Comecei a seguir um grupo sobre Parentalidade Minimalista, onde esperava encontrar tópicos tais como ensinar gratidão ao filhos, contornar o consumismo desde antes de eles nascerem, ou até sobre manter a casa mais “clean”! E havia de facto muitas sugestões sobre brinquedos rotativos dentro e fora do parque, comprar roupas e equipamentos da moda, ou até pedir aos familiares que contribuam para as suas contas bancárias nos aniversários em vez de oferecer mais brinquedos de plástico.

Mas depois comecei a aperceber-me que, tal como em todas as discussões que envolvem a maternidade, havia uma estranha presunção e critica nas respostas quando alguém perguntou:

“Quais os itens de bebé que realmente não são necessários para um bebé?”

“Um contentor de fraldas.” – Verdade, as recargas são caras e um caixote normal com sacos individuais resolve perfeitamente a questão.

“Fraldário” – Claro que podemos mudar as fraldas no chão, em cima da cama, numa cómoda, ou até no carro se for preciso.

“Roupas novas”. – Definitivamente. Os bebés crescem tão rápido e babam-se tanto obrigando a ter várias mudas, que faz todo o sentido que se poupe o máximo na compra das roupas.

Um berço. Nós somos apologistas do co-sleeping porque amamos o nosso filho.” Hummm, pois, eu também amo os meu filho, mas o co-sleeping não funciona connosco. Passamos a dormir todos melhor quando o mudamos para o seu quarto.

“Não precisas de um carrinho de bebé para nada. Nós usamos panos para a levar para todo o lado.” Pois, com o problema de costas que tenho, isso não é opção. E o nosso filho independente nunca gostou de ser embrulhado.

Um parque. Um baloiço. Uma cadeira Bumbo. Estas coisas não são mesmo necessárias para o teu filho.  Isso é o que a industria de artigos de puericultura quer que tu acredites. Tu deves ter sempre o teu filho contigo para que crie um vínculo afetivo e de segurança contigo” – Então quando é que eu devo/posso tomar banho? Ou comer? Ou ensiná-los que “a mãe já volta?

“Comida embalada para bebés. Faz um horta. Cultiva os teus próprios alimentos e faz as papas todas do teu bebé.” Eu tentei fazer a comida do meu bebé e ele sempre recusou. Preferiu embalada. Não fiz disso um campo de batalha.

“Mamas, tudo o que eles precisam é de mamar!” – Ok. Isso não é verdade de todo.

“Fraldas. Mesmo as fraldas de pano gastam muitos recursos a ser lavadas. Usa folhas de milho e começa o desfralde a partir do 1º dia”

(Ok. Este último é basicamente um exagero.)

Vindo de um grupo de pais criado para apoiar as famílias nas suas escolhas fugindo dos julgamentos alheios de outros mais fundamentalistas, senti que aqui não se podia perguntar nada sem que os restantes elementos impusessem as suas crenças como único caminho. Suponho que este tipo de insularidade e auto-congratulação aconteça em qualquer grupo de pessoas que se reúnam em torno de um interesse comum ou conjunto de crenças, por isso não vou estar aqui a atirar pedras aos telhados alheios.

Mas pergunto: quando é que o minimalismo e o anti-consumismo se tornaram um estatuto? E não estamos aqui a perder o fulcro da questão?

Calma.

Se sentes que precisas de pôr o teu bebé num baloiço para que adormeça, ou para poderes tomar um banho, ou até para não dares em louca, está tudo bem.

Se não quiseres amamentar de todo, ou se estás doente até à morte de tirar leite com a bomba no emprego, ou com dores horrorosas para conseguires tirar mais uma dose e escolheres dar suplemento, ele vai ficar bem.

Se precisas de ensinar o teu bebé a adormecer sozinho para que pares de te levantar várias vezes à noite e te sentires um ser humano funcional novamente, mesmo que ele chora um bocadinho (ou muito), ele vai ficar bem.

Se precisares de comprar uma bugiganga qualquer no supermercado para que esteja entretido as duas horas que lá estás enfiada, está tudo bem.

Se precisas de roupa do tamanho acima para o teu filho e tens um cartão presente de uma loja não-orgânica, não-bio, não-sustentável, não-zen e decides encomendar on-line, queimar algum combustível fóssil para que te entreguem em casa em vez de arrastares o teu circo para a loja de segunda mão, está tudo bem.

A industria fomenta o consumismo de artigos completamente desnecessários para os bebés? Provavelmente. Eu tento comprar em segunda mãe, e comprar o menos possível, obviamente. E acredito que todos nós poderíamos consumir (muito) menos e sermos mais conscientes do custo dos artigos de conveniência. Pratico o que prego todos os dias? Oh…!

