Gosto da mãe até à lua. Infinitos de infinitos e voltar

É inquestionável o amor que sentimos pelos nossos filhos mas e o amor que eles sentem por nós? Quantas mães não ouviram já, ou leram em cartas e recados rasurados, gosto da mãe até à lua e voltar? Infinitos de infinitos?

O amor que os nossos filhos sentem por nós revela-se em cada pormenor do seu dia-a-dia e em cada acordar noite após noite. Felizmente, no que toca a noites, falo de barriga quase cheia. Os meus três filhos dormem quase todas as noites pelo menos cerca de 10 horas seguidas.

O amor deles apresenta-se de todas as formas de arte que  conhecem e dominam.

Na arte da dramatização – com as birras de manhã para não ficarem na escola; na pintura –  com os desenhos que são, quase sempre sobre a mãe, que é, na maior parte das vezes, uma senhora alta, magra, de nariz largo e faces muito rosadas; na caça ao tesouro do conforto da cama da mãe em noites de pesadelos; no palco dos fins-de-semana por poderem ficar mais tempo na sala; na luta pelo lugar no sofá ao lado da mãe; na escrita criativa com as dedicatórias mais empenhadas e sobre avaliadas, confiantes que a mãe será sempre, ou pelo menos até serem adolescentes, a melhor mãe do mundo (esta parte da melhor mãe do mundo, sempre me deixou de consciência pouco tranquila, é só a mim?)

As manifestações de amor desaparecem com a idade

Naturalmente, com a idade, vão perdendo a vontade e o à vontade para grandes declarações de amor. Dos 3, o mais velho é o que, actualmente, menos se manifesta em relação aos sentimentos. Também eu, à medida que fui crescendo deixei de escrever notas aos meus pais a dizer o quanto gosto deles. E gosto tanto. Já não faço desenhos com a cara deles colada ao peito, os braços a saírem da cabeça e os olhos nas orelhas. Já não lhes peço colo no centro de saúde quando vou às vacinas. Nem chamo por eles em noites de trovoada. Também não lhes ligo de manhã a dizer que não me apetece ir trabalhar. Ou mesmo que gostava de ficar a dormir até mais tarde ou, simplesmente, a esborrachar o sofá lá de casa.

Na semana passada, uma criança, a um dia de fazer 4 anos, morreu nos braços da mãe, sufocada com uma bola saltitona. Não quero explorar aqui a tragédia da história em detalhes – sei que é a vida, que por oposição à morte, se revela com toda a efemeridade e fragilidade, com retalhos que não são fáceis de coser.

Basta um segundo para que tudo o que era, deixe de ser. Enquanto é, enquanto somos mães (e que o sejamos para sempre), enquanto somos filhas, netas, tias, enquanto somos sobrinhas, madrinhas e afilhadas, é dizer, falado, escrito e desenhado, as vezes que forem possíveis, com vontade e à vontade. Gosto de ti até à lua, ir e voltar, infinitos de infinitos. E mesmo depois, quando o que era já não é, vou continuar sempre a gostar de ti, até à lua e voltar, infinitos de infinitos.

imagem@MariaCarvão

Eu vejo-te
Não me limito a olhar para ti, vejo-te.

Já tive a tua idade, treze anos, e sei como tudo o que sentes é exacerbado em duzentos por cento.

Há dias em que acordas e estás triste, sem saberes porquê. Quando chegas ao pé das tuas amigas pensas que sem elas não serias ninguém, porque foram elas que alegraram o teu dia.

Não te apercebes da forma como te tratam, como se devesses estar agradecida por poderes dizer que és amiga delas. No fundo, é o que sentes, porque elas são populares e falam de uma maneira confiante e não se envergonham dos seus corpos nem têm as borbulhas chatas que teimam em pontuar o teu rosto.

Gostas delas, mas principalmente gostas que gostem de ti. Não tens a oportunidade de experenciar esse gostar muitas vezes. Em casa amam-te, mas não se lembram de to dizer. (Eu digo-to sempre no teu aniversário, mas pensando bem também eu falho, porque não é suficiente. Em trezentos e sessenta e seis dias, um dia não chega. Vou melhorar, prometo. Porque gosto mesmo muito de ti).

