O meu filho mordeu o amigo!

Chegar à creche e ouvir a educadora dizer que o filho foi mordido ou mordeu um amigo é algo constrangedor que deixa qualquer pai/mãe assustado e sem compreender muito bem o que se está a passar, ou como lidar com a situação.

É importante perceber que este tipo de comportamento é considerado absolutamente normal até cerca dos 2/3 anos, no sentido em que a criança ainda explora o meio ambiente com a boca, desaparecendo à medida que a criança vai amadurecendo.

Por outro lado, morder, bater, ou puxar os cabelos são formas que a criança utiliza para comunicar. Tendo em conta que nesta fase a aquisição da fala ainda está em progresso, a interação com os demais será mais física e, nesse sentido, a mordidela pode ser um dos meios utilizados pela criança para revelar o que está a sentir ou, simplesmente, para chamar à atenção.

“Vou-te morder o pé!”

As mordidelas ou os comportamentos agressivos nem sempre são uma demonstração de emoções negativas. Quantas vezes os pais durante o banho ou no ato de trocar a fralda brincam com os seus bebés e dizem: “Vou comer o teu pé… ou a tua bochecha”? Então para os bebés/crianças a mordidela meiga que os pais deram durante um momento carinhoso e divertido, pode tornar-se uma forma de exprimir um sentimento divertido e de boa disposição, logo, durante uma brincadeira com os amigos poderá também morder sem a intenção de magoar.

Noutras situações, o mesmo comportamento pode ter o objetivo concreto de conseguir o brinquedo que o amigo tem, o que normalmente funciona, porque a criança que é vítima sente dor e larga de imediato o brinquedo. Nestas situações o papel do adulto não deve ser de repreensão, explicando que a atitude não é correta porque magoa o outro. Se não houver uma intervenção nesse sentido a criança vai continuar a utilizar o seu método que parece ser eficaz e prova o seu poder perante o outro, ou seja, a criança vai utilizando a mordidela ou outro comportamento agressivo e vai avaliando as consequências do mesmo. Se ele conseguir os seus objetivos e não for repreendido, continuará a repetir o mesmo.

Regras e limites

Nesta fase do desenvolvimento, as regras e os limites são de extrema importância, muitas vezes os pais pensam que os seus filhos são demasiado novos para compreender o NÃO, mas pelo contrário, esta é a altura em que o “Não” é essencial e ajuda a crescer emocionalmente saudável. O adulto deve explicar que existem outros meios para expressar o que pretendem e que atitudes agressivas não devem ser utilizadas como meio para alcançarem os seus objetivos. Se pretende um brinquedo que o amigo tem, terá que pedi-lo emprestado, ou se pretende dizer alguma coisa ao adulto, tem que saber esperar pelo momento em que ele esteja disponível para falar e que não adianta beliscar ou bater para ter a atenção no imediato. Se perceber que assim resulta irá continuar a utilizar comportamentos desadequados para chamar a atenção.

Normalmente estes comportamentos são passageiros e deixam de ser utilizados quando lhes é explicado que a ação não está correta. No entanto, em alguns casos estas atitudes podem ser reflexo de um problema de ordem emocional e, se forem recorrentes e prolongadas no tempo, poderão estar associadas à expressão de sentimentos de rejeição ou a ansiedade. Para que se possa entender a causa poderá ser necessário a ajuda de um psicólogo que intervenha de forma a ajudar a criança e os seus pais.

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Quando tomamos a decisão de ser pais não nos passa pela cabeça que o nosso filho possa ser uma criança daquelas que chega ao jardim-de-infância e bate em todos os colegas.

Educar crianças não é uma tarefa fácil. Com a agravante que não existem receitas únicas e totalmente eficazes, mas a atitude parental é importantíssima no desenvolvimento da personalidade e dos comportamentos, nomeadamente, na agressividade.

As crianças em idade pré-escolar têm ainda alguma dificuldade em dominar as suas emoções e quando são contrariadas não têm maturidade emocional para se controlarem, acabando por ser agressivas, por exemplo, quando querem o mesmo brinquedo que o seu amigo. Aos poucos a sua capacidade de suportar frustrações vai aumentando e, consecutivamente, diminuem as respostas agressivas.

As crianças e os comportamentos agressivos

Quando esses comportamentos agressivos vão acompanhando o crescimento da criança, a situação deve ser analisada para tentar perceber a sua causa. A agressividade é, sobretudo, uma forma de comunicação. Ainda que não seja a mais correta, por vezes é a única que as crianças conseguem utilizar para mostrar a sua angústia, tristeza ou ansiedade.

Para que o seu filho cresça emocionalmente saudável, tem de sentir-se amado e valorizado pelos pais, que devem combinar a afetividade com o rigor. Não basta “dar mimo”, é de extrema importância que sejam interiorizadas as regras transmitidas pelos pais, que devem estar em sintonia, tanto na forma como as comunicam, como no seu conteúdo. Não é positivo quando o pai diz uma coisa que a mãe não concorda, que esta aja de forma contrária, em particular na ausência deste, ou vice-versa. Ou seja, os pais devem ensinar pelo exemplo e devem, também eles, cumprir os limites estabelecidos.

Se pretende que o seu filho não seja agressivo, então não o ignore. Ele precisa da sua atenção e do seu carinho e isso passa por:

  • não o humilhe; repreender é diferente de humilhar. As crianças ficam mais recetivas e entendem mais facilmente se explicar o que esteve certo e errado;
  • não grite, fale com calma; eles aprendem pelo exemplo e se os pais gritam porque não poderão eles gritar?

Por ultimo, as chamadas de atenção e os castigos são importantes quando eles agem de forma incorreta, mas as atitudes positivas devem ser as mais valorizadas, para que eles percebam que ação gera reação e que os seus comportamentos têm consequências, mais ou menos boas.

 

 

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