Quando somos crianças há frases que não suportamos ouvir.

Frases que já ouvimos tantas vezes que nos provocam aquele arrepio da espinha, em forma de “acabou a conversa”. São lugares comuns a que nós já nos habituamos e não surtem qualquer efeito a nível do nosso comportamento ou desempenho futuro. Uma espécie de “enche chouriços” de diálogos perdidos entre pais e filhos.

Frases que nos cansamos de ouvir, e que sabemos e juramos que nunca iremos dizer aos nossos filhos.

Até que nos tornamos pais. E sem percebermos porquê, ou que raio de circuito interno é que nos faz isto, mas quando damos por nós, abrimos a boca e sai um dos nossos pais (às vezes até os dois e em coro!)

E nesse momento apercebemo-nos que nos tornámos oficialmente nos nossos pais!

Estas são 12 das frases que jurei nunca dizer aos meus filhos. E vocês?

1. Eu também não gosto de muita coisa e tenho de aguentar…

Esta é uma frase clássica de resposta aos filhos e que funciona com desabafo silencioso de insatisfação pessoal. É aplicada em diversas situações – uma espécie do “Temos pena” da atualidade.-“Mãe, não goto das batatas” –Eu também não gosto de muita coisa e tenho de aguentar… (enquanto como os restos dos pratos, porque não me posso dar ao luxo de deitar comida fora)
-“Mãe, não gosto da professora.” –Eu também não gosto de muita coisa e tenho de aguentar…( o meu emprego, o meu patrão, o colega que come cebola frita a meio da manhã, porque não me posso dar ao luxo de ficar desempregada)

2. Não vou dizer outra vez!

Esta funciona apenas de reforço. Dizemos sempre mais uma vez, e normalmente logo de seguida:
“Jantar!! Vamos jantaaaaar!!! Não vou dizer outra vez; “todos para a mesa imediatamente! … Lavar as mãos e jantar!”

3. Queres vir por uma orelha?

Normalmente quando dizemos isto já estamos mesmo com a mão na orelha da criança, que vem naquela posição de cabeça de lado para não doer tanto, e vai andando ao nosso ritmo, sem sequer chegar a haver efectivamente puxão doloroso da dita!

4. Queres que te dê uma razão para chorar a sério?

É o mesmo que “Estás aqui estás a apanhar”. Aplica-se sempre que há birras ou choro fácil. É o remédio santo para as lágrimas de crocodilo. “se queres chorar, choras com vontade” (…e já agora no quarto sff)!

5. Só tenho duas mãos!!

As mães aguentam muita coisa e conseguem desdobrar-se em tarefas, mas há situações que são humanamente impossíveis! O jantar está ao lume e estou a dar banho ao do meio que atrasa com histórias intermináveis sobre o que aconteceu na escola, o mais velho está a fazer os trabalhos da escola e vou espreitando para ver se não se distraiu a brincar, e de repente ouço: “Já fiz cócooooóóóóóó!!!, Já fiz cóc….” Aqui impõe-se:JÁ VOU, SÓ TENHO DUAS MÃOS”

6. O teu mal é sono!

Frase aniquiladora de choro fácil, birras, caprichos e desejos. Quem nunca disse que atire a primeira pedra.

7. Não andes descalça! Tira o cabelo da cara…! Veste o casaco! Não roas as unhas! …blá, blá, blá

Pffff, coisas com que eu NUNCA iria embirrar com os meus filhos…

8. Acabou a conversa / Nem mais um pio!

O cansaço dos pais faz com que muitas vezes já não tenham quaisquer respostas válidas nos universo infantil, para as consecutivas perguntas/respostas das crianças. Os diálogos tornam-se exaustivos e saturantes. E quando os filhos não aceitam as nossas decisões, têm uma capacidade de argumentar horas a fio. Ao que temos de terminar a conversa rapidamente, e já não queremos ouvir sequer mais um “mas”. É aqui que, no desespero, nos sai o “Nem mais um pio!”,… e qual é a criança que resiste a não dizer “Pio” a seguir?

9. Se ele saltar para um poço, também saltas?

Quando os nossos filhos insistem em fazer todas as tontices que os amigos fazem…

10. Com tantas crianças a morrer à fome…

Não funcionava comigo e não funciona com os meus filhos: então porque raio me continua a sair esta frase?

