.
  17. Às 9h da manha já te passou pela cabeça que precisas de uma bebida!
  18. Estás a dar o biberon ao bebé, na casa de banho, e a marcar as consultas médicas pelo telefone ao mesmo tempo.
  19. Encontras o teu café da manhã por beber quando arrumas a cozinha à hora do almoço. Aqueces e bebes na mesma.
  20. Não queres ir dormir à noite, porque o silencio é tão bonito, que por mais cansada que estejas queres aproveitar esse sossego para ti.

 

Por The Scary Mommy Community, traduzido e adaptado por Up To Kids®
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Nota: Todos os textos traduzidos, adaptados e publicados pela Up To Kids® obtiveram a autorização prévia do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

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I HAVE A DREAM (Martin Luther King 15/01/1920 – 04/04/1968)

Nota de autor: Escolhi o título “I HAVE A DREAM”, porque enquanto pessoa, e excluindo quaisquer convicções políticas, espero que um dia todos tenham o direito de sonhar e acima de tudo viver.

Eu podia começar assim o meu texto…
Eu tenho o sonho de que um dia o mundo se torne justo e seguro para todos. Que todos tenhamos os mesmos direitos e valores…

Estou na Sérvia. Vim ter com o meu marido que actualmente trabalha e reside aqui. No dia em que chegamos, o João estava a trabalhar e fiquei sozinha com os miúdos no apartamento, por isso decidi sair para conhecer a cidade. Até aqui parece um cenário normal, não é?
Mas o que eu vi estava para lá de longe da minha realidade diária.

O que eu vi, ao vivo e a cores, foi o que vejo na televisão, nos videos que passam no facebook e na internet, e confesso que na maioria das vezes, simplesmente, ou mudo de canal, ou nem sequer faço play no vídeo. Porque não é em Portugal e porque na grande maioria das vezes é doloroso de ver.

VI REFUGIADOS…palavra tão actual nos dias de hoje.

Mas na verdade o que vi foram mães, pais, filhos, avós, bebés, idosos…num jardim cedido pela cidade de Belgrado, mas sem quaisquer condições de higiene, em parte devido ao elevado número de pessoas que chegam diariamente a esta cidade.

Com as chuvas que se fizeram sentir na semana passada, ainda ficou mais caótico… procuraram abrigo em estacionamentos subterrâneos, provocando medos e inseguranças aos residentes, situação que não foi bem aceite por todos.

Como companhia todos carregam sacos de plástico, onde transportam os seus poucos pertences.

refugiados

E o que fazem eles aqui?

Tentei saber mais, mas não domino a língua e fui aconselhada a não os abordar sozinha. O certo é que eles estão visíveis aos olhos de todos, no Jardim Central, junto dos transportes públicos,

Belgrado é apenas um ponto de passagem, onde descansam dois ou três dias e perseguem a sua “viagem”, sendo que agora têm de ser mais rápidos, visto que a Hungria decidiu “fechar”as fronteiras, colocando arame farpado e acompanhamento policial.

Perdi-me a olhar para aqueles rostos sem expressão que, cansados, olhavam em redor, quiçá, à procura de um amigo, de um familiar, de um filho, que tenha iniciado esta viagem sem fim com eles.

Vi dor, angústia, medo, solidão, mas vi também amor, nos braços da mãe que envolvem o seu bebé ao colo, na forma como o pai leva água a boca da sua filha, na firmeza que o avô agarra na mão da avó que caminha a seu lado, no abraço dado por um grupo de amigos…

Houve um episódio que me marcou: um grupo de pessoas beijava à vez uma nota, suponho que fosse do seu país de origem. Seria a agradecer a sua chegada ali? Não sei… Fosse qual fosse o motivo, aquela conivência emocionou-me.

Mas vi acima de tudo ESPERANÇA, na sua mais pura e verdadeira forma…nos olhares brilhantes que encontrei nas suas faces sujas, porque eles acreditam, e eu quero acreditar, que a viagem há-de ter um final feliz: que irão encontrar um sítio onde vão conseguir viver em paz.

