P.R.O.F.E.S.S.O.R | Pessoa, resiliente, obstinada, forte, empenhada, sábia, sacrificada, orgulhosa e resistente.

É também Peça, Régua, Oráculo, Ferradura, Espelho, Sino, Saco, OVNI e Roda.

  • O Professor é a peça para completar o coração das crianças em risco de se tornarem futuras “Constanças” (de quem já muitos se esqueceram).
  • O Professor é a régua que nos vai fazer medir as palavras quando vemos agressões de polícias a pessoas inocentes, ou agressões de pessoas marginais a polícias.
  • O Professor é o oráculo que nos vai ajudar a reflectir sobre o futuro desejado para as crianças do nosso país.
  • O Professor é a ferradura. Não a da sorte. Nem a antiga, mas a ferradura inovadora. É uma ferradura de cortiça (invenção nacional), símbolo de que somos capazes de descobrir novos caminhos (novas práticas pedagógicas) e prevenir lesões (e indisciplina).
  • O Professor é o espelho do mundo, da sociedade, da participação dos pais e encarregados de educação na escola…mas às vezes é um espelho daqueles dos provadores de algumas lojas, já que tem a capacidade de alterar a imagem para melhor.
  • O Professor é o sino que alerta, acorda, inquieta, e ressoa bem no fundo da alma.
  • O Professor é saco. Saco do sport billy. Algumas vezes sem reconhecimento, tem de ter várias competências, diferentes materiais, algumas surpresas na manga,…
  • O Professor é OVNI. Poucos conseguem explicar o mistério: fazer tanto com tão pouco?
  • O Professor é roda. Por vezes está para cima, outras vezes para baixo. Em vários aspectos. Também nas suas práticas pedagógicas, tem altos e baixos. Mas o que nos dá esperança é que quer sempre melhorar.

P.A.I | Pessoa altamente importante.

É também Partícula, Ampulheta e Íman…

    • O Pai é a “partícula de Deus”. Também conhecida como bóson de Higgs, esta partícula determina as propriedades básicas da matéria. Ela é fundamental. Como também são fundamentais as regras, os afetos, a disciplina e a criatividade que os pais passam para os filhos.
    • O Pai é ampulheta. Não tanto pela grande capacidade de gerir o tempo de qualidade que passa com os filhos, mas porque já sabe que na vida as coisas são transitórias. A morte, essa inevitabilidade, leva os pais a darem o seu melhor, a passarem os melhores valores aos seus filhos e a ensinarem-lhes o valor da vida e da fé.
    • O Pai é íman. Podia ser por também ter dois pólos. Podia ser por ter o melhor e o pior. Preferimos dizer que é pelo campo magnético existente á sua volta. À volta dos pais sentimos a calma, a proteção e só vêem coisas boas. Bolachinhas, carinhos, beijinhos, miminhos, estórias de encantar,…

Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Lisbon Kids®

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Há palavras que, pela sua importância, deviam ser ditas com o corpo todo. Professor é uma delas. Sim, sei que há exceções, mas não é delas que quero falar. Porque nos dias de hoje, precisamos de inspiração. Precisamos de alguém capaz de acreditar em nós. Alguém capaz de nos fazer ir buscar ao fundo da alma toda a nossa garra, todo o nosso esforço. Precisamos disto, quer sejamos pais ou sejamos técnicos. E precisamos ainda, mais se formos professores.

Nós, como pais, precisamos de professores no seu melhor. E os professores bons precisam de ser reconhecidos.

Imagine que vai num barco pequeno. Imagine que está em alto mar e começa uma tempestade. E imagine que tem dentro do barco algumas crianças e jovens a seu cargo. Esses jovens são seus filhos. Já entendeu. Vai fazer de tudo para que não sintam a dita tempestade. Vai fazer daquele barco um microcosmos. Vai protege-los com toda a força. E é assim em muitas das Escolas onde vou. Há um grupo de professores guerreiros que deixam o barco a navegar. Convenhamos que “cá fora” há muitas tempestades. E há milhares de crianças e jovens a passar horas nas escolas, conseguindo evitar os raios, a chuva e o frio. Estes são os melhores professores. Aqueles que protegem os alunos da tempestade.

Os melhores professores encetam conversas com vista a limar arestas.
Por vezes há sessões com os alunos que passam longe de serem brilhantes. Ou não estávamos nos nossos dias, ou o grupo de alunos não participou como devia. Custa-nos muito. E é aí que acontece algo extraordinário. Já depois da sessão ter acabado, sem ninguém a observar, sem ninguém a avaliar e, naturalmente, sem ninguém a valorizar, há professores que ficam na sala a debater as causas e as formas de melhorar. Uma conversa de quem verdadeiramente se importa com os alunos.

Os melhores professores vêem a floresta e não apenas a árvore.
Os alunos têm defeitos. Claro. Mas os melhores professores vêem para além disso e encontram também as áreas onde os alunos têm melhor desempenho.

Os melhores professores surgem do nada para saber se está tudo bem.
Se nós adultos temos os nossos dias, também as crianças têm momentos complicados. Muitas vezes encontro um ou outro aluno mais triste, mais cabisbaixo. E do nada, como magia, é comum surgir um professor que pergunta se está tudo bem. Uma palavra simples, um gesto, e logo aquele miúdo vê o dia com outros olhos.

Os melhores professores levam os pais às escolas.
Organizam acções, conferências, mandam convites, comunicam, disponibilizam-se, improvisam, mudam horários, fazem exposições, criam e levam os Pais à Escola.

Os melhores professores são um livro sobre atenção aos pormenores.
Os alunos são capazes de descobrir se a professora mudou de cor de cabelo, se o professor veio com um casaco novo. E o professor entende quando algo está diferente. Há cortes. Muitos. E há superação. Há refeições que são servidas, feridas desinfectadas, corações colados, cartões perdidos e achados. E há o descobrir quando algo está diferente.

Os melhores professores ensinam a aprender.
Ainda hoje, um professor dizia-me no final de uma sessão com alunos: “Gostava de saber como fez. Tem que vir cá para nós professores!”. Vejo o brilho nos olhos deles perante a novidade. Ensinar é aprender a vida toda. É saber colocar as questões certas. É colocar os alunos a pensar. E é tão difícil pensar com as ofertas tecnológicas, com o ritmo apressado das famílias, com as redes (demasiadas vezes) anti-sociais.

Os melhores professores inspiram a nunca desistir.
Há alunos capazes das respostas mais incríveis. Há respostas inconvenientes e inacreditáveis. E os melhores professores mantêm-se impávidos para não beliscar a auto-estima dos alunos. Conseguem rir depois, noutro dia, noutro contexto. Mas em frente ao aluno são capazes de o respeitar e de lhe dar força para mais uma tentativa.

Os melhores professores não vão em conversa de café.
No mini-mercado da esquina há sempre alguém capaz de acreditar no filho quando este diz ser alvo de discriminação, sem ouvir o outro lado da história. As profissões não são todas iguais. Se há uns anos havia um reconhecimento social em relação ao professor, parece que a situação está a alterar-se. Acusa-se de discriminação, de ter férias, de não ser dinâmico e de outras irrealidades, com demasiada imprudência.  Todos os dias há centenas de professores capazes de ultrapassar as críticas injustas, concentrando-se no essencial: os alunos.

 

Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Lisbon Kids®

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