11. Porque sim/não não é resposta”

Details please! Não nos cortem a curiosidade com um porque sim/não. Nós queremos saber o que vos vai na cabeça para podermos ajudar. E um porque sim, não nos adianta nada!

12. Porque sim, ou porque eu digo!

Claro que é resposta. Eu sou a mãe e eu é que mando!

 

Por Up To Kids®, com frases enviadas por várias mães, redigido por Madalena Brandão

Sabes que és uma mãe quando…

Foi perguntado às mãe no wemotherso que significa ser mãe. O que caracteriza este grupo tão heterogéneo, e que faz com que seja tão consistente. Foram milhares as respostas nos comentários. Ficam as melhores.

Sabes que és uma mãe quando fazes mais em sete minutos do que a maioria das pessoas ao longo do dia .

Quando horas felizes são aqueles 60 minutos entre o momento em que os miúdos adormeceram e a hora que vais para a cama

Quando uma noite de bebedeira requer maior recuperação do que uma operação cirúrgica menor.

Sabes que és uma mãe quando um copo de vinho, por vezes, conta como uma peça de fruta.

Quando fazes mini sessões de terapia ao longo do dia com qualquer pessoa que te dê conversa.

Quando ir ao supermercado sozinha é como ir de férias.

Sabes perfeitamente o que é estar no céu e no inferno ao mesmo tempo

Sabes que és uma mãe quando medes a dor física em três níveis, mínima, média e pisar um lego.

Tens a capacidade de ouvir um espirro através de portas fechadas no meio da noite, a dois quartos de distância, mesmo com um ronco tipo caldeira partida ao teu lado.

Preferes ter 40 graus de febre do que ver como qualquer um dos teus filhos sofrem com ela.

Quando preferes dormir do que fazer sexo.

Sabes que és uma mãe quando um banho de 15 minutos com a porta fechada é equivalente a um dia no spa .

Quando fazer xixi em público faz parte da rotina diária.

Quando usas toalhetes para limpar qualquer nódoa e painel de instrumentos.

Trancas-te na casa de banho e finges uma diarreia só para ter um momento de sossego.

Sabes que és uma mãe quando pertences a vários grupos de mães no FB e estás constantemente a dizer que tens de saír de lá.

Quando tens um esconderijo para os teus chocolates, porque na verdade não te apetece partilha-los com ninguém

Quando ficas três dias a lavar a mesma roupa porque te esqueceste de as pôr a secar.

Sabes que és uma mãe quando percebes que estás a ver desenhos animados sozinha, e os teus filhos estão na cama há meia hora.

Quando consegues fazer o jantar, amamentar, falar ao telefone e gritar com as crianças, tudo sem perder o ritmo ou deixar escapar qualquer programa de TV que estás a seguir.

Quando ficas mais entusiasmada com o novo catálogo de roupa infantil, do que com o de adulto.

Sabes que és uma mãe quando decides que vais ficar com o teu carro por mais uma década, porque:
a) não te podes dar ao luxo de mudar
b) Não encontraste um sítio que te saibam limpar manchas de vomitado e leite dos estofos do carro

Sabes que és uma mãe quando no fim do dia, escovar os dentes é uma grande conquista.

 

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És, definitivamente, uma mãe quando…Parte II

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Texto publicado em Huffingtonpost, Traduzido e adapatdo por Up To Kids®

Nota: Todos os textos traduzidos, adaptados e publicados pela Up To Kids® obtiveram a autorização prévia do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

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Uma boa mãe ama os seus filhos

Uma boa mãe amamenta – por seis dias, seis semanas, seis meses, ou seis anos, porque sabe que é o melhor, porque é natural, porque tem apoio, porque pode e consegue, porque é mais fácil, porque na verdade ninguém tem nada a ver com isso.

Uma boa mãe dá suplemento raramente, ou dá de vez em quando ou dá sempre, porque tem que ser, porque não têm apoio à amamentação, porque tem apoio mas não consegue amamentar,  porque é mais fácil, porque a bomba não vai fazer o que é suposto , porque na verdade ninguém tem nada a ver com isso.

