Resistir à tempestade é não desistir de ser Feliz…. É criar instantes de vida que valham por si mesmos.

Vivemos num mundo moderno, em pleno século XXI, onde as exigências são enormes….

As mulheres com todas as suas conquistas, passaram a trabalhar fora de casa, sim porque antes também trabalhavam muito, mas dentro de casa, onde infelizmente não eram vistas nem apreciadas. Passaram a ter voz ativa, uma palavra a dizer, mas não deixaram de estar um pouco sozinhas da gestão doméstica e educação dos filhos. Alguns homens, justiça seja feita, adapataram-se e aprenderam não só a partilhar como a responsabilizarem-se pela dinâmica familiar, outros nem tanto…

As crianças estão mais sozinhas, com menos apoio familiar e em dinâmicas sociais vazias, num culto de imagem que torna as relações mais líquidas e quase sem vínculo…

Ensinamos desde pequenos que a vida é dificil e que a carreira se começa a desenvolver desde o nascimento, com um conjunto infindável de atividades extra-curriculares que pensamos serem úteis no seu desenvolvimento, mas que na verdade as impede de brincar e de serem simplesmente crianças.

A ansiedade e a depressão

A ansiedade e a depressão são as novas doenças do século, que avassalam todos sem dó nem piedade e cada vez mais as pessoas estão desesperadas, sem saber que caminho seguir. Na generalidade não compreendem a razão de estarem assim, mas sentem-se incapacitadas para prosseguir como antes. Não identificaram os sintomas que com certeza já iam aparecendo e quando finalmente não conseguem mais ignorar, porque o mal-estar é permanente e parece comandar as suas vidas, já não podem passar sem medicação. Infelizmente isto é verdade também nas crianças e jovens, que cada vez mais sofrem de distúrbios de ansiedade, que lhes retiram qualidade de vida.

Sofremos cada vez mais de hiperatividade mental! Sobrecarregamos o nosso pequeno computador, como se ele não se desgastasse e cansasse de tanto pensamento, tantos afazeres, tantas listas que inundam a nossa cabeça e não nos deixam dormir! Precisamos fazer tudo em tempo útil, estar em todo o lado, cumprir com as obrigações familiares e profissionais e ainda assim ter tempo para amar e ser feliz!

Parece que tem sido impossível completar essa tarefa que a vida moderna nos impõe. O custo tem sido a tristeza das nossas crianças, a nossa tristeza e todos os distúrbios e patologias que temos vindo a desenvolver.

O mar que em tempos beneficiava de períodos de tranquilidade, hoje está repleto de ondas ininterruptas, que batem com força na areia e por vezes fazem buracos complicados de tapar ou disfarçar. O mar está claramente bravo e difícil de navegar….

“A nossa mente é como a água, quando está calma e em paz, pode refletir a beleza no mundo. Quando está agitada, pode ter o paraíso em frente e não o reflete!”  – David Fischman

O que é que cada um de nós pode então fazer para resitir a esta tempestade?

Diria que antes de mais precisamos todos de Respirar!

Precisamos de sair do alheamento que a hiperatvidade nos confere para vivermos mais inteiros, mais conscientes, mais presentes em nós e nos outros. Precisamos criar tempo e espaço para simplesmente parar e Respirar!

Por parar não nos estamos a referir a meditações complexas logo pela manhã. Sabemos que existe um conjunto infindável de tarefas para completar antes de podermos sair de casa. Não! Basta acordar 15 minutos antes da hora fulcral, para poder executar todas as tarefas com calma e de forma consciente. Porque não tirar uns minutos para nós próprios para começar o dia respirando o seu dia, sem pensar… Praticar esse estado de presença consciente ou mindfulness, não é nada que requeira muito do seu tempo e muito menos da sua cabeça!

É um estado que possibilita a nossa autoregulação. Viver no momento presente e aliviar o excesso de energia na zona da cabeça, a hiperatividade mental, preocupação e confusão que nos esgota e nos obriga a ligar o piloto automático na execução das tarefas quotidianas, anulando a possibilidade de estarmos atentos e conscientes.

Quando vivemos com o piloto automático ligado é como se vivêssemos na estratosfera! Viver na estratosfera é o contrário do que o mundo exige de nós e todas as nossas tarefas ficam dificultadas.

