Nunca gostei da expressão “mãe a tempo inteiro”.

Por um lado parece-me que subestima as mães que não trabalham fora de casa que, de repente, mais não são que os corpos que deambulam sem vontade própria de divisão em divisão da casa com biberões em punho e crianças ao colo.

Por outro lado fico sempre com a sensação de que as mães que trabalham fora de casa são como que excluídas da maternidade incondicional, quase como se fossem um bocadinho menos mães que as outras. Ora mãe é mãe. Sempre. Longe ou perto.

A trabalhar ou em casa.

Não se deixa de ser mãe quando se fecha a porta de casa.

E nessa medida somos todas “mãe a tempo inteiro”. Porque tempo nem sempre significa presença.

Durante os últimos cinco anos tive a sorte de não estar nem num extremo nem no outro no que à definição de “mãe a tempo inteiro” diz respeito. Sempre trabalhei mas com horário flexíveis que sempre me permitiram ir buscar os meus filhos à escola, almoçar com eles, acompanhá-los quando doentes, convidar amigos lá para casa ou vê-los partir na camioneta nos passeios escolares.

Ao mesmo tempo, tive tempo e oportunidade para continuar a explorar as minhas outras facetas e papéis sociais. Cresci muito profissionalmente. Ser mãe ajudou-me até a agarrar novos desafios e a desenvolver novas ideias.

Na mesma medida em que ser mãe me ajudou a ser melhor profissional. Ter um desafio profissional ajudou-me a ser uma mãe mais feliz. Um equilíbrio perto do perfeito (perto porque a vida não é, e ainda bem, perfeita).

Em Portugal são muito poucas as mulheres que têm esta possibilidade.

É o regime do “sim ou sopas”: ou trabalhas e definem-te como um bocadinho pior mãe que mal vês os filhos durante a semana, ou não trabalhas e levas com o rótulo da mulher pouco interessante que se refugiu na maternidade.

São muitos os bons os exemplos vindos dos países nórdicos onde as mulheres são chamadas ao mercado de trabalho sem que isso estrangule a vida familiar. E que bom seria que os pudéssemos replicar  no nosso país sem olhares reprovadores.

Estou certa de que não estou sozinha nesta vontade.

Se não nos empurrarmos, se não nos boicotarmos umas às outras – ora porque estas mães que não trabalham acham que tenho a vida delas e que posso preparar bolos caseiros para o lanche para os miúdos, ora porque aquelas mães priorizam o trabalho e mal conhecem a professora dos filhos – podemos ser todas mães na nossa mais incondicional forma de o ser. Longe ou perto. Porque lá está: mãe é mãe. Sempre. Eu diria mesmo: a tempo inteiro.

Amo ser mãe, quase todos os dias…

Amo o meu filho como qualquer mãe, tanto que dói! Sou completamente louca, apaixonada e obcecada por ele. Penso nele 24H por dia, e o meu objectivo de vida é vê-lo ser feliz!

Mas às vezes não me apetece….

Às vezes cansa… E não vale a pena culpar o stress dos tempos que correm ou a azáfama de ser mãe trabalhadora, porque a verdade é que não é nada disso.

A verdade, que eu admito aqui, e que tenho a certeza que muitas mães sentem é que às vezes quase que apetece nunca os ter tido. EU DISSE QUASE!

Há dias em que simplesmente não me apetece… Não me apetece ir busca-lo à escola sem sequer ter tempo para olhar de esguelha para uma montra na rua.

Não me apetece dar banho e sair da casa de banho como quem acabou de enfrentar um tsunami…

Não me apetece ter que ver aquela camisola que tanto gosto suja de baba, de ranho ou do esparguete à bolonhesa que ele decidiu atirar-me.

Não me apetece ver o panda, ou a patrulha pata ou a porra da Masha mais a merda do urso.

Não me apetece ter que ir para a cama às 21h da noite para passar 1h deitada a tentar que ele adormeça enquanto canta, bate palmas, grita, chora, ri – tudo menos dormir.

Não me apetece arrumar um monte de brinquedos e pisar três legos porque, se pudesse escolher, preferia andar descalça sobre brasas do que pisar aquela porra.

Às vezes me apetece comer legumes nem peixe mas sim uma pizza, só que não porque “o menino também vai querer”.

Não me apetece acordar às 7h e ter que jogar à bola e cantar quando ainda tenho um olho meio fechado e o bafo da cama.

Não me apetece ter que repetir o seu nome pelo menos 15 vezes porque ele continua a não ouvir o que lhe digo.

Não me apetece ser literalmente atropelada, amassada e apertada quando ele decide fazer de mim um trampolim e saltar-me em cima durante o que me parecem ser horas.

Não me apetece ter que andar a sussurrar a partir das 22h como se vivesse num convento.

Não me apetece preparar roupa lavada e lanchinhos todos os dias, quando para mim nem um iogurte liquido sobra.

