O meu filho não consegue fazer cocó. E agora?

Calma. Em primeiro lugar temos de perceber que o organismo das crianças não funciona como o de um adulto. É normal uma criança ficar 3 dias sem ir à casa de banho. Apenas quando este período de tempo é ultrapassado sistematicamente é que convém pedir ajuda médica. Pode tratar-se de um caso de prisão de ventre que requeira acompanhamento.

No entanto, ainda que aconteça por períodos mais curtos e de forma não sistemática, pode ser extremamente doloroso e desconfortável para a criança, e consequentemente para os pais (já sabem que, quando se trata dos nossos filhos, sofremos por tabela).

Como identificar a prisão de ventre numa criança

São vários os sinais de prisão de ventre infantil. Embora alguns sejam mais difíceis de associar, tais como a irritabilidade e mau humor e a falta de apetite, outros são mais evidentes. Destacamos especial atenção às dores de barriga constantes, barriga inchada e rija, cocó muito duro e seco, sinais de cocó meio líquido que suja a fralda ou a roupa interior e sinais de sangue no cocó ou no papel higiénico (normalmente devido a fissuras)

Reconhecendo estes sintomas, resta dizer que uma situação de prisão de ventre nunca deve ser desvalorizada, e deve ser tratada com método, e muita calma, pois pode facilmente tornar-se num ciclo vicioso!

O Ciclo Vicioso da Prisão de ventre

O ciclo vicioso da prisão de ventre desenvolve-se em 4 fases. Dor, medo, retenção e cocós duros, secos e mais volumosos.

Muitas vezes, as crianças com prisão de ventre associam a dor ao acto de ir à casa de banho. Quer seja devido a uma alteração alimentar, ao stress (especialmente em determinadas alturas do ano lectivo), ou a não conseguirem adaptar-se a fazer cocó fora de casa, estes miúdos criam uma barreira psicológica que os impede de ter um funcionamento regular do intestino.

Consequentemente começam a ter medo de ir à casa de banho, adiando sempre que possível esta acção, dificultando, ainda mais o processo.
A dor vai aumentando devido à retenção e acumulação de cocós no intestino. Isto leva a que a criança evite por completo a ida à casa de banho.
A retenção vai resultar em cocós duros, secos e grandes (sorry) por permanecerem muito tempo no intestino. Torna-se então ainda mais difícil ir à casa de banho, e recomeça o ciclo vicioso.

Tudo isto gera um elevado nível de stress não só para os nossos filhos, mas também para nós. 🙁

É possível quebrar este ciclo?¹²

Claro. É possível e essencial não só a nível de saúde física, mas também emocional. Em primeiro lugar a criança precisa de se sentir bem e sem dores para poder estar bem em família, na escola e consigo própria. Depois, é imprescindível que não se deixe crescer uma fobia em torno do assunto, correndo o risco de se instalar o ciclo vicioso novamente, dificultando a regularização intestinal.

Como quebrar o ciclo vicioso?

Há diversos fatores que podemos alterar no dia a dia dos nossos filhos para tentar regularizar um problema de prisão de ventre.

Alimentação

Comecemos pela alimentação: é importante que haja rotinas e horários certos para as refeições, e que se mantenha uma dieta rica em fibras solúveis. Estas encontram-se nos frutos com casca, nas hortícolas, nas leguminosas e nos alimentos contendo aveia, cevada ou centeio. Sementes como linhaça, e chia são ótimas e podemos colocá-las nas sopas. Ao lanche, iogurtes, especialmente com probióticos e sementes de abóbora, são um ótimo empurrão para evitar cocós duros. E claro, deve-se evitar alimentos ricos em açúcar e ricos em gorduras e beber muita água.

Alimentos que combatem a prisão de ventre

Alimentos que combatem a prisão de ventre

Alimentos que causam prisão de ventre

Rotinas

As rotinas são extremamente importantes, não só no que refere à alimentação, mas também, nas idas à casa de banho. Podemos por exemplo, encorajar a criança a ir à casa de banho regularmente, 15-30 minutos depois das refeições. É muito importante que a criança tenha os pés bem assentes quando está sentada (na sanita/bacio). Se for necessário, podemos colocar um banco de apoio aos pés.

Para crianças que ainda estão a aprender a utilizar a sanita/bacio, é importante que este momento não seja tenso nem apressado. Podemos até arranjar um reforço positivo, como por exemplo um sistema de recompensas.

Nunca, em caso algum, devemos criticar ou julgar a criança por ir ou não ir à casa de banho. Devemos sim controlar o desenvolvimento da situação e tentar ajudar de forma positiva e construtiva. Oferecendo soluções em vez de criar mais obstáculos.
Por vezes, pode também surgir um vestígio de líquido acastanhado na roupa interior, como já tínhamos referido. Neste caso, é importante não castigar ou culpar a criança. Devemos explicar-lhe que pode acontecer a qualquer pessoa que esteja na mesma situação de forma a não a rotular de “bebé”.

