Qual a abordagem preferida dos Pais?
Teoricamente é a prevenção e na prática é o tratamento.
Mitos e falta de informação levam pais e profissionais a protelar a saúde das crianças.
Se um problema existe deve ser tratado. Ao aguardar, esperar ou ir avaliando, o problema passa de ligeiro a grave.
Nos dias de hoje, com os hábitos alimentares e respiratórios das crianças, uma pequena alteração à normalidade pode ser diagnosticada e tratada e nesta abordagem preventiva chegamos a um equilíbrio da saúde sem trauma, custos económicos elevados e principalmente sem uma abordagem tão invasiva.

Na Odontopediatria, especialidade que trata da saúde oral das crianças a partir do nascimento, tanto se pode prevenir a cárie como a má-oclusão.
Sendo a cárie altamente divulgada, a sua prevenção e diagnóstico estão ainda subvalorizadas. A prevenção é essencial, a higiene e a avaliação do risco de cárie têm de ser feitas desde a erupção do 1º dente.
Os hábitos alimentares são fundamentais e a higiene adequada faz toda a diferença.
Os tratamentos primários são a abordagem mais recente e eficaz evitando tratamentos invasivos, permitindo nos primeiros anos de vida minimizar os efeitos das bactérias cariogénicas. Estes tratamentos são abordagens, que quando atempadamente, evitam as restaurações.desconhecido_6Quanto às más-oclusões referimo-nos a dentes tortos, falta de espaço, mordidas cruzadas, palatos profundos. Nestas situações podemos dividir 3 fases de prevenção: nobre ou primária, a secundária e o tratamento.
Podemos criar e cuidar dos hábitos alimentares e respiratórios do bebé para que cresça equilibradamente e então chamamos prevenção nobre pois nunca deixaremos o problema instalar-se.
Na prevenção secundária controlamos os hábitos do bebé para que nunca agrave o problema.
Sabendo que se até aos 6 anos de idade o crescimento for o ideal e equilibrado, não existirá necessidade de aparelhos pois a base craniana termina o seu crescimento nessa idade.

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Em Portugal, poucos são os Clínicos e os Pais que aceitam e desejam tratar crianças antes dos 6 anos. Aliás ainda se vive no mito que os tratamentos só são possíveis após os dentes definitivos.

Se abordarmos o problema na sua forma inicial percebemos que o potencial de crescimento será tanto maior quanto mais cedo a abordagem.
Se o problema existe vai deixar agravar porquê?
Corrigir 2 mm na arcada dentária não será igual a corrigir 2 cm…
Se o problema era ortopédico pode passar para ortodôntico e muitas vezes para cirúrgico…
E se espera 6 anos para tratar (dos 6 aos 12 anos de idade) não poderá esperar 1 ano para corrigir 9 anos de discrepância. Sim porque até aos 3 anos de idade as más-oclusões estão instaladas.
Criar hábitos saudáveis de mastigação e respiração são fundamentais para a postura da coluna cervical da criança, pois quando a respiração está alterada muda a rotação do crânio e consequentemente a relação dos maxilares. Se a boca passar a ser a principal entrada de ar (respirador oral) o palato irá estreitar, as adenóides crescer, as roncopatias tendem a aparecer, a oxigenação do cérebro diminui diminuindo a concentração e aumentando a fadiga e hiperactividade, aumenta a predisposição a cáries e o plano de tratamento destas crianças passa pela adenoidectomia (otorrinolaringologista) e aparelho fixo (Ortodontia).

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Citando a sabedoria popular podemos dizer que pau que nasce torto tarde ou nunca se endireita. Como sabemos que os bebés nascem direitos resta perceber como não os ‘entortar’.

Simplificando:

  • Bons hábitos proporcionam o equilíbrio
  • Cuidados primários mantêm a saúde
  • Alimentação e respiração são as chaves da boa evolução
  • Quanto mais cedo for o diagnóstico e a abordagem, melhor será o prognóstico.

imagemcapa@portosorriso.com

O melhor amigo das cáries

Amigo, Amigo é o açúcar.

As formas como estão apresentados chegam a ser maquiavélicos tudo pela lei do marketing e das vendas.