Não me apetece ir esfregar nódoas de relva, de comida e de lápis de cera e de sei lá eu mais o quê, porque na verdade mais parece que o puto andou a nadar num contentor de lixo…

Há dias em que simplesmente não me apetece… mas tem que ser.

Porque ser mãe é mesmo assim. Sem folgas, sem fins-de-semana, sem férias, sem feriados, sem pausas, sem descanso. É um trabalho constante e para toda uma vida.

E por mais que, na verdade, sejam muito mais as alegrias, a felicidade, o amor e os momentos bons, há sempre dias em que não me apetece.

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Meu querido,
eu sei que me estás a julgar. Quando te sentas com o nosso filho a brincar depois do jantar, eu vejo a cara que fazes quando eu me estou a rir para o telemóvel. Eu ouço os sons que fazes quando me vês a dar banho ao bebé de telefone na mão ou quando estou a descansar com o mais velho enquanto escrevo mensagens. Eu reconheço o meu vício, mas há muito a dizer quanto à minha dependência deste pequeno aparelho.
Eu admito: eu sou viciada no meu telemóvel. Já falamos sobre o assunto e já lemos artigos sobre o horrível que isto pode ser para uma pessoa enquanto individuo, pior ainda enquanto casal. Também estou ciente do péssimo exemplo que transmito aos miúdos. Eu sei que estabelecemos objectivos relativamente ao uso excessivo dos gadgets, mas eu falhei redondamente. Eu tento não abusar do telemóvel quando estou com os nossos filhos mas como mãe a tempo inteiro, o meu dia-a-dia é muito diferente do teu. Eu não converso com adultos regularmente, e as minhas únicas companhias são um miúdo de 2 anos, um bebé e um cão.
Lembras-te quando passávamos os fins-de-semana completos com amigos?
Desde que me lembro de mim, a minha vida eram festas de pijama e acampamentos. Depois de acabar o curso, casamo-nos, mudamos de estado e tivemos filhos. A minha vida social deixou de existir. Hoje em dia não consigo estar com amigas tanto quanto preciso, por isso, conversamos nas redes sociais e por mensagens.
Lembras-te de como eu sou extrovertida? Eu sei que sabes disso, mas não sei se compreendes realmente o sentido disso. Eu sinto-me feliz por estar com pessoas, de preferência pessoas com mais de 5 anos. Quando passo muito tempo sozinha com os miúdos, o que é maravilhoso mas muito solitário, fico impaciente e arranjo desculpas para sair de casa só para falar com adultos. Já conheço metade das caixas do supermercado. Mesmo uma conversa de circunstância, neste momento, sabe-me bem.
Há 11 anos atrás, quando me tornei mãe, os grupos de mães das redes sociais foram a minha salvação. Hoje, com três crianças, nada mudou. Estas mulheres mudaram a minha vida em vários sentidos, apesar de não passar muito tempo com elas pessoalmente. É nelas que me apoio quando preciso de saber que sopas já posso dar ao bebé, ou se reconhecem aquelas borbulhas misteriosas na perna do de dois anos. Também são elas que me apoiam quando tenho um dia verdadeiramente desastroso com os miúdos, porque elas sabem exactamente o que estou a sentir. Conhecem as minhas frustrações porque já percorreram o mesmo caminho.
Não é que não queira estar mais presente quando estamos todos juntos, mas ser prisioneira de uma casa deixa-me com ganas de ter mais vida social. Eu estou sozinha e isolada e sair de casa com três crianças a reboque, mesmo que seja só para fazer um recado, requer tanto esforço que, às vezes, não compensa. Às vezes é mais fácil render-me ao meu café frio, e amamentar o bebé de pijama enquanto trato da casa. Às vezes estou a morrer de vontade de me sentir mais eu, mais a mulher que sou, mas é tão desgastante que acabo por desistir.
Quando me vês, sempre ao telemóvel, normalmente estou a pedir conselhos a algumas amigas ou simplesmente estou a rir-me dos disparates que dizemos em privado. O meu sistema de apoio é virtual e apesar disso ter as suas desvantagens também é extraordinário. Eu sei que te sentes frustrado por estar muito no telemóvel, mas quando não estás, eu estou com os miúdos, não estou com o telemóvel. Quando te vejo com eles, é a altura que posso pôr-me a par do que se passou todo o dia. Sei que ficas preocupado e valorizo a tua opinião. Mas estes grupos tornaram-se mesmo importantes para mim porque tem sido difícil adaptar-me a esta vida, a este papel de mãe (que amo ser), mas que às vezes parece ser tão inadequado para mim. E é óptimo ter alguém que nos diz que estamos a fazer um bom trabalho, e eu preciso de ouvir isso de fora, não é só de ti.
Eu não espero que percebas exactamente como me sinto, mas acredita que eu estou a tentar. Estou à espera que um dia eu comece a dormir melhor, recupere forças e me sinta de volta outra vez.
Até lá o meu café é frio, a minha paciência curta, e a minha vida social cabe no bolso de trás das calças.