Quando te olhas ao espelho vês uma série de coisas que não adoras. Não te demoras nos teus olhos, redondos e grandes, com um tom de castanho raro. Não te apercebes da forma dos teus lábios, que é sublime quando sorris. Só vês a dificuldade em desembaraçar o teu cabelo e não as ondas que se formam de maneira tão natural.

Para te sentires melhor “cobres-te”. Com roupas que as tuas amigas aprovam e os rapazes reparam (mesmo que te deixem desconfortável na maior parte das vezes), com maquilhagem que não deverias usar porque não é para a tua idade (e porque não precisas dela), com os últimos ténis de marca que toda a gente usa. Com essa “embalagem” sentes-te mais segura, consegues calar por momentos as vozes que estão dentro da tua cabeça e que te dizem que não és bonita o suficiente. Que não tens um corpo desejável. Que ninguém quer estar ao pé de ti se usares uma t-shirt comprida e o cabelo apanhado num rabo-de-cavalo. É bom lutares contra essas vozes, mas tudo o que fazes é superficial. À noite tiras do corpo esse peso todo que transportas e é contigo que tens de dormir.

Sabes que mais? Tenho mais dezassete anos que tu e vejo as coisas de outra maneira. Não é fácil, mas tu consegues.

Livra-te dessas amigas que inferiorizam os outros com base nos seus “defeitos” (a ti incluída, se prestares atenção), volta a dar importância à escola, onde sempre te saíste tão bem e agora pareces fazer questão de que seja ao contrário, aprende a ver-te. E a gostar de ti. Terás sempre coisas que não gostas tanto. Aprende a viver com elas, porque vão estar sempre aí. Quando não forem essas serão outras.

Sei que tens dificuldade em falar. Achas que os adultos não te compreendem (provavelmente porque quando falaste não te ouviram com a atenção que merecias), mas não guardes para ti tudo aquilo que pensas. Escreve. Num caderno ou num blogue. Ninguém precisa de saber que és tu. Mas deita cá para fora. E depois lê o que escreveste. Vais aprender coisas sobre ti. Vais dar valor a algumas coisas e corrigir a maneira como vês outras. Vai ajudar, prometo. Se te sentires com coragem escreve uma carta à tua mãe. Diz-lhe o que pensas. O que gostavas que fosse diferente. A forma como ela pensa estar a ajudar-te e não está. Ela também precisa de saber e só tu poderás dizer-lho. Ouve-a mais vezes, ela tem o coração no sítio certo, mas não sabe como chegar a ti.

Sonha, não tenhas medo de sonhar. Mas acima de tudo, sonha pela tua cabeça. Pensa naquilo que realmente desejas. Tu, não o que os outros esperam que desejes, não o que achas que os outros vão querer ou esperar de ti.

Pode não parecer, mas eu vejo-te, não me limito a olhar para ti.

Tens um longo caminho pela frente e vai ser tão bom. Juro.

Vais ser muito feliz… Aconselho-te a começar agora!

(Nota: esta é uma carta para uma menina que vi crescer dentro da barriga da mãe, ser criança e entrar aos trambolhões na adolescência. É uma carta para alguém que está perdido e que não o reconhecendo não deixa ninguém aproximar-se. Faço o exercício que lhe aconselho, escrevendo. Pode ser que alguma coisa lhe chegue ao coração. Tenho a certeza que sim…)

imagem@weheartit

Tens quinze anos, cabelo castanho claro curto e uns olhos lindos que engolem o mundo.

Ontem, quando te dirigias para casa passaste por um casal de adolescentes como tu que estava a discutir. Seguiste o teu caminho até que ouviste as palavras que o rapaz chamava à rapariga. Detiveste-te. Olhaste para trás e viste como lhe segurava o pulso com tanta força que faria qualquer um chorar. Ouviste a rapariga a pedir baixinho que ele parasse mas ele não estava a vê-la, estava furioso.