Precisamos de Caminhar e sentir os nossos pés no chão! Precisamos de nos enraizar na vida, no aqui e no agora, na nossa capacidade de acção e concretização… Precisamos de nos apropriar do nosso corpo e do nosso sentir. Caminhar possibilita não só a nossa autoregulação como o nosso enraizamento. Quando estamos ligados à terra estamos centrados e conectados a receber e escoar a energia do nosso corpo. Esse porcesso dá-nos a segurança e a base para que possamos experimentar a vida sem medo e em plenitude.

Estar vivo não é um acaso inútil ou um lanche grátis, que nem nos soube assim tão bem! Estar vivo é uma responsabilidade para connosco, com os outros, com a nossa felicidade e o nosso caminho! Dizem que felicidade é um instante de vida que vale por si mesmo… Vamos produzir mais instantes aos quais possamos chamar de Felicidade!

Resistir à tempestade é não embarcar na loucura que são as exigências da vida moderna. É criar espaços para Parar, Respirar e Conectarmos com nós próprios no dia-a-dia agitado do século XXI.

Resistir à tempestade é não desistir de ser Feliz…. É criar instantes de vida que valham por si mesmos.

Manter a calma nas férias com Mindfulness

Não sei se és como eu. Adoro estar de férias com os meus filhos. É divertido, muita ação e muito amor. Também é cansativo, é desafiante e existem muitos conflitos. E, às vezes, não me apetece nada estar de férias com eles. Mesmo. E está tudo bem! Há muitos anos livrei-me da culpa que sentia quando ia de férias sem os meus filhos. Aliás, hoje em dia acho essencial para a recarga das minhas próprias baterias… e assim consigo acompanhar melhor a velocidade deles. E divirto-me muito mais! Mesmo assim, há momentos em que sinto que as férias de verão são mesmo loooooongas. E há momentos em que parece que os meus filhos não se sabem entreter sozinhos e sinto-me uma espécie de animadora e os meus filhos têm a expectativa que os vou entreter durante horas e horas. Sei que não é bem verdade, mas às vezes parece… E se és como eu, às vezes ficas mesmo sem ideias (e farta)… mas está tudo bem! Nestes momentos páro e lembro-me que além de serem uma recarga essencial das baterias, as férias são sobre conexão. E muitas vezes sobre re-conexão. Rebuscando a conexão que muitas vezes se perde na correria do dia-a-dia.

Hoje quero partilhar contigo 10 ideias de atividades de Mindfulness que podes fazer com os teus filhos. Não só ficas com ideias de coisas para fazer como podes fazer uma viagem para dentro, para o interior, cultivando a calma, a paz, a tranquilidade, a reflexão e a conexão.

