Quando nasce um bebé prematuro, nascem também vários desafios: lidar com a incerteza e a fragilidade de um bebé e gerir a expectativa.

Estabelecer uma relação íntima e direta com um bebé que nasce antes do tempo vai ajudar o prematuro a recuperar mais rapidamente. Por sua vez, também aos pais ajudará a ultrapassar a fase inicial deste enorme desafio.

Não obstante as várias experiências amargas a que este bebé está sujeito durante os primeiros tempos, há uma série de cuidados e vivências agradáveis que poderão paulatinamente ser oferecidas ao prematuro – alguns só no regresso a casa, outros ainda na maternidade.

Tratamento completo para bebés felizes

A amamentação, assim que possível, é um fator de absoluta importância para o bom desenvolvimento do bebé. Nada se iguala ao leite materno, não só por ser o alimento mais completo que um bebé pode ter como por promover o seu desenvolvimento emocional, a sua a segurança e o vinculo emocional à mãe.

Também o toque, tão vital nos primeiros meses de um bebé, pode ser das melhores experiências que lhe podemos dar. Através de uma massagem suave com um óleo biológico apropriado, alguma sabedoria e muito carinho, o bebé ficará mais relaxado e sentir-se-à seguro.

A massagem tem um papel fulcral, dado que vai, de certa maneira, compensar a falta de estimulação intra-uterina que ficou suspensa aquando da interrupção da gravidez de forma prematura. Além disto, a massagem ajuda as mamãs (e papás) a superarem o sentimento de culpa que frequentemente sentem, sentindo-se assim úteis para o seu filho.

Também a utilização de um pano porta-bebés será de grande benefício para ambos (bebé e pais). O prematuro, através do contacto pele com pele, vai sentir-se seguro e quentinho, ao mesmo tempo que poderá ouvir o bater do coração da mamã, sentir o seu cheiro, ouvir a voz que já conhece tão bem, ficar aliviado de eventuais cólicas…

A técnica de embrulhar o bebé – numa swaddle – é das mais úteis para transmitir conforto e segurança a um prematuro. Quando o bebé está firme (mas confortavelmente) embrulhado neste «crepe» de algodão, fica calmo, sente segurança e, consequentemente, dorme melhor.

E a hora do banho? Para um bebé muito pequeno, vai ser especialmente importante sentir que existem limites – como os que havia nesse lugar seguro que era o útero. Através de uma banheira ergonómica, em formato de balde, conhecida vulgarmente por Shantala, onde o bebé fica sentado, terá uma sensação mais próxima da vivência na barriga da mãe, comparativamente a uma banheira comum. A Shantala, pela sua forma compacta, permite que a água se mantenha quente durante mais tempo, e diminui as cólicas do recém-nascido. Umas gotinhas de óleo hidratante (por exemplo, à base de argan) vão também enriquecer a pele do bebé.

Os produtos que aplicamos na pele deverão ser essencialmente neutros, sem aroma/ fragrância e, tanto quanto possível, biológicos certificados. Estes não contêm químicos nocivos – sim, muitas marcas específicas para bebés, ironicamente, contêm-nos.

A escolha criteriosa das roupas também será um fator importante para o conforto do prematuro. Roupas com um toque suave, à base de fibras naturais (algodão biológico, seda, lã merino, bambu) vão seguramente transmitir mais bem-estar ao bebé, cuja pele é ainda muito sensível. O mesmo é extensível para os lençóis e as mantinhas que envolvem o prematuro.

Na mesma linha de pensamento – materiais que contactam diretamente com a pele do bebé – opte por fraldas suaves, hipo-alergénicas. As fraldas de pano, reutilizáveis, ou as de bambu, descartáveis, podem representar a opção mais ajustada (literalmente!) para estes pequeninos.

Estas são apenas algumas sugestões para responder às necessidades de bem estar de um prematuro. Sentir que está seguro, que é amado, num ambiente de calor e conforto, são condições vitais para fortalecer qualquer bebé, mas em especial se se tratar de um prematuro.  E regressar a casa com a segurança de que sabem cuidar do seu bebé é a melhor sensação que os pais poderão ter!

Há lá coisa melhor do que chegar a casa e ter um spa completo para um bebé feliz?

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Ninguém prepara um pai ou uma mãe para serem pais antes do tempo.

Por vezes, ao longo da nossa vida, vamos ouvindo falar de algumas histórias de pessoas conhecidas que passaram por esse acontecimento, mas a realidade é que esse ainda é um tema pouco falado, pouco divulgado, e para o qual muito pouca gente está desperta. Numa gravidez, quase ninguém pensa na realidade de um parto prematuro, e por vezes este tema não recebe a devida importância.

O mundo da prematuridade é talvez das aventuras mais assustadoras por que os pais podem passar, independentemente de tudo correr bem ou menos bem.