Eu e a minha filha estávamos um pouco mais afastadas, e só me apercebi que se passava alguma coisa porque ela gelou quando as palavras subiram de tom e se agarrou às minhas pernas. Estava com medo. Não está familiarizada com a violência. Teve a atitude típica para alguém com um ano e meio. Peguei nela e aproximei-me com calma, a tentar perceber o que estava a acontecer. Tu estavas ainda mais calma que eu, com metade da minha idade. Pedias ao rapaz que soltasse a namorada porque estava a magoá-la. Ele disse-te para não te meteres. Respondeste que não podias. Chamou-te um nome. Respondeste que não te conhecia, que não eras nada disso e disseste-lhe o teu nome: Laura. E que largasses a rapariga. Ele voltou a si e olhou em volta, percebendo que toda a gente o olhava. Soltou-a. Envergonhou-se e disse que estavam só a discutir. Não olhou mais para a namorada e foi-se embora. A rapariga começou a chorar baixinho. Disseste-lhe que já estava tudo bem. Ofereci-lhe água e ela abraçou-te. Disse obrigada. Que ele não era assim, mas que às vezes ficava irritado. Sabiamente aconselhaste-a a procurar alguém que não se irritasse com ela e muito menos que a magoasse. A rapariga disse que gostava dele e que ele tinha muitas coisas boas. Que… Não a deixaste terminar. Disseste que ela é que sabia. E chegou a tua mãe. Quis perceber o que se passava. Dei-lhe os parabéns pela filha que tinha. Quando lhe contaste o que fizeste fiquei com a sensação que não te bateu apenas porque estavas rodeada de pessoas. Proibiu-te de voltar a fazer tal coisa. Entre marido e mulher não se mete a colher. Tentaste ripostar mas a tua mãe não deixou. Levou-te dali pelo braço, a dar-te o maior sermão de sempre. O que é que tinhas na cabeça?

Por favor não te atrevas a ouvir a tua mãe.

Sabes que mais? Ela, tal como a minha filha, tem medo. Medo que te metas numa situação perigosa, com alguém que não tenha respeito pelos outros e te magoe também. Eu entendo-a e deves entendê-la e ter cuidado. Mas não deixes de ajudar quem precisa.

Isto aconteceu em Lisboa, num final de uma tarde igual a tantas outras. E acontece demasiadas vezes, e em grande parte ninguém vê. Ou não quer ver.

Está na hora de mudar a mentalidade que aquela mãe nomeava: entre marido e mulher não se mete a colher. É por isto que tantas vítimas continuam vítimas. Porque os vizinhos sabem, ouvem, mas não fazem nada. Porque há na polícia quem receba as queixas mas não lhes dê seguimento. Porque há assistentes sociais que têm conhecimento mas permitem que o agressor permaneça perto das vítimas. Nem todos viram a cara, há quem faça um trabalho extraordinário, mas ainda há demasiadas pessoas que se escusam de agir. (Nota: tanto polícias como assistentes sociais têm as suas tarefas dificultadas e há verdadeiros heróis, que felizmente são a maioria. Aqui refiro-me às excepções, àqueles que por motivos de várias ordens não conseguem fazer o seu trabalho como deveriam).

Ler também Carta aos adolescentes

E está na hora também de ensinar aos nossos filhos que os tempos mudaram e as mulheres procuram a igualdade (de direitos, quando é que entendem de uma vez?) mas isso não significa que se deva esquecer a máxima: a uma mulher não se toca nem com uma flor. E está na hora de ensinar as nossas filhas a valorizarem-se. A afastarem-se de quem as oprime, as rebaixa, as faz sentir que não são merecedoras de um tratamento humano. Porque é disto que se trata. Ensinemos isto e ensinemos também os nossos filhos a não se deixarem usar por aquela rapariga de quem gostam há tanto tempo e que finalmente reparou neles (e lhes saca os apontamentos e os goza e embaraça quando estão em público), de ensinar as nossas filhas que ninguém é mais que ninguém, que não devem maltratar os rapazes só porque podem e isso lhes aumenta o ego.

A violência no namoro, permito-me dizer, passou a ser algo considerado normal. Porque eles se irritam (culpa delas, claro), porque elas não têm paciência (eles olham demasiado para as outras miúdas) e as relações se baseiam no controlo tanto psicológico como físico. E na violência. O respeito escasseia.

