Desfralde para Totós

Quem me conhece e me segue há algum tempo, sabe que sou uma adepta fervorosa do Slow Parenting – o mais curioso é ter começado a seguir esse modo de vida, sem nunca me ter apercebido que já existe uma teoria acerca disso.

Comecei o blog por brincadeira. Em parte, para poder acompanhar o crescimento dos meus filhos. Mas também porque adoro escrever. Desde pequenina que este meu hobby me faz sentir viva. Mas o meu blog nunca foi, nem nunca será um diário da minha família, ao estilo Big Brother. Apesar de partilhar fotografias dos meus filhos. sei que um dia eles podem não gostar de saber que eu partilhei os dias inteiros deles. As suas manias. As suas teimosias. As suas alegrias.

Daí que, de vez em quando estou um tempo sem por cá aparecer. Vou andando no instagram, para quem me quiser ver.

Mas hoje tive mesmo de passar por aqui e dar o meu testemunho: o desfralde do meu último filho.

O exemplo vivo de que cada criança é uma criança e tem os seus próprios timings. Para quê insistir com um bebé com 2 anos que não está nem aí para tirar as fraldas? Só porque os livros assim o dizem? Ou porque os filhos dos outros assim o ditam? Não, obrigada.

Cá em casa, o desfralde do Zé Maria foi simples. Prático. E rápido. Não houve cá potes, nem redutores, nem deslizes. Quando senti que o Zé Maria estava preparado, ensinei-o, sem pressas, a ir sozinho à casa de banho, E com dois anos e 10 meses largou definitivamente as fraldas. E não houve um ai. Nem um ui. Só alegrias e palmas. E não é porque o meu filho é melhor, mais esperto ou mais inteligente do que os outros. Simplesmente porque senti que já estava preparado. Porque ele deu sinais. Porque o Zé Maria mostrou confiança. Porque o senti seguro de si mesmo.

Já assisti algumas vezes a Mães que insistem com os filhos a largar as fraldas.

Com gritos, Com culpa. Com stress. Agora tem de ficar de castigo, só porque fez xixi fora do sítio. Agora não tem história antes de ir dormir, porque hoje não fez nada no pote. Não consigo perceber estas pressas. Estas manias dos Pais de insistirem com os filhos a crescer ou a serem independentes antes do tempo. Já ouviram falar de alguém que vai de fraldas para a faculdade? Ou que foi de chupeta para o liceu? Ou que ainda dormia na cama dos Pais quando resolveu pedir a namorada em casamento? Estas pressas não entram cá em casa.

Os meus filhos podem não ser os melhores nem os mais espertos, nem os mais rápidos em tudo. Mas são, sem dúvida, felizes, porque têm uns Pais e uma família que respeita os timings, as necessidades e os medos de cada um, deixando-os ser livres à maneira deles, sem exigências fora do seu controlo.

Só quero que eles nos respeitem também como Pais que somos, e que sejam muito, mas muito felizes.

E assim foi o desfralde do Zé Maria: sem regras, sem pressas, sem nada do que vem nos livros.

Só seguindo o ritmo dele e o instinto desta Mãe. Assim é que é!

Cada passo vale por dois | Educar para a igualdade e respeito pelo outro

Esta semana pensei em como um profissional de educação aborda o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres, que se comemora anualmente a 25 de Novembro.
Contextualizando o dia, sabemos que o mesmo foi declarado em 1999 pelas Nações Unidas (ONU). A data está relacionada com a homenagem a Tereza, Mirabal-Patrícia e Minerva, presas, torturadas e assassinadas em 1960, a mando do ditador da República Dominicana, Rafael Trujillo.
Esta data visa alertar a sociedade para os vários casos de violência contra as mulheres. Nomeadamente, casos de abuso ou assédio sexual, maus tratos físicos e/ou psicológicos.
Em média, uma em cada três mulheres é vítima de violência doméstica.
Olhando para as estatísticas enquanto educadores/as de futuros cidadãos/cidadãs, os números fazem-nos refletir.
Criar uma sociedade em que não se verifique casos de violência sobre o género feminino, engloba trabalhar sobre igualdade de género, igualdade de oportunidades, valorização do papel social da mulher, valorização da liberdade individual de cada individuo, construção de uma auto-estima… Analisando os factos, o ponto de partida é construir valores morais que assentem na igualdade e no respeito pelo outro.