Vejamos: gomas, todas as pessoas sabem mas, e as pastilhas? Tantas crianças consomem e poucos são os que lêem a informação sobre a quantidade/tipo de açúcar existente.
Hoje em dia há pastilhas com Xilitol e existem estudos que demonstram a redução das bactérias cariogénicas (que provocam cáries) após o consumo de Xilitol.

Já pensaram nos cereais de pequeno-almoço infantis?
Hora da experiência! Coloque um na boca, seco e mastigue bem (sim porque é doce as crianças mastigam-no bem). Agora escove os dentes. Esfregue. Passe o fio dentário. E por fim observe. Tem a certeza q tirou tudo? Há fissuras, ranhuras, áreas que não terá acesso e o açúcar por lá ficará.
O açúcar no dente torna-se ácido, corrói a estrutura dentária, ao existirem bactérias cariogénicas inicia-se uma cavidade/cárie.

Cárie dentária nas fissuras do dente molar
Cárie dentária inicial nas faces dos dentes posteriores (lesão branca)

 

A dentição de leite é suposto ter espaços, chamados espaços primatas. Esses espaços serão ocupados pelos dentes definitivos (que serão sempre maiores que os de leite). Se não existem esses espaços o mais provável será a falta de espaço para a erupção dos dentes definitivos que consequentemente nascerão “tortos”.

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Dentes lindos e certinhos


Com tratamentos adequados pode estimular o crescimento da boca do seu filho. Pode também evitar hábitos que prejudiquem esta atrofia dos maxilares, como a utilização de biberãos, devido à facilidade com que debitam o leite.

A Amamentação provoca o crescimento ideal dos maxilares devido aos movimentos de sucção.
Manter o nariz limpo e bem assoado e estimular a mastigação de todo o tipo de alimentos assim como estimular a mastigação bilateral (direita e esquerda alternada) e de boca fechada promove um crescimento harmonioso e correcto da face e das arcadas dentárias.

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Dispositivos de fita dentária

Escondidos entre dentes também poderão ficar alimentos… pelo que é fundamental na higiene diária o uso de fita dentária (há com aplicador para facilitar a utilização).


Anti-inflamatórios, febres altas e abcessos em dentes de leite

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Gráfico com cronologia do crescimento dentário ao longo da vida da criança. Apresentando lesão de dentes definitivos por queda (1 ano de idade). Neste tipo de lesão reconhece-se que as raízes do dente de leite provocaram uma lesão permanente nas coroas dos dentes definitivos.

A utilização frequente de anti-inflamatórios (como Ibuprofeno), desnecessária ou abusiva, altera o ciclo de formação do dente definitivo causando lesões irreversíveis que só serão visíveis 3/4 anos mais tarde aquando do nascimento dos dentes definitivos. Essas alterações poderão ser desde pequenas manchas a alterações de forma no dente definitivo.
Há também alterações dentárias associadas a febres altas ou infecções crónicas no organismo (desde infecções urinárias a abcessos dentários).

Os dentes definitivos iniciam a sua formação, “dentro dos maxilares” no 1º ano de vida do bebé, e ao longo dos anos, lentamente vão-se formando. Quando a coroa está formada inicia-se a reabsorção fisiológica da raiz do dente de leite que assim cairá e dará lugar ao dente definitivo que ainda não terminou o seu desenvolvimento.

Quando o bebé/criança sofre um traumatismo/abcesso ou pico de febre até aos 3 anos de idade (assinalado a roxo, no gráfico) os Pais devem estar alertados para as possíveis consequências nos dentes definitivos anteriores. Assim como abcessos recorrentes nos molares de leite podem deteriorar os pré-molares que só nascerão após os 10 anos de idade.

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A cronologia de erupção dos dentes não deve ser ignorada. Os dentes de leite são 20 e os dentes definitivos são 32. Por volta dos 6 anos de idade, quando se inicia a transição dos dentes nascem 4 dentes (molares) onde não existia nenhum dente. Nesta altura pode existir desconforto e deve ser um adulto a escovar os últimos dentes, devido a dificuldade de acesso e à sensibilidade na gengiva. Entra-se depois numa fase de “paragem” e por volta dos 9 anos a nova fase contempla 12 dentes, caninos e molares de leite que serão substituídos por pré-molares.