Mas podemos de parar de agir como se a parentalidade tivesse de ser obrigatoriamente difícil para ser “real” ou “verdadeira”?

Usar um carrinho de bebé não me torna numa capitalista, vendida e sem consciência. O suplemento criado especificamente para bebés não é um veneno. A amamentação até pode ser melhor, mas dar suplemento não faz de mim uma zombie deprimida e capitalista.

Antes de me ter tornado mãe, há um ano atrás, eu disse a mim mesma que nenhuma decisão ou princípio relacionado com a maternidade me ia pôr louca (ou à minha família). E sai-me bem nesta decisão – não brilhante, mas tem corrido bem. Eu estava muito determinada em amamentar exclusivamente, mas sabes que mais? Foi uma experiencia traumatizante e negativa para mim. Fraldas de pano? Neste momento durmo descansada porque lhe posso por uma fralda descartável a noite toda e ele não acorda todo molhado e irritado desnecessariamente.

Fraldas descartáveis e muitas outras coisas que usamos para os nossos filhos, até podem ser um luxo, e sermos gratos ou negarmos o custo ambiental e humano da sua produção não os torna menos luxosos.

Mas sabes de que é que o teu bebé não precisa mesmo? Que te partas toda (mais ainda) para o criares. Por isso vá lá, arranja um aquecedor de biberões se o teu filho só bebe leite quente. Ou habitua-o a beber frio. De qualquer das formas ele vai ficar bem, e tu também.

Por Jennifer Fultz, publicado em Scary Mommy

imagem@istock

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Publicamos há dias um artigo cujo título era “Crianças na cama dos pais“. O tema é recorrente: o sono das crianças. Devemos deixar os nossos filhos a dormir connosco ou devem ser habituados a dormir sozinhos? Neste caso, o artigo sugere que se treine as crianças (não fala de bebés) a dormir na sua cama e, sempre que possível, a ter um espaço seu ou, obviamente, partilhado com os irmãos.

Há outra corrente que defende o oposto: que pais e filhos partilhem a mesma cama para que as crianças cresçam num meio rodeado de afeto, amor e sem quaisquer inseguranças que possam ser causadas pelos medos das noites passadas sozinhos. Esta corrente é o Co-sleeping, e normalmente está associada ao Attachment Parenting, Parentalidade com apego.

Mas para além dos fatores emocionais relacionados com a criação de vínculos que podem ou não ser desenvolvidos durante o sono da crianças, a Academia Norte Americana de Pediatria desenvolveu um estudo que revela que os bebés devem dormir na cama dos pais, por motivos de saúde. O estudo foi partilhado no site da SIC Noticias, fica o artigo para leitura!

«Os bebés devem dormir no mesmo quarto dos pais, mas não na mesma cama, pelo menos até aos seis meses. É a mais recente recomendação da Academia norte-americana de Pediatria, para evitar a Síndrome da Morte Súbita.

A academia recomenda que o bebé durma numa superfície diferente, mas no mesmo espaço. Deve optar-se, diz, por um berço com um colchão firme – nunca mole -, colocado no mesmo quarto dos pais, pelo menos até que o bebé tenha 1 ano.

O objetivo é reduzir o risco da Síndrome da Morte Súbita e outras situações que podem ocorrer quando o bebé está a dormir.

Neste tipo de fenómenos, alerta a academia, nunca se sabe a 100% o que originou a morte, embora haja teorias. Entre elas, a de que o cérebro de um bebé não está suficientemente desenvolvido para regular a respiração num ambiente que favorece a obstrução nasal ou a asfixia.

O relatório, divulgado esta semana em São Francisco, EUA, sustenta que há provas de que dormir no mesmo quarto reduz em 50% as probabilidades de Síndrome da Morte Súbita.

“Um bebé que está ao alcance dos pais poderá sentir-se mais consolado e ter mais estimulação física“, diz Lori Feldman-Winter, co-autora do relatório.

Há uma ênfase na partilha de quarto, não da cama, e a informação sugere um efeito protetor contra a síndrome quando o bebé dorme no quarto dos pais“, explica por outro lado Ari Brown, um pediatra que não esteve envolvido no relatório.»

Para quem não está familiarizado com o termo Parentalidade com apego (Attachment parenting), é um estilo de parentalidade caracterizado por praticar a disciplina positiva, o co-sleeping (filhos e pais partilharem uma cama) ter uma resposta rápida ao choro e alimentar em livre demanda sempre que possível. Se a parentalidade com apego não é para si, então este artigo também não é. E não há problema. Isto não é nenhuma manifestação contra a parentalidade convencional (nem qualquer outra!) De certeza que os outros estilos de parentalidade terão vantagens para os pais e os filhos, mas eu não sei nada sobre elas, por isso não posso falar nem comparar.