Uma boa mãe consome produtos biológicos porque pode, porque quer, porque tem canas de pesca, porque os filhos gostam e vão mesmo comê-los, porque não têm outra opção, ou talvez tenha.

Uma boa mãe trabalha fora de casa porque tem de ser, porque quer, porque gosta, porque quer ensinar aos filhos que a mulher tem um papel activo no mundo do trabalho, porque é a melhor escolha para a sua família.

Uma boa mãe fica em casa com os filhos porque tem de ser, porque quer, porque gosta, porque quer ensinar aos filhos que a maternidade pode ser um trabalho a tempo inteiro sem culpas nem desculpas, porque é a melhor escolha para a sua família.

Uma boa mãe faz bolinhos. Uma boa mãe não faz bolinhos. Uma boa mãe tenta fazer bolinhos e faz discos de hockey no gelo.

Uma boa mãe planta um jardim orgânico, e tem uma casa imaculada. Uma boa mãe planta-se na sala a dobrar meias, e tem pelo menos um desenho rabiscado na parede.

Uma boa mãe nunca grita com os filhos. Uma boa mãe grita com os filhos e de seguida pede desculpas por ter perdido a paciência. Uma boa mãe grita com os filhos e não pede desculpas, porque de vez em quando as crianças precisam de saber que passaram dos limites.

Uma boa mãe sabe quando precisa de descansar, e descansa.  Uma boa mãe sabe quando precisa de descansar mas nem sempre o pode fazer. Uma boa mãe nem sempre se apercebe que precisa de descansar, e depois dá consigo a fazer ou dizer coisas que todas as boas mães fazem e dizem quando estão cansadas demais para pensar e agir em condições.

Uma boa mãe vai a todas as festas da escola. Uma boa mãe às vezes não pode ir às festas da escola. Uma boa mãe tenta compensar quando não vai às festas da escola.

Uma boa mãe toma conta dos seus filhos. Uma boa mãe por vezes não pode tomar conta dos seus filhos. Uma boa mãe pede ajuda. Uma boa mãe, às vezes não tem quem a ajude.

Uma boa mãe, por vezes, escolhe dar um filho, por mais que o seu coração morra para sempre, porque é a única solução que existe.

Uma boa mãe erra. Uma boa mãe ajuda outra mãe quando erra. Uma boa mãe, por vezes, não se lembra de ajudar outra mãe quando a vê errar.

Uma boa mãe perdoa.

Uma boa mãe preocupa-se.

Uma boa mãe tenta ser uma boa mãe.

Uma boa mãe ama os seus filhos.

 

Por Annie Reneau para Scary Mommy, autorizado, traduzido e adaptado por e para Up To Kids®

Querida Mãe:

Eu já te vi por aí.

Eu vi-te a gritar com os teus filhos em público, vi-te a ignorá-los no parque, vi-te a levá-los à escola antes de teres tomado banho, e de calças de pijama por baixo do casaco.

Eu vi-te a implorares aos teus filhos, vi-te a suborná-los, e a ameaça-los.

Eu vi-te a gritar feita louca com o teu marido, com a tua mãe, e com o agente de polícia no cruzamento da escola.

Eu já te vi a correr com os miúdos de um lado para o outro, a sujares-te no parque e a praguejares em voz alta depois de bateres com o joelho na esquina da cadeira.
Eu vi-te a partilhares um leite achocolatado com um maníaco de 4 anos. Vi-te a limpar o nariz dos teus filhos com os dedos e a limpa-los na parte de trás das calças de ganga. Vi-te a correr com o teu bebé de 2 anos pendurado na dobra do teu braço, para apanhares a bola que está a fugir para a estrada.

Eu já te vi a ranger os dentes enquanto o teu filho gritava contigo porque não queria ir à aula de piano, à natação, ou ao treino de futebol. Eu vi-te a fechar os olhos e a respirar fundo depois de entornarem um copo de leite inteiro em cima. Vi-te a chorar desesperada enquanto tentavas tirar lápis de cera da tua melhor mala.

Eu já te vi na sala de espera do hospital. Eu vi-te no balcão da farmácia. Vi-te com o teu olhar cansado e assustado.