Como?

 Iniciamos pela desconstrução já incutida pela sociedade do rosa para as meninas e o azul para os meninos! As cores são de todos e todas! Façamos uma viagem pela casa onde pais e mães partilham tarefas. Ensinemos às crianças que nas casas não existem tarefas de homens e tarefas de mulheres. Existem sim tarefas que, por vezes, alguns membros da família tem mais facilidade em fazer. Mas todos e todas somos capazes…
Vamos respeitar o outro e aceitar o “Não” como uma decisão e não um ataque pessoal. – Às vezes não me apetece brincar com os meus amigos e eu tenho o direito de dizer que não. – Estamos a criar a liberdade pessoal! Eu quero ser apto para realizar escolhas e aceitar as respectivas consequências de forma livre e ponderada.
Vamos estabelecer limites ao redor do meu corpo. Só eu tenho o direito de escolher quem lhe toca. Vamos educar para a educação sexual. Prevenir a violência e assédio sexual. Não quero ouvir que não sou capaz, que sou um desastrado ou uma desastrada, que só arranjo problemas. Não quero ser torturado psicologicamente. Vamos construir uma boa auto estima, que criará uma barreira impedindo que se caia nas malhas do/da agressor/a.
Refletindo. São pequenos atos, pequenos alertas que entram nas cabeças de seres em construção diariamente e que no futuro vão fazer cair os números sombrios das estatísticas.”

Artigo da leitora Carla Félix

imagem@benetton

A partir do momento que sabemos que vamos ser pais iniciamos um processo de mudança e construção. Mas o tempo, o stress, a correria do dia a dia e os conselhos que vão aparecendo por todo o lado, desde as mães, sogras, amigos, vizinhos, conhecidos e desconhecidos, que sabem lidar com todas as situações melhor do que nós e têm sempre solução e estratégias para tudo. É difícil manter o foco.

Então como manter o nosso rumo? É fácil em períodos de calma mas tudo se complica quando temos de tomar decisões no “calor do momento”. Ou seja, em casa eu consigo saber que vou lidar de forma calma mas quando o meu filho decide fazer uma birra no meio de um supermercado com toda a gente a olhar, tecer comentários, dar palpites e críticas nem sempre conseguimos seguir o nosso íntimo.

Então o que fazer? Nesses momentos de calma podemos aproveitar para refletir sobre nós, os nossos valores, o que para nós é verdadeiramente importante, os ideais que dão rumo e sentido à nossa vida. Escolham alguns desses valores, os mais importantes para vocês, para que sirvam de bússola ao vosso comportamento enquanto pais e sempre que tiverem de tomar uma decisão ou quando falarem com os vossos filhos perguntem se estão a respeitar esses valores. Assim podem pedir ajuda ou ouvir conselhos dos outros, mas no final farão apenas o que for ao encontro da vossa verdadeira essência, sem sentimentos de culpa e continuar a percorrer o caminho em busca dos pais que verdadeiramente querem ser!

Ficam aqui alguns valores que podem usar como ponto de partida. Escolham alguns deles e sintam-se à vontade para acrescentar outros!

Aceitação Natureza Alegria Respeito Amor Ternura Bondade União Coerência Esforço Calma Cooperação Criatividade Dever Curiosidade Paz Coragem Fraqueza Persistência Perdão Iniciativa Modéstia Otimismo Prudência Paciência Gratidão Amizade Humor Estabilidade Cidadania Compreensão Liderança Saúde  Justiça Tolerância  Esperança Disciplina Dignidade Atenção Generosidade  Gentileza Entusiasmo Honestidade

Por Rita Felizardo, Conselheira Parental em Leiria

imagem@whatafraid

És mãe a tempo inteiro? O que é que fazes todo o dia?

Aconteceu-me duas vezes esta semana, e nos dois casos com mulheres. Todas as pessoas deveriam valorizar mais as mães a tempo inteiro mas, especialmente as mulheres, deveriam apoiar-se e proteger-se umas às outras!