  1. FAÇAM UM ”MIND-IN-A-JAR”
    Estes jarros são relativamente fáceis de fazer e são uma experiência sensorial muito engraçada, tanto para nós como para as crianças. A ideia é que os brilhantes dentro da jarra representam as nossas emoções e os nossos pensamentos. Agitando o frasco conseguimos ver como as emoções e os pensamentos podem ficar muito agitados, mas se pousarmos o frasco, após algum tempo, todos os brilhantes acabam no fundo do frasco… exatamente como acontece com as emoções.
    Podem falar e refletir sobre os pensamentos e as emoções, brincar de várias formas, talvez fazer um jogo a ver se conseguem ficar a olhar para os brilhantes até estarem todos no fundo, sem falar e respirando apenas.
  1. FAÇAM MEDITAÇÃO EM ANDAMENTO
    Isto é o Pókemon Go do Mindfulness. Vão lá para fora andar, e andar mesmo. Olhem para os pés. Experimentem andar com os olhos semi-fechados ou até fechados. Sentindo cada passo. A sensação debaixo dos pés (se estiverem descalços melhor ainda!), a sensação das pernas, experimentem ritmos diferentes. Deixa ser o teu filho a guiar… dando instruções curtas, ”mais rápido!” ”lento” ”pára!”, de resto mantenham-se em silêncio. Parem de vez em quando para ouvir os sons, olhar para as cores e as formas…
  1. FAÇAM BOLINHAS DE SABÃO
    É um excelente exercício para praticar a atenção plena e a respiração profunda. Incentiva o teu filho a inspirar profundamente e expirar leeeeentamente quando sopra. Incentiva-os também a observar as bolas de sabão a serem formadas, a voarem, a rebentarem. Observem as cores e as sensações quando as bolas rebentam na vossa pele.
  1. BRINQUEM COM BALÕES
    Enche alguns balões. Começa por colocar um balão no ar e pede ao teu filho para manter o balão no ar com toques suaves. De seguida, vai acrescentando balões para a criança manter no ar. Isto é um bom exercício para as crianças mais ativas e que gostam de desporto e de ter algum tipo de objetivo (que neste caso é manter o balão no ar o máximo tempo possível/dar o máximo de toques).
  1. PRATICA MINDFUL EATING
    Isto é uma adaptação de um jogo que se fazia sempre nas festas de anos na Suécia quando eu era pequena. Prepare 5-10 taças com alimentos diferentes. Pedaços de fruta, vegetais, frutos secos etc. A ideia agora é a criança explorar e investigar o alimento com os cinco sentidos. Coloca uma venda na criança, pede para ela respirar, focar-se e põe o alimento na mão da criança. Diz para ela sentir, cheirar e ouvir (sim, ouvir! é uma experiência engraçada ouvir comida), para depois colocar o alimento na boca. Antes de poder mastigar tem de sentir o alimento nos dentes, na língua, no céu da boca e só depois pode começar a mastigar, lentamente. Incentiva a criança a descrever os sabores e as sensações e apenas no fim dizer qual o alimento que é. Tira a venda e olhem agora para a taça desse alimento, descrevendo o alimento como se nunca a tivessem visto antes.
  1. PINTEM MANDALAS
    Compra um dos imensos cadernos com mandalas que existem ou façam as vossas próprias mandalas. Compra pedras ou vão apanhar pedras à praia para depois pintarem com as vossas mandalas personalizadas (marcadores normais funcionam em algumas pedras, em outras não, tinta acrílica funciona muito bem). O meu filho mais novo adora esta atividade, e eu também!
  1. FAÇAM MASSAGENS
    Faz uma massagem ao teu filho e deixa-o fazer-te uma também. Fala com ele sobre o que ele sente quando recebe a massagem e o que sente quando faz a massagem, tanto fisicamente como emocionalmente. Dá lugar à conversas lindas.
  1. REFLITAM SOBRE O QUE APRECIAM
    Pergunta ao teu filho o que ele aprecia nele próprio. Diz-lhe o que aprecias em ti. Depois diz o que aprecias nele e pede para ele fazer o mesmo sobre ti. Depois falem sobre o que apreciam na vossa vida em família, na vossa casa, na vossa cidade, em Portugal e por aí fora.
  1. FAÇAM YOGA JUNTOS
    Qualquer sala ou jardim pode ser transformado num espaço para fazer yoga. A internet está cheia de inspiração. Vê por exemplo este vídeo

  1. FAÇAM UMA ÁRVORE DE GRATIDÃO
    Não é preciso um dia especial como o Dia de Ação de Graças (Thanksgiving Day). Podemos praticar gratidão a qualquer altura e fazer uma árvore de gratidão é uma atividade de trabalhos manuais (que são sempre bons para desenvolver a atenção plena) engraçada que também nos permite fazer reflexões especiais.
    Podes ver aqui como fazer a árvore

imagem@educamais

“A mente é como a água, quando está calma e em paz, pode refletir a beleza no mundo. Quando está agitada, pode ter o paraíso em frente e não o reflete!” – David Fischman

Atualmente, as pessoas vivem agitadas, inquietas, distraídas, numa vida extremamente exigente onde não existe um botão de pausa. É fundamental criar tempo e espaço para que as pessoas possam simplesmente parar e entrar em contacto, centrarem-se em si próprias. Apropriarem-se das suas necessidades, das suas emoções, dos seus impulsos e do seu corpo, libertando a mente….

Mindfulness não é mais do que a capacidade de colocar o corpo e a mente em posição de observar passo a passo o fluxo de pensamentos, emoções e ações que navegam e se revelam em nós. É uma presença consciente, uma atenção plena para a vida e na vida….

