Então, estragaste o teu filho com mimo?

Dar mimo é uma das melhores coisas que podemos dar aos nossos filhos. Transmite-lhes segurança, autoconfiança, ensina-os a ser afectuosos e a aceitar o afecto. Anima-os nos dias tristes e dá-lhes aconchego para a noite. Segundo o pediatra Mário Cordeiro, “não há mimo a mais” O mimo é sempre positivo. No entanto é importante saber distinguir o mimo de outras situações que muitos pais recorrentemente confundem com mimo. Falamos de chantagem emocional, de subornos, de promessas em troca da realização de qualquer tarefa que seria suposto a criança realizar sem contrapartidas. Esta situação permite que a criança ganhe força, e se torne num pequeno Hitler dentro da sua casa. Manipula os pais para comer, para se vestir, para tomar banho e para ir dormir. E os pais, cansados, acabam por ceder porque só querem que as coisas fiquem feitas e que o menino seja feliz.

“Não há mimo a mais” | Pediatra Mário Cordeiro

Se não há mimo a mais, podemos (e devemos) andar com os nossos bebés ao colo, dormir com eles, dar-lhes banhos prolongados, ler e cantar para eles até adormecerem, beija-los nos pés e nas pálpebras sempre que quisermos sem os “estragar de mimo.” Mas como é óbvio, não podemos fazer isso quando eles tiverem 16 anos. Nem 6. Porque a nossa função de pais, além de criar crianças felizes é criar adultos capazes. E para isso, a autonomia tem de começar desde cedo a ser trabalhada. Com a autonomia as regras, os limites e as responsabilidades. Sempre com muito amor e muito mimo, mas com firmeza para não descambar. Porque nos arriscamos a que o nosso bebé se transforme numa criança malcriada.

É fácil apontar os miúdos “mimados” na escola ou no parque, mas conseguiremos ter um olhar crítico sobre os nossos filhos?

A Pop Sugar fez uma lista de 10 sinais evidentes para perceberes se o teu filho é “um mimado”?

  1. Faz birras por tudo e por nada
    Já todas passamos por uma birra em casa ou no supermercado, mas se o teu filho usa este trunfo sempre que quer alguma coisa quer dentro de casa, quer na rua, então este é um bom indicador de que possa ser um mimado.

    birras

  2. Nunca está completamente satisfeito
    As crianças mimadas não ficam satisfeitas com o que têm e querem sempre ter o que vêem nos outros.

    Crianças instisfeitas

  3. Não ajuda nem que ajudar nas tarefas.
    São poucas as crianças voluntariosas nas tarefas domésticas. Mas a partir de uma certa idade já devem estar habituados a ajudar a arrumar os seus brinquedos e quartos entre outras coisas. Um mimado não quer ajudar em tarefa nenhuma, e se for preciso usa o trunfo birra para se escapar a esta obrigação.

    Tarefas domésticas e as crianças

  4. Tenta controlar os adultos
    As crianças mimadas não distinguem os pares dos adultos e esperam controlar os pais como muitas vezes controlam os pares.Controlar os pais
  5. Não partilham
    A partilha é um conceito difícil para uma criança adquirir, mas a partir dos 4 anos, e aprendendo através do exemplo, as crianças devem estar aptas e gostar de partilhar com os amigos e irmãos.
    Crianças que não partilha
  6. Tens de implorar para que realize uma tarefa
    Os pais são figuras de autoridade a quem as crianças devem obedecer quando lhes é feito um pedido. Não é suposto implorares ao teu filho para que realize uma tarefa.

    Implorar aos filhos

  7. Ignora-te
    Nenhuma criança gosta de ouvir a palavra “não”, mas se o teu filho te ignora não é bom sinal.ignorar os pais
  8. Recusa-se a brincar sozinho
    Aos 4 anos, uma criança deve estar disposta (e capaz) de brincar sozinha por um período de tempo. Exigir sempre a presença de um pai ou amigo para brincar nem que seja por 5 minutos demonstra sua necessidade de atenção.Crianças mimadas
  9. Tens de suborna-lo
    Os pais não devem ter que subornar os filhos quer seja com dinheiro, brinquedos, ou doces para que realizem tarefas rotineirasSubornar s filhos
  10. Envergonha propositadamente os pais em público
    Um deslize aqui e ali é normal, mas quando uma criança envergonha propositadamente os pais em público para obter atenção, a situação vai para lá de um ato isolado passando a ser uma atitude manipuladora de criança mimada.

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imagens@shutterstock

Quando eu era criança, os pais esforçavam-se para sustentar as suas famílias e pouco mais. Com ostentação ou sem, as pessoas eram mais preocupadas com o trabalho do que com ser feliz. Talvez por isso, já que filhos querem  fazer sempre tudo diferente dos pais, agora a principal preocupação dos pais é fazer os filhos felizes.

Isso explica os valores escandalosos que se paga hoje em dia por uma festa de aniversário, a quantidade de brinquedos que as crianças têm e a ida, quase obrigatória, à Disney em família.

Claro que existe a culpa de muitos pais que trabalham demais e tentam compensar os filhos de alguma forma. Mas reflexo da culpa ou não, as crianças de agora nasceram para ser felizes. Será que estamos a agir corretamente?

Vamos pensar na nossa infância. Eu pelo menos, era muito feliz. Brincava com a minha amiga que morava na casa ao lado, passávamos horas a pentear o cabelo uma da outra, ou a fazer papas com as plantas do jardim. A maior aventura de que me recordo era brincar à apanhada com o meu cão.

