Cerca de 1 em cada 100 bebés nasce com uma anomalia cardíaca congénita

INVESTIGADORES ESTUDAM EFICÁCIA DA ADMINISTRAÇÃO DE CÉLULAS ESTAMINAIS A CRIANÇAS COM CARDIOPATIA CONGÉNITA

Está a decorrer nos EUA um ensaio clínico que pretende determinar se a utilização de células estaminais do sangue do cordão umbilical poderá ser útil no tratamento da síndrome da hipoplasia do coração esquerdo. O procedimento envolve a criopreservação das células estaminais do sangue do cordão umbilical da criança, recolhidas à nascença, para posterior aplicação direta no músculo cardíaco.

O atual tratamento desta patologia envolve três cirurgias efetuadas durantes os primeiros 3 anos de vida da criança. A primeira cirurgia é realizada logo nos primeiros dias de vida, a segunda após 6 meses e a terceira aos 3 anos de idade. Contudo, estas crianças apresentam, mesmo assim, uma grande probabilidade de virem a sofrer de insuficiência cardíaca e de necessitarem de um transplante de coração ainda antes de atingirem a idade adulta.

“A hipótese que sustenta esta nova abordagem é simples: as células estaminais poderão estimular a formação de novas fibras musculares cardíacas, de forma a fortalecer o ventrículo direito, para que este consiga bombear mais sangue. Desta forma, talvez seja possível adiar, ou até prevenir, a insuficiência cardíaca que se observa a partir da adolescência nestes doentes e que os coloca em risco para transplante cardíaco” refere Bruna Moreia, Investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal.

O consórcio responsável por este estudo inovador é composto por quatro centros hospitalares dos EUA que acompanham crianças com esta cardiopatia. No âmbito deste ensaio clínico, os investigadores responsáveis planeiam administrar células estaminais de sangue do cordão umbilical autólogo, ou seja, do próprio doente, a 20 crianças com síndrome de hipoplasia do coração esquerdo. Todas as crianças incluídas no estudo serão seguidas durante um longo período, para que os médicos possam avaliar se o tratamento consegue efetivamente fortalecer o seu coração.

A síndrome da hipoplasia do coração esquerdo é uma cardiopatia congénita muito rara, em que o lado esquerdo do coração se encontra severamente subdesenvolvido. Caso não seja corrigido através da cirurgia, este problema é fatal, pois o coração não consegue bombear sangue de forma eficaz. Atualmente, cerca de um em cada 100 bebés nasce com uma anomalia cardíaca congénita, embora, em muitos casos, seja já possível diagnosticar cardiopatias congénitas antes do nascimento e preparar o plano de tratamentos e acompanhamento indispensáveis para melhorar a esperança de vida destas crianças.

Artigo enviado por Crioestaminal

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Resultados recentes de um ensaio clínico em pacientes com Doença de Crohn, revelaram que a infusão de células estaminais mesenquimais do cordão umbilical (UC-MSC) permitiu uma diminuição significativa nos índices de atividade da doença. Neste ensaio, foram incluídos 82 adultos com Doença de Crohn moderada a severa, divididos em dois grupos: o grupo de tratamento, que recebeu medicação de manutenção com corticosteroides e quatro infusões de UC-MSC (uma por semana); e o grupo controlo, que recebeu apenas tratamento de manutenção. Todos os doentes foram submetidos a colonoscopia antes do tratamento e um ano após o mesmo. Os doentes foram avaliados 3, 6, 9 e 12 meses após o tratamento.

Os resultados mostraram, logo a partir dos três meses pós-infusão, uma diminuição significativa nos índices de atividade da doença no grupo UC-MSC, em comparação com o grupo controlo. Estas melhorias mantiveram-se durante todo o período de acompanhamento. Doze meses após o tratamento, o grupo UC-MSC demonstrou também uma redução significativa na dose de corticosteroides utilizada, comparado com o grupo controlo. Os resultados das colonoscopias efetuadas no final do período de acompanhamento mostraram uma recuperação notável da mucosa intestinal nos doentes tratados com UC-MSC. Adicionalmente, seis doentes com fístulas anais evidenciaram marcadas melhorias. O tratamento com UC-MSC foi considerado seguro, sem ocorrência de efeitos adversos graves. Os autores denotam que, apesar das evidentes melhorias, nenhum dos doentes atingiu a remissão completa e, aos 12 meses, a maior parte dos doentes estava ainda sob corticoterapia.

Estes resultados indicam que a terapia com UC-MSC é capaz de atenuar a disfunção imune em doentes com Doença de Crohn, embora com eficácia moderada. Estudos com maior dimensão e um tempo de acompanhamento mais longo são indispensáveis para uma melhor compreensão do impacto da terapia com UC-MSC no tratamento desta doença.

“Vários ensaios clínicos com células estaminais mesenquimais têm obtido resultados promissores no tratamento da Doença de Crohn e Colite Ulcerosa, tirando partido da sua capacidade para modular a resposta imune e suprimir a inflamação. As células estaminais mesenquimais podem ser isoladas a partir de medula óssea, tecido adiposo e tecido do cordão umbilical, entre outros. A acessibilidade e facilidade de isolamento de quantidades apreciáveis de células estaminais mesenquimais a partir de tecido do cordão umbilical torna-o uma fonte muito atrativa para o desenvolvimento de terapias celulares”, explica Bruna Moreira, Investigadora no Departamento de I&D da Crioestaminal.

A Doença de Crohn é uma doença inflamatória crónica, que pode afetar qualquer parte do tubo digestivo e causar sintomas como dor abdominal, diarreia e oclusão intestinal. Não existe cura para esta doença e o seu tratamento passa pela indução de remissão (períodos em que a doença não está ativa) e minimização dos sintomas. Neste sentido, estão a ser investigadas novas abordagens terapêuticas para o tratamento da Doença de Crohn. Embora não se conheçam ainda as suas causas, pensa-se que possa estar associada a processos inflamatórios e autoimunidade.

Sobre as Células Estaminais

As Células Estaminais Mesenquimais encontradas no tecido do cordão umbilical podem diferenciar-se em cartilagem, osso e músculo, entre outros tecidos. A par disso, estas células são consideradas valiosas por terem a capacidade de atenuar a resposta imune, estando a ser testadas no tratamento de doenças autoimunes e de complicações dos transplantes hematopoiéticos alogénicos, ou seja, aqueles em que o dador e o recetor não são a mesma pessoa.

Por Crioestaminal

Fundada em 2003, foi o primeiro banco de criopreservação em Portugal, sendo o maior da Península Ibérica e o quarto a nível europeu. Sediada no Biocant – o maior parque de Biotecnologia português, emprega mais de 80 colaboradores e tem presença em quatro países da Europa (Portugal, Espanha, Itália e Suíça). É o único banco ibérico acreditado pela AABB (American Association of Blood Banks), sendo um dos mais influentes e inovadores bancos de células estaminais do cordão umbilical do mundo. Tem mais de 100 mil amostras recolhidas e criopreservadas desde a sua fundação, sendo o player em Portugal com o maior número de amostras resgatadas e transplantes realizados, com 15 utilizações em 10 crianças. Promove um trabalho de referência na terapêutica com células estaminais, com quatro patentes internacionais registadas e vários projetos de investigação em curso. Investe, anualmente, cerca de 10% do seu volume de negócios em Investigação & Desenvolvimento.