O flúor engolido em excesso provoca lesões dos dentes definitivos que vão de pequenas manchas a alterações graves do dente. Por isso a pasta de dentes não deve nunca estar ao alcance das crianças.

imagemcapa@GettyImages

 

Bebés no Dentista

Exagero? Não. Precaução!

Estima-se que, em Portugal, 20% das crianças até aos 3 anos têm cáries, 48% das crianças com 6 anos têm cáries. As Cáries iniciais são facilmente tratáveis sem os meios mecânicos convencionais e irão melhorar a saúde oral do bebé. Sendo o dente de leite tão pequeno e o esmalte ainda imaturo é bem mais fácil as bactérias destruírem o dente.

Cáries
Cáries dentárias precoces, antes dos 3 anos de idade, também chamadas cáries de biberão, por serem originadas pela estagnação do leite sobre os dentes durante longos períodos (normalmente durante a noite).
As Mães/Pais sabem que se deve escovar os dentes mas se ninguém lhes ensinar a técnica não o saberão fazer.
Os bebés não vêm com livro de instruções!

A consulta do bebé é muitas vezes incluída na consulta pós-parto da Mãe e que irá condicionar o resto da vida dos dois. Aconselhada no 1º ano de vida, esta consulta é obrigatória em alguns países.

Se a Mãe não sabe o que pode e deve encontrar na boca do seu bebé como pode ajudá-lo?
Cáries
Lesão de cárie inicial. Considerada por muitos defeito de esmalte pode ser facilmente tratada e não crescer mais. Para uma boa escovagem em bebés bastam 15 segundos eficazes. Levante o lábio superior e escove os dentes.

Vantagens de ir à consulta do bebé, ou seja consulta dentária antes dos 3 anos de idade:

  • Nesta 1ª consulta a Mãe/Pai vai aprender Higiene, Postura, rotinas, dieta/alimentação, hábitos (chucha) e o que deve esperar do seu bebé.
  • O Médico Dentista irá avaliar a saúde oral do bebé (gengiva, freios, alimentação e hábitos).
  • Todas as dúvidas serão resolvidas e quando se iniciarem as evoluções na boca do bebé, a Mãe sentir-se-á mais segura e qualquer alteração é identificada mais precocemente.
  • Mantendo as visitas regulares à Clínica a criança não irá estranhar ou questionar quando for necessário uma abordagem mais invasiva por ser um ambiente conhecido.
  • Esta consulta normalmente de “conversa” irá prevenir cáries, má posição dentária e promover o crescimento equilibrado dos ossos da face.
O que podemos passar aos nossos bebés e que não queremos?

Além da predisposição genética para certas doenças existem hábitos ou bactérias que podemos evitar transmitir. Sim, claro, todas sabemos que a higiene é fundamental mas no dia-a-dia há “coisas” que nos escapam.

Não sendo este o artigo mais “educado” vou perguntar…

  • Lava as mãos com sabonete após a ida à casa-de-banho? 

Pois é… A Candidiase é frequente na mulher e provoca os “sapinhos” no bebé. Informe quem cuida do seu bebé. Os bebés têm a saliva muito imatura, sem defesas e esta contaminação irá incomodar o bebé, com dor e dificuldade na alimentação.

  • Tem cáries na sua boca?

Saiba que ao beijar o seu bebé (na boca) ou provando da mesma colher ou pondo a chucha na sua (adulto) boca está a contaminar, com as bactérias que provocam cárie, a boca do seu bebé.

