Antigamente era mais fácil ser mãe

Uma das questões que me preocupa enquanto mãe é o facto de não ter tempo suficiente para os meus filhos.

Muitas vezes gostava de conseguir estar mais presente, estar mais consciente e estar mais disponível para cada um.

Muitas vezes, pessoas que só têm um filho, perguntam-me como é que consigo ter tempo para quatro. A verdade é que quatro crianças não ocupam quatro vezes mais tempo do que uma só criança. Porque o tempo não se multiplica mas partilha-se, gastando-se em conjunto, e divide-se. Consigo ter momentos individuais com cada um dos meus filhos, porque os irmãos também dão tempo uns aos outros.

Hoje li um post de uma bloguer australiana, Constance Hall, que me fez pensar sobre as minhas opções e prioridades enquanto mãe. Este post tornou-se viral nas redes sociais, tendo alcançado mais de 60 000 Likes. Por vezes, a melhor maneira de ver as coisas, é simplifica-las.

«O que acontece quando as mães estão sob muita pressão?

Certo dia, depois de ter o meu primeiro filho, perguntei ao meu pai como é que a minha avó conseguiu criar 11 filhos. O meu pai respondeu-me que a avó não estava sujeita à pressão que nós, mães, estamos hoje em dia.

A avó não tinha de ir ao banco, ao supermercado diariamente, não se sentia obrigada a estar fantástica a seguir aos partos e nunca fez pressão para que os filhos alcançassem as etapas de crescimento às três semanas de idade, para ter a casa limpa ou ter um robot de cozinha.

Antigamente, as mães passavam o seu tempo a desfrutar da companhia dos filhos. 

Antigamente era mais fácil ser mãe.

Por isso, o que é que nós devemos fazer, tendo em conta a pressão a que estamos sujeitas?

Muitas de nós nem sequer gozamos da companhia dos nossos filhos porque o tempo que estamos com eles e disponíveis para eles, é muito curto devido a esta tentativa de sermos perfeitas em tudo.

Ir ao ginásio. Responder aos e-mails. Pagar contas. Cozinhar aquela couve, desfazê-la e esconde-la numa refeição para ninguém perceber que é couve. Ir às consultas… Lavar roupa. Pôr gasolina no carro… disfarçar as olheiras! Fazer lanches saudáveis para os miúdos porque se compras feito vais ser JULGADA outra vez.

Com tudo isto estamos a desperdiçar o tempo que poderíamos aproveitar para estar com os nossos filhos, estamos a ouvir apenas metade do que nos dizem e a acenar positivamente com a cabeça enquanto pensamos no raio da multa que temos para pagar!

Ontem, num seminário, fizemos um exercício interessante: uma pessoa contava uma história a um parceiro, e quando estávamos a meio, este desligava e deixava de ouvir. Olhava para o outro lado, bocejava, pensava noutros assuntos e respondia a e-mails no telemóvel, enquanto nós contávamos algo que considerávamos interessante.

Adivinhem como é que me senti? Chateada, envergonhada por não ser merecedora da atenção de alguém, indigna e insignificante.

É assim que os meus filhos se sentem ao optarmos por esta vida acelerada na busca da perfeição?

Hoje acordei com vontade de respirar fundo e libertar-me. Eu não me vou preocupar com os cortinados novos que encomendei, nem quero saber se a casa está impecável ou não.

Eu preocupo-me mesmo é com o tempo que vou passar com os meus filhos e em saber como é que eles se sentem. E não vou deixar que a pressão da sociedade e os ideais de Super mãe me tirem este tempo com eles.» – (Adaptação livre do post abaixo)

 

 

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A derradeira verdade sobre ter um quarto filho

Quando engravidamos do quarto filho, os mais velhos já são completamente autónomos mas o terceiro é ainda um bebé apesar dos seus quase 4 anos. Não sabemos que estamos grávidas até percebermos que aqueles 3Kg a mais não são por estar a entrar nos 40. Curiosamente sentimo-nos com a energia de uma adolescente, e aguentamos tudo com poucas horas de sono. Parece que estamos grávidas de 6 meses, no dia antes de parir. Já ultrapassamos a fase do stress, e agora adotamos uma postura zen, menos quando estamos a dormir que temos sempre um olho aberto por causa dos outros filhos.