 

Por Jessica, para Scary Mommy, traduzido e adapatado com autorização por Up To Kids®

 

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O meu nome é Uva Passa, sou mãe, e sou Dependente.

Sacar do telemóvel durante uma conversa, é como erguer uma parede entre duas pessoas

És mãe a tempo inteiro? O que é que fazes todo o dia?

Um homem chegou a casa do trabalho e encontrou os  seus 3 filhos na rua, ainda de pijama, a atirar lama, com caixas de comida vazias e invólucros espalhadas jardim. A porta do carro da sua mulher estava aberta, e quando entrou pela porta da frente de casa, não havia nenhum sinal do cão, e encontrou … uma confusão ainda maior.

O candeeiro estava deitado no chão, o tapete enrolado contra a parede. Na sala da frente, a TV estava aos gritos no canal dos desenhos animados, o quarto de brincadeiras estava cheio de brinquedos espalhados e várias peças de roupa no chão. Na cozinha, pratos até cima no lava-loiças, o pequeno-almoço entornado no balcão, a porta do frigorífico aberta, comida de cão espalhada no chão, vidros partidos debaixo da mesa, e uma pequena pilha de areia marcava um rasto desde a porta de serviço até meio da casa.

O homem rapidamente subiu as escadas, passando por cima de brinquedos e mais pilhas de roupas, à procura da sua mulher. Estava preocupado, não sabia se estaria doente ou se teria acontecido qualquer coisa mais grave.

Um caminho de água escorria para fora da casa de banho. Quando olhou lá para dentro viu toalhas molhadas, sabonetes empapados a desfazer-se e mais brinquedos espalhados pelo chão. Quilómetros de papel higiénico molhado numa pilha e pasta de dentes ao longo dos espelho e paredes.

Enquanto  corria para o quarto, encontrou a sua mulher ainda enfiada na cama de pijama e a ler um romance …
Olhou para ele, sorriu e perguntou como correu o seu dia.

O marido olhou para ela confuso e perguntou: “O que é que se passa? Está tudo bem? O que é que aconteceu aqui?”
A mulher sorriu e respondeu: “Sabes todos os dias quando chegas a casa do trabalho e me perguntas o que é que eu faço todo o dias?…”

-“Sim”, foi sua resposta incrédula ..
– “Bem, hoje eu não fiz nada”

 

Em “The Best Jokes and Stories: And How to Tell Them”, de Por Gene Levin

  1. Pelo menos metade das tuas refeições são comidas diretamente dos restos dos  pratos dos teus filhos.
  2. Quando o teu marido te pergunta: “Então, o que é que fizeste hoje?”, não consegues relatar nada de significativo, embora te sintas como se tivesses sido centrifugada na máquina de lavar roupa.
  3. Os teus filhos perguntam-te onde é que vais, quando vestes umas calças de ganga.
  4. Consegues dar uma limpeza geral na casa e outra no bebé, apenas com um pacote de toalhetes.
  5. Uma tarde fora, significa ir para o supermercado sozinha e sem horários! (É a loucura)
  6. A televisão esteve ligada o dia inteiro, mas não fazes ideia o que se passa no mundo.
  7. Tomar banho diariamente é uma vitória.
  8. O bebé vê-te mais vezes nua do que o teu marido.
  9. Sabes, de facto, o que diz a raposa, ou o que poderia dizer, já que metade do teu dia é passado a fazer sons de animais.
  10. O teu humor é directamente proporcional às horas que o bebé dorme na sesta.
  11. Quando vais a sair, olhas para a tua roupa, descobres nódoas (algumas crocantes), e pensas “eh, não se nota assim tanto”
  12. Já convidaste mais que uma vez as Testemunhas de Jeová a entrar, e fogem a sete pés quando começas a fazer Gins.
  13. Tens de ver como está o tempo quando sais, porque às vezes não metes o pé na rua há quase uma semana.
  14. Vais ao facebook passar tempo com as tuas amigas.
  15. O teu aspirador já faz parte da mobília, e não é desligado da tomada há mais de 3 meses.
  16. Não fazes ideia do dia de semana em que estás, mas sabes as horas pelos desenhos animados que estão a dar na TV.
  17. Às 9h da manha já te passou pela cabeça que precisas de uma bebida!
  18. Estás a dar o biberon ao bebé, na casa de banho, e a marcar as consultas médicas pelo telefone ao mesmo tempo.
  19. Encontras o teu café da manhã por beber quando arrumas a cozinha à hora do almoço. Aqueces e bebes na mesma.
  20. Não queres ir dormir à noite, porque o silencio é tão bonito, que por mais cansada que estejas queres aproveitar esse sossego para ti.

 

Por The Scary Mommy Community, traduzido e adaptado por Up To Kids®
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