Ler também Violência Juvenil em casais de namorados – bates forte cá dentro.

É nosso dever dar as ferramentas aos nossos filhos para não serem vítimas. Para se conseguirem libertar de situações em que não devem estar, a pedir ajuda, se não conseguirem sozinhos. É nosso dever dar educação aos nossos filhos para que não se tornem agressores, seja em que forma for.

É nosso dever incentivar os nossos filhos a ajudar, a denunciar. A ter cuidado, sempre, mas a nunca calar situações de injustiça.

Querida Laura, o que a tua mãe te queria dizer era: foste tão corajosa! Que orgulho eu tenho de ti. Mas tem cuidado, porque pode não correr sempre bem.

Cuida de ti, Laura. E continua a ajudar os outros. Pode ser que um dia tenhas mesmo de ajudar a tua mãe. E aí ela vai perceber: como mesmo tendo medo te ensinou para seres mais e melhor.

E, Laura?

Não te atrevas a ouvir a tua mãe.

Que essa tua coragem nunca se apague.

Tenho orgulho de ti.

Já reparaste como o tempo passa a voar, meu amor? Como ainda ontem dormias a maior parte do dia e hoje lutas contra o sono por já perceberes como é tão bom estar acordado?

Quero estar ao teu lado ao longo das descobertas que fores fazendo na tua vida. Primeiro a segurar-te a mão, depois a deixar-te seguir o teu caminho e a acompanhar tudo um pouco mais ao longe, como faz parte, sem tristeza e com muito orgulho. Sei que vai ser um caminho longo e é por isso que te peço umas quantas coisinhas…

Promete-me que vais olhar sempre para o mundo com esses teus olhos de azeitona, sedentos de tudo.

Que nos vais ouvir quando te dizemos que não podes fazer isto e que tens de fazer aquilo. É para o teu bem.

Promete-me que vais olhar para os dois lados antes de atravessar a rua.

Que vais estar com atenção nas aulas, o suficiente para aprenderes o que precisas – porque sei que te corre nas veias um gene conversador (eu também o fui e mesmo assim dei-me bem na escola).

Que vais tirar tempo para brincar e ler os teus livros preferidos, praticar o exercício que mais gostares e fazer muitos amigos.

Que não vais ficar triste quando um dos teus amigos te disser que já não o quer ser mais, que vais seguir em frente com a certeza de que amigos desses não fazem falta alguma.

Que vais perceber que às vezes terás de te esforçar mais, que em outras terás de ser menos dura contigo mesma.

Que vais tentar amar-te sempre, independentemente das pequenas inseguranças que vás sentindo.

Que te vais rodear de boas pessoas, de bons exemplos. E que quando escolheres menos bem, isso não te leve demasiado para longe de ti mesma nem te leve a fazer coisas irremediáveis.

Que te vais apaixonar sem medos. Que vais amar a sério pelo menos uma vez.

Que não vais deixar que ninguém te maltrate e que te vais afastar das situações pouco saudáveis – quer seja nas relações de amizade, amor, trabalho, contigo mesma…

Que vais tentar ser independente, pouco carente mas sempre com um coração enorme.

Promete-me que vais ligando, mesmo quando a vida se tornar muito agitada e estiveres a descobrir lugares e coisas que te deixam pouco tempo para pensares em nós.

Que vais conduzir com cuidado.

Que vais ser uma boa amiga. Uma boa filha. Eventualmente uma boa mãe.

Que se fores mãe não vais deixar os teus medos sufocarem os teus filhos, nem os vais prender demasiado a ti, tanto que tenham medo de voar sozinhos. Que nessa altura vás compreender algumas das atitudes que o pai e eu fomos tomando.

Que tentes dar mais aos outros do que recebes.

Que aprendas lições e as deixes fortalecerem-te.

Promete-me que vais tentar ser feliz, mesmo que os tempos não sejam fáceis.

Que vais ser optimista, que o teu nome do meio seja “sorriso”.

Que vais abraçar muito, que vais deixar-te abraçar.