Nesta fase somos super-heroínas

Nada nos afeta, e os enjoos nem tiveram coragem de se manifestar. Não há tempo para nada e mal descansamos por isso, quando é hora de refeição é hora de refeição, e não nos privamos de comer sobremesa sempre que nos apetece. O álcool sabe-nos lindamente até descobrirmos que estamos grávidas. A partir daí voltamos a enfrascarmo-nos em baldes de leite com chocolate. Compramos vitaminas no dia em que descobrimos que estamos grávidas e tomamos religiosamente todos os dias. Tudo o que ajudar a aguentar este ritmo é bem vindo. Redefinimos o conceito de tempo. É a gravidez mais curta da história e é contada em períodos escolares e férias grandes.

Ninguém se dá ao trabalho de nos dar conselhos ou informações sobre bebés

Preocupam-se a dar conselhos sobre contraceptivos. Todos assumem que somos loucas e que só pode ter sido um acidente. As pessoas acotovelam-se a apontar para nós no meio da rua, normalmente de sorriso na cara. Fazem questão de nos contar histórias sinistras sobre o terceiro filho que deixou de falar, comer ou fazer cocó quando nasceu o quarto. E sentiu-se incompreendido toda a vida por isso nunca conseguiu ter uma relação estável. O obstetra já nos conhece de ginjeira e falamos várias vezes por whatsapp.

Como a gravidez se pega, três ou quatro amigas também estão grávidas. As restantes, batem na madeira e continuam com uma vida social agitada.

Perguntam-nos, onde quer que vamos “É o primeiro?” Quando dizemos que é o quarto, ficam com cara de Mona Lisa, e acabam por soltar uma bojarda qualquer tipo:

“- Eh lá, isso é que é! Grande coragem… tinha só rapazes, era?”

– “Não, já tínhamos dos dois sexos, por isso devemos ser mesmo estúpidos por fazer mais uma criança!”

Lemos artigos sobre maternidade nas redes sociais e nos blogues e tiramos dúvidas nos grupos de mães.

A Criança vai ficar com o nome do pai ou da mãe ou do periquito. Montamos o berço ao lado da nossa cama e esperamos que o bebe caiba lá até aos 2 anos porque não há quarto para ele.

Já não temos quase nada de enxoval, mas as coisas vão aparecendo através de amigas e familiares. Mesmo assim fazemos questão de comprar cueiros e outras peças que duram um mês, porque na verdade estamos cheias de saudades de roupa tamanho zero.  Os miúdos passam a vida a ver televisão e já mal controlamos as gravações que fazem. Já não se fala sobre pierciengs e tatuagens: eles não falam sobre isso, nós temos tanto com que nos preocupar, que se algum aparecer com um mamilo furado é um mal menor. A Dora e o Ruca já desapareceram da nossa casa, e na verdade, até preferíamos que voltassem porque, pelo andar da carruagem, este bebé vai ser fã de DragonBall e Violletas aos 18 meses.

O bebé nasce. E sentimo-lo como se fosse o primeiro filho.

Este filho vai fazer-nos perceber a quantidade de amor de que um coração humano é capaz. Vamos olhar para os mais velhos com outros olhos, e perceber o doloroso que é estar longe deles. Vamos perceber que eles continuam a precisar de nós tanto como o bebé. Vamos ter de gerir o nosso tempo, porque a capacidade de amar multiplica-se, mas o tempo não!

Vamos confirmar que temos a capacidade de amar cada um deles. E que temos a capacidade de sofrer por cada desgosto deles. E  fazêmo-lo alegremente até ao último sopro. Ao nosso último sopro, esperemos.

Quando engravidamos do nosso quarto filho, as pessoas julgam-nos e criticam-nos.

Mas eu vejo sempre o copo meio cheio. E trazer uma vida a este mundo não é garantia de incertezas e tristezas ao longo de toda a existência. Para mim, é garantia de certezas (cada vez mais) e alegrias ao longo de toda a existência.

Eu fui mãe por amor. Amor ao meu marido, amor à nossa vida, amor ao nosso amor. Por querer estender e partilhar este amor. E sim, não planeei tudo, se querem saber… Mas isso nunca fez com que os meus filhos fossem menos desejados ou menos amados.

Se somos felizes assim?
Somos, felizes e completos.

Por Ines Pinto Correia, Todos os direitos reservados