I HAVE A DREAM, de que um dia as guerras acabem, e os governantes deste mundo percebam que ele é feito de gente simples, pessoas como eles, como eu, como tu e que a única coisa que querem é ter uma VIDA…tão simples, ter direito a viver, sem medo, sem opressões.

Por quererem esse direito de viver, fugiram de um país que há muito deixou de ser seu. São famílias inteiras, separadas, são crianças sozinhas, jovens que se aventuram pelo desconhecido, tendo de lidar por vezes com a maldade humana, com pessoas que se aproveitam destas situações para escravizar homens, mulheres e crianças.

É lutar pela sua sobrevivência e caminhar sem nunca olhar para trás.  É avançar contra todas as adversidades, não saber falar a língua dos países por onde se passa, não saber onde nem quando vão poder descansar. Muitos não sabem o paradeiro dos seus pais, dos seus irmãos, dos seus filhos. Mas sejam quais forem as condições que lhes sejam dadas, serão sempre melhor do que aquilo que deixaram para trás.

I HAVE A DREAM…de amanhã ligar a televisão e esta realidade já não existir.

 

Catarina Garrau Santos, mulher, mãe, cidadã do mundo, Sérvia, para Up To Kids®
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Foi publicada a lei que facilita o teletrabalho e que permite gozar a licença em simultâneo, com efeitos imediatos. A licença obrigatória do pai aumenta de duas para três semanas, mas só com o próximo orçamento.

A partir do próximo domingo os pais com filhos até três anos podem pedir para trabalhar em teletrabalho, ao abrigo donovo regime que já foi publicado em Diário da República. Esta é uma das novidades das alterações ao Código do Trabalho que entram em vigor cinco dias após a publicação.

“O trabalhador com filho com idade até 3 anos tem direito a exercer a actividade em regime de teletrabalho, quando este seja compatível com a actividade desempenhada e a entidade patronal disponha de recursos e meios para o efeito”, lê-se no diploma.
Foi esta a formulação aprovada no Parlamento, depois de as confederações patronais terem pedido um reforço das garantias do empregador, que foram viabilizadas pelos deputados da maioria.

Imediata é também a norma que permite que os pais possam gozar em simultâneo um dos meses da chamada licença parental inicial. Esse gozo “pode ser usufruído em simultâneo pelos progenitores entre os 120 e os 150 dias”, lê-se no novo diploma.

O documento deixa expresso que os trabalhadores que optem por teletrabalho ou pelo regime já previsto na lei de trabalho a tempo parcial não podem ser penalizados em matéria de avaliação a progressão na carreira, apesar de alguns juristas considerarem que esta garantia é redundante com outras que já constam da lei.

Trabalhadores com filhos de até 3 anos também poderão ficar fora dos regimes de adaptabilidade ou banco de horas grupal (ou seja, aquele que é decidido por uma maioria de trabalhadores) já que terão de manifestar por escrito a sua concordância.

Licença obrigatória do pai passa para três semanas mas só com o próximo orçamento

A legislação publicada esta terça-feira também altera os direitos de parentalidade, alargando de dez para quinze dias (ou seja, de duas para três semanas) o período inicial de licença obrigatória do pai.

“É obrigatório o gozo pelo pai de uma licença parental de 15 dias úteis, seguidos ou interpolados, nos 30 dias seguintes ao nascimento do filho, cinco dos quais gozados de modo consecutivo imediatamente a este”, lê-se no diploma.

A estes quinze dias iniciais somam-se ainda os dez dias facultativos a que o pai tem (e já tinha) direito. “Após o gozo da licença prevista no número anterior, o pai tem ainda direito a 10 dias úteis de licença, seguidos ou interpolados, desde que gozados em simultâneo com o gozo da licença parental inicial por parte da mãe”, continua a dizer a lei.

Contudo, estas normas, que implicam um aumento de despesa (via pagamento de subsídios) só entrarão em vigor com o próximo orçamento de Estado, tal como o Negócios já tinha noticiado. Por causa das eleições, marcadas para o início de Outubro, a data de entrada em vigor do próximo orçamento ainda está em aberto.
Por Catarina Almeida Pereira – Jornal de Negócios