Uma disposição aberta e sincera para compreender o que está a acontecer em nós e à nossa volta. Uma atitude de investimento e plenitude em vez de uma atitude de fuga, que inviabiliza a capacidade de viver no aqui e agora. Viver no momento presente não é o mesmo que pensar sobre o momento presente, na medida em que é exatamente esse excesso de energia na zona da cabeça, essa hiperatividade mental, preocupação e confusão que nos esgota e nos obriga a ligar o piloto automático na execução das tarefas quotidianas, anulando a possibilidade de estar atento e consciente. Quando vivemos com o piloto automático ligado é como se vivêssemos na estratosfera! Já lhe aconteceu ir a guiar e não se lembrar de passar na portagem, não reter o que lhe foi dito ou simplesmente o seu filho não ouvir chamar para ir tomar banho!?

Todos precisamos de desenvolver esta capacidade de estar inteiros no aqui e no agora das nossas vidas, inclusive as crianças. Cada vez encontramos mais crianças com ansiedade, dificuldades de concentração, dificuldades relacionais e sintomas de depressão; Cada vez encontramos mais crianças desenraizadas…. Vivem aparentemente satisfeitas nesse “planeta X” mas revelam muitas dificuldades na vivência e convivência no planeta terra.

O que é que se passa com estas crianças? Como será que o Mindfulness pode ajudar?

Por algum motivo, que é com certeza diferente para cada criança, esta estrutura de fuga funciona como mecanismo de defesa, para o que está a ser difícil de gerir e assim vão alienando-se de si próprios e da vida. É fundamental que possam percorrer um caminho no qual sejam capazes de se apropriar de todo o seu ser, resgatando um corpo que se encontra “amputado”, uma voz interna que está silenciada e todas as emoções continuamente abafadas em prole de uma vivência aparentemente mais tranquila, mas alienada.

Esse é o caminho do desenvolvimento da consciência e domínio de si; Esse é o caminho que permite desligar o piloto automático, que nos desenraíza de nós e do mundo, em função de uma forma de estar na vida, presente, voluntária e capaz de harmonizar e integrar os impulsos emocionais.

Mindfulness é algo extremamente complexo e simples ao mesmo tempo! É como um botão de pausa nas nossas mentes em constante funcionamento e agitação. É uma forma de modelar, educar e aperfeiçoar o grande potencial da nossa mente.

Poderíamos simplificar e dizer que Mindfulness é uma técnica de meditação. Para mim é muito mais do que uma técnica, é uma forma de vida que pode ser ensinada aliando relaxamento a consciência, através da respiração, permitindo um maior equilíbrio do sistema vegetativo.

Será difícil conseguir que as nossas crianças, frutos de uma cultura Ocidental desenvolvam com facilidade essa capacidade para meditar. No entanto, podemos simplesmente relembrar para a necessidade de parar, respirar, fechar os olhos e tomar consciência das suas emoções e do seu corpo.

Esta é uma tarefa que pode ser desempenhada por todos os educadores, pais ou professores com grandes benefícios, tais como:

  • Alívio do Stress;
  • Equilíbrio físico, emocional e mental;
  • Presença Consciente;
  • Comunicação Consciente;
  • Educação Emocional;
  • Concentração;
  • Atenção Plena.

Experimente pedir ao seu filho que pare o choro ou a birra, feche os olhos por um minuto que seja e respire fundo!

Aprecie os resultados….

imagem@attiliopiazza

QUERO MEDITAR, MAS NÃO TENHO TEMPO E NÃO CONSIGO! 6 dicas para conseguires praticar mindfulness a qualquer hora…

Nas formações e sessões que facilito de Mindfulness e de Parentalidade Consciente falamos, muitas vezes, de meditação. Encontro muitas pessoas que querem meditar, mas ”não conseguem” ou ”não têm tempo”. Admitem os benefícios, mas as crenças à volta do que é meditação não permitem a prática.

Uma das coisas fundamentais na Parentalidade Consciente é assumirmos responsabilidade pelas nossas necessidades e pelo nosso estado emocional. Se não estamos bem, como é que podemos ser bons pais? Se existe caos interior, como vamos conseguir criar calma no exterior? É realmente necessária uma preparação interior e o Mindfulness (e a meditação Mindfulness) é a melhor prática que conheço para garantir que consigo exercer uma parentalidade consciente.