Intervir

Quando as medidas anteriores não são suficientes, a utilização do produto adequado – exemplo: que permita o amolecimento das fezes, facilitando a evacuação – pode ser importante para evitar complicações, diminuir a dor e consequentemente o stresse estabilizando assim a relação da criança com o acto de ir à casa de banho!

Uma possível solução é Dulcosoft®.  –  um dispositivo médico que proporciona um alívio suave da prisão de ventre e pode ser tomado por grávidas, mulheres a amamentar e crianças a partir dos 2 anos.

Através da substância ativa de Dulcosoft,  Macrogol 4000, ajuda a reter água no intestino, o que ajuda as fezes a ficarem mais moles, facilitando assim a sua evacuação. Este acto passa a ser mais confortável e menos doloroso. Dulcosoft® tem um sabor neutro e pode ser misturado em qualquer bebida quente ou fria, como água, sumo de fruta ou chá. Deve ser tomado preferencialmente numa única dose, pela manhã. Se o problema persistir durante mais tempo, então, deverá ser investigada a sua causa.

Para toda a família

DulcoSoft® pode ser tomado durante a gravidez ou amamentação, pois a absorção do Macrogol 4000 é mínima. No entanto, convém consultar o seu profissional de saúde (exemplo, farmacêutico) porque, como sabemos, cada caso é um caso. Pode ser tomado por crianças a partir dos 2 anos, no caso de DulcoSoft® líquido (solução oral 250ml). A partir dos 8 anos de idade, para o DulcoSoft® em saquetas (pó para solução oral 10 gr, 20 saquetas).

Diabéticos e doentes celíacos também podem tomar descansados esta solução pois não contém açúcar nem glúten.

Dulcosoft® é uma solução que ajuda a reter água no intestino, tornando as fezes mais moles, facilitando a vida às pessoas que sofrem com este problema. Se tem rotinas alimentares equilibradas, se bebe bastante água e se o seu intestino continua a não colaborar, não faz sentido deixar chegar a um ponto de acumulação de fezes duras que podem tornar o seu dia num inferno. Dor e desconforto ao ir à casa de banho? Evite tudo isto e experimente Dulcosoft. ®

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DULCOSOFT® Pó para Solução Oral e DULCOSOFT® Solução Oral são dispositivos médicos para amolecer as fezes duras e secas e facilitar a evacuação. A administração a grávidas e crianças com menos de 8 anos deve ser preferencialmente supervisionada por um profissional de saúde. DULCOSOFT® não deve ser tomado durante mais de 28 dias. Não tome DULCOSOFT® no caso de alergia ao macrogol 4000 ou a qualquer outro ingrediente, se tiver alguma doença intestinal inflamatória grave ou megacólon tóxico, perfuração digestiva ou risco de perfuração digestiva, íleus, suspeita de obstrução intestinal, estenose sintomática ou síndromes abdominais dolorosas de causa indeterminada. Leia com atenção a rotulagem e instruções de utilização. (5.0) [SAPT.DULC8.18.05.0329]

 

[1] Nadeem A Afzal, et al. Constipation in children. Ital J Pediatr. 2011; 37: 28.

2 Nurko S., et al, Evaluation and Treatment of Constipation in Children and Adolescents. Am Fam Physician. 2014 Jul 15;90(2):82-90.”

Desfralde para Totós

Quem me conhece e me segue há algum tempo, sabe que sou uma adepta fervorosa do Slow Parenting – o mais curioso é ter começado a seguir esse modo de vida, sem nunca me ter apercebido que já existe uma teoria acerca disso.

Comecei o blog por brincadeira. Em parte, para poder acompanhar o crescimento dos meus filhos. Mas também porque adoro escrever. Desde pequenina que este meu hobby me faz sentir viva. Mas o meu blog nunca foi, nem nunca será um diário da minha família, ao estilo Big Brother. Apesar de partilhar fotografias dos meus filhos. sei que um dia eles podem não gostar de saber que eu partilhei os dias inteiros deles. As suas manias. As suas teimosias. As suas alegrias.

Daí que, de vez em quando estou um tempo sem por cá aparecer. Vou andando no instagram, para quem me quiser ver.

Mas hoje tive mesmo de passar por aqui e dar o meu testemunho: o desfralde do meu último filho.

O exemplo vivo de que cada criança é uma criança e tem os seus próprios timings. Para quê insistir com um bebé com 2 anos que não está nem aí para tirar as fraldas? Só porque os livros assim o dizem? Ou porque os filhos dos outros assim o ditam? Não, obrigada.

