Quer filhos mais felizes e tranquilos? Simplifique o dia a dia deles

Sente que os horários apertados e o excesso de atividades dos seus filhos a estão a fazer perder o controlo? Sente que se está a afastar dos seus filhos? Então, é tempo de parar e simplificar.

Os benefícios de simplificar a vida dos seus filhos são muitos. E isso também pode e vai tornar a sua mais gratificante.

As crianças tornam-se criativas quando têm tempo e espaço para explorar o mundo sem estarem presos ao “excesso”. Tudo o que é em excesso é esmagador e stressante. Quer sejam coisas de mais, informação de mais, atividades de mais, escolhas de mais ou um ritmo rápido de mais. Quando se anda a correr de uma tarefa para a outra, não há um momento para relaxar ou brincar. Ter e fazer muito pode sobrecarregar uma criança e levar a um stress desnecessário que se reflete tanto em casa como na escola.

Simplificar a rotina da criança e reduzir a sua sobrecarga de informações e atividades, bem como o excesso de brinquedos e desarrumação, poderá ajudar crianças hiper-estimuladas a tornarem-se menos argumentativas e disruptivas.

Ao simplificar o dia a dia de uma criança abre-se espaço para um desenvolvimento positivo, criativo e tranquilo.

“Muitas das questões comportamentais de hoje vêm de crianças que têm muitas coisas e vivem uma vida muito acelerada”, diz Kim John Payne, autor de Simplicity Parenting: Using the Extraordinary Power of Less to Raise Calmer, Happier and More Secure Kids.

Payne diz que muitas das crianças americanas vivem numa sobrecarga sensorial com “bugigangas a mais, escolhas de mais e informação excessiva”. Se a educação dos filhos for estruturada com base na simplicidade, reduz-se significativamente o stress diário na criança. Isto poderá traduzir-se em crianças mais felizes e mais bem-sucedidas.

As crianças precisam de tempo para si próprias.

Para se conhecerem através da brincadeira e interação social. Se sobrecarregarmos uma criança com escolhas e pseudoescolhas antes que tenha a maturidade para as entender, esta aprenderá apenas um gesto emocional: MAIS!”

A melhor forma de começar é em casa.

À medida que diminuir a quantidade de brinquedos e a desorganização do seu filho, está a aumentar-lhe a capacidade de atenção e de brincar profundamente. Coisas a mais resumem-se em falta de tempo e pouca profundidade na forma como as crianças veem e exploram os seu mundo”, diz Payne.

Destralhar

Ao reduzir os brinquedos, concentre-se em manter uma mescla de brinquedos que os seus filhos gostem de forma consistente.  Aqueles brinquedos que os mantêm entretidos por longos períodos de tempo. Muitas vezes, os brinquedos favoritos das crianças são simples e clássicos, sem muitos sinos e apitos – bichos de peluche, bonecos, brinquedos de construção como Legos, comboios e carros, roupas de vestir e materiais de artesanato.

Diminua a quantidade de livros para um punhado de favoritos que podem ser saboreados. Remova o restante para criar uma “biblioteca” e encontrar novas leituras. Dê-lhes tecidos, cordel e almofadas para criarem fortes e cabanas. Depois dê-lhes tempo para se ajustarem e criarem o seu próprio mundo de brincadeiras com esta simples seleção de brinquedos.

Faça do tempo de descanso uma prioridade

Na mesma linha, simplificar a programação da sua família pode reduzir a sensação frenética de estar sempre em movimento. Os TPC, as atividades extracurriculares e desportos diários podem stressar as crianças. O seu dia a dia torna-se caótico já que lhes falta o tempo livre que precisam para brincar e explorar criativamente.  Definir limites de tempo de ecrãs também manterá seu filho livre de distrações e ajudá-lo-á a encontrar alegria no momento presente.

“O descanso alimenta a criatividade, que alimenta a atividade. A atividade alimenta o descanso, o que sustenta a criatividade”, explica Payne em Simplicity Parenting. “Cada um extrai e contribui para o outro.

Também a mãe que anda sempre a fazer de motorista se sente cansada e stressada. Reduzir para apenas uma ou duas das atividades favoritas poderá dar-lhes a liberdade não só de ter tempo para brincar e explorar, mas também de praticar e se concentrar numa atividade especificamente.

Reduzir a desorganização física, definir ritmos previsíveis e simplificar atividades trará também benefícios para os pais, e consequentemente para o equilibrio familiar. Ao simplificar, podemos concentrar-nos naquilo que realmente valorizamos.

Ter menos brinquedos beneficia a imaginação de uma criança e a sensação de calma.

A simplificação é um processo contínuo, não algo que posse ser começado e acabado numa tarde ou fim de semana. Demora tempo a reduzir, a mudar hábitos e a desenvolver novos ritmos. Não é fácil mudar de direção quando toda a sua família anda à velocidade da luz e o caos está instalado. Comece devagar, com pequenas mudanças e um olhar para o que quer que a sua vida em família seja.