  • O leite, até o Materno, pode provocar cáries e por isso o bebé deve escovar os dentes após as refeições. Por ser hábito adormecer a comer ou até comer durante a noite o risco de cáries aumenta. Deve ter cuidados extra como retirar as refeições durante a noite, dar água após o leite, passar um toalhete/algodão sobre os dentes da frente (basta levantar o lábio superior), todas as tentativas são válidas…
  • As bactérias responsáveis por alguns tipos de otites ou infecções respiratórias foram encontradas em dentes cariados, podendo assim estabelecer-se uma relação.
TOP 5 do que fazer ao seu bebé:
  1. Massajar as gengivas antes de nascer o 1º dente; quando nascer já saberá e o bebé já está habituado à higiene oral
  2. Quando nascer o 1º dente cuidado com a alimentação nocturna; se puder acabe com ela
  3. Chucha só para dormir. Não serve para passear!
  4. Estimule correctamente os músculos da face do seu bebé
  5. Infeções cruzadas nem pensar; ex: troca de talheres entre pais e filhos.
De todos os mitos existentes o mais prejudicial é o de iniciar a escovagem tardiamente. É bem mais fácil iniciar antes do nascimento do 1º dente. Os bebés sentem-se seguros com as suas Mães e deixam-na mexer na boca. Se a Mãe o fizer diariamente, por rotina, quando o primeiro dente nascer a Mãe notará os benefícios: o bebé ficará mais confortável porque a Mãe massaja, por outro lado, a Mãe não leva uma trincadela e o dente terá a higiene adequada desde o início.
A remoção da placa bacteriana, por si só, é o melhor que pode fazer ao seu filho, seja de que forma for, com compressa humedecida ou com escova ou dedeira, mesmo sem pasta.

Porque a placa bacteriana é a principal causa da cárie dentária, e a única forma de a eliminar é a escovagem, aconselho desde a erupção do 1º dente a higiene diária.

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1. Existência de placa bacteriana nos 2 incisivos inferiores junto da gengiva

Para a formação de Placa Bacteriana basta alimentarmo-nos.
Outro mito existente é que o leite materno não provoca cáries. Todos os alimentos podem provocar cáries. Existem hábitos como a alimentação nocturna que agravam a predisposição à cárie.
Nestes casos, o uso de chucha pode retardar o início da cárie. Se o bebé chuchar activamente, produz saliva e remove os restos de leite que ficariam parados junto aos dentes a desmineralizá-los.

Estas cáries muito frequentes, antes dos 3 anos de idade, chamam-se cáries precoces/cáries de biberão e devem ser tratadas ou “estagnadas”.

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2. Cárie precoce nos incisivos centrais junto à gengiva e dentes incisivos laterais com grande desmineralização (manchas branco-leitoso)

Existem formas de fortalecer os dentes, que não evitam a Placa Bacteriana, são eles uma dieta saudável e o Flúor na pasta dentífrica.

O Flúor é tóxico quando engolido. As crianças até aos 6 anos não têm a deglutição plenamente desenvolvida e engolem sempre parte da pasta. A Pasta deve por isso ser considerada um medicamento e estar fora do alcance das crianças, até porque devido aos sabores são altamente apetecíveis. Os perigos do Flúor, desconhecidos pela maioria das pessoas, incluem manchas irreversíveis nos dentes definitivos e gastroenterites que podem levar à morte. Não querendo ser alarmista (mas parecendo) digo que uma criança de 1 ano que engula uma bisnaga de pasta com alta concentração de flúor umas destas situações acontecerá certamente.

Existem pastas sem flúor (em Portugal, até à data existe 1 no mercado, muito utilizadas nos EUA), com baixo flúor (1 marca, refere dos 2-6anos, com 250ppm Fluor), outras há com cerca de 450ppm e as restantes têm cerca de 1000ppm Flúor, as pastas de adulto têm entre 1000 e 1500 ppm de ião Flúor.

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3. Os dentes definitivos iniciam a sua formação antes do 1º ano de vida, manchas brancas por elevada ingestão de flúor até aos 3 anos de idade.

COMO PROTEGER O SEU FILHO

  • escove sempre muito bem todos os dentes
  • evite a alimentação nocturna (biberão ou amamentação)
  • não promova a infecção cruzada: provar a comida do bebé com o mesmo talher ou beijar na boca
  • não adicione açúcares extra aos alimentos
  • nada de petiscar entre refeições (bolachas, guloseimas)dê muita água (a saliva é um dos protectores dos dentes)
  • utilize a pasta dentífrica adequada ao seu filho.

Dra. Rita Sousa Tavarespara Up To Kids®