Também eu tinha grandes dificuldades para me organizar e encontrar tempo para meditar formalmente. Até perceber que meditação não precisa de ser nada formal. Não necessito de me sentar com as pernas cruzadas, não preciso de acender velas, nem preciso de estar num ambiente calmo, não preciso de fechar os olhos…. nem preciso de mais tempo!

Para mim, a principal prática é aparecer para a vida, todos os dias. Com curiosidade e sem julgamentos. Procurando viver ao máximo cada momento. Sabendo que tudo que acontece, acontece pela primeira e pela última vez. Se pensares bem, nenhum de nós faz a mesma coisa duas vezes. De cada vez existe algo de diferente. A prática é estar com o que é, inteira, conscientemente presente.

E é por isso que a prática de meditação Mindfulness pode ser tanta coisa e para, muitas pessoas, o primeiro passo não é organizar-se para meditar todos os dias durante 20 minutos, se calhar nunca será. As boas notícias são mesmo que apesar de tudo que ”tens” de fazer durante o dia, todas as tarefas de casa, os filhos, o trabalho… tudo pode ser transformado em práticas de Mindfulness! O primeiro passo é olhares para o teu dia e ver o que já fazes que poderias fazer de uma forma Mindful.

Lavas os dentes? Tomas banho? O que fazes enquanto lavas os dentes? Lavas apenas os dentes ou pensas no que aconteceu ontem? O que fazes quando tomas banho? Tomas apenas banho ou pensas no dia que tens à tua frente? Passas roupa a ferro? Fazes o jantar? Dás banho ao teu filho?

A questão à qual tens de responder é: o que na minha rotina diária vou escolher para fazer enquanto o estou a fazer? 

Começa por escolher 1 coisa. E a partir de hoje, faz esta coisa enquanto a fazes. Podes-te guiar pelas seguintes dicas enquanto fazes a tarefa… ou melhor, a tua nova prática de Mindfulness!

 

    1      Observa. Observa como se fosse a primeira vez com todos os teus sentidos. Cada movimento, cada sensação. Repara em cada detalhe da atividade.

     Se te apanhares envolvido nas histórias da tua mente (o mais provável é que isso aconteça), redireciona, com gentileza, a tua atenção para a respiração, permitindo-te voltar para o que estás a fazer neste momento. As vezes vai ser necessário fazer isto 100 vezes, outras vezes apenas algumas. É como é.

    3      Utiliza todos os sentidos. Tens 5, lembras-te? Qual é a sensação nas mãos? Texturas? Temperaturas? Qual é o cheiro? O que vês? O que ouves? Quais os sabores que estás a sentir na boca?

    4      Tens pensamentos que aparecem continuadamente? Começas a ter grandes ideias que tens medo de te esquecer? Anota-as rapidamente para a tua mente poder descansar. Com a prática vais ver como vais conseguir deixá-las ir, confiando que te vais lembrar novamente quando for necessário.

    5      Pratica o não-julgamento. Cada momento é como é para ti. Nada está a correr bem ou mal. Não existe uma forma certa de fazer este exercício. Existe apenas a forma como estás a fazer neste momento. Não te julgues. Deixa ir pensamentos tipo ”eu não consigo” ”eu penso demasiado” etc.

    6      Repete. Mesmo que não te tenhas sentido muito bem a primeira vez, tenta de novo. Lembra-te que cada vez é única e a próxima será diferente de certeza absoluta.

Quando integrei a prática de Mindfulness no meu dia-a-dia, passado algum tempo, a minha prática formal também ganhou o seu espaço na minha rotina diária. Além disso encontro tantos pequenos momentos nos quais tenho oportunidade de fechar um pouco os olhos e meditar de uma forma mais formal. Um deles por exemplo quando deito os meus filhos e fico ao lado deles um pouco. Ou posso demorar só mais um pouco na casa de banho a meio de um dia de trabalho. Ou posso fechar os olhos e respirar conscientemente 3 vezes antes de atender o telemóvel.

Mas a primeira grande diferença para mim foi realmente transformar a rotina normal em prática. Essa prática permite-me sair da minha cabeça, permite-me experienciar mais os momentos e conectar mais com os meus filhos. Permite-me ver e usufruir do pequeno raio de sol que observo entre as nuvens. Permite-me ver a beleza de cada momento. Permite-me ver tudo pela primeira e pela última vez.

Artigo publicado originalmente em mindfulnesseparentalidade