Para quem não sabe, um bebé prematuro é um bebé que nasce antes das 37 semanas, sendo que um grande prematuro é quando nasce antes das 28 semanas. A diferença do bebé idealizado para o bebé prematuro real é muito, muito grande! Uma fase que era suposto ser preenchida por sonhos e planos, com um bebé lindo e perfeito, transforma-se de repente numa fase de medo, angústia e insegurança!

É um momento de grande stress, uma autêntica montanha russa de sentimentos. Provavelmente uma das piores experiências e uma das mais difíceis de enfrentar.

É por isso muito importante os pais estarem juntos e unidos, enquanto casal, e enquanto pais de um bebe tão pequeno mas com um coração, uma força e uma vontade de viver enormes.

 

Nesta fase, é muito importante que enquanto casal:

– Se ajudem diariamente um ao outro;

– Lidem com os sentimentos;

– Chorem, partilhem os vossos medos, e confiem nos profissionais de saúde que cuidam do vosso filho;

– Estabeleçam uma rotina diária, mas com tempo para descansarem, para poderem estar bem junto do bebe;

– Questionem e tirem duvidas com os profissionais de saúde;

– Caso sintam necessidade, explorem as vossas convicções religiosas  e espirituais;

– Procurem ajuda em grupos de apoio/pais ou associação portuguesa de apoio ao bebe prematuro;

– Criem laços afectivos com o vosso bebé! Por vezes pode demorar algum tempo, mas é muito importante no desenvolvimento do bebé. Basta muitas vezes a presença, o toque, o cantar e contar historias. É fundamental para uma criança sentir-se amada! Os bebés prematuros não são diferentes, e a presença, o cheiro, toque e a voz dos pais, e todo o Amor que lhes possam transmitir, é muito, muito importante!

– Celebrem sempre cada vitoria (e um aumento de peso, um xixi, um cocó, um sorriso, tudo isso são vitórias!).

Os bebés prematuros são pequenos no tamanho mas enormes no coração, uns super guerreiros!

 

Por Débora Barroso, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

1ANSALDO, Giovanni Andrea
The Flight into Egypt
1620s
Oil on canvas 170 x 127 cm
Galleria Nazionale d’Arte Antica, Rome

Em várias obras de arte, Maria surge arquetipicamente com um pano onde transporta o Menino.

Sabemos, pois, que carregar os bebés num pano não é moda nova.
Em Portugal, felizmente, testemunha-se um crescente interesse e sensibilidade pelo babywearing (esta forma de transportar os bebés envolvendo-os em nós com um pano ou numa mochila porta-bebés), por parte tanto de mães, que depois influenciam outras mães, como por profissionais de saúde e outros terapeutas – como os osteopatas ou as doulas – que reconhecem cada vez mais os benefícios de transportar o bebé “à distância de um beijinho”, recomendando o uso de porta-bebés ergonómicos.

Para a criança as vantagens passam, acima de tudo, pela prevenção de incorreções ao nível do desenvolvimento da estrutura óssea – como a recorrente displasia da anca – e da estrutura neurológica, e pelo aumento de confiança devido ao contacto (ou melhor: com tacto!) com a mãe ou com o pai, sobretudo se for um contacto direto pele com pele.

Não é novidade que o toque, o afeto e o calor são necessidades básicas. Estudos* comprovam que os bebés transportados nos porta-bebés 3h por dia choram menos. Há igualmente pesquisas** que atestam que os bebés prematuros têm uma resposta mais positiva quando são transportados nos porta-bebés, pois são permanentemente estimulados pelos batimentos cardíacos da mãe, pelo calor da sua pele, pela respiração, além de todo o ritmo que se produz enquanto se movimenta. Por sua vez, os próprios pais tornam-se mais confiantes, dado que facilmente reconhecem os sinais dos seus bebés (movimentos, expressões, respiração, gestos).

Além das vantagens acima referidas, é de longe mais fácil realizar tarefas domésticas, ir às compras e subir escadas – desafio vivido constantemente por quem usa carrinhos – sobretudo quando existem mais filhos pequenos, pois ficam com as mãos livres e não têm que se deslocar recorrentemente para ir ver o bebé.

Desta interação resulta uma maior sintonia e estabilidade para ambas as partes. Uma mulher que tenha tendência para uma depressão pós-parto terá, naturalmente, benefícios acrescidos.

Em resumo, todos estes movimentos e estímulos (físicos, neuronais e emocionais) são fatores que favorecem a fundação de um desenvolvimento físico e anímico sadio da criança e que, em conjunto com as vantagens que também os pais têm, representam os benefícios de usar os porta-bebés ergonómicos.

Já tem o seu?

Por Marta Ribeiro, para Up To Kids®

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