Mas sobre a parentalidade com apego, eu sei.

Os meus quatro filhos foram criados assim, e quero tranquilizar os pais que enquanto observam os filhos a dormir nas usa cama se questionam se os estarão a “estragar”. Eu estou a falar para a mãe que está a amamentar não só para alimentar mas também para tranquilizar ou adormecer, e se questiona se deveria deixar os filhos chorar para aprenderem a acalmar-se sozinhos. Eu estou a falar para o casal que não tem um fim-de-semana desde que o bebé nasceu porque tu estás a amamentar, e questionas-te se valerá o esforço. Se és esta mãe, então sim, o artigo é para ti!

Nós não planeamos ser este tipo de pais. Nunca houve um momento de reflexão que nos levasse a decidir ser pais com apego. Aliás, quando tivemos o nosso 1º filho nunca tínhamos pensado muito sobre o assunto. A parentalidade com apego aconteceu naturalmente, simplesmente fez sentido.

Quando o bebé ficava na nossa cama dormia melhor e consequentemente nós dormíamos melhor. Então passamos a praticar o co-sleeping. Não com o intuito de dar resposta a horários, era simplesmente mais fácil e mais natural já que estava a amamentar em livre demanda dia e noite. Como o bebé estava sempre comigo, quando o punha na alcofa ou no carrinho ficava impossível, e rapidamente descobri a maravilha dos slings. Muito mais fácil de transportar, e ele ficava feliz.

Em pouco tempo tornamo-nos em pais com apego a 100%. E apesar de ter sido tudo natural e agradável para nós e para o nosso filho, eu continuava a ter dúvidas quanto às nossas escolhas e a quanto a explorarmos caminhos menos convencionais da parentalidade.

Foram essencialmente algumas fases e etapas de desenvolvimento dos nossos filhos que nos fizeram questionar as nossas escolhas: quando o meu filho mais velho fez 4 anos desenvolveu uma intensa ansiedade de separação dos pais. Será que estávamos a torna-lo muito dependente? Com 5 anos, o meu segundo filho arrastava-se invariavelmente para a nossa cama a meio da noite. Seria normal? O meu terceiro filho até aos 18 meses só queria andar ao colo. Recusava-se a caminhar. Estaria tudo bem? E o bebé começou a falar muito mais tarde que as outras crianças. Será que o tínhamos mimado demais, que lhe tínhamos dado tudo antes sequer que ele nos pedisse?

Eu só gostava de saber na altura o que sei hoje: que os meus filhos se iriam desenvolver bem. Que iriam crescer e tornar-se em adultos responsáveis. Não quero falar antes de tempo, porque ainda não são todos adultos. Só um é que já saiu de casa, e o “bebé” tem 12 anos.

Mas correu tudo bem. E eu não atribuo tudo ao tipo de pais que fomos, porque acredito que grande parte da personalidade deles é de nascença, mas acredito que tê-los criado com tanto amor e tanto a apego teve um profundo efeito positivo nos meus filhos.

Da minha experiência, estes são alguns dos resultados a longo prazo da parentalidade com apego:

Miúdos criados com apego são gentis.
Os meus filhos não são perfeitos, mas são genuinamente gentis uns com os outros, connosco, e com miúdos que têm problemas na escola. Estes miúdos crescem a acreditar na gentileza alheia. Quando choram, alguém gentilmente lhes dá atenção. A disciplina é gentil. O resultado de serem gentis para as pessoas é que, geralmente, lhes respondem mesma forma.

Miúdos criados com apego são independentes.
Uma das críticas da parentalidade com apego é que cria crianças dependentes. Esta constatação não podia estar mais longe da verdade. Eles não eram independentes aos três ou quatro anos de idade, ou mesmo até aos seis ou sete anos (e ainda bem). Mas na pré-adolescência e depois disso os meus filhos e outras crianças que conheço que foram criadas pelos mesmos princípios, tornaram-se completamente confiantes e autónomos. Eu acredito que a segurança profunda que é transmitida na parentalidade com apego promove a independência.

Miúdos criados com apego são afectuosos. Já há muito tempo que não ouvimos aqueles passos de criança no corredor à noite em direcção à nossa cama (sim, cada um dorme na sua cama hoje em dia). Mas os meus filhos gostam de se aconchegar. A minha filha de 12 anos gosta de estar aninhada connosco quando vemos um filme juntos. As minhas filhas adolescentes riem-se juntas e abraçam-se com frequência quando estão a ver alguma coisa no computador. Os meus filhos raramente entram ou saem de casa sem esperarem um abraço. Os miúdos criados com apego sentem-se confortáveis a demonstrar afecto mesmo quando é suposto serem “fixes”!