Na semana passada, eu estava na farmácia e uma conhecida cumprimentou-me:

-“Olá, Matt! Como estão os miúdos?”
-“Ótimos! Está tudo bem, obrigado.”
“Que bom. E a tua mulher? Já voltou a trabalhar?”
-“Bem, ela trabalha imenso a cuidar da casa e dos miúdos. Mas não vai voltar ao mercado de trabalho, se é isso que queres saber..
“Ahh! Que giro! Isso deve ser bom!”

“Giro? É muito trabalho e muito duro. Compensador? Sim. Giro? Nem sempre.”

Essa parte eu não disse. Só pensei num silêncio presunçoso e subversivamente condescendente.

O próximo incidente ocorreu hoje no café. Tudo começou de forma semelhante; uma conversa amigável sobre como as coisas estão, e que tal os bebés. A conversa rapidamente descarrilou quando a mulher me esmurrou com esta deixa:

“Então a tua mulher vai ficar em casa permanentemente?”
“Permanentemente? Sim…, nos próximos tempos vai ficar em casa com os miúdos, sim…”
“Pois, o meu filho tem 14 anos agora. Mas eu tive uma carreira o tempo todo, também. Eu não consigo  imaginar-me  a ser uma dona de casa. Ficava tão impaciente…. (Riu-se) O que é que uma dona de casa faz o dia todo?”
“Oh, absolutamente tudo. O que Tu fazes o dia todo?”

“… Eu? Er.. Eu trabalho!”
“A minha mulher  nunca pára de trabalhar. Estamos a meio da tarde a beber café. Tenho certeza de que ela gostaria de ter tempo para sentar e beber um chá. É bom ter uma pausa, não é?”

A conversa terminou menos amigável do que começou.

Bem, eu não vou difamar as mulheres que trabalham fora de casa.

Eu entendo que muitas são forçadas a isso porque são mães sozinhas ou porque uma só fonte de rendimento não é suficiente para dar resposta às necessidades financeiras da sua família. Ou simplesmente optaram por trabalhar porque é isso que elas querem fazer. Tudo bem. Eu também entendo que as maiorias das mulheres “no activo” não são rudes, pedantes e presunçosas como estas duas!

Mas agora não estou numa de alinhar os  chakras e fumar um cachimbo da paz. Apetece-me dar um chuto na nossa sociedade materialista e dizer: “Mete os pontos nos is!!”

Esta conversa nem sequer deveria existir.

Não é preciso explicar porque é que é acho de loucos uma pessoa – especialmente  outra mulher (?) – ser tão arrogante para as mães a tempo inteiro.

Será que somos realmente tão superficiais? Será que estamos realmente tão confusos? Será que somos realmente a primeira cultura na história da humanidade a não conseguir entender a glória e a seriedade da maternidade? Os pagãos divinizaram a Maternidade e transformaram-na em uma deusa. Nós fomos noutra direção. Tratamos a maternidade como uma doença ou um obstáculo.

As pessoas que mergulham completamente neste trabalho ingrato e cansativo, mas extremamente importante na educação dos nossos filhos, deviam ser colocadas num pedestal. Devíamos admirá-las como admiramos cientistas que constroem foguetões ou heróis de guerra.

Estas mulheres estão a fazer algo de belo e complicado, desafiador e assustador, doloroso, alegre e essencial.

O que quer que estejam a fazer, estão sempre a fazer alguma coisa, e nossa civilização depende delas para o fazerem bem. Quem mais pode dizer uma coisa dessas? Que outro trabalho acarreta tamanhas consequências?

É verdade…  ser mãe não é um emprego.

Um emprego é uma função que desempenhas numa parte do dia e quando acaba o horário paras e vais para casa.

Tens um salário. Tens sindicatos, benefícios e tempo de descanso. Eu tive muitos empregos. Não é nada de espetacular ou místico. Eu não percebo muito bem porque elevamos a “força de trabalho” a um estado sagrado. De onde veio esta ideia? Do Manifesto Comunista? Ter um emprego é necessário para alguns – é para mim – mas não é libertador nem dá poder. Seja qual for o teu trabalho. És dispensável. És um número. Um cálculo. Um servo
Podes ser substituído, e serás substituído eventualmente.

Estou a ser muito drástico? Não, estou a ser realista.

