A bronquiolite é uma inflamação da parte terminal do aparelho respiratório (bronquíolos) e geralmente é causada por uma infecção vírica.

 

No nosso país é extremamente comum, com um claro pico de incidência entre Janeiro e Fevereiro. É uma causa frequente de internamentos, particularmente em crianças pequenas e na maior parte dos casos não é uma doença muito grave (embora haja algumas excepções, principalmente quando estão presentes factores de risco, tais como a prematuridade, o baixo peso ao nascer e o convívio com outras crianças, entre outros).

Afecta crianças até aos 2 anos de idade e caracteriza-se por uma combinação variável dos seguintes sinais e sintomas:

  • dificuldade respiratória
  • “chiadeira” a respirar (espécie de “assobio” que se ouve na expiração)
  • tosse
  • dificuldade na alimentação
  • apneias (paragens respiratórias), particularmente em bebés pequenos
  • febre, geralmente baixa

 

Neste momento, o tratamento das bronquiolite é um tema de grande controvérsia em Pediatria. A maior parte dos estudos não comprovam a eficácia das nebulizações ou outros medicamentos, o que nos coloca com um problema para resolver: o que fazer?

Na prática, é costume testar-se as nebulizações e, por vezes, medicamentos da família da cortisona, pois muitas vezes aliviam parcialmente os sintomas e tranquilizam um pouco as crianças (e os pais!).

Os critérios de internamento para esta situação são os seguintes:

  • falta de oxigénio no sangue
  • dificuldade respiratória significativa
  • bebés pequenos (abaixo dos 3 meses de idade)
  • dificuldades marcadas na alimentação
  • ansiedade dos pais (esta é uma questão polémica, mas é sempre importante perceber se os pais estão capazes de lidar com o filho doente; se não estiverem, é preferível internar 1-2 dias e ensiná-los a lidar com esta situação)

Por fim, quero deixar apenas uma palavra para a relação entre bronquiolite e asma.

 

É também um tema que suscitou grandes debates há uns anos e neste momento parece mais ou menos consensual que a bronquiolite não pode evoluir para asma. No entanto, por vezes o primeiro episódio de falta de ar de um asmático pode ser falsamente rotulado de “bronquiolite”. Com o tempo essas crises vão-se repetindo e, a posteriori, percebe-se que afinal já era uma asma desde o início (só o tempo dá essa resposta).

Sempre que alguma partícula estranha (microorganismo, poeira, líquido, expectoração, …) chega aos brônquios ou pulmões, a primeira resposta do organismo é tentar eliminá-la.
Para isso, é desencadeado o reflexo da tosse. Em que ocorre uma saída de ar forçada pela boca, a alta velocidade, arrastando consigo o que conseguir.

Tosse
Na maior parte das vezes é causada por infecções respiratórias e, apesar de surgir em poucas horas, demora muito mais tempo a desaparecer. De um modo geral, dura cerca de 2-3 semanas, período ao longo do qual vai melhorando lenta e progressivamente.

Características e tempo de evolução da tosse

No início surge, habitualmente, uma tosse seca e irritativa, seguida ao fim de 3-4 dias por tosse produtiva e com expectoração. Ao fim de cerca de uma semana a tosse volta novamente a ser seca e só depois vai desaparecendo.
É muito importante conhecer estas características e tempo de evolução da tosse. Só assim se consegue distinguir uma evolução típica de uma evolução atípica, sendo que esta última implica sempre observação médica e, eventualmente, realização de exames para investigação.

O que fazer?

Uma vez que se trata de um mecanismo de defesa, não requer tratamento na maioria das vezes. De qualquer forma, há alguns procedimentos que devem ser adoptados e que podem ajudar a aliviar o desconforto provocado pela tosse, tais como:
  • Fazer uma boa higiene nasal. Com ajuda de soro fisiológico ou um spray de água do mar e, eventualmente, utilizando também um aspirador nasal;
  • Fraccionar as refeições nos casos em que as crianças vomitam com a tosse. Ou seja, dar mais vezes de comer, mas menos quantidade de leite/alimentos em cada refeição.
De um modo geral, a administração de medicamentos para “parar” a tosse deve ser evitada. Estes acabam por retirar alguma capacidade de resposta do organismo e boicotar a principal forma que temos de limpar os pulmões.
Já em relação aos remédios mais tradicionais ou “caseiros”, tais como os xaropes de cenoura ou mel, a sua eficácia é, no mínimo, bastante duvidosa e devem também ser evitados, uma vez que possuem demasiado açúcar e podem ser mais prejudiciais do que benéficos.

SINAIS DE ALARME

A tosse é muito frequente e todas as crianças têm vários episódios em que tossem durante o ano.
A maior parte dessas situações são “comuns” e pouco graves.

Mas há alguns sinais de alarme que os pais devem conhecer, tais como:

– mau estado geral da criança
– febre alta, difícil de controlar
– falta de ar
– sinais de dificuldade respiratória. (o nariz a abrir e fechar ou a pele entre as costelas a ir “para dentro e para fora” durante a respiração)
– tosse com mais de 3 semanas de duração, sem noção de melhoria
– vómitos persistentes
– dificuldade na alimentação
– guincho inspiratório entre acessos de tosse
É muito importante estar atento a estes sinais, porque a sua presença implica sempre uma observação médica mais urgente.