Eu não sei se tinhas planeado ser mãe ou não.

Se soubeste desde sempre que querias pôr crianças neste mundo, cuidar deles, ou se a maternidade te apareceu de surpresa.

Não sei se correspondeu às tuas expetativas, ou se passaste os primeiros tempos como mãe aterrorizada porque tinhas imaginado que sentirias o “amor materno” doutra forma.

Não sei se tiveste dificuldade em engravidar, se perdeste algum bebé, ou se tiveste algum parto traumático.

Nem sequer sei, se concebeste o teu filho no teu ventre, ou se o acolheste na tua família.

Mas eu conheço-te.

Eu sei que não alcançaste tudo o que querias na vida. Sei que há coisas que nunca soubeste que querias até teres filhos.

Eu sei que, às vezes, pensas que não estás a dar o teu máximo e que podias fazer melhor.

Eu sei que olhas para os teus filhos e te revês neles.

Eu sei que às vezes apetece-te atirar um candeeiro ao teu filho adolescente, e atirar o de 3 anos pela janela.

Eu sei que há noites que, depois de deitar os miúdos, estás tão exausta que só te apetece enrolares-te na cama a chorar.

Eu sei que há dias tão difíceis que só queres que acabem depressa. Depois, na hora de ir para a cama os teus filhos abraçam-te e enchem-te de beijinhos, e dizem o quanto gostam de ti e de repente querias que o dia durasse para sempre.

Mas nada dura para sempre.

Os dias terminam, e o dia a seguir é um novo desafio. Febres, desgostos amorosos, trabalhos da escola, novos amigos, novos animais de estimação e novas dúvidas. E todos os dias, fazes o que tens de fazer.

Vais trabalhar, ou ficas em casa pões o bebé no sling e ligas o aspirador. Ou vais até ao jardim passear com ele.

Largas tudo para moderar uma discussão sobre de quem é a vez de usar aquelas canetas especiais, para dar um beijinho ao óó da tua filha, ou para conversar sobre qual é a cor do batom que a mãe do Pinóquio usava.

Eu sei que fazes guerras de cocegas em castelos de lençóis, e que sabes de cor as histórias de, pelo menos, 8 livros infantis. Eu sei que danças de forma ridícula quando vocês estão sozinhos. E que inventam canções parvas sobre queijo, maus cheiros, ou ervilhas.

Eu sei que uma hora depois de deitares os teus filhos, largas o que estás a fazer e vais cortar as unhas do mais novo. Sei que paras de arrumar a cozinha, porque a tua filha te convidou para a festa de chá que está a fazer com as bonecas, e faz questão que lá estejas.

Eu sei o que custou tratares dos teus filhos quando tiveste aquela virose de 4 dias. Sei que comes os restos dos pratos deles, enquanto arrumas a cozinha.

Eu sei que não contavas com muitas destas coisas.

Sei que não antecipaste amar alguém tão intensamente, ou andar tão cansada, ou ser a mãe em que te vieste a tornar.

Pensavas que tinhas tudo planeado. Ou então, estavas perdida e aterrorizada. Ias contratar a babysitter perfeita. Ou ias deixar de trabalhar e aprender tudo sobre crianças.

Sei que não és a mãe perfeita. Por mais que tentes, e por mais que te esforces. Tu nunca serás a mãe perfeita.

E isso, provavelmente, vai perseguir-te. Ou se calhar fizeste as pazes com isso. Ou talvez nem nunca tenha sido um problema.

Eu sei que acreditas que independentemente do que fizeres, poderias ter feito sempre mais.

A realidade é outra.

Não interessa o pouco que fizeste, no fim do dia os teus filhos vão sempre amar-te. Vão continuar a rir para ti, e acreditar que tens poderes mágicos que podes curar quaisquer coisas.

Independentemente do que acontecer no trabalho, na escola, ou num grupo de amigos tu fazes sempre tudo o que está e não está ao teu alcance para garantir que no dia a seguir os teus filhos estarão tão felizes, saudáveis e espertos quanto é possível.

Há um velho ditado iídiche que diz: “Há um filho perfeito no mundo, e todas as mães o têm.”