Muito básico para si? Acontece que meu cão se transformava numa puma que na verdade era uma Medusa, e com um simples olhar, podia transformar-nos em pedras. Por isso estávamos sempre equipadas com frascos de shampoo que enchíamos de água e explodiam como granadas quando caiam ao chão. Pois é, as crianças trazem a imaginação do berço . Por isso não é preciso ir a Orlando ou Paris ver os espetáculos de fogos de artifício para ficarem maravilhadas. Aliás, cá entre nós, já estive na Disney 3 vezes (2 em Orlando e 1 em Paris) e nunca vi tantas crianças tristes num parque. Cansadas, a chorar, angustiadas, com as mães e os familiares stressados. Claro, já viu o tamanho do Parque? E a quantidade de informação? E de sorrisos maquilhados, brilhos e purpurinas, e alegria explosiva? Somos humanos. Isto não é um filme. É a vida real. Não somos super heróis, nem princesas. O seu filho vai comer um cachorro quente naquela roullote linda com várias coisas a girar, e pode ser que passe mal. E depois? Ninguém pode passar mal na Disney! Têm de aproveitar. Têm que ser felizes.

Eu trabalhei para a Disney como tradutora durante 4 anos. Adoro a empresa e o negócio em si. Gosto de lá  ir porque moro a 300Km de distância e temos o passe anual. Para nós, é um programa barato num lugar super organizado e bonito na maioria das vezes. Só estou a usar o exemplo porque sei que é uma viagem muito cara para se fazer do Brasil, mas isso não está a impedir cada vez mais brasileiros de fazerem. A minha pergunta usando este exemplo é: será que precisamos fazer tanto pelos nossos filhos? (Viagem de 8 horas de avião, filas intermináveis, Km e mais Km de parque de diversão) Eu suponho que não. E considero errado os pais sentirem que são responsáveis por fazer dos filhos, pessoas felizes.
De onde tiramos essa ideia maluca?

O que eles precisam na verdade é de adultos para educá-los. E como adultos, é claro que, estamos ocupados. Com a família, com o trabalho, com as funções da casa. Se nesta lista se somar “a felicidade dos meus filhos” alguém vai ficar muito sobrecarregado e frustado. Talvez seu filho, talvez você, talvez toda a gente. É chato tentar e não conseguir. Pense como se sentem os pais que pagaram a viagem em 6 prestações, passaram 8 horas no vião tipo sardinha em lata, mais 1 hora num brinquedo se o filho sair do brinquedo aos gritos e a chorar?

Uma vez eu li o livro Encantador de Cães e fiquei fascinada com o raciocínio simples que o genial Cesar Millan escreve ali: ele diz que os  cães só obedecem quem respeitam. E para ganhar respeito, é preciso ser a autoridade, é preciso impôr ordem antes do amor. Agora tente trocar a palavra “cães” por “filhos”, dá no mesmo. A autoridade é o contrário de democracia. Os pais não podem estar sempre abertos “o que querem comer?, o que vamos fazer hoje?, onde vamos passar as férias?”. Compreende como é complicado para a criança ouvir isso? Sentir que não existe uma ordem? Ela no auge dos seus 4 anos (ou por volta disso) é que precisa saber, querer e lidar com seus desejos.

Quando eu era criança, a minha mãe interrompia a brincadeira e trazia uma bandeja com limonada fresca e bolachas Maria. Lembro-me sempre desta cena (que aconteceu várias vezes) e na minha memória,  ela aparece iluminada como uma fada. O que eu sentia era: a mãe é mágica! Como é que a mãe sabe que estamos com fome e com sede? Teria sido bem diferente se  tivesse aparecido e perguntado: querem lanchar? vão querer gelado ou podem ser bolachas Maria? Estava a pensar  fazer uma limonada, vocês vão querem? Ou é melhor eu trazer um sumo de laranja?

Infelizmente não estou a escrever isso por já ter aprendido a lição. Ainda estou a aprender. E só estou escrever sobre isso porque descobri que tenho errado bastante. Desde que nos mudamos para Miami, fico com pena e compaixão por qualquer expressão de sofrimento que meus filhos tenham. Porque sei que é difícil para eles. E até me esqueço que é difícil, também, para mim. Minha vida mudou completamente. Mas nem penso nisso. Só penso neles. A consequência? A minha filha de 4 anos todos os dias faz uma coisa para me irritar. Percebi que, também eu, a ando a irritar . E porque? Porque estou disposta todos os dias a ouvi-la, e a tentar perceber o lado dela. Não parece errado a princípio. Mas está errado. As crianças precisam de um adulto, alguém que tenha um norte, e ela sente-se frustrada porque percebe que estou a tentar adaptar-me também. A vida é para evoluir. Vamos tentar evoluir como pais antes que eles cresçam. Imagine como deve ser frustrante a adolescência de uma criança que tem sempre várias pessoas a responder aos seus pedidos?

Educar dá mais trabalho do que servir o gelado antes do jantar, já que seu filho quer tanto. Educar envolve mais compromisso do que pagar as 6 prestações da viagem mágica. Educar é para adultos. Deve ser por isso que as crianças não podem ter filhos. Porque os filhos precisam de adultos. Aparentemente esse é o grande problema da minha geração, não queremos ser adultos. Outro dia vi um post sobre a crise dos 25 anos. Nem queria acreditar! A maioria das pessoas que conheço estão nessa crise aos 35 ou 40 anos. Está na hora de dar esse passo. Parar de focar só na diversão e na felicidade e evoluir, amadurecer. Todo grande passo na vida acontece quando fazemos aquilo que é desconfortável. Já aprendemos muito sobre diversão e entretenimento, que tal agora aprender a viver?

Por Cristina Leão, Blog Antes que eles Cresçam
Adaptado por Up To Kids®

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