Miúdos criados com apego são apegados – num nível saudável. Apesar de todas as advertências sobre os pais não serem amigos dos filhos, nós somos. Isso não significa que não sejamos responsáveis ou que os tratemos como se fossem adultos. Mas nós gostamos genuinamente de passar tempo com eles e vice-versa. Já reparei que se passa o mesmo com outras famílias apegadas. Há uma facilidade e ligação na relação pai/filhos que contraria o estigma da adolescência difícil.

Miúdos criados com apego têm ligações fortes com os irmãos. Os meus filhos lutam. Os filhos das ouras pessoas também lutam. Mas para lá disso, existe um amor duradouro e persistente que supera tudo, provavelmente derivado da criação de um vínculo familiar forte.

Miúdos criados com apego são miúdos felizes. Todas as crianças que conheço criadas com apego, incluindo os meus filhos, são crianças felizes. Viveram uma infância e primeira infância literalmente nos braços das pessoas mais importantes da sua vida, os pais. Foram inundados de amor e carinho. Atenção, afeto e a segurança de terem pais presentes são tão importantes como uma necessidade básica nas crianças. Uma criança criada com apego é bem nutrida de amor. O resultado é uma criança saudável e feliz.

Para nós, a criação com apego é o único caminho para a parentalidade. Os meus filhos estão longe de ser perfeitos. E eu fiz mais do que a minha conta de erros como mãe. Mas eu gosto das pessoas em que se tornaram. Gosto da sua essência.

Não sou, nem pretendo ser, uma especialista de parentalidade. Mas quando era uma mãe inexperiente não foram especialistas que me deram respostas às minhas dúvidas e preocupações. Foram outras mães – mães que me contaram como tinham feito, o que tinha resultado com elas.

A parentalidade com apego resultou connosco e com os nossos filhos. Por isso, se estás a ter dúvidas, relaxa. A parentalidade com apego por vezes é muito exigente, mas o tempo é curto e passa a voar, por isso aproveita. Estás a criar momentos inesquecíveis e miúdos incríveis.

Por Laura Hanby Hudgens para Huffingtonpost

Crianças, pais e cama própria é um assunto tantas vezes abordado, mas sempre com questões intermináveis para os pais. Há mesmo quem afirme que os seus filhos não são capazes de dormir / adormecer sozinhos “eu sei que outros conseguem, mas o(a) meu (minha) não dá… já tentei e não funciona.”.

Todas as crianças conseguem adormecer sozinhas! Precisam de treino, de ser ensinadas – umas demoram mais tempo; outras demoram menos, mas todas são capazes. Muitas das vezes a dificuldade está nos pais. É aos pais a quem mais custa deixar os seus filhos sozinhos no quarto até adormecerem ou mesmo a dormir sozinhos. Quer por pensarem que os filhos podem não estar bem, sem companhia; quer por os próprios pais (entenda-se os dois ou só a mãe ou só o pai) não quererem estar sem a companhia da criança.

A questão principal deve centrar-se em “é importante a criança ter o seu próprio quarto / cama para dormir?”; “é importante a criança adormecer sozinha ou posso fazer-lhe companhia até adormecer?”.

As respostas: As crianças devem ter o seu próprio quarto, cama própria e adormecer sozinhas. É importante e saudável que assim seja. Naturalmente que poderão reclamar a presença dos pais; reagir por não quererem estar sozinhas; chorar, chamar… Os pais devem ir, apoiar, mostrar que estão presentes e atentos, mas voltar a sair até que a criança consiga adaptar-se ao seu quarto e ao facto de adormecer sem companhia. Os pais devem “aguentar” este choro / chamamento / reclamação sem cederem a passa-los para a cama dos pais ou a ficarem junto da criança até que esta adormeça.

O “contacto” com os seus medos, com o desconforto que poderá provocar a noite e o estar sozinha, proporciona à criança a possibilidade de poder confrontar-se com isso mesmo, aprendendo a geri-los interiormente e ultrapassá-los. Esta conquista favorece a sua autonomia emocional, o que é de extrema relevância no desenvolvimento emocional infantil. Isto proporciona à criança perceber que é capaz; que consegue transpor barreiras (neste caso as do medo, por exemplo) e a sentir-se segura, sem precisar para tal da presença constante do adulto. Isto é, neste confronto entre os seus receios, o estar sozinha num espaço e perceber que a presença do adulto é uma certeza – ainda que sem contacto visual – a criança cresce de forma mais autónoma e, portanto, necessariamente mais saudável. Este poderá ser entendido como um dos caminhos pelo qual os pais dão aos seus filhos ferramentas para se alicerçarem numa confiança e segurança evolutivas que vem de dentro, ao invés de crescerem a pensar que precisam sempre de um apoio; de uma bengala exterior (os pais, por exemplo), tal como acontecia quando nasceram.