Cá em casa, o desfralde do Zé Maria foi simples. Prático. E rápido. Não houve cá potes, nem redutores, nem deslizes. Quando senti que o Zé Maria estava preparado, ensinei-o, sem pressas, a ir sozinho à casa de banho, E com dois anos e 10 meses largou definitivamente as fraldas. E não houve um ai. Nem um ui. Só alegrias e palmas. E não é porque o meu filho é melhor, mais esperto ou mais inteligente do que os outros. Simplesmente porque senti que já estava preparado. Porque ele deu sinais. Porque o Zé Maria mostrou confiança. Porque o senti seguro de si mesmo.

Já assisti algumas vezes a Mães que insistem com os filhos a largar as fraldas.

Com gritos, Com culpa. Com stress. Agora tem de ficar de castigo, só porque fez xixi fora do sítio. Agora não tem história antes de ir dormir, porque hoje não fez nada no pote. Não consigo perceber estas pressas. Estas manias dos Pais de insistirem com os filhos a crescer ou a serem independentes antes do tempo. Já ouviram falar de alguém que vai de fraldas para a faculdade? Ou que foi de chupeta para o liceu? Ou que ainda dormia na cama dos Pais quando resolveu pedir a namorada em casamento? Estas pressas não entram cá em casa.

Os meus filhos podem não ser os melhores nem os mais espertos, nem os mais rápidos em tudo. Mas são, sem dúvida, felizes, porque têm uns Pais e uma família que respeita os timings, as necessidades e os medos de cada um, deixando-os ser livres à maneira deles, sem exigências fora do seu controlo.

Só quero que eles nos respeitem também como Pais que somos, e que sejam muito, mas muito felizes.

E assim foi o desfralde do Zé Maria: sem regras, sem pressas, sem nada do que vem nos livros.

Só seguindo o ritmo dele e o instinto desta Mãe. Assim é que é!

E se os miúdos viessem com o programa de desfralde incluído?

Vou escrever sobre cocó, quem não aguentar o cheiro é melhor voltar mais tarde, não demora muito.

Agora nós, digam a verdade, a nossa vida não seria mais fácil se os miúdos viessem com o programa de desfralde incluído? Temos tanta coisa com que lidar, birras, viroses, respostas tortas, crises existenciais, noites sem dormir, paciência rebentada e ainda temos que limpar xixi e cocó do chão enquanto não aprendem a ir à sanita. O mundo não é justo para as mães.

Quando o meu filho nasceu a minha filha tinha dois anos e dois meses, eu estava de licença de maternidade e o que havia de melhor para fazer com um recém-nascido nos braços do que tirar as fraldas à miúda? Imensa coisa que não envolvia uma esfregona, mas felizmente, tirando uns xixis e cocós no chão precisamente quando eu estava a amamentar, a coisa deu-se e numa semana a miúda já não usava fraldas durante o dia e passado um mês de fralda seca à noite deixou as fraldas de vez.

Demorou apenas uma semana, apesar de a meio da semana eu pensar que ia ficar maluca, na escola não fazia xixi nas cuecas e em casa até fazia cocó no chão. Nenhuma recompensa resultava, nem autocolantes, nem cuecas bonitas, nem palmas, nem abraços, nem o “viva és a maior”, a coisa só se deu quando após cada cocó na sanita eu a deixava fazer um desenho nos azulejos da casa de banho. Não sei como me lembrei disto, mas resultou e antes limpar azulejos que cocó.

O desfralde varia de criança para criança

O meu filho já fez os três anos e eu já fiz três tentativas de lhe tirar as fraldas, mas o raio do miúdo não está a colaborar. Nem em casa, nem na escola, o que me faz sentir um pouco menos naba do desfralde. Não pede para ir à sanita, se perguntamos se quer ir diz que não, vai para um canto quando quer fazer cocó em paz, não diz quando tem a fralda suja, chega a dizer que não tem cocó quando o cheiro nos diz claramente que tem e detesta mudar a fralda, esperneia, vira-se, chora, parece que lhe estamos a tirar o bem mais precioso.

Estou tão farta de cocó a fralda, que tentei dar uma de parentalidade positiva aplicada ao cocó e conversei com ele. Mostrei os benefícios de deixar as fraldas, dei o exemplo da irmã, comprei cuecas da Patrulha Pata e quando tudo falhou tentei suborná-lo com uma bicicleta e a verdade é que continuo a mudar fraldas cheias de cocó mal cheiroso.

Pausa para choramingar.

Esta conversa toda porque vamos dar início à quarta tentativa de desfraldada. Quarta tentativa. Eu acendi uma vela aos deuses da paciência que eu já estou por tudo, até deixá-lo usar fraldas até à faculdade.

Desejem-me sorte e assim.

image@mandys