Feliz ou infelizmente, não há pais perfeitos. Os teus filhos vão crescer determinados a ser diferentes de ti. Vão crescer com a certeza de que não vão pôr os seus filhos nas aulas de piano. De que vão ser mais brandos ou mais rigorosos. Ter mais filhos, ou  menos, ou não ter nenhum.

Um dia os teus filhos vão estar a correr como loucos na igreja, a portar-se pessimamente no restaurante a fazer caretas para o lado, e alguém vai passar e elogiar a tua família.

Uma certeza podes ter: não és perfeita!

E isso é bom. Porque na realidade, nem os teus filhos são perfeitos. E ninguém no mundo se preocupa mais com eles do que tu. Ninguém sabe porque é que eles estão a chorar senão tu, ninguém percebe as piadas deles melhor do que tu.

E já que ninguém é perfeito, tens de desempatar com 2 biliões de pessoas que estão em primeiro lugar “ex aequo” para concorrer à melhor mãe do mundo.

Parabéns melhor Mãe do Mundo. Tu não és perfeita. És mais que perfeita:

És tão boa mãe como o resto do mundo.

 

por Lea Grover em Becoming a super mommy
traduzido e adaptado por Up To Kids®

Nota: Todos os artigos traduzidos, adaptados e publicados pela Up To Kids®, obtiveram autorização prévia do autor e/ou foram comprados os direitos de publicação do mesmos.

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Todos os dias da nossa vida são diferentes. Mais rotineiros ou mais aventureiros, a cada dia acontece algo que nunca tinha acontecido antes. Mas nós estamos preparados para isso porque o ser humano consegue desenvolver capacidades de habituação em relação ao meio que o rodeia. E assim, vamos adquirindo e modificando competências e desenvolvemos o tão importante poder de adaptação, conhecido na nossa gíria pelo poder de “encaixe”.

Ora, se há alteração na vida de uma pessoa que obriga a um grande poder de “encaixe” é “a primeira vez.”

Lembras-te da tua primeira vez?

Não é essa primeira vez…. Essa foi apenas o princípio daquilo que te meteu nesta embrulhada de acordar a meio da noite para dar biberons e mudar fraldas!

As outras primeiras vezes: as que surgiram depois de teres passado para o grupo dos Pais.

Aquelas para o qual nunca estamos preparados porque nunca são explicadas em lado nenhum. As que fazem de nós bombeiras, enfermeiras, professoras, contadoras de histórias, heroínas, Mães de capa e espada sem saber ler nem escrever.

Há sempre uma primeira vez, por isso, minhas queridas, preparem-se. Porque há uma linha que separa uma pessoa feliz de uma pessoa feliz com filhos.

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1. A primeira vez que apanhas o vomitado de alguém com as mãos, de propósito.

Não me perguntem. Passamos metade da vida a fugir daquela pessoa que bebeu imenso ao jantar e que sabemos que a qualquer momento vai dar para o torto! E não queremos estar por perto. Só queremos enfiá-lo num táxi para casa e ficar longe. De repente temos filhos e, desenvolvemos um reflexo de Pais que, mal ouvimos aquela tosse a engasgar corremos já de mãos esticadas para apanhar o que for preciso, ainda, no ar!

2. A primeira vez que é uma tortura separares-te de alguém para ir trabalhar.

As emoções ficam à flor da pele e tornam-se mais complexas e profundas. Tudo se torna mais intenso. Uma mãe a chorar no noticiário da noite é tudo o que não queremos ver. Ou choramos com ela, ou mudamos de canal. A saudade torna-se naquele palavrão que não conseguimos aceitar de forma racional. As primeiras horas longe do nosso filho, duram uma eternidade. Cortam-nos o ar. Dão-nos voltas ao estômago.
Com o tempo habituamo-nos mas sabemos que, a partir daqui, nunca mais seremos como antes.

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3. A primeira vez que percebes que já não és dona do teu tempo

Para as mães, um banho de imersão relaxante, a ouvir música, com direito a sessão de cuidados com a pele, é uma coisa do passado. Agora passas a tomar um duche e a abrir a porta do chuveiro de 5 em 5 min. porque achas que estás a ouvir o bebé a chorar. A licença de maternidade vai acabar, e nem sequer conseguiste organizar aquelas pastas de fotos no computador, nem lavar o enxoval comprado há 6 meses. Deixaste de controlar o teu tempo. De relaxar, de comer, de dormir, porque a partir de agora há sempre alguém à tua frente: o teu filho.