Mas, acima de tudo, promete-me que te vais permitir viver. Com as tuas limitações, conhecendo-te e lidando com o facto de não seres perfeita. Permitindo-te ter os teus momentos maus, os teus erros, as tuas falhas, alturas em que devias ter estado melhor. Que tentes ter uma vida equilibrada, mas onde pese sempre mais o amor.

Foi nessa equação que prometi tentar criar-te. Por isso, enquanto o amanhã não chega, dá-me a tua mão e vamos. Multiplicando o amor a cada passo. Sempre.

Por Marta Coelho, para Up To Kids®

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Meu amor,

Quando a tia nasceu eu tinha Treze anos. Amei-a como se fosse minha filha, apesar de ser minha irmã. Mesmo com aquela idade, mesmo sem o verbalizar ou saber ao certo o que estava a sentir, achei que não ia voltar a amar ninguém daquela forma. E não voltei. Passava os fins-de-semana em casa do avô e era tão bom poder cuidar dela, estar ali de volta daquele bebé que olhava para mim com olhos grandes e um sorriso doce. Mas que também ficava impaciente, pedia muita atenção e queria brincar com coisas que não podia. Ao domingo à noite despedia-se sempre de mim a chorar, a pedir para eu não me ir embora, mas eu tinha de ir. E sentia, do alto dos meus quinze anos, que ter um filho devia ser uma responsabilidade brutal, porque uma criança precisa de disponibilidade, de ser cuidada vinte e quatro sobre vinte e quatro horas.

Tantos anos mais tarde nasceu a prima e mais uma vez uma onda de amor. Mais uma vez um amor diferente. Mais conhecimentos e alguma sabedoria, a mesma vontade de não perder pitada daquele bebé calminho mas o mais esperto que alguma vez conheci. Curiosa e carinhosa, como é ainda hoje com quase três anos.

Fui colecionando grandes amores até te amar a ti.

E percebo as pessoas que têm medo de ter um segundo filho por recearem não o amar como amam o primeiro. Porque é um amor avassalador, algo com que não vivemos durante décadas e que, de repente, dá um sentido verdadeiro à nossa vida.

Percebo-as mas sei, cá dentro, que nenhum destes amores se repete. Que todos têm o seu lugar, que o coração é um órgão elástico que vai esticando mais um bocadinho sempre que nos predispomos a abri-lo.

Há poucas verdades absolutas, mas estas são as minhas. De mim, para ti.

O amor que sinto por ti é irrepetível.

Não há nada que o possa diminuir. Nem mesmo se às vezes me desiludires e fizeres menos por ti do que eu gostaria.

Mesmo que não houvesse luz nenhuma no mundo, conseguiria chegar até ti, só pelo teu cheirinho.

Às vezes, quando estou cansada, basta-me o teu sorriso para ter novamente energia.

Falo muito contigo (e às vezes receio que a tua primeira frase completa seja “cala-te só um bocadinho, mãe, pode ser?”. Mas sei que és demasiado doce para sequer o pensares…).

Quando regrides em qualquer coisa (adormecias sempre tão bem, agora tem custado mais), penso sempre em que é que estou a falhar e tento lembrar-me sempre que o mais importante é respeitar o teu ritmo, o teu crescimento – porque te estás a aperceber de um mundo cada vez maior à tua volta e tens o direito de mudar, de te adaptar à tua maneira, no teu tempo.

Muitas vezes, de manhã, deixo-te demorar mais tempo a fazer as coisas porque sei que te (nos) esperam manhãs com muito stress lá mais para a frente. És um bebé agora e não vais poder brincar com calma, gatinhar atrás de mim com a língua de fora, morder o teu elefante por muito mais tempo.

Tudo o que faço por ti vem cá de dentro, daquele cantinho do meu coração que conquistaste e que será teu até eu deixar de andar por cá.

Espero que um dia sintas este amor tão grande, tão puro. E que gostes de mim, desta miúda que ainda se está a habituar ao título de “mãe” e que tem um orgulho tão grande de ser a tua.

Já reparaste como falo tanto e tantas vezes de amor?
É para que saibas a que ninho pertences, minha querida.

Por Marta Coelho,
para Up To Lisbon Kids®

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