Se as mães desistissem  do papel de mãe muitas vidas ficariam viradas do avesso (incluindo a minha). Asociedade iria sentir, e muito. As consequências seriam sentidas por gerações. Se elas largassem o emprego como analistas de computador, seriam substituídas em quatro dias e ninguém se importaria. Isto é válido para mim e para ti. Temos liberdade e poder em casa, não no escritório. Mas nós somos autênticos zombies, por isso não nos apercebemos disto.

Sim, a minha mulher é SÓ uma mãe.

SÓ.
A minha mulher SÓ trouxe vidas ao universo, e SÓ forma, molda e cuida dessas vidas.
A minha mulher SÓ gere, dirige e mantém o funcionamento da casa, enquanto trata de crianças que SÓ contam com ela para tudo.
A minha mulher SÓ ensina os nossos gémeos a serem bons seres humanos e, à medida que crescem, SÓ lhes irá ensinar TUDO. Da moral aos costumes, do alfabeto à higiene, da educação à brincadeira, etc.
A minha mulher é SÓ o meu alicerce espiritual e a rocha onde a nossa família se apoia.
A minha mulher é SÓ TUDO para todos.
E a sociedade SÓ iria desmoronar-se se a minha mulher e todas as mães como ela falhassem em qualquer das tarefas que descrevi.

Sim, ela é SÓ uma mãe. O que é algo como olhar para o céu e dizer: “Ah, é SÓ o sol.”

É claro que nem todas as mulheres podem ser mães a tempo inteiro.
Uma coisa é reconhecer isso. Outra bem diferente é pintá-lo como o ideal. Chamá-lo de ideal, é alegar que o ideal seria que as crianças passassem menos tempo com suas mães. Isso é uma loucura. Pura loucura. Isso não é o ideal e nem tão pouco neutro. Quanto mais tempo uma mãe puder passar com seus filhos, melhor. É melhor para eles, melhor para suas almas, melhor para a comunidade, melhor para a humanidade. Ponto final.

Enfim, é provável que as mães a tempo inteiro tenham algum tempo livre.

Mas as pessoas que trabalham fora de casa também têm tempos mortos e livres. Na verdade, há muitos trabalhos que consistem principalmente de tempo de ocio, com pequenas empreitadas de atividade aqui ou ali. De qualquer forma eu não quero entrar  numa discussão sobre quem é “mais ocupado”.

Parece que valorizamos o nosso tempo tão pouco que quantificamos o nosso valor com base no pouco tempo temos. Ou seja, temos idolatrado o “estar ocupado”, e confundindo-o com o que realmente é “importante”.

Podemos estar ocupados sem ser importantes, assim como podemos ser importantes mas não estar ocupados. Eu não sei quem anda mais ocupado e nem me interessa. Não importa! Acho que posso dizer que nenhum de nós é tão ocupado quanto pensamos que somos. De qualquer forma , por mais ocupados que estejamos, será sempre mais do que aquilo que deveríamos estar..

Recebemos um monte de informações equivocadas na nossa cultura. Mas, quando tudo estiver dito e feito, e nossa civilização se desfizer em cinzas, o que mais nos lamentaremos é a forma como tratámos as mães e crianças.

 

Em The Matt Walsh Blog, Twitter: @MattWalshRadio
traduzido e adaptado por Up To Kids®

imagem@joeyfullystated

Eu nunca te quis aqui. Aliás, nunca fizeste parte dos meus planos. Cresci e sonhei com a minha família, mas nunca estiveste fizeste parte do plano. Nunca quis a ajuda de outra mulher para criar a minha filha. O meu plano era uma família que incluísse a mãe, o pai e os filhos. Não uma madrasta.

Eu duvido que alguma vez me quisesses na tua vida. Eu duvido que tenhas planeado ser mãe de uma criança que não cresceu na tua barriga. Aposto que o teu plano para a tua família eras tu, o pai e os teus filhos. Não era eu e minha filha. Quase que aposto que quando sonhavas em vir a ser mãe, imaginavas o dia em que se rebentavam as águas, ias para a maternidade e que o teu filho ia nascer. Aposto que não planeavas tornar-te mãe no dia em que te casaste com o teu marido.

Eu tenho certeza de que tu nunca planeaste eu estar aqui.

Mas Deus tem planos que se sobrepõem aos nossos… quando a minha família se desmoronou e formou duas pequenas famílias, eu sabia que, mais cedo ou mais tarde ias aparecer.