Relaxar

“Nas infância o que se destaca não são as viagens à Disneylândia, mas sim as coisas comuns que se repetem. Os jantares em família, passeios na natureza, ler juntos antes de dormir, panquecas ao sábado de manhã.”

Com a simplificação, podemos trazer uma infusão de inspiração para o nosso quotidiano. Podemos definir um tom que honre as necessidades da nossa família à frente das exigências do mundo. Permitir que a fé que temos nos nossos filhos supere os nossos medos. Realinhar a nossa vida para proporcionar uma infância como deve e pode ser..

Existirá melhor lembrete de nós próprios do que os nossos filhos? O nosso ‘eu’ menos stressado e mais despreocupado?

Na inocência deles vemos a sombra do que já fomos. Quando éramos crianças, sim, mas também antes de termos filhos. Ou mesmo há duas semanas atrás antes de todo o stresse dos testes escolares, por exemplo.

Simplificar é encontrar um lugar de equilíbrio à medida que nos afastamos do “excesso”.

Com menos, as crianças podem descobrir de que é que realmente gostam e o que realmente querem.

E tornarem-se mais seguras, mais tranquilas e mais felizes.

 

 

Publicado em Want happier, calmer kids? Simplify their world, de Sandy Kreps

 

Sem tempo para ser mãe

Provavelmente sempre que te imaginavas a ser mãe projectavas-te a dar colo ao bebé. Vias-te presente nas suas primeiras conquistas, a alimentá-lo, a partilhar momentos de ternura e carinho. A incentivá-lo a explorar o meio, a protegê-lo nos momentos em que se sentisse inseguro, a consolá-lo quando chorasse.

Acreditavas que estarias sempre lá, para amar e cuidar, sem restrições.

Provavelmente à noite deitas a cabeça na almofada e choras por não estares a cumprir o que prometeste. Cada lágrima tem o seu motivo – uma por não estares lá quando deu os primeiros passos, outra por teres perdido aquele momento em que se riu vezes sem conta. Mais uma por não teres sido tu a dar colo quando se assustou e chorou. Ainda outra por teres chegado cansada e teres ralhado desnecessariamente. Por fim um mar delas por sentires que estás a falhar enquanto mãe. Sentes-te sem tempo para ser mãe.

Provavelmente acreditas que não estás a ser quem deverias ser. Que trabalhas demasiado, que estás sempre ocupada com outras coisas, que dás tudo de ti em tarefas que não são essenciais. Não estás onde queres, não vais para onde queres, não fazes o que queres, não és quem queres ser. És aquela mãe sem tempo para ser mãe.

Entre chegar a casa, dar banho, fazer o jantar e preparar as coisas para o dia seguinte, ficas com a sensação de que não estiveste verdadeiramente com o teu filho, quase como se vivesses a realidade em modo automático. Dás por ti a pensar que o tempo passa a correr. Que os momentos são únicos e que não podem ser recuperados. Que a melhor parte da tua vida não está a ser vivida. Que te está a escapar por entre os dedos, que estás a permitir que o dinheiro se sobreponha à felicidade.

Provavelmente és perseguida pela culpa, aquela que te bate constantemente à porta.

A que durante o dia te sussurra ao ouvido que, naquele exacto momento, o teu filho deve estar a aprender uma coisa nova e que, mais uma vez, não estás lá para assistir. Porque te sentes sem tempo para ser mãe.

Ao vê-lo dormir, tão sereno e inocente, sentes uma vontade enorme de lhe pedir desculpa por tudo e, ao mesmo tempo, por nada. A raiva apodera-se de ti – Estou farta desta vida injusta! Por que não tenho direito a viver o papel de mãe?

Provavelmente existe um desequilíbrio entre a mulher e a mãe. – A mulher, mais especificamente trabalhadora, está a sufocar a mãe, ocupando mais espaço e  roubando-lhe a oportunidade de se desenvolver e afirmar.  É esta repressão da mãe que faz com que te sintas insatisfeita. Afinal, não vives em pleno todos os teus papéis!

Provavelmente gostavas que no final do texto aparecessem algumas dicas mágicas de como mudar a situação.

A única coisa que está ao meu alcance é dar-te algumas certezas que talvez te aliviem.

A primeira é que somos muitas a sentir o mesmo, a pensar o mesmo e a viver o mesmo. Acho que esta é uma espécie de condição inerente ao papel de mãe – a culpa e a maternidade tendem a andar de braço dado.

A segunda certeza é a de que não estás a falhar. A culpa não é tua, fazes certamente o que tem de ser feito com as oportunidades que acreditas ter.

A última certeza, e na minha opinião a mais importante, é a de que quando estás com o teu filho dás o teu melhor e é isso, mais do que a quantidade de tempo que passam juntos, que fortalece o vínculo (relação) que vos une. É um cliché, eu sei, mas realmente aplica-se a velha máxima de que a qualidade é melhor do que a quantidade.

