Se há uma coisa que me faz querer viver isolada da sociedade, é estar grávida do meu terceiro filho… e ter de contar à pessoas que é outro rapaz.
Não me interpretem mal, estou super feliz de ter outro rapaz. Embora, honestamente, eu tenha ficado surpreendida. Sabendo que a hipótese de ter rapaz ou rapariga é de 50/50, calhou-me novamente a mesma face da moeda. Apaixonei-me de imediato pela ideia de ser mãe de 3 rapazes. Na verdade, acho que é um grande privilégio ser-me atribuída a responsabilidade de criar e moldar os homens de bem. (Deus sabe, o mundo precisa mais deles.)
O problema começa quando eu partilho a notícia com as outras pessoas. Por alguma razão, a menção de um terceiro rapaz é suficiente para evocar condolências das pessoas, seguidas de um ataque de diarreia verbal que parece implicar que, ter apenas filhos do mesmo sexo é um grande desgosto para a família.
Sim, eu sei, só me posso mudar a mim mesma. Se vou dar ouvidos a cada comentário irritante que as pessoas fazem, vou-me afundar profundamente nas entranhas do ressentimento e tenho impressão que vou demorar muito tempo a sair de lá. E não quero tornar-me naquela mulher de 80 anos de idade com bigode, que odeia toda a gente porque a sua vida foi inundada por pessoas estúpidas e perguntas incómodas que a levaram à amargura.
Então, em vez disso, vou tentar fazer com as outras mães se sintam menos torturadas com os comentários destas pessoas, antecipando já a situação. Aqui fica a lista dos 10 piores:
- “Espero que seja uma rapariga” É incrível a quantidade de vezes que me dizem isto, mesmo depois de eu dizer que é um rapaz. E depois perguntam, com uma cara triste e os olhos pequeninos, se eu tenho a certeza. Digo que sim. E passam para o comentário de que as ecos não são 100% fiáveis, ou para uma das opções a seguir:
- “Estavam a tentar a rapariga?” Ainda há dias aconteceu. Estávamos a jantar com um grupo de colegas de trabalho do meu marido e, uma senhora perguntou-me isto como quem pergunta se estamos a gostar da refeição.
Gaguejei brevemente, antes de murmurar qualquer coisa tipo “Nós não estávamos a tentar nada…estavamos…” . Em seguida, um silêncio longo e muito estranho … fiquei a ferver, com a sensação de violação absoluta. Pareceu-me que por uns instantes estava toda a mesa a ter uma imagem mental súbita do meu marido e eu, “a tentar”.
- “Ficaram com pena de não ser uma rapariga?” Qual é a ideia? Querem pôr-me a chorar? Depois de dois milagres saudáveis e perfeitos com que fui brindada quero é outro assim, certo? O género não é a minha preocupação!
- “Bem pelo menos não tens de:
a) Comprar roupas novas;b) Lidar com uma pré-adolescente impossível; c)arranjar um quarto côr-de rosa d)etc. Não interessa qual o fim da frase. É sempre mau. Ou acham mesmo que uma boa notícia começa com “Pelo menos?”
- “O teu marido deve estar tão contente!!” Sim porque os homens só gostam de ter rapazes e as mães raparigas. Não acham que este estereotipo está um bocado ultrapassado? Eu até compreendo aquelas mulheres que só querem ter meninas cheias de laços e vestidos amorosos, e eu provavelmente também quererei ter uma, mas isso não faz com que fique menos entusiasmada por ter mais um príncipe em casa!
- “Vão continuar a tentar?” chega este abuso da utilização do verbo tentar, ok?
- “Quando eu descobri que ía ter um rapaz fartei-me de chorar!” – Really?? Então devias saber melhor do que ninguém e ficar calada, não?
Este episódio passou-se numa casa de banho pública. Ali estava eu, na minha vidinha, quando de repente tenho as mãos de uma estranha coladas à minha barriga.
-“É o quê?”, perguntou-me
-“Um rapaz. É o meu terceiro rapaz.”
Ela fez uma careta, e disse: “-Eu tenho dois rapazes…”
Hum fiquei animada, alguém como eu uma aliada, mas de repente:
-“Quando me entregaram o meu segundo filho fartei-me de chorar!”Eu devia ter dito que embora não faça qualquer tipo de juízo das pessoas que se mostram desapontadas quando descobrem o sexo do filho, mas que tenho um problema com o contexto onde estas conversas se passam. Se eu me tivesse sentido minimamente decepcionada, ainda podia ter demonstrado alguma compaixão pela senhora. Agora só queria mesmo era fazer xixi.
- “Dizem que depois de três crianças do mesmo sexo, vem sempre uma do sexo oposto” Ou uma superstição parva qualquer deste género.
Eu tinha sabido 10 segundos antes que ia ter um rapaz quando a técnica da ecografia me vomita este lixo não cientifico para cima da marquesa…
- “Estás a perder a feminilidade” Hum? Porque produzo mini máquinas de testosterona? E sim, toda a gente sabe que as mães de rapazes deixam crescer o bigode, e andam à pancada nos jogos de futebol do filhos! Por isso devo estar mesmo!
- “Boa sorte para a próxima” Não há palavras.
Na verdade, a maioria das pessoas que fizeram estes comentários não estavam a querer ofender ou chatear. Muitas delas nem sequer têm filhos ou eram demasiado velhas para se lembrar do que é a pressão exterior no que toca a ter filhos. Quer seja em relação ao número ou ao género.
Agora, a maior parte do tempo, tento levar tudo com um grão de sal, e lembrar-me que nós é que sabemos o que sentimos em relação aos nossos filhos. E eu, estou feliz por ter outro rapaz.
Outras vezes, ainda me salta a tampa, e fico de facto indignada.
Por Kiera para Scary Mommy
traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids®
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