4. A primeira vez que te apercebes que a tua mãe não vai “resolver o assunto” porque agora tu é que és a Mãe.

Há-de haver um momento da tua vida em que as coisas se vão complicar em casa.

Normalmente envolve crianças doentes e muitas noites sem dormir. Uma virose é a prova de fogo. Ao fim de umas noites em branco os pais também apanharam a virose. Passam a noite a levantar-se e a vomitar. O bebé ainda tem febre. E vomitou. É preciso dar-lhe banho, trocar a roupa da cama, pôr a máquina a lavar, dar-lhe o antipirético.  Então ele começa a espernear, fecha a boca e não toma o medicamento.

A febre sempre a subir. Percebes que tens de enfiá-lo na banheira para descer a temperatura, mas estás com um enjoo daqueles… nessa altura pensas que não consegues mais. Há-de haver um momento da tua vida em que queres chamar a tua mãe. Concentra-te. TU és a mãe agora. Devagar, devagarinho vais descobrir forças para tratar dos teus filhos e da tua família. Depois, quando tudo tiver passado vais contar à tua mãe.

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5. A primeira vez que compreendes os teus pais a 100%

Começa assim que o bebé nasce. O amor que sentimos pelos nossos filhos é tão grande que só de olhar para eles temos vontade de chorar. Nesse momento, lembramo-nos de todas as respostas tortas e todas as desilusões que demos aos nossos pais… E percebemos exactamente como é que eles se sentiram.
Agora que os compreendes, aproveita mais a sua companhia e os seus conselhos. Redime-te. Não queiras arrepender-te, outra vez, pelo tempo que perdido. “Filho és, pai serás, assim como fizeres, assim acharás”

6. A primeira vez que sentes orgulho por o teu corpo ser perfeito para a maternidade.

Antes de teres filhos usavas o teu corpo para… enfim, para outras coisas. Um dia mais tarde, depois de conheceres o teu filho, vais perceber que os teus braços não são gordos, são fortes o suficiente para lhe pegar ao colo e o abraçar. Que o teu ombro tem a dimensão certa para ele morder quando os primeiros dentes estiverem a rebentar. O teu pescoço tem a curvatura ideal para ele se aninhar.

Aqui que vais perceber que foste feita para isto. E vais esquecer as estrias que ganhaste durante o parto, e vais orgulhar-te da tua cicatriz de cesariana. Porque fazem parte da história de vida do teu filho. Um dia, quando te sentires grata pelo corpo cansado que te foi presenteado pela maternidade, vais gostar de ti tal como és. E a tua auto-estima é a base para tornares o teu filho mais feliz.

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7. A primeira vez que recordas as primeiras vezes todas e percebes que queres passar por tudo outra vez.

Vais apanhar o vomitado do teu filho com as mãos, vais morrer de saudades e angustia quando voltares a trabalhar, vais ter saudades de ter tempo para ti, vais querer chamar a tua mãe muitas vezes e vais ter uma relação com ela como nunca tiveste.

Finalmente vão falar de mãe para mãe.

Vais orgulhar-te de cada marca e de cada curva mais pronunciada do teu corpo. Vais perceber que todas estas primeiras vezes te deram força para construir as bases onde a tua família cresceu. E na realidade são mais fortes do que pensavas porque ganhaste experiência e agora sabes exactamente aquilo que estás a fazer.

Agora, numa noite mais tranquila, vais ficar a olhar para o teu filho enquanto dorme atravessado na tua cama e percebes que até a baba que lhe escorre do queixo ao pijama é perfeita. E sentes-te completa porque vocês estão juntos, sobreviveram às maiores dificuldades, às noites mal dormidas e a todas as provações. Levas o teu filho para a tua cama, pegas na mão do teu marido e dizes confiante que estás pronta para repetir tudo novamente.

Porque não te imaginas a não ter mais primeiras vezes outra vez.

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