Acredita que se naquele tempo em que estão juntos, ainda que seja pouco, o teu filho sentir que as suas necessidades são escutadas, que as suas vontades são compreendidas (ainda que não sejam cumpridas),que as suas limitações são respeitadas, que lhe é dado incentivo para explorar o meio e ao mesmo tempo um porto seguro para onde regressar caso deseje, ele terá a confirmação de que realmente é amado e está seguro.

Tal como todas nós, estás a dar o teu melhor. Não te culpes por isso, orgulha-te!

Filhos perfeitos, crianças tristes: a pressão da exigência

Os filhos perfeitos nem sempre sabem sorrir, nem conhecem o som da felicidade.

Temem cometer erros e nunca alcançam as expectativas elevadas dos seus pais. A sua educação não se baseia em liberdade e reconhecimento mas sim na autoridade de uma voz rígida e exigente.

Segundo a APA (American Psychological Association) a depressão nos adolescentes é atualmente um problema muito grave. Uma exigência desmedida por parte dos pais pode derivar facilmente na falta de autoestima, ansiedade, e num elevado mal-estar emocional.

É preciso salientar que essa exigência na infância deixa marcas irreversíveis no cérebro do adulto. O indivíduo cresce a achar que nunca é suficientemente competente ou perfeito no cumprimento dos ideais que lhe foram incutidos. É preciso cortar esse vínculo limitante que veta a nossa capacidade de sermos felizes.

Filhos perfeitos: quando a cultura do esforço é levada ao limite

É frequente ouvirmos que vivemos uma cultura que baseia a sua educação na falta de esforço, na permissividade e na pouca resistência à frustração.
No entanto, esta constatação não é de todo verdadeira, principalmente em tempos de crise em que os pais procuram a “excelência” dos filhos.

Se uma criança obtém 17 valores em matemática é pressionada para alcançar um 20. As suas tardes são preenchidas com aulas extracurriculares e seus momentos de ócio são limitados à procura do desenvolvimento de competências. Na maior parte das vezes isto resulta em crianças stressadas, esgotadas e vulneráveis.

“The Price of Privilege” é um livro interessante publicado pela doutora Madeleine Levine. Explica que a necessidade de educar filhos perfeitos e aptos para o futuro, culmina em criar filhos “desligados da felicidade”.

Consequências por exigir demais das crianças

Enquanto pais e educadores devemos ter em consideração que educar os nossos filhos na cultura do esforço tem um limite.

A barreira, que deveria ser intransponível é a de acompanhar a exigência com  uma igual ou superior dose de amor incondicional.

Por outro lado, os nossos filhos perfeitos serão crianças tristes que evidenciarão as seguintes dimensões:

  • Dependência e passividade

Uma criança habituada a receber muitas ordens deixa de decidir por conta própria. Assim, procurará sempre a aprovação externa e perderá a sua espontaneidade e a sua liberdade pessoal.

  • Falta de emotividade

Os filhos perfeitos inibem as suas emoções para se ajustarem ao que “tem que ser feito”e toda essa repressão emocional traz graves consequências a curto e longo prazo.

  • Baixa autoestima

Uma criança ou um adolescente habituado à exigência externa não tem autonomia nem capacidade de decisão, desenvolvendo uma autoestima muito negativa.

A frustração, o rancor e o mal-estar interior podem traduzir-se muito bem em instantes de agressividade.

A ansiedade é outro fator característico das crianças educadas na exigência: qualquer mudança ou uma nova situação gera insegurança pessoal e uma elevada ansiedade.

Pais exigentes Vs pais compreensivos

A necessidade de educar “filhos perfeitos” é uma forma subtil e direta de dar ao mundo crianças infelizes. A pressão da exigência irá acompanhá-las sempre, principalmente se a sua educação for baseada na ausência de estímulos positivos e de afeto.

Fica claro que como mães/pais todos queremos que nossos filhos tenham sucesso, mas acima de tudo que sejam felizes.

Ninguém quer que os filhos desenvolvam uma depressão na adolescência ou que sejam tão exigentes consigo próprios que não se permitam a aproveitar, a sorrir ou cometer erros.

Características gerais

  • Os pais muito exigentes e excessivamente críticos apresentam uma personalidade insegura que precisa de sentir controlo sobre tudo.
  • Os pais compreensivos “impulsionam” seus filhos para a conquista, permitindo explorar, sentir e descobrir. São guias e não colocam fios nos seus filhos para movê-los como marionetes.
  • O pai exigente é autoritário e leva um estilo de vida rigoroso, com horários definidos e invioláveis. Indica regras e decisões para economizar tempo através do “porque eu sei que é melhor para ti”, ou “porque eu sou o teu pai/mãe”.

Concluindo: educar é exercer a autoridade, mas com bom senso. É usar o afeto como antídoto e a comunicação como estratégia.

 

Por Valeria Amado, em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

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