Imaginava que serias alguém sem qualquer interesse e que a minha filha nunca te iria aceitar! Imaginava-te pouco atraente e fútil, e que a minha filha nunca te daria uma chance. O pai dela ia acabar por ter de se contentar com esta situação. No fundo eu estava em negação, porque nunca quis encarar o fato de que, outra mulher tomaria o papel de mãe da minha filha, na minha ausência.

Então tu apareceste.

Quando te conheci, vou admitir que não eras, de todo, o que tinha em mente e senti uma ponta de ciúmes. Pensava que eras uma bruxa nojenta de meia-idade, meio repugnante. Mas afinal és jovem. E gira!

Fiquei um bocado frustrada.

Percebi pelo teu olhar que para ti foi tão difícil como para mim conhecermo-nos. O meu coração ficou mais calmo. Eu tinha realmente pensado em odiar-te. Como é que arruinaste o meu plano? Eu queria ter ressentimentos, ser rancorosa mas esses sentimentos rapidamente se desvaneceram, e eu senti-me grata por existires!

Teres aceite a nossa filha desde o início e ama-la de forma incondicional foi um verdadeiro presente para todos nós. Incluis a nossa filha em tudo que fazes e por isso ela sente-se amada e aceita-te de braços abertos. Consegues pôr a relação dela com o pai acima da tua e apenas uma mulher de armas sabe como fazer isto com tanta elegância.

Eu sabia que a partir do momento que decidimos divorciar-nos e começamos a viver separados, haveria momentos em que ela ia precisar da mãe e eu não ia estar lá. Estou tão agradecida por estares lá na minha minha ausência. Obrigada por teres paciência para aturar uma pré-adolescente e nunca a rejeitares. Ela precisa de uma mãe em casa e e tu está a fazer um trabalho incrível com ela.

Respeitaste a minha posição de mãe desde o início. Agradeço a forma como te preocupas em confirmar sempre comigo se estás a tomar a decisão certa com ela. Eu sei que a nossa relação é rara. É raro uma mãe e uma madrasta trocarem mensagens de texto sobre a filha, que reforcem a relação de respeito e confiança mutua. Tu foste e és uma bênção.

Por tua causa e pela coragem de seres mãe da nossa filha da mesma maneira que eu sou, ela vai ser uma mulher melhor. Ela vai crescer com mais amor que eu jamais poderia ter imaginado. Ela não tem culpa de ter pais divorciados. Eu também nunca quis isso para a minha filha, mas agora, eu sinto-me feliz que tenha quatro pais que a amam e respeitam. E também se respeitam mutuamente. Ela cresce a saber que quando se fecha uma porta abre-se uma janela.

Eu não te vejo apenas como a pessoa que preenche um espaço quando eu não estou lá. A vossa relação vai para lá dos dias em que ela está no pai. Ela fica animada para te telefonar e contar histórias quando está em minha casa e isso faz-me saltar o coração do peito de alegria. Encho-me de orgulho quando nos encontramos e me apertas num abraço genuíno e amoroso.

Tenho a noção de como é a vida de uma criança quando uma mãe não aceita emocionalmente a madrasta de seu filho na sua vida. A sensação de gratidão transborda em mim por sermos capazes de superar qualquer coisa assim e fazer o que é realmente certo para a nossa filha. Obrigada por tua maturidade e pelo empenho em criar a nossa filha.

Comprometo-me a respeitar sempre o teu contributo para com a nossa filha. Prometo nunca menorizar o papel que tens na sua vida ou fazer com que não te sintas como mãe dela. Comprometo-me a ser sempre agradecida por sermos duas mulheres fortes e corajosas na vida dela, pois temos a coragem de sermos mãe ao mesmo tempo. Apesar na nossa situação ser tranquila, eu rezo a Deus para que ela não passe por isto na sua vida adulta, mas se por acaso isso acontecer,  eu prometo dar-lhe o exemplo de como criar um filho de pais separados.

Mulheres como tu, não há muitas.

Obrigada, e Deus te abençoe.

Por Candice Curry: Women with Worth
Traduzido e adaptado por Up To Lisbo Kids®

Nota: Todos os textos traduzidos, adaptados e publicados pela Up To Lisbon Kids® têm a a autorização do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

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